Burning Red

4 Como é que é? - Parte I


Anteriormente em "Burning Red"

– Connor, atrás de você! — Gritei, chamando atenção do dragão que guarda a árvore de Thalia, Peleu. Ele grunhiu, o quê chamou a atenção de alguns semideuses que passavam por perto. Eles olharam a cena, e nem sequer pensaram duas vezes. Correram em nossas direções com espadas, escudos e lanças nas mãos, lançando seus melhores xingamentos e gritos de guerras.

Por um único segundo fui distraída e quando dei por mim mesma, fui jogada do outro lado da estrada, perto do Acampamento. As últimas coisas que eu ouvi foi alguns berros de frustação e Connor gritando meu nome, correndo até o meu lado e me colocando em seus braços me levando para dentro do Acampamento.

----------------------------------------------------------------------------------------

Durante minha inconsciência, sonhei. Na verdade, tive quase certeza de quê estava mais para um pesadelo.

Era a noite, num galpão escuro e pouco iluminado. Eu podia ouvir o barulho de carros passando pelas ruas e o som dos minúsculos ratinhos guinchando e roendo as madeiras do lugar mal-cheiroso. Tentei mover-me, porém, estava presa pelos pulsos com grandes e grossas cordas de palha.

Me levantei com dificuldade, murmurando e praguejando em grego, coisa que não sabia falar na realidade. Chamei por ajuda, mas, como já esperava, ninguém ouviu.

Após algum tempo, ouvi vozes e passos se aproximando da grande porta do galpão, e desajeitadamente joguei-me no assoalho duro de madeira, tentando ao máximo não fazer barulho. Cerrei os olhos, deixando apenas uma pequena fresta aberta, caso ocorre-se algo.

Duas criaturas imensas abriram a grande porta de uma só vez, causando um tremor percorrer por toda a minha pele. Eles seguravam um braço cada, e traziam consigo, uma moça, não tão mais velha que eu, porém não consegui enxergar seu rosto.

- Jogue ela ali, perto da garota. — Disse um deles, deixando com que o outro jogasse a moça, que percebi agora que chorava fortemente, ao meu lado. Ele a prendeu com uma das cordas e fez um sinal para que ela não piorasse as coisas. — Ótimo, vamos que o Mestre nos espera.

- E elas? — Perguntou o outro, apontando para nós por cima do ombro largo.

- Deixe que Doug as devore — Eles soltaram risadas escandalosas e saíram do galpão, não antes de deixar uma janela de tamanho médio aberta. A garota ao meu lado continuou a chorar, cada vez mais, murmurando nomes que não conseguia entender.

O dia clareou, e com isso, fez com que eu abrisse os olhos lentamente. Com a claridade, pude ver melhor o galpão e a garota do meu lado, que continuava acordada. Sua pele era levemente bronzeada, seus cabelos longos e loiros caiam como uma cortina sobre seus ombros e seus olhos cinza-tempestuosos encaravam meus pulsos.

Baixei meu olhar para meus pulsos e percebi o porquê do olhar da garota. Eles estavam avermelhados, ensanguetados e inchados. Olhei atônita para eles e me pus a chorar, pela dor e por estra presa sem o consolo de meus pais.

- Qual seu nome, senhorita? — A garota, de forma tão formal, perguntou-me.

- Sou Amélia Stryder. E você? — Respondi, engulindo um pouco do choro.

- Sou Atena, deusa da Sabedoria, Artes Técnicas e Estratégia em Batalhas.

Acordei atônita e suada por causa do sono. Comecei a olhar em volta e um moço veio me atender.

- Bem Vinda ao Acampamento Meio Sangue.

- Como é que é?