Burimyu (remasterizada)
14 Capítulo 14 - O aniversário de Miki
Capítulo 14 – O aniversário de Miki
Faltavam poucos dias, ele ainda não tinha idéia do que dizer ou escrever, nem do que dar a ela. Tinha que ser algo que para ela tivesse um significado realmente especial. Aproveitou a falta de sono aquela noite para tentar pensar em algo. Estava olhando para o teto, deitado, dentro do quarto escuro, iluminado apenas por alguns raios de luz da lua cheia que entravam pela janela. Olhou para seus mangás na estante e de repente lembrou-se da luta entre Rukia e Grimmjow, quando ela havia se ferido e desfalecido. Era uma noite bem iluminada quando ela e os outros lutavam. Naquele momento a Soul Candy Chappy estava no seu gigai. Refletiu e uma luz veio à sua mente. Já sabia o que fazer.
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Seria no dia seguinte. Uma parte do elenco havia se encontrado na casa de Harumi e agora discutiam o que fazer exatamente no próximo dia enquanto faziam um bolo de morango e alguns pensavam em escrever algo nele.
— Pode ser algo sobre a Rukia mesmo – sugeriu Tuti.
— Também Tuti, mas antes de ser Rukia ela é Miki – disse Harumi.
— Podemos escrever sobre as duas, vemos isso depois de terminar – Kumiko e Takashi já limpavam um pouco da bagunça deixada na cozinha.
Não era uma bagunça tão extravagante, mas haviam bagunçado muito fazendo aquele bolo. Alguns com o rosto sujo de farinha, recheio de morango, chantilly... Quando olhavam para a cara suja uns dos outros morriam de rir com a situação. Estavam realmente se divertindo. Também discutiam a respeito dos presentes, o que diriam e o que haviam escrito nos cartões, em especial o de Takashi, todos rolaram de rir ao ouvir o que ele escrevera. Era uma brincadeira com o Bankai, mas ele escrevera algo sério também.
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Takuya os havia ajudado e deixado que fizessem uma pequena comemoração no palco giratório antes do trabalho. Todos haviam chegado bem mais cedo que de costume. As meninas tinham feito um bolo de morango para Miki, com uma vela listrava em espiral, vermelha e branca, da cor do bolo. O bolo tinha pequenos dizeres: “Omedetou Gozaimasu, Miki-chan”. Do lado oposto: “Rukia Kuchiki, Bleach”.
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Ela caminhava em direção ao estúdio quando algo maravilhoso e indescritivelmente lindo chamou sua atenção. Ela parou. As pétalas cor-de-rosa ou brancas davam vida às árvores e a paisagem, iniciando o hanami, o que, óbvio, a fez lembrar do encerramento, Hanabi e de um certo pôr do sol no qual ganhara uma daquelas pétalas rosa claro. Vendo-as ali ou voando com o vento a esperança de muitos sonhos explodiu em seu coração, como devia acontecer com qualquer um, mesmo corações feridos e ela abriu um grande sorriso. Era o maior presente de aniversário que a natureza podia lhe dar. Seguiu para o estúdio intensamente feliz.
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Todos eles esperavam perto do palco giratório, o elenco e os produtores. Eiki, Takashi e Takuya estavam na entrava do estúdio esperando Miki. Ela chegou alguns minutos depois, o cabelo preso em duas tranças, surpreendeu-se com a recepção alegre dos três, que lhe desejavam feliz aniversário alegremente e a puxavam apressadamente em direção ao palco. Ela já havia recebido um grande abraço e um presente de Haruki. Ele havia lhe dado um banner enorme com uma das fotos que tirara dela em um ensaio fotográfico. Depois de ser levada ao palco, sua surpresa foi tanta que largou suas coisas em um canto e cobriu a boca com as mãos enquanto sorria. Todos batiam palmas alegremente olhando para ela e cantando Bleach Soul Shout no lugar de uma canção de parabéns. O palco giratório começou a se mover. Quando ele virou, ela viu Tatsuya, Rei, Kumiko e Harumi segurando um lindo bolo com uma vela e também cantando. Eiji e Shuji a levaram até eles. Quando se aproximou, viu o que estava escrito e abriu um imenso sorriso, agradecendo a todos em seguida e também batendo palmas junto com eles que haviam terminado a música. Em seguida cada um deles falou algo para ela, no fim Tuti e Tatsuya tomaram a palavra.
— Todos nós somos realmente muito felizes por sua presença aqui, Miki-chan. Espero que possamos continuar trabalhando juntos por muito tempo, talvez até mesmo depois do musical – falou Tuti.
— Você tem um lugar especial em cada coração aqui – dizia Tatasuya que se aproximou com o bolo para que ela apagasse a vela.
Ela a apagou. No momento, não sabia ao certo que pedido fazer, mas queria estar com eles o quanto pudesse. Quando a chama se extinguiu todos a aplaudiram e ela recebeu muitos abraços, no final, todos a abraçaram ao mesmo tempo. Deixaram o bolo em uma pequena mesa que havia sido colocada lá e silenciaram para ouvir as palavras dela.
— Eu... não sei o que dizer – escondeu o rosto nas mãos por alguns milésimos de segundo enquanto ouvia uma mínima e breve onda de riso entre os amigos – eu não esperava por isso. Eu também me sinto muito feliz e grata pela companhia de vocês todos os dias e... – fez uma pausa olhando de maneira séria para eles – vocês já estão filmando? – Ela morreu de rir e eles também.
— Desde que você chegou!
Todos riram novamente e ela continuou.
— Eu também espero que possamos continuar muito tempo juntos, que possamos libertar toda a nossa emoção aqui, porque esse musical não é só o nosso trabalho. Antes do trabalho a vida e a vontade que existe dentro de cada um de nós tem que ser empenhada aqui, ou o trabalho não tem sentido. E eu sinto que estamos conseguindo fazer isso. Cada um de vocês também tem um lugar especial no meu coração. Obrigada.
— Não chore, Miki-chan – brincou Tuti.
— Eu não vou chorar – ela riu, realmente não ia chorar, embora seus olhos brilhassem intensamente.
Miki cortou o bolo e o repartiu para que todos aproveitassem. A certo ponto Ito apareceu com o chapéu listrado de Urahara na cabeça, o Kon em um braço e uma caixa vermelha de vendedor, cheia com os presentes trazidos por eles, pendurada no pescoço. Ele se aproximou de Miki, segurou Kon próximo ao rosto dela e imitou a voz dele dizendo: ”Parabéns, nee-saaan!!!! Eu e Urahara-sama viemos lhe trazer esses lindos presentes! A maioria foi eu que fiz!” Ela morria de rir enquanto Ito brigava com o boneco pela autoria dos presentes até que enfim se dirigiu a ela.
— Miki-chan, esses são os presentes de todos nós pra você. Esperamos que goste. Abra-os!
Ela ficou sem jeito, mas agradeceu e começou a abri-los depois que Ito os deixou sobre a mesa. Ganhara muitas coisas de Bleach, principalmente as relacionadas à Rukia ou Chappy. Ganhara um grande pôster de Rukia e Sode no Shirayuki, de Takuya. Algumas mensagens lhe chamavam a atenção, como a de Takashi que lhe dera uma punhequeira preta com a máscara hollow de Ichigo e um pequeno cartão com a mensagem: “Feliz Aniversário! Desejo que você aproveite muito o dia de hoje e alcance logo o bankai, Kuchiki.” Ela o leu em voz alta com uma expressão surpresa arrancando risadas de todos, até do autor da mensagem. Um dos últimos tocou muito seu coração, ganhara um chappy de pelúcia de Tatsuya. Como todos os outros, uma mensagem: “Eu quero que você seja muito feliz.” Era apenas uma frase, mas seu coração apertou de alegria.
Depois de curtirem um pouco mais a festa improvisada, ela agradeceu a cada um deles e Takuya a chamou para mostrar os cartões de aniversário que haviam sido enviados para serem entregues a ela. De Kubo, do JumpBang e alguns outros se somaram aos que havia ganhado dos companheiros, de Haruki, de alguns outros amigos, dos fãs e da família, que morava longe, mas mantinham contato. Depois de lê-los, os guardou e finalmente se dirigiu ao salão de treinamento. Quando pararam para almoçar, novamente comemoraram o aniversário de Miki, mesmo sem bolo daquela vez. Não para ter um motivo para bagunça, mas porque todos realmente a amavam e ela sentia seu coração pegar fogo e ameaçar explodir de alegria ao se sentir tão querida por eles. Naquele dia Rei os filmou bem mais que de costume e eles treinaram esgrima com as zampakutous. À tarde foram para uma casa que serviria como estúdio fotográfico. A casa e quase tudo nela era branco. Haruki estava lá com a equipe.
— Parabéns, minha Rukia!!! – Ele a abraçou fortemente, mais uma vez, como fizera pela manhã.
Todos eles tiraram muitas fotos com três roupas diferentes. Também foram filmados durante a permanência lá. Seria parte dos bastidores do musical. Enquanto alguns tiravam fotos, Kumiko e Kohei brincavam com mini jogos de basquete e boliche, Eiki com o cubo mágico, Tatsuya e Asuna faziam animais com bolas de sopro. Minutos depois Kengo se juntou a eles. Shuji brincava com a zampakutou fazendo vários movimentos de ataque. Agora Takashi e Kohei tiravam fotos sentados dentro de uma banheira, Kohei com uma toalha na cabeça e Takashi brincando com uma pequena bola colorida. Apesar de nenhum ter menos de 20 anos pareciam crianças. Aquele ensaio fotográfico também estava sendo filmado.
— Ei, vamos tirar fotos com a estrela do dia de hoje – chamava Eiki se referindo a Miki.
Não havia espaço no lugar para todos ficarem juntos, então revezavam. Algumas horas depois voltaram para o estúdio, trabalharam mais um pouco e à noite foram embora como de costume. Antes disso, ao se lembrar das pétalas levadas pelo vento durante a manhã, Miki convidara todos para assistirem juntos a queima dos fogos de artifício do Hanami no mês seguinte. Não estava tão longe. Tatsuya, Miki, Eiki, Kumiko (Yoruichi) e Haruki saíram juntos. Depois de passarem pelas casas de Eiki, Kumiko e Haruki e deixá-los lá se dirigiram a casa de Miki. Tatsuya a ajudava a carregar suas coisas e os presentes que havia ganhado. Antes de chegarem, pararam um pouco em uma pequena praça próxima para admirar um magnífico céu cheio de estrelas, a lua minguante e as luzes coloridas da cidade. Sentaram-se e deixaram as coisas de lado.
— Você acha mesmo que isso vai continuar por muitos anos?
— Quase tenho certeza total. Muitas pessoas amam Bleach e se der certo, Takuya vai muito mais longe.
— Você pensa em continuar até o final?
— Não sei. Estou muito feliz, mas há outras coisas que eu queria fazer.
— Outras peças e musicais?
— Sim.
Ela entristeceu, o coração apertou. Havia se acostumado com a companhia de cada um, especialmente a dele. Sabia que não ficariam juntos para sempre, nem mesmo Bleach duraria para sempre, mas era cedo demais para falar em um fim e em separação. Sentiu-se mal por ter tocado naquele assunto naquele momento. Ele percebeu. Teve medo de tomar a iniciativa, mas lutando contra si mesmo tomou a mão dela, tentando não parecer tão abalado.
— Eu não sei o que vai acontecer, mas não vamos falar disso agora. Está tudo indo bem. Vamos fazer um trabalho maravilhoso e todos ficarão felizes com isso – olhava-a nos olhos.
Por um milésimo de segundo apenas, desviou o olhar e fitou suas mãos, depois voltou a encará-lo. Estava assustada. Fora de repente. No Japão não se mostravam sentimentos ou gestos de afeto com tanta facilidade. Tinham extrema dificuldade em lidar com sentimentos, o que se mostrava perfeitamente, por exemplo, em muitos casais de anime. Não que os sentimentos não existissem e não houvesse exceções. Alguns japoneses eram mais abertos e conseguiam lhe dar melhor com aquilo, do mesmo jeito que nas nações onde ocorria o contrário haviam pessoas retraídas. Parecia que tatsuya era uma daquelas exceções. Era notável que ele também se sentia inseguro, mas não fazia disso um empecilho. Ela achou que seria muito rude não correspondê-lo e apertou um pouco a mão dele. Os corações de ambos estavam batendo a mil, o dele de nervosismo e receio, o dela de susto e confusão. Tinham quase certeza de que o outro podia sentir o latejar dos batimentos nas mãos unidas.
— Tem razão – respondeu ainda olhando-o e sentindo sua mão ser aquecida pela dele – até às 17 horas não temos folga amanhã, é melhor irmos.
Delicadamente, soltou a mão dela e pegou as coisas que vinha carregando. Ela fez o mesmo, os dois levantaram-se e seguiram para a casa dela depois de olhar uma última vez as belas estrelas prateadas, a lua e a cidade. Ao chegarem deixaram as coisas dentro da casa e voltaram para a porta.
— Obrigada.
— Parabéns de novo – queria abraçá-la, mas já a assustara o suficiente segurando sua mão.
— Obrigada – ela sorriu verdadeiramente.
— Até amanhã.
— Até.
Ele se afastou e ela fechou a porta. Em alguns minutos, guardou tudo em seu devido lugar, depois de se arrumar para dormir pegou o chappy em cima da cômoda e o levou consigo. Abraçou-o e puxou as cobertas sobre si. Sorriu, fechando os olhos e adormecendo sob o confortante som da chuva que começava a cair lá fora.
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