Burning Desire - Bade
25 Raivoso
Notas iniciais
P.O.V Da Jade
Horas depois...
— Ele te demitiu? — Tori me olhou chocada.
— Sim, nem me deixou explicar. Ele está com tanta raiva de mim. Devia ter visto como ele me tratou. O jeito que ele me olhava... Com nojo e desprezo. Eu me senti tão mal. — Comecei a desabafar. — Ele me xingou, me chamou de vadia interesseira, Tori. E ele tem razão, mas aquelas palavras me atingiram de cheio... Estou ferrada. Perdi meu emprego. Como vou me virar agora? O Oliver garantiu que vou receber o pagamento que eu tenho o direito. Mas e quando essa grana acabar? — Cobri o rosto, frustrada.
— Olha pelo lado bom, você vai receber o suficiente para investir no seu livro. Publicar o seu livro não é o seu maior sonho? Agora você vai poder realizá-lo. — A Vega sempre era otimista.
— Mas eu gostava de trabalhar na Editora. Vou sentir falta. E o Oliver era um bom chefe, apesar de tudo... — Lamentei.
— E você vai sentir falta dele. — Disse em voz baixa.
— O quê? Claro que não! Ele até era um bom chefe, mas é muito metido, egocêntrico, chato, arrogante e cretino! — Afirmei.
— E você gosta dele, está escrito na sua cara. — Apontou para mim.
— Você tá louca? — Peguei minha caneca que estava quase vazia e levantei, indo pegar mais café.
Tori me seguiu até a cozinha.
— O emprego é o de menos, você está arrasada porque o Sr. Bonitão está magoado e com raiva de você. — Disse séria.
— Você acha que eu gosto dele? — Acabei me atrapalhando e derrubando minha caneca. — Merda! — Exclamei me abaixando para juntar os cacos.
— Está vendo? Você fica até nervosa. — Riu. — Cuidado para não se cortar. — Alertou.
Desisti de pegar os cacos com as mãos e fui pegar a vassoura e uma pá de juntar lixo.
— O sexo com ele é bom... Quer dizer, é mais que bom, mas isso não significa que eu... — Me calei.
— Admita que vai sentir falta do sexo com o Oliver. — Ela não ia me deixar em paz.
— Mas que porra, Vega! Você sabe a resposta. Sim, eu vou sentir falta! Não só do sexo... Como da companhia também... — Admiti.
De repente me bateu uma tristeza. Varri os cacos e ela me ajudou usando a pá.
— Ei, olha para mim. — Se aproximou.
Funguei e senti meus olhos arderem. Toquei nas minhas bochechas que estavam ficando úmidas.
— Oh, Jay, você está chorando. — Me abraçou.
— Não estou chorando, caiu alguma coisa no meu olho... — Menti esfregando os olhos.
— Deixa de ser orgulhosa, pode chorar. À vezes é bom colocar para fora. — Deu tapinhas em minhas costas.
— Acho que me apaixonei... E agora ele me odeia. — Apertei ela enquanto caia em prantos.
[...]
P.O.V Do Beck
— Mulheres são todas iguais. Como eu pude cair na lábia dela? Ela parecia tão diferente das outras. Me seduziu. Me enganou direitinho. Aquela mulher me iludiu, ela é uma vadia oportunista, André! — Enchi meu copo novamente.
Virei a bebida, o líquido âmbar desceu ardendo garganta adentro.
— Maldita Jadelyn West! DESGRAÇADA! — Gritei com raiva arremessando o copo vazio na parede.
— Calma aí, Beck. Senta e tenta ficar calmo, ok? Chega de bebida por hoje! — Tirou a garrafa de Uísque do meu alcance.
— Comprei esse anel. — Tirei a caixinha preta de veludo do bolso. — Eu pretendia pedí-la em namoro... — Abri a caixa e mostrei a bela jóia para ele.
Ouro-rosé adornado com três pedrinhas negras no centro. Cristais de Pedra Ônix.
— Uau! — Arregalou os olhos. — Deve ter custado uma fortuna, hein? — Assobiou.
— Agora não importa mais... Essa porcaria! Ela nem merece! — Fechei a caixinha e joguei por cima da cabeça do meu amigo.
Solucei por conta das doses que tomei. Eu já estava tonto. Minha visão começou a embaçar.
— Vadia! Mentirosa! Interesseira! — Bati na mesa e derrubei as coisas que estava sobre o tampo.
— Xingá-la não vai te fazer se sentir me melhor, vai por mim, meu amigo... Você precisa esfriar a cabeça. Tome um banho relaxante, e deite, você já bebeu muito. — André me aconselhou.
— Me deixa, porra! Eu não quero dormir. Pode ir embora. Me deixa sozinho! — Pedi sendo rude.
— Quer ficar sozinho para destruir o apartamento? Não vou te deixar aqui nesse estado. Senta aí, vou te preparar um café bem forte...
"Café. Café bem forte... Jade era viciada em café. Mas que merda!"
— NÃO! ME DEIXA, EU SÓ QUERO FICAR SOZINHO AGORA! — Gritei.
O Harris me olhou pasmo, se levantou e foi embora mesmo contrariado.
— Merda! — Passei as mãos pelo cabelo.
Pensei em ligar para a Sheyla, mas pensei bem e decidi não incomodá-la. Ela ia perceber que eu bebi e iria ficar preocupada.
Apanhei a garrafa de Uísque e peguei outro copo. Botei uma boa e generosa dose e acrescentei dois cubinhos de gelo.
A campainha tocou. Ignorei. Eu não estava a fim de falar com ninguém. Virei o copo, tomando a bebida num só gole. Continuaram tocando a porcaria da campainha.
"Se for o Harris, juro que arrebento essa garrafa na cabeça dele..."
Fui abrir a porta e dei de cara com ela...
— Porra. — Falei entredentes. — O que você quer? — Perguntei com raiva.
A West arregalou os olhos.
— Nossa! Você encheu a cara... — Disse parecendo chocada.
[...]
P.O.V Da Jade
Oliver abriu a porta, ele estava péssimo. Cabelo todo bagunçado. Olhos avermelhados. Sua camisa de linho estava toda desabotoada e ele exalava um forte cheiro de álcool. Eu não esperava encontrá-lo naquele estado.
Ele me recebeu sendo rude. Eu já esperava por aquilo, mas mesmo assim ainda fiquei um pouco pasma.
— O que foi? Perdeu a língua? Eu te fiz uma pergunta! — Torceu a boca e estreitou os olhos.
— Volto em outra hora, quando você tiver sóbrio. — Tentei lhe dar as costas.
Fui detida por ele que agarrou meu braço direito e me puxou.
— Ah, não! Já que veio aqui, você vai ter que me ouvir, West. — Apertou meu braço e me puxou para dentro do apartamento.
— Me solta! Me deixa ir embora! — Relutei tentando fazê-lo me soltar.
— Não! — Chutou a porta, fechando-a.
— Você está bêbado! — Consegui me soltar.
— E daí? — Se aproximou e eu recuei. — Você veio fazer o quê aqui? — Parou em minha frente de braços cruzados.
Olhei ao meu redor e vi que a sala estava um pouco bagunçada.
— Conversamos em outra hora. — Tentei passar por ele.
— Podemos fazer isso agora, se é que veio para conversar... — Lambeu o lábio inferior.
— O que está insinuando? — Franzi o cenho.
— Você só vinha aqui para abrir as pernas, ou já esqueceu? — Sorriu cínico.
— Ei, me respeita, você não...
— Não adianta negar, porra. Você sabe que é verdade. Eu já te tracei ali no sofá. Também já te peguei contra a parede. As melhores fodas foram na minha cama... Quando você deu para mim de quatro pela primeira vez e...
— Já chega! Fala direito comigo! Eu não vim aqui para você jogar tudo isso na minha cara! — Eu estava ficando bastante ofendida.
— Ah, veio por dinheiro, não é? Você quer quanto? — Tirou a carteira do bolso. — Tira a roupa! Anda, tira logo a roupa, vadia! — Aquilo foi a gota d'água.
— ME RESPEITA, NÃO SOU NENHUMA PROSTITUTA, SEU FILHO DA PUTA! — Avancei nele furiosa.
— Como ousa levantar a mão para mim? Já esqueceu quem eu sou? — Me segurou, apertando meu pulso direito.
Gemi de dor. Minha mão ainda estava erguida.
— Você não passa de uma puta oferecida. — Seus olhos estavam escurecidos. E havia ódio no olhar dele.
— Me larga, você está me machucando... — Senti meus olhos marejarem.
— Você me dá nojo... — Me soltou com brusquidão e eu me desequilibrei, quase caindo.
— Eu nunca quis o seu dinheiro... — Massageei meu pulso que estava avermelhado.
— Cala a boca. Não acredito em você. Saia agora mesmo da minha frente! — Disse furioso.
— Por favor, você precisa acreditar em mim, você está bêbado e eu entendo que esteja bravo, mas...
— SOME DAQUI! — Berrou.
— NÃO! AGORA VOCÊ VAI TER QUE ME OUVIR! — Esbravejei.
— Vai embora. — Apontou para a porta.
— Beck, olha para você, tenta se acalmar, me deixa ficar e cuidar de você. — Eu não queria deixá-lo sozinho.
— Me deixa! Some da minha frente! — Me fuzilou com um olhar.
— Quer saber? Então, vai se foder! Eu tentei. Mas você é um grande babaca! E você também não passa de um cretino! — Falei perdendo a paciência. — Pode continuar enchendo a cara, acho que foi por isso que a Sheyla não te aguentou. Você é um otário! — Joguei na cara dele.
Ele veio para cima de mim. Esperei o tapa. Sua mão parou a centímetros do meu rosto. Abri a boca chocada.
Oliver olhou para mim atordoado e cambaleou para trás quase caindo.
Continuei parada. Meu corpo tremia. Enguli em seco.
— Você ia me bater? — Minha voz saiu num sussurro.
A resposta foi o seu silêncio.
Desviei o olhar e caminhei apressada até a porta. Fui embora dali sentindo as lágrimas banharem meu rosto.
Ele estava com tanto ódio assim?
Assim que cheguei em meu carro comecei a soluçar.
Ele tinha avançado em mim. Por pouco não me agrediu.
"Você não passa de uma puta oferecida!"
Suas ofensas ainda rondavam em minha cabeça.
Talvez Albert Oliver tivesse razão.
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