Burning

46 Capítulo 38


Notas iniciais
Voltei!!! Eu disse que iria postar mais um essa semana e consegui - mas só porque hoje foi feriado e eu não fui trabalhar. Espero que gostem do capítulo... Boa Leitura!!

CAPÍTULO 38

O som da grade sendo aberta me trouxe um punhado de lembranças desagradáveis de momentos que eu nunca quis reviver. As imagens dos meus dias obscuros no reformatório dançavam por trás das minhas pálpebras enquanto eu permanecia com os olhos fechados, adiando ao máximo ver quem eu sabia que veria entrando no buraco mal iluminado que era essa cela.

A cela foi fechada e, relutante, eu abri os olhos a tempo de ver Dorothea trancar o cadeado antes de se virar e ficar de frente para mim. Pelo canto do olho, pude ver Taylor – que havia pegado no sono depois da crise de choro – se sentar em um sobressalto com os olhos arregalados. Dorothea mantinha um sorriso satisfeito nos lábios.

– Enfim juntas de novo, não é? – comentou ela, fitando-me. – Tenho que admitir: Foi difícil encontrá-la! – Dorothea soltou uma risada alta e curta – o som mais odioso que eu já ouvira na vida. Trinquei os dentes e virei a cara, evitando olhar para ela.

Ela riu novamente, agora, um pouco mais demorado.

– O que foi? – perguntou em um tom sarcástico. – Está chateada porque não conseguiu se despedir do seu moreno de olhos azuis? Qual era mesmo o nome dele...? – ela pareceu pensar por um minuto. – Ah, sim. Nathan. Como será que ele deve estar agora, quando descobrir que você sumiu? Ele deve estar arrasado, não acha? Talvez procure consolo nos braços daquela loura...

– Cale a boca! – gritei, não agüentando mais suas palavras. – Não fale dele como se tivesse moral para isso. Você é suja. Imoral. Um monstro! – eu virei o rosto, agora, encarando-a com ódio.

Ela forjou uma expressão ofendida.

– É uma pena que pense tudo isso de mim, uma vez que vai passar o resto da sua vida na minha companhia.

– Prefiro morrer. – murmurei.

– Ah, fique tranqüila quanto a isso. Vai acontecer logo, eu prometo. – disse ela, solene.

– O que você pretende com tudo isso? – indagou Taylor, que esteve calada até então.

Dorothea sorriu e direcionou seu olhar cruel para a garota ruiva e sofrida ao meu lado.

– Me vingar. – falou. – Não é isso que move o mundo? A vingança?

– Não para mim. – falei.

– Nem para mim. – concordou Taylor. – Isso tudo é ridículo, Dorothea! – ela explodiu. – Todos nós sofremos por sermos diferentes, por não sermos normais. E nem por isso, você nos vê querendo nos vingar...

– Porque vocês são fracas. – ela interrompeu. – Vocês têm medo de fracassar. Se tivessem sido mais espertas, poderiam ter se juntado a mim e, se o tivessem feito, posso garantir, teriam suas vidas poupadas. Mas – continuou. – como eu sempre soube, o amor enfraquece as pessoas. E foi isso que aconteceu com vocês. É uma pena, porém, não posso parar meus planos por causa disso.

Eu bufei.

– Você vai se dar mal. – ameaçou Taylor. – Pode não ser agora, mas vai.

– Você é quem pensa querida...

– Para que é isso tudo? – perguntei, de repente. – Ou melhor, para quem é isso tudo?

Ela sorriu.

– Creio que nunca lhes contei minha história, não é? – Taylor e eu sacudimos a cabeça em negativa. – Muito bem, então. Acho que vocês têm o direito de saber no que estão metidas.

Dorothea deu dois passos para trás e apoiou as costas e um dos pés na parede mofada atrás de si, como quem se prepara para contar uma longa história.

– Meu dom sempre foi evidente. – ela riu. – Ao contrário de vocês, que se dizem iguais a mim, eu não precisei passar por nenhum evento traumático para meu dom vir à tona. Ele sempre esteve presente. E foi isso o que me fez ser tão rejeitada.

“Meus pais me deserdaram recém nascida e, ao invés de ir para um orfanato como uma órfã qualquer, eu fui para um laboratório.”

– Como é? – perguntei.

– Foi exatamente assim que passei a minha infância: entre experiências científicas. Eles queriam descobrir porque todos que me tocavam eram eletrocutados imediatamente.

“As experiência duraram anos, mas não tiveram nenhum sucesso. Então, me mandaram para um reformatório, como uma delinqüente. Foi lá – na minha solidão – que aprendi a controlar os estímulos do meu dom, afim de não machucar mais ninguém. E foi lá, que anos depois, conheci Thomas.”

Dorothea parou por um segundo e respirou fundo.

– Ele era incrível e não tinha medo da lei, sabe. Ele fazia o que queria, quando queria e como queria. – ela riu. – Ele foi preso por causa disso, por seu espírito de liberdade. Ele foi o primeiro do reformatório a se aproximar de mim, e eu acabei me apaixonando. – ela olhou para Taylor e para mim. – Não pensem vocês que eu me orgulho de ter me apaixonado, mas foi involuntário, quando eu vi, já tinha acontecido.

“Então, certo dia, ele me chamou para fugir com ele. Eu aceitei na hora, porém, no processo de fuga, algo deu errado e os guardas do reformatório acabaram o matando. Eu fiquei destruída e, anos depois,quando fiquei livre do inferno, decidi me vingar. Tanto por mim, quanto por ele.”

– Então foi por isso? – perguntou Taylor. – Foi por causa dele?

– Eu disse a vocês que o amor nos deixa fraco. – avisou. – Mas, não era algo tão grandioso o que eu planejava. Naquela época, eu só queria destruir aquele maldito reformatório e todas as pessoas que estavam nele.

“Contudo, em um certo dia, encontrei meus pais enquanto trabalhava. Eu tinha arrumado um emprego de garçonete em um restaurante sofisticado por causa da minha boa aparência. Porém, enquanto servia a mesa deles, eles viram meu nome no crachá – e é claro, a minha semelhança com eles também deve ter me entregado. Naquela noite, eles acabaram comigo. Eles me difamaram e eu acabei demitida.”

“Meu ódio pelo mundo venceu naquele dia, — tamanha a humilhação que passei — e eu percebi que todos eram iguais, cruéis. Foi por isso que refinei meus planos. Agora eu quero guerra. Quero todos subordinados a mim e faço qualquer coisa para conseguir isso. Passo por cima de qualquer um. Foi o que fiz com Jerry Bennet.”

Ela soltou uma risada macabra.

– Acho que você o conheceu Lorena, foi ele quem fundou aquela academia ridícula para treinar pessoas como nós. Eu pensava que ele estivesse morto. Foi uma surpresa para mim descobrir o contrário. Mas eu garanto: não vai ser por muito tempo, ele vai morrer!

– Por que quer matá-lo? – perguntei horrorizada. Jerry era um homem bom. Um dos melhores que já conheci.

– Ele tentou me impedir, e vai pagar por isso.

Taylor e eu ficamos em silêncio, tamanho o impacto que as palavras dela tinham.

Eu sabia que eu ficara pasma com toda a história de vida de Dorothea, porque era muito parecida com a minha. Era assustadora a semelhança, o que me fazia pensar que, se não fossem meus pais e Nathan, eu teria me tornado uma pessoa monstruosa, assim como ela.

– Bom, — disse Dorothea, interrompendo meus devaneios. – vou deixá-las descansar, amanhã vai ser um dia cheio para vocês. Vai começar o treinamento de cinco dias, para a execução do meu plano. Eu só vim mesmo trazer a comida de vocês... Como nos velhos tempos! – ela sorriu, um sorriso falso e, só então, notei a bandeja no canto ao lado dela. Havia duas tigelas e dois cantis com água. – Bom apetite meninas! Quero que comam tudo, precisam estar fortes para o seu treinamento amanhã.

Dito isso, ela se virou e abriu a cela, fechando a grade atrás de si quando estava fora.

Com uma sensação estranha de choque misturado com raiva e tristeza, vi Dorothea sumir no corredor escuro e úmido.

Notas finais
E aí, o que acharam? P.S. Não sei quando vou postar o próximo, mas prometo postar logo, ok? Não desistam de Burning!!!!!!!!!!!!