Notas iniciais
Olá! Essa é a tradução da minha fanfiction Broken Arrows! Ela será postada sempre após que o capítulo original em inglês for postado. Então com um pouco de paciência chegamos lá! Quero agradecer a minha beta reader, TheAlternativeSource, e a minha tradutora linda, Canary, my Baby Bird

Capítulo 3 — Gravity

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Something always brings me back to you.
It never takes too long.
No matter what I say or do
I'll still feel you here
'til the moment I'm gone.

You hold me without touch.
You keep me without chains.
I never wanted anything
so much than to drown in your love
and not feel your rain.

Set me free, leave me be.
I don't want to fall another moment
into your gravity.
Here I am and I stand so tall,
just the way I'm supposed to be.
But you're on to me and all over me.

Felicity podia se lembrar do dia que conheceu Oliver Queen perfeitamente. Era uma quarta-feira de manhã, o primeiro dia de uma quente primavera. As flores estavam se desabroxando e era uma caminhada agradável da estação de metrô até o prédio das Consolidações Queen. Ela trabalhava ali desde a sua graduação no MIT – o estágio que lhe fora oferecido nas férias de verão no seu último ano de faculdade foi o suficiente para fazê-la escolher entre a CQ e as Empresas Wayne. Ela sonhava em um dia trabalhar com Lucius Fox, mas a CQ tinha um programa muito melhor para o desenvolvimento de softwares e tecnologias.

Ela se lembrava de como estava sentada à sua mesa, trabalhando nos códigos que o Sr. Johnson precisava para um projeto supervisionado por Walter Steele, quando uma batida na sua parede interrompeu a sua linha de pensamento. E lá estava ele, vestido num terno cinza claro, uma grava preta e uma camisa branca. Ele sorriso e ela se lembrava de ter se arrependido de escolher se vestir com a blusa rosa, as calças pretas e as sapatilhas de panda naquele dia, algo tão comum.

– Srta. Smoak? Olá, eu sou Oliver Queen.

– É claro que eu sei quem você é, você é o sr. Queen. – Ela disse num tom nervoso, uma caneta vermelha entre os seus lábios, enquanto virava a cadeira para olhar completamente para ele. Ela devia ter se preparado; ele tinha o mais belo par de olhos azuis que ela já havia visto.

– Não. Sr. Queen é o meu pai. Você pode me chamar de Oliver. – Ele disse com um sorriso que fez borboletas voarem pelo seu estômago.

– Certo, porque o seu pai é o CEO dessa companhia, e meu chefe. Não o meu chefe por assim dizer, mas o chefe do chefe do meu chefe. Então você é o filho do chefe do chefe do meu chefe. O filho bonito que quer que eu o chame pelo seu primeiro nome e veio até o Departamento de IT para me ouvir balbuciar. – Ela divagou, parando assim que percebeu o que havia dito. – Eu não disse isso alto, não é? – Ela perguntou, sentindo as suas bochechas esquentarem enquanto ele a observava com um sorriso divertido; nenhuma gota de sarcasmo no seu rosto.

– Estou tendo alguns problemas com o meu computador. E eles me disseram que você é a pessoa certa para isso. – Ele disse, colocando seu MacBook Air sobre a escrivaninha. Seu computador era o último modelo, uma obra de arte entre os computadores com uma pequena chance de ser uma edição limitada não lançada. Provavelmente custava mais do que ela ganhava em um mês. – Eu estava num café olhando alguns contratos, quando a tela ficou escura de repente por um instante e depois apenas travou. Eu tentei de tudo para fazer funcionar, mas eu não consegui. Eu realmente não sei o que eu fiz de errado. – Ele finalizou, coçando a parte de trás da cabeça enquanto ela plugava um pequeno dispositivo na porta USB, e digitava algo no teclado. A última tela do computador dele apareceu na dela.

– Você estava usando a internet quando isso aconteceu? – Ela disse, ainda digitando.

– Eu estava procurando alguns arquivos e o meu e-mail pessoal estava aberto. Por que? – Ele perguntou, curioso sobre o porquê de ela estar fazendo essas perguntas.

– Porque eu acredito que um amigo seu acabou te enviando um vírus por acidente por alguns vídeos muito pessoais. – Ela respondeu apontando para tela onde um e-mail enviando por Tommy Merlyn estava aberto com um vídeo claramente pornográfico anexado.

– Tommy! Eu vou matar aquele idiota. Eu acabei perdendo uma apresentação por causa dele. – Ele exclamou , olhando para as telas, seu corpo atrás do dela, sua mão direita segurando as costas da cadeira.

Olhando para ele, ela disse. – E é por isso que você sempre deve separar a sua conta de e-mails pessoas da profissional.

– Tem alguma forma de você salvar o que havia no meu computador? Toda a minha existência está basicamente ali. Eu realmente apreciaria isso. – Oliver disse, parecendo sério e absolutamente fofo ao mesmo.

– Yup. – Ela assintiu antes de se virar e digitar alguns códigos no seu computador e no de Oliver. Ela realmente esperava que ele pensasse que as suas bochechas estivessem coradas por causa da pornografia, e não da sua expressão fofa. Começando a trabalhar ela destruiu o e-mail crivado de vírus, transferiu um antivírus melhor e o colocou para funcionar, ao mesmo tempo ajustou as suas configurações para que esse tipo de coisa não acontecesse mais. Afinal, só Deus sabe o quanto de pornografia caras assistem e compartilham uns com os outros. Era a maneira perfeita de compartilhar vírus, especialmente do tipo que dá acesso a sua conta bancária; algo que um homem rico como Oliver Queen poderia ter grandes problemas. Depois de alguns instantes o antivírus havia feito a sua mágica, e encontrado três cavalos de Tróia e outras infrações menores. Ela se livrou deles com mais alguns comandos, e logo o computador estava funcional outra vez. Apenas por precaução ela arrumou as configurações a fim de scannear todos os novos e-mails, assim como scanear o computador uma vez por dia. – Aqui, novinho em folha . – Ela disse desconectando o dispositivo USB e fechando o computador.

– Felicity, você é notável. – Oliver disse com um sorriso, enquanto ela lhe entregava o computador de volta.

– Obrigada por notar isso. – Ela respondeu com um sorriso.

O sorriso dele apenas aumentou. – Você salvou a minha vida, literalmente. Obrigado.

– Sem problemas. É por isso que eu estou aqui. – Ela disse brincando mais uma vez com a caneta vermelha. – Para salvar milionários e seus computadores maravilhosos.

– Vejo você por aí, srta. Smoak. – Oliver praticamente prometeu com um sorriso intenso, um que geralmente fazia as mulheres caírem aos seus pés.

E lá estavam as borboletas outra vez. – Até a próxima, sr. Queen.

Depois do seu primeiro encontro com Oliver, ele sempre encontraria uma desculpa para descer ao Departamento de TI para conversar com ela. A desculpa principal era que ele precisava da ajuda dela com o seu precioso Mac. E toda vez ela sabia que era mentia, porque Oliver Queen era o pior mentiroso que ela já conhecera. Conforme as suas ‘reuniões’ continuavam, ela descobriu que ele havia acabado de terminar seu MBA em Negócios e que agora ele havia se juntado ao seu pai como vice-presidente das Consolidações Queen, o fazendo o chefe do chefe do chefe dela ou algo assim. Se tornou um fato de que ela gostava de destacar a ele toda vez que ele tentava começar algum tipo de flerte com ela. Ela sabia muito bem a sua reputação com as garotas; a internet estava cheia de fotos dele passeando por aí com infinitas mulheres e algumas histórias sujas sobre a sua vida pessoas. Não importava o quão bonito, engraçado e interessante ele era, ela não se tornaria outra conquista de Oliver Queen.

Então eles desenvolveram um tipo estranho de amizade. Eles almoçariam jutos de vez em quando, sempre no escritório dela. Ele traria comida chinesa ou tailandesa, e eles ririam e compartilhariam histórias de vida. Ela ouvira infinitas histórias sobre a sua infância, como a sua irmã Thea e seu melhor amigo Tommy, o quanto ele queria deixar seus pais orgulhosos dele, e como ele era diferente da imagem que a mídia tentava mostrar dele. Ele adimitiu ter uma fase selvagem nos seus anos de adolescente e na faculdade, mas ele queria ser melhor. Em pouco tempo ele se tornou um de seus melhores e mais próximos amigo.

Ela lembrava perfeitamente do dia que percebeu que estava apaixonada por Oliver Queen.

Ela estava comendo o seu Tom Yum Gung, e Oliver tinha uma pequena mancha de shoyo no seu queixo; ela precisou resistir ao impulso de limpá-la de sua pele. Ela se lembrava de pensar no quão adorável ele parecia naquele momento, como ela poderia vivê-lo para sempre, ouvindo-o falar por horas e horas. A compreenção de que estava apaixonada por ele a atingiu como uma bola de demolição. Ela não poderia estar apaixonada por Oliver Queen. Ele era lindo, brilhante, um playboy, milionário, herdeiro de uma companhia bilionária e o homem mais incrível que ela já havia conhecido. Ele era tão diferente dela que ela sentia que eles eram de diferentes sistemas solares, e ela não tinha nada a oferecer a ele. Ele era um dos solteiros mais desejados de Starling City, e o tipo de home que saia com super modelos e princesas de pequenos e exóticos países, não uma especialista em TI de Nevada. Ela se lembrava de saber que precisava superar os seus sentimentos por Oliver porque ela tinha certeza que eles eram unilaterais, afinal, porque Oliver Queen gostaria de sair com ela?

No entando, Oliver a supreendeu. Um dia eles estavam andando para um dos elevadores nas Consolidações Queen – que por causa da hora estava vazio – e ele murmurou as palavras que ela queria desesperadamente ouvir mas nunca acreditou que fosse fazê-lo.

– Felicity, você gostaria de jantar comigo? – Ele perguntou a ela, sua voz tremendo enquanto ele apertava o botão do elevador. Seus olhos se ergueram e olharam para ela por alguns segundos.

– Jantar? Como em comer? Juntos? Só nós dois? Num restaurante? – Ela pergunou, ligeiramente confusa. Isso não poderia estar acontecendo. O que era?

– Sim, isso está implicito. – Ele disse com um pequeno e anda sim nervoso sorriso. Seus devaneios sempre pareciam acalmá-lo.

– Num encontro? Tipo encontro-encontro? Porque dois adultos maduros podem jantar sozinhos sem transformar isso num encontro. Não precisa ser um encontro. Pode ser apenas um jantar entre dois amigos. – Ela devaneou; perguntando outra vez, ela precisava ter certeza. Afinal, ela e Oliver já haviam comido juntos incontáveis vezes nos últimos meses. Não significava nada, significava?

– Sim, Felicity. Num encontro. – Ele disse, mais confidente agora do que parecia estar antes.

– Oh. – Ela soltou, chocada demais para dizer qualquer outra coisa.

– Isso é um não? – Oliver perguntou, seus olhos procurando os dela.

– Não! – Ela gritou, ainda chocada.

– Isso é um sim? – Ele continuou, com um sorriso preechendo seu rosto todo.

– Você tem certeza que quer ir num encontro comigo, Oliver? – Ela começar a sentir os anos de insegurança a alcançando.

Ele colocou uma mecha do seu rabo de cavalo atrás da sua orelha. – Não há nada que eu queira mais.

– Certo então, sim. Definitivamente sim – Ela disse com um pequeno sorriso.

Foi assim que tudo começou.

Ela passou horas escolhendo a roupa, maquiagem e cabelo perfeitos para seu encontro com Oliver. Ele não disse para onde ele a levaria naquele Sábado à noite, apenas para usar algo bonito. Então depois de horas e horas, ela finalmente escolher um mini-vestido cor de vinho que acabava no meio das suas coxas e tinha pequenos recortes na cintura, expondo um pouco de pele. Ela escolheu um par sandálias de salto alto pretas extremamente perigosas, e cacheou o longo cabelo loiro com a chapinha, deixando-o solto, as costas cobertas de cachos suaves. Ela também escolheu uma sombra marrom escura esfumaçada pelos olhos e lábios palidamente rosas. Não querendo se gabar, mas ela pensou que ela estava extremamente sexy.

Oliver foi um cavalheiro, a buscando com o seu Lamborghini prateado, o carro tão rebaixado que ela praticamente teve que mergulhar para dentro sem cair e se machucar. Ele estava vestido com um elegante terno azul marinho com uma camisa azul e sem gravata. Ele a trouxe flores – lisiantos rosas e brancos, suas flores favoritas – e seus olhos cintilaram quando ele a trouxe para dentro. Ele a beijou na bochecha, e sussurrou a quão bonita ela estava. Ela quase deixou escapar que ele também parecia lindo.

Ele a levou para uma parte rica da cidade, onde a maior parte das boates e dos restaurantes caros estavam localizados. Eles pararam na frente de um restaurante novo, A Miragem, onde ela não sabia exatamente qual tipo de comida era servido. Depois de entregar as chaves do carro para o manobrista, passaram pela longa fila e Oliver sorriu para a hostess que rapidamente os levou a um patio de pedras. Era uma área externa e mais reservada do restaurante, apenas com algumas mesas. As paredes de tijolo e os jardins eram lindos, misturando a natureza com mesas de jantar, criando uma atmosfera mais romântica. As cadeiras e mesas de ferro perfeitamente misturadas com as paredes cobertas de plantas. Oliver puxou a cadeira para ela, e se moveu para se sentar á sua frente. Um garçom apareceu em seguida.

– Bem vindos ao Miragem. Meu nome é Eric e eu os servirei hoje a noite. Posso sugerir um vinho com a sua refeição? – Um jovem com cabelo castanho bagunçado disse, lhes entregando os cardápios.

– Uma garrafa do seu melhor Pinot Noir, por favor. – Oliver disse, abrindo o primeiro botão do seu paletó enquanto Felicity sorria para ele.

– Já está tentando me embebedar, sr. Queen? – Ela provocou assim que o garçom saiu, fazendo Oliver rir.

– Por que? Eu deveria? – Ele provocou de volta.

– Eu acho que você está indo bem. Então... nunca ouvi desse lugar antes. Qual é a especialidade deles? – Ela perguntou, finalmente abrindo o cardápio que não tinha preços nas opções de pratos. Era um sinal de que era mais caro do que o imaginável.

– Comida do Oriente Médio. Eles abriram há algumas semanas. Um amigo meu é o dono, na verdade. – Oliver respondeu com um sorriso, enquanto o garçom voltava e servia uma taça de vinho a Oliver. Ele a provou e aceitou a garrafa. Foi um movimento sério e ao mesmo tempo sexy.

– É comida árabe? – Ela deu uma pequena risada quando ele serviu seu copo com a mesma seriedade e sensualidade. Ele ergueu uma sobracelha em resposta.

– Sim, mas eles servem todos os tipos de comida do Oriente Médio, não só árabe. – Oliver disse, observando-a rir suavemente. – Espere, merda. Eu esqueci que você era judia. Eu sou tão idiota. Me desculpe, nós podemos ir embora. – Oliver parecia a ponto de fugir do seu assento.

Felicity ergueu uma mão para impedí-lo de se levantar. – Oliver, não seja bobo. Nós vamos ficar.

Ele ainda parecia a ponto de fugir. Era cativante o quanto ele parecia se importar com ela. – Me desculpe, eu não queria te ofender.

– Você não me ofendeu. Eu sou judia e os meus pais me ensinaram a respeitar todos os tipos de cultura e religião. Eu não tenho nada contra os muçulmanos ou algo assim. Eu gosto de comida árabe. Então nós vamos ficar. – Ela disse, fazendo Oliver relaxar visivelmente e deixar escapar um suspiro de alívio.

– Bom. Eu estava morrendo para provar a comida deles. Ouvi dizer que é incrível. – Oliver disse com um pequeno sorriso.

Naquela noite eles desfrutaram de uma garrafa maravilhosa de vinho tinto caro, conversaram e riram, enquanto comiam pratos maravilhosos. A comida fora servida em uma grande bandeja com pequenos potes cheios de diferentes tipos de comida que você poderia comer com as mãos. Por causa disso Oliver acabou arruinando as suas calças sociais quando derrubou homus no seu colo. A comida era realmente incrível; uma mistura de temperos e texturas, um deleite para o paladar.

Quando Oliver a levou de volta para o seu apartamento, ele a levou até a porta. Ela se lembrava pegar as suas chaves nervosamente enquanto se movia para abrir a porta; ela estava nervosa sobre como terminar a noite. Ele deveria estar lendo a sua mente, porque a sua mão pegou a dela, virando-a para ele. Ela se virou de olhou arregalados para ele e o abservou se aproximar, um olhar de nervosismo no seu rosto antes de ele lentamente se inclinar para a frente e suavemente beijá-la. Mesmo que o beijo fosse casto, ele a fez sentir como se algo gigante houvesse acontecido, algo como uma mudança de vida. Ela nunca esqueceria aquele primeiro beijo. Fora um dos momentos mais incríveis da sua vida.

E enquanto Oliver se afastava com um fraco tchau pelo corredor, Felicity não podia evitar sorrir como uma colegial, suavemente tocando seus lábios. Se fosse um filme ele se viraria no final do corredor para olhar de volta para ela. E eis que ele fez. Ele se virou antes de alcançar a curva e sorriu acenando.

Aquela foi a noite em que ela soube que Oliver Queen poderia estar tão apaixonado por ela quanto ela estava por ele.

Levou um mês para que eles fizessem amor pela primeira vez. Para alguns isso poderia ter parecido para sempre. Eles já haviam passado muito tempo juntos, já conheciam um ao outro tão bem, mas eles queria fazer isso da forma certa. Oliver tinha medo de apressar as coisas e acabar destruindo a melhor coisa que já havia acontecido com ele. Felicity era diferente de qualquer outra mulher que ele já havia conhecido. Desde o começo do seu relacionamento ele sabia que ela era a mulher certa para ele, sua igual, e ele não arriscaria perde-la.

Então eles levaram o tempo que precisaram, lentamente conhecendo um ao outro um pouquinho melhor, tanto fisicamente quanto mentalmente.

Felicity admitiu que era muito difícil para ela não deixar as coisas chegarem mais longe, porque ela desesperadamente queria que eles o fizessem. Oliver era lindo, sexy e a fazia sentir coisas que ela nunca havia sentido antes. Ele a deixava sem ar. Mas de certa forma ela estava feliz por ele estar querendo esperar, isso a fazia sentir que ele queria muito mais dela do que apenas sexo. Não que ela não quisesse sexo; ela era uma mulher de sangue quente e sabia exatamente o que ela queria. Mas para os dois seriam mais especial se eles esperassem, porque ela sabia que significaria muito mais do que sexo casual. Qualquer um poderia ter sexo aleatório sem significado, mas levava tempo e esforço com alguém com quem você realmente se importa para se fazer amor.

Quando finalmente aconteceu, Oliver havia vindo jantar com Felicity, como ele fazia na maior parte dos finais de semana. Eles comeram a fabulosa lasanha dela, e estava assistindo um dos seriados favoritos dela – Stargate SG1 – com uma taça de vinho cada um. Para ele ela parecia maravilhosa, usando leggings justas e um moletom grande demais que deixava um de seus ombros descoberto. Oliver a explicara uma vez que isso a fazia parecer mais real, mais aberta. Sua cabeça estava descansando no peito dele, enquanto ela se deitava contra ele no sofá roxo, os braços dele envolvendo a sua cintura fina. Eles sentiam uma familiaridade um com o outro que nunca sentiram com outra pessoa. Para Oliver não era apenas porque ele nunca queria antes, mas também porque nunca se pareceu certo. Não até Felicity. Aquele momento parecia perfeito.

Ele beijou suavemente a pele nua de seu ombro, correnado a mão pelos seus lados, apreciando o quão macia a sua pele parecia sob seus dedos.

– Oliver, você está perdendo a melhor parte. – Ela estapeou seu peito distraidamente, onde ela descansava assistindo enquanto Jack O’Nel e Daniel trabalhavam juntos para proteger a Terra da invasão alienígena mais recente. – Por que você está me olhando desse jeito? – Ela perguntou, mordendo seu lábio inferior enquanto Oliver a encarava com um sorriso.

– Eu te amo. – Ele disse, suavemente correndo sua mão pelo cabelo solto dela.

Ela silenciosamente o olhou boquiaberta enquanto a batalha acontecia na TV. Seu silêncio se tornou ainda mais excruciante para Oliver quando a batalha rapidamente acabou.

Olhando-a de cima, Oliver beijou o topo da sua cabeça, sabendo instantaneamente que o silêncio dela tinha que ser de uma sobrecarga no seu cérebro devido a sua confissão. Ele correu seu nariz pela bochecha dela, aproveitando o doce aroma. – Eu te amo, Felicity. Eu amo todas as coisas sobre você. Eu amo como você sempre morde uma caneta quando está tentando resolver um problema. Eu amo como você sempre revê seus programas favoritos e filmes como se fosse pela primeira vez, mesmo que você já tenha visto um milhão de vezes antes. Eu amo como você não consegue cozinhar sem música. Eu amo como você ama dançar, mas só faz isso quando acha que as pessoas não estão olhando porque você acha que é terrível. Eu amo como você morde o seu lábio quando você está imersa em pensamentos. Eu amo tudo sobre você, srta. Smoak. Eu só te amo. Simples assim.

Seus brilhantes olhos azuis estavam cheios de emoção enquanto Oliver suavemente acariciava seu rosto com as pontas dos dedos. Ela segurou a mão dele, e ele a dela. Sua habilidade de devanear a qualquer momento parecia perdida naquele instante. Ela moveu a mão dele em direção aos lábios dela, suavemente beijando os nós dos dedos. – Eu também te amo.

Aquelas palavras eram tudo o que Oliver precisava/queria ouvir.

Ele segurou seu rosto e a beijou, sussurrando palavras carinhosas contra os seus lábios. Eles se beijaram e sorriram, felizes por terem encontrado um ao outro num mundo tão vasto. Entre mais de sete bilhões de pessoas no planeta, eles haviam encontrado uma que era perfeita para outra; que os completava em toda maneira possível.

Rapidamente mãos e lábios se perderam um no outro. Roupas desapareceram. Pele contra pele, cintilando enquanto os corpos se moviam, um contra o outro numa perfeita sincronia. Eles sussurraram palavras de amor enquanto seus corpos dançavam juntos até que ambos atingiram o doce êxtase. Quando terminaram, deitaram-se lado a lado no tapete amarelo-canário, um cobertor ao redor de seus corpos, enquanto deitavam-se encarando um ao outro.

Felicity estava escondida nos braços dele, parecendo estar a beira de adormecer. Oliver sorriu enquanto a observava, seus dedos dançando pela clavícula de Felicity, depois em seu esterno e sob o seu seio. A pele pálida como leite estava ligeiramente rosada. Ele parou de mover sua mão quando alcanção uma pequena mancha de pele escura. Se afastando um pouco ele viu que uma pequena e simples flecha repousava sob o seu seio esquerdo. Ele tocou suavemente a linha perfeita.

– O que? – Ela perguntou a ele, ainda um pouco zonza devido a mais incrível e explosiva experiência da sua vida.

– Você nunca me disse que tinha uma tatuagem. – Ele disse enquanto traçava a tinta preta.

– Oh, bem, não é algo que eu divida frequentemente. – Ela murmurou sonolentamente com um sorriso, suavemente correndo os dedos pelo cabelo loiro dele.

– Por que uma flecha? O que significa? – Oliver perguntou, ainda fascinado por isso.

– Eu não posso só gostar de tiro com arco? É um esporte, sabe? Toda aquela coisa de Robin Hood é sexy também. – Ela disse com um meio sorriso, fazendo Oliver rolar os olhos com o comentário espertinho. Ela cantarolou e o olhou dos pés a cabeça. – Você ficaria ótimo em calças verdes justinhas.

Ele soltou um pequeno riso enquanto continhava a correr seu polegar sobre a flecha; silenciosamente pedindo que ela respondesse a sua pergunta.

– Eu fiz no meu primeiro ano no MIT para que eu pudesse sempre me lembrar que eu sempre precisei trabalhar duro por todas as coisas na minha vida. Que eu não posso desistir não importa o quão difícil as coisas possam ficar. Há algum tempo eu li algo que dizia que uma flecha só pode ser atirada se puxada para trás. Quando a vida está te puxando de volta com dificuldades, significa que ela vai lhe lançar para algo ótimo; assim como uma flecha. Então apenas se foque e continue a mirar. É como quando você atinge o fundo do poço, o único lugar para o qual você pode ir é para cima. Quando a vida te puxa para trás, você só pode ir para frente sempre. E é por isso que eu fiz essa tatuagem, para que eu nunca pudesse me esquecer disso. É assim que eu vivo a minha vida.

Eles namoraram em segredo, um pedido dela, algo que ela sabia que Oliver odiava. Mas ele não conseguia entender as implicações que ser a sua namorada traria à carreira dela. Ela trabalhara muito duro para chegar ao lugar onde estava, e não era para ser chamada de namorada do Oliver, não, ela era muito mais do que isso. Ela não queria ser definida pelo homem com quem estava. Ela queria ser ela mesma e subir na companhia pelo seu próprio mérito.

Ela amava Oliver loucamente. Ela não conseguia imaginar uma vida sem ele nela. Então quando ele lhe propôs casamento quase um ano depois do seu primeiro encontro, ela sequer hesitou antes de dizer sim e saltar para os seus braços. Aquele foi um dos momentos mais felizes da sua vida.

Mas as vezes a vida não é como parece.

Ela nunca esqueceria o que estava fazendo quando ouviu pela primeira vez as notícias mais aterrorizantes e desoladoras da sua vida. Ela estava de pijama, comendo seus cereais Lucky Charms com a TV ligada; um dos seus muitos rituais de Sábado. Ela estava preocupada com Oliver desde a noite anterior quando ele prometera ligar de Perth assim que voltasse do passeio de barco com o seu pai, mas a chamada nunca veio. Ela tentou não se estressar sobre isso. Ela sabia o quão intensa as coisas poderiam ficar quando Oliver e Robert Queen estavam tratando de negócios. E ela preferia pensar que ele pegara um voo mais cedo para casa e queria surpreendê-la. Sim, era um pensamento muito melhor.

“Últimas notícias, foi confirmado que o iate do CEO das Consolidações Queen, o bilionário Robert Queen, e o seu filho, VP Oliver Queen, sumiu na noite passada no Oceano Índico. Robert e Oliver estavam numa viagem de negócios em Perth, Austrália. Equipes de busca começaram a tentar localizá-los, mas as autoridades australianas acreditam que as chances de encontrarem sobrevivente é baixa. Nós voltaremos com mais notícias sobre o iate perdido de Robert e Oliver Queen assim que liberadas.”

Em menos de um minuto, o mundo de Felicity desabou.

Ela congelou no sofá, a colher a meio caminho da sua boca. Suas pernas começaram a tremer e a tigela caiu no chão, se quebrando. Leite e cereal ensoparam o tapete amarelo-canário.

Isso simplesmente não podia ser verdade. Ela havia falado com Oliver na noite antes de ele ir a iate com seu pai. Ele prometera que eles não iriam longe e estaria de volta logo. Eles haviam começado a planejar como eles contaria a todos sobre o noivado assim que ele voltasse da Austrália. Eles começariam com Tommy. Então eles iriam aos Queen e então aos pais dela. Eles teriam que lidar com a equipe de relações públicas das Consolidações Queen para lidar com a imprensa, mas tudo se sairia perfeitamente. Tudo estava perfeito. Finalmente ela estaria exatamente onde ela queria estarem sua vida. Isso não poderia ser verdade. Era impossível.

Seu corpo todo começou a tremer e seu peito se apertou. Não, não, não. Não podia ser verdade. Não podia!

Não, a vida não poderia fazer isso com ela. O universo não poderia dar a ela toda a felicidade do mundo apenas para tomar de volta em um único segundo. Ele era tudo. Não podia ser verdade. Eles estavam errados. Não era verdade.

As lágrimas caíram nas suas bochechas enquanto o ar deixava os seus pulmões. Com as mãos em punhos, ela tentou se levantar, mas caiu sobre as mãos e joelhos com um soluço. Não era real. Não, não era.

Um soluço irrompeu dela assim que seus olhos pousaram no anel de noivado, as palavras dos jornalistas ecoando na sua mente enquanto a sua vida desfazia-se a sua volta. Não podia ser verdade. Não Oliver. Ela liberou um choro desesperado, lágrimas descendo pela sua face conforme ela começava a esmurrar o o chão coberto pelo tapete, raivosa e confusa.

‘Por que? Por que ele?’

A voz do apresentador de TV ganhou a sua atenção mais uma vez: — Mais uma vez, o iate de Robert e Oliver Queen desapareceu.

Ela chorou e chorou, até que não houvessem mais lágrimas, até que não houvesse mais nada em seu interior.

Naquela noite ela o perdera. Ela se perdera. Ela perdera tudo.

A equipe de resgate trabalhou por mais de uma semana para encontrar os escombros do iate em que Oliver e seu pai estavam. Eles não estavam mais procurando por sobreviventes, mas por corpos para enterrar. Ela não estaria escolhendo flores para o seu casamento, mas sim para um túmulo no cemitério. Um túmulo vazio com o nome do homem que ela amava, o homem com o qual iria se casar, ter filhos, e envelhecer juntos. O homem que ela havia perdido.

Três semanas depois do desaparecimento do iate, um barco de pesca encontrou parte dos destroços, encerrando com a busca. Eles nunca encontraram os corpos de Robert e Oliver. Eles disseram que a corrente marítima poderia tê-los levado para o fundo do oceano ou milhas para longe do local da batida. Eles nunca saberiam.

O funeral aconteceu na Mansão Queen, apenas para família e amigos íntimos. Eles não escolheram usar o Cemitério Starling Memorial para os túmulos de Oliver e Robert, mas sim um local nos jardins da Mansão Queen. Felicity nunca pôde escolher as flores para levar ao seu túmulo. Ela nunca pôde ver seu nome na lápide. Ela nunca pôde pranteá-lo. Ela nunca pôde dizer adeus para o amor da sua vida.

Ela nunca disse para ninguém que seu noivo havia morrido aquele dia. Ela nunca disse aos seus pais ou a familia de Oliver. Não, ela manteu o segredo deles. Uma vez ela dirigiu todo o caminho até a Mansão Queen, pronta para contar a Moira e Thea Queen que ela amava Oliver mais do que a sua própria vida; que ela morrera mil mortes desde o dia que ouvira a notícia que ele sumira na Austrália. Mas ela nunca completou o percurso. Ela não conseguiria aguentar o olhar em seus rostos. Ela não conseguiria aguentar a verdade, que ela nunca o conseguiria de volta. Que ela o perdera para sempre.

Conforme as semanas e meses se passaram, ela continuou vivendo uma vida vazia; uma parte dela morrera ao lado de Oliver naquele barco, uma parte que ela nunca conseguiria de volta. Ela continuou a trabalhar e eventualmente conseguiu a sonhada promoção que queria tão desesperadamente, aquela que havia dito a Oliver que era tudo o que precisavam para ser capazes de contar ao mundo sobre eles. O quão tola ela havia sido.

Ela se focou no seu trabalho, vivendo dia e noite nas Consolidações Queen. Seu trabalho era a única coisa que ainda a fazia se levantar da cama toda manhã. Até mesmo ela podia admitir que estava depressiva, que ela não estava vivendo, apenas existindo. Ela cmeçou a se tornar apenas a sombra da brilhante jovem que um dia fora. Aquela pela qual Oliver se apaixonara.

Todo ano no aniversário da morte dele, ela dirigiria até a costa e passaria o dia todo olhando para as ondas quebrando na praia. Ela se perguntaria mais uma vez o porquê de a vida tê-lo tirado dela. O que ela fizera para que tudo acabasse assim? Por que Oliver tinha que partir?

Ela estava orgulhosa de dizer que não caíra em nenhum vício com a perda do amor de sua vida. Ela não se perdera em drogas ou álcool, ou fizera algo maluco. Ela pode ter perdido alguns quilos, mas não mudara o núcleo de quem costumava ser. Ela continuava a ser a mesma pessoa, embora menos alegre.

Conforme os anos se passavam, mas simples ficava lidar com a perda de Oliver. A dor se tornava menor a cada dia que passava até que se tornara suportável o suficiente para ela sentir como se pudesse continuar com a sua vida. Ela começou a sorrirr mais; logo ela era caaz de ouvir músicas que a lembravam dele. Ela finalmente se desprendeu do moletom favorito dele que ele usava para dormir, aquele que ela usara para dormir nos primeiros meses depois da sua morte, mergulhada no seu cheiro até que este desaparecera. Ela finalmente pôde dizer seu nome em voz alta. Ainda assim não importava o quanto ela ia para frente, ela continuava a usar o anel de noivado todo dia pelos últimos cinco anos, ainda pendurado na longa corrente de platina que caia entre os seus seios. Era a última parte de Oliver que ela possuía. Era a última parte de uma vida que ela nunca poderia ter. Era a última parte de um lar que ela perdera. Era a última parte de tudo.

Ela conheceu Sara três anos depois da morte de Oliver.

Ela estava tentando canalizar sua raiva e energia em algo mais positivo. O melhor caminho foram aulas de Muay Thai. Sara era a professora da turma na qual ela decidira testar e rapidamente as duas jovens loiras se deram bem. Felicity havia se fechado pelos últimos anos, sempre focada na sua perda e a dor que isso acarretava, não deixando as pessoas se aproximarem. Ela tentava fingir com seus pais, para ter certeza que eles pensassem que estava tudo bem; algo que é mais fácil quando você visita seus pais apenas na época de Natal. Então era legal ter uma amiga para variar. Ela não podia fingir com Sara, então elas se aproximaram.

Pela primeira vez em anos, Felicity finalmente começou a se sentir como si mesma outra vez, a garota feliz e alegre, ligeiramente boba que ela realmente era. Sara de alguma forma sempre parecia trazer o melhor lado da sua personalidade, e ela e Nyssa – a namorada de Sara – rapidamente se tornaram melhores amigas.

Ela até tentou namorar outra ver. ‘Tentou’ sendo a palavra chave. Nenhum homem parecia ter o apelo que Oliver tinha em sua vida. Ninguém parecia ser o suficiente para ocupar o espaço que ele deixara quando morreu. Ela pode ter acabado ligeiramente bêbada na cama de um estranho por mais vezes do que ela gostaria de admitir nesses últimos cinco anos. E eventualmente ela decidiu que estava tudo bem em fazer sexo casual, sexo sem significado quando ela achasse que precisava. Mas nunca era mais do que isso. Ela não tinha interesse em encontrar alguém para preencher o lugar de Oliver em seu coração, ninguém poderia, não importava o quanto ela tentasse ou o quão duro eles tentassem. Felicity finalmente aceitou o fato de que ela seria uma daquelas velhinhas malucas com dez gatos... bem, talvez não gatos porque ela era alérgica a eles, mas dez cães, todos apropriadamente nomeados de acordo com seus fandoms. Era o que ela planejara. Ela poderia resgatá-los das ruas e alimentá-los e amá-los. Era um bom plano em sua mente.

É claro que isso não impedia as suas duas melhores amigas de tentarem lhe arrumar incontáveis caras e até mesmo, uma garota. Elas queriam que a sua melhor amiga fosse feliz, que encontrasse um cara ótimo para sossegar. Mas Sara e Nyssa sabiam que algo terrível acontecera com Felicity no passado, algo que a ferira tão fundo que ela não conseguia seguir em frente. Numa noite, uma Felicity bêbada no seu aniversário de 28 anos lhes mostrou o seu anel de noivado que ainda usava na longa corrente e simplesmente disse que o amor da sua vida estava morto, que ele morrera anos atrás num acidente. Elas podiam ver o quão doloroso era para a sua amiga falar sobre isso, então deixaram passar. Elas não a questionaram sobre o noivo misterioso que ela havia perdido, nem mesmo o porquê de ela nunca ter falado dele antes. Elas apenas a abraçaram.

Cinco anos depois da morte de Oliver, Felicity finalmente estava onde ela lutara e esperara estar. Ela era agora a chefe da Divisão de TI & Ciências Aplicadas das Consolidações Queen.

Walter Steele, o anterior CFO, se tornara o CEO após a morte de Oliver e Robert. Ele sempre parecera ter interesse nas ideias e projetos de Felicity para o Departamento de TI, e quando ele conseguiu seu trabalho de CEO, ele observou a sua carreira com ainda maior interesse. Anos depois, depois de ela ser responsável por vários projetos lucrativos e inovadores, ele a promovera a posição de chefe do Departamento de TI.

Um dia ela estava sentada no seu escritório de vidro onde ela podia observar as pessoas se movendo e trabalhando em seus cubículos, suas vidas seguindo. Ela olhou para o grande buquê de rosas vermelhas num grande vaso de cristal sobre a sua escrivaninha de vidro. Ela odiava rosas. Rosas eram o tipo de flor que ela pensava ser clichê e para aqueles sem imaginação. Oliver nunca lhe havia dado rosas. Não, ele sempre soube escolher flores para ela. Elas sempre tinham um grande significado. Ela odiava aquelas rosas.

– Emily, você pode vir até aqui, por favor? – Felicty chamou a sua secretária.

– Sim, srta. Smoak. – A jovem e pequenina morena respondeu entrando no escritório.

– Você pode me explicar o que isso está fazendo aqui? – Felicity disse, apontando com o dedo para as flores com um olhar de aversão no rosto.

– Um entregador as trouxe duas horas atrás enquanto você estava numa reunião com o Sr. Steele. – Emily disse, um pequeno sorriso em seus lábios. Ela era do tipo romântica, ela vivia para esse tipo de momento.

– Eu não pedi para que você não deixasse nenhuma flor ser entregue pra mim? – Felicity perguntou em um tom um tanto frustrado enquanto empurrava os óculos para cima, sentindo uma dor de cabeça começando.

– Sim. – Emily disse enquanto seus olhos se arregalavam antes de encarar o chão de mármore.

– Então o que, pelos céus, essa atrocidade está aqui? – Felicity perguntou, fazendo Emily se encolher com a menção das flores. Ela sabia que ela havia soado um pouco maldosa, mas ela tinha que ser clara quando se tratava de coisas assim.

– O entregador era muito educado. Eu não podia simplesmente pedir que as levasse de volta. Me desculpe, srta. Smoak. Eu pensei que fosse gostar dessas. Não vai acontecer de novo. – Emily disse, seu rosto pálido e seus lábios tremendo. Felicity sabia que ela estava prestes a chorar. Porra, ela odiava quando ela chorava. Isso sempre partia o seu coração. Felicity sentiu-se suavizar.

– Está tudo bem, Emily. Só não as coloque na minha mesa da próxima vez, por favor. Você pode ficar com elas da próxima vez que eu receber flores, fechado?

Emily olhou para ela timidamente: — Fechado. Quer que eu cuide dessas?

– Eu vou levá-las dessa vez. Tudo bem. Você pode sair mais cedo hoje, é sexta, afinal de contas. Eu tenho certeza que tem algo planejado.

– Obrigada, srta. Smoak. – Emily disse, apressando-se para fora do escritório em direção a sua mesa. Ela estava pronta pra ir e começar o seu final de semana adiantado em um flash.

Felicity olhou mais uma vez para o pequeno cartão preso as rosas enquanto brincava com a sua corrente, sentindo o anel se mover contra a sua pele sob a blusa.

“Obrigado pela noite passada.

Eu não consigo te tirar da cabeça. Quando posso te ver outra vez?

Com amor, Kyle.”

É claro que ele não conseguia tirá-la da cabeça, ela abalara seu mundo na noite passada, o fodera até que ele mal conseguisse ficar em pé. Kyle era um jovem arquiteto de 32 anos. Com cabelos escuros e olhos verdes, ela foi atingida quando o viu no bar Table Salt na noite passada. Ele era encantador e tinha um corpo de matar, e Felicity estava realmente tensa depois de reuniões sem fim e discussões de projetos naquela semana, então ela aproveitou as chances e foi para a casa dele. Ele foi uma boa transa, nada mais do que isso, e nada que ela quisesse repetir. Ela inventara a regra ‘apenas-uma-vez’ para evitar situações embaraçosas e irritantes como essa, por exemplo. Ela nunca disse a nenhum dos homens com o qual fez sexo casual que procurava por um relacionamento sério. Ela sempre supôs que se tratava de uma coisa de uma vez só. Mesmo assim, flores apareciam na sua mesa de tempos em tempos. Mas poderia ser pior; poderiam haver chocolates e balões também. Ela teria que se assegurar que eles não soubesse aonde ela trabalhava numa próxima vez.

Ela amassou o pequeno bilhete em suas mãos e o jogou na pequena lata de lixo no chão próximo a sua mesa, não olhando para aquilo ou espiando por uma segunda vez. Ela nunca planejara ligar para ele, ou qualquer um dos outros antes dele, e ela nunca iria. Ela desligou seu computador e pegou sua bolsa e seu casaco. Pegando as flores, ela soube exatamente para onde precisava ir.

Felicity saiu do elevador de estilo industrial com as rosas em suas mãos. Ela andou em direção a uma porta familiar, e suavemente bateu no aço. Alguns segundos depois uma loira familiar abriu a porta.

– Lis! – Sara disse, abrindo a porta para que Felicity pudesse entrar.

– E aí, Sara? Aqui, fique com isso. – Felicity disse e lhe entregou as grandes rosas vermelhas.

– Outra vez? Lis, é a segunda vez esse mês. Você é realmente uma destruidora de corações. – Sara murmurou com um meio sorriso, enquanto pegava o vaso de rosas e as colocava sobre o balcão de aço da cozinha.

Felicity olhou ao redor para o loft, as paredes de tijolos pintados de branco com o chão de madeira branca e o forro alto. Era moderno e sofisticado. A perfeita mistura entre os estilos pessoais de Sara e Nyssa. Ela se moveu com Sara para se sentar no grande sofá branco bem na frente da TV e ao lado de onde a sala de jantar e a cozinha ficavam.

– Todos esses caras sabiam exatamente o que eue queria quando eu fui para a casa com eles. Eu nunca pedi por nada mais que uma noite; na realidade, eu não quero mais. Não há nada errado em saber o que quer. Infelizmente, seus egos sempre acabam feridos e eles sentem a necessidade de tentar me cortejar. E eles sempre falham miseravelmente. Quer dizer, rosas, sério? É como dar a um fã de Doctor Who uma camiseta de Doctor Who. Todo mundo faz isso. Arrume uma chave de fenda remota ou algo assim. Rosas são tão entediantes quanto. – Felicity disse, rolando os olhos com a tentatica clichê de gesto romântico.

Sara a cutucou, fazendo Felicity saltar com uma risada. – Algumas mulheres acham rosas românticas. Eu gosto delas.

– Eu acho que Felicity está certa. – Uma voz interrompeu das escadas de aço que levavam ao segundo andar. Nyssa desceu as escadas, seus saltos ecoando pela sala. – Ela não pede por mais e esses caras simplesmente não consegueem aguentar uma mulher que só os quer para sexo. Nada mais. Do mesmo jeito que os homens sempre fazem com as mulheres. Eles não gostam de estar do outro lado da situação. É um problema de ego masculino, por isso as flores.

– Obrigada. – Felicity disse, grata de que alguém entesse seu ponto de vista.

– Eu só acho que ela deveria dar a um desses caras uma chance. Uma chance de verdade. Quer dizer, se eles foram bons o suficiente para sexo então talvez signifique que eles são bons para um jantar e um filme. – Sara disse, sempre a esperançosa.

– Você é uma garotinha romântica . — Felicity provocou com uma risada.

– Você não faz ideia do quanto. – Nyssa disse enquanto ia para a cozinha e voltava com uma garrafa de vinho branco gelado e três taças.

– Eu ouvi isso. – Sara disse irritada.

– Você sabe que eu te amo, querida. – Nyssa suavemente beijou os lábios de Sara e se sentou ao seu lado. Ela então encheu todas as taças.

– Viu? Por que eu preciso de romance se eu posso viver com vocês? – Felicity disse, tomando um gole extra-grande do seu vinho.

– Porque nós duas queremos que você seja feliz. – Sara disse, olhando para Nyssa em busca de reafirmação. – E nós sabemos que você não quer acreditar que tem um cara incrível esperando por você lá fora. Mas talvez seja hora de você deixar o passado para trás e seguir em frente. Eu não quero que você fique triste e sozinha.

Felicity bufou. – Eu não estou triste e eu gosto da minha solidão. É a minha escolha. Eu encontrei um equilíbrio nessas coisas, então porque eu gostaria de arruinar isso?

– Você não quer ter uma família? Ter alguém te esperando quando você chegar em casa? – Sara perguntou recebendo um olhar maligno de Nyssa, que não queria que ela dissesse essas coisas para Felicity.

– Vocês são a minha família. Eu tenho ótimos amigos e meus pais. É tudo o que eu preciso. – Felicity disse dando de ombros, não querendo pensar demais no assunto. Cinco anos atrás ela acreditara que nesse ponto ela e Oliver já estariam casados, vivendo numa pequena casa fora da cidade, provavelmente com um filho, ou um no caminho. Como filha única, ela sempre quis ter um irmão e Oliver amava Thea demais. Então ambos concordaram que teriam pelo menos dois filhos. Ela imaginava de tempos em tempos como seus filhos com Oliver se pareceriam, por mais triste que parecesse. Eles teriam traços da mãe ou do pai? Eles teriam a personalidade e sorriso dela? Os Queens a teriam aceitado em sua família? Eles seriam a sua família também? Sentindo o difícil peso de todas as possibilidades que ela perdeu, seus olhos se encheram de água e ela deixou um suspiro triste escapar.

– Sara, deixe-a em paz. Se foi para acontecer, ela vai encontrar o homem certo para si mesma. Não há motivo pra forçar. – Nyssa disse, tantando salvar Felicity das tendências de Cupido de Sara. Felicty assentiu em agradecimento terminando o seu vinho.

– Quando você fala assim eu não posso acreditar que você é na verdade uma advogada. – Sara comentou.

– Diga isso pra sua irmã. Ela e eu teremos umas semanas difíceis pela frente com esse caso Falcone. Ah, as alegrias de se fazer parte do escritório do procurador distrital. – Nyssa disse sarcasticamente com um meio sorriso.

– É isso que você ganha por tentar salvar o mundo. – Felicity provocou enquanto enchia sua taça outra vez.

– Se eu não tentar salvar, quem vai? – Ela respondeu com uma piscadela.

– E eu aqui pensando que era a Laurel quem tinha um complexo de heroína. – Sara disse enquanto Nyssa a puxava num beijo brincalhão.

– Oh, a futura senhora, Tommy Merlyn. Eu aposto que o futuro sogro dela está tão feliz que ela continua a trabalhar no escritório do procurador distrital. – Felicity disse enquanto se lembrava de o quão chocada ficara quando conhecera Tommy quatro anos após a morte de Oliver. Ele e Laurel tinham acabado de ficar noivos e vieram jantar com Sara e Nyssa. Laurel era a irmã mais velha de Sara, e Sara e Nyssa queriam que Felicity os conhecesse.

Ambos Tommy and Laurel falaram animadamente sobre os planos do casamento naquela noite. Felicity estava sobrevivendo a conversa muito bem, até que o assunto do padrinho veio a tona. Ela sentiu o equilíbro partir quando Tommy disse que queria que Oliver fosse o seu padrinho. Tommy havia dito Oliver certamente tiraria sarro dele no seu discurso, dizendo que namorara Laurel primeiro, e como Tommy disse a ele que estava namorando Laurel um dia antes da sua viagem à Austrália. Felicty lembrava daquele dia como se fosse ontem – na época, a última coisa que ela queria era ouvir Oliver falando sobre a conversa que tivera com Tommy no seu escritório naquele dia. Agora ela realmente queria que tivesse aproveitado mais seu tempo juntos – fora a última vez que ela vira Oliver. Depois que Tommy terminou, ele deixou a mesa para se recompor depois de falar sobre o seu melhor amigo. Foi naquela noite que Felicity percebeu que não era a única que ainda amava Oliver Queen. Mas ela não podia dizer nada. Ela não podia reagir. Ela tinha que ficar sentada e assistir enquanto Laurel foi atrás dele pra ver se estava tudo bem.

– Você sabe como Malcolm Merlyn sempre age como se ele tivesse comido e não gostado – Sara harmonizou quando o silêncio foi demais. Elas todas explodiram em risadas. E bem assim, Sara e Nyssa a fizeram sentir-se inteira outra vez. Elas eram suas amigas e sua família.

Felicity sabia lá no fundo que nunca amaria outro homem. Ela nunca se apaixonaria outra vez. Ela nunca se casaria ou teria sua própria família. Ela nunca teria nenhuma das coisas que planejara ter com Oliver.

Ela não queria.

Sem Oliver, isso era o mais próximo que ela teria de felicidade. E finalmente, depois de cinco anos, ela estava tudo bem com isso.