Burning
48 Capítulo 40
Notas iniciais
CAPÍTULO 40
– Sarah? – perguntei, descrente.
– Sim, sou mesma. – ela confirmou, apressada. – Agora levanta, antes que a jararaca apareça!
Eu assenti e mostrei minhas mãos e pés amarrados. Ela rapidamente sacou uma adaga do cinto e cortou ambas as amarras. Imediatamente forcei meu corpo a ficar de pé, meus joelhos a se firmarem. O que foi difícil, uma vez que meu corpo estava sem nenhum resquício de proteína resultando na minha queda imediata.
– Nossa, o que ela fez com você? – perguntou Sarah.
– Trata-se do que ela não fez. – eu soltei um riso fraco de escárnio. – Ela não me alimentou.
Sarah parou para pensar por alguns segundos e depois deu um passo na minha direção com os braços estendidos.
– Se apóia em mim. – propôs. – Eu te ajudo a andar até encontrarmos os meninos...acho que o Nathan consegue te carregar nos braços.
– O Nathan está aqui? – perguntei esperançosa.
– E o Josh. – acrescentou. – Não acha que eu viria sozinha, não é?
– Acho que não. – concordei, apoiando meus braços nos ombros dela, enquanto ela me rebocava para fora da cela.
– Como conseguiram entrar? – perguntei depois de alguns passos dados com dificuldades por ambas as partes.
– Do mesmo jeito que você e Nathan saíram.
– Onde ele está agora?
– Em algum lugar do reformatório, procurando-a.
– E como você conseguiu me achar? – perguntei.
– Vi um dos recrutas vindo por esse caminho subterrâneo e o segui.
– Ele não te viu?
– Sei ser discreta quando preciso.
– Eu também. – disse uma voz atrás de nós. – Tanto que você nem notou que eu estava atrás de você, não é?
Com o sangue gelando nas veias, eu me virei – Sarah seguiu meu exemplo – e demos de cara com um sujeito alto com o mesmo uniforme dos recrutas de Dorothea.
– Droga! – xingou Sarah. Ela olhou para mim e retirou meu braço do seu ombro. – Fique aqui. – disse e então deu três passos na direção do homem, sacando novamente a adaga afiada.
– Acha que pode me vencer com isso? – perguntou o homem, rindo.
– Posso tentar. – disse Sarah, a voz exalando autoconfiança.
O capanga riu novamente e, antes que eu pensasse ser possível, retirou uma faca do bolso interno do casaco rústico e escuro e a arremessou em Sarah. Meu coração parou de bater por alguns segundos, enquanto eu aguardava, impotente, a faca cravar no peito de Sarah, porém, para a minha surpresa e incredulidade a faca parou no ar a centímetros dela – como se batesse em uma parede invisível, e caiu no chão com um som metálico. O capanga fitou incrédulo o objeto no chão por tempo o suficiente para que Sarah arremessasse sua adaga, acertando-lhe a barriga. O homem caiu no chão com os olhos arregalado e sangue brotando fresco do ferimento.
– Vem, vamos sair logo daqui. – disse Sarah, pegando-me pelo cotovelo e me arrastando pelos corredores mofados.
– Você... Como.... C-como aquela faca não acertou você, ela... – gaguejei.
– Meu dom. Foi assim que eu sobrevivi ao acidente que matou meus pais. – esclareceu. – Campo de força.
– Lorena! – ouvi uma voz exclamar ao longe, e então passos apressados ecoaram.
– Nathan. –sussurrei, feliz por ouvir sua voz.
Senti seus braços ao meu redor, ao mesmo tempo que Sarah se afastou. Nathan me abraçou forte enquanto eu me apoiava pesadamente nele.
– Onde está Josh? – perguntou Sarah.
– Não o encontrei ainda. – respondei Nathan, o rosto enterrado em meus cabelos.
– Vou procurá-lo. – disse ela e então saiu, deixando-nos à sós.
Nathan e eu ficamos abraçados por um longo tempo – minhas lágrimas escorriam, manchando sua camiseta. Eu podia sentir o coração dele batendo contra o meu, ambos felizes por estarem tão próximo um do outro.
– Como soube que havia sido Dorothea? – perguntei, o rosto pressionado contra seu peito.
–Eu vi o bilhete que eu havia supostamente escrito em cima da sua cama. – explicou. – E eu não conseguia acreditar que você tinha fugido de mim...Não depois de tudo.
– Nunca fugiria de você...
– Você fugia antes. – ele me interrompeu. Eu ignorei.
– ...Não mais.
Ele afastou seu rosto dos meu cabelos e levou uma das mãos ao meu queixo, elevando-o minimamente, segundos antes de cobrir meus lábios com os seus. Foi um beijo rápido e suave, repleto de sentimentos.
– Eu te amo. – ele sussurrou ao se afastar. – É tão bom tê-la em meus braços de novo!
– Eu também te amo. Muito. – sussurrei em resposta, levando minhas mãos ao seu rosto e puxando-o para baixo para que eu pudesse beijá-lo de novo.
Mesmo estando fraca e sem energia, eu não conseguia me cansar de beijá-lo, principalmente depois de pensar que nunca mais o veria. Então, beijei-o com vontade, minhas mãos afagando seu rosto e meus lábios movendo-se com os dele, enquanto ele me apertava mais contra seu corpo e movia suas mãos por toda a extensão das minhas costas. O beijo foi se desfazendo aos poucos, com leves roçares de lábios, antes de nos afastarmos completamente.
– Eu pensei que nunca mais o veria. – falei quando o beijo acabou.
– Não vai se livrar de mim assim tão fácil. – disse ele.
– Espero que não. – concordei.
Ele riu.
– Venha, vamos sair daqui. – eu assenti e tentei dar um passo a frente, porém, meus joelhos fraquejaram. – Ei, você está bem? – perguntou Nathan apoiando sua mão direita em minhas costas.
– Estou bem, é que... Eu não como nada há dias. É o castigo que recebi por decidir enfrentá-la.
– Ela não a estava alimentando? – ele perguntou, pasmo. Eu sacudi a cabeça em negação. – A cada dia que passa eu tenho mais ódio dessa mulher. – falou, a voz tomada por uma ferocidade tão grande, que não consegui reprimir o tremor que passou por meu corpo. Ele afagou meu rosto, os dedos passeando por minha bochecha e eu ergui meus olhos do chão para fitar os seus – azuis como o oceano. – Você não precisa andar, eu te carrego. – antes que eu pudesse pensar, senti o chão fugir de meus pés e, de repente eu estava em seu colo. – Eu vou te tirar daqui. – prometeu ele, solene. E então começou a andar em direção do que, supus, ser a saída da parte subterrânea e desconhecida do reformatório.
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