Notas iniciais
NOTAS IMPORTANTES:

Olá :3 Não sei se alguém vai chegar a ler essa fic, mas enfim... Aqui estou eu com mais uma fanfic Yullen.

Antes de vocês começarem a ler queria deixar algumas coisas claras.

- Não sei se alguém que acompanha minha outra fanfic, Hidden Trusths In your Heart vá chegar a ler essa daqui, mas já aviso que essa vai ser totalmente diferente, não só pelo fato de ser em um Universo alternativo.Eu tive alguns problemas com a outra fic, e entre eles estavam ter mais de 50 leitores e apenas 10 e olha lá comentar, e sim, isso me chateia.E fora os outros problemas que tive, incluindo plágio não só da minha, mas que foi algo que me irritou profundamente e me fez coloca-la em hiatos.

- Já vou deixar bem claro que se você é uma pessoa que só lê as fanfics por causa de lemon aqui não é o seu lugar. Obvio que vai ter lemon, mas a fic tem um enredo, e não vai focar só no romance entre o Allen e o Kanda.

- Eu creio que essa seja a fanfic que mais me esforcei pra escrever até agora, por isso quero a opinião de vocês, pois vou ter incentivo para escrevê-la a partir da repercussão desse capítulo.

- Se você é uma pessoa muito sentimental, acho melhor não ler, porque tem cenas MUITO fortes e ainda vai ter muitas.

- Nesse capítulo eu peço para que vocês imaginem o Mana como o pai de vocês, ou avô, quem sabe. Quero que vocês se sintam na pele do Allen.

- Outra coisa EXTREMAMENTE importante, há um aviso em certa parte do capítulo que pede a execução de uma música que é necessária para que você se envolva mais na história. Só não escute a música se você estiver pelo celular ou não tiver caixas de som, HEAUHEUA xD

- O LINK DA MÚSICA ::: http://www.youtube.com/watch?v=5lE0f0Y3cMY&list=LLLj-oXp1ZDtztrf0b_7pzqg (não vá esquecer)

- Outra coisa... Essa fanfic mexe muito com leis e etc, por isso vou ter que modificar algumas coisas, por isso não se esqueçam que é universo alternativo. Depois eu vou deixar na descrição da fanfic mais alguns avisos.

- E leiam a fic da minha amiga linda se puderem, é yullen também, muahaha, http://fanfiction.com.br/historia/339863/Then_Winter_Comes_To_Trace_Our_Love/ ~propaganda~

Obrigada a toda a minha sala, meu beta (melhor amigo), melhor amiga, e ao meu pai por lerem e terem gostado do resultado, espero que vocês também gostem e não me desprezem, heauhea ♥

Sem mais chatices, boa leitura.

"O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte."–Friedrich Nietzsche

Broken and Destroyed — Capítulo 1


O garoto de apenas vinte e dois anos acabara de sair de mais um dia cansativo na faculdade.

Seguia o caminho para o ponto de ônibus andando calmamente na noite, passando pelas ruas movimentadas de Boston. O ano já estava quase na metade, mas o frio ainda se fazia presente e o vento soprava cada vez mais forte fazendo com que alguns de seus fios prateados voassem rebeldes por seu rosto.

- Droga — murmurou irritado enquanto tentava fazer com que sua franja não lhe atrapalhasse a visão.

Era realmente cansativa toda essa sua rotina, Allen não possuía tempo para mais nada.

Já estava no quarto ano de Medicina de uma faculdade renomada, e isso só piorava as coisas. Com o passar do tempo as coisas começavam a se complicar, pois além de cursar a faculdade em período integral, também precisava fazer estágio no hospital da universidade durante os sábados e em situações de emergência, até nos domingos.

Às vezes ele tinha vontade de largar tudo, mas mudava de ideia ao se lembrar de tudo que havia passado para chegar ali, afinal ele fazia o que gostava e faria de tudo para dar orgulho à pessoa que mais amava na vida, seu pai.

Allen nasceu na Inglaterra, porém havia sido adotado por Mana quando ainda era um bebê, e o homem apenas havia lhe dito que resolveu o adotar depois de ficar viúvo. Ele não sabia muito sobre o passado de seu pai adotivo, mas o amava incondicionalmente, afinal ele havia lhe dado um lar e uma vida feliz e extremamente confortável.

Às vezes tinha curiosidade para perguntar a Mana sobre seus verdadeiros pais, mas acabava desistindo quando percebia que o outro sempre desviava do assunto quando algo lhe era questionado.

O jovem estudante de medicina não conseguia encontrar palavras para expressar o quão bom seu pai poderia ser. Dono de uma personalidade incrível, era alegre e gentil, uma pessoa que sempre se preocupava com as pessoas a sua volta.

Esbanjava alegria por onde quer que fosse, até mesmo em ambiente de trabalho. E fora que para a sua idade era um homem charmoso, sempre arrancando suspiros das mulheres.

Porém, o albino notara desde criança que seu pai sempre preferia não ter companhias fixas. Em certas ocasiões, principalmente quando o mais velho estava sozinho e distraído, aparentava sempre estar com uma expressão totalmente triste e angustiada, como se algo sempre o preocupasse, porém sempre que avistava o garoto mudava suas feições tristonhas para sorrisos e risadas contagiosas.

Mana era dono de uma empresa de brinquedos, por isso possuía uma renda relativamente alta.

Ele havia implorado para que Allen continuasse a morar com ele no enorme sobrado que havia comprado há dois anos. Alegava que o garoto não precisava se preocupar em se mudar de casa apenas porque já havia ultrapassado a maioridade.

Por algum motivo desconhecido para o menor, desde pequeno Mana fazia com que eles se mudassem de casa de dois em dois anos.

Por mais que ele se sentisse desconfortável com a ideia de ainda morar com o pai e de causar despesas, havia se esforçado muito, tanto estudando como trabalhando, por isso ele tinha conseguido bolsas na faculdade e não teria que se sentir culpado ao ver Mana pagando os seus estudos, afinal o homem já havia feito isso por ele durante a adolescência.

Já fazia alguns meses que o mais velho havia colocado na cabeça a ideia de lhe dar um carro de presente, mas Allen fazia de tudo para mudar a decisão do mesmo.

Suspirou — exausto — após descer do ônibus, sempre perdia muito tempo perdido em seus próprios pensamentos, por isso nem via o tempo passar quando estava voltando pra casa dentro do veículo lotado.

Allen morava com seu pai em uma casa em um quarteirão mais afastado do centro da cidade, por isso o trajeto do ônibus levava uns vinte e cinco minutos.

Caminhava distraído pelas ruas em direção à sua casa. A brisa gelada de final de inverno fez com que o garoto fechasse os últimos botões de seu sobretudo azul marinho tentando se esconder do frio.

Também trajava uma blusa preta de frio fina por cima da camiseta branca de gola em V e mangas compridas. O resto era uma simples calça jeans levemente justa, acompanhada de uma habitual bota preta e sua bolsa de lado.

Concentrava-se apenas na música que tocava em seus fones de ouvido.

Pertencia a uma de suas bandas preferidas, por isso ele sempre se tornava um eterno avoado quando a estava ouvindo.


Don't let yourself go

Não desista de si mesmo,

'Cause everybody cries

Pois todo mundo chora

And everybody hurts, sometimes

E todo mundo se machuca, às vezes...


Sometimes everything is wrong

Às vezes tudo está errado,

Now it's time to sing along

Agora é hora de cantar sozinho.

When your day is night alone (Hold on, hold on)

Quando seu dia é uma noite solitária (aguente firme, aguente firme)

If you feel like letting go (Hold on)

Se você tiver vontade de desistir (aguente firme)

If you think you've had too much of this life

Se você achar que teve demais desta vida,

To hang on

Para prosseguir...

Quando finalmente alcançou a enorme casa amarela no final da rua, buscou por suas chaves e abriu o portão automático, andou até a porta de entrada depois de ter esperado o mesmo se fechar.

Virou a chave na fechadura da enorme porta de madeira, e acabou por perceber que a mesma já se encontrava destrancada.


Abriu a porta e a fechou atrás de si dando de cara com a sala.


'Cause everybody hurts

Pois todo mundo se machuca...


Retirou os fones de ouvido.


- Pai?! — chamou em tom médio.


Não recebeu nenhuma resposta, por isso pegou o celular no bolso e constatou que faltava pouco tempo para meia noite.

Estranhou o fato de seu pai não o estar esperando na sala, afinal ele sempre fazia isso.


- Pai? — chamou novamente próximo a escada que levava ao andar de cima.



“Ele deve estar cansado e resolveu dormir” — pensou consigo mesmo.


Moveu-se até a sala de jantar e largou a bolsa em cima da mesa, aproveitou para ir até a cozinha e pegou um pouco de refrigerante.


Estava bebendo o líquido calmamente próximo a pia quando ouviu algo que lhe causou arrepios dos pés a cabeça.


Tinha certeza que havia ouvido um grito alto e abafado, seguido do barulho de algo caindo no chão, e depois nada; apenas o silêncio.


E o pior de tudo: Ele tinha certeza que o grito pertencia a Mana.


Correu até a escada e a subiu desesperado. Chegando ao corredor acabou por notar que havia outra voz vinda do quarto ao final daquele andar e definitivamente não era a de seu pai.


O desespero o invadia rapidamente enquanto ele se aproximava silenciosamente da porta de onde se encontrava o escritório de Mana.


Logo as vozes começavam a ficar mais claras.


- Essa é a sua última chance, Mana. Você tem certeza que não vai me dizer onde ele está? — ouviu a pergunta feita de forma ameaçadora por uma voz masculina que ele jamais havia ouvido na vida.


Ouviu o barulho de algo sendo levantado do chão, algo que poderia ser um móvel ou uma cadeira, até onde conseguiu notar.


- Vamos, eu não tenho o tempo todo, velho idiota. Vai querer morrer dessa forma ridícula, sendo que pode viver me respondendo uma simples pergunta? — perguntou de forma totalmente irônica.


- Eu nunca — ouviu seu pai tossir e respirar fundo para tentar falar numa voz que saiu entrecortada — vou te dizer nada, não importa o que faça. Mesmo porque eu não faço a mínima ideia de onde ele possa est... — tentou terminar a frase, mas provavelmente foi atingido por um golpe — Argh — Mana gritou afetado pela dor.


- Me diga agora onde o Décimo quarto está, seu desgraçado. — gritou como um animal. Ao que tudo indicava o outro homem havia perdido a paciência. — Achou mesmo que iriam conseguir se esconder por tanto tempo?


Ouviu-se outro estrondo forte, provavelmente ele havia deferido outro golpe em Mana, devido as imediatas lamurias de dor que se ouviram em seguida.


E aquilo foi a gota d’agua para Allen, tomado pelo ódio e desespero ele adentrou o quarto escancarando a porta de uma só vez.


Ambos os homens que se encontravam ali, observaram a cena surpresos.


- Pai — Allen gritou desesperado correndo ao encontro do mesmo.


A situação era bem pior do que imaginava; os móveis e tudo que existia no escritório estavam completamente destruídos e Mana se encontrava amarrado em uma cadeira.


A visão a sua frente era algo totalmente assustador.


O homem que tanto admirava agora se encontrava quase irreconhecível.

O lado esquerdo de seu rosto estava exageradamente inchado devido aos inúmeros socos que aparentava ter recebido, havia sangue por quase todo o seu corpo e rosto.


Seus olhos passaram automaticamente para o rosto do homem que havia feito isso ao seu pai. Ele aparentava ser apenas alguns anos mais velho que Allen, era moreno, alto e continha cabelos escuros ondulados, penteados para trás.


Mas o que mais assustava o albino eram os olhos desvairados e levemente caramelados do outro, como se o desconhecido fosse completamente surtado. Em sua mão esquerda se encontrava um canivete totalmente perigoso e desconhecido aos olhos de Allen; e o sangue de seu pai cobria a lâmina por inteiro.


Não demorou muito para que sentisse um nó preencher sua garganta, assumiu uma posição protetora em frente ao mais velho e direcionou o olhar para o homem a sua frente.


- O que... Você fez com meu pai? M-maldito. — gritou da forma mais raivosa que pode.


-Yare, é esse o garoto, Mana? — ignorou Allen por completo e perguntou, curvando o pescoço para o lado tentando fitar o homem que se encontrava atrás do filho. — Essa cicatriz no rosto só prova que realmente é o pirralho tão comentado. — sorriu — O Don vai ficar muito feliz se eu além de conseguir arrancar uma resposta de você, levar o seu amado filhinho para ele — suspirou pesadamente — nem que tenha que ser na ausência de alguns pedaços – por fim sorriu de forma alucinada.


Allen tinha a certeza que entraria em colapso. Afinal, quem era aquele homem e por que ele parecia saber tanto sobre ele?


Precisava ajudar Mana e examiná-lo urgentemente.


- Allen, por favor... Fuja. — ouviu a voz de Mana soar baixa devido a dificuldade em respirar.


- Ah, então o seu nome é mesmo esse? — perguntou sorrindo — Minhas pesquisas estavam certas — Sou Tyki Mikk, é um prazer conhecê-lo, Allen. — curvou-se sorrindo, fingindo reverência.


- O que você quer? Por que fez isso com meu pai? — o albino perguntou da forma mais firme que pode.


- Oh, eu não fiz nada demais, apenas quebrei algumas costelas, uma perna, e fiz alguns cortinhos que nem foram tão fund... — tentou terminar a frase, mas acabou sendo interrompido pelo forte soco que recebeu em sua face, deferido pelo estudante que havia agido rápido em seu momento de distração.


O moreno havia sido pego de surpresa, não imaginava que o jovem rapaz pudesse ser tão ágil. Quando se deu conta seu canivete já havia sido arrancado de sua mão.


Allen com a lâmina em mãos preparou-se para atacar Tyki, mas acabou sendo impedido pela voz de seu pai.


- Allen — conseguiu gritar, gemendo de dor em seguida — Não faça isso... Por favor. — implorou.


O garoto acabou voltando a si e rapidamente atingiu um soco extremamente violento no estomago do homem a sua frente, fazendo com que o mesmo caísse de joelhos sobre o chão de mogno.


Virou-se e correu até o pai e tentou em meio as lagrimas que começavam a escorrer, tentar fazer um breve diagnostico.


“Desgraçado, como ele pôde...” — pensava consigo mesmo após analisar Mana por alguns segundos e notar que ele realmente estava com alguns ossos quebrados, continha vários cortes de faca espalhados pelo corpo, e para o completo assombro de seu filho, um pedaço de sua orelha esquerda havia sido cortado fora.


- P-Pai, calma... Vai ficar tudo bem — soluçava em meio ao choro, tentando tranquilizar o pai enquanto preparava-se para estancar alguns ferimentos.


Ele sabia que a situação podia piorar a qualquer momento e que precisava agir rápido, afinal, Mana estava perdendo muito sangue tantos pelos cortes quanto pelas fraturas que logicamente causavam hemorragias internas.


- Filho, me escute... — o homem sussurrava baixo com certa dificuldade — Não deve... Fazer nada a este rapaz, pois outros viriam atrás de você se algo fosse feito a ele — pausou para respirar fundo com dificuldade — V-Você se lembra do que eu lhe disse quando era mais novo? Apenas faça o que eu disse e saiba que seu velho pai sempre te amou e sempre vai amar e se orgulhar de um filho como você. — sorriu levemente ao terminar a frase.


O mais novo não havia prestado muita atenção, pois o pânico era muito grande e tentar cuidar dos ferimentos do outro parecia muito mais importante, porém sua ultima frase acabou fazendo com que ele sentisse um enorme aperto no peito e que suas lágrimas se duplicassem.


- P-Pai, por favor... Não se esforce para falar — acariciou o rosto do mesmo — e eu te imploro para que não fale como se fosse partir e me deixar. E eu também te amo, mais do que o senhor pode imaginar...


- De que tamanho? — inicialmente o albino não entendeu a pergunta baixa do outro, mas logo acabou por se lembrar de que se tratava de uma brincadeira que os dois faziam quando Allen ainda era uma criança.


- Eu te amo do tamanho do universo expandido, pai. — conseguiu responder com a voz embargada pelo choro. — Mas, por favor, fique aqui... Siga a minha voz e não ouse dormir — pedia enquanto tentava com as mãos trêmulas e ensanguentas discar o número da emergência em seu celular.


Mas Allen havia cometido um grave deslize, e este era ter se esquecido da presença de Tyki no canto do cômodo, e quando a telefonista acabara de atender a linha, ouviu um barulho vindo atrás de si, o som de um gatilho sendo puxado próximo de sua nuca.


- Eu soltaria isso se fosse você — ouviu a voz baixa e irônica do outro soar próxima e de forma ameaçadora.


Virou-se rapidamente devido ao susto, mas foi atingido na cabeça com o cabo da arma que Tyki manuseava, fazendo com que uma vertigem muito forte o invadisse, seguida de uma dor descomunal, fazendo o cômodo girar ao seu redor.


O moreno que trajava apenas uma camisa social branca por baixo de um paletó escuro, acompanhado de uma calça preta também social, agarrou Allen pelo colarinho de seu sobretudo e o jogou violentamente em um canto qualquer do escritório.


- Chega de brincar, minha paciência chegou ao limite — declarou enquanto passava a mão no canto de seu lábio visando retirar a pequena quantidade de sangue que havia se acumulado devido ao soco que havia recebido.


O albino estava em choque, não conseguia se levantar devido ao forte golpe que havia recebido na cabeça, e se esforçava inutilmente tentando lutar contra a tontura que teimava em levá-lo para total inconsciência; podia sentir o sangue quente escorrer por sua testa.


- Mana, eu JURO que vou escalpar seu filho da forma mais dolorosa possível se você não me disser AGORA onde o Nea está. — Allen ouvia com dificuldade o homem chamado Tyki falar de forma calma, mas que, no entanto, não deixava de ser perigosa.


- Deixe meu filho fora diss... — o garoto não pôde ouvir mais nada, pois um som ensurdecedor tomou conta do local, fazendo com que seus tímpanos reclamassem de dor. Não demorou muito para que ele percebesse que aquilo havia sido um tiro, já que podia ouvir seu pai urrar de dor.


Conseguiu juntar forças sabe-se lá de onde, e pôs-se de pé em questão de segundos, apoiando-se nas paredes atrás de si.


- PARE — conseguiu gritar a plenos pulmões assim que encontrou sua própria voz — Mate a mim, eu te imploro, por favor, não faça isso, por favor... — gritava e chorava em um estado totalmente surtado e desesperado.


- Allen, p-por favor, vá... — ouviu Mana sussurrar.


- Eu por acaso te dei permissão para falar, maldito?! — Tyki voltou a olhar para o mais velho e sem pensar duas vezes deferiu um chute do rosto de Mana, acabando por deslocar gravemente seu maxilar.


Allen gritou desesperado em meio aos gritos de dor imitidos pelo mais velho.


O causador de todo esse sofrimento apenas ria de leve consigo mesmo, acabou por tirar um maço de cigarros do bolso e logo estava tragando calmamente enquanto observava o rapaz de cabelos prateados correr sem pensar até os braços do pai.


O mesmo não sabia o que fazer, chorava consternado enquanto tentava proteger o mais velho o abraçando no chão.


Não sabia nem em que momento o louco a sua frente havia tirado Mana da cadeira e o jogado no chão.


Não queria acreditar, mas no fundo sabia que não havia mais soluções para o homem embaixo de si, e isso graças ao tiro que havia levado próximo ao peito.


O sangue jorrava sem parar e acabava por também sujar as roupas de Allen.


- Tive uma ideia... Allen Walker — Tyki falou sarcasticamente enquanto se aproximava de uma vez, curvando-se para puxar o queixo do estudante para que o mesmo o encarasse — Preste muita atenção — fez uma pausa dramática — Você prefere que seu pai continue sendo surrado por mim até a morte ou... — mais uma pausa dramática — Prefere que você mesmo acabe com o sofrimento dele de uma vez? — perguntou por fim, enquanto soltava a fumaça do cigarro no rosto do homem a sua frente.


Allen bateu com força na mão do outro, virando o rosto de forma brusca.


- Ah, você não vai responder? — perguntou ironicamente enquanto apontava a arma para uma das pernas de Mana, fazendo com que o jovem se assustasse mais ainda.


- NÃO, espere... — gritou.


- Se eu fosse você escolheria a segunda opção, afinal eu posso mudar de ideia a qualquer momento e resolver executar a primeira, hm. — comentou pensativo.


- M-Monstro... — o albino conseguiu sussurrar a meio fio de voz, mantendo a cabeça baixa.


Não conseguia nem olhar diretamente para o rosto levemente deformado de seu pai, que perdia a consciência pouco a pouco, respirava com dificuldade e com certeza não duraria muito mais tempo; e mesmo que por um milagre recebesse primeiros socorros, não sobreviveria e Allen sabia muito bem disso.


Não aguentaria ver o homem que tanto admirava sofrer por mais algum segundo sequer nas mãos daquele monstro, por isso tomou a decisão mais importante de sua vida até o momento.


Várias coisas passaram por sua cabeça naquele momento; lembranças, coisas que seu pai adotivo havia lhe dito e ensinado ao longo de sua vida. Pensou que não teria aprendido a se desenvolver num verdadeiro homem de valores e caráter sem a ajuda de seu pai, aquele que sempre lhe transmitia conselhos sábios e o incentivava quando se encontrava magoado ou perdido nas grandes dificuldades da vida.


Porém voltou a realidade e tentou agir da forma mais racional possível. Respirou fundo e encarou o moreno a sua frente com a resposta de sua decisão estampada nos olhos acinzentados que agora se encontravam mais escuros do que o normal.

[Execute a música a partir daqui]



- Boa escolha — comentou Tyki, sorrindo. Abriu mais uma vez seu paletó e retirou uma arma diferente da que estava em sua mão direita, era prateada e um pouco maior. — Essa daqui deve resolver o problema. — falou enquanto depositava a mesma lentamente sobre a mão direita de Allen.


O garoto não queria acreditar, e não podia acreditar no que estava prestes a fazer. Criou coragem para olhar seu pai nos olhos e sentiu seu sangue gelar nas veias ao constatar que Mana o fitava com um olhar de súplica, dando consentimento para que o filho terminasse logo com isso.


Respirou fundo mais uma vez tentando manter alguma sanidade mental, e para controlar o impulso de acabar cometendo o erro de virar-se e atirar loucamente no homem que havia destruído sua vida em menos de uma hora.


Curvou-se sobre o seu pai e o abraçou ternamente, tomando o cuidado de ser delicado para que o mesmo não sentisse nenhuma dor.


- Pai, me perdoe — começou a falar da forma mais calma possível — Eu quero agradecer o senhor por tudo que me fez nessa vida, obrigado por ter cuidado de mim por todos esses anos e ter me tratado como se eu realmente fosse um filho de sangue — lágrimas silenciosas percorriam seu rosto enquanto tentava continuar a falar — Eu poderia passar a vida toda agradecendo o senhor se eu conseguisse sobreviver depois do que estou prestes a fazer nesse momento, mas sei que sou fraco demais para viver com esse tipo de culp... — foi interrompido por um leve tocar da mão esquerda do mais velho que roçava na sua tentando fazer algum contato com o filho.


Allen automaticamente levou a mão a de seu pai e a segurou firme, e o outro tentava fazer o mesmo, mas não encontrava forças para isso. O mais novo por sua vez não demorou em sentir que havia um pequeno papel amassado na mão de seu querido pai e que ele logicamente queria que o filho o notasse.


Ouviu Tyki pigarrear impaciente, e conseguiu disfarçadamente colocar o pedaço de papel em um dos bolsos de sua calça.


Sem mais delongas, juntou todo o autocontrole que ainda restava e direcionou o cano da arma prateada no peito de seu pai, mas agora em um ponto extremamente vital, do lado contrário do tiro que o mesmo já havia tomado.


“Nea” — pensou ter ouvido seu pai sussurrar algo parecido, mas fora muito baixo para ter certeza.


- Eu te amo... Mana. — disse enquanto observava o mais velho esboçar algo parecido com um sorriso. Foi a ultima coisa que falou e viu antes que o barulho ensurdecedor tomasse conta do local.


O recém-órfão sentiu o corpo de seu agora inanimado pai tremer levemente em baixo de si, e depois mais nada; apenas o pior silêncio que já havia presenciado.


Dois segundos depois o choro alto, desesperado, necessitado e doloroso de Allen preencheu o cômodo.


Apertava o tecido e o corpo do outro contra o rosto e soluçava chorando como nunca achou que seria possível para um ser humano.

A dor dilacerante em seu peito aumentava cada vez mais, pelo fato de ele estar tomando plena consciência da barbaridade que havia feito.


Sua vontade era de levantar e atirar no homem que havia causado tudo isso, ou de simplesmente enfiar o cano da arma na boca e puxar o gatilho, quem sabe assim não voltaria a encontrar seu herói.


Nem se importou pelo fato de o outro presente estar em completo silêncio, apenas continuou com a face enterrada nas roupas de seu pai.


Um minuto depois podia-se ouvir um celular tocando.


Tyki revirou os bolsos e finalmente atendeu a ligação.

O silêncio no local fazia com que Allen ouvisse tudo que era dito do outro lado da linha.


“Tyki, saia daí agora, a vizinhança provavelmente ligou para a polícia por causa dos barulhos de tiros e gritos e umas três viaturas chegarão aí em uns oito minutos.” — ouviu uma voz feminina dizer de forma divertida.


- Que merda, ein? — Tyki respondeu irritado — Já estou indo — em seguida desligou o celular.


Nesse exato momento uma raiva incontrolável crescia dentro do corpo do homem chamado Allen Walker, era indignante a forma como aquele torturador agia naturalmente depois de ter feito tudo aquilo.

Sem pensar duas vezes, virou-se violentamente e levantou-se deixando o corpo de seu pai sozinho, puxou o gatilho e atirou de uma vez, causando mais um estrondo no lugar.


O tiro acertou em cheio o ombro de Tyki que gemeu de dor, levando o braço direito até o ombro esquerdo.


- A gente ainda vai se encontrar garoto e você com certeza irá pagar caro por isso — jogou o olhar para o ombro que começava a sangrar. — Isso se você não for preso por homicídio doloso. — riu de forma prepotente e correu para a varanda do cômodo que se encontrava aberta, pulando para o andar de baixo antes que Allen lhe acertasse outro tiro, e por fim desapareceu na escuridão da noite.


O albino, agora agindo de forma totalmente surtada e diferente do habitual, tomava uma decisão muito maior do que tirar a vida de seu único parente com as próprias mãos.


Sabia que nas piores das hipóteses acabaria sendo preso por falta de provas para se inocentar, afinal suas digitais estavam na arma. Seria acusado por matar seu próprio pai e isso seria doloroso demais, ele preferiria a morte.


Mas o que ele realmente queria era justiça, e ele teria justiça. — mesmo que isso custasse sua própria vida.


Muitas coisas precisavam ser pensadas e ele não podia ser preso agora.


Em questão de segundos conseguiu voltar até onde o corpo de seu pai jazia e o carregou até a suíte do próprio, que era facilmente alcançável por uma porta simples que a dividia do escritório.


Fechou os olhos de seu pai, depositou-lhe um beijo na testa, e colocou a arma no bolso.


Virou as costas para aquele que tanto amava, despedindo-se de vez.

Lágrimas ainda rolavam soltas por seus olhos quando ele adentrou o próprio quarto a passos longos, retirando o sobretudo pesado e o jogando no chão o substituindo por outra blusa de frio, visando esconder as manchas de sangue, agiu rapidamente em pegar uma mochila qualquer e enfiar todas as suas economias que ficavam guardadas em um canto de seu armário e algumas mudas de roupa e principalmente uma fotografia que ficava em sua cabeceira.


Correu para o andar debaixo e apanhou sua carteira na bolsa da faculdade, e quando estava prestes a sair pelas portas do fundo ouviu as sirenes da polícia do lado da entrada da casa.


Com pressa ele correu desesperado e pulou o muro do jardim que daria para a rua abaixo da sua e agradeceu mentalmente por não haver cercas elétricas.


Allen Walker nunca correu tanto como naquela noite, talvez tivesse corrido por uma hora, e quando finalmente havia deixado seu bairro e se encontrava próximo a um local mais movimentado, conseguiu parar um taxi.


Vestiu a touca do agasalho sobre a cabeça, passou as mãos pelo rosto visando retirar qualquer vestígio de sangue ou lágrimas, respirou fundo e adentrou o carro tentando manter a calma.


- E aí? Pra onde quer ir a essa hora rapaz? — o motorista perguntou sem notar nada de anormal através do retrovisor.


- Back Bay, Commonwealth Avenue, 516, por favor — respondeu.


O taxista começou a seguir seu trajeto e Allen finalmente pode relaxar no banco atrás de si.


Alguns minutos foram suficientes para que ele não conseguisse manter a calma, pois sua mente ficou em branco por um momento e de maneira inopinada uma lembrança veio em sua mente.

Flashback ::: On



Os flocos de neve começavam a cair lentamente e o garoto de apenas dez anos permanecia imóvel sentado sobre o balanço, e o som de seu próprio choro era o único som que se fazia presente pelo parque vazio.
Alguns minutos depois podia-se ouvir passos andando sobre a neve macia, mas Allen não fez questão de olhar para ver de quem se tratava.

– Allen - ouviu a voz conhecida chamar.

Imediatamente tentou enxugar as lágrimas que escorriam incansáveis, mas acabou sendo impedido pelo leve tocar de mãos do outro presente.

– Por que está chorando?– ouviu a voz do homem perguntar.

– Não é nada...– respondeu tentando manter a voz firme, mas a mesma acabou saindo chorosa.

– Não vai mesmo contar para seu pai o que o fez se sentir assim?– Mana perguntou esboçando um leve sorriso nos lábios devido ao muxoxo que o menor fazia devido a vergonha de estar chorando na frente do pai.

Allen não conseguiu responder, apenas se levantou do balanço e se jogou nos braços do mais velho, procurando se reconfortar. Mana o abraçou de volta, esperando calmamente para que o pequeno resolvesse falar. Depois de longos minutos a criança voltava a chorar, porém havia resolvido se abrir.

– Por que todo mundo ri de mim, pai?– perguntou entre soluços — Por que eles ficam me xingando por eu ter o cabelo dessa cor e essa cicatriz no rosto? O que eu fiz de tão errado? – perguntava agarrando-se ao peito de seu pai.


Mana sabia que o filho acabava sendo motivo de chacota entre os colegas devido ao fato de ser albino, por isso sentia-se impotente em não poder livrar o outro de todo esse sofrimento.



A sociedade era injusta, e ele não podia fazer nada em relação a isso. Nada podia fazer a não ser oferecer suas palavras paternas e tentar mostrar ao filho que não havia nada de errado com o mesmo.



– Filho, você tem que entender que nada nesse mundo é perfeito. O que faz uma pessoa não é a cor da pele, nem qualquer tipo de beleza imposta pela sociedade, e sim o caráter e principalmente o que elas trazem dentro do coração.– aproveitou para levantar o rosto do filho e com as pontas dos dedos enxugar as lágrimas que escorriam frescas — A verdadeira beleza está na bondade de quem procura realizar os seus sonhos e acredita em si mesmo.– sorriu — Por isso o que tenho a dizer é que, não vejo nada de errado ou anormal com você, Allen. Você tem sua própria beleza. E ainda mais porque são as atitudes e a bondade que fazem uma pessoa ser mais bonita ainda. Por favor, não dê atenção ao que essas pessoas preconceituosas dizem, apenas tenha um foco em sua vida, filho.– comentou por fim.


– Você acha mesmo isso pai?– o garoto perguntou esboçando um enorme sorriso.

– Mas é claro que sim. Você tem o poder de mudar o mundo, Allen. Basta querer...– disse enquanto levanta-se segurando a mão do filho.

– Obrigado, pai... Eu te amo.

– De que tamanho?– Mana riu.

– Do tamanho do universo expandido– respondeu radiante.

Flashback ::: Off

Allen voltou a realidade e quando se deu conta, estava chorando desesperadamente no banco de trás do táxi, apertado as mãos no tecido da calça jeans. – Está tudo bem ai? — o motorista perguntou estranhando a atitude do rapaz. — Já chegamos. Allen fez sinal positivo com a cabeça visando responder a pergunta do homem e lhe entregou algumas notas de dinheiro, sem nem se importar em pegar o troco.


Desceu do carro em uma avenida movimentada onde continham vários prédios e respirou fundo pela milionésima vez antes de se dirigir até o orelhão mais próximo.



Entrou na cabine telefônica e colocou algumas moedas e em seguida discou o número com as mãos ainda trêmulas.



Ouviu o telefone público chamar quatro vezes, se desesperando ao achar que não fosse ser atendido.



“Puta que pariu, que horas são?” — a voz soou sonolenta e totalmente irritada ao ouvidos de Allen.



– Lavi? — conseguiu dizer em voz na normal.



Notas finais
E ai? O que acharam?

Alguma suposição? Espero a opinião de vocês.

Tive que repostar a história porque o Nyah estava me estressando.

O próximo sai em uma semana ou um pouquinho mais. ♥

E a casa que o Allen mora com o Mana é essa aqui, http://25.media.tumblr.com/c2072de595c1d819fa48564d227a7055/tumblr_mjny8lgvCr1rrmtq9o1_500.jpg