By Your Side
1 Incômodo
Notas iniciais
Está muito tarde para até mesmo ter fé
Não pense que as coisas mudarão algum dia
Você deve estar sonhando"
Some Say - Sum 41
– Nada? – ela perguntou, ansiosa, nervosa, mordendo uma unha, enquanto olhava a janela.
– Não. Ele ainda não ligou... – falei, pela quarta vez, tentando fazê-la se sentir menos mal. Uma tentativa falha.
– Por que ele não ligou? – ela perguntou, mais a si do que para mim. Ela andou da direita para a esquerda, ainda mordendo a unha. – Será que aconteceu alguma coisa? – ela perguntou, me encarando. Seus olhos estavam assustados.
– Você sabe como o Sasuke é... Sempre sai e nunca avisa. Daqui a pouco ele está aqui. – falei, me levantando do sofá. Olhei meu celular. Já passava das duas da madrugada.
– Eu sei, mas... – ela falou nervosa, sentando no sofá. – Mas, dessa vez, eu... eu acho que eu não devia ter discutido com ele. — ela falou, baixando o olhar. — A culpa é minha. — ela murmurou.
Aquela cena ocorria pelo menos, cinco vezes por semana. E, como sempre, enquanto Sasuke estava por aí, possivelmente com alguma garota, Sakura estava em casa, sempre se culpando, olhando fixamente o relógio e verificando regularmente o celular, na esperança de alguma mensagem ou ligação. E, como sempre, eu estava ali, ao seu lado, a apoiando e esperando com ela, tentando lhe fazer se sentir menos culpada do que já estava.
– Não, a culpa não é sua. Você sabe disso. – falei.
– Não. Dessa vez a culpa é minha, e você sabe disso. – ela disse me encarando. Sim. A culpa era dela por insistir nele.
– Por que sempre se sente tão culpada? – perguntei, desviando o olhar de seus olhos tristes.
– Porque essa é a verdade... Eu sou a culpada. – ela murmurou. Suspirei. Tentar convencê-la do contrário nunca era a missão mais simples do mundo. – Se eu não tivesse brigado com ele por causa de ontem... Talvez... Ele... Talvez ele estivesse comigo agora.
Encarei meu celular novamente. Duas e vinte da madrugada.
– Itachi... – ela murmurou e a encarei. – Acha que o Sasuke gosta de mim de verdade? – ela perguntou. Era sempre assim. Ela me perguntava a mesma coisa, e eu respondia a mesma coisa.
– Claro, Sakura. – falei, sorrindo forçadamente. Ela lançou um fraco sorriso de canto. – Ele tem sua própria maneira de agir, você sabe.
– Obrigada, Itachi. – ela murmurou, e como sempre, apenas concordei com a cabeça.
– Eu vou para casa... Qualquer coisa, me ligue. – falei sentindo minha voz monótona. Sempre após aquelas palavras dela eu sentia a necessidade de ir embora. Era demais. Não havia porquê de permanecer ali. Ela amava Sasuke. Eu sabia disso. Todos sabiam. Mesmo muitas vezes, eu queria que fosse mentira, talvez, apenas por alguns segundos.
Andei até a porta, ouvindo os leves passos dela atrás de mim. Abri a porta.
– Se o Sasuke estiver em casa, peça para ele me ligar... Ok? – ela pediu, encostando o corpo na parede.
– Ok. – murmurei. Ela lançou outro sorriso fraco.
– Até mais. – ela murmurou, fechando a porta.
– Até... – sussurrei, forçando outro sorriso. Suspirei, sentindo o fardo de sofrer em silêncio. Arrastei meus pés automaticamente pelo corredor até as escadas. Desci os degraus com as mãos nos bolsos, cheguei em pouco tempo ao hall do prédio. Passei pelo porteiro que estava cochilando e puxei a porta, saindo daquele lugar.
Andei pela rua pouco movimentada, e a atravessei, caminhando até o lugar onde havia estacionado minha moto. Peguei o capacete, e o coloquei, subindo na moto em pouco tempo. Encarei o prédio mais uma vez, suspirando. Observei com cuidado a janela com uma pequena e apertada varanda, na qual Sakura estava de bruços, olhando para o celular, possivelmente. Suspirei mais uma vez e acelerei.
Para minha sorte, os sinais estavam a meu favor enquanto eu dirigia velozmente nas ruas. Quantas vezes aquela cena teria de se repetir até ela se dar conta da verdade? Quantas vezes eu teria de ser o bom amigo? Quantas vezes eu teria de ser o ombro para chorar? Era o que eu me perguntava freqüentemente, e nunca sabia a resposta ao certo.
Meu celular vibrou no meu bolso, me fazendo acordar de meus devaneios. Freei a moto antes do sinal fechar completamente. Puxei meu celular e vi que era uma mensagem. Não a li, pois um carro atrás de mim buzinou. Guardei meu celular no bolso e voltei a acelerar.
{ ... }
Havia chegado em casa mais tarde do que esperava. Desci da moto no estacionamento, e carreguei o capacete na mão esquerda enquanto caminhava até o hall do prédio. Puxei a porta e passei pelo porteiro que bocejava.
– Boa noite, senhor... Itachi... – ele me cumprimentou, sonolento. Apenas afirmei rapidamente com a cabeça enquanto andava até o elevador. As portas do elevador abriram-se, duas pessoas saíram dele. Meu celular vibrou novamente, o puxei enquanto caminhava automaticamente para o elevador. As portas se fecharam e a música ambiente começou. Apertei o botão do meu andar e o elevador começou a subir.
Voltei minha atenção ao meu celular. Duas mensagens. Da Sakura. Imediatamente, franzi as sobrancelhas. Li a primeira.
"Itachi, obrigada por ter vindo hoje. Desculpe por ter tomado seu tempo de novo. Eu sempre faço isso... Se o Sasuke ligar para você, por favor, me avise".
"Itachi, desculpe por ter acabado tomando seu tempo. Desculpe mesmo. Me avise se o Sasuke aparecer, ok?".
Suspirei. Sempre era assim... O elevador parou de subir e percebi que havia chegado ao meu andar. Sai do elevador, arrastando os pés calmamente. Guardei meu celular, e peguei as chaves do apartamento. Andei um pouco mais e destranquei a porta. A abri e acendi a luz.
– Devagar... – ouvi a voz sonolenta e bêbada de Sasuke. – Quer me cegar?!
– Ah, aí está você. – murmurei indiferente, colocando o capacete em cima da estante. Sasuke estava segurando uma garrafa de bebida, jogado no sofá, com a blusa com marcas de batons variados. Revirei os olhos enquanto tentava tirar a bebida da mão dele. – Andou bebendo vodka? Pensei que odiasse vodka...
– Odeio... – ele murmurou, rindo em seguida. – Mas, ou era isso... Ou era vinho... – ele riu mais alto, caindo no chão e parando de rir.
– Quem te trouxe? – perguntei, o puxando pelo braço.
– Uma... gostosa... – ele falou, rindo de novo. O carreguei pelo braço até o banheiro. O joguei na banheira e peguei um balde. – Você devia ter vindo... Ia se... divertir... — ele falou rindo mais.
– Se eu quiser beber... – falei, enquanto enchia o balde com água fria. –...pode ter certeza, eu não vou beber como um imbecil. – joguei o balde na cabeça dele. Ele tossiu e voltou a rir.
– Eu não sou nenhum imbecil! – ele levantou da banheira; mal conseguindo manter o equilíbrio, enquanto ria nervosamente.
– Cala a boca Sasuke, e toma um banho. – falei, saindo do banheiro. A risada dele ecoava pelo corredor. Fui até a cozinha, e meu celular vibrou novamente. O puxei do bolso. Mais uma mensagem da Sakura. Suspirei e a li.
"Itachi, desculpa pela insistência, mas o Sasuke está aí? Ele te ligou?".
Encarei fixamente a tela do celular, pensando se deveria responder ou não. Suspirei e comecei a discar seu número. No terceiro toque, ela atendeu.
– Itachi! O Sasuke te ligou? – ela perguntou ansiosa.
– Ele está em casa. – murmurei, sentindo o peso de cada palavra pronunciada. Ouvi um suspiro aliviado.
– Posso ir aí? Como ele está? – ela perguntou. Eu podia até imaginar a animação em seus olhos e seu sorriso de alívio apenas por saber que ele estava em casa.
– Ele está bêbado. – murmurei.
– Tudo bem! Eu vou aí cuidar dele. – ela falou, sem se deixar abalar por saber que Sasuke estava bêbado. – Obrigada por me avisar, até daqui a pouco! – ouvi o som da ligação sendo encerrada.
– Até. – murmurei. Ouvi a risada de Sasuke ecoando novamente pelo corredor. Suspirei e fui para a sala. Liguei a TV, esperando me entreter com algo. Nada conseguia prender minha atenção por tempo suficiente. Saber que Sakura estava vindo à meu apartamento era ótimo, mas pelos motivos errados, ao meu ver, ela estava vindo.
Olhei no relógio, eram quase três da madrugada. Suspirei ao ouvir o som de algo caindo no banheiro. Joguei o controle remoto da TV no sofá e fui para o banheiro.
Sasuke estava caído no chão, cercado por uma pequena poça de sangue e a banheira estava com a torneira ligada. Puxei Sasuke do piso molhado, enquanto o sangue que pingava de sua cabeça sujava o piso do corredor.
Ouvi batidas na porta. O deixei no chão e corri até a porta. Era Sakura. Estava usando um casaco marrom, e ainda usava o mesmo vestido levemente rosado que estava há algum tempo e segurava uma bolsa pequena.
– Onde o Sasuke está? – ela perguntou olhando por cima do meu ombro, o procurando.
– No corredor. – falei saindo da porta. Ela passou por mim, me ignorando e correndo até o corredor. Um pequeno grito fino de medo escapou por seus lábios. Corri até ela, e ela estava com as mãos cobrindo metade do rosto.
– O que aconteceu? – ela perguntou.
– Ele se machucou no banheiro. – murmurei. Sakura tirou seu casaco, sentou-se no chão e o usou para estancar o sangue.
– Itachi, por favor, traga minha bolsa. Eu trouxe um kit de primeiros-socorros... – ela instruiu, colocando a cabeça de Sasuke sobre seu colo. Peguei sua bolsa e entreguei a ela. – Por favor, pegue ele da minha bolsa, eu estou tentando estancar o sangue.
Tirei o pequeno kit de sua bolsa e o passei à ela. Sakura o pegou e tirou o casaco que estava usando em Sasuke. Passei por ela e fui ao banheiro. Fechei a torneira e tirei a tampa do ralo da banheira. Sai do banheiro e voltei ao corredor. Sakura parecia estar terminando um curativo na cabeça do Sasuke.
– Terminei. – ela murmurou. – Me ajude a levantá-lo, por favor? – ela perguntou. Afirmei e sorri forçadamente.
– Claro. – murmurei. Puxei Sasuke pelo braço, enquanto Sakura colocava o outro braço dele em seus ombros, o carregando. Ele estava desacordado.
– Itachi, que marcas são essas na camisa do Sasuke? – ela perguntou, enquanto entrávamos no quarto dele.
– Não deve passar de sangue... – murmurei.
– Oh... – ela sussurrou. Joguei Sasuke em sua cama. – Ele vai ficar melhor?
– Vai. – murmurei. Sakura suspirou aliviada.
– Hã... Itachi? – ela falou e a encarei.
– Sim? – falei.
– Será que eu posso ficar aqui até o Sasuke acordar? – ela perguntou. Sorri forçadamente.
– Claro. – falei. – Pode ficar.
– Obrigada. Você é um ótimo amigo! – ela disse, sorrindo, observando Sasuke em sua cama.
– Eu vou dormir. – murmurei, indo para meu quarto.
– Boa noite. – ela disse. Fechei lentamente a porta, mantendo o mesmo sorriso. A fechei por completo e meu sorriso desfaleceu. Baixei o olhar para a maçaneta. Suspirei. Eu sabia que se abrisse a porta, provavelmente Sakura estaria deitada, abraçada com Sasuke.
A minha sanidade estava pedindo um pouco de tempo. Eu estava gastando e queimando toda a minha sanidade observando os dois, observando Sakura cuidando de Sasuke, observando ela sorrir ao falar dele.
Caminhei até minha cama, e joguei os sapatos longe. Observei o teto, enquanto sentia minhas pálpebras ficarem lentamente pesadas. Mais um pouco. Eu gastaria mais um pouco da minha sanidade sonhando com ela.
Notas finais
^-^
Hã... Bem, não sei se ficou muito bom o primeiro capítulo e a descrição, mas espero que tenham curtido esse capítulo.
Comentários, sugestões e críticas são bem-vindas.
o/
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