Broken Lines
50 Capítulo 50
Notas iniciais
Quase cinco meses haviam se passado.
Nico continuava em um estado de coma profundo, eu ficava com ele diariamente trocando de lugar somente com Louis, acho quer era o único que eu tinha algum tipo de confiança em dado momento. Já nós aproximávamos da troca de acompanhantes e depois de mais dois minutos Louis entra no quarto.
–Hey Percy como você está?- disse para min com a intenção de me alegrar mais de nada adiantava.
–O mesmo de sempre. Vou pra casa agora e você já sabe, qualquer emergência, qualquer coisa que você precisar, ligue para o meu celular que eu virei. Ele fica ligado o dia todo. – peguei meu casaco enquanto saia do quarto de nico.
Passei pelos corredores do hospital, vendo pessoas na mesma situação que a minha. Alguém importante em sua vida estava enfermo, ou até mesmo com os dias contados, mas nenhuma deles deixava de ter esperanças, acreditando que tudo ia terminar bem, mas nem sempre isso acontece.
Fui para o estacionamento do hospital e destravei as portas do carro com o controle do alarme, dei partida no carro e arranquei. Tomei as ruas e novamente meus olhos se encheram de lágrimas, talvez de insatisfação por não ter feito mais, ou culpa por ter colocado Nico no centro disso tudo. A culpa me corroía como ácido.
Dirigi até a praia, precisava tomar um ar e espairecer minha cabeça novamente. Toda vez era a mesma coisa. Depois de estacionar o carro desci do mesmo e tirei meus sapatos indo em direção a praia, senti a areia gelada sobre a sola dos meus pés, caminhei sobre a mesma até chegar na areia molhada e finalmente sentei.
Senti o vento batendo em meu rosto, o cheiro de maresia, minha vida estava um verdadeiro inferno, a sensação de que nada daria certo estava me correndo a cada segundo, tudo o que eu mais presava haviam tirado de min, e isso estava me matando.
Logo as lágrimas já haviam transbordado de meus olhos escorrendo por minhas faces enquanto o vento bagunçava meu cabelo e me acolhia de alguma forma, sabia que tinha que me manter forte pelo Nico, afinal de contas tudo que aconteceu com ele foi minha culpa. Não deixaria que mais nada machucasse meu namorado, que nada mais o afetasse. Eu seria o seu escudo a partir de agora, eu seria seu porto seguro, eu o amaria como ninguém mais o amaria.
Depois de algumas horas na praia escuto o barulho do carro estacionando, olho para trás e vejo o carro do meu pai e o mesmo desembarcando e vindo em minha direção. Meu pai me conhecia melhor que os outros e sabia o que falar e quando falar.
Ele se aproximou de min e sentou-se do meu lado.
–Quer conversar? – disse olhando pra min.
–Eu acho que realmente preciso disso, não é?- as lágrimas ainda lavaram meu rosto enquanto meu pai me olhava.
–Eu tenho certeza que você precisa conversar. – disse meu pai me abraçando de lado.
–E se tudo que aconteceu com o Nico foi porque eu me aproximei dele pai? E se tudo isso é culpa minha? – disse chorando ainda mais enquanto meu pai me abraçava mais forte.
–Percy, uma coisa que devemos aprender nessa longa estrada da vida é que nada acontece porque a gente quer, nada disso aconteceu porque você se aproximou dele tudo isso é culpa dos pais da sua ex-namorada com distúrbios mentais sérios e que nunca foram tratados por conta do orgulho de seus pais. Então pare de achar que a culpa é sua, sei que o Nico está lutando pra voltar pra você da mesma forma que vocês está se esforçando para cuidar o máximo dele, tenho certeza que se vocês pudessem escolher entre estar juntos e passar por isso tudo ou nunca estar juntos e brigando, aposto que aconteceria mais um acidente. – riu fazendo-me acompanha-lo.
–Sabe pai, às vezes é tudo tão confuso, nós não sabemos o que queremos da nossa vida, bem nós não, eu porque você é a pessoa mais centrada que eu conheço. – ri enquanto eu limpava minhas lágrimas.
–Vou te contar uma coisa mas se você contar para alguém eu arranco seu pinto, tá me ouvindo? – disse meu pai rindo.
–Tudo bem.
–Não sou a pessoa mais centrada que você conhece acredite, até eu conhecer Sally eu era a pessoa mais retardada do mundo.
–A pai não me vem com essa. – disse olhando pra ele assustado.
–Pra você ter noção, já tive cinco namorados no meu colegial, fora as dezoito garotas que eu namorei, então não. – Olhei para meu pai assustado.
–Pai! Você era a pessoa mais hetero que eu conheço, ou conhecia!
–E quem disse que você me conhecia?! – ralhou comigo.
–Não sabia desse seu lado. Enfim, preciso ir embora, tenho que descansar, amanhã eu vou ficar dois turnos com o nico, Louis não vai poder ir. – disse me levantando já apressado.
–Amanhã você só fica meio período. – disse meu pai sério.
–Não posso pai, quem vai ficar com nico? – perguntei sério.
–Pelo que eu saiba ele de alguma forma também é meu filho, eu fico com ele e você descansa, você anda muito sobre carregado.
–Bem, obrigado.
Levantei da areia limpando minha calça, entrei no carro e segui para casa. Ao adentrar a grande porta encontrei Thalia e Luke no sofá e minha mãe veio da cozinha, limpando suas mãos em um pano de prato.
–Percy, alguma novidade? – disse Thalia me olhando pesarosa.
–A mesma coisa de sempre. – disse olhando para eles. – alguma novidade?
– Eu e Luke vamos nos casar assim que nico sair do coma. – disse Thalia sorrindo
–Bem, parabéns. – puxei Thalia e a abracei. – me desculpe, eu fico feliz por vocês mas eu não estou no clima sabe? – perguntei e Thalia assentiu.
–Tudo bem, eu te entendo. – sorriu.
–Boa noite, mãe. – segui até sally e a abracei fortemente como eu fazia todos os dias.
–Boa noite meu querido, tome um banho e desça que eu estou preparando um jantar. – disse sorrindo
–Muito obrigado.
Subi as escadas e entrei em meu quarto querendo somente descansar.
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