Burning In Red
5 Meu melhor amigo.
Notas iniciais
Uma semana tinha se passado após aquele tal acontecimento que a vadia da Rebecca provocou. Eu ainda me perguntava se existem pessoas no mundo que não querem ver as outras felizes. Pelo jeito, existem sim. Eu não conseguia sair do meu quarto, não tinha ido para o colégio. Tudo o que eu fiz nessa semana que se passara foi dizer a minha mãe que estava doente e que não queria ir para o colégio assim. E ela acreditou. É nessas horas que eu agradeço por minha mãe não ligar tanto pra mim. Mas eu realmente sentia falta do Kevin, e ele parou de falar comigo por conta de uma mentira, era isso o que mais me deixava chateado. Ele não me deu oportunidade de explicar tudo o que aconteceu. Eu achava que, mesmo em pouco tempo ele confiaria em mim. Mas não, ele não me escutou. Eu estou sem ânimo para nada. Foi aí que alguém bateu na porta.
- Pode entrar. – Eu falei e levei uma surpresa ao ver quem estava parado na porta.
- Artie? – Eu levantei da cama em um pulo e ele veio em minha direção. Ele me deu um abraço bem apertado. Era a única pessoa que eu precisava naquele momento, pois eu tenho certeza de que ele vai me escutar e me aconselhar. Mas o meu medo é que ele me julgue, porque sou gay. Ele é meu melhor amigo, ele não pode fazer algo assim comigo.
- Eu senti sua falta, Artie. Você parou de me ligar nas ultimas três semanas. Aconteceu algo com você? – Sentei na cama e ele na minha poltrona em frente à cama.
- Eu briguei com minha mãe, Will. Você sabe que eu não sou de ficar calado e acabei sendo expulso de casa. Depois que eu fui morar em Nova Jersey muita coisa mudou em mim. – Ele olhou para mim e deu um sorriso de lado. Retribui.
- Mas enfim, o que aconteceu para você ser de casa? Foi coisa séria?
- Ah, ela descobriu que eu sou bissexual. Eu não te contei antes porque achei que você iria me julgar. Mas eu pensei bem e sei que você nunca iria fazer isso. – Ele sentou na cama de frente pra mim. Nunca passou pela minha cabeça que o Artie é bissexual. Talvez seja uma boa coisa, não preciso mais esconder minha orientação sexual dele. – Sua mãe me chamou pra te ver, ela me falou que faz uma semana que você não vai para o colégio.
- É, aconteceram algumas coisas comigo e tem uma coisa que eu preciso te contar. Eu sou gay. – Eu disse e olhei pra ele. Ele sorriu.
- Eu sempre soube disso, Will.
- Como assim? – Eu dei uma risada.
- Não importa. O que importa é que você vai ter que sair dessa cama, agora. Vamos dar uma volta pela cidade. — Ele se levantou e ajeitou sua roupa que estava meio amarrotada. Eu tinha notado que ele tinha cortado o cabelo, colocou um piercing de argola no nariz e estava usando roupas mais despojadas do que o normal. Ele realmente tinha mudado e isso talvez fosse uma boa coisa. Eu coloquei uma camisa azul e uma bermuda jeans e calcei meus chinelos. Quando sairmos, foi impossível não deixar de olhar para a casa do Kevin. A janela estava fechada e não tinha sinal de que ele estava lá. Abaixei a cabeça e senti uma pontada no meu coração. A vida continua Will. O Artie começou a falar das coisas que ele fez antes de sair de casa. Os pais deles se separaram e ele preferiu ficar com a mãe dele, assim como eu. Chegamos a um lugar meio deserto e sentamos em uma calçada que havia lá.
- Então, Will, como andam as coisas no colégio? Tudo na mesma? – Ele falou tirando o celular do bolso.
- Tudo sim, quer dizer, algumas coisas. – Olhei para o céu.
- Você tá mentindo pra mim.
- Não estou.
- Will, você está sim. Eu te conheço, muito bem por sinal. Como estaria tudo bem no colégio se você não aparece por lá há uma semana? – Ele me encarou. Estremeci.
- TUDO BEM! – Gritei. – Eu conheci um cara há duas semanas.
- E o que tem de errado nisso? – Ele falou levantando as sobrancelhas.
- A irmã dele me chamou pra sair. Eu dei um fora nela porque eu gosto dele. Então, ela armou pra mim, fazendo uma montagem com aquela nossa foto que eu guardo no armário do colégio. Ela me expôs pra todo o colégio e ele não me deu a chance de explicar o que aconteceu. E desde esse dia eu não consigo ir para o colégio, porque eu não vou tê-lo novamente, isso parte o meu coração. – Senti meus olhos lacrimejando. Abaixei a cabeça e comecei a chorar. Por que tudo aquilo estava acontecendo comigo? Eu não sabia o que fazer, eu não sabia pra onde ir. Eu estava perdido. O Artie se aproximou e me deu um forte abraço, então eu me aconcheguei nele. Com certeza, ele sabia o que estava fazendo e foi ali que eu tive certeza que fiz a escolha certa sobre meu melhor amigo.
- Tudo vai ficar bem, Will. Eu prometo que vou te ajudar com isso tudo, mas primeiro, você tem que se acalmar. Eu estou aqui contigo. – Ele levantou meu rosto e enxugou minhas lágrimas. E de repente eu fui surpreendido com um leve e delicado beijo. Ele alisou o meu rosto e eu estava imóvel. Ao ele me soltar, eu estava perplexo. Não sabia o que fazer ou dizer. – Relaxe, Will. Esse beijo foi apenas para acalmar você. – Ele sorriu.
- Como assim, me acalmar. Você é meu melhor amigo, porra. – Ficamos alguns segundos em silêncio, em seguida começamos a rir da situação. Cara foi estranho, mas agora eu estava bem melhor. Acho que ele já sabia o que iria acontecer.
Depois de alguns minutos, nos levantamos e fomos em direção a minha casa, eu já estava bem melhor. Quando eu passei em frente à casa do Kevin, o vi na janela. Desviei o rosto para não perceber meu rosto inchado.
- Ele mora aqui, Artie. – Sussurrei. – O tal cara.
- Aqui? Legal... – Ele falou. Entramos na minha casa e como ele não poderia voltar sozinho à noite para a casa da mãe dele, ligamos para ela e eu disse que ele iria passar esse final de semana aqui comigo. Ela assentiu e disse que ele estava precisando ficar com os seus amigos de verdade. Eu dei uma de minhas cuecas samba-canção pra e uma camiseta pra ele dormir. Pra ele ter um pouco de privacidade, eu pedi pra minha mãe dormir na casa da Tia V, que tinha um quarto sobrando, então eu poderia dormir no quarto dela e ele poderia dormir no meu. Tudo bem até então. Ficamos acordados até tarde conversando bobeiras e assistindo uns filmes de ação que meu pai esqueceu-se de pegar. Tava tarde, hora de dormir. Ele veio comigo até o quarto da minha mãe, queria ver se eu estava bem mesmo.
- Então, Will... Gostou do seu dia? – Ele sorriu.
- Claro que sim, você sempre me faz bem. – Sorri de volta e ele abaixou a cabeça.
- Sabe, tem uma coisa que eu ainda não te contei.
- Pode falar, sabe que pode contar comigo.
- Eu não sei se devo... – Fiquei meio assustado, mas eu quero saber de qualquer jeito o que é.
- Artie... Você sabe que pode confiar em mim. – Eu segurei em sua mão.
- Will, desde quando eu desconfiava que você fosse gay, eu sempre tive uma queda por você. – Ele ficou gelado e eu também.
- E então, o que voc... – Quando me dei conta, ele estava me beijando e eu não pude evitar, eu gostei daquilo.
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