Notas iniciais
Oi, pessoas! Alguém ainda lê esse negócio? Hahaha. Outra vez demorei, e outra vez peço desculpas, meu tempo é bem escasso. Estou deixando de estudar pra uma prova super ferrada pra terminar de escrever esse capítulo, pra vocês verem, haha. Mas então, ele acabou tomando um rumo que eu não esperava no final, mas espero que tenha ficado bom. E espero que gostem, principalmente, rs. Boa leitura!

No minuto seguinte à vampira ter ido embora, ouvi Granny gritando meu nome da cozinha.

— O que eu havia dito sobre a sua ideia brilhante de hospedar uma assassina maluca na nossa casa? — Ela me lançou um olhar acusador, despejando toda a sua reprovação no momento em que eu coloquei os pés na cozinha. Eu revirei os olhos, irritada.

— O que sugeria que eu fizesse, Granny? Dizer não, para ela decidir ir se hospedar direto na casa da prefeita? — Ela me fulminou com os olhos diante do meu sarcasmo, mas eu ignorei. — Sabe que deixá-la às minhas vistas era a única opção viável. E o que aconteceu hoje não foi culpa minha, poderia ter acontecido a qualquer momento e em qualquer lugar.

— Mas aconteceu aqui, debaixo da sua fuça, dentro da minha lanchonete.

— E como é que isso agora é culpa minha?! — Exclamei, quase gritando. — Sei que a senhora não viu o que aconteceu, mas pensei que poderia pelo menos imaginar que não fui eu quem arrancou o coração da mulher pra dar um showzinho particular de maldade.

Granny percebeu antes e já me olhava alarmada enquanto eu falava, mas eu só fui me tocar quando já tinha terminado. Henry estava sentado em uma cadeira no outro canto do cômodp, meio escondido atrás de um balcão. Com os cotovelos apoiados nos joelhos, ele mantinha a cabeça baixa, encarando o chão. Eu não podia ver seu rosto direito, mas suas orelhas estavam muito vermelhas. Eu me arrependi imediatamente do que tinha dito.

Granny suspirou alto, e eu olhei para ela. A reprovação ainda estava lá, em seu olhar cortante, mas ela torceu a boca de lado. Balançou a cabeça varias vezes, como se quisesse espantar algum pensamento inoportuno, e me deu as costas, voltando às suas ocupações no balcão que estava completamente coberto de farinha.

— O que eu sei, e isso por experiências passadas — ela começou, dessa vez num tom mais razoável. —, é que essa história não acabou ainda. Na verdade, posso apostar que é só o começo.

— Com certeza. — Eu andei até o balcão, me encostando ali para ficar mais perto e poder falar em voz mais baixa para que só ela me ouvisse. Henry não precisava ouvir mais nada depois de tudo o que viu nessa manhã. — A ameaça de vingança foi bem explícita. A vampira vai atrás de Regina.

— Você está preocupada?

— Com Regina? — Eu estreitei os olhos, pensando. — Não... acho que não. Ela sabe muito bem como lidar com esse tipo de situação. A não ser que seus poderes voltem a falhar, a vampira não tem chance alguma.

— Mas e se os poderes falharem? — Ela perguntou, séria. Aquilo me fez parar.

— Será?

— Aconteceu ontem. — Ela deu de ombros. — Quem sabe quando pode acontecer de novo?

— Mas ela estava sem um livro de feitiços, disse que Gold havia pegado. Parece que o livro é bem importante pra ela conseguir praticar magia. Se ela conseguiu praticar hoje, provavelmente já o pegou de volta.

— Gold roubou o livro?

— Sim.

— E devolveu assim, só com um pedido gentil de Regina?

— Granny, eu não sei o que aconteceu — eu disse exasperada diante de seu olhar cético. — Regina estava sem os poderes ontem, e hoje ela os tem de volta. O que mais eu posso imaginar?

— Só estou questionando os fatos. — Ela levantou as mãos sujas de farinha, como se pedisse desculpas. — Você conhece Gold. E conhece Regina também. Não se pode confiar em nenhum dos dois, principalmente em se tratando de uma situação dessas.

Eu suspirei. Granny tinha razão. Eu encarei por um momento o chão de ladrilhos, com o olhar vago, mordendo a parte interna dos lábios num hábito um tanto irritante que eu adquirira já há muito tempo, mas que só aparecia em momentos de muita tensão – como o de agora.

— O que vamos fazer então? — Eu perguntei, mais para mim mesma do que para Granny, mas ela respondeu mesmo assim – aliás, ela botou a mão no meu ombro de uma maneira firme e intimidante que me fez voltar a encarar seu rosto enrugado.

— Nós não vamos fazer nada, mocinha. Você, principalmente, não vai fazer absolutamente nada, a não ser se manter em seu lugar e não se envolver mais nessa história do que já está envolvida. E não tente questionar — ela acrescentou, estreitando os olhos quando pensei em protestar. — Você sabe muito bem que é isso o que deve fazer. Essa guerra não é sua, Ruby. Você não tem obrigação, nem com Regina e muito menos com aquela maluca. Não seja estúpida. Por favor.

Eu cruzei os braços contrariada, mas não disse nada. Não havia o que dizer; eu reconhecia a verdade e a sensatez em cada uma das palavras de minha avó. Aquela guerra não era mesmo minha, e eu deveria me manter neutra – bem, tão neutra quanto possível a essa altura dos fatos. Eu não precisava entrar no meio disso tudo só por algum sentimento bastante inconveniente de “dever” à Regina. Eu não devia nada a ela – pelo contrário, ela agora devia sua vida a mim, de certa forma. Não que eu fosse exigir algo em troca disso algum dia, mas mesmo assim...

Porém, mesmo sabendo perfeitamente de tudo isso, por alguma razão completamente desconhecida para mim, eu sentia lá no fundo que não podia me manter fora disso… Eu tinha que fazer alguma coisa.

Inclinei o corpo para frente, esticando o pescoço para conseguir enxergar o local onde Henry estivera sentado. Ele continuava lá, na mesma posição de antes, imóvel como uma estátua. Aquilo estava me incomodando demais.

— Bem… — Granny suspirou, e ao olhá-la, ela também estava encarando Henry com uma expressão incômoda no rosto. — Talvez haja uma coisa que você possa fazer.

Ela fez um movimento com o queixo na direção dele, e eu passei a mão na testa, como se secasse um suor invisível. Na verdade, era até mesmo surpreendente eu não estar suando de verdade, depois de toda essa carga emocional. Era apenas de manhã, e eu já estava exausta.

E se eu, que carregava uma bagagem tão grande de uma vida cheia desse tipo de situação, já estava abalada agora… Pobre Henry. “Ele é apenas uma criança”, pensei, sentindo a grande injustiça daquela situação. Ele não deveria passar por esse tipo de coisa.

Andei até onde ele estava, pegando uma cadeira no caminho. Coloquei-a de frente para ele e sentei, me inclinando até ficar na mesma posição que ele, com os braços apoiados nas coxas. Eu o chamei.

— Henry… Você está bem?

Era uma pergunta tola. Era óbvio que ele não estava bem. Ele sequer deu sinais de que me ouvira. Eu mordi o lábio, decidida a tentar.

— Olha só… Eu sei que você não quer conversar sobre isso. E nem precisa. Só olha pra mim, por favor.

Ele demorou, relutante, mas enfim levantou a cabeça. Seus olhos estavam vermelhos. Aquilo era de partir o coração.

— Sinto muito pelo que aconteceu… Pelo que você viu. Mas a gente precisa pensar no que fazer agora — eu acrescentei rapidamente a última frase, quando percebi que ele iria começar a protestar. — O que aconteceu foi ruim, mas acho que a gente vai ter que agir. Logo.

Convivendo com Henry desde que ele ainda era um bebê, eu havia aprendido quais palavras tinham o poder de cativá-lo e persuadi-lo. “Precisamos agir” era uma frase muito poderosa. Eu pude ver claramente o brilho em seus olhos, mesmo que muito brevemente. Logo o brilho se apagou.

— Não há nada a fazer, Ruby — ele resmungou. Sua voz estava rouca. — Minha mãe já cuidou de tudo. Não percebeu?

Seu tom era profundamente magoado, e por alguma razão aquilo me incomodou, mas de uma forma diferente. Eu me senti mal por Regina.

Por que eu deveria? Fora ela quem provocara todo esse ressentimento no filho, com suas ações de maldade impulsivas e impensadas. Mas o olhar de pavor estampado em seu rosto quando viu o garoto na porta, o modo como o “sinto muito” antes de ela fugir soou realmente sincero e arrependido… Aquilo fez com que eu amolecesse um pouco. Não importava se o que ela fez fora terrível – ela nunca, em momento algum, pretendera desapontar Henry.

— Não fale assim, Henry. Sua mãe cometeu um erro. Aposto que ela se arrepende do que fez.

Ele bufou, abaixando a cabeça outra vez. Sua expressão deixava claro que ele não apostaria muito nisso. Eu levei a mão ao seu rosto, erguendo seu queixo com a ponta dos dedos para que ele voltasse a olhar para mim.

— Bem, de qualquer forma, aquela mulher continua sendo uma vampira, e sua mãe não é a única na cidade que pode servir de lanchinho. Regina sabe se cuidar sozinha, mas nem todos os outros moradores de Storybrooke tem poderes mágicos. Precisamos fazer algo quanto a isso, pelo menos.

E então o brilho voltou aos seus olhos. Muito fraco, eu podia perceber, mas pelo menos mais permanente dessa vez. Todo o espírito de heroísmo que faltava em sua mãe biológica, a Salvadora, estava concentrado naquele garotinho. Eu gostava de sua coragem e determinação. E vê-lo ajeitando a postura na cadeira, ficando de pé em seguida, me fez sorrir de canto.

— Precisamos de um plano — ele anunciou, e eu fiquei de pé também.

— Acho que sei o que temos que fazer — eu disse, e comecei a andar para fora da cozinha.

Henry correu para me alcançar, ficando do meu lado enquanto eu caminhava.

— O que tem em mente?

— Você disse que sua mãe e Mary Margaret haviam saído, sim? Sabe se seu avô está em casa? Garanto que ele pode nos ajudar com um plano.

Ele sorriu, concordando. Aquilo me deixou feliz – não por estar a caminho de fazer alguma coisa, mas sim por ver que eu conseguira animá-lo, ao menos um pouquinho.

Ao abrir a porta do Granny’s, um vento gelado me pegou de surpresa, jogando meus cabelos para trás. Eu passei a mão em meus braços nus, tentando esquentá-los. Parecia que o dia de hoje não iria oferecer um bom clima para eu ficar zanzando por aí com meu uniforme curto e indiscreto. Mas eu não me importava muito; por ser época de lua cheia, a loba dentro de mim estava mais forte do que nunca, e isso elevava a temperatura do meu corpo em alguns graus. Eu podia aguentar o frio. Havia coisa mais importante com que se preocupar.

Eu olhei em volta, sondando a extensão da rua, e avistei Emma há alguns metros, parada com as duas mãos na cintura em frente ao capô aberto de seu fusca amarelo. Franzi a testa para Henry, e ele deu de ombros antes de disparar a minha frente, em direção a loira. Eu fui atrás.

— Emma — ele a chamou quando nos aproximávamos, e ela virou o corpo para nos ver. Parecia um tanto frustrada e irritada, mas aliviou a expressão ao ver o filho. — O que aconteceu? Você não ia sair com Mary Margaret?

— Ah, oi, Henry. Olá, Ruby — ela acrescentou, acenando com a cabeça em minha direção antes de voltar a olhar para o garoto. — Bem, Mary Margaret não quis sair de casa hoje. Ela não está… se sentindo bem. Melhor deixá-la descansando. — Ela me olhou de canto, e eu entendi imediatamente: havia algum problema com Mary Margaret. Outra coisa. Bom – eu não podia me preocupar com isso agora. Este problema (assim como todos os problemas do mundo, que pareciam estar sendo jogados nas minhas costas hoje, aparentemente) teria que esperar até que eu resolvesse o assunto mais importante. Emma continuou. — Eu iria sozinha, mas parece que essa lata velha aqui não está no clima para rodar hoje. — Emma então voltou a olhar para o fusca.

Um movimento aos seus pés captou a minha atenção, e eu olhei a tempo de ver David saindo debaixo do carro e se erguendo do chão, esfregando as mãos uma na outra. Ele as tinha sujas de graxa, mas o cabelo e as roupas estavam perfeitos como se tivesse acabado de sair de casa – ridiculamente como um príncipe encantado de contos de fada arrumaria um carro velho. A situação poderia até ser cômica, se eu estivesse em um bom dia pra rir hoje.

— Não encontrei nada, Emma — ele anunciou. — Mas eu não entendo muito do assunto. De carruagens, talvez, mas de carros… Acho melhor chamar um mecânico.

Emma sorriu de canto para o pai, e então olhou para mim. David então nos notou, Henry e eu, ali, parados.

— Oh, Ruby — ele exclamou, sorrindo. — Como está?

— Não muito bem, David — Eu torci a boca de lado. — Era com você mesmo que eu precisava falar. Emma, é bom que esteja aqui também. Tem um momento, ou o que tinha a fazer é muito urgente?

— Não muito. De qualquer forma, não vou a lugar algum enquanto aquela belezinha ali não quiser funcionar — Ela fez um movimento com a cabeça na direção do carro. Aquilo parecia mesmo estar a irritando. Mas logo ela estreitou os olhos, prestando atenção em mim. — O que houve?

Eu os expliquei toda a situação que ocorrera logo mais cedo da maneira mais sucinta e clara possível. Emma, como já havia sido informada da vampira na noite anterior, apenas ficou quieta, encarando o chão com os braços cruzados enquanto eu falava, mas David parecia surpreso além da conta. Precisei repetir a história da floresta umas três vezes para que ele absorvesse direito a notícia.

— E a ameaça que ela fez hoje de manhã — ele perguntou, pela enésima vez —, parecia mesmo séria?

— Sim, David — eu repeti, fazendo força para não revirar os olhos. — A vampira está furiosa. Não é pra menos, é claro. Regina provoca isso nas pessoas — eu acrescentei isso com um tom de voz mais razoável do que pretendia, por causa da presença de Henry ali. — Tenho certeza de que ela vai buscar revanche, e logo. A ameaça foi explícita. Sei que isso não é muito da nossa conta, mas eu simplesmente não acho certo deixar que a cidade se transforme num campo de batalha entre as duas. Precisamos intervir…

— Sim, é claro, precisamos fazer alguma coisa — ele logo concordou, balançando a cabeça. Eu podia perceber de quem Henry havia puxado o espírito de herói. Era isso o que eu estava buscando.

— Bem, eu não consegui pensar em nada melhor do que tentar falar com Regina — eu disse, suspirando. — Provavelmente não vai levar a nada, mas eu não vejo o que mais podemos fazer. Não faço ideia de onde a vampira está agora, mas mesmo se soubesse, conversar com ela nao é uma opção. É até perigoso.

— Acho que ir atrás de Regina pode ser perigoso também — David ponderou. — Ela está irritada, e tem seus poderes de volta. Além disso, pelo que conheço bem de Regina, ela não gosta de ter alguém se metendo em seus assuntos. Acho melhor pedirmos ajuda alguém – Blue Fairy, ou até mesmo Rumplestiltskin.

— Não — Emma se mexeu, descruzando os braços e assumindo uma pose mais altiva. — Ruby e eu vamos até a casa de Regina tentar descobrir algo mais dessa história. Você pode falar com Gold e Blue sozinho, David. Nos encontramos em uma hora no Granny’s?

Ela perguntou para o pai, mas não esperou a resposta, até porque ela provavelmente sabia que ele protestaria contra a ideia. De fato ele abriu a boca pra dizer algo, mas ela já estava me puxando pelo braço enquanto se afastava. Eu tropecei atrás dela para acompanhar seus passos, e virei a cabeça para lançar um olhar resignado para David. Dei de ombros como se pedisse desculpas, mas eu queria mesmo fazer o que Emma queria. Por alguma razão, eu queria confrontar Regina, mesmo sabendo que isso não seria útil.

— E eu? — Escutei Henry gritando atrás.

— Você fica! — Emma e eu exclamamos quase ao mesmo tempo, e eu lancei um sorriso culpado enquanto andava, pedindo desculpas por tê-lo deixado de fora da ação. Vi David pousar a mão no ombro do neto, tentando consolá-lo. Ele estava outra vez chateado, mas agora eu não podia fazer nada. Seria arriscado levar Henry para um confronto com Regina.

Acertei o passo ao lado de Emma, e ela soltou meu pulso, andando em um passo apressado enquanto eu a acompanhava. Seria uma caminhada longa até a mansão da prefeita, então eu ofereci meu carro. Ela parecia orgulhosa quando o assunto era andar em outro carro que não fosse seu fusquinha, mas agora não havia opção. Corremos para o estacionamento, e diferente da noite passada, dessa vez eu não precisei abrir a porta do carona para minha convidada, que entrou e bateu a porta sem cerimônia. Enquanto eu dirigia, nós conversávamos sobre um possível plano.

— O que vamos fazer ao chegar lá? Simplesmente bater na porta e perguntar como ela está?

— Não parece mesmo uma boa ideia — ela me respondeu meu comentário sarcástico, suspirando. — Eu não sei. Só sei que eu quero falar algumas coisas a ela. É inadmissível que Henry tenha visto o que viu. Ela vai me escutar.

— Emma — foi a minha vez de suspirar, revirando os olhos. — Brigar não vai resolver nada. Acha que ela vai escutar tranquilamente um sermão seu? Com ceerteza ela vai apenas fechar a porta na sua cara, debochando. Deixe a briguinha de vocês pra depois. Tenhos assuntos sérios a tratar.

Ela franziu o cenho, contrariada com minhas palavras, mas não disse nada. Dei graças a Deus por não ter chegado a ponto de provocar sua teimosia. Ficamos em silêncio por algum tempo, antes de eu falar outra vez.

— De qualquer forma, acho bastante improvável que ela tenha voltado para casa depois de sair da lanchonete. Ela estava muito abalada.

—Sei exatamente onde ela pode estar — ela disse olhando para fora da janela, já tirando o cinto de segurança. — Pare aqui.

Eu estreitei os olhos, curiosa, mas encostei no meio fio. Saí do carro ao mesmo tempo que Emma, e só quando batia a porta do carro percebi que ela tinha razão. Coincidentemente estávamos em frente ao cemitério de Sorybrooke. A Xerife correu para atravessar o portal de entrada e eu fui atrás, sabendo exatamente para onde ir. Logo pudemos avistar a construção ao longe.

O mausoléu da família de Regina Mills era o maior e o mais imponente do lugar. Tinha uma aparência macabra, digna dos segredos que escondia em seu interior. Enquanto nos aproximávamos correndo, cheguei a pensar que seria um tanto difícil e bastante arriscado tentar entrar a força no lugar, eu tinha certeza de que, se Regina estivesse ali, não iria sair apenas com um chamado nosso. Mas, para minha surpresa – e nossa sorte –, ao mesmo tempo em que parávamos em frente à entrada do mausoléu, Regina atravessava as portas, olhando diretamente para mim, parecendo já saber que eu estava chegando. Mas ela parou de súbito ao ver Emma Swan ao meu lado.

— O que faz aqui? — Apesar de impontente e profundamente irritada, sua voz estava grave, diferente. Mas não acho que Emma percebeu.

— Precisamos conversar, Regina — ela começou, mas a mulher a interrompeu na mesma hora.

— Não tenho assunto algum a tratar com você, srta. Swan. Não sei o que a faz pensar que tenho.

— Não mesmo? — A loira levantou as sobrancelhas. — Pois eu acho que tem, sim, e garanto que meus motivos pra pensar assim são muito bons. O que aconteceu no Granny’s hoje, Regina? O que foi aquilo?

— Nada que seja da sua conta — ela cortou outra vez. Eu podia sentir Emma se mexer ao meu lado, incomodada. — Não perca seu tempo, Xerife. Não temos nada para conversar. Volte para a delegacia e para o trabalho que é pertinente a você.

— Eu não vou a lugar algum — Eu já podia perceber o tom de voz da loira se alterando minimamente. Tentei lançar-lhe um olhar de alerta, mas ela estava ocupada demais fuzilando Regina com os olhos. — O que fez atingiu o meu filho. E além disso, como ressaltou, eu sou a Xerife, e o meu trabalho é investigar assuntos que possam vir a ser um perigo para a população da cidade. Estou fazendo o meu trabalho, como deseja.

Regina provavelmente tinha uma resposta afiada na ponta da língua, mas a menção de Henry a fez arregalar os olhos e engolir em seco. Seu olhar dançou de Emma para o meu rosto, e eu podia sentir, mais do que ver, a culpa em sua expressão, corroendo-a por dentro. A culpa deveria ser mesmo gigantesca, já que ela não falou nada nem mesmo quando Emma monopolizou o filho na frase.

— Regina — eu chamei, quando o silêncio se estendeu por alguns segundos, em um tom muito mais razoável do que o da Xerife. — Precisamos mesmo conversar. A vampira pode ser um assunto só seu no momento, mas não vai demorar muito até que se torne um problema da cidade toda. Você sabe disso, não sabe?

Ela me encarou, e eu não pude deixar de encará-la de volta. Assim como sua voz, havia algo diferente também em sua expressão, algo que eu não conseguia identificar. Pensei que aquilo que eu via só poderia ser definido como uma pitada de desespero, que aumentava o tamanho de seus olhos enquanto ela olhava para mim.

— Tudo bem — ela concordou finalmente, numa voz baixa que eu pensei ter escutado tremer um pouquinho. — Eu queria mesmo falar com você, Ruby. — Ela acrescentou, me pegando de surpresa. — Mas apenas com você. E você, srta. Swan, volte para casa. Já disse que não tenho assuntos com você.

Emma parecia infinitamente indignada enquanto olhava para mim, mas eu só pude encolher os ombros. Sinceramente, estava me sentindo pressionada entre essa briga de dois gênios tão fortes. Eu não podia tomar o lado de ninguém – ou melhor, se fosse mesmo necessário tomar um lado, eu provavelmente escolheria o de Emma, mas no momento, eu não tinha escolha a não ser me afastar dela, em direção a Regina. Afinal, não fora para isso mesmo que tinhamos vindo até aqui? Conversar com Regina?

— Tudo bem, Em, nós nos encontramos no Granny’s em uma hora, como combinado. — Eu podia sentir a irritação dela de longe, mas não podia fazer nada quanto a isso. Aliás, nem queria. Tê-la durante a conversa só iria deixar as coisas mais tensas. Eu não podia perder o foco com brigas e provocações idiotas entre as duas.

— Por aqui, srta. Lucas. — Regina já estava voltando para dentro do mausoléu, e tudo o que eu podia fazer era acompanhá-la.

Dei de ombros pedindo desculpas à Emma (eu estava pedindo desculpas demais para o meu gosto hoje, quando não tinha feito nada) e me virei, seguindo a prefeita. Eu não fazia ideia do porquê ela já estar querendo conversar comigo antes, e estava ainda muito surpresa com isso. Mas botei a usual máscara de frieza no rosto, disfarçando qualquer sentimento, me preparando psicologicamente para essa conversa que não prometia ser leve e descontraída.

Notas finais
Comentem pra eu saber se estão gostando, gente :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.