Notas iniciais
Não atirei em mim, pleaaaaaaaaaaaase! Cara, que agonia, sério. Esse capítulo estava pronto há três semanas, mas como não tive acesso ao PC, não tive como postá-lo. Digitei agora de madrugada para dormir em paz, sério! Espero que me perdoem, espero que ainda tenha leitores, rs. Tirando isso, estou morrendo de felicidade, oito recomendações e 133 reviews! Wooooooow! Obrigada, agradeço a todos e especialmente a Heaven pela última recomendação, e querida, saiba que adorei a rec e o review, quase chorei, KKKKK. xD Por isso, capítulo dedicado a Heaven-chan (toda íntima já, me bate!) Chega de blabláblá e vamos ao capítulo né? Adorei escrevê-lo, foi muito divertido, estava super inspirada nesse dia. :D E claro, com momentos IchiRukis. xD Até as notas finais, boa leitura! ♥

Capítulo 13

“Gritei até que minhas veias explodissem, esperei o tempo passar, agora tudo que eu faço é viver com esse destino... Você não pode matar o que você não criou.”

Duality — Slipknot

Rukia

181

Meus pensamentos estão desodernados. Okay, nunca tive pensamentos muito equilibrados, mas eles estão piores. Apesar das minhas atitudes de loucura em repentinos momentos da minha vida, nunca me senti assim. Os sentimentos tão turbulentos e confusos, chocando-se um com os outros. Argh.

Que coisa complicada! Odeio me sentir assim.

Ficar presa nessa casa está afetando meu cérebro terrivelmente e isso é um problema. E já tenho problemas o suficiente para resolver. De qualquer modo, sinto que meu coração está começando a perdoá-lo verdadeiramente e agora, não vou me sentir como se estivesse traindo a mim mesma.

Suspirei rolando na cama e afundando meu rosto no travesseiro. Já fazia um tempo que tinha voltado para o quarto, o sono tinha batido novamente e voltei para dormir. Só que o problema era esse, voltei para dormir e no final de tudo fiquei apenas pensando um monte de baboseira.

Adormeci e só acordei horas depois com o cheiro de comida invadindo “meu” quarto. E o cheiro era muito bom. Esquisito. O xerife mal cozinha e quando cozinha... Bem, não que a comida seja ruim, mas definitivamente não cheira tão gostoso.

Levantei realmente curiosa para saber o que estava acontecendo. Esfreguei os olhos para tentar despertar por completo e levantei da cama indo na direção da porta. Abri devagar, com um certo receio.

Parei na porta quando vi uma cabeleira loira que estava na cozinha de costas para mim. O que estava acontecendo? Continuei parada para ver se não estava sonhando ou algo do tipo, mas percebi que não estava sonhando quando Ichigo apareceu do meu lado— surgindo das trevas, porque esse infeliz vive aparecendo do nada — e perguntou.

— Ah, finalmente acordou? — Pude sentir a provocação nas palavras.

— Não, sou sonâmbula. — Devolvi com ironia e ele revirou os olhos. Sorri antes de perguntar — O que está acontecendo?

— Enquanto você dormir, o rapaz que estava responsável por vim abastecer a dispensa — Que esquisito, em todos esses dias em que estive aqui, não vi nenhum “rapaz” da dispensa— veio. Só que não veio sozinho. — O esperei continuar, mas ele não o fez. Olhei para o ruivo que parecia pensativo.

— E? — Perguntei fazendo-o despertar do seu devaneio.

— Bem. Veio uma lavadeira, — Mentira que isso era verdade! — uma faxineira e um cozinheiro. — Tentei disfarçar minha excitação com uma pergunta.

— Pra que isso tudo tão de repente?

— Perceberam que eu não sou sua babá. — Dei uma risada — Apesar da faxineira e lavadeira só poderem vim uma vez na semana, já vai ajudar. Afinal, não posso cuidar de uma criminosa tão perigosa, lavar, limpar e ainda cozinhar. — Ri outra vez deliciada com a situação. Como aquele Yama era prestativo. Pelo menos isso.

— Que bom né? Sua vida deve estar muito melhor agora. — Comentei — E que bom para mim, comer algo decente. — Ele rolou os olhos novamente.

— Ele só vai vim duas vezes na semana. — Informou.

— Hum... Sei. Cadê os outros serviçais? — Questionei curiosa, já que a única pessoa que via era o cozinheiro, de costas ainda.

— Lavando minhas roupas e a outra limpando o lavabo. — Arquei as sobrancelhas e acabei por suspirar, no momento que ia começar a andar, o ruivo segurou meu ombro — Mais uma coisa Rukia.

— O que é? — Falei bruscamente. Quando estou com fome fico irritada.

— A condição para o serviço, é que você fique acorrentada até que eles terminem tudo. — O fitei incrédula. Grunhi de ódio. Maldito Zaraki! Maldito! — Não me olhe assim ceifadora, — Murmurou claramente zombando de mim — foi você que fez um simples grão de feijão virar uma arma mortal.

— Estúpido. — Insultei-o e o fuzilei com os olhos.

— As mãos. — Ordenou com um sorriso zombeteiro ignorando tudo que eu falei. Estendi os pulsos para ele, deixando que os prendesse em uma algema com uma corrente estupidamente grossa, depois, Ichigo foi para trás de mim e me empurrou com o ombro para a frente — Vamos, vou te que prender seus pés também.

Olhei para aquele ruivo idiota e ele ainda sorria debochadamente. Desgraçado! Estava se divertindo! Grunhi novamente e ele deixou escapar uma risada. Andei até o sofá onde tive que sentar em silêncio enquanto ele acorrentava os meus pés. Odiava essas correntes. Bufei. Ainda agachado na minha frente, depois de prender meus pés, olhou diretamente para mim.

— Você não parecia tão irritada no primeiro dia. — Sussurrou com um brilho diferente nos olhos.

— Vai para o inferno. — Sibilei entre dentes.

— Olha a blasfêmia. — Retrucou sem deixar de sorrir e revirei os olhos para ele. Idiota! De repente, seu rosto estava muito próximo do meu e tive que piscar várias vezes por causa da minha visão turva — Se comporte como uma boa garota, sim?

Ele estava brincando com fogo, isso sim!

Aproveitei a distância e ameacei mordê-lo, foi por pouco, mas o suficiente para que ele se assustasse com o festo e se afastasse um pouco.

— O que está fazendo? — Murmurou tentando esconder o rubor da sua face.

— Cuidado, eu mordo sub-xerife. — Avisei-o. E minha “vingança” não terminaria assim. Ninguém mandou ficar se divertindo as minhas custas — Oh Ichigo querido, aqui na frente de todo mundo? — Fingi um longo gemido e os olhos de Ichigo viraram pratos.

— Ei, o que você está fazendo? Cale a boca! — Disse com o rosto todo vermelho de vergonha e se aproximou de mim novamente com o intuito de me fazer ficar em silêncio. Sorri maliciosamente.

— Como você quer que eu cale a boca com você fazendo isso?! — Berrei mais alto e ele apressou-se em tapar minha boca — Oh céus! Isso Ichigo. Ma- — Ai ele tapou minha boca enquanto eu ria.

— Louca! Cale a boca! O que eles vão pensar com você falando essas besteiras? — Tentei parar de rir, mas a expressão dele era tão hilária! Me debati contra ele fazendo com que sua mão parasse de tapar minha boca.

— Ichigooooooooooooooooo! Me possua! — Gritei e no momento seguinte o ruivo tapou minha boca novamente e eu comecei a rir tanto que mal conseguia respirar.

— Mulher demoníaca! — Murmurou com a face em chamas, talvez todo o seu sangue tivesse subido para o seu rosto — O que você fez?

Comecei a me debater novamente e dessa vez o resultado foi pior. Já que ele estava de frente para mim ainda agachado, fui para frente e ele se desequilibrou e caiu para trás, e como eu estava acorrentada, não pude fazer muita coisa além de cair em cima dele em uma posição extremamente convidativa.

— Mais! Isso! — Falei alto o suficiente para no mínimo o cozinheiro ouvir.

O sub-xerife Ichigo Kurosaki, parecendo muito irritado — só parecendo, porque fava para ver que era apenas constrangimento — me jogou de cima dele para o lado e deitou em cima de mim, invertendo as posições. Apesar dele estar me esmagando propositalmente com seu peso, seu corpo estava totalmente colado ao meu, sendo assim, conseguia sentir toda a extensão de seus deliciosos músculos, de seu delicioso corpo.

— Você é uma menina muito má. — O ruivo sussurrou claramente forçando todo o seu peso, deliciosamente distribuído, contra mim e arfei. O ar faltando nos meus pulmões.

— Nunca disse que era boa. — Devolvi com a melhor expressão sarcástica que consegui fazer naquele momento. — Se você está tentando me matar antes da hora, está conseguindo. — Sussurrei com o pouco ar que me sobrava e pude sentir a pressão do corpo dele sobre o meu diminuir gradativamente, mas ainda assim, ele não tinha saído de cima de mim.

— Desculpe. Mas é o castigo por-

Sua fala foi interrompida pelo estrondo de algo de metal caindo no chão bruscamente. Eu e Ichigo buscamos a fonte do barulho imediatamente e viramos a cabeça ao mesmo na direção do lavabo — que era a fonte da barulheira — e vimos a figura feminina estática.

Uma mulher baixa, com cabelos castanhos escuros na altura dos ombros, os olhos grandes e castanhos claros — não tanto como os de Ichigo — vestida em um traje de criada. O escovão ainda estava em suas mãos e sua face totalmente vermelha. Provavelmente tinha se assustado com os meus berros anteriores e agora, com a posição em que estávamos.

— D-desculpe. — Gaguejou abaixando os olhos — Não queria atrapalhar. — Segurei uma risada e o ruivo pareceu se tocar em que situação estávamos. Ele se levantou rapidamente.

— Não, o que é isso. Não estava acontecendo nada.

— É. Não estava acontecendo nada. Ele apenas estava checando se está tudo do jeito que ele deixou. — Disse normalmente ainda estirada no chão parecendo um daqueles tapetes de pele de urso. Queria saber como eu levantaria dali.

— Ignore-a. A bichinha já está afetada. Ainda não aceitou os fatos. — Vi a criada assentir e sair discretamente pegando o balde que tinha deixado cair.

— Burro. — Murmurei o olhando e ele me fuzilou — Depois de todo barulho que fizemos, acha mesmo que ela vai acreditar que eu “afetada”? — Ri da cara dele.

— Não fale como se tivéssemos feito algo. — Murmurou e se afastou.

— Ei, vai me deixar aqui?

— Vou. — Respondeu com as sobrancelhas erguidas — Se pode matar alguém com um feijão, pode se levantar acorrentada. — Oh, estava me desafiando?

— Estúpido. — Resmunguei baixinho tentando me arrastar até o sofá novamente, já que na hora da queda, tinha ido parar a muitos metros de onde estava.

— Disse alguma coisa, Rukia? — Dava para ver que ele estava se vingando e se divertindo pelo sorriso debochado em seus lábios.

— Não disse nada querido xerife. — Levantei meu olhar para ele e dei um sorriso falso, quando abaixei o rosto, revirei os olhos — Lindo e estúpido xerife. — Sussurrei.

O idiota do Ichigo sentou no outro sofá e ficou olhando em quanto eu me arrastava — que nem uma minhoca — até o sofá tentando apoiar minhas costas e conseguir levantar. O que realmente estava dando muito trabalho para uma preguiçosa como eu. Ainda mais de estômago vazio.

Parei.

Que preguiça.

Que fome.

Como resposta, meu estômago roncou alto. Acho que vou ficar parada aqui mesmo. Daqui a pouco irei comer e o Ichigo irá me soltar, então não há porque fazer tanto esforço para quase nada. Por isso, voltei a cochilar.

Ichigo

Fiquei observando Rukia tentando se arrastar até o sofá, e tenho que admitir que a cena era um tanto cômica. Depois de vários minutos ela parou de repente e ficou assim por instantes. Teria desistido? Atrevi a dar uma espiada para conferir.

Ela tinha dormido. Okay. Que mulher que dorme. Seria rude da minha parte deixá-la adormecida ali no chão, por isso, peguei-a no colo o mais suavemente que com segui e a pus no sofá devagar para acordá-la. Suspirei.

Sentei no sofá novamente e fiquei a observando por alguns instantes. Uma voz feminina tirou-me do transe quando anunciou.

— Senhor Kurosaki, suas vestes já estão lavadas. — Ela era uma mulher algo com cabelos brancos e curtos e olhos escuros. O nome dela era Kotetsu Isane. Parecia ser uma boa moça e com certeza era bem mais comunicativa que a outra criada.

— Ah, muito obrigado. — Agradeci com sinceridade — As roupas dela estão no quarto bem ali. — Informei apontando na direção do quarto de Rukia.

— Certo. Com licença senhor Kurosaki. — Fez uma reverência e saiu silenciosamente. Nossa, ela também era muito educada.

Eu realmente estava com fome. Apesar de ter comido algumas frutas. A comida estava cheirando super bem! E estava rezando para que o gosto fosse tão gostoso como o cheiro, porque já fazia alguns dias que não comia algo bem feito. Quem estava cozinhando era Rukia e eu tinha que admitir que a comida era boa e quando brigamos, ela parou de cozinhar para nós dois, apesar de eu não ter visto ela cozinhar nem para ela mesma. E eu não era essas coisas na cozinha, sabia o suficiente para sobreviver.

Então nem preciso dizer que estava louco para encher a pança de comida boa!

E parando para pensar. É a primeira vez desde que estou aqui que me sinto tão bem, tão feliz. Faz muito tempo que não apreciava essa sensação. É como se eu sempre estivesse incompleto, como se faltasse algo e agora... Eu não sinto mais isso, chega a ser esquisito. Se bem que eu já estava acostumado com a sensação de vazio.

Havia sido o vazio que a minha “querida” mãe tinha deixado quando ela fugiu com o assassino de meu amado pai. Apesar de ser passado, eu tenho vontade de reencontrá-la e confrontá-la. Eu quero saber os motivos dela ter feito aquilo, agora eu tenho idade o suficiente para entender. Não quero vingança, afinal, isso não trará meu pai de volta e além disso, ele ficaria decepcionada se eu pensasse em algo como isso. Só quero uma explicação daquela mulher.

E por algum motivo, meu pensamento voou para Rukia. Ela tinha despertado uma enorme curiosidade em mim. Depois de errar tanto ao julgá-la, percebi que há algo estranho. Fico me perguntando sobre o que deve ter acontecido em seu passado. Ainda lembro que no primeiro dia nessa casa, ela tinha dito algo como “O destino é cruel, Kurosaki.”. Rukia deve ter sofrido muito, ela estava tão diferente no dia do pesadelo.

Olhei-a encolhida no sofá completamente adormecida. Dormindo parecia totalmente inocente, nem parecia que carregava o título de “assassina e cruel”.

— Sub-xerife. — O cozinheiro chamou e o encarei — A comida está pronta, gostaria de se servir?

— Claro, só vou acordá-la. — Ele apenas assentiu e aguardou. Logo acordei Rukia que acordou com a “macaca” e a selva inteira murmurando “que é” — A comida está pronta. — Quando disse a palavra “comida”, ela despertou totalmente.

— Cadê, cadê? — Perguntou ansiosa sentando no sofá. Tirei as correntes do braço dela e só deixei a dos pés para manter as aparências. Ela levantou com cuidado, parecendo não ter visto o cozinheiro ali parado. Apontei para a cozinha e Rukia ergueu os olhos e por um segundo um lampejo de surpresa pôde ser visto em seus olhos ametista — Shinji?

Notas finais
Delícia né gente? Adoro terminar os caps assim! Espero que tenham gostado, deixem reviews, pedacinhos de amora! Até o próximo!