Burning
47 Capítulo 39
Notas iniciais
CAPÍTULO 39
A noite havia sido longa e torturante. Taylor, vez ou outra , era tomada por uma crise de choro – na qual murmurava sem parar o nome do irmão (Jordan); e eu, desolada como estava por conta da nossa situação, nada pude fazer para consolá-la.
O dia chegou, trazendo Dorothea e dois de seus capangas, os quais abriram nossa cela e entraram – os capangas posicionados como guarda-costas atrás dela e ela com as roupas brancas de sempre e um sorriso metido na cara.
– Estão prontas para o treinamento? – perguntou ela com uma animação forjada.
Eu nada disse, apenas continuei encarando a parede, tamanha a raiva que eu sentia. Taylor soltou um suspiro cansado e ficou de pé. Eu não me mexi.
– Está pronta, Lorena? – perguntou novamente.
Eu virei para ela, fitando a com superioridade.
– Eu não vou. – falei simplesmente.
Atrás de mim, pude ouvir Taylor soltar murmúrio supreso.
– Você não tem escolhas. – disse Dorothea, a voz afiada como uma adaga.
– Tenho sim – discordei. – E dentre as duas opções que eu tenho, sei que estou fazendo a melhor escolha.
– Então prefere morrer? – perguntou ela, sarcástica.
– Eu vou morrer de qualquer jeito, foi você mesma quem disse. Então, por que não agora?
– Vai se mostrar irredutível?
Eu dei de ombros.
– Não vou fazer parte do seu exército nojento. – esclareci. – Você devia saber disso.
– Muito bem, então. – concordou e então virou o rosto para encarar os dois homens parados atrás dela – ambos altos e fortes, com uniformes escuros. Dorothea assentiu – aparentemente dando consentimento a eles, que avançaram para mim. Um deles colocou algo no meu nariz e, de repente, eu perdi os sentidos.
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Abri os olhos para um lugar tão escuro quanto meus piores pesadelos. Eu estava sentada no chão, escorada em uma parede em um lugar que exalava um odor ruim de mofo. Minhas mãos e pés estavam amarrados e eu me sentia fraca – a garganta seca por falta de água e o estômago vazio. Eu respirava com dificuldade, meu corpo todo doía como se eu tivesse permanecido na mesma posição por dias; o que talvez fosse verdade, uma vez que eu havia perdido a noção do tempo.
Aos poucos, pude sentir minha mente clarear e relembrar dos últimos acontecimentos. Suspirei.
– Nathan. – sussurrei. Eu queria desesperadamente voltar para ele, queria que tudo não passasse de um pesadelo e que eu acordasse na minha cama na Academia de Não-Humanos e voltasse para a rotina a qual eu já estava me habituando; contudo eu sabia que era real. Dorothea havia me seqüestrado, havia me ameaçado e agora me prendido em uma cela escura enquanto aguardava a morte definitiva.
De repente, me dei conta de que nunca mais veria Nathan. Que nunca mais o abraçaria, nunca mais sentiria se cheiro, seus beijos, seu toque... Nunca mais ouviria a sua voz, suas palavras sarcásticas e doces... Nunca mais veria seu rosto, seus olhos... Era o fim. O meu fim.
E então um choro histérico me rompeu e eu me permiti chorar, me permiti sentir a perda, me permiti perder as esperanças. E, algum tempo depois, desabei, exausta, em um sono perturbado.
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Não sei se passaram horas, dias ou meses que nada havia mudado. Eu continuava presa no mesmo local escuro e solitário. Vez ou outra, Dorothea vinha saber se eu havia mudado de idéia, mas como a minha resposta era a mesma, ela ia embora insatisfeita. Durante todo esse tempo, eu não era alimentada, apenas recebia um pouco de água – mas eu não sabia dizer qual era a freqüência que isso ocorria. Eu passava a maior parte do tempo inconsciente – meu corpo fraco demais para conseguir ficar alerta por muito tempo. Porém, os poucos minutos que isso acontecia, eu usava para ficar preocupada. Eu me preocupava com Taylor, por não saber onde ela estava; me preocupava com os meus pais – como eu havia feito desde o momento em que deixara o reformatório e me preocupava com Nathan, por não saber como ele estava e o que pensava que havia acontecido comigo.
Era simplesmente horrível ficar na ignorância – sem saber se alguém estava em minha busca ou se haviam pensado que eu fugira por livre e espontânea vontade.
A cada minuto que passava, eu me sentia mais fraca e sabia que era uma questão de tempo – e não muito, para que eu sucumbisse à escuridão eterna.
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Não fazia idéia se era dia, ou noite quando um ruído me despertou. Eu nem me dei ao trabalho de abrir os olhos — sabia que era Dorothea, ou algum de seus recrutas, e eu não estava nem um pouco interessada em socializar com eles; até porque a energia em meu corpo estava escassa.
Como não ouvi mais nada, lentamente fui deixando meu corpo cair na inconsciência, porém antes que pudesse dormir, ouvi o ruído novamente.
– Não adianta Dorothea, eu não vou participar da sua vingança. – falei tentando parecer firme, porém não passou de um sussurro fraco.
Não houve nenhum som por alguns segundos, porém de repente minha cela foi aberta e uma luz forte foi mirada em meu rosto. Coloquei a mão na frente dos olhos.
– Rápido! – disse a pessoa que havia entrado. – Fique de pé, rápido! Eu vim te tirar daqui.
A luz foi tirada de meus olhos e eu os abri lentamente... Um misto de alívio e surpresa tomou conta de mim quando notei quem viera me resgatar.
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