Burning Desire - Bade
4 O acordo
Notas iniciais
P.O.V Da Jade
Eu gostava de trabalhar na Editora, o salário era bom e os meu colegas de trabalho até que eram legais. O seu Jared realmente estava fazendo falta, ele era um excelente chefe, eu nunca tive o que reclamar dele, mas o seu filho já estava me tirando do sério. Como uma pessoa conseguia ser tão arrogante, inconveniente e abusada? Sr. Oliver Junior era o oposto do Sr. Oliver. Seu pai sempre me tratou com gentileza e muito respeito.
— Alô. Bom dia, Srta. West, secretária de Albert Oliver falando, o Sr. Oliver está em uma reunião no momento, gostaria de deixar recado? — Já havia perdido a conta dos telefonemas que atendi aquele dia.
O meu "querido" chefinho me deixou enfurnada em minha sala me dispensando de acompanhá-lo na reunião, alegou que não iria precisar de mim lá e que eu seria mais útil atendendo ligações e anotando recados...
— Ele vai demorar muito? Com quêm estou falando mesmo? — Uma voz fina, doce e irritante de uma mulher indagou.
— Está falando com Jadelyn West, secretária dele. E sim, o Sr. Oliver vai demorar para sair da reunião. — Respondi no meu tom monótono, um tanto entediada, mas sem perder o tom de profissionalismo.
— Ah, poxa, eu queria tanto falar com o Beckyzinho... — A mulher choramingou.
Beckzinho? Que raios de apelido era aquele?
— A senhora quer deixar recado? — Perguntei já abrindo a agenda e pegando a caneta.
— Senhora não, sou senhorita. E sim, eu quero deixar recado. Diga ao Beck que Sheyla Stone ligou e que está com muitas saudades que eu acabei de chegar em L.A, e que eu comprei uma lingerie nova e estou louca para mostrar para ele, diga para ele me encontrar no hotel Holmes Palace Plaza ainda hoje, e que é para ele levar aquele Vinho que custa 2.000 doláres, pois hoje à noite promete... — Aquilo era sério mesmo?
— Sim, sim, já anotei seu recado, e isso é tudo? — Perguntei. Claro que não anotei porra nenhuma. Ela devia ter ligado para o número dele, isso sim.
— Ah, sim, obrigada, florzinha. Tchau. — A tal de Sheyla disse toda meiga.
— Disponha. Tenha um bom... — A cretina desligou na minha cara. Nossa! E a educação?
Aquilo era um absurdo, a pessoa ligar para a Editora, exatamente para o número do escritório e ter a cara de pau de deixar um recado nada discreto como aquele... É cada uma, viu?
[...]
— Aqui está a agenda com os recados que deixaram. — Deixei a agenda na mesa dele. — O Sr. Foster deixou essa pasta, e a Sra. Stevens deixou esses papéis, ela não disse do que se trata. — Entreguei os documentos que estavam num envelope amarelo. — Já terminei de responder aqueles e-mails que o senhor me deixou encarregada de responder e recebi sua encomenda. — Indiquei o caixa de papelão que estava em cima de uma mesinha redonda perto da estante.
— Muito bem. Obrigado, Srta. West. Já pode ir almoçar. — Me dispensou, ele levantou da confortável cadeira e pegou o paletó do espaldar.
— Disponha, só estou fazendo o meu trabalho... — Forcei um sorriso. — Ah, eu já ia me esquecendo, uma tal de Sheyla Stone ligou e quer se encontrar com o senhor. — Não anotei o recado, mas mesmo assim decidi o informar. — Ela disse que está em Los Angeles, no hotel Holmes Palace Plaza. — Avisei.
— Sheyla Stone? — Franziu o cenho, pareceu meio confuso. Assenti. — Ah, sim, Sheyla... — Murmurou pensativo.
— Deu meu número pessoal para ela? — Perguntou sério.
— Não, senhor! — Respondi.
— Ótimo. Se ela ligar novamente, diga a ela que hoje fui para Londres e não tenho data para retornar. E se ela aparecer na Editora, não autorize ela subir para a minha sala, entendeu? — Me encarou com firmeza.
— Sim, senhor, entendi perfeitamente! — Arfirmei.
— Maravilha, então... — Disse arrumando a paletó.
— O senhor quer que eu encomende o seu almoço? — Perguntei.
— Não. Vou almoçar fora, gostaria de me acompanhar? — Me convidou.
Alex não estava falando direito comigo, ela ainda estava chateada. Pensei bem e decidi aceitar seu convite. Que mal teria eu ir almoçar com ele? Era só um almoço, certo?
— Sim. — Respondi e ele abriu um pequeno sorriso.
Fui pegar a minha bolsa e tranquei minha sala. Ele me aguardou e pegamos o elevador sozinhos. Ficamos em silêncio. Assim que passamos pela recepção juntos, vários olhares se direcionaram a nós. A recepcionista abriu a boca e arregalou os olhos. O que se passou na cabeça daquela siliconada?
Seguimos para o estacionamento ainda em silêncio. O segui e me surprendi quando ele tirou a chave do bolso e destravou o carro com um click... Uau!
Era um Aston Martin, novo modelo, prateado. Era uma bela máquina. Ele abriu a porta para mim. Assim que entrei, senti o cheirinho de couro novo.
[...]
Nunca havia entrado num restaurante tão chique, era um 5 Estrelas. Ele escolheu o lugar lá nos fundos, era um cantinho mais discreto, mesa para dois.
— Você parece desconfortável ou é impressão minha, Srta. West? — Perguntou assim que o garçom entregou os cardápios.
— Ah, não... Deve ser impressão sua. — Respondi.
— Hum... Sinta-se à vontade, peça o que quiser, é por minha conta! — Disse dando aquele sorrisinho.
Ele tinha um sorrisinho só dele. Era peculiar, meio torto e não mostrava os dentes.
— Okay. — Assenti tentando relaxar.
Ele era o meu chefe, o herdeiro da Editora, o chefão atual da porra toda. Era normal eu estar um pouco nervosa, não é?
— Já escolheu? Posso chamar o garçom? — Indagou.
Fazia alguns minutinhos que eu continuava lendo e relendo o menu do dia, mas não sabia o que escolher. Era um prato mais fino que o outro.
— Não sei o que escolher... — Admiti.
— Sem problemas. Eu faço o pedido por nós dois! — Disse com calma.
Ele chamou o garçom e fez os pedidos. Beberiquei um pouco da água que estava bem geladinha e olhei ao nosso redor. O restaurante era bonito e muito sofisticado. Era um típico 5 Estrelas de L.A mesmo...
O meu estômago já estava quase roncando quando a nossa comida chegou. O garçom nos desejou um 'Bom apetite' e se retirou pedindo licença.
— Frango com molho de laranja, arroz de forno com queijo e legumes gratinados é o meu prato favorito. — Comentou. — É saudável e saboroso! — Disse cortando um pedaço de frango grelhado.
Ele estava insinuando algo? Ah, devia estar me lembrando da comida pesada e gordurosa que pedi para ele... Lembrei dele correndo para ir ao banheiro e segurei a risada. Foi bem engraçado.
Ele havia pedido para mim um bife com nome estranho, arroz com ervilhas e salada verde. Eu preferia mil vezes um bife gorduroso e acebolado, batata frita e macarrão com molho vermelho.
Cortei um pedaço de bife e provei. Não gostei. Aquilo estava quase cru. Eu odiava ervilhas no arroz e nunca fui fã de salada.
Ele tomou um gole de vinho e eu desejei um copo bem geladinho de Coca. Não toquei na minha taça... Nunca almocei tomando vinho.
— Não vai tomar o vinho? — Indagou.
— Não bebo durante o almoço, e meu expediente ainda não acabou. — Expliquei o óbvio.
— Entendo, muito profissional da sua parte... Mas alguns golinhos não faz mal a ninguém, certo? Apenas prove, só para relaxar um pouco. — Me estendeu a taça.
Mesmo hesitante, concordei em tomar um ou dois goles apenas. Só para não fazer desfeita mesmo.
[...]
Quando retornamos para a Editora, eu estava mais relaxada e ele mais falante. Não gostei do prato que ele havia pedido para mim, mas acabei escolhendo a sobremesa e tudo certo. Fui para a minha sala após agradecer pelo almoço e ele foi para a dele.
Depois de alguns minutos, ele me chamou para ir até a sala dele. Ajeitei o vestido, saí da minha sala e rumei para a sala dele.
— Pois não? — Entrei após dar duas batidinhas na porta.
— Venha até aqui. — Me chamou, ele estava mexendo no computador que era do pai dele.
Fui até lá e me postei ao seu lado, olhei para a tela.
— Você sabe a senha? Não estou conseguindo acessar esse arquivo, ele não deixou nenhuma senha comigo, meu pai é tão esquecido... — Resmungou.
— Sei sim, só um segundo... — Me abaixei para ficar da altura da tela do computador e comecei a digitar a senha.
— Devia comprar meia-calça de boa qualidade, sabia? Aquela era velha ou era uma daquelas baratinhas? — Gelei ao sentir sua mão subindo por minha perna esquerda.
Realmente paralisei e o meu coração disparou.
— Sua pele é macia como seda... — Alisou a minha coxa.
Minha respiração falhou e ficou descompassada.
— Tão macia... — Sua mão continuava me acariciando.
Peguei uma caneta do porta-canetas, a segurei com força, minha mão tremia...
— Tire as mãos de mim, agora... — Apontei a caneta destampada na direção do pescoço dele.
— Uou! Calminha aí! — Jogou as mãos para cima, me olhando assustado.
Me afastei ainda apontando a caneta para ele.
— Isso foi assédio, sabia? — Minha voz estava alterada.
Meu corpo tremia... Minhas pernas pareciam gelatina.
O canalha levantou ainda com as mãos para cima, sem tirar os olhos da caneta.
— Me desculpe! Eu não sei o que deu em mim. Eu não devia ter tomado aquelas 5 taças de vinho... Sinto muito mesmo. Você vai me denunciar? — Perguntou preocupado.
Abaixei a caneta e a joguei em cima da mesa.
— Não! — Respondi.
— Ufa! — Respirou aliviado.
— Não vou denunciá-lo, mas com uma condição... — Falei bem séria.
— Okay. O que você quer? — Ele levantou pronto para negociar. — Um aumento? — Ergueu uma sobrancelha. — Aquela era a minha chance.
— Exato. Isso mesmo. Quero um aumento! — Avisei.
— Isso é sério? — Indagou meio descrente.
— Sim. Muito sério. — Afirmei.
— Está bem... Acho que temos um acordo. Você não me denuncia por assédio e eu aumento o seu salário, fechado? — Estendeu a mão. Me aproximei.
— Fechado. — Apertei a mão dele e senti um pequeno arrepio.
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