Bulletproof Wings

8 Eu não consigo parar...


Notas iniciais
... de escrever esse capítulo. Não dá pra dividir antes desse ponto. Enfim, ficou maior que a maioria, mas eu sei que vocês gostam. Bom capítulo!

Aquela semana passou voando para Jungkook. Ele passava o tempo todo com Yumii, e não parecia ser o suficiente. Talvez porque ele soubesse que, quando aquilo acabasse e ele voltasse para Seoul, ele demoraria muito para vê-la novamente. Eles fizeram muita coisa juntos, foram a vários lugares, conheceram Tóquio e, nos intervalos, se amaram muito. Jungkook estava apaixonado, e aquilo era inegável, mas ele sempre sentia seu coração pesado, como se fosse errado amar aquela garota que tinha machucado seu hyung mais velho. A única coisa que o tranquilizava era a certeza de que ela o amava profundamente, e que isso a impediria de repetir com Jungkook o erro que havia cometido com Seokjin.

Ao mesmo tempo, em Seoul, seis meninos estavam felizes por todos os motivos. Porque não precisavam mais trabalhar e tinham as tardes livres, porque tinham conseguido realizar o sonho do seu maknae, porque sabiam que ele estava feliz, mesmo que estivesse longe. Jungkook mandava notícias sempre que podia, o que dava aos hyungs a certeza de que tudo tinha dado certo para ele. Eles ficaram encantados quando souberam que Jungkook tinha conhecido os primos e o tio de “Sunghee”, e que ainda tinha ajudado a cuidar dele durante uma noite.

Quando a semana terminou. Jungkook e Yumii tiveram dificuldades para se despedir. Não queriam que aquilo acabasse, mas sabiam que era necessário. Jungkook tinha sua vida em Seoul. Felizmente, Yumii o tranquilizou, dizendo que iria visitar seus pais em pouco tempo.

Jungkook teve uma viagem tranquila de retorno. Teve tempo para pensar sobre seu segredo, e em como não conseguiria guardá-lo para si. Ele precisava que alguém lhe dissesse que ele não estava errado. Então, ainda no ônibus para Tóquio, enviou uma foto dele com Yumii para Suga, acompanhada de uma breve explicação e do pedido: não conte a ninguém.

Quando Jungkook chegou ao desembarque do aeroporto, encontrou três duplas cobrindo os rostos com cartazes. Cada cartaz estava cobrindo duas pessoas e tinha um jamo¹ bem grande desenhado. Os três jamos formavam o nome de Jungkook. O maknae sorriu de orelha a orelha.

— Jeon Jungkook — disse ele, ao se aproximar, sabendo que os meninos não estavam vendo-o através dos cartazes. Os seis abaixaram rapidamente seus cartazes e o cercaram em um grande abraço de boas-vindas e uma série de perguntas que mal conseguiram se organizar na cabeça de Jungkook.

— Jeon Jungkookie!

— Como foi a viagem?

— Você tá namorando?

— Se alimentou direito, né?

— Quantos Polaroids você conseguiu?

— Lavou suas cuecas?

— Não passou mal?

— Você se comportou na casa dos outros, né?

— Como é o Japão?

— A garota era linda mesmo?

— Calma, gente! — Pediu ele. — Vamos ter muito tempo pra eu contar as novidades, tá?

— Certo, vamos andando!

Os sete meninos foram para a caminhonete.

— Então, Kookie — disse Rap Monster. — Pode começar a falar.

— Conte tudo! — Pediu Suga.

— Ah, gente, foi tudo tão incrível! Nem consigo acreditar que voltamos à rotina amanhã.

— Sem trabalho, pelo menos — lembrou V. — Só treino.

— Mesmo assim, é um retorno à nossa vida normal — disse Jimin. — Devíamos fazer alguma coisa diferente.

— Carpe Diem!

— Que isso, Hoseok? — Perguntou Jin.

— Significa “Aproveitar o Dia”. Nosso último dia livres.

— Que dramático! — Debochou Suga. — Hoje é domingo, um dia livre, sim… Mas semana que vem tem outro domingo, tá? Toda semana tem domingo.

— Nosso último dia livres nessa semana, então — corrigiu J-Hope. — Não devemos aproveitar o dia?

— Devemos — disse Jin.

— Claro que sim — disse Rap Monster.

— O que vamos fazer? — Perguntou Jungkook.

— Festa! — Sugeriu Suga.

— Festa? — Jin não parecia convencido. — Podíamos ir ao píer, ou lá perto dos containers, ou andar por aí…

— Claro, porque NUNCA fazemos isso, né... — Suga parecia tratar as sugestões de Jin como brincadeira de criança, mesmo que fossem as coisas que eles costumavam fazer. — Olha, gente, em todo apartamento de solteiro rola uma festinha. Tá, o Kookie não tá mais solteiro, mas mesmo assim! Qualquer grupo de adolescentes que consegue uma casa só pra eles tem que fazer festa.

— Por quê? — Perguntou J-Hope.

— Qual é a graça de morar sem os pais? Não é fazer besteira sem ter ninguém pra obedecer?

— Achei que a graça era ficarmos juntos — lembrou Rap Monster.

— Uma coisa não impede a outra, Moni! — argumentou Suga.

— Olha… Acho que não é uma ideia tão ruim assim — opinou Jimin.

— Principalmente se for só a gente — disse Jungkook.

— Ah, que isso — brincou Jin, em tom de ironia. — Vamos chamar umas garotas!

— Muito engraçado — debochou Jungkook. — Namjoon Hyung, vamos parar em algum shopping pra comprar as coisas. Só shopping pra ficar aberto hoje...

— Tá. Então vai ser festa.

— Festa! — Gritaram todos os outros.

Eles colocaram suas melhores roupas, belas jaquetas, óculos extravagantes. Rap Monster tinha decidido pintar o cabelo de rosa. De algum jeito, conseguiu convencer os outros a arrumarem as coisas enquanto ele fazia isso. Foi o último a ficar pronto, parecia até não querer sair do quarto. Jimin teve que chamá-lo. Ele foi pro quarto e abriu a porta.

— Vamos, hyung!

Rap Monster se deparou com uma festa que parecia ter começado há muito tempo.

— Não acredito que começaram sem mim!

— Ah, Moni — disse J-Hope, colocando o braço sobre o ombro dele — não precisa chorar por isso.

— Chorar, eu? Fala sério, Hopi.

Os meninos haviam colocado luzes de natal pelas paredes. Brincavam com as línguas de sogra e bebiam refrigerante naqueles copos vermelhos estilosos que haviam comprado. A sala já estava uma bagunça. Jungkook tinha conseguido um chapéu de cowboy.

— Já tá filmando, Jin Hyung? — Perguntou Rap Monster.

— Sempre. Ah, tem uma cabine fotográfica perto daqui, devíamos ir lá.

— Por quê? — Perguntou Suga. — Achei que a festa era aqui.

— E vocês se arrumaram assim pra ficar em casa? Vamos lá, aposto que nunca foram numa cabine daquelas.

— Pior que não — disse Jungkook, rindo.

— Voltamos logo — prometeu Jin aos outros.

Eles saíram da casa e foram a pé para a cabine, que ficava do lado de fora de um supermercado. Tiraram algumas fotos e voltaram para a casa. No caminho, acharam uma cadeira de rodas abandonada, e levaram para a festa.

— Viram? Foi rápido. E ainda conseguimos uma relíquia.

— Não acredito que saímos da festa pra isso, Jin Hyung.

— Yoongi, menos — disse Jin. — A festa nem começou direito. Temos muito tempo!

— Você parou a festa, hyung — disse V, empurrando Jin para a parede. — Ele merece ser punido, galera?

— Sim! — disseram os outros. Alguns aplaudiram e incentivaram V. Ele pegou uma das latas de grafiti antiga (pois as novas ainda estavam nas sacolas), a vermelha. Com a ajuda de Jimin, tirou a jaqueta de Jin. — Não vamos estragar essa belezinha, né?

Os outros continuaram incentivando, enquanto V fazia um x vermelho na blusa branca de Jin.

— Não acredito, Tae! — Disse ele, rindo. — Ai, essa tinta é gelada.

— Isso não é tóxico? — Perguntou J-Hope, tentando ficar sério.

— Sei lá — disse V, sacudindo a lata. — Essa lata já é bem velha, tá no finzinho. O rótulo já era.

— Tá, foi divertido, — disse Jimin — mas é melhor trocar isso.

Jin colocou uma camiseta branca e a festa continuou normalmente, conforme era possível em uma festa daquele naipe. E por falar em naipe, eles ainda desafiaram o hyung mais velho a montar uma casa de cartas. Depois de muito esforço, ele conseguiu. Logo em seguida, V derrubou a casa.

— Ah, que pena — disseram os outros, rindo e consolando-o. O sorriso de Jin se desfez, mas ele sabia que era apenas uma brincadeira.

— Ele tá zangado porque eu atropelei o castelo de copos dele — explicou J-Hope. — Quer dizer… Kookie e Chim Chim que estavam dirigindo a cadeira de rodas — ele riu.

— Vamos usar os travesseiros agora? — Sugeriu Rap Monster, sentindo que o clima estava começando a ficar estranho.

— Verdade, tem isso! — Comemorou Jungkook. — Vamos, guerra de travesseiro!

Dito e feito. Começou uma verdadeira batalha que transformou o chão da sala em um mar de penas. Depois, Jimin e J-Hope se jogaram sobre elas. Eles pediram a Jungkook para contar os detalhes, e ele o fez, sempre tratando-a pelo nome de Sunghee e sem mencionar as primeiras conversas. Tae continuou escrevendo coisas pelas paredes, mas estava ficando mais calmo e se divertindo.

— Ele é muito impulsivo quando quer — comentou Rap Monster com Jin.

— Eu sei — disse o mais velho, sorrindo com o canto da boca. Ele começou a achar que Namjoon o estava julgando como alguém que não sabe se divertir. — Ei, vamos zuar o Jimin? Ele está com cara de sono.

— Pra ontem. — Os dois se aproximaram.

— Está na hora de dormir, Jiminie — falou o mais velho.

— Quê? Como assim?

— Acha que eu não tô notando sua cara de sono?Temos treino amanhã, lembra?

— Sim, mas…

— Vai, vai pegar as coisas pra tomar um banho.

— E tire esse monte de penas do cabelo — acrescentou Rap Monster.

— Tá… — Jimin parecia confuso, mas foi mesmo assim. Quando ele se trancou no quarto, Jin chamou os outros para o banheiro, em silêncio.

Jimin saiu do quarto, e deu com a porta do banheiro fechada. Não notou que os outros tinham sumido. Ele abriu a porta do banheiro, e encontrou os outros na mesma bagunça de antes. O sono não o deixou reagir.

— Hora do banho! — Disse Jin, surgindo de repente e o puxando para dentro. Os outros o jogaram na banheira, tentando afogá-lo e brincando com a água. Eles não paravam de rir.

Não paravam.

Notas finais
¹ Bloco silábico do hangul. Tá tudo muito lindo, né? Bom, mas é melhor se preparar: a treta de verdade começa no próximo capítulo. Beijus!