Notas iniciais
Olá! Essa é a tradução da minha fanfiction Broken Arrows! Ela será postada sempre após que o capítulo original em inglês for postado. Então com um pouco de paciência chegamos lá! Quero agradecer a minha beta reader, TheAlternativeSource, e a minha tradutora linda, Canary. Como sempre, o link dos sets do Polyvore estão na página do meu perfil. Me sigam no Tumblr – poisonangelmuse Me sigam no Twitter - PoisonAngelMuse Musica Wings - Birdy.

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Oh lights go down
In the moment we're lost and found
I just wanna be by your side
If these wings could fly

Oh damn these walls
In the moment we're ten feet tall
And how you told me after it all
We'd remember tonight
For the rest of our lives

I'm in the foreign state
My thoughts they've slipped away
My words are leaving me
They caught an airplane
Because I thought of you
Just for the thought of you

O som de Alex correndo na varanda da frente fez Jack sorrir enquanto o garoto de três anos abria a porta. O garotinho de cabelo escuro cacheado e grande olhos castanhos sorriu para ele e correu em sua direção no grande sofá de couro escuro.

– Tio Jack! – Alex gritou enquanto saltava para o seu lado.

– E aí, camarada? O que você fazendo correndo por aí? Sua mãe sabe que você está aqui? – Jack perguntou com um sorriso enquanto colocando seu livro sobre a mesinha de café.

– É hora do almoço. Você esqueceu do nosso alomoço de Domingo? – Alex rebateu a pergunta com a inocência que só uma criança teria.

– Já é hora do almoço? Acho que perdi a noção do tempo. – Jack disse se levantando enquanto Alex corria na sua frente em direção a porta.

– Vamos tio Jack! Mamãe e papai estão esperando você!

Jack e Alex andaram lado a lado no caminho de pedras que levava da cabana de Jack na afastada parte norte da fazenda. Eles passaram pelo celeiro e finalmente se aproximaram da casa principal. Alex saltitava alegremente de um pé ao outro escolhendo sobre qual pedra deveria pular, brincando com si mesmo enquanto andavam.

Quando eles alcançaram a casa principal, Alex correu para dentro e praticamente se jogou no colo de seu pai. Slade estava sentado no grande sofá assistindo a reprise de uma partida de futebol americano no Pay Per View.

– Alex, os Eagles acabaram de começar a jogar. –Slade bufou quando Alex se moveu para ficar ao seu lado, seus pézinhos mal balançando fora do sofá.

– Pensei que já tinha visto esse jogo semana passada. – Jack disse parado ao lado da porta.

– Sério, garoto? – Slade disse com um resfolego, não tirando os olhos do jogo na TV, Jack entrou e se sentou em outro sofá.

– Jack, eu não sei porque você sempre tenta falar comele quando ele está vendo futebol. Mesmo quando é uma reprise. – Shado disse enquanto andava pela cozinha ao lado da sala de estar.

– Acho que eu nunca vou aprender. – Jack disse com uma risada, enquanto Slade e Alex torciam. – Posso ajudar?

– Claro. Você pode por a mesa por favor? – Ela pediu antes de se mover para tirar o frango assado do forno.

– Sem problemas. – Jack disse enquanto ia para a cozinha. Ele abriu os armarios e pegou os talheres, prato e copos necessário para por a mesa. Ele foi rápido e logo a mesa estava posta e ele estava ajudando Shado a levar toda a comida preparada para o almoço à mesa.

– Querido, é hora de comer. – Shado falou mais alto do que a torcida, fazendo ambos, Alex e Slade, ficarem emburrados.

– Mamãe, nós podemos comer na frente da TV? – Alex pediu, tentando usar o seu melhor olhar de filhotinho.

– Não, Alexander. Esse não é nem um jogo ao vivo, é uma reprise. Agora vá lavar as mãos com o seu pai e venha almoçar.

– Mas mamãe... – Alex choramingou.

– Não Alex, e se você pediu outra vez, você não vai ver o jogo de verdade mais tarde. Agora vá lavar as sua mãos. – Shado disse firmemente.

– Vamos lá, garoto. – Slade pegou Alex no colo e andou em direção ao banheiro.

– Você sabe que é o “policial mau” nessa situação, certo? — Jack disse, rindo enquanto Slade e Alex brincavam ao longe, fingindo fazer Alex voar até o banheiro.

– Conte-me me mais sobre isso. – Ela disse com um sorriso enquanto colocava purê de batata e cenouras no prato de Alex. – Ele vai retaliar não comendo as cenouras, sem perceber que purê de batata é feito de vegetais.

Jack soltou um riso antes de perguntar: — Quer que eu corte o frango? – Jack sempre queria ajudar, especialmente a eles.

– Deixe o Slade fazer. Você sabe o quanto ele iria reclamar sobre o seu jeito de cortar se você fizer. Acredite em mim, aquele homem está ficando ranzinza com a idade. – Shado disse com um meio sorriso, sabendo que Slade estava dormindo tudo enquanto eles voltavam do banheiro.

– Mulher, você sabe como machucar o meu ego. – Slade disse enquanto colocava Alex na sua cadeira.

– Eu estou com fome. – Alex disse empurrando as cenouras e comendo uma garfada de purê de batata enquanto Slade cortava o frango. Os olhos de Jack e Shado se encontraram e eles compartilharam um olhar divertido. Sem cenouras para o Alex hoje a noite.

– E é por isso que você deveria comer e não ver TV agora. – Shado disse a Alex, enquanto ajudava Slade a colocar o frango no prato.

– Querida, é o West Coast Eagles contra o Fremantle Dockers! O Derby, sabe, é um clássico! – Slade vociferou, fazendo Jack e Alex rirem. Jack nunca entenderia o amor daquele homem por esportes.

– Olhe para o Jack, eles não está surtando por causa do jogo. – Shado provovou enquanto eles se sentavam e começavam a comer.

– Isso é porque ele não é australiano. Sabe, desde que você não parece ligar muito para hockey, eu tenho certeza que você deve ser americano e não canadense. Apenas os amercianos gostam do seu próprio tipo de “futebol”, que, a propósito, veio do rugby. Faz sentido, garoto. – Slade disse enquanto comia e ainda assistia o jogo; gritando entre uma mordida e outra conforme os dois times pontuavam, mesmo ele já sabendo quem ganharia no final.

– O que eu posso dizer? Não sou um grande fã de esportes. – Jack disse dando de ombros.

Eles terminaram de almoçar rapidamente e Slade voltou a ver o jogo com a Alex ao seu lado. Enquanto ele e Alex aproveitavam o final da partida, Jack quis ajudar Shado na cozinha. Ele lavou a louça enquanto ela secava. Eles trabalharam num silêncio confortável por alguns minutos, até que Shado viu uma mudança nos olhos de Jack. Ele claramente tinha algo em emnte.

– Você está bem, Jack?

– Sim. Eu só estava pensando. – Ele disse terminando outro prato e entregando a ela.

– Você parecia bem distante.

– Acho que eu tenho muito na cabeça ultimamente. Eu tenho pensado muito sobre a minha vida. Sobre quem eu sou e quem eu era. – Ele terminou o último prato e foi secar as mãos enquanto se apoiava contra o balcão da cozinha. – Me perguntando de onde eu realmente sou. Há algum lugar para eu voltar? Eu tenho uma família? Ou a minha vida passada inteira morreu naquela praia tantos anos atrás?

Shado guardou a louça com um olhar procupado no rosto. – Esses pensamentos surgiram do nada ou estava na sua cabeça esse tempo todo?

Jack pareceu vacilar por um momento, sua mão inconscientemente se movendo para o pingente de flecha. – Eu acho que eu só estou cansado de fugir de um passado que eu sequer conheço.

– Jack, todos nós sabíamos que esse momento ia chegar. Eu venho esperando por ele pelos últimos cinco anos. – Ela disse com um sorriso calmo.

Jack olhou para ela surpreso. Shado parecia sempre estar um passo a frente. – Eu não quero que vocês pensem que eu não estou feliz aqui. Quer dizer... Eu não tenho ideia do que aconteceria comigo se você e Slade não tivessem me encontrado na quela noite. Vocês dois e Alex são a minha família. Me levou todo esse tempo para chegar a conclusão de que pensando em você como a minha família deveria ser a determinação para eu descobrir o que aconteceu comigo e qual outra família eu tenho por aí. Shado eu estou tão grato por tudo o que vocês fizeram por mim.

– Eu sei que está, Jack. Você sabe que eu te amo como o meu próprio irmão e que eu me preocupo com você. Mas tudo o que eu quero é que você seja feliz. E eu acredito que você não vai conseguir se continuar vivendo aqui na fazenda com a gente pelo resto da sua vida.

– Isso não é verdade. – Jack disse. Ele era feliz, tão feliz quando poderia ser depois de ter sua vida toda tirada de si cinco anos antes.

– Nós dois sabemos que você pertence a um lugar diferente. Eu posso ver nos seus olhos, querido. Você precisa descobrir quem você é e de onde veio. De outra forma você nunca será realmente feliz. – Ela explicou enquant tocava suavemente seu ombro.

– Certo. Bem, eu acho que é finalmente a hora de eu descobrir a verdade. – Ele disse encolhendo os ombros hesitantemente.

– Eu estou feliz por você, Jack. Você sabe que eu e Slade iremos te suportar não importa o que você escolha fazer.

– Eu sei. – Ele disse tristemente. A realidade da situação que ele estava prestes a se jogar era gigante, mas era incrível tê-los ao seu lado para o apoiar.

– Ainda tem medo de que não vai gostar do que encontrar?

– Pra ser honesto, eu estou muito assustado. Eu nem sei se vou descobrir algo sobre o meu passado. Eu posso nem ter um lar. – Ele finalmente admitiu. O medo de não ter nada para ele lá fora era pequeno, mas ainda estava ali.

– Claro que tem. Esse é o seu lar também. Você sempre poderá voltar. Não imoprta o que você descubra sobre o seu passado. Você sempre vai ser parte da nossa família. – Shado o reassegurou.

– Ela está certa, garoto. Você não vai se livrar de nós tão facilmente. – Slade interrompeu andando na direção dele, Alex agora brincando na frente da TV.

– Especialmente agora que você tem outro sobrinho ou sobrinha no caminho. – Shado disse despreocupadamente enquanto se movia para abraçar Slade e sua grande mão gentilemente descansava sobre o abdomen dela.

– Você está grávida? – Jack perguntou em choque, porém com um sorriso no rosto.

– Sim. Nós queríamos esperar para ter certeza. Vai haver outro pequeno Wilson aqui em cinco meses. – Ela confirmou com sorriso enquanto Slade beijava o topo da sua cabeça, seu olhos cheios de orgulho e amor profundo.

– Isso é demais. Parabéns! Alex vai ser um ótimo irmão mais velho. – Jack disse abraçando Slade e Shado. Ele sabia o quanto eles queria ter outro filho, mas ele não sabia que eles ainda estavam tentando ter um bebê. Eram notícias incríveis.

– Então eu não posso deixar o futuro tio favorito do meu filho ser um “Fulano” a vida toda, posso? – Slade disse, surpreendendo Jack ao fazê-lo tio outra vez. Ele se sentiu tocado.

– Vocês fizeram tanto por mim. Eu não poderia pedir por mais. – Jack disse, chacoalhando a cabeça.

– Você não está pedindo, eu estou oferecendo, garoto. Eu tenho que cuidar de uns negócios pessoais e da fazenda em Perth daqui à alguns dias. Você deveria vir comigo. Depois que eu cuidar deles nós podemor ir às embaixadas dos Estados Unidos e do Canadá. O que você acha?

– Soa ótimo. Obrigado. – Jack respondeu depois de respirar fundo. Ele realmente não sabia como ele teria sobrevivido todos esses anos sem a ajuda de Slade e Shado. Ele teria se perdido completamente. E lá estavam eles outra vez, ajudando a descobrir quem Jack realmente era.

***

Tommy Merlyn nunca pensou que um dia sua vida seria como era hoje. Ele era o filho único de Malcolm e Rebeca Merlyn, e o herdeiro de uma companhia que valia bilhões de dólares, a Merlyn Global. Ele sempre tentara fugir do peso que o nome trazia à sua vida, mesmo quando aproveitava todas as vantagens que ser um homem endinheirado trazia. Ainda assim ele nunca se imaginara como o futuro CEO da companhia da família.

Enquanto seu melhor amigo Oliver Queen – herdeiro das Consolidações Queen – Abraçara seu papel como futuro CEO da companhia do seu pai e se formara em Economia e Negócios, e trabalhara ao lado de seu pai; Tommy reagira de maneira oposta. Ele se mudara para Nova York para ficar o mais longe possível de Starling City e seu pai, enquanto Oliver ia para a Faculdade Berkeley na Califórnia. Tommy deixou quatro faculdade diferentes e passou a viver da sua conta bancária por tanto tempo quanto conseguiu. Ele festejara, saíra com modelos e atrizes; ele vivera a vida como se não houvesse amanhã.

Mas nada parecia apaziguá-lo ou preencher o vazio que ele sentia. E então ele voltou para Starling City, tentando encontrar o que faltava na sua vida. Naquela época o seu melhor amigo estava de volta da Faculdade Berkeley depois de terminar seu MBA, e estava trabalhando como vice presidente nas CQ. Parecia que era a hora perfeita para Tommy voltar. A amizade entre ele e Oliver era fácil, como respirar, e quase imediatamente ele encontrou conforto em ficar perto da sua família e do seu melhor amigo. Mesmo assim a vida parecia querer brincar com ele, porque no meio do caos em que estava a sua vida, as constantes brigas com o seu pai envolvendo ouvir o quão desapontado e irresponsável ele era, ele encontrou Laurel. Laurel, a jovem estudante de direito que costumava namorar Oliver quando eles estavam no colegial. De repente a sua vida não era mais vazia, sem significado ou fria.

Pela primeira vez em sua vida, Tommy se apaixonou.

Laurel era tudo o que ele sempre quis e precisou. Ela lhe dava força e propósito. Ela se tornou a mulher que Tommy não conseguia se imaginar vivendo sem. Então ele decidiu se abrir com Oliver sobre seu relacionamento com Laurel, um dos dias mais assustadores da sua vida. Ele não queria perder a amizade de Oliver, mas por outro lado ele amava Laurel mais do que a sua própria vida. Então ele rezou para que não houvesse nenhum resquício de sentimento entre o seu melhor amigo e a mulher que ele amava. Oliver, é claro, o surpreendeu, agindo exatamente de maneira oposta a que Tommy esperava. Ele não estava apenas feliz pelo seu melhor amigo e a sua ex-namorada, mas ele também encontrara seu próprio amor, Meghan. Era tudo que Tommy conseguira dele naquele dia. E aquela fora a última vez que ele vira Oliver Queen.

Semanas depois, Tommy recebera a notícia que seu melhor amigo, junto com seu pai Robert Queen, faleceram num acidente de barco. Fora um dos momentos mais difíceis na vida de Tommy, perder seu melhor amigo de infância, o único homem que o conhecia melhor que ele mesmo. Nada seria o mesmo depois daquilo.

Se não fosse por Laurel e seu apoio, Tommy não sabia o como ele teria sido capaz de superar uma perda tão devastadora. Ela fora aquela que conseguira fazê-lo sair da cama e voltar para o mundo depois de semanas escondido. Ela fora aquela que conseguira fazê-lo parar de beber, uma tentativa falha de esquecer a perda. Ela fora aquela que lhe mostrara que a bebida não era a resporta. Ela fora aquela que o fizera perceber que não estava honrando a memória de Oliver se destruindo todo dia e machucando as pessoas que amava. Levou um longo tempo, mas eventualmente Tommy aceitara que nem todo mundo consegue seu final feliz e que nem mesmo os Queens são capazes de obter tudo o que queriam. A vida era cruel dessa forma.

A morte de Oliver fez Tommy repensar tudo. Ele percebeu que não gostava da pessoa que se tornara; que ele queria mudar, queria ser melhor. Ele voltou para a faculdade e finalmente conseguiu seu diploma em Negócios. Ele passou a ficar ao lado de seu pai na Merlyn Global – mesmo que ele não gostasse realmente disso – porque era a coisa certa a se fazer no momento. Se a Merlyn Global fosse ser dele um dia, era a hora de começar a aprender sobre como funcionava e como cuidar dela e de seus funcionários. Esse era o tipo de homem que ele queria ser.

Anos depois, ele e Laurel noivaram e agora um anel de noivado amarelo-canário com diamantes adornava a mão esquerda dela. Eles se casariam em seis meses e Tommy não podia esperar para chamá-la de esposa.

As coisas pareciam estar se ajeitando e Tommy finalmente juntara coragem para apresentar uma proposta de negócios ao seu pai: ele queria transformar a velha fábrica Queen abandonada nos Galdes na sua própria boate. Malcolm Merlyn estivera cético à princípio, na acreditando que Tommy seria capaz de construir seu próprio negócio e ainda ser capaz de trabalhar ao seu lado. Mas Tommy o mostrara que ele estava errado. Ele mostrara ao seu pai que ele continuaria a frequentar a Merlyn Global e isso seria a sua prioridade. Eventualmente eles resolveram seus problemas de confiança e Tommy abrira o Verdant – a boate mais famosa de Starling – enquanto ainda trabalhava ao lado de seu pai como vice-presidente. Para Tommy, Verdant era uma maneira de manter a memória de Oliver viva, reconstruir algo, ter algo que era dele mesmo. A boate passou a fazer mais sucesso do que ele esperava, e agora ele possuía filiais em Los Angels, Miami e Nova York.

Então enquanto Tommy olhava para fora pelas janelas escuras do carro, ele pensava sobre todas as maneiras como a vida o surpreendera e sobre o quanto havia mudado nos últimos cinco anos. Ele era agora um homem de negócios, comprometido com uma linda e incrível mulher e dono do seu próprio negócio. Ele não era mais o mesmo homem e esperava que Oliver estive orgulhoso das escolhas que ele fizera para a sua vida.

– Você está quieto, filho. Isso não é particularmente normal. – Malcolm Merlyn disse, olhando para o filho do outro lado do carro.

– Eu só tenho muita coisa na cabeça. – Tommy respondeu, seus olhos fixos nas calçadas de Perth.

– Você está com o pé atrás, Tommy? Laurel é uma mulher incrível; ela pode não ter o melhor gosto para empregos, mas ela ainda é adoravel. Sua mãe e eu estamos muito animados com esse casamento. – Malcolm disse, fazendo Tommy rir do seu pai. O homem podia comandar uma companhia biolionária como ninguém, mas ainda assim não sabia nada sobre ele.

– Não, pai. Eu não esto com o pé atrás. Você sabe que eu amo a Laurel. Eu só estava pensando sobre a vida e as suas possibilidades. – Tommy respondeu enquanto corria as mãos pelas calças do seu terno italiano cinza.

– Você sabe que precisava ter vindo para essa viagem comigo. Mas se passaram cinco anos, Tommy. Você não pode ficar evitando visitar a nossa filial australiana. – Malcolm censurou, sabendo exatamente o quão difícil era para Tommy estar na mesma cidade/continente no qual Oliver falecera. Mas ele acreditava que era a hora de seu filho encarar os seus demônios. Essa viagem era parte disso.

– Eu sei pai. Não é que eu não... – Tommy parou assim que seus olhos se encontraram um rosto familiar nas calçadas movimentadas. Foi como se o tempo congelasse. Ali, andando a alguns metros dele, estava um homem muito parecido com Oliver Queen. O homem andava casualmente ao lado de outro grande homem. Era como ver um fantasma. O homem parecia ter a mesma altura de Oliver, mas parecia ser mais forte, mais musculoso. Ele andava de uma maneira diferente, seu rosto estava coberto por uma barba por fazer e ele vestia jeans e uma camiseta Henley. Ele parecia bruto de uma maneira que Oliver nunca fora. O topo da sua cabeça estava coberto por um gorro preto, então ele não podia ver o seu cabelo, mas foi o sorriso que fez Tommy congelar completamente. Ele tinha o mesmo sorriso.

– Pare o carro! – Tommy gritou, temeroso que a distância entre ele e o homem estava aumentando. Ele não podia acreditar em seus olhos, ele precisava saber se era possível. Aquele poderia realmente ser Oliver?

– Tommy! – Malcolm estava em choque com o comportamento do filho.

– Pare a porra do carro! – Tommy gritou enquanto tentava desesperadamente abrir a sua porta trancada.

– Thomas, o que você está fazendo? – Malcolm não entendia o que havia acontecido.

– Abra a porra da porta! – Tommy gritou para o motorista. Com um clique ele finalmente pôde abrir a porta. O carro parou subitmente e Tommy saltou para a calçada. Ele correu pelas ruas lotadas sem olhar para trás.

– Thomas! – Malcolm gritou, observando Tommy correr, aparentemente perseguindo algo.

Tommy correu, empurrando pessoas, tentando encontrá-lo no meio da rua movimentada. Mas era tade demais. Ele não podia vê-lo. Ele o tinha perdido.

– Merda. – Ele sussurrou em pânico enquanto olhava freneticamente de um lado para o outro. Ele correu em uma direção e então na outra, tentando encontrá-lo, mas ele não cosneguia. Tommy começou a se perguntar se a sua mente não estava lhe pregando uma peça, se ele não tinha imaginado tudo. Ele sentia tanta falta do seu melhor amigo que andar pela mesma cidade em que ele morrera o fizera vê-lo em estranhos?

Tommy soltou um resmungo dolorido enquanto andava de volta para o carro. Deve ter sido sua mente brincando com ele... com suas emoções... ele parou quando viu o mesmo gorro escuro na cabeça do mesmo estranho. Ele havia atravessado a rua e estava entrando numa caminhonete. Era ele. Era Oliver; não havia outra explicação.

– Oliver! – Tommy gritou, seus pulmões queimando e seus olhos se enchendo de lágrimas inesperadas. Ele correu para a beira da calçada e gritou o nome do homem. Não tinha como ele cruzar a rua movimentada sem ser atropelado. – Oliver!

O homem congelou com a gritaria do seu nome. Sua mão parou na maçaneta da caminhonete. Ele se virou lentamente para olhar para trás, como se estivesse procurando pela fonte do som. Os olhos do homem encontraram Tommy no meio de um grande alvoroço de carros e pessoa, sem sinal de reconhecimento nenhum neles. Era como se ele não pudesse ver Tommy, como sele ele não soubesse quem ele era, mesmo o conhecendo por toda a sua vida. Tommy estava pronto para gritar seu nome mais uma vez e correr em sua direção quando o homem maior disse algo de dentro da caminhonete. Ele deu as costas para Tommy sem hesitar, sorriu e riu do outro homem, abrindo a porta da caminhonete e entrou. Eles foram embora enquanto Tommy observava. Em uma tentativa inútil ele tentou correr atrás da caminhonete preta, mas o perdeu nas ruas movimentas. Eles estavam muito rápidos.

Tommy permaneceu ali por alguns minutos, chocado e devastado, porém encantado ao mesmo tempo. Ele sabia que era Oliver. Ele sabia lá no fundo de si mesmo que era ele. Mas então... por que ele não dissera nada? Por que ele não olhara direto para Tommy? Por que ele fora embora sem dizer nada? Por que ele se escondera na Austrália por cinco anos?

O que diabos acontecera com Oliver?

***

Jack e Slade dirigiram pela estrada sem fim que os levava de Capel para Perth ao norte. Eles dirigiram num silêncio confortável enquanto uma estação de rádio temárica dos anos 70 tocava ao fundo. O longo trajeto estava preenchido de música e o silêncio deles deu tempo e espaço para Jack pensar. Ele sabia que precisava descobrir o que tinha acontecido consigo e quem ele realmente era. A loira dos seus sonhos ainda o assombrava, não o deixando esquecer da promessa que fizera de tentar encontrá-la.

Se perdendo em seus pensamentos e na batida suave da música, Jack caiu no sono. Ele sonhou com cores brilhantes e cheiro de chuva freca. Quando ele acordou duas horas depois, eles já estavam nas ruas de Perth.

Perth era uma cidade grande e moderna, com a quarta maior população da Austrália com quase dois milhões de habitantes na área de Grande Perth. Eles dirigiram em direção ao distrito de negócios no centro, passando por Swan River e Matilda Bay. Jack encarou a água azul do rio, observando os barcos se moverem sobre ela, suavemente dançando nas docas.

Ele pensou sobre aqueles barcos e a verdadeira razão sobre o porquê de ele estar ali o atingiu. Ele sentiu seu coração acelerando, suas mãos começando a suar. Ele sentiu como se não conseguisse respirar

– Você está bem, garoto? – Slade perguntou num tom preocupado, olhando para ele.

– Eu estou bem. – Jack disse respirando fundo, ou ao menos tentando.

– Você não parece bem.

– Eu preciso de um minuto. – Jack disse, fechando os olhos e lentamente inspirando e expirando, tentando controlar seu coração. Depois de um minuto ou dois, ele começou a se sentir melhor e abriu os olhos.

– O que diabos aconteceu, Jack? Eu nunca o vi passar por nada parecido. – Slade disse depois que estacionou a caminhonete próxima a um grande mercado.

– Eu não sei. Eu só me senti ansioso de repente, como se não pudesse respirar. Como se o meu corpo percebesse porque está aqui. – Ele disse enquanto corria a mão direita pelo rosto, ainda sentindo os últimos tremores do seu ataque de pânico.

– Acho que é hora de arranjarmos algo pra comer, então. Vamos lá, eu preciso pegar umas coisas para a fazenda e para o escritório da Shado antes de podermos ir nas embaixadas. Eu quero estar em casa lá pela hora do jantar. – Slade disse saindo da caminhonete.

Eles almoçaram num pequeno restaurante ao lado do mercado a qual Slade queria ir. Depois de algumas horas comprando as coisas de ambas as listas, a de Slade e a de Shado, Jack estava pronto para ir às embaixadas. Eles foram primeiro à Embaixada Canadense e depois de uma longa discussão eles foram capazes de explicar a situação. Eles tiraram suas fotos e impressões digitais, dizendo que checariam no sistema se ele era ou não um cidadão canadense. O procedimento levaria por volta de três dias e eles ligaria para dizer o que descobriram.

Dpois que eles saíram da Embaixada Canadense e andaram nem direção ao lugar aonde estacionaram, a caminhonete, Jack ouviu alguém gritando à distância: Oliver!

Era o nome do seu sonho. O nome que o assombrara por meses. O nome peo qual a mulher misteriosa o chamara. Oliver.

Jack congelou, sua mão na maçaneta da caminhonete, o nome flutuando no ar. Ele respirou fundo e se virou para encontrar a pessoa que gritara, mesmo que não fizesse sentido. Ele podia ver um homem alto de cabelos escuros usando algo que parecia um terno muito caro olhando diretamente para ele.O homem segurou o seu olhar e Jack pôde ver um milhão de diferentes emoções cruzando o rosto do estranho, de dúvida para choque e até um pouco de felicidade. Jack olhou diretamente para ele, sentindo a mesma sensação sufocante que sentira ao ver os barcos nas docas naquela manhã. Mesmo assim ele não reconheceu o homem.

Slade o tirou do transe: — Ei princesa! O que diabos você está esperando? Nós ainda temos que levar o seu traseiro miserável para outra embaixada antes de voltarmos para casa. Não sei você, mas eu quero voltar para a minha esposa e filho.

Ele deu às costas para o homem. Não importava o quanto o nome parecia atraí-lo, ele nunca tinha visto aquele homem.

– Certo pai. Estou indo. Não precisa pirar e começar com apelidos, cara. Você precisa se preocupar com a sua pressão nessa idade. – Jack brincou com um sorriso enquanto se virava para Slade e abria a porta. Ele riu do bufar de Slade em resposta. Em segundos eles estavam na estrada e Jack havia se esquecido completamente do estranho.

***

Tommy mal conseguiu dormir depois de ver Oliver na Austrália. Ele não conseguia encontrar sentido nisso. Por que ele estava lá? Por que ele não tentara voltar para casa? E quanto á sua família? Robert também estaria vivo? Por que eles queriam fazer o mundo acreditar que eles estavam mortos pelos últimos cinco anos?

Quando ele havia retornado para o carro com seu pai, ele o encontrou enlouquecendo com as ações de Tommy, bem, enlouquecendo como em encarando-o como se ele fosse louco com os olhos arregalados. Malcolm simplesmente não conseguia entender o que havia acontecido e Tommy sequer tentou explicar que vira Oliver porque sabia exatamente o que ele iria dizer. Então ele dissera ao pai que tivera um pequeno ataque de pânico, que estar na Austrália era demais para ele, antes de se desculpar profundamente por suas ações. Malcolm, em troca, agira como sempre e o oferecera um copo de uísque e lhe dera um tapinha nas costas. Eles não falaram muito mais sobre o que aconteceu e depois de alguns dias era como se nada tivesse acontecido.

Ainda assim ele não conseguiu se esquecer do que havia visto. Ele não podia falar com Laurel, ela provavelmente diria que era “nervosismo” ou uma tentative de se perder na melancolia que o atingia de tempos em tempos, sempre próximo da data que Oliver havia se perdido no mar. Ela e seu pai eram duas pessoas muito racionais, eles não acreditariam no que ele havia visto Oliver naquele dia. Eles apenas pensariam que a sua mente estava lhe pregando peças. Para eles, Oliver e Robert haviam morrido naquele barco cinco anos antes. Haviam túmulos com seus nomes na Mansão Queen. Ele, assim como todos os Queens, chorara e pranteara a morte de dois homens incríveis. Não havia mais nada.

Então ele agiu como se nada tivesse acontecido. Ele fora ao trabalho com seu pai, ele fizera o jantar para Laurel no apartamento deles e trabalhara nas finanças do Verdant em seu tempo livre. Ele nunca disse à ninguém que ele também gastara uma boa quantidade de dinheiro e influêencia tentando encontrar Oliver agora que tinha uma pista. Mas às vezes nem dinheiro e nem influência conseguiam comprar qualquer coisa, e depois de dois dias, Tommy estava enlouquencendo com a falta de resultados.

O que lhe deixava apenas uma opção.

**

Tommy pegou o elevador familiar para o último andar das Consolidações Queen. Quando ele alcançou o andar, ele sorriu para Karen, a antiga assistente de Robert Queen, que agora exercia o mesmo trabalho para Walter Steele.

– Olá Karen, você está ótima. Perdeu peso? – Tommy disse com um sorriso brilhante, fazendo a mulher com idade o suficiente para ser a sua mãe corar.

– Sr. Merlyn, é muito gentil da sua parte. – Ela disse com um sorriso nos lábios.

– Nah, sou só um observador astuto de mulheres bonitas. – Tommy disse com um meio sorriso, fazendo Karen rir.

– Tommy Merlyn! A que devo o prazer da sua visita? – Walter disse saindo do seu escritório de vidro e parando na frente da mesa de Karen.

– Eu estava na vizinhança. Pensei em parar em dar um oi. – Tommy disse tentando usar seu charme para encobrir o real motivo da sua visita.

– E para perturbar a minha assistente, ao que parece. – Walter disse com um olhar paternal que Tommy conhecia bem demais. Ele olhou para a assistente. – Karen, segure as minhas reuniões e ligações enquanto eu e o Sr. Merlyn conversamos.

Com um assentimento partindo de Karen, Tommy e Walter entraram no escritório. Walter lentamente fechou a porta atrás de si. Ele então deu a volta na mesa de vidro e dasabotoou o paletó antes de se sentar na sua cedeira de couro. Tommy conhecia Walter a anos e ainda assim se sentia como um garotinho prestes a ser repeendido.

– Por favor, sente-se. – Walter disse, apontando para a cadeira defronte a sua mesa.

– Obrigado. – Tommy disse se setando na cadeira de couro branco.

– Então Tommy, o que posso fazer por você? – Walter perguntou a ele enquanto entrelaçava os seus dedos e se inclinava em direção á mesa de vidro.

Tommy se moveu inquietamente na sua cadeira por um instante, coçando a sua sobrancelha direita. – Eu vim te pedir um favor, Walter. Um favor realmente grande.

– Que tipo de favor? – Walter perguntou com cautela.

– Eu preciso encontrar uma pessoa. Eu já venho tentando por alguns dias, mas eu não tenho as conexões políticas e influência para isso.

– E você acredita que eu tenho? – Walter perguntou com uma sobrancelha arqueada.

– Para essa pessoa em particular eu acredito que você tem.

– Tommy, eu não tenho ideia em o que você se meteu, mas eu tenho certeza que seu pai seria de mais ajuda do que eu. – Wwalter disse, se perguntando em que tipo de problema o jovem estava agora que o seu casamento com Laurel Lance estava se aproximando.

– Não na Austrália. – Tommy retrucou, fazendo Walter se recostar na cadeira, um olhar confuso em seu rosto.

– O que exatamente você está procurando na Austrália, Tommy?

– Eu encontrei Oliver. – Tommy confessou rapidamente, observando um Walter chocado se sentar com uma postura impecável na sua cadeira.

– Perdão? – Ele disse, seu rosto um tanto pálido, como se ele não pudesse processar a informação.

– Walter, eu vi Oliver três dias atrás. Eu estava numa viagem de negócios com o meu pai em Perth. Eu o vi andando em uma rua. – Tommy explicou, se preparando para a inquisição e repreensão por dizer algo tão sério.

– Thomas. – Walter disse apertando a ponte do nariz. – Oliver está morto. Você sabe disso. Ele morreu junto a Robert cinco anos atrás naquele barco. Você sabe, as autoridades australianas disseram que era impossível haver sobreviventes ao naufrágio; que eles estavam longe demais da costa para nadar. Eu sei que vem sendo difícil para você, mas isso é inaceitável.

– É verdade, Walter. Eu o vi com os meus próprios olhos. – Tommy disse, odiado o fato de que Walter estava tão cético sobre isso enquanto entendia o quanto uma afirmação tão grande quanto a que estava fazendo parecia estranho.

– Se era Oliver, por que ele não está aqui? Por que ele está desaparecido por todos esses anos? Por que você não o trouxe de volta? – Walter questionou, tentando raciocinar.

– Eu não sei. Havia algo estranho nele. Era como se ele não me reconhecesse ou algo assim. – Tommy disse, desviando o olhar de Walter. Ele ainda não conseguia entender porque Oliver o dera às costas. Não fazia sentido.

– Tommy, você já parou para pensar que talvez era porque não era Oliver?

– Era o Oliver. Eu o conheço. – Tommy disse com os dentes trincados. Ele estava começando a ficar frustrado.

– Certo, vamos supor que é alguém parecido com Oliver. Imagine se contarmos para Moira e Thea e então descobrirmos que não é o Oliver. Imagine toda a dor, todo o sofrimento de perdê-lo outra vez. Pense no que isso faria a elas.

Tommy se inclinou para a frente e tentou manter a compostura: — Eu estou pensando nelas. Eu estou pensando que eu posso ter encontrado uma das pessoas que elas mais amam no mundo. Eu estou pensando que eu talvez possa ajudar a devolvê-las um filho e um irmão. É o Oliver, Walter. Eu sei que é.

– Tommy. – Walter disse com um suspiro.

– Por favor, Walter. Eu estou implorando! Eu prometo que eu eu não vou dizer nada para a Moira ou para a Thea. Eu vou ficar de boca fechada. Se não for Oliver elas nunca vão precisar saber. Mas eu preciso descobrir, preciso ter certeza.

Walter ficou em silêncio enquanto olhou para Tommy por um segundo. Por um momento ele pensou que Walter diria não.

– Tudo bem, mas não diga nada pra ninguém. A imprensa não pode ter uma mínima noção de que eu estou enviando um grupo de busca para a Austrália. – Walter finalmente se apiedou, esperando que Tommy se acalmasse. Ele tinha certeza que não levaria a nada; que tudo isso não passava de ilusões na mente de um jovem. Mas ele faria isso, para a paz da sua própria mente e a de Tommy. Talvez depois disso Tommy se esquecesse de Oliver.

– Obrigado! Muito obrigado! – Tommy disse aliviado, se sentindo mais grato do que achava possível. Com a ajuda de Walter eles seriam capazes de encontrar Oliver.

– Eu vou fazer isso, Tommy, mas eu não criaria expectativas. Às vezes nossas mentes veem o que querem ver. – Walter disse com uma voz muito mais calma do que realmente se sentia por dentro. Ele sabia que Tommy estava sofrendo, ele podia ver em seus olhos; ele tinha o mesmo olhar que Moira e Thea tiveram por um longo tempo. Elas aceitaram a perda de Oliver, ainda que a dor nunca se abrandara, não de verdade. Elas apenas aprenderam a viver com ela.

– Eu vou arriscar. – Tommy disse cheio de esperança pela primeira vez em dias. Era o que ele ele precisava para encontrar Oliver.

Tommy se levantou e Walter falou outra vez: — Eu vou dar uma olhada nisso, Tommy. Eu te ligo se eu encontrar algo. Agora, se me der licença, eu tenho algumas ligações a fazer.

***

O loft de Sara e Nyssa era um dos lugares favoritos de Felicity. Na realidade era o único lugar além do seu pequeno apartamento no qual ela se sentia em casa. Então ela havia passado muito tempo lá nos últimos anos. Por causa disso elas haviam formulado suas próprias tradições: uma delas era a Pizza de Sábado à Noite. Todo sábado ela e as suas melhores amigas se sentariam na sala de estar, pediriam um tipo diferente de pizza e beberiam uma nova garrafa de vinho. Às vezes elas veriam um filme, em outras apenas se perderiam em conversas. Às vezes Tommy e Laurel se juntariam a elas.

À princípio ela havia se sentido apreensiva em relação a presença de Tommy. Ele era o melhor amigo de Oliver e ela era a noiva dele. Eles deveriam conhecer um ao outro. Mas o destino era cruel e nunca lhes dera essa chance até agora. Quando Tommy e Laurel se juntaram a Pizza de Sábado à Noite, ela se preocupara que ele olharia para ela e perceberia o quanto ela se importava com Oliver. Mas ele não o fizera. Ele fora gracioso e gentil e não tinha ideia do seu passado com Oliver.

Essa era uma dessas noites. Laurel e Nyssa estavam trabalhando num caso contra um chefão da máfia que havia matado mais de vinte pessoas no ano anterior e era um conhecido traficante de drogas. E se havia algo que ambas odiavam era injustiça, então Laurel e Nyssa estavam passando incontáveis noites trabalhando em seu caso no escritório do procurado distrital. O que levava a um Tommy muito solitário sentado no sofá de Sara pelas últimas duas horas.

– Estou entediado. – Tommy disse olhando para o teto enquanto Felicity e Sara conversavam calmamente.

– Você sempre está entediado, Tommy. – Felicity disso, rolando os olhos de brincadeira com as tendências dramáticas de Tommy. Ele parecia mais estranho que o normal nessa noite.

– Se eu bem me lembro, você sempre perde o interesse quando o tópico não envolve bebida ou peitos. – Sara provocou enquanto Tommy jogava uma grande almofada esmeralda em sua direção.

– Até você, Sara? Eu pensei que você sempre fosse ficar do meu lado. Além disso esse era o velho Tommy. Eu cresci. Agora eu falo sobre bebida e peitos na privacidade da minha própria casa. – Tommy disse dramaticamente, fazendo ambas as garotas caírem na risada.

Entre risos, Sara disse: — Coitadinho! Eu tenho certeza que a minha irmã vai chegar a qualquer momento.

– Laurel está trabalhando demais. – Tommy disse ficando emburrado, mas preocupado acima do que qualquer coisa. Ele sabia o quão obcecada a sua noiva podia ficar. Na realidade, ela mal havia dormido nas duas últimas noites tentando encontrar novas pistas que poderia ajudá-las no caso contra o chefão da máfia.

– É isso que você ganha por querer se casar com uma mulher que quer salvar o mundo. – Felicity disse servindo o vinho caro que Tommy havia trazido com ele a todos. – Nós podemos pelo menos beber desse delicioso vinho enquanto esperamos.

– Agora é disso que eu estou falando! – Tommy disse tomando um longo gole do seu vinho e fazendo Felicity rir.

– Eu vou pegar o cardápio da pizzaria. Nós podemos pelo menos começar escolher quais sabores nós vamos pedir hoje. – Sara disse andando até a cozinha e começando a folhear os papéis nas gavetas.

– Você está bem, Tommy? – Felicity perguntou preocupada. Ela e Tommy se conheciam por pouco mais do que um ano, mas ainda assim parecia que ela o conhecia por toda a sua vida – ele era o melhor amigo de Oliver, e alguém que ele amava falar sobre – e ela podia entender o porquê. Ele era realmente amável, como um irmão que ela nunca teve, e ela podia ver porque ele era tão importante na vida de Oliver.

– Sim, Lis. – Tommy disse, não olhando em seus olhos e focando a sua atenção no seu copo de vinho.

– Você sabe que pode me contar qualquer coisa, certo? – Ela disse, sentindo a necessidade de reassegurá-lo. Ela queria que Tommy fosse de capaz de confiar nela, como havia feito com Oliver quando ele estava vivo. Felcity sabia o quão difícil fora para Tommy perder o seu melhor amigo, e ele como ela nunca tivera a necessidade ou desejo de substituí-lo na sua vida. Havia um buraco gigante dentro dele e nada ou ninguém seria capaz de preenchê-lo. Ninguém nunca tomaria o lugar de Oliver para eles.

– Eu sei. Eu acho que hoje é um daqueles dias, sabe? Um daqueles dias em que eu queria que Ollie estivesse aqui. Eu posso imaginá-lo aqui conosco, bebendo e rindo. Ele era tão cheio de vida, Lis. Você o teria amado. – Tommy disse preso em seus próprios sonhos sem notar a sutil devastação que as suas palavras levaram a Felicity, fazendo seu coração bater mais rápido em seu peito. Se Tommy apenas soubesse o quanto ela ainda o amava, o quanto Oliver havia mudado a sua vida.

– Eu o conheci, sabia? – Felicity disse suavemente se recompondo, movendo seus dedos pela borda da taça.

– Conheceu? – Tommy perguntou enquanto olhava para ela, chocado. Ela nunca havia lhe dito isso. Ela basicamente o ouvia contar histórias sobre Oliver, nunca adicionando nada, nunca perguntando nada.

– Nós trabalhávamos na mesma companhia, afinal. – Felicity respondeu simplesmente, não tendo coragem o suficiente para contar a Tommy a verdade. O machucaria mais do que machucava a ela própria.

– Oh. – Tommy disse num tom triste, visivelmente desapontado. Ele estava esperando por mais.

– Nós conversamos algumas vezes quando pegávamos o elevador juntos. Ele era muito doce e educado. Ele não era nada do que a imprensa tentava mostrar. Eles definitivamente não o conheciam. – Ela tentou não soar afetada. Ela segurou o fôlego enquanto esperava a resposta de Tommy nesse novo território que começaram a explorar.

– Você está certa, eles não o conheciam. – Tommy disse, soltando um grande suspiro. Ele estava começando a acreditar que Walter estava certo; era provavelmente alguém parecido com Oliver na Austrália. Ele havia se enganado pensando que de alguma forma ele receberia um milagre tão grande. Oliver se fora; tudo que ele teria dele seriam as memórias.

– Você realmente sente falta dele, não é? – Ela perguntou suavemente, desesperada pela capacidade de poder dizer algo sobre o homem que amava, mesmo que por um curto segundo.

– Todo dia. Ele era o meu melhor amigo, não... Ele ainda é o meu melhor amigo. – Tommy respondeu com uma força silenciosa. Felicity podia ver que ele estava lutando para controlar as suas emoções.

– Eu tenho certeza que ele estaria orgulhoso do que você se tornou, Tommy. – Felicity disse enquanto tocava seu ombro gentilmente, reassegurando-o.

– Obrigado por dizer isso, Lis. – Tommy disse com um pequeno, porém triste sorriso.

A porta da frente se abriu e Nyssa e Laurel entraram no loft, os saltos retumbando contra o chão de madeira e levando o “Momento Oliver” ao seu fim.

– Querida, estou em casa! – Nyssa chamou com um sorriso, tirando seu casaco e os saltos de couro roxo e os deixando-os no hall de entrada, enquanto Laurel colocava o seu casaco no armário do mesmo.

– Oi, amor. – Sara cumprimentou, andando da cozinha para beijá-la suavemente nos lábios.

– Oi. – Nyssa disse, feliz por estar de volta para a casa depois de um dia tão longo.

– Você vai guardá-los, certo? – Sara disse, apontando para os sapatos no chão.

– Quem diria que um dia você surtaria por causa de sapatos no chão. – Laurel disse para Sara, enquanto Nyssa voltava e colocava seus sapatos e casaco no armário. Laurel passou pela sua irmã que revirou os olhos com o comentário e andou em direção a Tommy, que já estava de pé andando em sua direção. – Oi. Por que a cara triste? – Laurel perguntou beijando-o suavemente. Felicity viu a preocupação nos olhos de Laurel e se virou para pegar mais vinho.

– Eu só senti saudades. – Tommy disse, enterrando seu rosto na curva do pescoço dela e deixando seu cheiro consolá-lo. Ela era a única coisa na sua vida que podia fazer a dor sumir.

Felicity olhou para os dois casais felizes, perdidos em seus abraços, e pela primeira vez em um longo tempo ela se sentiu como se estivesse sobrando. Assim como Tommy, ela podia imaginar Oliver ali com eles. Ele se encaixaria perfeitamente, como a última peça do quebra-cabeça. Mas ela nunca teria isso. Oliver se fora e ela nunca saberia como as coisas poderiam ser.

– Seu noivo estava reclamando sobre estar entediado sem você pelas últimas duas horas. – Sara disse enquanto Nyssa pegava taças para si mesma e para Laurel, andando descalça e ainda parecendo linda na sua saia longa preta e na elaborada blusa roxa.

– Oh, eu também senti saudades. – Laurel disse abraçando Tommy apertadamente.

– É, e agora que estamos todos aqui, podemos pedir a comida? Eu estou morrendo de fome. – Tommy gemeu, enquanto Felicity servia vinho para Nyssa e Laurel.

– Obrigada. – Laurel disse, aceitando a taça de vinho.

– Alguma sorte com o caso? – Felicity perguntou a elas.

– Falcone é um filho da mãe escorregadio. Ele sabe como cobrir seus rastros. Ele vem deixando uma trilha de cadáveres de qualquer um que poderia incriminá-lo. – Nyssa respondeu irritada enquanto sentava no sofá com a raça de vinho na mão.

– Nós vamos pegá-lo, Nyssa. Ele não vai escapar dessa vez. – Laurel disse firmemente, se sentando ao lado de Tommy, o braço dele relaxando nas costas do sofá atrás dela.

– Certo, então o que vocês acham sobre pizza vegana? – Sara perguntou a eles, arrastando todo mundo para uma discussão sobre laticínios e a nova tendência de Sara de não comer nada industrializado ou processado. Depois de uma longa discussão eles concordaram em tentar a pizza vegana, com queijo vegano e vegetais assados – deixando Sara muito feliz – e outra de pepperoni com tudo extra – para agradar Tommy e a sua necessidade desesperada por queijo e carne.

Eles já haviam acabado com metade da pizza quando o celular de Tommy começou a tocar. Ele não reconheceu o número, mas atendeu do mesmo jeito.

– Olá. – Ele disse baixando a sua fatia. Ele devia conhecer a pessoa do outro lado da linha porque sua expressão foi de confusão para seriedade e depois para surpresa.

– Meu Deus. – Ele disse num tom chocado, fazendo todo mundo se virar na sua direção. Seu rosto estava pálido e as suas mãoes estavam tremendo; lágrimas começaram a se formar nos seus olhos.

– Tommy? – Laurel disse cautelosamente enquanto se movia para perto dele. Ela tocou seu braço, preocupada.

– Meu Deus. Obrigado. Obrigado. Sim, eu vou estar aí em vinte minutos. Elas sabem? Ela está bem? Certo, eu estou indo. Obrigado, Walter. – Tommy disse antes de encerrar a chamada, suas mãos tremendo.

– O que aconteceu. – Laurel perguntou enquanto um grande sorriso aparecia no rosto dele. Ninguém nunca o havia visto tão feliz.

– Eles o encontraram. – Tommy respondeu se levantando para pegar o seu casaco no armário.

– Quem encontrou quem? Você não está fazendo o menor sentido, Tommy. – Sara disse, preocupada por ver Tommy agindo dessa forma.

– Eu preciso ir. Eu te ligo. – Tommy disse, suavemente beijando os lábios de Laurel e se movendo para a porta da frente.

– Quem foi encontrado, Tommy? – Felicity perguntou, assustada para saber o que estava acontecendo baseaso na reação de Tommy ao telefone. Ele parecia fora de controle e exultante ao mesmo tempo. Ela nunca o vira agir dessa forma antes.

– Oliver. – Ele respondeu com um sorriso largo, fazendo Laurel e Sara lhe darem olhares incrédulos.

– O que? – Felicity arfou, sentindo todo o ar deixar os seus pulmões. Não podia ser verdade. Ele estava morto. Ele morrera cinco anos atrás num acidente de barco. Ele a deixara, sozinha e sofrendo, tentando encontrar uma maneira de lidar todo dia com a sua perda; não podia ser verdade. Era um erro. Tommy estava errado.

– Tommy, isso não é possível. Você sabe que Oliver faleceu junto com o pai dele cinco anos atrás. – Laurel disse, tentando o fazer ver a razão enquanto vestia seu próprio casaco.

– Não é verdade. Eu o vi na Austrália uns dias atrás. Eu sabia que era ele. Eu só precisava de provas. Era Walter Steele no telefone. Eles encontraram o Oliver. Eles o encontraram. Oliver está vivo. – Tommy disse alegremente enquanto parecia saltar parado, fazendo as mulheres arfarem em choque quando ela os deixou e saiu pela porta com Laurel o seguindo de perto.

E bem assim o mundo de Felicity se desfez outra vez.

Oliver estava vivo.

***

Notas finais
N/A: Espero que vocês tenham gostado do novo capítulo de ‘Broken Arrows’! Postaremos os capítulos seguintes logo que estes forem traduzidos! Com amor, PoisonAngelMuse
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.