Burning

2 Capítulo 1


Notas iniciais
Este eh o primeiro capítulo...

CAPÍTULO 1

O som da grade da minha cela sendo aberta me tirou de meus devaneios. Olho para as minhas mãos e vejo as chamas ainda acesas, ofuscadas pelo brilho do sol que entra pela janela. Não havia notado que se passara tanto tempo, mas já devia estar perto do meio dia.
Num movimento rápido, apago as chamas em minhas mãos. Olho para Dorothea que já tirou a bandeja de café da manhã intocada.
– Vejo que seu apetite não melhorou Lorena — diz ela.
Não respondo. Não estou com apetite e ela não tem nada a ver com isso. Ela nem gosta de mim, me trata come se fosse louca. Embora nem eu mesma tenha certeza de que não sou. Talvez eu seja louca mesmo.
– Acho que já teve tempo o suficiente pra se recuperar do pequeno incidente... Se sente mais calma? — pergunta.
Ainda não respondo apenas a encaro por alguns segundos antes de voltar a olhar pela janela.
Não sei o que meu olhar transpareceu, mas deve ter sido lúcido o suficiente, pois ela disse:
– Bom acho... Acho que já pode se controlar o suficiente par voltar a fazer suas refeições com os outros.
Dorothea sai e deixa minha cela aberta, o que interpreto como um: “hora do almoço”.
Levanto-me da cama e sinto meus músculos rígidos de ficar sem me mexer por três dias.
Há três dias, eu tive uma briga com Halle, uma das pacientes, e por motivos idiotas, ela jogou sua porção de purê em rosto. E eu, exaltada quebrei uma tigela em sua cabeça. O que me resultou três dias trancafiados em minha cela, sem nem ao menos ir ao refeitório. Minhas refeições eram entregues a domicílio, embora eu não tocasse na comida, e na água nesse meio tempo. Eles recolhiam minhas bandejas intactas, do mesmo jeito que haviam deixado aqui.
Alonguei meus membros doloridos, e segui pelos corredores cinzentos em direção ao refeitório. Normalmente os enfermeiros acompanham os pacientes a qualquer lugar que eles vão, mas Dorothea sabe que eu não necessito de acompanhamento, pois conheço aquele hospício como a palma da minha mão.
Após passar por uma porção de celas vazias, chego ao meu destino. O refeitório está lotado de gente louca. Assim como eu. Assim como eu devo ser.
Pego minha bandeja e me sento o mais longe possível de Halle. Estou encarando a comida, tentando descobrir o que essa coisa que esta nadando nesse caldo aguado, quando vejo uma movimentação. Olho por cima da cabeça de Talles, um homem alto, de meia idade que está devorando o conteúdo em sua tigela, e vejo que os enfermeiros trazem um garoto.
Ele é muito bonito, e aparentemente lúcido demais para esse lugar. Deve estar em torno de seus dezoito anos. Sua pele é albina, e seus cabelos são negros como a meia-noite. Seus olhos são tão azuis quanto o oceano, e seu andar é confiante.
Pergunto-me qual é o seu nome, e qual o motivo por trás de sua vinda aqui.
Observo-o andar até a bancada, pegar sua bandeja e seguir para o lugar vago mais próximo. Continuo olhando-o, até que ele levanta a cabeça e seus olhos encontram os meus. Desvio o olhar rapidamente fingindo me concentrar na gororoba que está em minha frente.
Assim que termino de comer, decido que tenho que tomar um banho. Então deixo minha bandeja na bancada e sigo em direção a Dorothea que observa todo o refeitório.
– Preciso de um banho — digo a ela.
– Você sabe onde ficam os chuveiros — respondeu.
Assenti uma vez e fui em direção às portas brancas. Mesmo de costas, pude sentir que alguém me olhava. Discretamente olhei por sobre meu ombro e dei de cara com olhos azuis me encarando, antes das portas se fecharem atrás de mim.

Notas finais
me digam o que acham