Burning Fire
17 Capítulo 17
No final do dia, eu já me sentia bem melhor. Físicamente, pois a cena que eu logo depois do jantar, não foi nada animadora.
O Quarteto tinha ouvido sobre algum acidente no centro da cidade, e correram para lá, com receio de que fosse alguma armação do Victor. Depois de muito discutir com Reed, Sue foi junto (apesar da preocupação com a saúde dela e do bebê). A principio, fiquei com medo de ficar sozinha ali naquele apartamento. Fiquei olhando enquanto eles saíam, e não parei de encarar, até que Johnny sumiu do meu campo de visão, pelo elevador. Liguei a TV, para ver se havia alguma informação, ou algo que me distraísse enquanto eles não voltavam. Mas o que eu vi, foi diferente:
Primeiramente, vi um carro com as rodas para cima, no meio da principal avenida da cidade. Enquanto a câmera vasculhava o local do acidente, o quarteto já estava saindo do carro, para oferecer toda a ajuda possível. No mesmo instante que Johnny pisou na rua (com aqueles óculos escuros e a jaqueta de couro, aiai... SE CONCENTRA, AMBER!), uma mulher, morena de cabelo curto, com uma roupa pra lá de provocante, e aos prantos, jogou os braços em torno do pescoço dele. Até aí, tudo bem. O pior foi quando ele colocou as mãos de leve na cintura dela, e a beijou nos lábios. Não foi aquele beijo de cinema, mas doeu como se o martelo do Thor tivesse caído na minha cabeça com a força de mil raios. Meu coração se dilacerou, e eu percebi que estava chorando.
Você, caro leitor, que está acompanhando minha história desde o início, pensava que Johnny realmente mudou e gostava de mim, certo? Pois é. Eu também. E pela cara que Reed, Sue e Ben fizeram ao ver aquela cena deplorável, eles também acharam isso.
Desliguei a TV no mesmo instante, fui ao banheiro, apoiei as mãos na pia e tentei parar de chorar. Assim que vi meu reflexo no espelho, aquela tristeza se transformou em raiva. "Como pude ser tão idiota?".
Abri meu kit de maquiagem e dei um jeito nas olheras e nas manchas avermelhadas que aparecem toda vez que eu choro. Deixei um bilhete para Reed, falando que eu já havia terminando tudo o que tinha para ser feito hoje e também já adiantei o trabalho de amanhã (o que não era mentira). Peguei minhas coisas, e saí pelo elevador. Mal sabia que, que não voltaria tão cedo.
Assim que saí do elevador, a simpatia do porteiro me fez sorrir.
— Vai sair tão cedo, Amber?
— Sim, já terminei meu serviço de hoje, e como meus chefes estão fora, não tenho muito o que fazer lá em cima. Tenha um bom dia! — respondi, sorrindo.
Coloquei meus fones de ouvido, liguei uma música aleatória do Maroon 5, e fui caminhando para casa, Não estava calor, então talvez o ar fresco me faça bem.
Na metade do caminho, parei em um café pequeno e acolhedor. Pedi um capuccino e sentei nas mesinhas que ficam do lado de fora, pois aquele ar puro e fresco estava ajudando muito. Tentei tirar aquela cena da minha cabeça, lembrando de situações boas que aconteceram antes de tudo se complicar.
Meus melhores amigos da infância. O primeiro dia de aula no melhor colégio que eu já estudei. A primeira vez que ganhei um computador, e todo mundo ficou impressionado com a rapidez que eu aprendi a mexer nele. Minha formatura do ensino médio.
Já estava sorrindo sem sentir quando um carro grande e preto parou perto da calçada onde eu estava. O vidro da porta traseira abaixou, e sim, era ele mesmo. Victor.
Abriu um sorriso deslumbrante, como se fossemos grande amigos que não se viam faz tempo. Ele saiu do carro, e sentou descaradamente na pequena mesa onde eu estava. Fiquei encarando-o indignada com a falta de vergonha na cara, e morrendo de medo. Eu tentava controlar a tremedeira, enquanto tentava demonstrar coragem através da minha expressão facial. E eu devo dizer: é mais difícil que segurar um bocejo.
— Uma moça bonita e inteligente como você não deveria estar tomando café sozinha. Onde está Johnny? — Ele perguntou. Respirei fundo após ouvir aquele nome. Havia esquecido dele por alguns segundos, entao, a cena do beijo voltou a minha cabeça.
— Ele pode estar até no inferno que eu não vou ligar. — respondi, mexendo o meu capuccino quase intocado. De repende, senti que meu estômago não aguentaria nem um pequeno copo de água.
— Nossa — ele arqueou a sobrancelha, demonstrando supresa, e se encostou na cadeira. — Vocês pareciam estar se dando tão bem aquele dia. Diga-me o que aconteceu. Sou todo ouvido.
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