Burning Desire - Bade
17 Babaca rude
Notas iniciais
Dias depois...
15 de Março, Quinta-feira, 2018.
P.O.V Da Jade
— Esses são os relatórios do Balancete do Orçamento semanal? — Perguntou analisando os papéis impressos.
— Sim, senhor. Algum problema? — Perguntei. Ele estava sério demais.
— De jeito nenhum. Na verdade, tudo está ótimo. — Ergueu os papéis e abriu um sorriso enorme. — Excelente! O Orçamento está saindo do jeito que eu queria. Estou muito satisfeito. — Explicou.
— Que bom, senhor Oliver. — Me limitei a sorrir. — Precisa de mais alguma coisa, senhor? — Perguntei.
— Me traga um cafézinho, por favor. — Pediu.
— É pra já! — Pedi licença e me retirei da sua sala.
Minutos depois...
— Você está bem? — Perguntei para a Alex.
Estávamos na Copa da Editora, onde ficam as máquinas de café expresso, máquinas de doces, armários de louça, despensa e os eletrodomésticos de cozinha.
— Não estou me sentindo muito bem. — Ela se apoiou na bancada de madeira.
— O que está sentindo, Alex? — Fui ampará-la. A morena estava pálida.
— Dores, pontadas de dores aqui... — Colocou a mão na região do estômago.
— Vou te levar para o hospital. Onde está sua bolsa? — Perguntei.
— Está lá na minha sala. — Respondeu com a voz embargada.
— Fique aqui, vou lá pegar. — Falei.
[...]
— Estou aqui no hospital com a Alexandra. — Falei para o Oliver, eu havia ligado para ele.
"- O que a sua amiga tem? Por quê não me avisou que ia largar seu expediente? Deveria ter me informado, Srta. West. Por quê só ligou agora? Pensei que fosse mais responsável, Srta. West. — Ele estava impaciente."
— Era urgente. Ela estava sentindo dores. Queria o quê? Que eu te avisasse primeiro e a socorresse depois? Tô ligando agora porque só agora eu tive tempo para ligar. Vou para a Editora assim que a minha amiga tiver alta. Pode me demitir por ter largado meu expediente sem dar explicações, mas fique sabendo que a saúde das pessoas que eu amo vem em primeiro lugar. Posso procurar outro emprego. Vou desligar agora, Sr. Oliver. Até mais! — Falei antes de desligar sem dar tempo para ele dizer alguma coisa.
Eu já estava nervosa, ele tinha mesmo que falar aquelas coisas? Com certeza não tinha amigos. Se tivesse, ele não agiria assim. A Editora era tudo que importava para ele? Trabalho. Trabalho. Mais trabalho...
"Pensei que fosse mais responsável, Srta. West."
Babaca. O que ele disse até me ofendeu. Sempre fui responsável. Só não liguei antes porque a minha amiga estava precisando mais de mim. Ele não ia morrer com a minha ausência, ele poderia muito bem se virar sem mim por algum tempinho...
— E aí? O que a doutora falou? O que você tem? — Questionei assim que a Alex saiu da sala de atendimento.
— Gastrite, provavelmente... Ela marcou os exames para confirmar. — Disse guardando um papel na bolsa. — Pode me levar até uma farmácia? A doutora receitou um remédio para amenizar as dores. — Disse e eu assenti.
— E o bebê? — Perguntei.
— Ele ou ela está bem. Ainda vou marcar o pré-natal. A minha pressão foi tirada e não está alterada. Eu falei sobre a gravidez e ela disse que devo iniciar o pré-natal semana que vem. — Explicou.
— Ah, certo, entendi. — Assenti.
— Já ligou para o Sr. Oliver? — Perguntou.
— Liguei sim. Está tudo bem. Ele entende. — Tive que mentir para não preocupá-la.
[...]
— Por quê desligou na minha cara? — Perguntou irritado assim que entrei em sua sala. Oliver bateu a porta.
— Me despedi antes de desligar. — Retruquei. — Vai me demitir? — O encarei, cruzando os braços.
— Claro que não! — Falou ainda nervoso.
— Por quê está tão irritado? — Indaguei.
— Porque pedi para você ir preparar uma xícara de café para mim, mas você sumiu. Não atendia minhas ligações e só retornou minhas ligações meia-hora depois. — Disse alterado.
— Pensou que eu tinha abandonado meu expediente sem motivos? — Perguntei.
— Não... — Balançou a cabeça. — Pensei que tivesse acontecido alguma coisa com você. Fiquei muito preocupado. — Admitiu.
Baixei a guarda, relaxei a postura e fui até ele.
— Estou bem. Eu só tive que ir socorrer uma amiga. Alexandra estava passando mal. Me desculpa, não pensei que você ficaria tão nervoso. — Me controlei para não tocá-lo.
— Cheguei até pensar que o Van Cleef tivesse vindo aqui na Editora se vingar de mim, machucando você... Ele poderia muito bem fazer isso. Aquele verme não é confiável. — Apertou os punhos.
Estremeci só de imaginar. Sinjin não era uma boa pessoa. Oliver tinha razão.
— Não vou preparar um café, vou te preparar um chá. Agora sente-se. Está tudo bem. Você precisa se acalmar agora. — Afrouxei sua gravata e desabotoei dois botões de sua camisa de linho.
— Chá preto, por favor, com duas colheres de açúcar. — Pediu.
— Sim, senhor! — Assenti.
[...]
No dia seguinte...
16 de Março, Sexta-feira, 2018.
Às 19:24 da noite...
— Vai com vestido roxo-escuro. — Tori apontou para um dos vestidos que estendi sobre a cama. — Você fica bem de preto, mas sério, tenta variar. — Me aconselhou.
— Está bem. Vou com o roxo! — Falei.
Coloquei o vestido, ele tinha um decote em V e era estilo costas nuas. Justo e curto. Vestido de balada. Muito ousado. Perfeito!
Calcei meus sapatos pretos de salto, ele era todo fechado e com zíper atrás.
Tive que vestir uma calcinha fio dental, bem pequena daquelas que não ficam marcadas. Não precisei colocar sutiã.
Deixei meu cabelo solto, com as mechas onduladas.
Caprichei no batom vermelho-bordô. Delineei meus olhos. Coloquei meus brincos com imitação de cristais azuis e passei perfume.
— Vamos, gata. Eu quero beber e beijar muito na boca! — Apanhei minha bolsa.
— Fiquei sabendo que os gringos estão vindo para cá pra conhecer a nova boate. Isso vai ser interessante! — Disse animada.
Tori também estava linda.
Ela estava usando um Cropped dourado com alcinhas, uma calça Skinny preta que deixava suas pernas longas mais bonitas. Sapatos vermelhos. Maquiagem de arrasar. Seus cabelos estavam presos num rabo de cavalo alto com as pontas onduladas. Ela tinha corpo de modelo e era muito sexy.
Fomos no carro dela. A gente sempre saia para curtir na sexta. Era a nossa noite. Noite das solteiras festeiras.
André ainda não havia a pedido em namoro. Eles estavam apenas ficando. E eu era solteira também, afinal, o meu relacionamento com o Oliver fora da Editora era apenas sexo sem compromisso...
[...]
Tori estava na pista de dança, ela dançava com dois colegas nossos que eram gays. Ela disse que não ia ficar com ninguém.
— Um Martini com bastante gelo, por favor. — Ouvi uma voz grave num sotaque forte.
Quando olhei para o lado, me deparei com um loiro bem alto e forte. Ele virou o rosto para mim e sorriu.
— Boa noite! — Me cumprimentou.
— Boa noite. — Retribuí seu sorriso.
— Prazer, Christopher Galvin. Como se chama? — Se apresentou estendendo a mão.
— Prazer, Christopher, sou Jade West. — Falei para ele que beijou minha mão ainda mantendo o contato visual.
Seus olhos eram acizentados. Lábios levemente carnudos. Pele bronzeada. Queixo quadrado e traços marcantes. Muito charmoso.
— Posso te pagar uma bebida, Jade? — Sentou mais perto.
Pude sentir o cheiro amadeirado do seu perfume. Ele era gringo. Havia muitos gringos visitando L.A para conhecer aquela boate.
— Sim. — Aceitei.
Após um drink e um pouco de bate-papo, Christopher me tirou para dançar. Estávamos indo para a pista de dança quando avistei o Oliver. Ele franziu o cenho quando me viu de mãos dadas com o australiano alto e musculoso, Christopher estava em L.A na casa de um primo. Era a segunda vez dele ali curtindo a balada.
Passei pelo moreno, fui para a pista de dança com o loiro. O moreno seguiu para o bar. Lá do bar tinha uma boa vista para a pista de dança.
Comecei a dançar com o australiano bonitão ciente que o Oliver nos observava.
Minutos depois...
Christopher tinha as mãos em minha cintura, nossos corpos roçavam de acordo com os nossos movimentos. Seus olhos acizentados fitavam minha boca, alisei seus braços musculosos. Bastou apenas um olhar de consentimento para ele me agarrar e me beijar.
Seus lábios eram macios, pude sentir o gosto mentolado com Martini. Ele beijava muito e também tinha pegada. Uma pegada forte.
[...]
— Quêm era aquele deus? Thor? — Tori perguntou me cutucando. — Que homem, hein? — Ela se abanou. Estava suada e ofegante de tanto dançar.
— Aquele era o Chris. Christopher Galvin, ele é australiano. — Falei.
— Oh, porra! — Ela arregalou os olhos.
— O que foi? — Perguntei.
— O Oliver está aqui! — Me alertou.
— Eu sei. E daí? — Eu estava super de boas.
— Oh, meu Deus! Acho que ele viu você e o Thor se agarrando na pista de dança. — Thor? Sério mesmo que ela já tinha colocado apelido no Chris?
— E daí? — Repeti.
— Amiga, sério isso? Ele tá com uma cara de quem chupou limão. — Disse alarmada.
— Ah, é? — Ousei olhar para o moreno que ainda estava no bar. — Impressão sua. — Vi ele sorrindo e pedindo mais um drink.
— Ele com certeza não gostou de te ver com outro. — Falou.
— Problema dele. — Não dei à mínima. — Sou solteira, Tori. Ele também é. — Aquilo era verdade.
— Apenas sexo sem compromisso? — Ergueu uma sobrancelha.
— Isso mesmo! — Afirmei. — Você se arrumou toda, está uma gata. Por quê não pegou ninguém? — Mudei de assunto.
— Porque estou ficando com o André. Agora só tenho olhos para ele. — Respondeu.
[...]
— Ela vai comigo, Tori! — Oliver apareceu quando estávamos perto do carro dela.
— Como? — Me virei para ele.
— Você vai comigo. — Decretou.
Tori não quis se intrometer, apenas acenou para mim e entrou no carro, dando partida. Filha da mãe!
— Vou, é? O que te faz pensar isso? — Indaguei cruzando os braços.
— Sua amiga foi embora. Prefere ir de táxi? — O cretino sorriu sarcástico.
Bufei, me segurei para não bater nele com a bolsa.
De má vontade, entrei no seu carro luxuoso, coloquei o cinto de segurança e cruzei os braços.
— Ei, para onde você está me levando? — Notei que ele não estava me levando pra casa.
— Para o meu apartamento! — Respondeu seco.
— Acha que vou transar com você hoje? — Me fiz de difícil ao cubo.
— Não acho. Tenho certeza! — Filho da mãe convencido.
— Oh, claro... — Ironizei.
Ele parou num sinal vermelho.
— Sei que já está ficando excitada, morena. — Colocou a mão na minha coxa. Estremeci.
— Não estou... Não. — Apertei as coxas.
— Você mente tão mal, West tcs tcs... — Deu uma curta risada.
Sinal verde. Colocou o carro em movimento. Acelerou um pouco.
[...]
Ele abriu a porta do quarto apressado, me conduziu para dentro, suas mãos apertavam minha cintura.
Me empurrou na cama, caí de costas no colchão macio. Oliver estava sendo um pouco rude.
— Você está molhada. — Me alisou por cima da calcinha antes de rasgá-la.
Ele havia arrancado meu vestido sem delicadeza alguma.
Se despiu, logo pude ver sua ereção. Ele estava inchado. Me virou na cama, me pondo de bruços e bateu forte em minha bunda. Seu tapa estalou na nádega direita. Ardeu muito.
— Ei, o que pensa que... — Gritei sentindo ele me invadir duro e rápido, entrando com força. — OH, PORRA! — Apertei a colcha da cama.
— Eu adoro te foder nessa posição... Que boceta apertadinha. — Ele metia frenético como se estivesse me punindo.
Eu gemia sentindo o pau dele ir bem fundo, chegava doer um pouquinho.
— Você é muito gostosa! Geme mais alto! — Agarrou meu cabelo, puxando-o.
Gritei de dor. Ele me estocava forte, sendo rude.
— PARA! — Berrei alterada.
Oliver parou, saiu de cima de mim, me virei e vi que ele estava vermelho, suor escorria por sua testa.
— Quer ficar por cima? — Ele estava falando sério?
— Não! — Saí da cama. — Vou embora. — Recolhi meu vestido que estava no chão.
Me vesti rapidamente. Peguei minha bolsa que estava em cima da cama.
— Se bater forte na minha bunda de novo e puxar o meu cabelo, eu juro que vou arrancar suas bolas, seu filho da puta! — Eu estava irada.
— Olha, eu não sei o que deu em mim, se acalma, Jade... — Tentou me impedir de ir embora.
— Saia da minha frente, Oliver. Eu não sou uma daquelas prostitutas que vocês riquinhos usam e abusam! — Apontei o dedo na cara dele.
— ME DESCULPA! PORRA! ISSO NÃO VAI SE REPETIR! — Gritou comigo.
— Qual é o seu problema, hein? — Perguntei nervosa.
— Eu não sei... — Bagunçou o cabelo e saiu da minha frente.
— Então, não desconta em mim, caralho! Sexo bruto só é bom quando os dois querem! — Falei aquilo antes de ir embora.
Ele não tinha o porquê ser um babaca rude comigo na hora H. E o pior de tudo, ele parecia com raiva de mim...
"Oh, merda! Ele está puto comigo! Tori tinha razão! Ele não gostou de me ver com o australiano charmoso!"
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