Brother And Sister
27 Capitulo 27
Notas iniciais
Abrir meus olhos devagar, passei a mão na cama que agora parecia grande demais para mim. Eu estava sozinha. Respirei fundo sentindo-me triste por ele não ter ficado, mas não estava surpresa com aquilo. Queria que a noite anterior tivesse sido o suficiente para que ele soubesse que não queria que ele fosse embora, pelo menos não naquele momento.
Olhei para o criado mudo onde tinha o despertador que marcava exatamente 09h00min. Mas algo chamou minha atenção, um envelope ao lado do despertador, com meu nome escrito com a inconfundível caligrafia de Aaron.
Estiquei-me para pegar o envelope. Sentei-me na cama tirando o papel de dentro do envelope cor creme, retangular.
Mia,
Não sei bem como devo começar escrever essa carta a você, então acho que vou começar me desculpando por não ter me despedido de você, queria tê-la acordado e pedido, talvez suplicado, que fosse comigo ate o aeroporto, mas você estava tão linda na minha cama que não tive coragem o suficiente de acorda-la, mas tive coragem o suficiente para roubar-lhe um beijo antes de sair, espero que não se chateie com isso. Lembro que queria vir comigo, mas não acho justo com seus pais que querem tanto a filha por perto, espero que me desculpe por isso também, mas sei que ficaria triste e de uns tempos para cá não estou suportando vê-la chorar.
Ontem a noite foi inesquecível, nunca sentir que era minha como sentir ontem, ficaria feliz se não soubesse que é bem provável que aquela noite foi a nossa ultima, mas isso não depende apenas de mim, é algo que vamos ter que esperar para ver no que vai dar.
Deixei a chave do apartamento na porta, fique com ela, use o apartamento sempre que quiser fugir dos problemas, mas não demore muito, enfrente o que vier. Você é forte o suficiente para isso minha pequena.
Sempre que precisar de mim, saiba que estarei aqui, para você e por você, sabe como me encontrar. Volto assim que tudo por aqui estiver como planejo.
Isso não é um adeus, apenas um ate logo.
Aaron.
Não pude deixar de sorrir ao final da carta, fiquei feliz em saber que ele voltaria. Queria ele por perto disso eu tinha certeza, principalmente naquele momento.
Levantei da cama indo em direção à sala onde sabia que estava meu celular, fechando dois botões da blusa de Aaron que ainda vestia. Assim que cheguei ao cômodo vi que estava tudo em perfeita ordem, mas algo chamou minha atenção no balcão que dividia a sala da cozinha.
Nem acreditei no que na minha frente, Aaron tinha deixado um café da manha a minha espera. Ri daquilo, esse tipo de atitude não é típico de Aaron, mas nada que ele fez naquelas horas eram típico de Aaron.
Peguei meu celular que estava encima do sofá e disquei o numero que há anos sei decorado rapidamente.
Não precisou chamar duas vezes para que ele atendesse.
_ Dormiu bem? _perguntou.
_ Sim. – respondi indo em direção ao banheiro. _obrigada por fazer meu dia começar bem._ falei.
_Disponha sempre. _ respondeu. _agora tenho que desligar mamãe esta dizendo que o jatinho vai cair. _falou com uma voz bem humorada.
_Volta logo. _pedi.
_Pode deixar. _ falou antes de desligar
–-
Ignorei todas as chamadas do Justin, da minha mãe e de casa, tomei meu café tranquilamente, tentando ignorar o barulho do celular vibrando ao meu lado. Tomei banho e troquei de roupa não me preocupando com a hora, já tinha passado a noite fora, algumas horas mais não era nada.
Abrir a porta de casa decidida a entrar e passar reto para meu quarto, mas assim que entrei em casa a primeira pessoa que encontrei foi Justin, sentado no sofá, com a perna quebrada apoiada na mesinha de centro.
_Pelo o amor de Deus onde se enfiou, estava preocupada._ mamãe apareceu sei lá de onde me abraçando. _Caitlin ligou dizendo que estava com ela, mas não acreditei, estava mesmo com ela? _perguntou me soltando.
_ Não. _ respondi secamente encarando Justin que me olhava vermelho de raiva.
Por que ele estava com raiva? Não foi ele que transou com enfermeira dele, que disse que se arrependia de ter ficado comigo? Então por que ele estava com raiva?
_Estava com Aaron._ o tom de vermelho do Justin aumentou, parecia que ele iria explodir.
_Mia... _ mamãe começaria a dar seus sermões
_Não mãe, sem sermões, por favor, minha noite foi maravilhosa, meu dia também, por favor, não estraga tudo agora. _supliquei.
Ela me olhou, analisou o meu rosto e sorriu.
_Tudo bem._ disse colocando uma mexa de cabelo detrás da minha orelha.
_ Tudo bem? _perguntou Justin quase que aos berros. _ Você só tem 17 anos, não é dona da sua vida, deixou todo mundo preocupado, vovó quase não dormiu, eu passei a noite em claro pensando que estava em perigo...
Mamãe apertava minha mão, acredito que tentando me conter.
_ Eu não estava em perigo. _ Rebati.
_ E como poderíamos ter certeza? Não conhecemos esse Aaron, ele pode ser muito bem um viciado...
_Cala sua boca. Conheço Aaron há mais tempo que você acha que me conhece, ele não é viciado. _ o interrompi. _ Esqueceu o que me disse ontem Justin?
_Não, eu não esqueci, mas se não iria ficar lá voltasse para casa, me preocupo porque sou seu irmão. _ rebateu.
Eu estava no meu limite.
_ Não, você não é meu irmão. _ gritei. _ você é um filho da puta que fodeu com minha vida. _continuei enquanto me aproximava lentamente dele.
_Mia. _Chamou-me papai do alto da escada, só então tinha percebido a gravidade do que tinha falado, mas eu não pararia.
_Chega. _falei. _Chega de mentiras, cansei de tudo isso, cansei. _ continuei. _Você não é meu irmão, o filho que mamãe teve morreu. _contei.
Justin ficou pálido olhando para mamãe e depois para papai.
_ Eu sou completamente apaixonada por ele. _disse olhando para papai que me olhou horrorizado, não precisei olhar para mamãe para saber que ela me olhava da mesma forma. _O acidente foi por minha causa, tivemos uma briga horrível e ele saiu igual um louco.
_Isso é verdade? _mamãe se aproximou de mim.
_Mas isso não importa mais, porque ele teve o que queria e me deixou, não temos nada. _falei a ultima palavra olhando para os olhos marejados de Justin.
Fui em direção da escada lentamente, os deixando ali abismados. Subir as escadas escutando passos atrás de mim, passos pesados que só poderia ser de papai. Entrei no meu quarto, que estava vazio, papai me seguiu e fechou a porta.
E então desabei, as lagrimas que queria deixar cair desde que entrei por aquela porta começaram a cair. Papai me virou, para que eu ficasse de frente para ele e me abraçou.
Eu não queria ter contado tudo, não daquele jeito, mas estava no meu limite, aquilo estava acabando comigo, só queria me libertar de todas aquelas mentiras, de todo aquele segredo, eu estava mal com aquilo.
_Me desculpe._ pedi entre lagrimas.
_Ah minha pequena. _ele apertou mais o abraço. _O que ele fez com você? _perguntou ele.
_ Me deixou. _ respondi.
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