Burimyu (remasterizada)
6 Capítulo 6 - Surpresa
Capítulo 6 – Surpresa
— Aproveitando a folga do almoço Isaka-san? – Eiji sentou-se ao seu lado.
Estavam sentados num terraço na parte térreo do estúdio que dava para um jardim.
— Oi Eiji-san.
— Parece perturbado. Sabe que estou aqui pra te ouvir e não vou contar a ninguém. Vamos, já estamos trabalhando há dois meses juntos, pode falar.
— Você também...?
Durante aqueles dois meses todos haviam conversado bastante e se conhecido melhor. Sabia que poderia contar com Eiji.
— Eu não sei se tô misturando as coisas ou o que.
— O que foi? Misturou o trabalho com a vida pessoal? Ou não sabe se está ou não fazendo isso?
— Segunda opção. É uma pessoa que tá aqui. Eu acho que minha fascinação por ela pode ser porque sou louco pela personagem dela.
— Entendo. Sabe? Quando não é de verdade, o coração costuma esfriar depois que se conforma e parece que o sentimento nunca existiu. Vai ter que achar uma forma de descobrir isso. Eu recomendaria que você passasse um tempo trabalhando com outra pessoa que tenha uma personagem que você realmente ame. E você saberia que misturou as coisas se esquecesse a primeira. Mas você não pode se afastar daqui no momento. Vai ter que descobrir de outra forma. Tente pensar nela e na Rukia separadamente. Como se uma não fosse a outra.
Tatsuya arregalou os olhos, seu rosto queimou e seu coração acelerou imensamente.
— Como sabe?!
— Não é que você seja um livro aberto, mas dá pra perceber – ele riu – e você não é o único. Relaxa.
Ele tentava se controlar. Pensar separadamente. Talvez desse certo.
— Sabe? Há muito tempo eu me encantei pela beleza de uma garota, mas achava que tinha me encantado por ela. Se chamava Ayumi. Era realmente linda. Tinha cabelos ruivos e um sorriso lindo. Passei muito tempo tentando atrair a atenção dela. Um dia parei pra pensar, não éramos próximos apesar de nos darmos muito bem. Ela sabia o que eu sentia, mas era sempre sincera e deixava claro que não sentia o mesmo, mas me aceitaria como amigo. Percebi que me encantei pela beleza dela e não por ela. Quando é de verdade as duas pessoas ajudam e confiam uma na outra. Espero ter te ajudado.
— Obrigado Eiji-san.
— Parece que não crescemos. Adultos não deviam se confundir com isso. E talvez nem falar mais sobre isso.
Os dois riram.
— Vou indo. Quero dar uma olhada na estrutura do palco antes de voltar ao treino. Está quase terminada.
— Vai lá.
— Por que não vem também?
— Daqui a pouco eu te alcanço.
— Tudo bem.
Ele levantou e saiu. De repente Tatsuya foi interrompido por risadas e uma câmera surgiu a sua frente.
— Isaka-kun! O que faz aí solitário? – Era Rei.
Miki e Kumiko estavam com ela. Todas pareciam radiantes. Ele sorriu percebendo que estava sendo realmente filmado.
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— Terão uma surpresa amanhã. Preparem seus corações – Takuya avisava enquanto era ouvido pelos demais, presentes no salão de treinamento.
— Takuya-san, podemos mexer uns pauzinhos pra lhe garantir um bom lugar na Soul Society no futuro se você nos contar quem é.
— Isso é chantagem – ele respondeu a Takashi.
— É só uma negociação!
— Fique quieto menino! Não vou estragar a surpresa!
Após uma onda de risadas mais alguém implorou.
— Só uma dica Takuya-san! – Tuti pediu.
— Uma dica? Ok... vocês sabem quem é.
— Não vale! – Exclamaram fingindo decepção.
— Essa pessoa tem se esforçado muito, arrisco dizer que até mais do que deveria, para poder estar aqui amanhã. Então quero todos felizes e bem dispostos para recebê-la. Se todos trabalharem duro eu direi quem é antes de irem embora.
Todos deram um pequeno grito de alegria e voltaram aos ensaios.
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Três meses juntos. Uma pequena pausa no fim do dia. Takuya os chamaria em breve para gratificá-los com a revelação do nome da visita tão importante que receberiam no dia seguinte. Estavam espalhados por todo o estúdio e deveriam se reunir no salão em alguns minutos. Andando pelos corredores que uniam as inúmeras salas do estúdio, encontrou várias portas abertas e salas vazias. A maioria deles já se dirigira ao salão. Ele estava ali para arrumar algumas coisas suas que deixara na sala dos garotos. Iriam embora logo após o anúncio de Takuya. Parou e voltou alguns passos quando a viu em uma das salas, também arrumando suas coisas para ir embora. O longo cabelo ruivo ondulado estava solto em volta dos ombros, brilhando radiante com o toque da luz emitida pela lâmpada acesa. Era lindo. Ela não havia notado sua presença, ficou apenas admirando-a por alguns segundos. Queria evitar se aproximar muito dela antes de entender tudo aquilo, mas não conseguia evitar. Se dirigiu discretamente até a porta. Hesitou. Não sabia o que dizer a ela.
— Oi...
Ela guardou o último dos itens espalhados no chão dentro da bolsa, o script de Rukia, fechou-a e o olhou, abrindo um sorriso que o fez se derreter por dentro.
— Oi. Está indo pro salão?
— Ainda não. Vou pegar minhas coisas primeiro.
— Vou esperar você.
— Não precisa. Você pode ir na frente...
— Não tem problema... E ainda vou me calçar.
Só naquele momento percebeu que ela estava descalça.
— Eu volto logo.
Saiu e correu até sua sala, apanhando alguns objetos soltos e os guardando-os na mochila. Depois voltou até ela e a encontrou, já com seus sapatos, esperando-o no mesmo lugar.
— Vamos.
Ela levantou e os dois se puseram a caminhar em direção ao salão. Queria falar mais com ela, para que ficassem mais próximos, mas nunca lhe vinha a mente como poderia iniciar uma conversa. E se tentasse e o fizesse de maneira errada, fazendo com que ela se afastasse dele? Não queria isso e preferia não arriscar por enquanto. Seria possível mesmo os humanos se entenderem através do olhar como acontecia com Ichigo e Rukia? Sentiu-se idiota. Provavelmente ela não estava pensando em nada daquilo enquanto caminhava ao seu lado.
O comentário de Harumi ainda martelava em sua cabeça. E o jeito simpático e o olhar amoroso que Tatsuya mantinha todo o tempo conquistara a todos, inclusive a ela. Mas antes mesmo do que Harumi dissera, no momento em que conversaram pela primeira vez, ele despertara algo em seu coração, que ela ignorava a princípio. Não tocava no assunto. Se conheciam a tão pouco tempo. Aquilo poderia acabar rapidamente. Sentiu tola pensando naquilo enquanto se dirigiam ao salão. Provavelmente ele não estava pensando o mesmo naquele exato momento.
Chegaram e acomodaram-se junto dos outros. Takuya analisou por um tempo e quando teve certeza de estarem todos ali, começou a falar.
— A pessoa que vem nos visitar encontrou dificuldades para achar um horário livre. Ele trabalhou duro, quase à beira da loucura para poder estar aqui amanhã. Quero todos felizes e dispostos da hora que chegarem aqui até o fim do dia. E cheguem cedo.
— Não faça mistério Takuya-san! Estamos curiosos – Shogo pediu.
— Ok, ok... Quem vem nos visitar é o próprio Tite Kubo.
Todos bateram palmas e comemoraram, inclusive o próprio Takuya. Minutos depois, todos deixavam o estúdio. Seria emocionante estar cara a cara com Kubo e seria excelente para afastar os problemas e dúvidas da mente enquanto ele estivesse ali.
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