Burning

3 Capítulo 2


Notas iniciais
Leiam e digam se gostam,please!

Capítulo 2

Assim que saí do chuveiro, percebi que não tinha mais ninguém nem no refeitório, nem nas celas; deviam estar no jardim. Sim, aqui também tem um jardim, como em um hospício, embora não seja exatamente um.

Após ter dois assassinatos em minhas costas e todos acreditando que eu botara fogo em dois seqüestradores, quiseram me mandar para um manicômio dizendo que eu era uma psicopata e que não me queriam no meio deles, com medo que fossem minha próxima vítima. Mas meu pai, sendo um advogado influente, e minha mãe uma psicóloga conceituada, — Ainda com muito custo – conseguiram me trazer para cá, que é melhor do que um manicômio, mas é um pouco pior do que um hospício.Na verdade aqui é um reformatório para pessoas com problemas mentais...ou seja, um reformatório para loucos criminosos. Existem passeios no jardim, as refeições são feitas em um refeitório com todos os pacientes, e temos enfermeiros vinte e quatro horas por dia, sem conter nos inúmeros remédios que me obrigam a tomar(e que eu jogo fora na primeira oportunidade). Mas também temos períodos solitários – se desobedecermos, nossos quartos parecem celas – com grades cem por cento reforçadas, e há câmeras por toda parte.

Resolvo que mereço um pouco de vitamina D, então caminho em direção a porta de vidro que dará acesso ao jardim. Abro a porta e sinto o calor do sol esquentar minha pele, é uma sensação tão deliciosa que decido me sentar em um dos bancos mais distantes dos outros para aproveitar o belo dia ensolarado.

O jardim, não é um lugar ruim. Há bancos espalhados por toda a sua extensão, caminhos de pedra interrompem a grama fresquinha que envolve duas grandes árvores, e algumas flores coloridas dão vida ao local. Mas, na situação em que estou, não tenho a capacidade de achar nada belo.

– Oi – disse uma voz masculina desconhecida. O que é estranho, pois eu conheço todas as vozes desse lugar. Então, só poderia ser...Virei para trás só para confirmar todos os meus temores. Sim, era o novato. – Você fala? – perguntou ele, quando eu demorei para responder.

– Só quando falar vai me trazer algum benefício, e como essa conversa não vai me beneficiar em nada, gostaria de voltar a ficar em silêncio – disse rudemente. Não que eu fosse uma pessoa rude, mas desde que cheguei a aqui, que não me importei em fazer amizades. Para que mudar esses hábitos agora?

–Só estou tentando ajudar...até por que ficar sem falar por muito tempo, pode prejudicar sua voz – disse, pela voz devia estar se esforçando para não rir.

– Bom, isso não importa para mim...uma vez que vou ficar aqui pelo resto da minha vida – eu deixando claro com minha linguagem verbal e corporal, que queria que ele fosse embora. Mas ainda assim, ela insistia em manter uma conversa sem nexo, que não nos levaria a nada.

– Você fala como se tivesse com noventa anos, e aguardando a morte a qualquer minuto. – respondeu ele, rindo.

– E se tiver? – perguntei distraidamente, encarando uma bela tulipa vermelha perdida em meio a lírios amarelos.

– Então – começou ele – você é a coroa de noventa anos mais bonita que eu já conheci! – pelo seu tom de voz, ele devia estar achando engraçado.

Eu bufei e virei o rosto para encará-lo. A essa altura, já havia desistido de ignorá-lo.

– Aonde você quer chegar com esse papo furado, ein? – perguntei- Pode parar de rodeios, e dizer logo o que quer, por favor?

– Eu quero saber seu nome. – respondeu simplesmente.

Soltei uma risada desdenhosa antes de responder:

– E por que eu lhe diria o meu nome?

– Por que eu estou perguntando.

–Isso não é motivo o suficiente – respondi – Aliás, eu nem sei quem você é! – lembrei-o.

– Então eu posso te dizer...se antes você me disser seu nome.- propôs ele.

–Não estou interessada em saber quem é você – isso não é bem verdade. Eu estou louca para saber o nome dele e a razão de ele estar ali.

– Você mente muito mal sabia? – ele disse.

– Você não sabe nada sobre mim para achar que sabe ou não, quando eu estou mentindo – eu sei que estava realmente mentindo, mas não iria dar o braço a torcer assim tão fácil.

– Posso não saber nada sobre você, mas sei muito sobre as pessoas em geral, por isso sei que está mentindo – argumentou.

– Você pode saber muito sobre as pessoas normais, mas o que sabe sobre loucos? – respondi, por minha vez.

– Nós dois sabemos que você não é louca...

– Como pode ter tanta certeza? – disse, interrompendo-o.

– Cá entre nós, os loucos nunca dizem que são loucos. – e pelo modo como sorriu, deve ter percebido que fiquei sem argumento – Vai me dizer seu nome agora, ou vou ter que barganhar mais um pouco? – perguntou olhando atentamente em meus olhos. Aqueles olhos azuis! Pareciam duas piscinas me convidando a mergulhar neles e nunca mais sair. Percebendo onde meus pensamentos me levavam, desviei o olhar.

– Lorena – respondi simplesmente, encarando a tulipa vermelha novamente.

– Belo nome!Combina com você. – comentou.

– Vai me dizer o seu nome? – perguntei impaciente, e mesmo nunca fosse admitir, lisonjeada com o comentário dele.

– Não foi você quem disse que não queria saber nada sobre mim? – disse ele debochado.

– Se não quiser falar, não fale, ok? Não mudar nada na minha vida saber o seu nome. – falo irritada.

– Nathan. – ele disse seu nome do mesmo modo que eu disse o meu, sem nenhuma emoção.

– E então Nathan... o que fez para vir parar aqui? – perguntei, a curiosidade explícita em minha expressão.

– Matei meu cachorro e servi ele no jantar! – ele disse isso como se tivesse me falando a previsão do tempo. Eu o olhei com espanto, e ele começou a gargalhar. E então eu me toquei que ele fazendo piadinha.

–Você sabe falar sério? – perguntei.

– Não é minha melhor qualidade, mas sei fazer isso de vez em quando. – antes que pudesse se conter, ele ri de novo. Estou prestes a me levantar e ir para minha cela, aliás ,de onde eu nem devia ter saído, quando ele resolve me responder – Eu fiquei depressivo, quando meu avô morreu e tentei me matar.

– Sinto muito. Mas você não me parece nada depressivo. – acusei-o.

– Talvez minha depressão tenha sido curada – Nathan me olhou de um jeito estranho quando disse isso – ou pode ser o efeito dos remédios.

Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, a voz de Dorothea me interrompe:

– Acho que já admirou o jardim por tempo o suficiente, não acha Lorena?

Olho em volta, e vejo que não há mais ninguém no jardim.Dorothea começa a andar em direção as portas de vidro que dará acesso as celas – o que era claramente um ‘acompanhe-me”-, e eu a sigo. Mas antes que eu possa passar por elas, Nathan me chama:

–Lorena! – eu me viro e vejo que não se mexeu nem um centímetro. – A gente se vê! – diz ele, dando um sorriso torto. E que sorriso!

Antes que pudesse ficar tonta, balanço a cabeça em concordância, e passo pelas portas, ansiosa por sair de vista.