Bruxos de Deus ( A.F 2011)
1 Tiago, Jessica, Rafael
Notas iniciais
Neste primeiro capitulo, irei apresentar a historia de guerras do Mundo Magico do Brasil, e no final do prefacio terá a aparição de três personagens muito importantes.
logo em seguida eu apresentarei à vocês Tiago, e por fim, começara o capitulo 1, onde conheceram a escola deles, os amigos, a família e etc. Boa leitura e até mais.
APRENDIZES DE FEITICEIROS. (2011)
PREFACIO
A.F APRENDIZES DE FEITICEIROS
"Houve um tempo onde nenhum real sabia da existência dos bruxos, ambos viviam em lugares diferentes com costumes diferentes, mas apenas um lado sabia que o outro lado existia... Muitas vezes isto acontecia por causa de feitiços de memorias lançados por bruxos que por poucos instantes foram descobertos.
' Mas acreditem, alguns bruxos queriam que os reais soubessem que existíamos, Callark Donim, foi o pioneiro em muito grande e perigoso para os bruxos, reais e desencantados, este últimos até aquele ano não eram conhecidos pela nossa raça.
' Callark se mostrou para um grupo de reais, foi desafiando cada vez mais as regras impostas pelo ministério de descrição, que nada fazia em relação aquilo... o antigo presidente bruxo surpreendeu a todos quando ele disse que apoiava Callark naquela nova fase, e aos poucos o Brasil todo estava fervendo de bruxos que se revelavam para os reais e ficaram por poucos meses vivendo em harmonia.
' Como era de se esperar, bruxos aproveitaram do poder que tinham e tentaram se aproveitar dos reais, que por sua vez estavam se organizando discretamente e quando declararam guerra não foram sutis, logo mataram Callark, e exércitos se formaram, estávamos na vantagem até os meio –
bruxos meio — reais, se revelaram e acabaram com os propósitos de ambos os lados em guerra, Com a aparição dos desencantados na guerra, os bruxos recuaram e voltaram a viver em anonimato e ficou por conta dos desencantados apagar a memoria dos sem — graças que haviam se envolvido na guerra.. quero dizer, reais. Foi a primeira guerra bruxo, real desencantado, foi bem curta, rápida e a menos desastrosa.
' De volta ao anonimato os bruxos começaram a conviver com os desencantados e logo se descobriu o motivo causador do desencanto... estudar magia e parar antes do quinto ano... simplesmente isso deixava a pessoa meio — real meio — desencantado, um estado de magia limitado.
' Em poucos anos os desencantados já ocupavam cargos importantes no mundo da magia, isto não agradava nem um pouco grande maioria dos bruxos que achavam que ser os chefes era um direito deles, então eles se revoltaram contra os desencantados.
‘ Bruxos usavam do avançado conhecimento em magia para atacar os pobres desencantados que recuaram cada vez mais. Foram para o mundo real e as coisas ficaram mais equilibradas com a ajuda dois reais. Quase dois anos de guerra aconteceram no pais, muitos reais morreram e um numero maior de desencantados caíram em combate, os bruxos felizes retornaram para suas vidas e ser um desencantado se tornou algo errado para o nosso povo, que descreviam a segunda guerra Bruxo, Real, Desencantado como a vitória da magia no nosso pais.
‘ Por trinta anos, nada mudou nos dois mundos, os bruxos em sua estranha gloria viviam no mundo magico e real, os reais continuavam suas vidas e os desencantados sonhavam com o dia em seriam felizes como eram antes de se revelarem e durante o período que antecedia a segunda guerra.
‘ Dezenas de desencantados foram mandados para a prisão subterrânea, tudo era horrível para o lado deles até que vinte adolescentes estudantes da escola de magia mais antiga e preparada do mundo magico se aliaram aos desencantados que sofriam.
‘ Quatro dos jovens bruxos eram albinos, iguais aos primeiros descendentes de Merlin, o que eles realmente eram, e os outros dezesseis tinham aparência comuns, mas entre estes dezesseis, dois também eram descendentes de Merlin com o físico normal.
‘ Foram estes vinte que começaram a terceira guerra... Todos vocês tiveram sorte de não estarem vivos para presenciar aquela guerra. Apenas um ano foi suficiente para ter milhares de mortos de ambos os lados, os que menos perdiam eram os desencantados que tiveram a vantagem de terem seis descendentes de Merlin lutando por eles o que era a maior vantagem que eles poderiam ter.
‘ Os reais, que foram chamados pelos bruxos, conseguiram matar alguns desencantados, mas os Merlins, bloqueavam todos que resistissem por muito tempo. Então o governo bruxo pediu ajuda aos outros países com histórico de Merlins vivos, e apenas dois países deram respostas. Logo cinco descendentes de Merlins da Rússia e do Canada chegaram ao pais e ao mesmo tempo que tudo ficou mais equilibrado também ficou mais perigoso.
‘ Os reais deixaram a guerra e apenas os Merlins lutavam, os seis ao lado dos desencantados estavam perdendo pois não matavam e três morreram enquanto por acidente apenas um do lado dos bruxos deixou a guerra sem vida antes do combate final.
‘ Os desencantados que lideravam o lado deles, ficaram cansados da fraqueza dos três poderosos restantes e fizeram um plano que causou a morte de todos os Merlins na guerra, e foi um dos três encantamentos do próprio Merlin que os matou.
‘ Todos sabem que ainda existem cinco Merlins vivos, mas ninguém sabe onde eles estão, pois uma filha dos que lutavam foi mandada para Rússia, os outros quatro que depois de alguns anos viemos saber que nasceram de Merlins refugiados e apenas 4 estão desaparecidos, pois Morgana esta presa por artes proibidas e é a única de que sem noticia, uma outra bruxa, a que foi para Rússia, não apareceu mais, sua ultima aparição foi a quarenta anos atrás, quando contou sobre o nascimento do ultimo Merlin... Mas as mortes dos Merlins serviu para que os três mundos soubessem que deveriam ficar em paz, os reais perderam a memoria de tudo relacionado a guerra, os desencantados foram aceitos na comunidade bruxa e os bruxos aceitaram o quão importante as outras duas raças magicas e não magicas são importantes.
‘ Quem sabe não veremos uns Merlins por ai daqui alguns anos, mesmo que não sejam albinos será magnifico estar perto de algum.”
Oder San olhou para sua sala de aula e notou que praticamente nenhum aluno prestava atenção em sua aula, a não ser por três crianças no fundo da sala que olhavam atentos para ele fascinado.
O Bruxo jogou a cabeleira castanha para trás e observou que os três alunos esperavam mais alguma informação que ele não poderia dar.
— Bom, para quem quiser saber mais sobre as três guerras, ha muitos livros na biblioteca sobre o assunto... Lana, Carlos e Julieta, vocês podem ir la agora pois foram os únicos a prestarem atenção no que eu disse. – disse o homem sorrindo feliz.
As três crianças no fundo da sala sorriram e se levantaram, a menina loira, a menina negra e o menino de cabelos loiros deixaram a sala batendo a porta com força ao saírem.
Tiago Petreli
Tiago era o menino mais alto que a maioria de seus amigos e colegas, sua pele era bem clara e seu cabelo intensamente escuro. Mesmo sendo jovem, podia-se dizer que o menino era popular, tinha bastante amigos em sua escola e no seu bairro, na periferia da cidade, sempre tinha com quem conversar, eram os Reservas, mas para ele, a cidade, o bairro, e a pequena escola não tinha a menor graça se outras duas crianças; Rafael Jackson e Jéssica Amoreiras.
Pelo que sabia os três eram amigos mesmo antes de fazer um ano de idade, estudaram juntos desde sempre, e suas famílias sempre foram unidas.
Feliz, amado e amável, Tiago só se sentia fraco quando ia pra uma cidade em outro estado, pois sempre que viajavam seus pais o fazia entrar no lago, e uma fobia esquisita despertava dentro do ser dele; Tiago não conseguia nem pensar na ideia de ser corajoso quando estava em frente a peixes vivos, ou qualquer outro ser aquático, suava, tremia e ficava tonto... de acordo com seus pais ele tinha ictiofobia.
1° CAPITULO: Tiago, Jessica, Rafael
Jéssica Amoreiras, era baixa, seus cabelos eram levemente ondulados, seus olhos eram pequenos... mas nem todos conseguiam reparar pois a primeira vista a maior característica de eram suas grandes bochechas rosadas. A menina olhava para seus dois melhores amigos, ambos conversavam sem notar que ela estava seria e seus olhos mas estreitos que o normal.
Rafael falava mexendo as mãos animado, ele era poucos centímetros menor que Tiago, era negro e seus cabelos bem enrolados, tinha um sorriso inocente e um furo no queixo que ficava mais fundo quando ele dava risadas.
O céu estava claro, sem nuvens, o sol estava no alto, não era forte ainda pois ainda era cedo, mas deixava o tempo seco... não havia movimento na rua, somente os três sentados em frente a casa de Tiago, o numero 320 brilhava no portão branco, e a casa branca aparecia ao fundo com suas janelas pequenas e limpas.
— Garotos, eu não aguento mais ouvir vocês falando sobre estes jogos idiotas e etc. eu meio que quero participas da conversa como estávamos falando a alguns minutos antes – falou Jéssica depois de suspirar e tentar chamar a atenção dos amigos.
Rafael se virou para ela e seus olhos castanhos brilharam, o garoto desviou o olhar para Tiago que começava a abrir um sorriso com seu dente inferior levemente torto.
— Jéssica, agora nos somos adolescentes...
— Pré-adolescentes – corrigiu Tiago
— Que seja, nós temos que parar de assistir desenhos da globo e sbt, temos que amadurecer sabe. – disse Rafael com uma voz suavemente forçada.
Tiago riu e Jéssica fuzilou seu amigo com seus olhinhos verde-mel.
— Eu não assisto estes canais, e se for ter que assistir desenho tem a Cartoon... e a Disney também, mas eu estou brava com vocês dois porque ficam falando destes vídeo games idiotas de monstros e etc. vamos fazer como fazíamos o ano passado, falar de como seria nossa vida em alguns anos, zombar dos outros... – desabafou a garota, seus amigos olharam para ela confusos e ela sentiu que estava corando, suas bochechas estavam ficando vermelhas, mas do que o normal, o que às vezes era possível.
Rafael se aproximou dela e passou o braço sobre seu ombro, ela virou os olhos e se preparou para escutar o amigo.
— Você não acha que seria ótimo poder ser algo mais fantasioso e viver em outro mundo...
— Não, eu gosto muito deste aqui — disse Jéssica secamente.
— Poder fazer feitiços, voar, se defender de Diego – falou o menino ignorando a amiga que tentava contradize-lo.
Por um instante os olhos da menina ficaram foscos e ela imaginou como seria vida se eles pudessem duelar de igual para igual com Diego.
Diego era um menino do sexto ano que odiava muito os três amigos e qualquer um que andasse com eles; tudo porque Tiago o atingira com um pote de tinta no quarto ano, nenhum pedido de desculpas foi suficiente para aplacar a raiva do outro, que era mais alto e mais forte, sendo assim transformou a vida dos três quintanista em um verdadeiro inferno. O sextanista empurrava Jéssica contra parede, molhava Rafael totalmente, e derrubava Tiago no pátio sempre que o menino cruzava por ele sozinho.
Jéssica suspirou distante e voltou a olhar para os amigos.
— É Rafa, seria muitíssimo bom, mas eu não estava reclamando da opção atrapalhar Diego, é que eu quero muito fazer parte dos assuntos de vocês novamente. – Tiago riu por um curto instante e Jéssica fitou ela confuso.
— Então é isso, não é mesmo? – perguntou ele rindo.
— O que?
— Você esta morrendo, cruelmente se contorcendo de ciúmes de estar afastada dos assuntos!
O garoto ergueu as sobrancelhas esperançoso, Jéssica negou muito, chacoalhou a cabeça negativamente e acabou dando uma risadinha vergonhosa que lhe entregou como uma confissão.
Pelo resto da manha os três falaram bastante, tentando manter os assuntos de uma forma simples para que os três pudessem participar da conversa.
Já era quase onze da manha quando a mãe de Tiago apareceu na porta do sobrado da família. Suely Greens. Era uma mulher bela, de trinta e poucos anos, seu cabelo era castanho, bem diferente da cor do cabelo de seu filho, seus olhos eram castanhos claros quente, quando Tiago o garoto estava se sentindo mal ele olhava para sua mãe e se sentia mais calmo na hora, aquilo era muito bom para ele. Suely era de tamanho médio, e era um pouco mais gordinha que o normal, mas era uma linda mulher.
— Crianças, acho que já esta na hora de vocês irem se arrumar, ou vão chegar atrasados se enrolarem Tiago por mais minutos – falou a mulher com uma voz doce e calma.
Sem vontade os três se despediram, Tiago entrou pelo portão branco, atravessou o pequeno quintal com um discreto jardim e entrou em sua casa.
Estava frio la dentro, mas era muito melhor que o calor que começa a ficar um pouco insuportável.
O pai de Tiago estava sentado na cozinha, ele costumava ir almoçar em casa nos dias que sua mulher estava de férias, assim a família toda almoçava junta. A mulher gostava, mas sentia falta de dar aulas, na escola estadual.
O pai de Tiago, Nelson Greens, era um homem alto e forte, cabelos escuros e olhos claros. Naquele momento o homem ainda vestia roupas brancas que costumava usar no escritório dele no hospital onde trabalhava a pouco tempo, mas já se destacara como um ótimo medico. Tiago o cumprimentou e subiu para o segundo andar.
O menino entrou seu quarto, atirou sua camiseta na televisão e quase derrubou o aparelho muito moderno, ele ligou o radio e se sentou e frente ao computador de frente para cama, ele girou na cadeira e mexeu um pouco na internet sem muito interesse. Quando ouviu sua mãe gritar no andar de baixo para ele tomar banho logo ele correu para o chuveiro e foi se preparar para ir a escola.
O almoço com os pais era bem barulhento, os três conversavam sentados à mesa, riam, e comentavam sobre os barracos que muitos pacientes causavam por um rápido atendimento no hospital onde o pai de Tiago trabalhava.
— Mas é sério, o prefeito pareceu ter esquecido o hospital, e os pacientes acham que é tudo culpa dos médicos, como se nos financiássemos o lugar...
— Ah, pai, eu acho que vai melhorar, o antigo presidente não teria vindo para a inauguração do hospital se fosse para abandona-lo — disse Tiago. Seu pai olhou para ele, um sorriso alegre se formou no rosto forte e o homem disse:
— Você ainda é muito novo, as coisas não são assim, na vida real meu filho... acho que você tem que se apressar e ir para escola, ou vai chegar atrasado! — Tiago correu para escovar seus dentes, voltou para cozinha, beijou seus pais e saiu correndo se encontrar com seus amigos.
Rafael e Jessica já estavam impacientes esperando pelo menino na esquina onde eles se encontravam. Usavam as camisetas e os shorts que compunham o uniforme da escola publica, Tiago se vestia de uma fora igual. Rafael também usava um boné vermelho, já jessica tinha seu cabelo preso.
— Sabe, eu ainda sonho com o dia que você não se atrasar — falou Jessica zombando do amigo. Tiago a ignorou e começaram a andar
Alguns minutos depois os três entraram na escola municipal Corrêa de Mello. A pintura padrão das escolas municipais da cidade estavam nas paredes do pátio, o branco e azul quase brilhavam. O local estava cheio de alunos que enrolavam para ir para suas salas de aula.
Mirella, Fernanda e Fred, três amigos deles se aproximaram. Rafael gostou, pois já fazia um ano que ele namorava Mirella, mas eles nunca haviam se beijado. Os dois se afastaram deixando Fernanda e Fred para contar aos outros dois como fora o final de semana de cada um deles.
Fernanda era magra, usava óculos quadrados e tinha longos cabelos lisos, ela sorria e conversava, era a melhor aluna da sala deles, mas não era uma nerd isolada, pelo contrario, era bem amigável. Já Fred era mais quieto quando outras pessoas estavam por perto. Tinha olhos verdes claros que brilhavam a luz do sol, seu cabelo castanho tinha leves tons dourados de luzes que estavam desaparecendo com os cortes mensais.
— Ah mais foi legal o aniversario da Ketlen – falou Fernanda depois de concluir o resumo da festa que os três amigos haviam perdido.
— Eu queria muito ir, mas parece que meus pais, os do Rafa e os do Thi planejaram nos proibir de sair neste final de semana – disse Jéssica, os quatro riram.
— Isto acontece porque a família de vocês é muito unida, mais que o normal. Às vezes seria legal se seus pais se afastassem um pouco uns dos outros.
— Eu não acho. Fred. É muito bom, é como ter outras duas famílias. Os pais do Rafa são meus padrinhos de batismo, e os da Jéssica serão meus padrinhos de catequese, somos uma família única... mesmo sem laços de sangue – falou Tiago com um tom levemente seco.
Jéssica sorriu, eles continuaram a discutir o argumento de Tiago, mas o sinal tocou e foram às pressas para a sala de aula, para fugir do assunto e para não perder o horário e se complicarem mais do que já estavam na escola, pois eram quase incontroláveis.
Os alunos da quinta serie A, ou sexto ano A, já estavam todos na sala de aula, no corredor exclusivo da quinta serie, sexto ano. A falação era alta e a professora de ciências não aparecia, Tiago, Jéssica, e Rafael se sentavam no fundo da sala, os seus outros três amigos sentavam junto deles. Eles riam e a professora magrinha, de cabelos curtos, óculos quadrados e voz suave entrou. Mandou todos se sentarem.
— Ei, meninos – sussurrou Jéssica para os dois garotos, Tiago e Rafael que eram os mais próximos dela. Eles olharam para ela – quase me esqueci de falar. Minha mãe falou para vocês irem almoçar lá em casa domingo. Ela disse que vocês estão sumidos de lá.
Os dois assentiram sorridentes.
— Nós não sumimos, sua mãe que não nos chama mais para ir na casa de vocês...
— Pode dizer a ela que nós iremos Jéssica – falou Rafael cortando Tiago.
— Eu mantenho meu argumen...
— Vocês querem fazer silencio, por favor!
Os três ficaram quietos depois que a professora se aproximou deles e viu se eles faziam os exercícios que ela havia terminado de por na lousa.
Se perguntassem aos três amigos se eles haviam gostado daquela segunda semana de aula, a resposta de cada um deles seria certamente negativa sem muito pensar.
Todos os professores já haviam decorado o nome e marcado os rostos dos três, e em algumas aulas a primeira coisa que os professores faziam era separar os três uns dos outros, e faziam o mesmo com Fred, Fernanda e Mirella que eram bem agitados também. Mas os professores eram apenas um desafio simples.
Por três dias diferente Tiago teve que se secar na casa de Rafael pois Diego conseguira molha-lo na hora de ir embora com uma garrafa de agua. Rafael também fora alvo do outro garoto e teve sua camiseta manchada por tinta.
No sábado os três foram para a catequese, conversaram a tarde toda e saíram cada um com sua família durante a noite. E no domingo Tiago chegou à casa a casa de sua amiga quase quarenta minutos atrasado e foi recebido pela mãe de Jéssica que estava sorridente, com os olhos frios e o corpo rígido.
Olhando para a Senhora Amoreiras, Tiago não via nenhum traço de sua melhor amiga. A mulher era lata, de cabelos longos, olhos negros arregalados e um rosto fino, parecia severa, principalmente pela frieza em seu olhar escuro, mas a sua voz era suave e calma, bem contraria de sua aparência.
— Olá Tiago... não me diga que você cresceu mais. – Tiago sorriu e deixou-se ser apertado pela mulher – Jessica e Rafael estão lá em cima, pode subir.
O garoto sorriu, passou pelo corredor estreito da entrada cheio de fotos em porta-retratos, notou que aparecia em algumas das fotos, mas ignorou, pois já vira tudo aquilo mais de centenas de vezes. Chegou na sala e viu os outros integrantes da família Amoreiras.
O pai de Jéssica estava sentado no sofá, ele era um homem magro e um pouco grisalho, os mesmos olhos da filha e a mesma bochecha grande e avermelhada. O homem segurava uma pequena criança, Peni, Incrivelmente parecida com a mãe, mas com os olhos do pai.
— Fala Tiago, eles estão lá em cima – disse o homem sorrindo.
— Obrigado.
Jessica uma vez dissera a seus dois amigos que se ela levasse qualquer garoto que não fosse eles para o quarto, seu pai ficaria louco e poderia até explodir. Era estranho, os três se sentiam quase irmãos, era tão natural um estar no quarto do outro que a ideia do Senhor Amoreiras ser rigoroso parecia idiota. Rigoroso não com Tiago e Rafael, mas sim com outros garotos.
Tiago entrou no quarto da amiga, e viu ela e Rafael se contorcerem de rir, antes de mesmo de alguém explicar ele já sabia o motivo de estarem rindo. Vídeos engraçados. O notebook da menina estava sobre a cama e era possível ouvir o vídeo mesmo estando na porta.
— Nossa, deixa vocês, nem me esperaram, — reclamou Tiago. Ele se jogou na cama e ficou vendo o vídeo terminar, logo que o vídeo seguinte começou, ele já estava igual a seus amigos, rindo sem parar.
Senhora Amoreiras entrou no cômodo, trazia com ela três latas de refrigerante. Uma Coca-Cola normal, uma Fanta uva e uma Coca-Cola zero. Após vários anos, a mulher já conhecia os gostos de Tiago e Rafael tanto quanto o da própria filha.
— Obrigado... – agradeceram os três.
— Marli, venha cá, rápido! – gritou o marido da mulher do andar de baixo.
Sorrindo a mulher se virou e saiu do quarto deixando os três sozinhos, Tiago e Rafael olharam para Jessica esperando uma explicação para o pai dela estar tão apressado.
— Ele tem assistido jornais todos os dias, noticias e mais noticias sobre coisas que só ele e a mamãe conseguem entender – disse Jessica entediada e fazendo cara de triste.
— Bom, eu acho que vou lá ver estas reportagens, estou com quase doze anos, tenho que ficar a par do que rola no mundo.
— Cala a boca Rafael.
O menino tentou argumentar, Jessica ria e Tiago debatia, mas logo voltaram a ver os vídeos e depois de tanto rirem esqueceram de falar sobre a mania de maturidade que Rafael desenvolveu. Depois de muitos vídeos, ouviram a mãe de Jessica chama-los para almoçar. Hesitaram por poucos segundos, mas ouviram o estomago de Rafael roncar pedindo comida então desceram.
As seis pessoas na casa comeram na sala, Peni sentada em um manto no chão que ficou praticamente todo sujo. As três crianças também estavam sentadas no chão, falando o tempo todo e os dois adultos no sofá.
Como sempre a comida de Marli Amoreiras estava magnifica. Parecia magica a combinação de sabores e a escolha dos alimentos, a todo instante eles elogiavam a comida, somente Jessica que não fez nenhum elogio, ela já estava acostumada com tudo aquilo.
Na televisão ligada passava um especial de filmes antigos, o climas nostálgico pareceu não afeta-los pois logo a mãe de Jessica já puxava outro assunto.
- Vocês não têm pensado em estudar em outra escola crianças?- perguntou Marli. Jessica e Rafael estavam com a boca cheia de comida e negaram com a cabeça, Tiago levantou a cabeça e olhou para a mulher.
- Nunca pensei em sair do Correa de Mello, quero dizer, não antes de me formar no ensino fundamental.
A mulher apenas assentiu, mostrando que entendia, continuou olhando para ele, quando ele olhou para ela novamente ela sorriu, e se preparou para falar:
— Serio? Nunca pensaram em aprender matérias novas?
— Ah, isso com certeza não. Ter mais matérias não é algo que pensamos em ter este ano... – disse Tiago tentando não rir – e nos próximos também – Rafael e Jessica riram e concordaram com o amigo.
Peni batia com a colher no prato e derrubava toda sua comida, Jessica se levantou e foi ajudar a irmãzinha a comer.
— Ai, ai, vocês crianças, sempre querendo estudar menos.
Marli terminou de falar, observou a filha mais velha cuidar da nova e se levantou. Saiu da sala, foi para cozinha e voltou minutos depois sorrindo.
- Quando vocês terminarem podem ir à cozinha comer bolo de creme que esta na geladeira, e suco de limão também... eu sei que é o preferido de vocês –disse a mulher se sentando novamente.
Os três terminaram de comer rapidamente e correram para cozinha atrás da sobremesa feita pela mulher. Comeram, beberam, e repetiram duas vezes cada um, se jogaram em cadeiras. Jessica fechou os olhos e Rafael fez cara de cansado. Tiago olhou para os amigos.
- Não sou o único que acha que comemos demais sou? – os outros dois negaram e ele sorriu – que bom, pois comemos além da conta.
— Mas valeu a pena, que comida, que bolo, que suco... principalmente o suco, maravilhosos – exclamou Rafael – Jeh, sua mãe esta de parabéns mesmo.
Jessica revirou os olhos e encarou os dois amigos que riram. Beberam mais gole do suco e voltaram para sala para assistir os filmes antigos que passavam.
Fale com o autor