CINZAS E BRUMAS

6 PRESTÍGIO E DESPREZO


Após a confirmação de que não estava sozinho, um vulto saltou entre as árvores, com a voz destilando deboche:


— O grande Mestre-Cavaleiro John Dickson... brincando de casinha na floresta. Sabe, John, quando eu era apenas um recruta no exército, eu o admirava. Todos conheciam sua força e habilidade, mas eu... eu o tinha como algo próximo de um deus.


John respondeu, sem baixar a guarda:


— Pois então você tem sérios problemas. Sou tão errante quanto qualquer outro homem.


O assassino, ainda à espreita, riu com escárnio.


— Ah... não me entenda mal, John. Hoje eu vejo isso. Vejo sua fraqueza, e eu a desprezo completamente. Quando você enfrentou o exército para contrariar Luces, eu entrei em êxtase. Cheguei a pensar em lutar ao seu lado. Esperava que, após fugir, você estivesse planejando sua vingança, uma forma de tomar o trono daquele rei farsante. Imagine minha surpresa quando um dos batedores do Império voltou e relatou que John Dickson estava vivendo em um vilarejo insignificante e medíocre. Ahh... meu ser tremeu de raiva e nojo. Mas imagine minha alegria: agora, eu posso matá-lo com minhas próprias mãos.


Mal as palavras foram ditas, adagas voaram na direção de John. Ele desviou com um movimento fluido e, no reflexo, agarrou uma pedra do chão, arremessando-a com velocidade extrema na direção de onde vieram os projéteis.


Houve um silêncio tenso na floresta. Então, o assassino surgiu atrás dele, sussurrando:


— Errou, John...


A lâmina do assassino desceu em direção ao pescoço do guerreiro. Em uma reação relâmpago, John esquivou por um triz, mas o aço frio ainda desenhou um pequeno corte em sua bochecha. Sem perder o ritmo, o ex-mestre cavaleiro girou o corpo e desferiu um soco devastador no abdômen do oponente. O impacto foi seco e brutal, arremessando o assassino para longe.


Vomitando sangue, o homem tentou se erguer.


— Sim... — ofegou ele, sorrindo com dentes manchados de vermelho. — Esse é John Dickson. Forte, preciso e impiedoso.


Ainda cuspindo sangue, ele continuou:


— Mas é uma pena, Mestre-Cavaleiro. Minha lâmina está banhada em uma toxina mortal. Você já deve estar sentindo seus órgãos derreterem... Hahaha!


O assassino olhou para John, esperando vê-lo cair. Mas o guerreiro permanecia de pé, firme e imponente como uma montanha. O sorriso do assassino desapareceu, substituído pelo assombro.


— Espera... o que aconteceu? Por que você está de pé? Por que não está se contorcendo de dor!?


John, com uma expressão séria e inabalável, respondeu:


— Ora, se você se diz meu fã, deveria saber que nunca fui afetado por nenhuma toxina em toda a minha vida. Faltou fazer a lição de casa?


O assassino, agora sentado no chão e com medo nos olhos, começou a recuar lentamente.


— Es... espera, John. Eu... eu posso ajudar.


O guerreiro aproximou-se calmamente, a sombra de seu corpo cobrindo o homem caído.


Em desespero, o assassino implorou:


— Eu posso relatar que não achamos nada aqui! Que nunca vimos John Dickson...


John balançou a cabeça lentamente.


— Conheço sua laia, assassino. Você não fará isso. E por esse motivo, não posso poupá-lo.


O homem então parou de recuar. Um sorriso amargo surgiu em seu rosto.


— Que pena. Sua brincadeira de casinha acabou, John.


John finalizou o assassino com um único golpe preciso. Rapidamente, voltou seus olhos para a direção de Nádej.


No horizonte, além das copas das árvores, colunas de fumaça escura subiam aos céus. O cheiro de cinzas já tomava o ar.