Broken Lines
8 Capítulo-8
Notas iniciais
Acordei suado, estava quente ali. Me levantei já tirando o pijama, o jogando em cima da cama e indo para o banheiro. Tomei um banho gelado e fiz minha higiene matinal me sentindo mais relaxado quando acabei. Desci as escadas calmamente e quando cheguei à cozinha Thalia estava com uma garrafa d’água na mão vestindo uma camisola larga e preta sentada na mesa.
– Bom dia?! – Perguntei incerto, eu sempre sou o primeiro a levantar e me surpreendi ao vê-la.
– Ah, Nico, Bom dia campeão... — Ela forçou um sorriso, parecia cansada.
– Algo errado? — Fui para a geladeira pegando a jarra de suco de laranja, servindo para mim e oferecendo a ela que negou com um aceno.
– Pesadelos... – Suspirou, sentei de frente para ela. – Odeio pesadelos.
– Acho que ninguém gosta não é? – Sorri de lado e ela balançou a cabeça negativamente.
– To com uma sensação estranha Nico... Como se algo ruim fosse acontecer.
– Você teve um pesadelo, isso é normal.
– Não sei, é estranho. — Ela suspirou de novo e se levantou. – Acho que vou ficar no meu quarto até a hora do café.
Acenei positivamente e ela bagunçou meu cabelo ao passar por mim indo em direção as escadas. Olhei meu copo de suco. Não estava com fome e ver Thalia assim me fez ficar preocupado. Fiquei perdido e desligado do mundo até que a empregada entrou na cozinha e me cumprimentou, acenei com a cabeça para ela e sai de lá me jogando no sofá da sala. Tinha um Ipod em cima da mesa de centro o peguei e passei a ouvir e explorar as músicas ali. Não sabia de quem era, mas essa pessoa tem bom gosto. Fiquei ouvindo de olhos fechados até Thalia acariciar meu rosto e me chamar para tomar café.
– Então Nico... – Perguntou ela depois. — Está gostando da nossa família?
Ela se sentou na cabeceira da mesa me sentei ao seu lado.
– Sim.- Me senti corar e encarei meus ovos mexidos. – Vocês foram muito gentis comigo, eu realmente me sinto grato.
– Que bom que se sente assim, mas não seja grato, somos sua família agora. É nossa obrigação te tratar bem! – Disse ele sorrindo, concordei com a cabeça.
– Mesmo assim... Obrigado por tudo. – Ela sorriu docemente para mim e apertou meu ombro.
– Que dor de cabeça infernal! – Ouvi a voz de Percy atrás de mim e senti meu coração palpitar, mas me controlei para não deixar transparecer nada.
– Bom dia para você também, cabeça de alga. — Disse Thalia revirando os olhos.
– Um bom dia geral. – Disse ele se sentando do outro lado da mesa na minha frente. – Cara, não me lembro direito de quase nada de ontem, alguém sabe o que aconteceu? – Senti um alivio percorrer minha espinha.
– Eu ia te perguntar isso agora Peseus! – Falou Thalia séria.
– Eu me lembro que sai ontem com a Annie, fomos a uma festa. – Ele apertou as têmporas.
– Você saiu sem minha permissão? — Questionou ela.
– Não é como se você mandasse em mim certo? Fora que você também saiu, não podia me impedir.
– Percy!
– Mas o que eu não entendo, é por que eu acordei pelado... – Thalia fez uma careta, eu só assistia.
– Informação de mais irmãozinho.
Eu ri e Percy olhou para mim, parecia notar agora que era eu ali.
– Nico. — Disse meu nome e senti meu coração disparar, mas fora isso estava controlado.
– O que? – Respondi abocanhando minha comida dando pouca atenção a ele.
Ele estudou meu rosto com curiosidade e depois suspirou.
– Não te dão comida direito na sua tigelinha? Porque por ser o bichinho de estimação de Thalia, não deveria ser tão desnutrido e pálido.
– Fazer o que? Mas vejo que a lavagem que você come esta fazendo um bom efeito, já podemos te assar no ano novo.
Thalia riu e ele continuou a me encarar.
– Ta me chamando de Porco? – Disse sorrindo como se me desafiasse a repetir. Sorri também aceitando.
– Na verdade te chamei de porco e gordo, mas se entendeu metade da ofensa já é um progresso para seu cérebro deficiente.
– Seu... — Disse batendo a mão na mesa e se levantando.
Thalia jogou um pão na cabeça dele rindo.
– Senta aí que você perdeu. – Ele sentou emburrado e passou a comer as panquecas azuis.
– Ainda come comida colorida? – Eu disse debochado.
– Qual o problema com isso? — Falou levantando uma sobrancelha.
– Bem, geralmente as pessoas param de comer coisas assim quando crescem. Não, espera. Sua mentalidade é de alguém de cinco anos não é?
– Pelo menos eu sempre tive alguém para fazer algo assim para mim. E você Nico? Já comeu alguma coisa preparada só para você por que sabem que é seu favorito? Acho que não né? Afinal, pelo que parece, ninguém te agüentou por muito tempo. – Disse ele calmamente, cortando lentamente a massa e sorrindo vitorioso.
Meu coração se apertou e senti meus olhos marejarem.
– Percy, você foi longe demais. — Disse Thalia séria e me olhando com preocupação.
– Eu já estou cansado desse cara. Tô cansado de ele ficar dizendo essas coisas de mim. — Um ódio enorme cresceu em meu peito, assim como raiva.
– Agora você vai chorar? – Ele riu de mim. — Não é a toa que sempre te devolvem, é um bebe chorão que...
Ele não terminou a frase, pois joguei o meu suco em sua cara.
– Ora seu...
– Gente! – Gritou Thalia nervosa.
Percy pegou seu café e jogou em mim, estava fervendo, gritei de dor e joguei o suco no lugar para aliviar. Olhei para Percy com ódio e ele ria. Peguei o prato e joguei nele, ele desviou, mas foi acertado pela xícara que eu lancei em seguida. Ela bateu em sua testa, mas só se quebrou quando tocou o chão. Thalia tinha as mãos no cabelo e olhava horrorizada para nós. Percy deu a volta na mesa e agarrou meus braços, me puxou para cima fazendo seu rosto ficar perto do meu. Podia sentir sua respiração em meu rosto, tive que ficar nas pontas dos pés para não desequilibrar caso ele me soltasse de uma vez.
– Quem você pensa que é? – Disse entre dentes apertando mais meu braço, coloquei minhas mãos em seu peito tentando empurrá-lo. – Você está me irritando pirralho.
– Digo o mesmo seu babaca!
Dei uma joelhada entre suas pernas e ele me largou na hora, caindo de joelhos. Chutei sua barriga e ele arfou, mas me deu uma rasteira que me faz cair, ele girou ficando por cima de mim, sua expressão era de dor.
– Sai de cima de mim! – ele sorriu como na noite passada e pressionou seu joelho contra meu membro, senti meu rosto corar.
– Percy pare! – Gritou Thalia, mas ele não o fez, ele me encarava como um animal.
Pressionou mais seu joelho e me contorci debaixo dele tentando empurrá-lo, mas ele prendeu meus braços ao lado do meu corpo com as mãos.
– Você não vai fugir de mim Nico.
Senti um arrepio frio passar por meu corpo, Thalia gritou mais uma vez para que ele me soltasse e dessa vez ele obedeceu. Quando ele se levantou ela me ajudou, e. Ele deu as costas para nós e caminhou rumo as escadas. Corria em direção a ele e chutei suas costas, ele caiu no chão e eu o prendi ali ficando de quatro por cima dele, virei seu braço para trás e o fiz girar ficando de frente para mim. Thalia continuava gritando, mas agora o meu nome. Prendi as mãos de Percy acima de sua cabeça e seu quadril entre minhas pernas, prensei o outro braço em seu pescoço o enforcando.
– Não. Se. Meta. Comigo. Perseu. – Falei entre dentes e ele sorriu como se eu tivesse acabado de lhe fazer um desafio.
Senti mãos fortes segurarem meus ombros, os empregados estavam nos separando e segurando.
– Meninos... – Thalia nos olhava assustada e com raiva. Tinha certeza que iríamos ouvir muito.
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