Círculos da Vida

1 Capítulo 1 - Noiva x Madrinha


Notas iniciais
Primeiramente sejam Bem Vindos! História completamente minha por favor respeitem!!!

“Pela pessoa ser feia, acreditamos que ela tenha beleza interior, por ser rica, materialista, por ser bonita, egocêntrica, por ser pobre, humilde, e é claro que erramos, as pessoas valem por aquilo que são. Não pelo que tem (ou pelo que não tem), ou pelo que aparentam (ou pelo que não aparentam). Existe um segredo para não julgarmos errado: não julgarmos.” – Julia Blakeney.

Capitulo 1- Noiva x madrinha.

“Porque buscamos tanto sermos tão perfeitos? Perfeição significa ter todas as qualidades e nenhum defeito?”

***

A paciência nunca foi o meu forte. Muito menos quando o assunto se trata de esperar. Sempre fui assim, quando quero alguma coisa, eu a quero para aquela mesma hora e não para dois dias depois.

Respirei profundamente, tentando me acalmar.

Uma, duas, vezes.

Eu estava morrendo de tédio e muita, mas muita fome mesmo. Minha última refeição havia sido a mais de três horas e meia. E cara, eu não conseguia pensar com clareza e realizar tarefas simples enquanto não tirasse a barriga da miséria. A vontade que eu tinha era me enfiar na primeira lanchonete que encontrasse aberta e comer alguns donuts de baunilha com muita cobertura de creme e um cappuccino cremoso. Mas, não! Eu simplesmente não podia ignorar o que eu estava fazendo e atender ao meu simples desejo matinal.

Eu era obrigada a ficar ali parada completamente imóvel, mostrando o meu traseiro gordo para aquelas magricelas peitudas e a filha de Lúcifer que dizia ser minha melhor amiga, segurando uma droga de fita métrica.

- É simples, me devolvam minhas roupas e arrumam outra madrinha. – esbravejei irritada. Era incrível quando o meu humor mudava quando ficava com fome. Meu rosto já era bem rosado o suficiente para aquelas doidas sentadas nos banquinhos impacientes confundirem que o excesso de gordura acumulado no meu rosto, não tinha nada a ver com o meu sobrepeso e sim com a vergonha que eu estava sentindo.

- ESTÁ LOUCA! – Rebateu Gracie (A filha de Lúcifer). Seu rosto estava retorcido numa careta. – O casamento será em uma semana. E se você fizer uma forçinha ai, irá se lembrar da promessa que me fez! – Ela terminou com um biquinho encrespado, braços cruzados e aquele pezinho irritante batendo insistentemente no chão.

Fechei meus olhos, começando a contar malditamente àqueles números lentamente. É claro! Como eu poderia me esquecer daquela porcaria de promessa? Afinal de quantas, quem foi o filho da mãe que inventou esse lance, de que promessa é divida?

Em um bendito dia veio à filha de Lúcifer com aqueles olhinhos pidões, eu já havia arrematado quase á garrafa inteira do meu vinho. E de tanto me encher as paciências me fez fazer uma porcaria de promessa, na qual eu seria sua madrinha gorda de casamento e a deixaria escolher o vestido que quisesse.

Fiz a minha melhor cara de ofendida.

- Hey! Eu estava quase bêbada. – Me defendi, apontei meu dedo em sua direção — E você me chantageou! – Esbravejei descendo do pequeno palco com dois degraus, quando vi que ela se afastou eu a segui, no entanto ao me lembrar da minha falta de roupa voltei para trás rapidinho e puxei o pano das mãos da outra magricela que fez cara feia e me enrolei nele.

- Se você comesse menos rosquinhas, iria caber no vestido. – Ela objetou por cima do ombro seguindo em direção as araras com vários vestidos pendurados.

Sorri sarcasticamente. Ela só podia estar brincando comigo.

- Eu não vou deixar de comer meus Donuts, só pra poder caber em um vestido berrante só por um único dia. – Retruquei novamente, era engraçado que todas as vezes que brigávamos. Gracie sempre ganhava quando nossas briga se entendiam por moda. Puxei meus cabelos, irritada conseguindo desfazer o coque que outrora havia feito e continuei seguindo ela. — Já falei me arranje uma calça social que eu cuido do resto. – Ajeitei o pedaço de pano no meu corpo.

Gracie deixou cair uma das araras com um vestido, virou seu corpo em minha direção. Os olhos grandes esbugalhados me olhavam como se o que tivesse acabado de falar era algo absurdo.

- Eu não acredito que você disse isso Eloise Bernardi. – Ela cuspiu as palavras pra fora. Oh sim, ela ficava tão fofa quando estava indomável. – É o meu casamento! Você simplesmente não pode destruir o meu sonho. E aquele vestido não é berrante ele é só um pouco... Glamoroso demais.

Claro, a parte na qual ela se referia que o vestido era glamoroso demais, na verdade ela quis dizer que o vestido chegava primeiro que a própria pessoa que o estava vestindo. Eu não podia negar que era lindo, porém, iria me sentir como um balão em pouso e pela minha visão periférica estava me repartindo como se fosse vários pneus de carro.

Atirei minha cabeça para trás forçando uma gargalhada alta e sem graça.

- Gracie, esse vestido era para cair soltinho no corpo e não me repartir como se eu fosse pneus de um trator. – Retruquei irônica gesticulando com as mãos pelo meu corpo.

Ela suspirou fracamente revirando os olhos.

- Como disse se você parasse de comer essas rosquinhas e fast food no café da manhã o vestido irá cair perfeitamente em seu corpo. – Ela rebateu sem rodeios se abaixando para pegar o vestido e me entregou sorrindo diabolicamente. Eu a olhei sem entender.

- Não se preocupe! – cantarolou — Essa guerra eu já venci, fiz questão de tirar suas medidas ontem à noite em quanto estava dormindo e logo tratei de fazer outro vestido igual á esse só que com novas medidas. – Ela deu outro sorrisinho vitorioso, praticamente espremi meus olhos a fuzilando, como ela se atrevia entrar no meu quarto enquanto eu dormia.

Contrai minha mandíbula.

- Maligna! – Murmurei baixinho o suficiente para que ela ouvisse, mostrei minha língua e dei-lhe as costas tendo certeza de que ela estava revirando os olhos em quanto ria baixinho.

Dei de ombros, enquanto rastejava o vestido pelo chão até chegar ao pequeno palco, sobre os degraus da escada, deixei o pano que segurava no corpo e voltei para a minha cansativa pose inicial. A vontade crescente que eu tinha era de agarrar aquele pescoçinho daquela serzinha que dizia ser minha amiga. Gracie e eu, éramos amigas desde pequenas, fazíamos faculdade juntas só que em áreas diferentes e dividíamos o mesmo apartamento.

Ao completar vinte e um anos Gracie conheceu Zach e no mesmo ano resolveram que seriam burros suficientes para se casarem com apenas cinco meses de namoro. Por muita insistência dela, acabei aceitando voltar para a faculdade depois de uma tragédia que havia acontecido em minha vida. Sim, eu tratava como uma tragédia e uma grande burrice o que havia acontecido e aos poucos eu tentava voltar para a minha antiga vida.

- Ficou deslumbrante... – Umas das estilistas disse me fazendo voltar para o presente. Agradeceria a ela se ela soubesse do meu passado e como um anjo me tirou de aprofundar meus pensamentos a eles complemente. Olhei para o espelho, e por mais que eu quisesse me achar bonita, nada tirava de minha mente do que eu ainda era uma bola redonda e laranja.

O vestido era de um ombro só, seu caimento era longo e plissado marcando o tronco e caia solto pelo corpo. Ahh! E sem esquecer que ele era de um tom laranja quase chegando ao vermelho.

- Você será a madrinha mais linda, que eu já vi em toda a minha vida. – Gracie chegou por trás de mim, sorrindo. Seu queixo encostou-se a meu ombro enquanto seus braços passavam por cima me abraçando por trás e eu não pude deixar de dar um meio sorriso.

- Não vejo nada de mais... – Murmurei mordendo meus lábios. Não pude deixar de lembrar as piores palavras que alguém poderia ter dito para uma pessoa, e sinceramente... Um soco na cara seria menos doloroso.

Notas finais
O que acharam? Deixem suas opiniões....