Burning
17 Capítulo 16
Notas iniciais
CAPÍTULO 16
O tempo passa realmente devagar quando se espera ansiosamente por alguma coisa.
Desde que Nathan saiu da minha cela ontem à noite, não conseguia pensar em nada além dele e da nossa fuga. Eu nem ao menos consegui dormir direito! É claro que a despedida ousada dele piorou tudo. A cada dia que passava eu ficava mais desconfiada do que o que eu sentia era muito mais do que amizade ou atração. Era horrível admitir isso, mesmo que em pensamento, mas estava começando a cogitar a possibilidade de estar apaixonada por Nathan. Suspirei com esse pensamento.
Peguei minha bandeja quase intacta e me levantei para levá-la até a bancada. Nathan não apareceu para tomar café da manhã hoje, o que me fez pensar que ele devia estar sem fome ou que foi procurar algo mais apetitoso na geladeira dos funcionários.
Saí do refeitório e fui direto para o jardim. Sentei-me no banco e fiquei observando as flores, exatamente como no dia em que conheci Nathan. Mas diferente daquele dia, eu não as olhava com indiferença, agora eu as admirava, via beleza nelas. Era uma mudança estranha e rápida em meu modo de ver as coisas, contudo eu tinha um bom palpite de quem a causara.
– Oi... – olhei para cima sobressaltada e vi Taylor sorrindo hesitante para mim.
– Oi. – respondi cautelosa.
– Desculpe incomodá-la, Lorena... Mas eu pensei que gostaria de saber que a Halle vai passar cinco dias trancada no dormitório dela.
– Ela foi castigada? – perguntei surpresa.
– Sim, ela...se meteu em uma confusão, desta vez com a própria enfermeira. – ela riu. – Fiquei feliz por ela ter sido punida.
– Cinco dias. Perfeito! Não vou mais precisar agüentá-la, nunca mais! – não percebi que tinha dito isso em voz alta.
– Como assim? – perguntou. – Ela só vai ficar trancada por cinco dias...
– O que? – tentei escapar. – Não, eu não quis dizer...
– Atrapalho? – não consegui reprimir o suspiro de alívio quando ouvi a voz dele.
– Nathan! – falei me levantando e andando até estar ao seu lado. – Eu precisava mesmo falar com você.
– Falar comigo? – ele parecia confuso.
– Sim. Em particular. – acrescentei olhando furtivamente para Taylor.
– Oh! Eu vou indo então. Até mais! – disse ela sorrindo e então se vira e vai embora.
Nathan olha para mim com uma expressão curiosa e cautelosa.
– O que quer falar comigo? – perguntou.
– Nada. – respondi olhando as flores novamente.
– Como assim nada? – especulou arqueando uma sobrancelha.
– Só estava tentando despistá-la.
– Pensei que gostasse dela. – rebateu.
– Não é que eu não goste dela. E que eu acho ela meio estranha. – confidenciei.
– Por quê?
– Ah, eu só fiquei intrigada por ela ter decidido falar comigo agora. Depois de meses! – exclamei, me sentando no banco novamente.
– Vai ver ela é tímida. – sugeriu sem muita convicção.
– Que seja. Mas você já percebeu que além de nós dois, ela é a única que parece ser normal aqui?
– É verdade. – concordou. – Mas não sabemos nada sobre ela. Talvez ela seja uma psicopata! Psicopatas sempre parecem normais. – falou.
– Tem razão. Mas isso é só mais um motivo para eu querer ela longe. – informei. – E quanto menos pessoas se perguntando para onde eu fui, daqui cinco dias, melhor. — Ele sorriu. — O que foi? – perguntei.
– Está mesmo decida a fugir comigo, não é? – perguntou ainda sorrindo.
– Tecnicamente não vou fugir com você. – esclareci. – Você só vai me levar à um lugar que eu conclui vai fazer bem à mim. Você será como meu guia, não como um companheiro de fuga.
E então ele começou a gargalhar. Fiquei fitando-o perplexa, pensando que talvez ele fosse mesmo louco.
– Por que está rindo?
– Por quanto tempo você vai continuar fingindo que não existe nada entre nós? – seu tom de voz era sarcástico, mas eu podia ver em seus olhos que ele realmente queria uma resposta.
– Não preciso fingir porque não tem absolutamente nada entre agente. – afirmei.
– É mesmo? – perguntou sarcasticamente. – E o que é aquela “química” que rola todas as vezes que nos aproximamos demais? – ele arqueou uma sobrancelha, questionando-me.
– Não sei do que está falando. – recuei. Ele estava me deixando nervosa abordando esse assunto. Era algo no qual eu não queria falar agora. Na verdade, eu não queria falar sobre isso nunca. Era muito constrangedor!
Ele sorriu e se sentou ao meu lado. Nathan levantou a mão esquerda e acariciou lentamente meu rosto, olhando-me nos olhos. Estremeci. Ele desceu sua mão pelo meu braço direito até encontrar a minha e entrelaçou nossos dedos. Então aproximou nossos rostos devagar até sua testa encostar-se à minha. Nossos lábios estavam a um centímetro de distancia. Meu coração acelerou ainda mais e minha respiração estava ofegante. Parecia que eu tinha corrido por quilômetros!
– Ainda não sabe do que estou falando? – sua boca estava quase roçando a minha e ele parecia tão afetado quanto eu com a nossa proximidade. Se eu não estivesse tão desconcertada com a situação, teria sorrido.
– Não sabe? – perguntou novamente. Eu não conseguia responder, não conseguia pensar em nada, a não ser em como seria boa a sensação de ter seus lábios sobre os meus. E antes que pudesse me render, eliminar o curto espaço entre nossas bocas e tocar seus lábios com os meus, eu me afastei.
– Não. – apressei-me em dizer. – Ainda não sei do que está falando.
Ele ergueu as mãos sobre a cabeça, como quem se rendia.
– Tudo bem, então. Eu desisto! Vou facilitar as coisa para você.
– Como assim?
– Vou fazer o mesmo que você. Se você vai fingir que não acontece nada, também vou. – informou. – Quando decidir parar, eu também paro, ok?
Dei de ombros. Ele sorriu e mudou de assunto.
– Estou morto de fome! – falou. – E sei de um lugar onde tem uma geladeira cheia, pronta para ser assaltada – ele sorriu. – Está afim?
Eu sorri.
– Não precisa perguntar duas vezes.
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