Buraco de Minhoca
3 A mudança
Notas iniciais
Elisa estava pasma. O garotinho havia se transformado. O inocente jogador de videogames havia se tornado uma pessoa rancorosa e fechada, reclusa.
– Eu já sei exatamente o que eu vou fazer, Elisa. Vou partir da casa de meu pai. Quando ele descobrir o que eu fiz, já estarei longe.
–Você está louco, cara? Vai sair como, com qual dinheiro, vai aonde? Vai fazer o quê da vida?
–Não se afobe, Joel, eu dou meus jeitos, você sabe.
Elisa estava paralisada demais para dizer alguma coisa, não conseguia acreditar no que via.
– Foi bom ter encontrado vocês dois agora, pois eu tenho uma proposta para fazer. Foi na hora que bateu um vento forte, jogando ao chão um pequeno mapa da Inglaterra, imprimido às pressas por Frank assim que seu pai saiu.
–Como assim Franky? Aonde pensa que vai?
–Nós vamos, você quis dizer. Pretendo sair do país. Vocês estão comigo? Devo salientar que mesmo vocês não indo comigo, eu vou sozinho.
Os vizinhos estavam achando estranho três adolescentes ficarem conversando tanto tempo juntos. Dona Martha era uma idosa muito tradicional, e sempre estava disposta a ajudar todos. Ela deu mais uma olhada nos três, parados conversando na rua, a mais de 4 horas. Ela fez uma ligação.
–Senhor DeBeau, acho que deveria ficar de olho em seu filho, ele está com umas companhias muito esquisitas.
–Sim, Dona Martha, obrigado pelo aviso. – Respondeu o Terrível, vendo todos os documentos arquivados de Frank no Buraco de Minhoca. Mapas, alguns contatos, tudo que revelava as reais intenções de Frank. E saiu com sua caminhonete, enfurecido pelas ruas. Denise estava sem entender o que estava acontecendo. Foi ao Buraco de Minhoca ver se estava tudo bem com seu bebezinho. Tudo bagunçado, como de costume, mas havia um problema; Frank não estava lá.
–Cara, não acredito que eu tô aceitando isso! – Disse Joel. Joel era um garoto um tanto extrovertido, o extremo oposto de seu amigo. Vivia sozinho, era órfão, maior de idade, e havia uma fortuna em sua conta bancária deixada pelo tio antes de morrer. Seu tio era funcionário da InnCorp.. Sua morte nunca teve explicação. Não tinha porque recusar a ideia de Frank, mas por outro lado, Elisa tentava desfocar seus olhos da face penetrante de seu melhor amigo.
–Vocês devem estar loucos se pensam que vou aceitar essa proposta maluca! Devem mesmo!
–Eu avisei que iria sem você, e já que o Joel vai comigo, só falta algumas coisas para acertar antes da partida para Bradford.
É nesse momento que chegam dois homens de terno, óculos escuros e gravata pretos, chamando por Frank. Eles tinham armas de fogo. Frank ficou paralisado. Não havia lembrado de trancar a porta do Buraco de Minhoca.
–Venha Frank, seu pai o espera. – Disse um dos guardas, deslizando a mão pelo coldre na cintura.
–Não vou a lugar algum! – E Frank correu. Os dois guardas empunharam as armas quando ouviu-se um estrondo. Josh havia dado um tiro em um dos guardas e ferido o outro. Neto de Dona Martha, já havia sido preso por tráfico de drogas. – Corra Frank, corra!
E correu, como se fosse mesmo o Forrest Gump. E Joel correu junto. Agora era cada um por si.
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