Broken and Destroyed
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Eu sei que demorei, mas é que eu estava com muito problemas nos últimos dias, por isso não conseguia terminar o capítulo e ele pode ter não ter ficado tão bom, porque eu não consegui escrever com o coração.
E o pior, teve uma festa aqui em casa e minha mãe não me deixou em paz nenhum minuto, por isso realmente não tive tempo de escrever.
E nossa, eu fiquei muito surpresa/feliz com a quantidade de comentários, isso nunca tinha acontecido em outras fics minhas, por isso eu estou motivada a escrever, e me desculpem por não ter respondido os reviews, mas vou responder daqui a pouco.
Bom, talvez os personagens estejam meio OC, mas com o decorrer da histórias eu vou expor melhor as personalidades verdadeiras deles, mesmo porque era uma situação muito corrida.
Espero que todos que comentaram no primeiro deixem sua opinião nesse, mesmo que esteja meio fraco, mas é que esse capítulo é mais explicativo e não trágico como o outro.
OBS: O atraso também é culpa do meu beta lindo e irresponsável, que demorou para corrigir (só estou dizendo isso porque ele está aqui do lado me ameaçando, UEAHUEAHUEH, te amo, Ree ♥).
E claro, obrigada a Kamiligna linda por ter me ajudado com as crases (mesmo que eu seja monga e meu beta ainda teve que corrigir algumas coisas). Obrigada, Kami ♥
Enfim, boa leitura. ♥
"A amizade é o conforto indescritível de nos sentirmos seguros com uma pessoa, sem ser preciso pesar o que se pensa, nem medir o que se diz." — George Eliot
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Broken and Destroyed — Capítulo 2
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– Allen — o ruivo chamava — Allen, olhe pra mim, olhe pra mim... — falava firme tentando retirar o amigo de seu estado de transe.
Fazia aproximadamente vinte minutos que o quase formando em Direito havia sido despertado às 02h37min da manhã pelo escandaloso toque de seu celular.
Quando finalmente se deu conta de que se tratava de seu melhor amigo do outro lado da linha, deixou o mau humor de lado e passou a escutar melhor o que o outro tinha a dizer.
O mesmo alegava que precisava de ajuda e que estava próximo ao lugar onde Lavi morava, mas que não podia ser visto entrando no prédio do mesmo.
O ruivo não pensou duas vezes antes de se trocar rapidamente e descer preocupado até o local onde o amigo dissera estar. Depois de encontrar Allen em completo estado de choque no meio da rua, conseguiu o arrastar de forma discreta para dentro do prédio, aproveitando-se do fato de o porteiro estar cochilando em serviço, e logo seguiram para seu apartamento, localizado no 13º andar.
E até o presente momento, Lavi não tinha conseguido entender o que estava acontecendo, pois o albino apenas permanecia sentado imóvel no sofá, tremendo e murmurando palavras desconexas, como se não estivesse presente ali.
Lavi não sabia o que fazer, estava começando a entrar em pânico, pois quando retirou a touca do cabelo de Allen, notou que seu cabelo estava cheio de sangue e quando parou para analisar melhor a situação, acabou tendo plena certeza de que algo estava gravemente errado.
– Allen, por favor... Me fale o quê está acontecendo — pediu mais uma vez enquanto segurava o rosto do amigo entre as mãos, tentando fazer com que o mesmo o encarasse.
Esperou por alguns segundos até que os orbes acidentados focassem-se nos seus de cor esmeralda.
– L-Lavi... — conseguiu responder aflito — E-Eu...
– Você o quê, Allen? — perguntou sério.
– Eu matei meu pai, Lavi. — respondeu rápido e com a voz falhada.
O outro por sua vez não acreditava no que havia acabado de ouvir, passaram-se vários segundos até que conseguisse voltar a falar.
– Como é que é?
– L-Lavi, me escuta! – falou sério enquanto segurava os ombros do amigo que fizera menção de se afastar — Alguém me obrigou a fazer isso, por favor... Você tem que acreditar em mim. — pedia da forma mais firme que podia ao se dar conta de que estava assustando o amigo — Por favor, você tem que me escutar...
***
Após aproximadamente uma hora, Lavi terminava de ouvir tudo que o amigo dissera ter passado nas últimas horas.
Cada detalhe lhe causava agonia, e tudo piorava ao ver Allen chorando desesperado enquanto falava.
Não sabia como o mesmo tinha aguentado passar por aquela tortura.
Havia feito algumas perguntas, mas preferira deixar que o albino falasse sem interrupções.
Não conseguia acreditar no que estava acontecendo, afinal, ele e Allen eram melhores amigos desde os onze anos de idade, consequentemente, ele tinha uma consideração muito grande por Mana.
Havia passado grande parte da adolescência nas casas de Allen, e isso só havia mudado por eles não terem muito tempo devido a faculdade e ao trabalho, mas isso não mudava o fato do pai do amigo ser considerado como um tio para o estudante de Direito.
Os três haviam passado muitos momentos juntos, por isso o ruivo tentava manter a calma e pensar com clareza.
Ele compreendia que o outro não havia tido escolha a não ser acabar com o sofrimento do pai, afinal, estava sendo mantido sobre pressão e tortura psicológica, e devido as descrições, Mana realmente não tinha chances de sair vivo daquela situação.
Tinha certeza que a dor que o melhor amigo sentia era imensurável, e que tinha razão de estar em choque.
A única coisa que pode fazer fora abraçar o outro fortemente, enquanto o mesmo continuava a chorar, agora com o rosto afundado no pescoço de Lavi.
- Allen, eu sinto muito — falou enquanto suas próprias lágrimas começavam a cair — Tente manter a calma... Nós vamos encontrar uma forma de resolver isso...
- Lavi, você não percebe? — o albino o cortou se afastando do abraço — Eu fugi da cena do crime, é óbvio que irei levar a culpa — respirou fundo — Eu tenho que fazer alguma coisa, eu não vou descansar enquanto não descobrir o motivo para aquele desgraçado ter feito isso — falava praticamente gritando — Sou capaz de matá-lo se o encontrar novamente, eu devia ter atirado mais rápido, afinal, já estou ferrado, não faria diferença matá-lo com minhas próprias mãos. — comentou por fim de forma irônica e amargurada.
- Ficou maluco? Pare de dizer essas coisas — Lavi segurou seu rosto novamente, visando acalmá-lo — Eu não acredito que o Allen que conheço teria coragem de fazer tal coisa, você é bom demais para se rebaixar ao nível desse cara... — soltou o amigo e caminhou em círculos pela sala — Tem certeza que não faz a mínima ideia de quem seja esse tal de Tyki? — perguntou tentando encontrar alguma resposta para tudo isso estar acontecendo.
- Não — soluçou — Eu nunca vi aquele monstro na minha vida, não faço a mínima ideia do porquê de ele ter feito aquilo — respondeu enquanto escondia o rosto entre as mãos.
- Você não notou algo estranho nos últimos dias? Sei lá, quem sabe não tenha notado algo diferente no comportamento do Mana? Ele não disse nada de estranho? — perguntou.
Lavi esperou até que o amigo procurasse se lembrar de algo, e após algum tempo o mesmo levantou a cabeça mantendo uma expressão chocada.
Allen acabava por lembrar-se de uma das últimas frases que seu pai havia lhe dito naquela noite.
“V-Você se lembra do que eu lhe disse quando era mais novo? Apenas faça o que eu disse e saiba que seu velho pai sempre te amou e sempre vai amar e se orgulhar de um filho como você.”
A dor presente no peito do albino aumentou ao recordar tais palavras, e logo ele já se dava conta do quê o pai dizia para que ele se lembrasse naquela hora.
- E então? Lembrou-se de alguma coisa?
- Sim... Eu não notei nada de estranho nos últimos dias, mesmo porque eu passo a maior parte de meu tempo na faculdade, mas tem algo que meu pai havia me dito há uns dois anos, e ele fez questão de me pedir para lembrar disso hoje... — falava enquanto seus olhos focavam o nada, totalmente inexpressivos.
- E? — Lavi perguntou impaciente.
- Uma vez, Mana me disse em meio a uma conversa que, se algum dia algo acontecesse a ele eu deveria procurar uma pessoa, pois ela saberia o que fazer — suspirou — e quando eu o questionei sobre o que ele falava, apenas mudou de assunto. Naquela época eu acabei esquecendo, achando que não era algo tão importante, mas agora... — não conseguiu terminar de falar e apenas voltou a esconder o rosto entre as mãos.
- E quem era essa pessoa?
- O Cross — respondeu com a voz abafada.
- O quê? Meu tio? — Lavi perguntou totalmente confuso.
- Sim, eu sei que os dois eram muito amigos, mas não entendo o porquê de ele me pedir para procurar logo o Cross, mas agora isso é uma informação importante... — subitamente o homem de cabelos prateados levantou, dirigindo-se até a parede mais próxima e a socou com força — DROGA — exaltou-se — Por que isso está acontecendo? O que eu fiz pra merecer passar por isso? O que meu pai fez pra merecer todo aquele sofrimento? — questionava angustiado, enquanto as lágrimas voltavam a cair.
- Allen, você vai ter que ser forte se quiser sair dessa e descobrir o que está acontecendo — Lavi comentou sério, enquanto se aproximava do amigo.
Mas agora o ruivo tinha plena certeza de que a situação deveria ser muito mais perigosa do que imaginara, afinal, se Mana havia mandado Allen procurar por Cross Marian depois do que havia acontecido, só podia ser grave.
- Eu vou ligar para o Cross — Lavi comentou sério enquanto buscava pelo telefone sem fio.
Discou o número rapidamente, e esperou até que fosse atendido.
- Alô?
“Sobrinho?! Quem diria que eu fosse receber uma ligação sua algum dia — o homem do outro lado da linha falava rindo de maneira prepotente, enquanto algumas vozes femininas podiam ser ouvidas próximas — A que lhe devo essa honra?”
- Cross, eu preciso que você venha até o meu apartamento — respondeu o ruivo, tentando ignorar as gracinhas de seu tio.
“Você só pode estar brincando, sabe que horas são?”
- Sim, eu sei. Porém é um assunto muito sério, o Allen...
“O Walker? O quê tem ele?” - Lavi pode ouvir a voz do outro ficar séria de repente e muito mais alta, como se tivesse sentado para ouvir melhor.
- É um assunto muito sério para falarmos por telefone, por isso o chamei para vir aqui. Você está em casa?
“Sim, estou. Eu chego aí em meia hora - Lavi pode ouvir o outro se movendo bruscamente e em seguida, algumas reclamações das mesmas vozes femininas. — Aconteceu algo grave?” — Cross perguntou com a voz mais séria do que antes.
- Sim — o estudante de direito respondeu enquanto observava Allen sentando-se novamente no sofá.
Por fim, o telefone fora desligado, e Lavi soube que seu tio chegaria em pouco tempo.
- Allen, você precisa se acalmar até a hora do meu tio chegar. — suspirou — Esse machucado em sua cabeça é muito grave? — perguntou aproximando-se do amigo, tentando afastar com as mãos alguns dos fios prateados que agora se encontravam manchados de vermelho.
- Não, só foi um corte de leve... — respondeu baixo, levantando-se em seguida — Eu vou tomar um banho, tudo bem?
- Sim, faça isso. As toalhas ficam no armário, como sempre. — Lavi sorriu com sinceridade
O albino caminhou até o corredor que ficava ao lado da sala junto de sua pequena mochila, mas antes de desaparecer por completo virou-se para encarar o ruivo.
- O que eu vou fazer da minha vida agora, Lavi? — perguntou com a voz quase inaudível, o olhar envolto em pensamentos.
Lavi acabou por se comover ao avistar Allen parado ali, totalmente desamparado e perdido.
Levantou-se rapidamente e andou a passos longos até o encontro do amigo e o abraçou com força.
- Vai ficar tudo bem, Allen. Eu prometo — comentou baixo e em seguida se afastou.
O outro acabou seguindo para o banheiro, localizado ao final do corredor, sem nada responder.
Adentrou o mesmo, acendendo as luzes e dirigiu-se até a pia e acabou por encarar o espelho. Ele estava horrível; seu cabelo claro agora se encontrava manchado de sangue, olheiras enormes formavam-se entre seus olhos, vermelhos e inchados, e suas roupas estavam completamente amassadas.
Respirou fundo e virou-se para o outro lado, começando a livrar-se de suas peças de roupa, tentando se controlar ao máximo enquanto retirava sua camisa branca encharcada com o sangue de Mana.
Acabou se assustando com a arma prateada que encontrou em um dos bolsos de seu agasalho, e por fim jogou tudo que comprovava o crime dentro de uma sacola plástica e a enfiou dentro de sua mochila.
Entrou no boxe e ligou o chuveiro, e foi exatamente ali que Allen decidiu desmoronar mais uma vez, porém seria a última antes de voltar para aquela sala, afinal, precisava de respostas sobre o que estava acontecendo.
Logo as lágrimas começavam a cair, acabando por misturar-se a água quente do chuveiro.
Allen nem se importou com a dor advinda do ferimento em seu couro cabeludo, apenas deixou que seu corpo deslizasse até o chão, e logo abraçava os próprios joelhos.
E assim permaneceu pelo que pareceu uma eternidade.
***
O som do interfone tocando acabou fazendo com que Lavi se sobressaltasse no sofá, acordando de seu cochilo.
Levantou correndo para que pudesse atender o mesmo.
- Sim?
- Estou aqui embaixo — ouviu a voz de Cross do outro lado da linha.
- Você chegou rápido — sorriu desanimado — Pode entrar.
Esperou por cerca de cinco minutos próximo à porta de seu apartamento, e quando pode ouvir o barulho do elevador abrindo, destrancou a porta e a escancarou.
- Onde o Allen está? — o ruivo alto de cabelos compridos, perguntou assim que se aproximou de seu sobrinho.
- Ele está no banho — Lavi respondeu enquanto saia da frente para que Cross entrasse.
- Me conte tudo o que está acontecendo — pediu enquanto se dirigia ao sofá.
- O Mana... Está morto — declarou sem fazer cerimônias.
- Como? — o mais velho perguntou endireitando-se no sofá.
***
Em apenas alguns minutos conseguiu explicar todo o ocorrido para Cross, e o mesmo por sua vez, não parecia surpreso, apenas chocado com a forma trágica com que o amigo havia morrido.
Mas Lavi sabia que por dentro seu tio se sentia triste, o problema era que, ele nunca demonstrava sentimentos.
- Você já sabia que algo assim poderia acontecer, não é? — o estudante de Direito perguntou mesmo que já soubesse a resposta — Caso contrário, Mana não teria pedido para o Allen te procurar.
- Sim, eu já sabia — respondeu sério — Porém, não achei que fosse acontecer tão de repente — respirou fundo — Bom, quero que preste muita atenção no que eu vou lhe dizer agora, pois você terá que agir rápido. — esperou que o sobrinho consentisse.
- Pode falar...
- Você já deveria saber que será uma das primeiras pessoas que a polícia virá atrás para investigar o paradeiro do garoto, por isso, ele não pode ficar aqui por muito tempo — falava encarando o outro — A questão é, o maior problema não é a polícia e sim as pessoas que virão atrás do Allen, afinal, ele tem sorte de estar vivo.
- Como assim? — o ruivo mais novo aumentou o tom de voz, totalmente preocupado.
- Não tenho tempo para te explicar tudo agora, mas o fato é que Mana vinha sido perseguido há muito tempo por algumas pessoas, e ele nunca quis me contar o verdadeiro motivo, pois achava que seria perigoso se eu me envolvesse demais — falou enquanto retirava um enorme envelope de dentro do sobretudo escuro — Mas ele sabia que um dia algo poderia acontecer, e foi por isso que ele me pediu para arranjar isso... — jogou o envelope na mesa de centro da sala.
Lavi pegou cuidadosamente o envelope e o abriu, surpreendendo-se ao retirar inúmeros documentos dali de dentro.
- Clay... Thomas Campbell? — questionou surpreso enquanto analisava o conteúdo — Eu... Não acredito que o Mana pediu para que você conseguisse documentos falsos para o Allen — comentou enquanto observava a foto de seu melhor amigo estampada em todo tipo de documento possível, como identidade, passaporte, e não era possível... Havia até cartão de crédito! — Você ficou louco? — Lavi perguntou começando a se irritar — Tem noção do que vai acontecer se ele for pego? Vai ser acusado de falsidade ideológica, e tudo irá piorar pelo fato de ele ter sido obrigado a matar o pai, pois ainda não sabemos como provar o contrário, — exaltou-se jogando os papéis na mesa. — eu definitivamente não vou concordar com isso
O ruivo sempre soubera que o tio se envolvia com coisas perigosas, por mais que ninguém desconfiasse, esse era um dos motivos para ele manter certa distância.
- Lavi — Cross chamou com a voz irritada — É a vida do seu melhor amigo que está em jogo. Mana sabia que ele poderia passar por isso... Ele sabia que um dia ele teria que abandonar a verdadeira identidade se quisesse viver, e era isso que ele queria, que o filho sobrevivesse, e eu não vou deixar de realizar o desejo de meu falecido amigo só porque isso vai contra seus princípios — falava com a voz grossa e extremamente estressada, e em seguida levantou-se caminhando até a porta da sacada — Toda essa história envolve algo muito maior, algo que eu ainda não tive chance de descobrir do que se trata, por isso acho melhor você ir pensando em um lugar para mandar o Allen... — comentou enquanto acendia um cigarro do lado de fora do apartamento — Eu tenho certeza que o garoto irá concordar comigo, afinal, ele perdeu tudo... Não hesitará em descobrir quem é o verdadeiro culpado. Se acabarmos descobrindo tudo que o Mana escondia, talvez aja alguma forma de inocentar o Walker. Mas nas piores das hipóteses ele nunca mais poderá voltar a usar o verdadeiro nome, e você tem que aceitar isso — falava enquanto tragava seu cigarro — É só parar para observar a situação e chegará à conclusão de que estou certo.
- DROGA! — Lavi gritou enquanto praticamente arrancava os cabelos.
- Pense em um lugar que ele possa ir e ficar em segurança, pegue esses documentos e vá logo comprar a porcaria de uma passagem — falou enquanto entrava pela porta de vidro — Já está quase amanhecendo, as coisas vão começar a se complicar. Já pensou se as notícias começarem a se espalhar pelos jornais da TV? — Cross falava irritado, quase que cuspindo as palavras — Faça isso que vou ficar para explicar a situação para ele, depois eu mesmo o levo para o aeroporto, apenas me ligue desse celular — voltou a sentar no sofá após depositar o aparelho nas mãos do ruivo mais novo, que aparentava estar muito confuso — E você realmente precisa ser rápido, Lavi. — comentou por fim, enquanto recostava-se no sofá de estofado vermelho, a face extremamente melancólica.
- É bom isso dar certo — comentou furioso, enquanto se retirava da sala e seguia até seu quarto para pegar um agasalho.
Na volta acabou passando pela porta do banheiro e percebeu que o chuveiro já fora desligado.
- Allen? Tá tudo bem aí? — perguntou, dando leve batidas.
- Sim, eu já estou saindo. — ouviu o amigo responder com a voz aparentemente normal.
- Meu tio está na sala... — comentou brevemente e por fim saiu sem avisar.
Lavi acabou retornando para a sala e parou de frente para o ruivo mais velho, o encarando seriamente.
- Cross... Cuidado com o que vai falar pra ele — pediu, enquanto colocava os documentos falsificados dentro do paletó e apanhava as chaves de seu C4 Hatch.
***
Não demorou muito para que o estudante de Direito chegasse até o estacionamento do prédio e adentrasse seu carro.
Acabou por encostar a face levemente sobre o volante assim que fechou a porta.
Era muita coisa para sua cabeça, ele acabaria enlouquecendo. E a pior parte era que ele já tinha uma ideia de para onde mandar Allen, apenas não achava que seria fácil.
- Merda — comentou, suspirando pesadamente e em seguida levando a chave até a ignição.
Ele teria que tomar cuidado, afinal, o porteiro já deveria estar desconfiado desse entra e sai em plena madrugada.
Observou o relógio de pulso assim que saiu de dentro do estacionamento e já dirigia rapidamente pelas ruas. Ele marcava 04h15min da manhã.
Não havia jeito, teria que ligar para ele agora.
Apanhou seu celular e procurou pelo número daquela pessoa em sua agenda, e discou o número no celular que Cross havia lhe dado, afinal, ele não poderia correr riscos.
O aparelho chamou quatro vezes até que a outra pessoa finalmente atendesse.
- Alô? - ouviu a voz conhecida soar totalmente estressada.
- Yuu? — falou com a voz alegre, tentando não deixar que sua voz preocupada fosse notada.
- Usagi...? - a voz soava mais irritada do que nunca.
- Ah, que bom que consegue reconhecer minha voz — Lavi comentou irônico, tentando rir de leve.
- Você realmente tem a cara de pau de me ligar a essa hora pra fazer gracinhas? Vá se foder, eu vou desligar.
- Yuu — Lavi praticamente gritou enquanto tentava prestar atenção no trânsito — Me escuta! Sério, não desligue. Lembra que eu estava falando de combinar da gente se rever? Eu, você, a Lena e... O Allen? — tentou perguntar da forma mais suave possível, por sorte o outro talvez lhe desse atenção.
- Sim, e se me lembro bem eu havia dito não. Já posso voltar a dormir agora? - o outro perguntou, e Lavi pode ouvi-lo revirar na cama. - E me chame mais uma vez pelo primeiro nome que farei questão de viajar até aí, apenas para te matar.
“Velhos hábitos nunca morrem” — o ruivo pensou consigo mesmo.
- Kanda, eu preciso da sua ajuda. — Lavi mudou totalmente o tom de sua voz, tentando deixar claro para o outro de que falava sério — Ou melhor... O Allen precisa.
- (...)
- Yuu? — chamou pensando que o amigo tivesse desligado.
- O que você disse? - ouviu a voz do outro mudar de irritada para séria.
- Certo... Preste atenção no que eu vou te falar agora. — pediu sério — Aconteceu algo muito grave por aqui, e o Allen estará correndo risco de vida se continuar em Boston, e o único lugar que pensei que seria seguro para ele ficar é aí na Inglaterra... Com você. — Lavi falou, esperando que os xingamentos viessem.
- E o que eu tenho a ver com isso? — perguntou de forma totalmente irônica, rindo da justificativa do outro.
Do outro lado da linha, Kanda se encontrava curioso devido ao fato de Lavi aparentemente estar sério, afinal, ele sempre fora um completo idiota, desde os tempos de colégio. Mas não iria dar de simpático agora.
- Kanda, eu estou falando sério. — respirou fundo — Eu sei que você e o Allen tiveram alguns problemas na adolescência, mas leve em consideração a amizade que todos nós tivemos juntos. Você pode não acreditar em mim, mas a situação realmente é séria. — falava quase que em pânico — Não entendeu a parte do “risco de vida”?
- O que foi que aquele desgraçado fez? - perguntou entredentes.
- Ele mesmo vai te contar quando chegar aí, eu estou indo comprar a passagem agora e...
- Pera aí, eu por acaso disse que concordei com isso? — Lavi pode ouvir Kanda se levantar da cama - O que você acha que aconteceria se eu e aquele pirralho ficássemos sozinhos na mesma casa? Eu com certeza não hesitaria em matá-lo. E você sabe muito bem que não nos vemos há uns cinco anos, desde que aquela porcaria aconteceu e... — resolveu parar de falar ao ver onde o assunto estava chegando.
- Yuu, não sei se você percebeu, mas todos nós somos adultos agora. E eu não hesitaria em ajudar um amigo se ele realmente precisasse. — Lavi atravessou a avenida e finalmente já podia avistar o enorme General Edward Lawrence Logan International Airport. — Eu estou indo comprar as passagens agora, quero que você encontre o Allen no aeroporto, e eu vou te ligar daqui a pouco para dar os detalhes de horário — falava ignorando totalmente os protestos do outro, não pensando duas vezes em desligar quando terminou de falar.
- Ele vai me matar... — Lavi comentou consigo mesmo enquanto adentrava o estacionamento.
***
Passado exatamente uma hora e quatorze minutos, Cross terminara de explicar a complicada situação para o garoto que se encontrava encolhido no sofá de frente para si.
- Você entendeu, Allen? — o ruivo perguntou enquanto tentava adivinhar o que se passava na cabeça de Allen, que aparentava estar envolto em pensamentos.
- Sim... Eu nunca mais poderei ser eu mesmo, acho que entendi. — falou baixo, enquanto se deitava de costas para o mais velho.
Cross suspirou e quando se levantava para ir fumar mais um cigarro na sacada, notou que seu celular vibrava.
- Pronto.
- Eu já comprei as passagens, e já decidi para onde mandá-lo. O voo é às 07h00, venham logo pra cá — a voz de Lavi podia ser ouvida em meio a outras, provavelmente pela movimentação do aeroporto — Vou comprar algumas roupas para o Allen, me liguem quando chegar.
- Allen, vamos. — Cross falou enquanto se levantava do sofá — Uma nova vida se inicia hoje para você.
Notas finais
Coitadinho do Allen 3
Pelo menos o Kanda apareceu pela primeira vez, mesmo que seja por celular, haha (no próximo cap. ele aparece, para a felicidade de vocês e minha).
O próximo capítulo sai lá para o dia 3, e se eu conseguir, eu posto antes. Também depende do meu beta, né?
Me desculpem por todo esse mistério.
E para os futuros leitores fantasmas, https://fbcdn-sphotos-g-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn1/538011_269105853219415_284144355_n.png
HUEHEUHEUEHEU, brincs.
beijos ♥
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