Burimyu
9 Capítulo 9 - Corações Despertados
Capítulo 9 – Corações despertados
Na manhã seguinte, domingo, ela estava sentava no sofá com as mãos encolhidas junto ao cachecol no pescoço, por causa do frio. Seu olhar estava perdido, ela nem estava ali. Seus olhos fitavam o mangá 20 de Bleach em cima do centro. A flor de Sakura não sobreviveria muito tempo e a água ñ era o melhor meio para conservá-la, então deixou dentro do mangá. O volume 20 era o encerramento da saga SS, um dos seus mangás de Bleach favoritos. A flor era linda, ela estava imensamente feliz com as lembranças do dia anterior. De repente voltou a realidade e teve medo. Medo de estar misturando as coisas. Mas ele não era Ichigo, e não é porque era fascinada por Ichigo que também seria por ele. Os dois eram seres diferentes e só um deles era real. Ela tinha que pensar assim se não quisesse se confundir e possivelmente tropeçar. Foi tirada de seus pensamentos com um toque no celular. Era uma mensagem de Haruki, já havia aprontado as fotos do dia anterior e enviaria por e-mail.
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— Mas pai... porque não podemos morar no Japão?
— Filho, não é tão simples quanto parece. A família tinha um negócio aqui e precisamos cuidar dele. Se um dia você quiser se estabelecer no Japão, por nós tudo bem. Mas veja... há um pensamento que as pessoas confundem com preconceito. Parte é preconceito mesmo, a outra não. Quando um nissei ou estrangeiro que vive fora do Japão tenta se estabelecer lá, principalmente depois de já ter seus estudos universitários concluídos e já ter trabalho em outro país, os japoneses tem receio de empregar essa pessoa. Como garantir a sobrevivência da empresa se contrato alguém que de repente pode ir embora? Essa é a parte que as pessoas confundem com preconceito, o que na verdade não é. É natural que se queira pensar no andamento e sobrevivência da empresa a cada funcionário que se contrata. Se ele for embora de repente e não houver ninguém competente pra ficar no seu lugar? A outra parte que realmente pode ser preconceito e também um receio ainda maior... e isso acontece em parte por causa da incompetência de governantes como os nossos ou desinteresse da maioria da população é que... eles pensam que se você vem de um país intelectualmente pobre, por mais que tenha se esforçado, você também é intelectualmente pobre, mesmo que não seja. Isso é muito triste, mas em relação a países que não mudam nunca como este, apesar do preconceito, eles tem um pouco de fundamento.
— Então não tenho chances?
— Tem sim filho! Você só tem nove anos! Ainda tem muito o que viver. Você pode estudar lá quando estiver mais velho, se quiser.
— Seu pai tem razão, pequeno. Sem falar que você ainda pode evoluir muito como cosplayer e estará sempre lá para o WCS quando passar na seleção. Nós sentiremos muito sua falta, mas se quiser tentar uma vida lá nós não vamos prendê-lo. O que seu pai disse é verdade, mas não deixe isso intimidar você. E como ele disse você só tem nove anos. Esperar é doloroso, mas ainda há muito a acontecer.
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Haviam trabalhado e estudado durante toda a semana, como de costume, e agora tentavam se atualizar buscando informações de cosplayers na internet.
— Olha mamãe! Papai! Esse cosplay do Ichigo e os pais dele! E depois dele... somos nós!
Eles sentaram ao lado da filha e fitaram a tela do computador. Era um site de famílias que faziam cosplay. Em cima, uma foto de um casal de cosplayers, Matsumoto e Gin. No meio deles um garotinho do tamanho de Rukia como Ichigo. Em baixo da foto tinha o nome da família, Takeda, e duas observações depois dos nomes dos pais, Kanade e Yuzuru. O garoto de nove anos realmente se chamava Ichigo e seu cabelo laranja não era peruca nem tinta, era natural. Rukia usava peruca porque por seu cabelo ser tão liso e sua franja curta, ficava sempre difícil arrumá-lo igual ao da personagem. Em baixo da família Takeda estavam eles, Sakurai. Shunsui e Nanao e no meio deles, uma pequena Rukia. Os nomes de Saori e Yuki em baixo da foto e também algumas observações. A garota de nove anos realmente se chamava Rukia e seus olhos azuL-escuros ou violeta como alguns diziam, eram naturais e os de sua mãe também. Anotaram o e-mail da família para fazer contato e talvez se conhecerem pessoalmente em algum evento.
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Chegaram ao meio dia no restaurante Ponpokotei Tsuruhashi-ekimae e foram recepcionados por um garçom, que os conduziu até a mesa, e sentaram-se. O garçom entregou o cardápio, depois de algum tempo anotou os pedidos e afastou-se. Takashi olhou para Kumiko, que lançava um discreto olhar de reconhecimento ao local. Ela estava linda, usava um vestido laranja claro, uma leg cinza clara até um pouco abaixo dos joelhos, um casaco vermelho e botas marrom claras. Ele usava um colar e vestia uma camisa branca estampada, um casaco xadrez preto e branco, um jeans azul-escuro com alguns desenhos e uma corrente presa na cintura e calçava um tênis preto.
— O que está achando desse lugar Kumi-chan? Gostou?
— Sim Takashi-kun – ela sorriu – obrigada pelo convite.
— Não tem que agradecer.
Depois de dois meses estava bem mais fácil falar com ela. Ela tinha perdido o medo de conversar. Ele também olhou em volta, algo lhe chamou a atenção umas três mesas a frente, mas preferiu não dizer a ela ainda. Ele viu Yuichi e Harumi. Yuchi totalmente vestido de preto. Ninguém entendia porque ele gostava tanto de preto, devia ser a forma de expressar seu lado sombrio. Harumi usava um vestido cinza escuro que realçava perfeitamente com sua pele clara. “Então o Tuti-san também está aqui... com a Harumi-san... Parece que o musical aproximou os donos dos personagens”, pensou, e disfarçou o sorriso. Coincidentemente haviam escolhido o mesmo local. Sua atenção e a de Kumiko foram atraídas pela volta do garçom com os pedidos.
— Olha só quem está ali.
Ele se virou discretamente para olhar, pois estava de costas para a direção que ela olhava.
— São o Takashi-san e a Kumi-chan. Não sabia que estavam aqui. Viemos parar no mesmo lugar – ele riu.
— Falamos com eles depois. Nós vimos o quanto o Takashi se esforçou pra se aproximar dela. Não vamos atrapalhar Tuti-kun.
Ele se virou para ela de novo. Pouco tempo depois o garçom chegou com o almoço.
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Pensava no momento em que dera a flor a ela. Tentava ir devagar com aquela aproximação e sentia-se nervoso quando tentava se concentrar em não errar, justamente porque tinha medo que isso acontecesse. Tentava o tempo todo seguir o conselho de Eiji. No dia anterior nem pensara em Rukia quando estava com ela, a não ser quando foram encontrados pelos fãs. Sentiu-se feliz ao lembrar que tinha esquecido de seguir o conselho. No dia anterior pensara nela e ninguém mais. Seus olhos bateram no calendário da parede do quarto. Faltavam seis meses para o musical. Se apresentariam em Osaka, onde o musical seria gravado para DVD. Depois em Tokyo, Kyoto e outras cidades. A previsão de Takuya era que se desse certo, futuramente teriam uma turnê internacional e continuariam a apresentar o musical no Japão e fora dele nos anos seguintes. Ligou o computador para checar os e-mails como de costume. Rei havia mandado a ele e ao resto do elenco alguns dos vídeos que filmara nos bastidores e que Takuya decidira colocar no DVD. No dia do musical ainda seriam filmados nos bastidores, dessa vez por um profissional, o que também iria para o DVD, claro. Novamente sentiu-se explodindo em felicidade ao lembrar tudo que estava vivendo todos os dias no estúdio. Ele sempre imaginara como seria incrível ser um shinigami de verdade. Ele não era, mas às vezes até esquecia-se disso. No dia seguinte eles teriam um ensaio da atuação e das canções do primeiro dia do musical na estrutura giratória quase concluída do palco. Na semana seguinte, do segundo dia e na outra, do terceiro. Ao passe que se aproximassem do dia da apresentação, ficariam cada vez mais tempo no estúdio. Tinha que ser tudo perfeito.
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Depois de ver as fotos enviadas por Haruki e mandá-las a Isaka, Miki relia uma das matérias que lera sobre ele antes de conhecê-lo no estúdio da Pierrot. Só então se atentou para o fato de ser mais velha que ele. Modestamente, até ela se surpreendia com isso. Era cinco anos mais velha que ele. Nascera dia 15 de abril de 1980 e ele, dia 12 de julho de 1985. Olhando os dois, ninguém diria que não tinham a mesma idade, até porque as pessoas se confundiam facilmente por causa da altura dela. Certa vez Haruki e um outro fotógrafo concordaram que ela era a personificação de Rukia por ser pequena como ela. Ela achou engraçado. Não se importava com sua altura, se orgulhava do que era, até porque se fosse mais alta não seria Rukia. Por fim, ela abriu um e-mail de Rei, com os vídeos que ela filmara nos bastidores, incluindo o primeiro vídeo feito no primeiro dia, quando todos eles se reuniram e se apresentaram uns aos outros, fazendo um passeio de reconhecimento pelo estúdio depois. Dois meses haviam passado e vários laços haviam sido fortemente amarrados entre todos eles, alguns mais fortes que outros. Ela se dava bem com todos ali, mas era evidente sua maior afinidade com Rei, Kumiko, Harumi, Eiji, Shuji e Isaka. Ela imaginava o que ainda aconteceria naqueles oito meses restantes, se estaria nervosa quando o momento chegasse, mesmo depois de tanto treino, o quanto se divertiria, como seria sentir a energia e a felicidade dos espectadores, a repercussão de tudo aquilo e como seria no futuro, uma possível separação, afinal, Bleach não duraria para sempre e não era impossível ocorrer algo que provocasse a saída de alguém. Sentiu-se triste. Preferiu afastar essas últimas hipóteses de sua mente. O futuro ainda seria construído e ninguém sabia como ele seria. Voltou sua atenção aos vídeos de Rei, vendo dessa vez o dia da visita de Kubo.
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Ele terminou de ver os vídeos e foi olhar as fotos enviadas por Miki. Haruki havia tirado todas. Ele viu uma foto que Haruki provavelmente tirava antes de se encontrarem. Ele e Miki na frente do parque, com as cabeças unidas, sorrindo, sob a intensa luz do sol. Depois ele viu a foto do contorno de metal do coelho no zoológico, fotos de todos os animais, uma foto deles três juntos comendo algodão doce no gramado, da fonte, de outros lugares do parque, a foto com o garotinho, Minoru, e sua mãe, Misa, as fotos perto do palco de shows onde ouviram Ichirin no Hana, uma foto dele, Isaka, e Miki enquanto brincavam em algum momento do dia e mais uma que Haruki tirara depois. Miki dentro do carro, olhando pela janela, com a flor de cerejeira nas mãos, seu rosto iluminado pelo pôr do sol. Ela sorria, um sorriso discreto, mas um sorriso. Fechou a caixa de e-mails e desligou o computador. Olhou a pequena estante de livros do seu quarto, suspensa na parede, perto da porta. Não lera todos eles ainda. Era regra no Japão nunca deixar de estudar e se instruir, por mais sábio que se fosse. Levantou e caminhou até ela. Pegou um livro e voltou a sentar-se.
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Takuya checava feliz a repercussão da notícia do musical entre os fãs antigos e novos de Bleach. Esperava-se que o número de fãs crescesse depois do musical. Até mesmo pessoas que não teriam chance de ver ao vivo estavam ansiosas e esperavam sempre por notícias. Sua atenção foi desviada pelo toque do telefone. Era a equipe de fotógrafos confirmando que aceitaria o trabalho de tirar fotos dos bastidores e do musical.
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