Broken Inside
1 Running Away - Prólogo
Notas iniciais
Fic nova, meus amores. Espero que minhas leitoras de BTR possam voltar *-* Simbora conhecer essa história com o ponto de vista do nosso Jay.
A dose de café não aliviava em nada meu sono. Havia passado a noite acordado tentando encontrar uma saída para o problema existente. Ir embora nunca foi uma escolha, mas até mesmo quando não escolhemos entre uma opção e outra, estamos optando por ficar do jeito que está. Olhei pela janela observando o tempo frio e levantei da mesa, não teria outra alternativa.
- Suas malas estão prontas? — Perguntei para a terna garotinha à minha frente. Seu rosto angelical, os olhos castanhos me encarando e os cabelos cor de mel em meio a algumas mechas mais claras faziam dela uma perfeita reencarnação de um anjo. Eu poderia jurar por Deus que aquele era o melhor presente da minha vida e, por sorte, podia chamá-la de filha.- Foi você quem arrumou, papai. — Ela respondera fazendo uma careta e logo após encheu a colher com cereais e leite. Nunca entendi o que faz uma criança se interessar por esse tipo de café da manhã. Talvez seja a maneira como as embalagens sempre trazem desenhos gentis encarando-as com olhos pidões e, claro, as propagandas prometendo energia para todo o dia. - É, é verdade. — Murmurei para mim mesmo - Ainda não sei porque estamos indo para um lugar tão longe. Califórnia? Nós estamos no Kentucky e a professora disse que são lados bem distantes no mapa. - Você disse a alguém para onde estamos indo? — Interroguei devidamente preocupado- Eu juro que não — Ela fez uma figa e em seguida beijou os dedos — Se eu tiver contado para alguém pode trocar meu nome de Audrey para qualquer um bem feio. Audrey, “aquela que é nobre e forte”, exatamente todos os valores que desejei para minha filha desde quando soube que ela era apenas um pequeno feto a crescer no ventre de Celine, minha antiga esposa. - A minha amiga Kate me perguntou se vamos morar em Los Angeles. - O que? — Fugi de meus pensamentos — Você disse que íamos para Califórnia? — Refiz a pergunta- Não. É que ela sonha em ir a Los Angeles, só isso. Poxa, pai, eu não contei. - Você sabe que o papai não pode dizer pra onde vai, não é? Só o tio Logan sabe. - Isso porque ele é seu melhor amigo, eu sei. — Audrey revirou os olhos, nem parecia ter 9 anos diante de seu comportamento por vezes maduro. - Isso mesmo. Mas, quer saber, aposto que vai gostar do Condado de Sacramento. - Tem nome de cidade pequena. - Não é não, você verá. - Tudo bem né! — Resmungou - E ai? Quem tá pronto para se mudar? — Logan abriu a porta, nos dando um susto filho da puta. - Cara, não faz isso de novo. - Quem achou que viria aqui? A polícia? Ele havia ironizado, mas meu coração bateu em um compasso desesperado com a hipótese. - Cala essa boca — Respondi erguendo o indicador em um tom de ameaça e meu melhor amigo apenas riu. - Vou ajudar vocês a pegarem as malas — Se prontificou - Beleza. Audrey, pode pegar algumas das suas coisas enquanto converso com o tio Logan? Minha filha assentiu e subiu as escadas até seu quarto. Esperei alguns minutos e iniciei o assunto em tom baixo: - Obrigado pela carona, cara. Sério, não sei o que faria sem a sua ajuda. - Não se preocupe, amigos são para isso né? Tem certeza que não quer que eu os leve até lá?- Melhor não, isso pode levantar algumas suspeitas. Só de nos deixar na rodoviária de Minnesota já está ótimo. - De lá pretende ir para onde?- Vou com Audrey até Colorado, Idaho e, por fim, Califórnia. - Vai dar uma volta ao mundo. - Eu sei, mas é a melhor maneira de despistar. - Quando estiver em Sacramento, me avise. - Darei um jeito de te manter informado. Tateei os bolsos dos meus jeans até encontrar a chave do meu Toyota. A estiquei até Logan que pareceu devidamente confuso. - Ok, que diabos é isso?- Quero que fique com meu carro. Não posso mudar de estado com ele, vão rastrear a placa e será como pintar um alvo vermelho na minha testa. Pode deixá-lo na garagem ou andar por ai, vai ser bom para que pensem que ainda estou na cidade. - Pode deixar, irmão.- Papai! — Audrey me chamou, fazendo com que Logan guardasse as chaves que pegara depressa da minha mão.- O que foi, princesa?- Não estou achando minha barbie favorita. Onde está?- Vai lá, paizão, encontra a barbie da filha. Logan brincou ao me ver exercer um papel tão incomum dos que pensávamos quando eramos duas crianças. Eu sentiria falta de tê-lo por perto, mas sabia que se não me mudasse de Kentucky imediatamente estaria arriscando demais. Eu e Audrey teríamos que reconstruir nossa vida antes que ela me perdesse.
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