C o n t r a t o
10 Love The Way You Lie
Notas iniciais
PARTE II

Só vai ficar aí me assistindo queimar
Tudo bem, porque gosto da maneira que dói
Só vai ficar aí me ouvindo chorar
Está tudo bem, porque adoro o jeito como você mente
Adoro o jeito como você mente — Love The Way You Lie (ft. Eminem)– Rihanna
Capitulo 10
Os passos de Elena eram apressados e precisos. Eles eram direcionados a uma bela morena com o copo de espumante na mão.
Ela estava sozinha, era cortejada de longe. Seu rosto denunciava tédio. E quando viu a amiga se aproximar elegantemente, abriu um sorriso no rosto.
― Elena!
― Um Mikaelson, Katherine. ― Elena observou que Katherine contorceu o nariz e logo em seguida o desfez.
― Ah, certo. Você descobriu.
― E você fala isso com toda a naturalidade?
― Elena, não aqui. Não agora. ― Katherine a repreendeu.
― Eu preciso saber. ― insistiu.
Bufando, Katherine deu um passo e segurou o braço de Elena.
― Venha comigo.
Passaram por meio de varias pessoas que cumprimentou a Salvatore, parabenizando-a e bajulando, principalmente os funcionários que antes a desprezavam. Alguns empresários da cidade de todas as idades com suas esposas pomposas, e algumas eram acompanhantes plastificadas.
E ela, a secretaria do setor de economia.
Liv.
Varias palavras se adequam a ela, algumas como: oferecida, interesseira, nada profissional, bajuladora de carteirinha e a que Elena mais gosta de usar; vadia.
Era quase incontável as vezes que ela tinha dado encima dos homens com cargo favorável na empresa, até mesmo de Tyler que era noivo e Stefan – que Elena tinha certeza que já aviam tido um caso.
Katherine, que já tinha soltado o braço de Elena empurrou a porta de madeira com o trinco no meio. Os lados da porta tinham plantas finas que tomavam a parede suja, nem mais tão branca assim.
Elas adentraram o local escuro. Katherine tateou a parede para encontrar um interruptor que foi logo achado e a luz amarela fraca deu luz ao local nebuloso. Era uma deca. Elena não ficou surpresa ao ver as datas dos vinhos e franziu a testa ao tentar calcular o valor de ao menos cinco deles.
― Stefan é realmente rico. ― Katherine assoviou antes de falar, sorrindo e vasculhando o local com o olhar.
― Você ainda tem duvidas? ― desdenha Elena, fechando a porta atrás de si.
Katherine suspirou, encostando-se à parede um pouco mofada.
A deca não era arejada, tinha apenas uma pequena janela que não ventilava todo o espaço. O ar era espesso. O vestido que já era apertado começava a grudar na pele de Elena, que se movimentava para se dispersa desse incomodo.
― E então? ― Elena parou por momento, colocando suas mãos na cintura e levantando seu queixo.
― O que?
― Oh, meu Deus Katherine! Não se faça de burra ou desentendida que é a ultima coisa que você é. ― diz Elena, jogando suas mãos ao alto e deixando-as cair em seguida.
― Eu disse que ele era casado Elena, você irá me julgar?
― Eu deveria.
Katherine se abalou, arregalando um pouco seus olhos, mas deixando-os estáveis em seguida. Elena não poderia perceber isso. Ela nunca imaginou que sua melhor amiga fizesse isso, fizesse o que todos fariam quando descobrissem. Julgassem-na. Este, sem duvidas, era o maior medo de Katherine.
― Tudo bem ― diz Katherine, se esquivando de Elena que vai a sua direção.
― Katherine...
― Olha Elena, eu não poderia imaginar que ele apareceria, sabe, da ultima vez que eu o vi ele tinha me comunicado que não teria certeza se compareceria ou não ao seu casamento, você não é a única surpresa aqui. Queria ter te contado antes.
― Katherine, eu...
― Sabe Elena, você não sabe o que é está apaixonada por um cara que além de tudo é casado e tem um filho, uma família. Não sabe o que é ele te dizer que ama você em um dia e no dia seguinte, aparecer com a família e olhar para você como se não existisse. Isso dói.
― Katherine...
O som da voz de Katherine se elevava aos momentos em que ela falava, tomando conta do local. A voz se tornava alta porque ali era fechado, a janela pequena estava acima de sua cabeça.
― Você não sabe... Não sabe o que é se apaixonar pelo cara errado. Gostar dele ao ponto de talvez te destruir, e o pior, você gostar, por que você é masoquista. Você não sabe.
― Talvez, ― gaguejou Elena. Katherine queria lhe atingir, lhe culpar por ter dito aquilo. Ela conseguiu. ― ...eu saiba, eu...
― Você não sabe, não sabe de nada!
Elena focou seus olhos no chão. Ela sabia que tanto os olhos dela, quanto os de Katherine estavam marejados, contudo a Salvatore tinha certeza, a de Katherine já transbordavam lagrimas salgadas.
Depois da respiração pesada de Katherine se acalmar, viu os sapatos bicos finos de Katherine se movimentar, indo até a porta, e pode ouvir o baque surdo dela batendo.
O cheiro de velharia já inundava o olfato de Elena, levantou os olhos, com o corpo anestesiado para fitar a poeira nos cascos cheios de vinho.
Ela tentou se movimentar desafixar seu pé do chão, poder caminhar até onde tinha deixado Stefan, cumprir o papel ao qual se comprometeu. Mas ela não conseguia, e no momento não tinha ninguém para lhe tirar dali.
***
Kol pode perceber de longe, escorado no poste branco que Stefan estava nervoso. Ele olhava para todos lados, direita esquerda, direita esquerda...
Aquilo estava ficando chato.
Sua bebida avia se esvaziado do copo tão rapidamente quanto ele viu Elena e Katherine saírem da festa, se deslocando para o fundo da mansão. Reprimiu seu desejo incontrolável de ir atrás de ambas, sua curiosidade imensa de saber o porque de saírem assim.
Ele deveria está cursando jornalismo.
Aquela festa estava ficando horrível, os idiotas dos seus irmãos deixavam claro que não tinham lugar na conversa que eles tem, também Kol não se preocupava em saber se Elijah estava cuidando bem da economia, se as próximas férias em família – que ele tinha que participar para manter a imagem – seriam para Irlanda ou Havaí, e se ele participasse desta conversa iria soltar que seu cunhado não é santo e que sua irmã em algum momento não irá passar da porta com o belo enfeite que tinha na cabeça.
Eles eram cegos.
Seus amigos de faculdade não estavam ali. Não tinha nada de bombástico na festa e Katherine tinha sumido. Escapado pelos seus dedos.
Ah, Katherine. Sim, a bela morena amiga de Elena com quem ele ama implicar e também cortejar, a chamando para sair diversas vezes seguidas, entretanto levando uma bela resposta negativa.
O sangue em seu corpo fervia, o frio da noite não o incomodava mais. Kol já estava em ebulição.
Seu divertimento tinha sumido com Elena.
Foi muito bom colocar os braços ao redor da cintura magra de Katherine e a ver bufar e ir para o outro lado da festa.
Ele saboreou muito bem as palavras que saíram da boca dela e da expressão dos olhos azuis claros: “Idiota”.
Com certeza no vocabulário de Kol isso nunca mais ira ser xingamento ou palavra rude. Nada vindo de Katherine é rude, ruim e profano.
Infelizmente não a via todos os dias só quando ia para o apartamento em que ela dividia com Elena ou coincidentemente se esbaravam na rua.
Ah sim, perturbar Katherine é mais prazeroso que a nicotina.
Olhou para Stefan que já tinha bagunçado os cabelos, o rosto dele estava frio, Kol sorriu com isso, não era o maior fã do Salvatore, e agora sua melhor amiga tinha se tornado uma.
Ele se desencostou e começou a andar, colocando o copo vazio, apenas com as pedras de gelo na bandeja do garçom. Aproximou-se de Stefan, com seu melhor sorriso no rosto, era realmente bom ver ele irritado.
Kol sabia que Stefan não merecia Elena, ele não era bom o suficiente.
― Minhas felicitações pelo casamento. ― diz.
Stefan levanta os olhos do relógio de prata com fundo preto, olha para Kol, seus olhos verdes impacientes.
― Obrigado.
― Ótimo relógio. ― apontou com dedo. ― Pediu para fazer sobre encomenda com prata pura, Salvatore?
― Não é da sua conta, não é hora.
― Ah, é claro. Não tem problema. Ainda iremos nos ver muito.
― O que? ― Stefan arque-a as sobrancelhas na tentativa de conectar com que faça o ver o bastardo do Kol tantas vezes.
― Elena. Ainda se lembra dela? ― Stefan se vira, olhando a pista de dança. Ele tinha assuntos mais importantes do que conversa com o Mikaelson. ― Morena. Longos cabelos castanhos. Um pouco ingênua e não sabe onde está metendo o seu nariz. Sua esposa.
― Não estou com tempo para sua brincadeira, Kol. Estou procurando por Elena.
― Oh, é claro. Se quiser minha ajuda estou aqui.
Stefan parecia pensar na decisão, encarando Kol por alguns segundos, bagunçando os cabelos para depois tomar a decisão. Kol já previa isso, ele precisava dele no momento, pobre Stefan.
― Tudo bem.
Kol sorriu, levantando seus lábios um pouco rosados e deixando sua bochecha ainda mais quente de felicidade. Estes sintomas são marotices.
― Você procura na casa e eu vou pelos fundos.
Stefan faz um gesto afirmativo, passando por Kol tão rápido quanto o vento. Kol sabia que Elena não se encontrava no interior da mansão e foi exatamente por isso que ele mandou Stefan para lá.
Se esquivando pela multidão ele foi até os fundos da casa procurar suas donzelas.
***
Katherine ouviu a baque na porta que ela mesma provocou.
Ela se sentiu uma idiota, não deveria brigar com Elena no dia de seu casamento, mas ela estava com o sangue fervendo e a descoberta que sua amiga queria lhe julgar estragou sua noite. Estragou tudo na verdade.
A Petrova não tinha certeza se explodir com sua amiga ou se abrir mais do que deveria iria lhe ajudar. Com certeza não iria. A imagem da família feliz ainda não saia de sua mente. A imagem do garotinho com os olhos azuis idênticos ao céu no verão lhe tocou, mas o que Katherine poderia fazer? Deixar Matt? O Matt que ela prometeu pertencer?
― Deus, me dê uma luz por que talvez nada poderá me salvar.
Sua carreira iria para o ralo se a socialite Rebekah descobrisse que tinha um caso com o seu precioso e perfeito marido. Perfeito uma ova!
― Porque ninguém poderá te salvar Katherine?
Ela queria que fosse um zumbido de algum inseto. Um sapo que o dono dessa voz certamente era. A noite não poderia ficar pior. Seu estômago revirou, queria que estivesse com alguma bebida para colocar o bolo que avia se formado de sua garganta para dentro e não para fora, porque, se ele saísse iria se transforma em lagrimas. E Katherine não queria mais chorar essa noite, ela estava cansada disso.
― Kol...
― O próprio. Sabe que eu adoro quando você fala meu nome assim?
― Com nojo?
― Com desejo.
Katherine sorriu em desdenho, as lagrimas em seus olhos secaram quando viu Kol, era impossível chorar na frente dele. E se isso acontece ela estaria doente.
― Você com certeza está delirando.
Katherine observou a íris escura de Kol, que mesmo no escuro da noite e com apenas uma luz iluminando onde estavam era perceptível. Os castanhos eram firmes e não se abalam eles sempre estão brilhando e ela queria quebrar aquilo, ela iria quebrar aquilo.
― Por você, sim. Não me respondeu, por que ninguém poderá te salvar?
― Por que no mesmo lugar em que você está é pior que o inferno e nem Deus salva. Você é como inferno.
― Então você gostaria muito de se queimar.
― Você sabe que existe uma hipótese que o inferno é gelado?
― O gelo queima, minha querida. ― Ele se aproximou de Katherine e ela desejou vomitar.
― Eu não sou sua querida.
― Então minha Kath.
― Petrova, Mikaelson!
― Petrova Mikaelson só depois do casamento, minha querida.
Ela realmente queria ter uma arma naquele momento.
Katherine desviou de Kol porque ele foi a única coisa que faz ela pensar em algo diferente do que seus problemas. Ela odeia isso. E Kol poderia ser mais agradável, com um ego menor. Não que ela quisesse que ele fosse agradável, mas se isso fosse acontecer ela não precisaria de uma arma.
Andou em direção à saída. Sabia que iria demorar de ver Elena novamente. O seu interior implorava para voltar e pedir desculpas, mas seu orgulho insistia em ir embora.
Parecia magnetismo.
Pegou o sobretudo preto antes de sair, colocando-o para espantar o frio que voltara. E quando abriu a porta do táxi amarelo de Nova York sentiu uma mão tão gélida quanto seu corpo há alguns minutos a impedir.
Virou-se, reconhecendo a aliança dourada. Queria está errada sobre ser ele. Queria que seu coração não batesse tão forte quando viu olhos azuis céu brilhantes lhe fitar.
Ela apenas queria, era errado querer?
Ninguém pode controlar as reações do corpo, muito menos do coração.
― Eu te levo para casa. ― ele diz, com a voz firme.
― E a Rebekah e seu filho?
― Eu disse que não me senti bem, ela disse que iria ficar e dormir na casa do Klaus com o Michel. E meu anjo, me desculpem por hoje.
Não aceite. Não aceite. Não aceite.
Katherine sabia que ele estava mentindo, ele iria a machucar, ele vai lhe machucar. Mas ela ama o jeito que ele mente.
Era errado, contudo parecia certo.
Não seja masoquista.
― Tudo bem.
Tirou a mão da porta, observando o táxi sair de sua frente. Matt colocou uma das de suas mãos grandes atrás de suas costas, lhe guiando em direção ao carro prateado.
Sua cabeça dizia para não entrar, mas seu corpo e coração que a comandavam.
***
Ela viu Kol entrando na pequena deca. Viu ele arregalando os olhos ao olhar para ela. Kol não pediu explicações quando a viu com o rosto borrado. Ele foi até ela e limpou as partes borradas em seu rosto.
― Está tudo bem, vou lhe tirar daqui. Stefan está procurando você.
Elena concordou com a cabeça.
Sua cabeça um turbilhão de pensamentos que ela não conseguia processar todos no momento. Não conseguia assimilar.
― Me leve até quarto, irei trocar de roupas. Tem uma porta pelos fundos que dá até casa.
― Tudo bem, venha comigo.
Kol lhe abraçou de lado e só assim Elena conseguiu andar. Falando para ele para quais lugares tinham que ir.
Kol não se despediu com palavras quando a deixou na porta do quarto, apenas depositou um beijo carinhoso em sua testa e partiu pelo longo corredor, ajeitando seu traje.
Elena fechou a porta do quarto e seus próximos movimentos foram automáticos.
Limpar seu rosto. Tirar os sapatos e o vestido de casamento. Vestir a saia, a blusa branca com o sobretudo rosa bebê e os saltos claros fechados. Ajeitar os cabelos, os soltando e os deixando sem nada, sem nenhum assessório, apenas as madeixas claras e escuras que possuía.
Abriu a porta do quarto, estando ciente de que sua mala já estava no carro. Olhou para o lado e viu Stefan, saindo do seu quarto e com uma roupa mais leve.
Ele a olhou e se encaminhou para ela. Parecia preocupado, mas soube disfarça isso bem.
― Onde estava?
― No banheiro. ― mentiu.
― O que estava... Quero dizer, por que demorou tanto?
― Decidi tomar um banho quente Stefan, estava tensa.
Ele pareceu concorda, sorrindo fraco e estendendo sua mão para ela.
― Tudo bem, vamos nos despedir.
Elena pegou sua mão estendida e ela não quis descrever as sensações que o toque lhe causou. Eles foram até a saída e se despediram dos convidados mais importantes. Tirou algumas fotos para as revistas que Stefan disse que tinha boa influencia.
Caroline estava visivelmente emocionada e deixando claro que tinha uma surpresa para Elena na mala.
Elena não queria saber a surpresa pelo jeito que sua cunhada falou.
Agradeceu cordialmente e queria que o próxima pessoa que lhe abraçasse fosse Katherine, queria que fosse ela a lhe desejar boa sorte pois iria precisar.
Mas não foi.
Procurou por Kol, mas não o encontrou.
Entrou no carro com Stefan em silencio, sentando no banco de couro confortável e pousando suas mãos sobre seu colo. Ela brincava com os dedos tentando não se deleitar com a colônia do perfume do marido.
― Estamos indo para uma fazenda. ― anunciou Stefan.
― Isso não era necessário.
Observou o sorriso de Stefan se alargar, desdenhoso e brincalhão. Raro.
― Você não tem ideia o quanto é necessário para mim agora.
Aquelas palavras a alertaram “Perigo”. Até o sorriso que ele deu ela achou perigoso. Elena achou perigoso não só isso como gostar também.
Ela sabia que estava viciada, mas para vício tem cura, para o coração não.
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