Burning Desire

6 Forget about tomorrow


Notas iniciais
Só to nas músicas aqui UHU desce ai, desce desce desce ai

Abri os olhos meio tonta do dia anterior por causa de todos os drinks e acontecimentos que vieram como um turbilhão em minha cabeça, cocei minha cabeça e fui me situando de onde estava aos poucos, e para melhorar, eu estava nos braços dele, mas não era apenas o contato entre nossos peitos, era com as pernas, cabeça e todo o resto, sua perna enleava a minha para esquentá-la pois a coberta havia caído metade no chão e a outra metade cobria apenas os nossos pés, metade do meu corpo estava sobre seu peitoral nu que deixa eu dizer, fodidamente malhado, sua mão em minha cintura, seu rosto virado para o lado me dando uma bela vista de seu maxilar marcado e para melhorar, minha blusa estava quase fugindo pela minha cabeça fazendo com que a minha barriga aparecesse completamente , suspirei ao sentir seu coração batendo levemente de encontro com o meu e fui me levantando e tirando as coisas de cima não podendo encostar em nada com medo de acordá-lo, no fim, quando só faltava tirar meu pé de cima da cama, o outro prendeu no tapete e cai de cara no chão, ficando imóvel pensando que isso ajudaria em alguma coisa, e só tive coragem de me mover minutos depois de ter a certeza de que tudo continuava nos conformes, então fui andando descalça silenciosamente pelo piso de madeira que rangia mais que porta velha até a cozinha, entrei na mesma encontrando tia Ruby sentada tomando café com uma cara de sono ferrada.

– Bom dia pra você também — Disse ao me sentar de frente para ela, tomando o meu café e esquentando ambas as minhas mãos na xícara, por incrível que pareça, fazia frio naquele dia.

– Bom, pode me contando. — Ela disse soltando uma risada baixinha.

– Contando o que? — Perguntei séria, franzindo ambas as sobrancelhas.

– Um bom motivo para ele ter dormido aqui. — Ela disse antes de tomar mais alguns goles me encarando, soltei uma risada meio forçada.

– Por que? Ele só estava mal, então dei meu apoio... — Eu continuaria a frase mas ela me cortou.

– Deu um belo de apoio e caia entre nós mais o que — ela soltou no ar e deu uma risadinha safada, eu podia não ter transado, mas ela transou, de certeza.

– Claro, foi você que consolou o seu amorzinho de sei lá onde, Thalles é só meu amigo tia, relaxa. — falei não levando mais tanto na brincadeira.

– Eu sei, mas você também sabe que eu considero os nossos quartos santuários... — Ela ia continuar a falar mas eu gargalhei me contendo o máximo possível.

– Claro, vocês praticaram tênis no chuveiro de certo? — Perguntei e ela não me respondeu, ri.

– Por que ele veio dormir aqui de novo? Não é a primeira vez e isso está virando rotina, não estou gostando disso. — Ela falou e eu a olhei não acreditando no que estava falando.

– Pera, você está tentando me dar lição de moral? Ele está doente, doente da cabeça Rubia, você quer que eu faça o que? Deixe ele sofrendo por conta do garoto á 3 anos atrás? A culpa não é só dele, é minha também! — Eu falei e depois a encarei, percebendo que seus olhos não repousavam mais nos meus.

– O que foi? — Perguntei e me virei, vi Thalles com cara de sério.

– Não sei, afinal, eu não sei de nada, estou doente da cabeça, né? — Ele perguntou e saiu pisando forte da porta da cozinha, respirei fundo, desejando para que aquilo não estivesse acontecendo, fui atrás dele até chegar no portão da dele que era do lado, ele estava socando o portão.

– Se acalma! — Falei parecendo mais desesperada que ele.

– Sai daqui Maya. — Ele falou seco, fiz que não com a cabeça devagar com receio do que poderia acontecer em seguida e ele repetiu as palavras pausadamente e gritando, como se estivesse tentando fazer com que uma criança entendesse algo, que foi o que eu me senti no momento, uma criança indefesa, sem a menor ideia de como reagir, voltei para casa, passei voando pela cozinha e entrei no meu quarto trancando a porta em seguida e encostando apenas a cabeça na porta, respirando fundo e de olhos fechados, escutei os passos da minha tia do lado de fora e a sombra de seus pés se projetou de baixo da minha porta, comecei a bater com o máximo de força que irradiava do meu corpo naquele momento, mas, a unica coisa que realmente me acalmaria era o mar, o vento, a areia, então não pensei duas vezes, troquei de roupa colocando um biquíni, peguei a minha prancha, abri a porta da minha varanda e pulei a mesma, caindo com os pés descalços na areia e corri para o mar, como ainda era de manhã, as chances de encontrar alguém eram menores.

Entrei com calma para acostumar meu corpo com a água gelada, subi na prancha e remei até o local em que achei seguro, longe o suficiente da praia, perto o suficiente das ondas para curtir, de primeira fiquei apenas sentindo e escutando, depois que comecei a remar ao perceber as ondas aumentando e vindo com certa violência, remava com determinação, sabendo que se eu não pegasse aquela eu teria outra chance, mas não tão boa, então fiz de novo e de novo e de novo até perder o fôlego e obrigar o meu corpo a sair do mar e deitar na areia, respirando devagar e forçadamente, fiquei encarando o céu, sentindo uma lágrima quente escorrer no meu rosto frio, sequei a mesma então percebi que estava na hora de voltar á realidade e aceitar as consequências.

Levantei da areia e fui caminhando até a casa, tomei uma ducha e achei melhor ir na ruivinha comunicar cara a cara meus planos e deixar tudo resolvido para a minha volta, afinal, uma semana é muito pouco tempo considerando o tempo que eu ficaria lá (3 semanas).

Então peguei um táxi como sempre, fui para lá e a encontrei sentada resolvendo uma papelada.

– Então, eu vou fazer uma viagem de 3 semanas e queria saber se você sobreviveria sem mim. — Falei sem a olhar no rosto, no inicio ela deu um gritinho.

– Mas e todas as fotos? Todos os panfletos e ... — Ela ia continuar mas a cortei.

– Ei, relaxa, quando eu voltar se quiser até durmo aqui para retomar o trabalho perdido! — Falei sem pôr muita certeza em cada palavra que saia da minha boca. Ela suspirou e fez um sinal com a mão para eu ir embora logo antes que ela se arrependesse, como era meio-dia já resolvi passar na padaria e comprar alguma coisa para comer, e como a vadia preguiçosa que eu sou, fui de táxi.

Entrei na padaria encarando tudo o que eu podia e sentindo vontade de comprar tudo o que havia na vitrine, pedi vários pasteis e uma caixa de cerveja, fui até o balcão e paguei, ao me virar para ir embora bati em um corpo de costas com um capuz em sua cabeça, aquele cheiro, eu conhecia aquele cheiro, meu coração acelerou e eu congelei, parecia que tudo estava acontecendo em slow motion porque enquanto a pessoa ia virando as memórias voltaram com força.

– Tread... — Falei com a voz rouca e devagar de surpresa, não de uma surpresa boa, mas sim de uma ruim, é isso ai, Tread estava de volta na cidade.



Notas finais
Reviews pfvr, obgd (obs: fezinha, me chama no livro cara (facebook) quando terminar de ler, bjks)