Burning In Red
6 Decisões.
Notas iniciais
Acordei cedo no domingo, com o Artie deitado ao meu lado. Após o beijo que ele me deu eu apaguei, pois estava muito cansado e ele aproveitou que não tinha ninguém em casa para ficar ali mesmo. Eu não vou mentir, eu amei o beijo, mas eu ainda sinto falta do Kevin. Eu vou fazer de tudo para esquecê-lo já que o Artie estava ali comigo.
- Bom dia. – Ele me falou, alisando meu braço. Eu sorri.
- Bom dia, Artie. Dormiu bem?
- Muito bem, e você? – Ele levantou e alisou o meu rosto.
- Também. Muito obrigado por ontem. – Levantei e fui em direção a cozinha, no andar de baixo.
Minha mãe ainda não havia chegado então eu teria que fazer algo para o Artie comer. Decidi ir comprar pães para preparar uma coisinha simples. Avisei a ele que iria sair e fiz o ritual matinal antes de tudo. Assim que fiquei pronto, eu saí porque aos domingos a padaria fecha mais cedo. Eu estava caminhando e pensando como seria estranho se o Artie e eu namorássemos, já que toda a vida nós éramos melhores amigos. E de repente eu me deparo com o Kevin sentado na varanda de sua casa. Eu não deixei de olhá-lo e ele também fez o mesmo. Eu queria correr até ele e dizer tudo o que aconteceu de verdade, mas eu temia que ele não me escutasse, então não fiz nada. Chegando a padaria, por incrível que pareça eu encontrei com a vadia da Rebecca, e eu me enchi de ódio.
- Oi, Willgay. – Ela falou e eu tenho certeza que a mulher que estava atrás de mim escutou. Decidi não responder, ignorar é a melhor opção mesmo que eu queira bater na cara dela. Mantenha o controle, William. Ela foi embora rindo de mim, com certeza. Mas deixei pra lá, não vou deixar uma vadia de quinta estragar o meu dia.
Comprei os pães e fui para casa rapidamente, mas quando passei em frente à casa do Kevin ele não estava mais na varanda. Não me importa mais, ele não me quer na vida dele. Cheguei a minha casa e o Artie já tinha tomado banho e trocado a roupa. Ele estava lindo e cheiroso. Corri logo para o fogão para fritar ovos, para comermos com os pães que eu comprei. Nada como um bom e velho pão com ovo. Preparei tudo e dei um pão para ele comer, com achocolatado. Ele sorriu. Sentamos a mesa e começamos a tomar café da manhã.
- Tá gostando? – Eu falei.
- Claro que estou porque tudo fica melhor quando estou contigo. – Ele sorriu de lado. Era estranho ouvir isso do meu melhor amigo que talvez possa ser meu primeiro namorado. Eu sorri de volta. Alguém bateu a porta. Eu sabia que não é a minha mãe porque ela tinha a chave. Abri-a e vi que era a mãe do Kevin. Ms. Kingston.
- Olá, William! Sua mãe está? – Ela sorriu. Assim como os filhos, a senhora Kingston é muito bonita. Loira dos olhos azuis e pela idade, algumas rugas em seu rosto. Seu sorriso era grande, contagiava qualquer um que o visse. E ela não era tão alta.
- Não, senhora Kingston. É algo importante? – Falei sorrindo de volta.
- Não Kevin, eu apenas queria dar a ela esses produtos de belezas que ela me encomendou. Posso deixar com você para entregá-la? – Eu assenti com a cabeça e ela me deu. Eu queria saber sobre o Kevin, acho que ela não iria desconfiar se eu perguntasse.
- Como vai o Kevin, Ms. Kingston?
- Ele esteve meio doente essa ultima semana, não foi para o colégio essa semana.
- Mande melhoras por mim, Adeus! – Ela assentiu e foi embora.
Então quer dizer que o Kevin também não foi para o colégio essa semana. Ele também está mal sobre a nossa briga. Eu tinha que fazer algo para tê-lo de volta, mas eu não quero magoar o Artie. Ele disse que me amava, mas eu sei lá no fundo que não sinto o mesmo. Eu estava realmente confuso. E se eu falasse a verdade para o Artie e ele ficasse chateado comigo? Eu não quero perder o meu melhor amigo, ele é a única pessoa que me entende além da tia Vanessa. Minha mãe chegou e ela disse que a noite foi muito boa na casa da minha tia, disse que conversaram demais e ela estava precisando disso depois da separação com meu pai. Nós rimos e eu fiquei mais um pouco com ela. O Artie subiu e falou que iria descansar um pouco no meu quarto. Anoiteceu e nós jantamos. Tudo preparado por minha mãe. Após comermos eu fui pro meu quarto e o Artie veio junto. Ficamos jogando videogame como nos tempos antigos. Ele sempre me vencia e dessa vez não seria diferente. Olhei para a janela rapidamente e eu vi o Kevin olhando para as estrelas. Senti meu coração doer. Ele estava triste, eu podia sentir isso. Mas não poderia fazer nada pra ajudar. Depois que nós terminamos de jogar, eu fui tomar um banho e o Artie ficou no quarto. De repente alguém abre a porta do banheiro. Era o Artie e eu estava pelado.
- Que grande hein! – Ele deu uma risada. Fiquei corado de tanta vergonha porque só a minha mãe tinha visto o meu pênis em toda minha vida.
- Obrigado? – Falei rindo.
- Imagina isso quando fica animadinho... – Tive que rir.
- Posso terminar meu banho, Arthur?
- Claro que pode, estou esperando você no quarto. – Ele sorriu meio malicioso e saiu. Fiquei curioso, mas com medo ao mesmo tempo. Terminei meu banho, me enxuguei no banheiro e fui para o quarto de toalha. O Artie estava lá, como ele disse, me esperando. Levei um susto enorme e ele riu de mim.
- Você pediu pra eu esperar então eu esperei. – Ele disse se levantando e me puxando pra cama.
- Eu percebi... – Falei. Aos poucos ele foi me deitando na cama e me beijando lentamente. Eu me sentia culpado por tudo aquilo porque eu estava pensando no Kevin e não no Artie. De repente ele foi colocando a mão por baixo da toalha e começou a alisar meu pênis. Fiquei sem saber o que falar. Eu tinha que fazer algo, eu tinha que contar a verdade. Eu tentei empurrá-lo, mas ele me prendeu.
- Para Artie, PARA! Minha mãe vai entrar aqui! – Falei usando essa desculpa.
- Ela está dormindo, para com isso. – Ele voltou a tentar me beijar.
- Arthur, para. – Falei sério me afastando dele. Ele se levantou e olhou pra mim assustado.
- O que aconteceu? Fiz algo errado?
- Não é com você, é comigo. Eu amo muito você e não vou te iludir por isso. – Ele sentou na poltrona de frente pra cama. – O que eu estou tentando dizer é que, eu e você não podemos ficar juntos. Eu gosto do Kevin e você é meu melhor amigo. Não quero perder sua amizade, você é muito importante pra mim e você sabe disso. – Após falar isso tudo, eu respirei fundo e olhei nos olhos dele.
- Will, por que você não disse antes? – Ele se levantou e sentou ao meu lado.
- Eu achei que você nunca mais iria falar comigo. – Falei quase chorando.
- William, escuta. Haja o que houver, eu nunca vou deixar de ser seu amigo. Nós somos amigos desde quando éramos pequenos. Eu gosto muito de você, mas se você não me ama de volta seria meio injusto com você e comigo. E eu vou te apoiar em qualquer decisão. – Ele me abraçou e eu desabei.
- Me desculpa cara, me desculpa. – Eu chorei como uma criança.
Depois dessas emoções, o Artie me incentivou a ir falar com o Kevin. Eu fui morrendo de medo, pois não sabia o que iria acontecer. Estava com medo de que ele não quisesse falar comigo. Bati a porta e quem abriu foi ele, Kevin.
- Oi. – Ele disse.
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