Broken Inside
4 First Sight
Notas iniciais
CARAMBAAAAAA, VOCÊS ME RECOMENDARAM MESMO?! Ah cara, é por isso que amo vocês todas. Muito obrigada, meninas!
SOFIA POV:
Eu estava apreensiva, já havia me balançado de um lado para o outro enquanto observava a sala ir se enchendo gradativamente. Vivian estava ao meu lado com um sorriso no rosto cumprimentando uma ou duas meninas que chegavam como se fossem intimas há anos. Ela tinha essa facilidade em ser comunicativa de um jeito tão sutil que paulatinamente lhe convence que são irmãs gêmeas separadas na maternidade.Esperei que a aula começasse até que dois homens invadiram o espaço. Sim, invadiram. Algumas pessoas tem esse dom de entrar em um cômodo e atrair a atenção geral. Um deles era mais baixo, moreno, mantinha os cabelos curtos e braços que aparentavam ser tão duros como rocha. O segundo, mais fechado, calculo ter por volta de 1,80m, os olhos alternavam em uma eterna batalha entre mel e verde, suas costas eram largas e a postura dava a impressão de mistério evidente. Ele aproximou-se e a forma como se locomovia atraia olhares do seu mais novo fã clube feminino. Indo de uma a uma, o desconhecido cumprimentou cada tiete. Eu, obviamente a última, mantinha-me calada até ver sua anatomia diante de mim.– Boa tarde — Pronunciou-se estendendo a mão. Eu a toquei mas, ao contrário das minhas expectativas, o contato foi vazio e fraco. Poderia até ousar dizer que havia um certo desinteresse e isso me causou uma certa decepção cuja qual não sabia explicar a razão.– Boa tarde — Respondi soltando sua mão em seguidaO rapaz se afastou e eu esperei que ele se posicionasse junto com os alunos. No entanto, para meu desespero, o vi dar alguns passos a frente assumindo a classe.– Pessoal, um minuto de atenção, por favor. Quero que dêem as boas vindas ao mais novo instrutor de vocês: Jay. — O mais baixo apresentou o pseudo simpático e eu quase ouvi um coro de anjos ao redor, tamanha a bajulação das moças.– Ele não é incrivelmente lindo? — Vivian sussurrou ao meu lado. Eu nem precisava olhar seus olhos para ver que brilhavam mais do que luzes natalinas enfeitando uma casa.– Hum? Quem? – Como quem? ELE! — Apontou enquanto respondia como se fosse óbvio– O tal do Jay?– Não, menina, o Carlos. "Ah, então esse era o nome do outro", pensei. – Hm, é bem seu tipo, na verdade. – Bem meu tipo? Muito meu tipo, né. — Ela corrigiu dando uma piscadela– Vamos começar com um alongamento — Jay sugeriu Estiquei meu corpo o máximo que pude. escoço, braços, pernas, quadris, coluna... Por sorte sorte — ou boa genética, vá saber! — nunca tive problemas nesse aspecto. – Muito bom — Jay elogiou aproximando-se enquanto eu encostava a cabeça no joelho esquerdo com perfeição.– Obrigada — Respondi educadamente – Já fez balé? — Fiz uma careta com a pergunta. Jura? Mais um?– Não, não é bem minha praia. – Troquem o lado. — Instruiu em voz alta finalizando nossa pequena conversa.Conclui a primeira fase sem dificuldades e, para o meu azar, a próxima seria meu pior pesadelo: aeróbica. Carlos assumiu essa parte e eu percebi que se Jay tinha pegado leve, o baixinho não ia facilitar minha vida. Começamos com polichinelos e outros tipos de exercícios que fizeram meu coração se sentir em um ensaio de escola de samba brasileira. Porra! Quando acreditei que não havia como ficar mais cansada, ele sugeriu uma corrida. Sugeriu? Ah, perdoe-me, vou corrigir: mandou mesmo. Tivemos que correr por minutos que pareciam infinitos e não era apenas isso. A corrida incluia elevar os joelhos, tornozelos, dar socos a frente e tudo mais. Eu, que nem sabia ainda como socar, me sentia uma galeza saltitante. As vezes parecia que quanto mais exercícios eram feitos, mais meu corpo chegava em sua reserva de energia. É, eu estava no meu limite e, o pior, estava sob os olhares atentos daquelas jóias cor-de-burro-quando-foge. Jay parecia acompanhar cada movimento meu e eu não sabia se isso me constrangia ou se ele estava apenas percebendo o quanto eu era um peixe fora d'agua. – Ok, gente, vocês podem ir desacelerando aos poucos e podem beber água. Corri até uma garrafinha que já havia trazido e devorei como se tivesse caminhado pelo deserto sob um sol de cinquenta e poucos graus. Porra, meus batimentos cardíacos estavam muito acelerados. – Trouxeram a bandage?Ah sim, o negócio que comprei hoje cedo. As alunas pegaram e começaram a envolver o pulso com tamanha facilidade. Mas o que? Como fazia aquilo?– Precisa de ajuda? — Jay ofereceu– Uhum, eu não tenho a menor ideia de como fazer isso. – Nunca precisou enfaixar a mão?– Não, acho que tive essa sorte — Brinquei – Sorte mesmo, já perdi as contas de quantas vezes abri o pulso. Onde está sua bandage?Abri minha bolsa e as retirei. Ainda estavam na embalagem da loja, limpinhas e de um tom de rosa que combinava com o top que eu usava. – Rosa? — O instrutor ergueu uma sobrancelha caçoando – Incomoda? — Rebati sem medo– De maneira alguma, Barbie. Dê-me aqui, por favor. As entreguei para ele de mau humor. Quem esse cara pensa que é para me chamar assim? Ele as desenrolou até ficar uma faixa estendida e, com tamanha delicadeza, pegou minha mão direita. Seu toque agora já não era tão fraco quanto antes e enquanto enrolava o tecido em meu punho pude perceber o quanto suas mãos eram belas. Eu sei, eu sei. Talvez eu seja a única mulher no mundo que repara nas mãos de um homem, mas será que nunca teve curiosidade em imaginar como seria deslizar uma aliança pelos dedos perfeitos de alguém cuja mão terá um encaixe exato com a sua? Pode parecer um pouco romântico demais, mas gosto dessa ideia e a mão de Jay era o tipo que merecia uma aliança, sem dúvidas. Suas mãos eram grandes, largas e eu podia perceber algumas veias altas sob a pele levemente bronzeada. Segui minha observação e percebi que os traços em alto relevo seguiam por seus braços torneados. Tive vontade de percorrê-los, todavia, afastei o pensamento o mais rápido possível. Notei um anel prata e grosso no terceiro dedo de sua mão direita, um adereço que o deixava charmoso, e para meu azar, havia uma marca de sol em sua mão esquerda indicando que havia uma aliança ali que ficara como tatuagem em sua pele. Merda, ele era casado.
– Está bom assim? — Perguntou enquanto terminava ambas minhas mãos. – Não.– Não está?– O que? Desculpe, estava distraida. O que disse?– Está muito apertado?– Não, está ótimo. Muito obrigada. Jay se afastou e percebi que o resto da classe nos olhava. Algumas das alunas me fuzilavam por ser a única que havia tido um primeiro contato mais próximo com seu objeto de desejo, Vivian tinha em seu rosto um sorriso de entusiasmo com a ideia e eu... Bem, eu ainda estava em um misto de sentimentos estranhos.
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