Código Negro
5 Capítulo 5
Notas iniciais
5
Klara demora, então decido ir atrás dela.
Pego o livro que Kutner queria “O espião da guerra”, pode ser bom. Na verdade sinto que ele só queria me provocar, independente de que livro seria.
Vou até o balcão.
–Escolheu um livro, ou a paquera estava tão boa e pegou qualquer um? –Pergunta ele ainda olhando para seu livro.
Ele estava curvado, exatamente como sempre está.
Max sempre foi muito direto e sempre me conheceu muito bem, saberia se eu estivesse mentindo, mas não custa nada tentar...
Além do mais, seria constrangedor admitir, que peguei qualquer livro.
–O livro parece ser muito interessante – disse o mais séria possível.
–Sim, eu percebi. Pelo menos ele é mais alto que você. Tem sua idade?
Sim. Eu sou mais alta que noventa por cento dos jovens da minha idade, são poucos mais altos, e dos poucos, nenhum deles é uma garota.
–Sim. Acredito que sim. Ele é bonito não?
Aproximei-me e me apoiei no balcão me inclinando para ver sua expressão. Ele levanta o olhar.
–Acha que eu posso avaliar?
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Charlie Watson. Não John Watson. Mas, Charlie Watson.
Uma missão praticamente impossível de ser concebida a um jovem de dezenove anos, mas não no caso de Charlie.
Ir até a Servia será um grande desafio. Maior ainda enquanto esse idiota do Charlie estiver apaixonado por Marrie, a prostituta francesa.
Ele poderia ser descrito como absolutamente normal, passarias despercebido mesmo se carregasse uma arvore de natal no lugar do chapéu. Mas ele sabia o que fazia. O disfarce foi a coisa menos importante e a mais fácil de se fazer.
Klara e eu almoçamos junto com Anne, mas depois Klara tinha combinado que encontraria com Marco, então voltei à biblioteca. Pelo menos não teria que “segurar vela”.
Minha tarde inteira foi lendo.
–Vai ficar estrábica. -Brinca Max.
–Será por uma boa causa, estou na metade do livro.
Ele ri.
–Acho que já vou Max. Obrigada. Até amanhã!- Digo já saindo.
–Até!
Vou a caminho da floresta.
Quando chego perto encontro Kurt. Adentro na floresta. Ele está de costas para mim observando algo em cima da arvore. Olho para o mesmo lugar e vejo um esquilo com uma fruta em mãos. Kurt está concentrado.
–Olá.
–Pensei que não viria. -Disse ele se virando.
Agora podia ver seus olhos verdes.
Ele pegou minha mão delicadamente e beijou as costas dela. Reviro os olhos sorrindo.
–O que quer Kutner?
–Só passar o tempo.
–Você me tirou da biblioteca para isso?- Pergunto seria.
–Sim. -Diz ele com um sorriso maroto.
Reviro os olhos.
–Vou voltar ler. –Digo prestes a me virar.
Eu sabia que ele somente queria me provocar.
–Vamos logo Hanna.
Ele pega meu braço e entrelaça com o seu assim fico de frente para a floresta novamente. Ele me guia para adentrar nela.
–Aonde vamos? –Pergunto.
–Para o rio Neckar.
–Uma corrida de dez minutos. Quer apostar corrida?- Pergunto ansiosa.
–Com uma moça? Não... –Diz ele negando coma cabeça.
Medroso. Só porque sou garota acha que pode ganhar.
–Jamais me subestime Kutner.
Largo de seu braço cerro os punhos e digo:
–Preparar, apontar, Já!
Corro o mais rápido que posso.
A floresta em minha volta fica borrada. O vento chega a fazer alguns cortes em meu rosto. Paro um pouco, mas para conseguir faço literalmente um buraco no chão com os pés. Olho a minha frente o rio esta a um metro.
Meu coração bate rapidamente penso que até seria possível vomita-lo.
Como pude ter corrido tão rápido?
Sento-me em uma pedra a espera de Kutner. Ainda estou pasma, nunca corri tão rápido, uma pessoa normal nem mesmo sobre humana poderia.
Tento controlar minha respiração para que ela volte ao normal. Fecho os olhos e inspiro e expiro.
–Savin! O que foi aquilo?!- Pergunta Kutner ofegante.
Olho para cima e o vejo se aproximando. Ele esta todo suado e vermelho.
–E... Eu n... Não... Não sei... -Gaguejo
–Tente se acalmar sim? -Eu concordo com a cabeça.
Ele se senta do meu lado.
–Agora tenho certeza que você é estranha.
Eu dou um pequeno empurrão de brincadeira nele.
Eu juro, não imaginava que ele sairia voando.
Ele bate de costas em uma arvore.
–Kurt! Você esta bem?- Disse correndo até ele.
–Hanna. Você é mais forte do que eu imaginava. –Diz ele sem folego massageando o lugar do braço que empurrei.
–Esta bem?
–Um pouco de dor nas costas. -Diz ele sorrindo.
–Quer ajuda?
Ele concorda com a cabeça.
Dou minhas mãos às dele e ajudo a se levantar.
–Tem certeza que não se machucou? Foram quase dois metros.
–Tudo bem Hanna, estou bem.
–Perdoe-me.
Eu ajudo-o a arrumar o terno e a gravata. Ele me olha enquanto ajusto sua gravata. Isso irrita.
–Pare de olhar ou vai babar. -Digo sorrindo.
Ele cora e desvia o olhar.
Depois que termino seguro uma pedra na mão. Será que estou tão forte assim? Jogo a pedra o mais longe que posso.
Ela desaparece.
–Não conte a ninguém sobre isso, por favor. -Peço.
Ele assente.
–Sabe o que pode acontecer se não contar. -Digo sorrindo e fazendo uma pose de luta.
–Eu já entendi. -Diz ele sorrindo fracamente.
Eu dou um sorriso fraco também.
Ele se senta em uma grande pedra e logo me sento ao seu lado.
Conversamos um pouco sobre nossas famílias e ele me diz que tem uma irmã chamada Clarice. Conto a ele que tenho algumas suspeitas de Haralda. Ela nunca agiu como uma governanta ou algo do gênero. Mas não contei a ele sobre a caixa.
Depois de algumas horas conversando decidimos que era hora de voltar.
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Entro no quarto de hospedes da casa de Klara.
Nunca pensei que Kurt seria um garoto tão legal.
Suspiro encostada à porta depois de fecha-la.
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