Broken Arrow
2 Capítulo Um
Notas iniciais
Capítulo Um
Poderíamos festejar a noite toda.
Quero gastar uma noite.
Você fará meu tipo até o final da noite.
(All Night Long – Demi Lovato)
Brighton, 2014.
Naquele sábado à noite, o Brighton Centre se encontrava em vasta lotação de histéricos jovens e adolescente, outras tantas crianças chorosas e alguns poucos pais corajosos quais encaravam todo aquele farfalhar e alvoroço juvenil para realizar a felicidade dos filhos com a faixa etária menor que a classificada pelo evento, ao que também prezava e velavam a segurança das suas proles; os gritos eram quase ensurdecedores e chegavam a fazer o chão estremecer.
Os umedecidos olhos castanhos da jovem cantora de esvoaçantes madeixas acastanhadas, estatuada ao centro do palco, passeavam orgulhosos por todo aquele mundaréu a sua frente que abarrotava a arena repleta de brilho e cartazes coloridos, semelhantemente chamativos. Sobre si, vindo de todas as direções possíveis, sem pausa pipocavam os flashes, à medida que os fãs vozeavam seu nome e apelido até suas respectivas gargantas arranhar; entoavam que a amavam entre outras tantas mais juras de amor.
Sempre fora uma sensação indescritível, aquela. Aquecia seu peito ao que lhe deixava ambiguamente com um frio lhe perpassando a espinha, alojando-se internamente no centro da barriga.
Irrevogavelmente sentia-se estranhamente pequena, estando parada sob o tão grande e bem arquitetado palco, rodeada por toda aquela gente no que era ovacionada em continua animação do público; seu público. Todavia, curiosamente, sentia-se igualmente grande por conta do trabalho ser tão bem reconhecido, trabalho este que era grande parte dela, vindo de seu próprio esforço e talento; grande por toda sua importância em cada expressão realizada nos rostinhos sorridentes naquela vasta multidão; por sua influência em grande teor sobre a enorme aglomeração que lhe aclamavam todo o tempo.
Tal momento passara a ser um dos únicos o qual se sentia plenamente feliz e realizada desde que entrara no espalhafatoso mundo da fama. Parada em devida marcação, podendo contemplar toda a grandiosidade que houvera chego seu nome, sendo tão bem prestigiada, igualmente querida e amada, chegava a considerar que nada poderia atingi-la; cogitando até que poderia ser imbatível.
— Obrigada por essa noite Brighton, vocês foram incríveis. — pondo o microfone em mãos, próximo aos lábios ainda repuxados em um enorme sorriso, agradeceu Melody; sua voz em extremo ânimo soando alta por toda a barulhenta arena. O sorriso não lhe abandonava os lábios pintados de rosa e Lewis estava ciente que permaneceria ali durante mais algum tempo. — Eu amo vocês!
As pontas da cabeleira castanha varreram o chão escuro do palco, ao que curvara o tronco, em uma típica saudação, reverenciando o entusiasmado público que instantaneamente conseguira chegar a um nível maior de afobação e histeria; as últimas notas da melodia agitada entoaram pelos instrumentos sendo tocados pela banda, ao que Melody voltou a ficarem ereta, os cabelos esvoaçando para trás em um gesto de tirar o fôlego. Acenando para a grande plateia, a garota deu as costas, correndo em direção à saída do palco.
Melody Lewis não se interrompeu na corrida, guiada por dois seguranças altos e extremamente musculosos, com suas respectivas feições fechadas, corria ao longo do corredor comprido, somente pondo fim a veloz caminhada quando abruptamente ambos os seguranças pararam enfrente a uma porta, obrigando-a também parar caso não quisesse tombar com a face nos músculos cobertos pelo terno preto de um dos seguranças.
Não se importou em agradecer a companhia nada agradável dos homens, para ela o seu agradecimento cairia em suas contas ao final de cada mês em forma de euro; em tais instantes ela preferia estar na companhia de um único segurança que definitivamente teria a repreendido por sua corrida ao longo do corredor com um enorme discurso sobre poder se machucar ou machucar alguém. Discurso este que ela faria questão de ignorar e fingir indiferença, muito embora, somente para irritá-lo.
Ao menos suportava Paul, ao contrário dos demais, como aqueles dois.
Inutilmente tentou regularizar a respiração, pregando os olhos na porta de madeira clara com uma estrela dourada acima de seu nome em letras garrafais; entretanto, o que pegou sua real atenção fora o pôster pendurado alguns centímetros abaixo.
Melody Lewis & One Direction Tour. Lia-se em letras cursivas, em vermelho, postas ao meio do pôster.
Observou a foto de cinco bonitos europeus que, estando ela ao meio deles, permitia que a apertassem, sorrindo divertidos.
Com a sensação de dever cumprido alojando-se em seu âmago, Melody sorriu satisfeita para a foto. Aquele fora o primeiro show de uma longa turnê com a One Direction pela Europa.
Abafados pelo material de madeira, ruídos e risadas, entre alguns gritos desconexos, eram escutados de forma escandalosa, vindos de dentro do cômodo. Não pode evitar soltar uma pequena risada ao imaginar o que teria tanta graça para os amigos, afinal, eram sempre imprevisíveis. Já chegava ser cômico o fato de estarem alojados em seu camarim, sendo que cada um possuía um próprio; mais pareciam algum tipo de imãs, curtiam ficar juntos a maior parte de tempo, quando em turnê.
Sem aviso prévio, Melody pôs a mão gélida e escorregadia sobre a maçaneta de ferro, girando-a, para logo abrir a porta sem sutileza alguma, cometendo um som alto e grave ao que a madeira se chocou contra a parede. Reprimindo a risada, assistiu os sinto pares de olhos assustados dirigirem-se a ela, alarmados.
— Posso saber qual era a piada? — indagou divertida, a voz aquecida em uma oitava acima de seu tom de voz normal. Pôs a mão no quadril, ao que o reconhecimento tomava as feições masculinas em alardes, e, aos poucos, estas iam se dissipando.
Considerando o fato dos cinco britânicos presentes serem o sonho de consumo de mais da metade da população mundial feminina, e até mesmo de grande parte da masculina, não era nem um pouco feios, os garotos. Era percebível a diferença um do outro, física e espiritualmente, todavia, para Melody, eram tais diferenças a fonte da forte ligação do grupo. Haviam sido postos juntos pelo mesmo sonho, repentinamente virando irmãos de famílias diferentes. Aqueles cinco garotos houveram reinventado o modelo típico de família, atipicamente criando a deles própria.
— Mel! Você foi fantástica. — o primeiro a se pronunciar fora o único loiro, prestigiando Melody com um sorriso aberto; atendia pelo nome de Niall. Pulando do sofá a qual, anteriormente estava acomodado de forma desleixada, deu uma breve corrida até a garota. Tomo-a em um abraço caloroso e apertado; Lewis somente ria de sua afobação.
Niall havia nutrido essa mania de apertá-la em seus braços de forma protetora e afobada; e a inglesa poderia afirmar sem dúvidas que Niall possuía o melhor abraço de todos.
— Isso não te dá o direito de nos matar de susto. — a voz mal-humorada soara por seus ouvidos, tomando sua atenção e a fazendo dirigir seus olhos ao moreno que olhava-se no espelho a procura de algum defeito em seu impecável cabelo ou na face de uma beleza indescritível. Divertida, Melody revirou os olhos, sabendo que toda a pose de sério nada mais era que um mito. Zayn Malik poderia ser tão mais infantil que uma criança de cinco anos. Ele, observando-a pelo reflexo do espelho, abriu um sorriso. — Mas você foi ótima mesmo.
— Yeah, você arrasou garota. Mas ainda merece uns bons tapas por me fazer cagar de medo pensando que fossem fãs histéricas querendo ter meu corpo nu. — em um tom agudo e comicamente engraçado, o mais velho de todo o grupo se pronunciou, suas palavras rápidas e em seu perceptível modo brincalhão; Louis era seu nome. Todavia, levando em conta que era o mais infantil e engraçado de toda a turma, mesmo com a idade acima dos demais presentes, em grande maioria das vezes, maturidade não o acompanhava.
— Isso não pode! Só eu posso ter seu corpo nu. — o que poderia soar estranhamente duvidoso vindo de um garoto para com outro, fizera uma risada se alastrar por entre os ocupantes do local, ao que a voz extremamente rouca do mais novo da banda soara ao longo do camarim.
Era moreno, dono de cachos rebeldes em um cabelo atualmente grande, e brilhosos olhos verdes; quando sorria, como fazia naquele instante, duas cavidades tomavam suas bochechas, deixando-o irresistivelmente fofo. Nominado por muitos apelidos, os tabloides limitavam-se a chamá-lo somente de Harry.
Harry Styles, para Melody era somente uma das maiores fontes de problema.
O cantor pulou em Louis, que sentava em um dos sofás e logo riu alto quando o mais velho o agarrou de volta.
Melody os observou. Atualmente eram raros os momentos em que os garotos brincavam um com o outro de tal forma e quando ocorria era somente entre eles; após grande duvida sobre a sexualidade de ambos e especulações sobre um possível romance, Harry e Louis houveram se afastado um tanto.
— Vocês me assustam. — a voz do, até então, mais responsável e aparentemente menos anormal de toda a banda, ecoara divertida pelo camarim de Melody; esta o observou com um sorriso, os olhos castanhos agarrando-se aos dele que eram de um tom quase igual ao dela; ainda tentava se acostumar com o cabelo cortado tão baixo, onde, quando o vira pela primeira vez, mas parecia uma réplica do antigo Hair Flip do Justin Bieber; os lábios rosados e cheios sorriam gentis e se não fosse comprometido com alguém especial, poderia facilmente ser um verdadeiro príncipe a qualquer garota que o desejasse e merecesse ter. Payne caminhou até ela e deu um estalado beijo na bochecha rosada da cantora. — Você realmente foi incrível. Eles gritaram mais com você do que com a gente e eu estou com ciúmes.
— Assim vocês me deixam constrangida. — ditou Melody em um tom brincalhão, fingindo uma vergonha inexistente ao esconder o rosto entre as mãos miúdas. Soltando uma pequena risada, sendo acompanhada pelos demais, passou com os olhos transbordando em gratidão sobre os amigos, um singelo sorriso grudado à boca. — Obrigada garotos. Mas vocês também arrebentaram naquele palco.
O grupo a saudou com gratos sorrisos e logo o recinto se alastrou em conversas paralelas; no que Niall a soltava, caminhando em direção a Zayn, cada um voltava a suas respectivas ações de antes.
A jovem inglesa se jogou no único sofá desocupado, sentindo a fadiga pesar nas pernas; esparramou-se no assento deixando escapar um suspiro ruidoso por entre os lábios. O cansaço de quase duas horas em acrobacias, passos de dança ensaiados, pulos e gritos, finalmente faziam algum efeito sobre si.
— Já cansada? Que fraca. — a voz rouca soando extrema e irritantemente implicante a despertou do estupor de cansaço; revirou os olhos, assistindo Harry afundar ao seu lado. Ele, sabendo o quão fácil era irritá-la, lhe cutucou a barriga, tendo consciência que Melody odiava tal feito.
— Vai se foder Styles. — murmurou em voz baixa, estreitando os olhos na direção do moreno ao que se desviava dos dedos longos que insistiam afundar-se em sua barriga. A feição de Harry se tornara maliciosa; Melody sabia que ele não a deixaria em paz sem dar a última palavra.
— Com toda certeza mais tarde iremos, Lewis. — se fosse outra em seu lugar, sentiria o rosto pegar fogo em constrangimento pela frase cafajeste de Harry; todavia, Melody não era o tipo de garota que corava atoa, principalmente quando se tratava dela para com garotos. Não mais era o estilo menininha, após alguns anos, timidez era algo que não a abalava mais.
Ainda diante dos incríveis olhos verdes que transbordavam malícia, junto ao sorriso torto que desenhava os lábios de Harry, Lewis tomara consciência que estavam com suas faces a centímetros de distância. Logo revirou os olhos, afastando-se o tanto que o sofá os permitia e não o respondeu, limitando-se apenas em esticar o dedo do meio em direção do garoto, sem por muita importância ao assunto sem nexo.
Já havia simplesmente se habituado à grande afeição que Harry adquirira em lhe tirar do sério.
— Vamos sair para comemorar, certo? Afina, foi o primeiro show. — a voz de Niall pegou a atenção não só da cantora, como de todos os outros acomodados em quaisquer cantos do amplo camarim. O loiro caminhava até o pequeno frigobar do recinto e Melody o acompanhava com os olhos, abrindo um sorriso a ideia genial do cantor.
— Com toda certeza. — Melody franziu o cenho ao perceber que sua fala se pusera em sincronia com a voz rouca de Harry ainda ao seu lado; conectando seus olhos nas orbitas esverdeadas, foi inevitável não imitar o sorriso divertido que se desenhara nos lábios do moreno.
Louis e Liam se entreolharam com nenhum entusiasmo; sabiam que a definição de sair para comemorar dos demais amigos não era comparecer a uma pizzaria, ganhando alguns quilos em uma noite tranquila com algumas fãs ao redor; e sim algo não muito animador para dois garotos comprometidos e sem a presença real das namoradas.
— Por mim, tudo bem. — Zayn dera de ombros ao sentar-se de forma despojada sobre o chão, com as costas devidamente apoiadas no sofá a qual Louis e Liam dividiam espaçosamente. Malik estava consciente que não haviam escapatórias, quando Niall proferia alguma ideia em voz alta, qual era prontamente apoiada por Melody, esta obrigava a grande maioria, com exceção de Harry, a comparecer com ela.
— Então está fechado, iremos todos. — Melody entoou destacando sua última palavra; os olhos acastanhados fixaram-se sobre as duas figuras acomodadas no estofado a sua frente, deixando explícito que Louis e Liam não escapariam tão fácil.
Antes que o camarim se inundasse com protestos, um homem adentrou de forma apressada ao recinto; aparentava ter menos de quarenta anos e mais que trinta. O cabelo escuro era cortado baixo e trajava calça jeans; o físico corpulento era tapado por um casaco azul disciplinarmente fechado. As pequenas pregas ao lado de seus olhos claros demonstravam incontáveis sorrisos, como o que exibia naquele devido instante.
Paul Higgins agia como empresário de turnê e viajava com um time de seguranças ao redor do mundo junto à One Direction, muito embora houvesse sido encarregado de ser responsável também por Melody Lewis. Os acompanhava em quase todos os lugares que compareciam e muita das vezes era procurado para dar conselhos; Paul, em grande maioria de tempo, mais parecia algum tipo cômico de babá para seis jovens com mente de adolescentes desgovernados.
— Se ajeitem. Em cinco minutos começa a sessão de fotos com os fãs. — entoou Paul peculiarmente apressado; valseou com os olhos sobre os seis que observavam-no com interesse, e logo voltou a trajar o caminho de volta a porta. Deteve-se quando chegara ao portal, então virou novamente aos que, até então o assistiam, e os ofereceu o sorriso que ainda não houvera saído dos lábios finos. — Antes que eu me esqueça, vocês foram demais esta noite.
Tão rápido quanto chegou, Paul desapareceu ao passar pela porta, sumindo no corredor que passara a encher-se com o pessoal dos bastidores da turnê. Os seis jovens presentes entreolharam-se, rindo após, já muito acostumados com o modo de agir do segurança.
— Oh não, terei que aguentar as histéricas fãs da One Direction. —zombando, Lewis pôs a mão pequena sobre a própria testa, expondo na face uma careta ao que dramatizava toda uma cena.
Niall, reprimindo a vontade de rir da cena cômica, ajeitou-se na poltrona entre Harry e a garota, tendo a garrafa d’água que empunhava em mãos tomada por Harry.
— Falou a cantora dos fãs discretos. Sua feia. — Louis rebateu de imediato e em um modo de extrema infantilidade, estirou a língua na direção da amiga, balançando o rosto de um lado ao outro. Melody somente o observou, uma das sobrancelhas bem desenhadas erguendo-se majestosamente.
— Quantos anos vocês tem mesmo? Doze? — indagou a cantora com o tom de voz apático, o encarando com o cenho franzido. Era uma boa atriz, a Lewis.
Ao redor, os amigos explodiram em risadas ao constatar a expressão nada feliz do mais velho. Preguiçosamente, Melody se ergueu do sofá o qual estava acomodada e, dando poucos passos a sua frente, jogara-se sobre Louis que mantinha o bico na face emburrada.
— Sabe que eu te amo, Boo Bear.
Franzido o nariz em uma careta de insatisfação pelo apelido empregado, o cantor logo se deixou levar, desmanchando a expressão emburrada em um sorriso ao que abraçava Melody de forma apertada.
Não haviam negado ou sequer protestado quando, meses anteriormente, o empresário responsável tanto pela One Direction quanto por Melody, houvera tido a ideia de unir ambos estrelatos em uma só turnê; considerando o fato de que a banda encontrava-se alastrando pelo mundo como fogo sobre uma longa trilha de pólvora, e que Melody Lewis, cuja fama repercutia mundialmente e já há algum tempo mantinha-se inabalável no topo, não havia forma alguma da turnê não ser algo perto do positivamente estrondoso.
Simon Cowell estava ciente da amizade que as seis celebridades cultivavam e mantinham aos bastidores de toda a correria de suas respectivas vidas e do quanto tal feito percorria de forma positiva por toda a mídia.
Somente então juntara o útil ao agradável.
Ao uni-los em uma única turnê, Simon e toda sua equipe pudera se focar em arenas maiores e mais ampliadas, assim, expandindo os shows; passaram a ganhar muito, não só financeiramente, como em fãs e em popularidade nos tabloides em geral.
Ao todo, para as seis celebridades em acessão, era inexplicavelmente incrível usufruir de todo aquele tempo juntos.
——
O local estendia-se sobre luz precária. Uma batida animada soava extremamente alta por todas as caixas de som espalhadas em diversos cantos do amplo recinto; jogos de luzes coloridas, dependurados ao centro do teto da pista de dança, piscavam e refletiam por toda parte.
A casa noturna, uma das mais bem frequentada e igualmente reconhecida em Brighton, encontrava-se em explícita lotação naquele começo de madrugada; as poucas mesas ao redor da pista estavam completamente ocupadas, a pista de dança repleta das estirpes de todos os estilos, cor, raça e humor.
— Vocês vieram ficar sentados? — a voz estridente e necessariamente gritada para se fazer audível por sobre todo aquele caos e barulho, soou aguda aos ouvidos dos três garotos acomodados a mesa no canto menos iluminado. Em pé, Melody envolvia com a mão um copo de vidro com um conteúdo de cor chamativa em seu interior; uma bebida a qual não estava consciente do nome, porém, que o bartender lhe garantira ser forte.
— E se dissermos que sim?! — indiferente e ridiculamente entediado, ao levar em conta do local o qual se fazia presente, Louis ditou à Melody. Não era seu feitio beber e dançar por toda uma noite em baladas, não quando não estava acompanhado por Eleanor, sua namorada.
Melody revirou os olhos, tomando um gole da bebida que descera queimando a garganta. Impaciente, intercalava seus olhos sobre Liam, Louis e Niall, que evitavam retribuir o olhar nada amigável da morena.
Bufando, Mel pôs a mão, a qual não segurava o copo, no quadril modelado, os saltos batendo ao chão em um ritmo descontrolado.
Passeou com os olhos por toda multidão que lotava a pista, fechando-se como uma relva, impedindo-a de ver muito além dos primeiros corpos dançantes; caçava Zayn com o olhar, mas nem deslumbre de seus fios negros se fazia.
Melody queria dançar, deixar o corpo se perder no compasso da melodia animada que fazia tremer até os ossos, no entanto, não poderia se arriscar a terminar a noite sem calcinha, caso sozinha fosse para o meio da pista abarrotada de garotos; não que fosse reclamar se tal acontecesse, porém, Liam nunca permitiria, estando ela ainda sobre seu olhar observador.
— Vieram aqui para ficar sentados, mesmo, mesmo? Eu quero dançar caralho. — irritada, Melody proferiu em alto tom de voz, pondo o copo sobre a mesa, para então cruzar os braços na altura dos seios fartos; a expressão infantilmente emburrada.
— Você já bebeu quantos copos desses? E afinal, que bebida é essa? — Louis interrogou, arqueando uma das sobrancelhas ao que assistia Liam se esticar sobre a mesa e por em mãos o copo com metade da bebida ainda intacta.
Payne o aproximou das narinas, torcendo o nariz ao sentir uma leve e incomoda ardência após inalar o cheiro forte da grande quantidade de álcool inserida na bebida de cor curiosa; roxa, ou azul, não saberia afirmar.
— Talvez dois... Ou três. Quatro, quem sabe. — a voz de Melody surgira incerta; levava os olhos ao teto foçando a mente já lenta a relembrar a quantidade ingerida da bebida. Por fim, deu de ombros; não importava devida constatação, o fato realmente considerável era que o álcool circulava a todo vapor em suas veias, deixando-a um tanto alterada.
— Então está na hora de pararmos. — soando azucrinante aos ouvidos da cantora, o tom sério e pateticamente paternal de Liam afirmara algo que não lhe passava na mente obedecer. Liam podia beber o quanto quisesse e ela não?
Por vezes Melody considerava fofa toda aquela índole responsável e cuidadosa de Payne para com os outros que lhe eram importante, geralmente a fazia se sentir acolhida no meio do turbilhão que virara sua estúpida vida. Contudo, não quando estava um tanto bêbada, com seu corpo pedindo para extrair toda a energia que o álcool a revitalizava, desejando por movimentar-se no ritmo da música até seus pés sangrarem.
— Quando você parar de ser chato, talvez. — zangada, Melody rebateu, pondo a se encaminhar em direção ao garoto com o intuito de tomar seu copo da mão do mesmo. Percebendo a ação que viria da morena, Liam rapidamente levou a mão para trás, deixando com que pouco da bebida caísse no trajeto. — Olha ai Liam, você está derramando!
Esticou-se sobre Liam, tentando inutilmente resgatar seu copo. No entanto, o cantor continuava a ter êxito em sua fuga; enquanto que com uma mão a afastava de si, com a outra colocava o copo a uma distância considerável da Lewis. Liam mordia o lábio inferior com força, resistindo com bravura à vontade de rir da cena patética.
— Você está um pouco bêbada Melody. — considerou a si próprio um tanto pateta por constatar o óbvio. Ao lado, Louis começou uma crise de tosse ao disfarçar a risada, estando ciente que caso gargalhasse abertamente da cena, sobraria para ele também.
— Foda-se. — articulou raivosa a Lewis. Inutilmente, tentou outra vez arrancar o copo das mãos do cantor, logo bufou em frustação percebendo que Liam já derramara quase toda a bebida sobre o chão e sua calça jeans.
Contudo, sentiu-se bem ao perceber que ele encontrava-se molhado ridicularmente perto de sua parte íntima; o fato de que Liam pagaria o papel de mijão abafava um tanto seu furor de irritação.
— Mel, vamos? Eu danço com você. — abruptamente Niall se fizera audível. Firmou-se em seus pés, deixando de lado o assento estofado, orgulhosamente foscando total atenção da cantora.
Sabia que caso não intervisse, devida discussão entre Liam e Melody resultaria em algo mais alarmante em pouquíssimo tempo. E, definitivamente, ninguém queria ter de presenciar alguma cena medonhamente drástica entre dois melhores amigos; um deles bêbedo.
Uma vez que ouvira o que ansiara por toda àquela hora, Melody se pôs em posição reta, dando um sorriso estupendamente animado, dissipando os pensamentos assassinos que entorpeciam sua mente contra Liam Payne.
Tomando os vislumbres dos olhares em gratidão que Liam e Louis o presenteavam, Niall simplesmente dera de ombros, deixando-se levar pela mão da garota entrelaçada a sua no que Melody o arrastava para o meio da abarrotada pista de dança.
——
Não era muito bom em dançar, o irlandês. Desengonçado, um tanto duro e sem coordenação alguma, divertia Melody com seus passos engraçados, inventados na hora sob a batida eletrônica de algum DJ.
— Por favor, nunca, nunca mesmo, tente a carreira de dançarino. — aproximando perigosamente do cantor, inocente sobre o perigo, Melody pôs os lábios quase grudados ao ouvido do irlandês, a fim de se fazer ouvida sobre o som ruidoso e mui alto naquela extremidade da pista.
Sentindo o pescoço junto ao rosto esquentar repentinamente, Niall abrira um sorriso tonto, agradecendo mentalmente pelo estado alterado da jovem Lewis não deixá-la perceber o quanto devida proximidade mexera com seu sistema nervoso, o cometendo um leve tremor.
Melody voltou a mover o corpo no embalo da música eletrônica; enquanto mexia os quadris, as madeixas escuras esvoaçavam para todos os lados no que jogava a cabeça para lá e para cá, vez ou outra tendo de elevar uma das mãos e retirar os fios que insistiam em grudar no rosto suado.
Niall logo se obrigara a voltar remexer, trocando o peso do corpo de um pé para o outro, desajeitadamente tentando entrosar o corpo com a música, todavia, falhava ao somente ter capacidade de observar em forma hipnotizada Melody Lewis.
Melody não era o tipo propício de garota a qual você deveria se apaixonar, ele bem sabia. Era independente, sempre cuspindo aos quatros ventos que não precisava, e sequer algum dia precisaria, de garoto qualquer para lhe fazer plenamente feliz.
Talvez, quando a conheceu, há quatro anos anteriormente, ela ainda conservasse o alegre jeito fofo e ambiguamente ingênuo, o que atualmente apenas era usado para as lentes das câmeras e os tabloides. Sim, pois enfrente as câmeras, Melody era outra. Tão quieta, meiga e jovial. Era o estereotipo da garota perfeita usada como exemplo para toda uma nação de tantas outras que se achavam perfeitas e outras mais que ansiavam ser perfeitas e viviam com suas frustações.
O tempo passara e Niall se pôs assistir a drástica mudança que os dias lançavam em Melody, até que a morena virara um verdadeiro furacão.
Não que houvesse se transformado em algum tipo de megera, todavia, não era uma das melhores garotas. Passara a não se apegar as pessoas que tentavam inutilmente se aproximar, muito menos parecia importar-se com elas. Bebia o quanto podia e beijava quem queria. Com o tempo passou a ser o tipinho que sempre ganhava tudo que ansiava, sempre agrupando vitórias; além de passar por cima do que tivesse que passar, seja o que fosse, para conseguir.
Horan a vira se por em modo automático. Ligara a indiferença e começara a achar que tudo podia por conta dos vários números que formavam sua conta bancária, afinal, sua família não era muito presente na nova jornada que escolhera trajar para sua vida. E tinha dinheiro. Então, se soubesse esconder da mídia o que se transformara, podia tudo.
Dona de um gênio difícil e temperamento forte; dura como pedra, fria como gelo, demasiadamente irônica, e por vezes muito grossa, a garota era um posso de orgulho; muitas vezes seu lado apimentado chegava a assustar Niall. Não que ela o usasse com ele, lamentavelmente, com ele não. Era a única regra de Melody ao tratar de garotos. Poderia ter todos, menos eles, os garotos da One Direction; ironicamente, somente com uma exceção que, novamente, lamentavelmente não era ele.
Aquela era Melody, e mesmo assim, sabendo de todos os prós, Niall deixara se apaixonar. Mesmo que soasse extremamente patético e tolo, ele simplesmente dizia conhecer a Melody que se escondia atrás de um sorriso, lamentava com o silêncio e gritava através do olhar. Conhecia a cantora tão menina e outras vezes tão mulher; madura o suficiente para escutar e imatura a pondo de não querer falar.
Porquanto, quando eram somente eles, mesmo que Melody nunca enxergasse nada mais que uma cumplicidade fraternal, Lewis conseguia soar verdadeira; mesmo cheia de birras e manias.
Pena que logo o mundo a volta era repentinamente acionado e a garota, já não mais a sua garota, corria para usufruí-lo do pior modo possível.
——
A madrugada se estendia descontraidamente animada. A vastidão de pessoas ainda lotava com maestria todo o renomado pub. As luzes piscavam incandescentes e em par com a batida eletrônica, levava toda a estirpe à quase alucinação; seus corpos mexiam-se com mais fervor a cada nota maior da batida, ninguém parecia ter a audácia de parar naquele ponto que seus movimentos já eram automáticos.
Em um canto discreto do bar, Melody se juntava a minoria que não complanava a pista de dança e seus arredores; acomodada no banco cocuruto, apoiava ambos os cotovelos no balcão gélido do bar. A feição apática lhe tomava a expressão ao que apenas observava o ambiente, com nenhum interesse aparente.
Um suspiro exausto escapou por entre os lábios avermelhados, os dedos finos embrenhando-se nos fios da raiz do cabelo, ganhando território ao que Lewis inclinava a cabeça para baixo, os olhos fechando-se cansados. Uma careta se formou quando constatara o quanto seus fios estavam embaraçados ao longo do comprimento do cabelo; decidida a não piorar, a inglesa retirou as mãos do cabelo, voltando com o rosto para frente, os olhos abrindo preguiçosamente.
Desceu uma das mãos em direção ao copo que tomava espaço entre seus dois cotovelos; levou-o aos lábios logo depois, ingerindo um grande gole da bebida adocicada. Olhou com superioridade para o Barman que a fitava malicioso e o deixou sem graça. Se havia uma regra sobre garotos, essa era: não ir para cama de qualquer pé rapado que aparecesse em sua frente, principalmente um reles barman que provavelmente morava em um quartinho de alguma casa no subúrbio fedido daquela cidade.
Pondo o copo de volta ao balão, os olhos passaram sobre o relógio em seu pulso; o delicado prata marcava mais de três horas da manhã.
Lewis tomava consciência que já se passara algum bom tempo desde que chegara ao local abarrotado de gente e um tempo considerável desde que Niall fora ao banheiro e a deixara mofando naquele bar.
— Preocupada com a hora? — fazendo-a instintivamente arrepiar-se dos pés a cabeça, a voz rouca qual lhe era estupidamente familiar, soando perigosamente perto de um dos seus ouvidos, a emergiu de seus devaneios; os lábios macios roçavam em seu lóbulo no que cada palavra era arrastada por Styles.
— Porque estaria? — girando no banco o qual estava acomodada, encarou Harry com uma de suas sobrancelhas arqueada, uma das mãos o empurrando para uma distância segura de si; os maliciosos olhos esverdeados instantaneamente sugando seus acastanhados.
Um vitorioso sorriso lhe desenhava os lábios, e, tendo consciência que vinha do efeito que anteriormente a causara, Melody não evitou revirar os olhos. Não era o único que poderia fazê-la arrepiar, deveria saber disso.
Em contra partida, para Harry, cometer algum efeito em Melody era como um prêmio, contando que a garota odiava dar-se por vencida quando se tratava dele.
— Está olhando o relógio de minuto a minuto, desde que eu te avistei aqui.
— Estava me vigiando, Styles? — indagou zombeteira, a voz soando jovial, impregnada de cinismo. Virou-se em direção ao cantor que sentara ao seu lado, cruzando os braços na altura dos seios, encarando-o inquisitorialmente.
No entanto, Harry continuou com a feição indiferente, a fitando sem sequer se sentir envergonhado; o modo pomposo, a expressão apática junto ao sorriso que exibira extremamente galanteador, não saia da face bem desenhada.
— Já viu o quanto de caras estão loucos para terem a chance de te foder? Apenas estou zelando pela sua segurança. — deu de ombros, como se realmente o importasse tal constatação sobre o bem-estar de Melody; abriu um sorriso quase inocente logo após.
Sem realmente se incomodar com o olhar meticuloso e debochado de Melody sobre si, Styles tomou o copo da cantora, o conteúdo ainda em sua metade, tomando um grande gole da bebida de cor exótica.
— Espera. É isso mesmo?! Harry Styles com ciúmes? — caçoou a jovem, entoando em sua voz aguda; o sorriso divertido ampliado tomavam-lhe os lábios avermelhados ao que inclinava um tanto a cabeça para o lado.
A risada alta de Harry soara em seus ouvidos sensíveis, assistindo-o pender levemente a cabeça para trás, o cabelo rebelando-se um tanto mais com o movimento repentino. Logo que sua risada sessara, Harry voltou com seu olhar indiferente sobre a morena, preguiçosamente levantando-se do assento, retirando o espaço que o mantinha longe da cantora.
Se pôs entre as pernas desnudas de Melody, pondo seu rosto a centímetros do da inglesa, assistindo com satisfação notória o sorriso divertido vacilar na face esbranquiçada da Lewis; seus globos verdes fitando-a em explicita malícia. O banco, por ser alto o suficiente, permitia a Melody ficar na altura de Harry, não tendo de inclinar a cabeça para trás como geralmente precisava para encará-lo desafiadoramente como o fazia em devido instante.
— Não preciso ter ciúmes. — proferiu em lentidão, a voz rouca alçando uma forma sensual extraordinária. A ponta dos dedos gélidos roçaram de maneira arquitetada, traçando os braços descobertos da morena. Melody evitou estremecer sob o toque delirante de Styles; ele não merecia, sempre cheio de si, deixava-a enjoada com toda sua autoconfiança. — Porque nenhum deles é quem você quer, não é? Nenhum deles vai ter o efeito que eu tenho sobre você ou vai te fazer gritar como eu faço. Ninguém vai te foder como eu fodo. Porque nenhum deles sou eu.
Ultrajada com a estúpida constatação de Harry, a inglesa preparara-se para afastá-lo; ou o encarar com uma expressão nada feliz; também para levantar e o deixar para trás, quiçá até mesmo lhe desferir um belo soco na face metida. Afinal, quem Harry Styles pensava ser ao ter tanta convicção e modéstia sobre o poder que possivelmente exercia sobre ela? Poder este que definidamente não existia a não ser na mente deturbada de Styles.
Para Melody, a transa com ele era boa, sim, todavia, era boa com tantos outros caras também.
Porém, não pôde sequer ter tempo para escolher o que faria contra Harry, visto que abruptamente sentira os lábios gélidos do cantor chocarem-se sobre os seus com maestria. De começo, forçara Harry a se afastar, mas este nem movera um centímetro para longe; logo não conseguira resistir ao cheiro de sua sedução. Permitindo-o usurpar seus lábios, entregara-se ao beijo delirante, suas línguas travando uma batalha onde ambos, orgulhosos ao extremo, negavam-se perder.
Harry e Melody cultivavam um antigo relacionamento um tanto complexo demais para quem o visse de fora; como uma guerra fria, caminhavam perigosamente na linha tênue entre o ódio e o desejo explícito. Quando não estava um tentando machucar o outro, estavam se pegando.
Era algo explicitamente sem compromisso algum. Acabavam com seus respectivos desejos quando estavam com vontade, carentes, ou, muitas das vezes, quando não continham algo melhor para os distraírem. Definitivamente não se consideravam melhores amigos, sequer algo perto de ficantes. Intitulavam-se de inimigos com benefícios; ou colegas, dependendo da ocasião.
Melody não cultivava sentimentos algum sobre Harry. Na verdade, em sua escala de pessoas suportáveis, Styles provavelmente estaria em último lugar. Era bom de cama, o garoto, entretanto, definitivamente não era o tipo que ela ansiava ter como mais que uma diversão rápida.
Com ele simplesmente não precisava fingir ou forçar algo, ambos procuravam somente diversão, sem realmente se importar com toda a baboseira que diziam existir sobre o coração.
Sobretudo, ao findar das contas, eram estupidamente parecidos, ambos. Com todos os mesmos gênios difíceis, patética arrogância e tola frieza. Talvez fosse este o motivo para brigarem tanto.
E, por mais que não fossem sequer ligados como Melody era dos demais garotos da One Direction, por conta da grande afeição que houveram cultivado em odiar um ao outro, provavelmente eram quem mais se conheciam.
Juntos, era somente Harry e Melody; sempre agindo do modo mais idiota que podiam, sempre metidos e cheios de si; ambos entregues a um perigoso jogo que nem mesmo souberam quando foram lhes dadas as cartas.
— Viu só? — quando não mais poderiam continuar o beijo por conta do ar se fazer necessário, afastaram-se. A voz um tanto mais rouca de Styles soara por seus ouvidos, tirando-a do estupor de desejo que encandecia seu corpo.
Encarando o sorriso confiante de Harry, que enrolava uma mexa do cabelo longo da morena em seu indicador, Lewis finalmente tomara alguma atitude sobre o que ocorria.
Mesmo com a quantidade de álcool ingerido deixando-a um tanto lerda em seus atos, Melody obrigou-se a juntar toda sua força, pondo os punhos sobre o peito de Harry para logo o afastar de si. Harry não mostrara muita reluta, o sorriso presunçoso ainda irritantemente intacto nos lábios um tanto inchados. Melody se pôs sobre os pés, sem se importar com a leve tontura por conta do repentino movimento.
— Você está errado. É divertido foder com você, não nego, mas se quer saber, existem melhores. Coloque algo na sua ilusão: você é só mais um Styles, apenas uma rapidinha acessível. — elevando o dedo do meio para frente da face de Harry, quase lhe tocando o nariz, a garota virou-se, se pondo a caminhar para longe do cantor, em uma direção que nem mesmo ela estava ciente saber.
Harry, ainda estatuado na mesma marcação, sorria sem realmente se abalar; a cantora não proferira mentira alguma, sabia, e, sobretudo, pensava igual.
Ainda tendo Melody em seu campo de vista, tomou o restante da bebida que Lewis deixara em um gole só. Antes que a morena sumisse no meio daquela vasta multidão, o cantor se pôs caminhar pomposamente em direção a sua presa da noite.
Melody fora somente à opção deliciosamente mais rápida e fácil, cansado de procurar algo melhor por toda a noite, em vão, não poderia acabar sozinho com Lewis por perto.
Segurou-lhe o braço fino logo que a alcançara, virando e puxando-a para si, fazendo seu corpo curvilíneo chocar-se contra o dele; passou os braços ao redor da morena, deixando notória a explicita afirmação de que ela não iria fugir.
— Me larga Harry. — demandou Melody em sua voz autoritária, o corpo debatendo-se contra o de Harry milimetricamente colado ao seu. O garoto, ainda com seu sorriso cafajeste imposto nos lábios, com um aceno, negou com seu pedido. — Argh, vai se foder com outra Styles. Me solta agora!
— Não quero foder outra Melody. Quero foder você. Todinha. — ditara de forma displicente, os lábios colados ao ouvido da garota e uma das mãos trajando um caminho de cima a baixo nas costas feminina. A fala naturalmente libidinosa fez o interior da morena estremecer, cada célula entrando em combustão; as sensações que Harry lascivamente provocavam nela começaram a aumentar gradativamente, os seios se excitaram por dentro do busto do vestido escuro, espalhando devida mensagem por seu baixo-ventre; Melody instantaneamente sentia seu centro pulsar.
Harry sabia o que proferir para conseguir levar uma garota como ela para cama.
— Você é um idiota.
Pôs ambas as mãos embrenhadas por entre os cachos, puxando-os sem piedade. Encontrava-se enraivecida com ela mesma, por ceder tão facilmente aos charmes de Harry Styles.
O cantor não demorou tomar uma iniciativa aos atos dela; provando a deixa que Lewis lhe dera, apertou-a em seus braços com demasiada possessividade, capturando os lábios com extrema volúpia.
As mãos grandes deslizaram sob o tecido da saia do vestido, apalpando quaisquer pedaços da pele macia e quente; almejava por tocar-lhe cada centímetro, a provando. Queria ouvir a garota gemer seu nome a noite toda, ao senti-la estremecer em seus braços, provando para Lewis que era somente igual a todas as outras e evidentemente não tinha força o suficiente para resistir a ele.
Era notoriamente um jogo, e Harry não aceitava perder suas partidas tão facilmente.
A inglesa o sentiu empurra-lhe para algum canto próximo; Harry insinuou seu joelho por entre as coxas fartas dela, a pressionando contra a parede gélida. Melody agarrou-lhe a cintura, puxando o moreno até que seu corpo a imprensasse contra a superfície dura de forma quase dolorosa. Ainda por baixo do vestido, as mãos grossas, sem um pingo sequer de delicadeza, deslizaram pelo quadril marcado; passaram sobre a coxa, apertando-a sem pudor.
Ele não permitia parar de beijá-la e ela, movendo-se para cima, enlaçou suas pernas torneadas na cintura do cantor. Ao que suas partes íntimas tocaram-se, mesmo ainda barrados pelos tecidos das roupas, ambos deixaram um ruído sair de suas gargantas; gemidos desejosos, deixavam explícito que queriam mais, ansiavam por mais, e, não hesitariam em dar mais.
Evidentemente, aquela noite seria longa.
—
Os olhos azulados passeavam pelo mundaréu espesso de pessoas que complanavam a casa noturna; atentamente buscava algum resquício da garota que outrora deixara no bar. Esbravejando mentalmente contra a fila um tanto gigantesca que encontrara na entrada do banheiro masculino, Niall culpava-se por tê-la deixado tanto tempo em espera.
Em uma última constatação de que Melody não tomava mais um dos assentos do amplo bar, Horan novamente trajou os olhos em torno do local; foi quando indesejavelmente a encontrara não muito longe de onde anteriormente a deixara.
Mordendo o lábio inferior com força, desviou os olhos do casal agarrando-se a parede próxima ao bar. Sentindo o coração afundar-se no peito, não pode evitar compará-los a dois animais em um briga acirrada; o modo bruto como se tocavam junto aos beijos violentos, mais o lembravam de uma briga do que qualquer outra dedução. Sentiu a bile ir à garganta e forçou-se a engolir o azedo.
Tomando o caminho de volta a mesa que dividira com Louis e Liam, não evitou perguntar a si mesmo o porquê do incessante incomodo no peito; a estranha relação entre Harry e Melody não era novidade alguma para os demais garotos da banda. Não deviria causar-lhe mais do que nojo.
Melody, que mais parecia uma pedra de gelo, sempre cedia aos encantos de Harry, o conquistador. Essa era sua visão sobre ambos os amigos.
Há alguns muitos centímetros de distância, a mesa onde Louis e Liam estavam a gargalhadas de alguma baboseira que Zayn, alterado, proferia, tomou foco diante dos olhos de Niall.
Antes de se permitir entrar no campo de visão dos cantores, Horan passou uma das mãos sobre a face, lutando para esconder seu desapontamento.
Finalmente aproximando-se, parou ao lado da mesa arredondada, chamando para si as atenções dos amigos.
— Vamos? — a voz apática de Niall tomou o silêncio sobre a mesa, fazendo Louis e Liam levantarem-se de imediato, suas feições lívidas transbordavam alívio; todavia, a careta cômica que tomara Zayn fora motivo de mais risos entre os amigos.
Niall forçou a risada, torcendo para não ser notado. Pôs o braço de Malik sobre seus ombros, puxando-o para cima, ao que tomava território por entre a multidão; geralmente Zayn não se embriagava tanto, mas obviamente levara a sério a comemoração do êxito no primeiro show da turnê.
Soltando um suspiro em resigna, não levou os olhos azulados para o lugar onde, provavelmente, Harry e Melody ainda deveriam estar atracando-se.
Dando fim à noite, saíram ao relento da madrugada.
Harry e Melody haviam encontrado suas companhias para o resto dela.
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