Burimyu (remasterizada)

9 Capítulo 9 - Coração, segundo alerta


Capítulo 9 – Coração, segundo alerta


Na manhã seguinte, domingo, ela estava sentava no sofá com as mãos encolhidas junto ao cachecol no pescoço, por causa do frio. O Sol logo voltaria, mas a estação fria ainda não chegara ao seu fim. Seu olhar estava perdido, ela nem estava ali. Seus olhos fitavam o mangá 20 de Bleach em cima do centro. A flor de Sakura não sobreviveria muito tempo e a água não era o melhor meio para conservá-la, então deixou dentro do mangá. O volume 20 era o encerramento da saga SS, um dos seus mangás de Bleach favoritos. A flor era linda, ela estava imensamente feliz com as lembranças do dia anterior. De repente voltou à realidade e teve medo. Medo de estar misturando as coisas. Mas ele não era Ichigo, e não é porque era fascinada por Ichigo que também seria por ele. Os dois eram seres diferentes e só um deles era real. Ela tinha que pensar assim se não quisesse se confundir e possivelmente tropeçar e ferir a si mesma ou a ambos. Foi tirada de seus pensamentos com um toque no celular. Era uma mensagem de Haruki, já havia aprontado as fotos do dia anterior e enviaria por e-mail.

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Chegaram ao meio dia no restaurante Yokohama, caminharam até uma mesa, e sentaram-se. Takashi apertou a campainha presente na mesa e em breve um garçom estava diante deles. O garçom entregou o cardápio, depois de algum tempo anotou os pedidos e afastou-se. Takashi olhou para Kumiko, que lançava um discreto olhar de reconhecimento ao local. Ela estava linda, usava um vestido laranja claro, uma leg cinza clara até um pouco abaixo dos joelhos, um casaco vermelho e botas marrom claras. As cores pareciam em perfeita sintonia com a pele branquinha da garota. Ele usava um colar e vestia uma camisa branca estampada, um casaco xadrez preto e branco, um jeans azul-escuro com alguns desenhos e uma corrente presa na cintura e calçava um tênis preto, contrastando com a personalidade séria de seu personagem no musical.

— O que está achando desse lugar Kumi-chan? Gostou?

— Sim Takashi-kun – ela sorriu – obrigada pelo convite.

— Não tem que agradecer.

Depois de três meses estava bem mais fácil falar com ela. Ela tinha perdido o medo de conversar. Ele também olhou em volta, algo lhe chamou a atenção umas três mesas à frente, mas preferiu não dizer a ela ainda. Ele viu Yuichi, Eiji e Shogo. Yuchi totalmente vestido de preto. Ninguém entendia porque ele gostava tanto de preto, devia ser a forma de expressar seu lado sombrio. Eiji se vestia de azul. Shogo de branco e preto. “Então o Tuti-san, o Eiji-san e o Shogo-san também estão aqui”, pensou, e disfarçou o sorriso. Coincidentemente haviam escolhido o mesmo local. Sua atenção e a de Kumiko foram atraídas pela volta do garçom com os pedidos.

— Olha só quem está ali.

Ele se virou discretamente para olhar, pois estava de costas para a direção que Eiji olhava.

— São o Takashi-san e a Kumi-chan. Não sabia que estavam aqui. Viemos parar no mesmo lugar – ele riu.

— Falamos com eles depois. Nós vimos o quanto o Takashi se esforçou pra se aproximar dela. Não vamos atrapalhar Tuti-san.

Ele se virou para os outros dois. Pouco tempo depois o garçom chegou com o almoço.

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Pensava no momento em que dera a flor a ela. Tentava ir devagar com aquela aproximação e sentia-se nervoso quando tentava se concentrar em não errar, justamente porque tinha medo que isso acontecesse. Tentava o tempo todo seguir o conselho de Eiji. No dia anterior nem pensara em Rukia quando estava com ela, a não ser quando foram encontrados pelos fãs. Sentiu-se feliz ao lembrar que tinha esquecido de seguir o conselhoa certa altura do dia. No dia anterior pensara nela e ninguém mais. Seus olhos bateram no calendário da parede do quarto. Faltavam alguns meses para o musical. Se apresentariam em Tokyo, onde o musical seria gravado para DVD. Depois em Osaka, Kyoto e outras cidades. A previsão de Takuya era que se desse certo, futuramente teriam uma turnê internacional e continuariam a apresentar o musical no Japão e fora dele nos anos seguintes. No dia do musical seriam filmados nos bastidores, o que também iria para o DVD, claro. Novamente sentiu-se imensamente feliz ao lembrar tudo que estava vivendo todos os dias no estúdio. Ele sempre imaginara como seria incrível ser um shinigami de verdade. Ele não era, mas às vezes até esquecia-se disso. No dia seguinte eles teriam um ensaio da atuação e das canções do primeiro dia do musical na estrutura giratória quase concluída do palco. Na semana seguinte, do segundo dia e na outra, do terceiro. Ao passe que se aproximassem do dia da apresentação, ficariam cada vez mais tempo no estúdio. Tinha que ser tudo perfeito.

— É melhor eu me desligar um pouco disso quando estou em casa ou vou ficar louco...

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Depois de ver as fotos enviadas por Haruki e mandá-las a Tatsuya, Miki relia uma das matérias que lera sobre ele antes de conhecê-lo no estúdio da Pierrot. Só então se atentou para o fato de ser mais velha que ele. Modestamente, até ela se surpreendia com isso. Era cinco anos mais velha que ele. Nascera dia 15 de abril de 1980 e ele, dia 12 de julho de 1985. Olhando os dois, poucos diriam que não tinham a mesma idade ou que ela era cinco anos mais velha, até porque as pessoas se confundiam facilmente por causa de sua altura. Certa vez Haruki e um outro fotógrafo concordaram que ela era a personificação de Rukia por ser pequena como ela. Ela achou engraçado. Não se importava com sua altura, se orgulhava do que era, até porque se fosse mais alta não seria Rukia. Três meses haviam passado e vários laços haviam sido fortemente amarrados entre todos eles, alguns mais fortes que outros. Ela se dava bem com todos ali, mas era evidente sua maior afinidade com Rei, Kumiko, Harumi, Eiji, Tuti, Shuji e Tatsuya. Ela imaginava o que ainda aconteceria naqueles meses restantes, se estaria nervosa quando o momento chegasse, mesmo depois de tanto treino, o quanto se divertiria, como seria sentir a energia e a felicidade dos espectadores, a repercussão de tudo aquilo e como seria no futuro, uma possível separação, afinal, Bleach não duraria para sempre e não era impossível ocorrer algo que provocasse a saída de alguém. Seus olhos se encheram de lágrimas. Preferiu afastar essas últimas hipóteses de sua mente. O futuro ainda seria construído e ninguém sabia como ele seria.

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Estava olhando as fotos tiradas por Haruki. Ele viu uma foto que Haruki provavelmente tirava antes de se encontrarem. Haruki e Miki na frente do parque, com as cabeças unidas, sorrindo, sob a intensa luz do sol. Depois viu as fotos dos museus e do Ueno Zoo, fotos de todos os animais, a foto tirada junto aos coelhos, da lagoa, de outros lugares do parque, a foto com o garotinho, Minoru, e sua mãe, Misa, uma foto dele, Tatsuya, e Miki enquanto brincavam em algum momento do dia e mais uma que Haruki tirara depois. Miki, com a flor de cerejeira nas mãos, seu rosto iluminado pelo pôr do sol. Ela sorria, um sorriso discreto, mas um sorriso. Sentiu-se satisfeito. Fechou a caixa de e-mails e desligou o computador. Olhou a pequena estante de livros do seu quarto, suspensa na parede, perto da porta. Não lera todos eles ainda. Era regra no Japão nunca deixar de estudar e se instruir, por mais sábio que se fosse. Levantou e caminhou até ela. Pegou um livro e voltou a sentar-se.

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Takuya checava feliz a repercussão da notícia do musical entre os fãs antigos e novos de Bleach. Esperava-se que o número de fãs crescesse depois do musical. Até mesmo pessoas que não teriam chance de ver ao vivo estavam ansiosas e esperavam sempre por notícias. Sua atenção foi desviada pelo toque do telefone. Era a equipe de um certo programa de TV.

— Moshi moshi. Takuya Hiramitsu?

— Sim, sou eu mesmo.

— Sou Yoshiro Takada, diretor do Jump Bang.

— Olá Takada-san. Creio que queira falar sobre a aparição de dois dos nossos atores aí.

— Sim. Como eu já expliquei eu gostaria muito, realmente, de trazer todos, mas não caber no nosso pequeno auditório. Então traremos só Ichigo e Rukia. Mas nossa produção irá até vocês para capturar um pouco do trabalho nos bastidores, se nos permitirem.

Dois de seus atores teriam uma surpresa. Ele esperava que aceitassem.

Notas finais
Nota: Eu não sei quem é o diretor do Jump Bang, por isso inventei.