Broken Arrow
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
Londres, Outubro de 2010.
A noite recaia gélida sobre Londres, a capital inglesa; a cidade parecia nunca dormir, afinal de contas, era o lugar mais caótico de todo o Reino Unido, onde o antigo combinava com o moderno. Uma cidade apinhada de todo tipo de gente e cheia de belas arquiteturas senhoriais que disputavam as ruas e praças com toda a tecnologia e sofisticação do século.
Fazia bastante frio para ser apenas o começo do outono. Porém, os ingleses não pareciam dispostos a perder uma noite de sábado em suas devidas casas; bem agasalhados, lotavam as calçadas e estabelecimentos noturnos, sozinhos ou acompanhados, queriam apenas diversão para extravasar a semana de responsabilidades e o estresse acumulado.
Melody Lewis bocejou, olhando para o céu estrelado através do grosso vidro fumê da janela. Encontrava-se sentada em uma cadeira de estofado marrom, em uma mesa no canto mais discreto do tão requisitado restaurante, qual o nome ela houvera esquecido. Uma nuvenzinha densa e compacta saia de dentro do copo em repouso sobre a mesa; o cheiro de chocolate chegava até ela de forma agradável, quente e saboroso, entretanto, o nó em sua garganta a impedia de tomar a bebida.
Repousando sobre a mesa de mogno, seus braços permaneciam parados. Inevitavelmente seus olhos passavam rápidos pelas várias pulseiras que encobriam seus pulsos; que escondiam seu mais obscuro segredo. Logo desviava os olhos, incomodada. Olhar para os pulsos, mesmo que cobertos, era como ver suas fraquezas exposta a sua frente.
A hora já era avançada, contudo, o restaurante parecia apenas encher-se mais e mais a cada instante. Melody observou o ambiente já lotado, sem realmente se apegar a detalhe algum. Seus olhos somente acompanhavam o intenso fluxo das pessoas no recinto, de forma distraída, as observava entrarem e saírem pela porta automática de vidro; outrora fixava os olhos no vai e vem dos garçons que tentavam atender todas aquelas mesas no mínimo de tempo possível. Todavia, seus pensamentos estavam bem longe daquele ambiente barulhento.
Voltou seus olhos para a mesa e os fechou logo depois, levando ambas as mãos para as pálpebras cansadas, apertando levemente os dedos no local. Em seus pensamentos tomou forma um par de olhos de formato e cor tão parecidos com os seus, contudo, ao contrário do pequeno calor que ainda emanava dos dela, aqueles olhos eram opacos e frios.
Sentiu a incomoda dor no peito, o já familiar aperto. Era sempre o mesmo efeito que seu pai lhe causava, quando repentinamente, resolvia aparecer em seus pensamentos.
— Com licença. — a voz jovem e fresca soando em um tom grave por seus ouvidos, a surpreendeu. De imediato abriu os olhos e, levantando a cabeça, logo o avistou.
Aparentemente, era só um pouco mais velho do que ela e estava acompanhado por quatro outros garotos. O cabelo cor de bronze, liso e caído por sua testa, jogado despojadamente para o lado, de imediato a lembraram Justin Bieber. A pele era branca e seus olhos acastanhados; nos lábios rosados e bem desenhado, brincava um sorriso tímido.
Então o garoto, percebendo que Melody o esperava prosseguir, logo continuou:
— Se não for incomodo, podemos nos sentar aqui? Claro, se você não estiver esperando ninguém. É que não tem nenhuma mesa vaga e essa é a única grande e vazia o suficiente.
Melody passeou os olhos por sua volta em curiosidade. Constatou que realmente as mesas encontravam-se ocupadas e totalmente completas. Quando chegou ao local deveria ter escolhido um assento que não ocupasse tanto espaço, contudo, a única mesa no canto e o mais discreta possível que se encontrava livre era a que ocupava e ela não queria, de forma alguma, chamar a atenção.
Sentindo cinco apreensivos olhares sobre si, Melody lembrou que devia alguma resposta ao garoto. Ponderou em aceitar ou não, todavia, não lhe custava ajudá-los, afinal, não estava esperando ninguém e não demoraria muito mais para se retirar do recinto.
— Claro, podem sentar. — respondeu, instantaneamente abrindo um pequeno sorriso forçado; algo o qual estava tão habituada a desenhar nos lábio, que se tornara extremamente fácil enganar os demais ao redor de si.
Enquanto os garotos se acomodavam em seus assentos, Melody voltou a fitar a noite afora pela janela. Sentiu o celular vibrar no bolso de trás de seu jeans e sem muita vontade o tomou em mãos. Passou o dedo pela tela e logo a mesma estava acesa. No visor, uma notificação avisava que houvera chego uma nova mensagem, entretanto, ao reconhecer o número do remetente, preferiu guardar o celular sem sequer tomar conhecimento do que continha na mensagem. Não queria ter que dar explicações naquele momento.
Enquanto devolvia o iPhone ao bolso da calça, os garotos a sua volta explodiram em risadas de todos os timbres e diferente sons, no entanto, estranhamente em devida sincronia, enquanto as bochechas do único loiro tomavam uma pigmentação avermelhada, tornando-se mais coradas do que naturalmente já eram.
— Não estamos te atrapalhando, estamos? — questionou o que estava sentado ao seu lado. Era muito bonito e Melody, em uma breve reflexão, percebera que todos eles eram curiosamente familiares e de beleza única. Então notara que não reparara muito nos outros meninos a não ser no garoto que inicialmente chamara sua atenção.
— Não, não. — ela negou, sorrindo mesmo que sem vontade de o fazer. A verdade era que não estava com ânimo algum para conhecer novas pessoas, quanto mais forçar uma conversa.
O garoto retribuiu o sorriso. A pele era perolada, diferente do branco em extremo da grande maioria dos ingleses; o cabelo escuro era cortado baixo, a não ser por seu alto e impecável topete. Possuía um par de olhos castanhos claros e, no conjunto, uma aparência bastante agradável.
— Você é Melody Lewis, não é? — a indagação indesejada por Melody, viera do que estava sentado a sua frente. O cabelo liso era castanho escuro, cortados na altura de suas sobrancelhas e penteado para o lado. Continha intensos olhos azuis, que a fitavam por trás das lentes do óculos de grau de uma armação quadrada da cor preta; carregava nos lábios um sorriso engraçado e medonhamente a lembrava algum ator de comédia que houvera assistido em um filme que não lhe vinha a mente.
— Sim, sou eu. — afirmou, tentando não demonstrar seu total desanimo em ser reconhecida.
Queria apenas passar uma noite como uma adolescente comum que tinha alguns problemas familiares na bagagem. No entanto, o reconhecimento do seu potencial artístico, junto a sua instantânea fama, já não a deixava passar despercebida como uma garota comum que não tinha de carregar uma carreira musical nas costas.
— Nosso amigo aqui que te reconheceu. Ele é um grande fã. — contou o que estava sentado ao lado do garoto de óculos, com um sorriso maldoso direcionado ao loiro.
Era dono de profundos olhos verdes. Seu cabelo castanho, encaracolado, era jogado para um lado em um penteado incomum, contudo, o deixava incrivelmente sexy; seus lábios rosados e desejosamente grandes se rasgavam em um sorriso divertido, enquanto apontava para o garoto a sua frente.
— Não sou um grande fã. Apenas gosto das músicas. — tentou se defender o menino, em um inglês carregado de sotaque. Melody teve que se inclinar um pouco para frente, a fim de conhecê-lo.
A face envergonhada era nítida.
Era um tanto mais branco que os demais, se isso fosse possível, em um tom de branco rosado. Sua cabeleira loira estava por pintar a raiz, liso e bagunçado propositalmente, chegava um pouco antes da metade de sua testa; os olhos de um extremo azul celeste fitavam o amigo a sua frente, nada amigáveis. Possuía também poucas e tímidas sardas bem claras, espalhadas pelo rosto avermelhado de vergonha. Sobretudo, mesmo aparentando estar zangado, era de aparência extremamente fofa, o garoto.
— Então o que significa parar tudo o que está fazendo quando escuta o nome dela? Ou ficar sempre por dentro de tudo sobre ela? Ou as várias fotos dela em seu celular? Sem falar do pôster em sua porta, que você beija toda noite antes de dormir. — em uma voz comicamente aguda, debochava o garoto de óculos, sem um segundo de pausa, fazendo um movimento engraçado com a cabeça e as mãos em cada questão.
O loiro arregalou seus olhos e não parecia gostar nada da brincadeira; atingiu um tom ainda mais avermelhado e Melody não pode saber ser vinha da vergonhada ou pela irritabilidade que o tomava, todavia, ele parecia prestes a explodir.
A morena acabou por sorrir, não gostara de ser reconhecida, entretanto, sempre gostava do carinho que os fãs a passavam. Por um momento, sentia-se acolhida e importante para alguém.
— Não precisa ficar assim, é legal saber que tem pessoas que curtem o meu trabalho. — ela resolveu intervir antes que o loiro pudesse vir a literalmente explodir; virada para ele, lhe ofereceu uma piscadela e, assistindo o menino se aliviar, um verdadeiro sorriso desenhara os lábios rosados da cantora pela primeira vez desde que sentara ali.
Ele a encarava agradecido, mesmo que ainda mui vermelho, e a retribuiu de bom grado um tímido sorriso.
— Agora ele vai ficar sorrindo igual um idiota quando chegarmos em casa, por ter te conhecido. — voltou a implicar o de cabelos encaracolados. Ela, mesmo corada, não pode deixar de rir junto aos demais garotos, enquanto o loiro tacava um guardanapo amaçado no amigo.
— Certo. Vocês sabem quem eu sou, mas eu não sei quem são vocês. — comentou Melody em uma forma de tentar mudar de assunto e retirar o foco do loiro ainda envergonhado.
Ele a encarou, sorrindo em extremo agradecimento e ela apenas se pôs a retribuir o sorriso.
— Eu sou Liam. — apresentou-se o garoto que pedira para se sentar ali, estendendo a mão grande em direção à morena que prontamente a tomou, retribuindo o cumprimento do bonito inglês de voz grave.
— E eu, Louis. — fora vez do garoto de óculos e sorriso engraçado, sentado a sua frente, falar, levantando o dedo como se estivesse em uma sala de aula, o que fez Melody rir e acenar, voltando a tentar trazer a mente o ator que ele a lembrava.
Por fim, achou que Louis somente lhe era familiar, não associado a algum ator de comédia.
— Zayn. — a voz viera do garoto que ocupava o assento ao seu lado. Ela teve vontade de tocar em seu topete que era um tanto engraçado, mas controlou-se, exibindo somente um sorriso ao garoto que notou ser um tanto mais fechado que os demais.
— Harry. — o encaracolado apresentou-se, o sorriso aberto desenhando os lábios definitivamente devia arrancar muitos suspiros por onde ele o exibia; fora então que Melody reparara que, quando sorria, apareciam fofas covinhas em suas bochechas, que o deixava com cara de menino novo.
— E Niall. — apresentou-se por último o loiro, que disseram ser seu fã. O sorriso ainda tímido desenhava os lábios, no entanto, Melody observara os dentes tortinhos que nem por um decreto deixavam-no menos bonito. Niall era de uma grande beleza só dele, de tão fofo, lembrava uma criança de pouca idade.
Foi então, que sorrindo aos acompanhantes de mesa, Melody tomara certeza que seus nomes não lhe eram estranhos.
— Certeza que nunca os vi antes? — indagou baixinho, mais para si mesma, todavia, não deixando de ser audível para os demais garotos que esquisitamente fitaram-na com sorrisos arreganhados e olhares esperançosos; serem reconhecidos por Melody Lewis, uma cantora com grande asserção de fama, internacionalmente conhecida, seria maravilhoso.
— Nós participamos do X-Factor. — Liam entoou orgulhoso, o sorriso ainda explícito nos lábios, contudo, devida constatação de nada ajudara Melody; tentou trazer a mente o que era X-Factor, mas não teve sucesso.
Era leiga em programas de TV; em sua inútil fuga de rumores e críticas com seu nome, privara-se de assistir TV o quanto fosse possível, algo desnecessário, pois como nuvens carregadas tomando um dia de verão, era inevitável não deixar-se nublar pelas críticas que apareciam de todos e quaisquer lugares.
— Eu não assisto muito TV. — admitiu tímida, balançando a cabeça para dissipar os pensamentos caóticos que por vezes tomavam a mente e a faziam se sentir tão inferior a tantos outros artistas, por conta das odiosas críticas recebidas. Forçando a expressão a continuar neutra, Melody voltou a prestar atenção nos garotos ao seu redor.
— Nós nos conhecemos no programa, que afinal, não ganhamos. Lá nos juntaram em uma banda, que colocamos o nome de One Direction e, no final, acabaram nos contratando também. — Louis lhe dera mais informações, não ligando muito ao fato dela não o reconhecer, mesmo que o sorriso outrora tão contente, diminuísse aos poucos.
Ainda não haviam estourado com tudo no Reino Unido, o que esperavam que não demorasse a acontecer.
One Direction.
One Direction.
Definitivamente já houvera escutado aquele nome anteriormente; parecia que estava na ponta da língua, no entanto, sumia como uma caça fugindo das mãos do caçador.
— Ainda não somos muito conhecidos. — comentou Niall, observando com apreensão a expressão da Lewis. A jovem cantora parecia forçar algo a vir em sua mente, com a testa franzida e os olhos fixo na mesa, mordia o lábio inferior, sem dar-se conta que cinco pares de olhos observavam cada gesto cometido.
Então se lembrou, deixando surgir nos lábios um sorriso satisfeito. Simon falara um dia inteiro naqueles garotos, algumas semanas anteriormente. Contudo, Melody não lhe dera muita atenção, como fazia na maioria das vezes que o homem falava demais. Logo pescou em sua própria mente que Simon era frente do X-Factor, um reality show que procurava achar novos talentos para música.
— Agora estou lembrada do que é X-Factor. Mas foi Simon que já comentou algo sobre vocês comigo e confesso que não prestei muita atenção. — ditou ela por fim, cruzando os braços rente aos seios, sentindo suas bochechas esquentarem ao sentir os cinco encarando-a com sorrisos abertos e expressão de extremo ânimo, como se ela ter os reconhecidos fosse de extrema importância; o que Melody não sabia, era que para eles, de fato, era importante.
— Entendemos. Ele fala bastante às vezes. — Zayn entoou, a encarando compreensivo; o que a fez soltar um riso, dando de ombros ao que inclinava um tanto a cabeça para o lado.
Niall teve vontade de apertá-la, de tão fofa e bela que parecera aos seus olhos; era surreal ver as imagens de seu celular tomar vida em sua frente, repentinamente.
— Às vezes? Você quer dizer sempre né? Dá tempo de repensar tudo o que você fez em sua vida enquanto ele fala. — Louis exagerou em uma voz fina, fazendo graça. Os demais riram, concordando.
— Sempre me dá fome. — Niall comentou, dando de ombros. Melody soltara uma risadinha, todavia, estranhou não ser acompanhada pelos demais que fitavam com as sobrancelhas arqueadas um Niall de sorriso fofo e ombros encolhidos; este estava ciente que lá vinham mais encarnações por parte dos amigos.
— Quando você não está com fome? — debochou Harry, revirando os olhos ao que arremessava o guardanapo em Horan, que outrora, fizera o mesmo. Harry então, logo se virou para Melody, apontando com o dedo indicador para o loiro. — Se você deixar, ele come até o prato onde estava a comida.
Melody riu, escutando Niall protestar. Percebera logo que Louis e Harry amavam implicar com alguém e na maioria das vezes Niall era o alvo principal, fazendo o loiro ficar não só com as bochechas naturalmente coradas, mas com todo o rosto em uma coloração que de tão vermelha, fazia Melody suspeitar que o aloirado pudesse vir a realmente explodir.
Lewis gostou daqueles meninos, eram tão bobos, contudo, tão verdadeiros.
Fizeram-na sair da melancolia que se encontrava naquela noite, e já com os problemas guardados no baú, se deixou levar pelas brincadeiras, até mesmo bebendo o chocolate, já gelado, a sua frente.
Sem que percebesse, logo estava absorta na conversa animada e divertida daqueles cinco garotos brincalhões, pelo resto da noite, deixando para trás os olhos acastanhados que a perseguiam.
Sequer imaginava que dali em diante, os cinco garotos de mentes nada normais, tomariam sua vida facilmente e se tornariam seu porto seguro.
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