Burimyu
10 Capítulo 10 - Treinamento, primeiro dia
Capítulo 10 – Treinamento, primeiro dia
— Muito bem. Como eu disse antes, agora vocês vão nos dar uma pequena amostra de algumas cenas e canções no palco, que está quase terminado. Eu quero as cenas inicias hoje. A cena em que Rukia dá os poderes a Ichigo e ele salva a família Kurosaki e a cena em que Rukia é levada de volta a Soul Society. É uma cena que causa certo impacto por causa do grito do Ichigo – falou Takuya com um olhar sério, porém gentil.
— Eu quero ver a interpretação de vocês de BLEACH, Utoshi Yattsu, Song For You e Hona Sainara – disse Shoichi.
— Vamos prosseguir a semana inteira somente com o primeiro dia do musical. E nas duas semanas seguintes com o segundo e o terceiro. Depois revezaremos. Agora, todos para o palco e ao trabalho.
Ao término das palavras de Takuya e Shoichi, eles se dirigiram ao palco e deram início ao que fora pedido. Isaka e Miki encenaram de forma perfeita o momento em que Rukia conhecia Ichigo e logo após cair ferida no chão, dava seus poderes para ele.
— Me desculpe! É tudo culpa minha...
— Eu gostaria de dizer “não se preocupe com isso...”, mas infelizmente eu não estou em condições de lutar — ela falava se arrastando pelo chão até sentar-se e encostar-se na parede, respiração levemente ofegante.
— Todo mundo... Todo mundo vai morrer!
Todos observavam silenciosamente enquanto os atores que seriam os hollows os rondavam e as vozes dos dois ecoavam pelo palco.
— Você quer salvar sua família?
— Há alguma maneira? Uma maneira de salvá-los?!
— Há uma maneira. Não, para ser mais precisa, há uma única maneira.
— Não importa... Por favor, me diga!
Ela girou a espada várias vezes no ar, com uma única mão.
— Você deve se tornar um shinigami!
— O quê?
— Pegue essa zampakutou e perfure seu peito. Assim, eu vou tentar te dar metade do meu poder. Se você falhar você pode morrer. Mas como você tem um poder espiritual elevado, talvez você...
— Eu aceito sua ideia. Me dê sua espada, shinigami!
— Meu nome é Rukia Kuchiki!
— Entendo... Eu sou...
— Rápido, os hollows estão vindo!
Ele tirou a zampakutou da mão dela e fingiu fincá-la com toda a força em seu próprio corpo. Passado algum tempo, eles viram claramente o que aconteceu, mas no musical ninguém veria porque haveria muita fumaça, nesse momento Isaka também desapareceria na escuridão e reapareceria com o kimono shinigami e a Zangetsu em mãos.
— Eu sou Ichigo Kurosaki!
— O que há com aquela zampakutou?
— Como ousam encostar o dedo na minha família?!
Ele ergueu a zangetsu e começou a brandi-la contra os hollows aniquilando um por um, enquanto Rukia olhava as próprias mãos e seus olhos arregalavam-se, espantada por ter perdido todo o seu poder e não só metade e também pelo tamanho anormal da Zangetsu. Em seguida Isaka começava a cantar BLEACH junto com o som liberado pela produção, ainda sendo rondado pelos hollows, e Miki ia para a parte de trás do palco sem ser percebida por causa da pouca luz que incidia sobre ela no momento. Enquanto Ichigo cantava, Orihime e Sado entraram no palco, começando a cantar com ele.
“Eu não deixarei ninguém mais se machucar (...)
Eu não deixarei mais sonhos serem quebrados.
Eu não deixarei mais lágrimas serem derramadas.
Para salvar essa vida que eu amo.
Para proteger esse coração que acredita.”
Nessa hora outros shinigamis entravam no palco e ouvia-se o som da voz de Miki, que cantava fitando Isaka. Era impressionante e para alguns até incompreensível como, sem microfone, a voz dela ressoava tão alta e afinada quanto à dos outros e até mais que a de alguns.
“E se por acaso nós nunca tivéssemos nos encontrado,
Talvez não estivéssemos sentindo essa dor agora.
Supere-a agora... Para chegar ao amanhã.”
Todos os shinigamis correram para frente do palco, exceto Miki que ficou no patamar superior, com Isaka, Rei, Itou e Naofumi.
“ BLEACH! Acredite no amor, no futuro e em nada mais.
BLEACH! Continue a acreditar...
E você terá o poder para mudar o destino. BLEACH! “
Depois de um pequeno solo, eles cantaram o resto da canção, com Miki tomando a frente do palco. Takuya e Shoichi aplaudiram quase pulando de emoção.
— Ótimo! Todos fizeram um bom trabalho e ficarão ainda melhores até lá. Agora, prossigam.
Novamente, só Isaka e Miki no palco. Iniciaram a pequena conversa que antecedia Utoshi Yattsu. Ichigo e Rukia falavam de como se conheceram. Ichigo chamava Rukia de pequena e ela o xingava argumentando que ele ainda estava na escola elementar. Depois se olhavam, xingando um ao outro ao mesmo tempo, com as mesmas palavras, e começavam a cantar.
“Eu realmente achava que você era um saco.
Aparecendo tão de repente, você foi tão atrevida!
Eu não quero nada com você, garota irritante.”
“Eu realmente achava que você era esquisito.
Com uma atitude estúpida ou com um jeito estúpido.
Eu não quero nada com você, garoto irritante.”
Ao término de Utoshi Yattsu, iniciaram Song For You, na qual Eiji também subiu ao palco. Primeiro demonstraram apenas com os três, onde Rukia era seguida por Ichigo e Renji, que dançavam atrás dela, como se ela fosse uma deusa que mantivesse algum poder de controle sobre eles. Depois encenaram Song For You com todo o elenco dançando junto com Miki. Depois Hona Sainara, a canção a qual Tuti fazia questão de enfatizar, nos bastidores, como deveriam ser certos movimentos. Era uma canção alegre e contagiante. Todos iam muito bem. Precisavam apenas melhorar um pouco a sincronia entre si. Isso eles conseguiriam com toda a certeza nos meses seguintes. Terminada a rodada de canções, chegou a hora da cena entre Ruki, Ichigo, Renji e Byakuya. Os demais sentaram-se na platéia para observar.
— Naquele dia, eu perdi meus poderes shinigami. Naquela hora, ele pegou todo o meu poder. Assim, lamentavelmente eu mudei seu destino – ela dizia aparecendo atrás de Ichigo — se passaram dois meses desde aquilo. Eu tenho vivido com ele e os amigos dele nesse mundo. Harmonia... o sentimento de aproximação, amizade... Sem mencionar que esses sentimentos de ciúme e semelhança não são necessários para nenhum shinigami. Você é uma desleixada, Rukia Kuchiki. Eu me envolvi demais com esse mundo, afinal.
— Sim, você entendeu!
— Você! RenjI! Renji Abarai?! – Ela se virou para olhá-lo.
— Nós crescemos juntos em Rukongai. E você foi adotada pelo grandioso clã Kuchiki. E estava para se transformar numa das melhores shinigamis: Rukia Kuchiki... Você não tem direito de usar uma expressão tão humana. Não é, capitão Kuchiki?
— Byakuya... nii-sama...
— Rukia.
— “A transferência de poderes shinigamis para um humano” é um crime, não sabe? Nós estamos aqui para te levar... e matar o cara que pegou seus poderes. Então diga, Rukia. Onde está aquele que pegou seus poderes?!
— Estou bem aqui!
— O que há com essa zampakutou enorme? Hey, você... qual é o nome da sua zampakutou?
— Nome? Ela não tem. Você deu um nome pra sua zampakutou?
— Eu sabia... Um cara que não pode ouvir o nome da sua própria zampakutou... E quer lutar comigo de igual pra igual, levará 2000 anos pra me derrotar!
Em seguida ambos começavam a investir um contra o outro, com as zampakutous. Novamente Renji provocava e ameaçava Ichigo e Rukia, mesmo em um gigai, atirou-se contra Renji e o segurou para detê-lo e implorou que Ichigo fugisse.
— Fuja Ichigo! Levante-se! Levante-se e fuja!
— Você quer fazer seus crimes ficarem ainda mais sérios?! Me solte idiota!
Renji sacudiu o braço com força, atirando-a longe num arremesso violento. Ichigo levantou-se, sentindo a ameaça feita a ela e sendo novamente provocado por Renji. Eles começaram a lutar de novo, Ichigo liberou sua incrível pressão espiritual. Mais um tempo de luta e Byakuya interferiu, atingindo Ichigo quase mortalmente e ele caiu no chão. Renji sentiu seu orgulho ferido e Rukia gritava de desespero e preocupação por Ichigo. Ela tentava chegar perto dele, mas era puxada por Renji, os dois brigavam e Rukia quase chorava. Ichigo levantava e se arrastava até Byakuya, segurando seu Haori com uma mão. No momento não havia Haori, ele segurava a perna de Shuji. Miki finalmente se soltava e corria até Isaka, fingindo chutar seu rosto, fazendo-o soltar a perna de Shuji e perguntando como um humano se atrevia a tocar as roupas de seu irmão. Em seguida, ajoelhava-se e se redimia com Byakuya.
— Espere! O que está dizendo, Rukia? Você... – Ele se apoiava nas mãos para não cair contra o chão e falava com dificuldade.
Rukia dizia mais algumas palavras a Byakuya e Ichigo implorava que ela olhasse para ele e o ouvisse.
— Olhe pra mim! – Ele tentava alcançá-la.
— Não se mova! Apenas tente um passo... Só... Tente vir atrás de mim... E eu nunca perdoarei você – as lágrimas e a dor tomavam seus olhos.
Miki, Shuji e Eiji sumiam por um canto do palco. Isaka caía no chão, com o rosto escondido entre os braços estendidos.
— Eu fui... de novo... protegido! – Ele dizia, virando o corpo para cima, permanecendo deitado no chão.
E finalizando a cena, Isaka gritava. Um alto grito de dor e sofrimento de Ichigo, por ela ter sido levada para longe dele, sem que ele a protegesse. Ao fim daquele pequeno ensaio em palco, eles se reuniram novamente nos bastidores.
— Miki-chan! Fiquei impressionado, e creio que os outros também, com sua habilidade de chorar por si só em cenas como essa. Não são todos que conseguem. E Isaka-san... O seu grito foi fabuloso. Os outros também foram fantásticos. Parabéns a todos vocês! – Ele abriu um grande sorriso.
Todos a aplaudiram e sorriram com o elogio. Alguns bagunçaram, amigavelmente, os cabelos de Miki e Isaka.
— Eu estou muito feliz com o que vi! Vocês serão um sucesso! Mas não deixem de praticar, ainda há muito a ser feito – dizendo isso retirou-se da sala de reuniões, deixando que eles conversassem entre si por algum tempo.
Eles começaram a se deslocar pela sala. Isaka aproveitou a distância que ele e Miki mantinham dos outros no momento e estavam todos ou quase todos distraídos, conversando sobre as cenas e canções treinadas naquele dia.
— Não sabia que conseguia chorar naturalmente em palco. Admiro isso. Você foi mais fundo na personagem que qualquer um de nós até agora.
— O seu grito também foi fantástico. Conseguiu exprimir toda a dor do Ichigo ali.
Eles ficaram um tempo em silêncio.
— Espero que tenha gostado do passeio no sábado – ele falou baixo.
— Eu adorei, de verdade. Guardei a flor comigo. Creio que eu vá conseguir conservá-la por um bom tempo. Está dentro de um dos mangás de Bleach.
— É uma boa maneira de conservar flores. Que bom que gostou dela.
— Da próxima, eu que vou te convidar. Foi tudo muito bom – ela sorriu.
— Estarei esperando – ele sorriu também.
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Tuti e Takashi se encararam. Quem visse diria que queriam fuzilar um ao outro, mas depois relaxaram a expressão e sorriram.
— Parece que você se deu bem, Tuti-san.
— Você também, Takashi-kun. Finalmente ganhou o coraçãozinho da Kumi-chan cuide bem dela.
Japoneses não costumavam discutir esse assunto, nem mesmo amigos, a não ser que fossem realmente “muito” próximos. Naqueles dois meses de trabalho eles haviam se tornado quase irmãos e o Japão também mudara com os anos, dando um pouco mais de segurança e liberdade para que as pessoas conversassem sobre certas coisas.
— Cuida bem da Harumi também.
— Pode deixar – ele sorriu e ergueu a mão direita, como se selasse uma promessa, e depois a abaixou – que tal voltarmos ao trabalho agora? Ainda temos muito tempo até a noite.
— Claro, não podemos nem devemos parar um segundo.
Juntaram-se aos que se dirigiam ao salão de treino.
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