Broken Arrow

8 Capítulo Sete


Notas iniciais
Hey lindas. Como estão?
Aqui está mais um capítulo e olha que nem demorei muito ein
Boa leitura fofas (:


Capítulo Sete.
Não é que eu não me importasse,
É que eu não sabia.
Não é o que eu não senti,
É o que eu não mostrei.
(Misery – Marron Five)


A madrugada era frienta em Paris; uma garoa envolva a uma atmosfera sonolenta recaia sobre a cidade francesa. O vento soprava forte e gélido, era como se houvesse um potente ar-condicionado sobre a cidade e alguém houvesse o ligado no máximo, espalhando frio e vento para todos os lados.

Podendo ser vista de vários pontos da cidade, a Torre Eiffel se erguia totalmente acesa e elegante, tendo seu topo encoberto por uma grossa camada de nevoa e nuvens escuras, de onde somente a luz de seu farol se sobressaia.

Uma risada soou mais a frente na calçada a qual Melody se encontrava e a tirou de seus devaneios. Foi então que notou que não estava sozinha como imaginara ao sair pela porta dos fundos do pub.

Encostado ao muro escuro, na parte onde a luz do poste quase não batia, muito embora a luz fraca contornasse a silhueta do garoto que a observava. Uma fumaça saia de perto dele e a brisa noturna lhe trouxe um cheiro forte que fez arder ligeiramente suas narinas. Melody desejou fechar os olhos por alguns segundos e quando voltasse a abri-los pudesse estar em sua cama e que tudo não houvesse passado de um terrível pesadelo.

Definitivamente o azar fora impregnado em sua pele desde pequena e não parecia proposto a deixá-la nunca.

— Então Niall é a nova peça do seu jogo. — a voz de Harry, um tanto mais rouca que o normal, transbordava malícia. Seus olhos pescaram os dela e Melody sentiu um estranho frio lhe perpassar a espinha quando as duas íris verdes brilharam maliciosas em sua direção.

— Isso não é da sua conta. — rebateu seca, cogitando seriamente a hipótese de voltar para dentro da casa noturna. Uma sensação estranha parecia lhe garantir que preferiria ter de encarar Niall ao invés do que estava por vir.

Contudo, Melody somente ficou parada. Assistiu ele levar o pequeno cigarro de cor diferente a boca e dar um último trago, para logo o jogar de encontro ao pavimento úmido. Ele se inclinou para frente, deixando seu rosto ser tomado pela luz amarelada vinda do poste e então se pôs em postura reta, dando alguns passos em sua direção.

Não trajava nada especial, apenas sua costumeira calça jeans alguns números mais larga, um par de all star branco e uma blusa verde em cola V com um blazer marrom por cima. Os cachos balançavam-se à medida que o vento passava brincando por eles, seus lábios estavam ressecados e sua respiração um tanto acelerada. No entanto, foram os olhos que foscaram a visão de Melody. Os olhos da morena se cravaram nos dois globos oculares avermelhados, suas íris em um tom de verde escuro e suas pupilas dilatadas; olhos totalmente desprovidos de sentimentos.

Um odor forte exalava dele, de mato queimado, um tanto adocicado e totalmente entojado; Melody reconhecia aquele cheiro, assim como o tom avermelhado em seus olhos e em conjunto, fizeram alarmes ecoarem por todo o corpo da morena.

Harry se aproximava sorrateiramente da garota, com um sorriso estranho lhe enfeitando os lábios. Uma pequena parte, ainda sóbria, de sua mente, o advertia, mandando-o se manter longe de Melody naquela noite, e tentando não aceitar que essa razão vinha do fato de poder, de alguma forma, feri-la, quis acreditar que tinha de se afastar por não querer mostrar a grande estupidez que fizera. No fundo, estava agindo como ela, como um ferrado fracassado.

Observando o garoto dar passos hesitantes em sua direção, parecendo estar em conflito consigo mesmo, um flash traçou sua mente e a imagem de Harry, outrora com as costas grudadas a parede do pub, lhe veio à mente; contudo, o que chamara sua atenção dessa vez fora o papel escuro que Harry brincava por entre os dedos. Não era papel, era cigarro, pior, muito pior, não era um cigarro qualquer a qual Zayn havia pego o vício ou até mesmo ela, as vezes, fumava.

— Você é uma vadia Melody. — xingou Harry, voltando de forma tranquila ao assunto que o silêncio fizera morrer, o sorriso maldoso ainda brincando em seus lábios. Melody não sabia o que responder, perdera a noção de como falar, sua garganta dando um tremendo nó. Não era a primeira vez que Harry a xingava e provavelmente não seria a última. Todavia, não era esse o fato que a fazia estar paralisada, sem nem mesmo se sentir ofendida com o que Harry a taxara.

Harry assistiu os olhos da garota se arregalarem levemente e conforme a realidade ia a atingindo, suas feições bem marcadas se transformavam em uma expressão descrente. E ela realmente não conseguia acreditar, aquilo que Harry houvera fumado era cigarro de maconha.

Foi a primeira vez que Melody o viu assim, drogado.

Harry soube que a garota reconheceu seu estado quando a fitou nos olhos, aqueles olhos castanhos que geralmente o encaravam sem demonstrar muita coisa, naquela noite mostravam-se apavorados, assustados, desacreditados e, mesmo que ele não acreditasse, pareciam preocupados. Por um momento quis se explicar, quis dizer que fora mesmo um idiota, que fora a primeira e com toda certeza, a última vez que fumara aquilo. Mas então se lembrou de que era Harry Styles, não devia explicação alguma a ninguém, principalmente a Melody, a garota que era grande parte da razão daquele ato irresponsável e dos seus problemas. Provavelmente aquela seria sim a primeira e última vez que se drogara, mas Melody não precisava saber disso.

Uma grande parte dele havia gostado do medo que parecia a rondar enquanto ela tomava consciência do seu estado.

E Melody realmente não sabia como reagir. Por dentro suas emoções se embaralhavam de tal forma que a cantora sentia que a qualquer momento iria simplesmente apagar. Nunca se imaginara estar em uma situação semelhante aquela com Harry, nunca achara que o garoto fosse estúpido até aquele ponto.

Certo, ela não era o melhor exemplo para falar de estupidez, mas tinha seus próprios motivos. E Harry? Não podia imaginar algo tão grave para lhe fazer se rebaixar tanto quanto ela reconhecia para si mesma fazer.

— O que você fez? — Melody o interrogou, sua voz soando baixa e falha. Sentiu uma gota grossa lhe cair no ombro, o que a fez subir os olhos para o céu escuro ao mesmo instante que o mesmo fora clareado por um relâmpago, fazendo-a ficar ciente que muito em breve as nuvens carregadas se romperiam em uma forte chuva sobre Paris. Harry parou de andar, mantendo uma distância consideravelmente confortável entre ele e a garota.

— Eu não fiz nada. Quem pegou Niall foi você. — Harry abriu um sorriso irritantemente sínico, tendo plena consciência que não fora baseada nesse assunto que Melody fizera sua pergunta. Contudo, por mais que negasse com todas as forças a si mesmo, era aquele acontecimento que de certa forma o incomodava. Afinal, era somente ele o integrante da banda que se divertia com Melody. Então voltou a falar, sentindo uma repentina vontade de atingi-la verbalmente. — Quem é o próximo, hm? Será Zayn? Ou eu deveria abrir os olhos da Danielle ou Eleanor? Quem sabe as duas.

Enquanto assistia Harry olhar para cima, passando uma das mãos sobre o queixo e aparentemente parecendo realmente pensar sobre o assunto, Melody sentiu uma onda de calor inundar seu corpo desaquecido, sentiu o rosto arder em chamas e a brisa congelante da madrugada não parecia mais tão incomoda; repentinamente estava aquecida pela raiva que Harry fizera brotar.

— Não seja ridículo. Sabe do que estou falando e não é sobre mim. Que porra Harry, a que ponto você chegou. Se drogar? — Melody sentiu a voz falhar nas últimas palavras e um estranho incomodo se alojou em seu peito ao pronunciar o que Harry fizera em voz alta. Mas um pingo caiu sobre ela, dessa vez sobre sua bochecha.

— Acho que no mesmo ponto que você chegou. A garota que se corta. — ele rebateu, seus olhos descendo para o pulso de Mel, as marcas encobertas pelas diversas pulseiras; logo seus olhos voltaram a se nivelar com os dela. — Como já te disse Melody, não somos tão diferentes. Dois filhos das putas que fodem com suas próprias vidas.

— Não me compare a você e muito menos não fale do que você não sabe. — Melody mandou apontando seu indicador, ameaçadora, na direção do garoto; sua voz sibilando entre os dentes. Respirou fundo, tentando controlar sua raiva e desanuviar seus pensamentos. — Eu tenho os meus motivos e você? Não existem motivos para você estar fazendo isso consigo mesmo Styles. Você está somente sendo um covarde, buscando nas drogas uma diversão que foi incapaz de ter quando esteve sóbrio. Covarde.

Um trovão ecoou majestoso sobre a cidade, parecendo fazê-la tremer. A chuva começou a cair forte, os pingos grossos e fortes lançavam-se contra o corpo desagasalhado de Melody e rapidamente encharcando os trajes de Harry.

Melody sentiu novamente um frio lhe perpassar a espinha quando assistiu Harry andar a passos largos em sua direção. A morena se afastou, tentando recuperar a distância ao dar passos para trás, mas Harry fora mais rápido. Aproximando-se o bastante, Harry envolveu sua mão no braço fino da garota, apertando o local sem pudor. Seu maxilar estava trancado, suas narinas se moviam de acordo com sua respiração alta e desuniforme, o cheiro forte impregnado em sua pele e roupas sufocavam Melody. Com raiva, Harry a jogou de encontro à parede e Melody sentiu seu corpo ir de encontro com a construção de cimento em um baque surdo e dolorido.

A garota sentia medo, seu coração começou a bater sem ritmo e acelerado, dando a impressão de que iria sucumbir dentro de seu peito a qualquer instante; nunca vira Harry tão descontrolado. Melody parecia ter despertado uma fera.

— A única pessoa covarde que estou vendo aqui é você Melody, quer tanto ser a melhor, mas na verdade não passa de uma grande vadia fracassada. Quer ser tão indiferente e fria, mas na verdade não passa de uma medrosa, sim medrosa, você tem medo de sofrer e é tão covarde que afasta as pessoas para isso não acontecer, machucando você a elas e é por isso que ninguém gosta de você, Lewis. No fim, quer tanto ser perfeita para chamar a atenção da sua família, mas eles devem saber que você não passa de uma vadia amarga e sozinha, por isso não se importam. — Harry proferiu cada palavra entre os dentes, seu rosto contorcido em uma expressão raivosa. Seu cabelo grudava em sua testa e as pontas de seus cachos começavam a pingar. Suas palavras iam cutucando as feridas de Melody pouco a pouco, abrindo e expondo-as na frente do garoto.

Por um momento Melody se perguntou como Harry poderia saber tanto sobre si, mas as palavras que o mesmo havia proferido entorpeciam qualquer outro pensamento. A dor chegou a tirar seu ar, a verdade sendo posta em voz alta parecia ainda pior do que em pensamentos.

A chuva caia forte e aparentemente não iria dar trégua tão cedo. Ambos já estavam totalmente ensopados. Harry fechava mais e mais a mão em torno do braço fino da garota; Melody sabia que quando ele a largasse, provavelmente uma mancha roxa seria deixada ali, mas não se importava, nem mesmo sentia a dor do aperto.

O cantor assistiu a garota vacilar e seus olhos castanhos marejaram. Os pensamentos corriam soltos por sua cabeça, uma raiva sem igual apossava seu corpo, mas por um momento, em meio a toda aquele descontrole e a bagunça em sua mente, Harry chegou a se arrepender do que falara ao ver nos olhos de Melody o quanto a atingira. Talvez por saber que daquela vez machucara-a de verdade, profundamente; talvez por saber que cutucara em uma ferida antiga, ampliando-a; ou talvez por saber no que aquelas palavras provavelmente percutiriam quando Melody estivesse sozinha.

Contudo, estava de um jeito tão alterado, que não conseguia sentir realmente a culpa. No dia seguinte, quem sabe, poderia se arrepender verdadeiramente, mas naquele momento, a única coisa que desejava era poder machucar Melody com suas palavras assim como ela já fizera com ele. Queria expor suas fraquezas, suas vergonhas, assim como ela fizera tempo atrás com ele.

Em um ato insano, no estupor de toda a sua alucinação, Harry grudou seus lábios nos dela de um jeito feroz. Melody resistiu, se debatendo e bufando algumas vezes. Mas a pressão que Harry fazia sobre seus lábios fez com que os mesmo se entreabrissem e logo a língua de Harry adentrou ávida a boca da garota. Melody tentou ser imune, mas suas muralhas não permanecerem de pé ao contato da língua dele com a sua. Rendendo-se naquele jogo doentio, Melody retribuiu o beijo com ferocidade, levando as mãos até o rosto de Harry e trazendo-o para mais perto. Sentiu o aperto no braço afrouxar e as mãos do garoto apossarem de seu corpo, começando a passear pelo mesmo sem timidez ou pudor algum. As mãos de Harry apertavam com firmeza suas coxas e subiam a barra de seu vestido. Melody soltou um gemido abafado entre os lábios de Harry. O ar faltou em seus pulmões e Harry se viu obrigado a quebrar aquele beijo, mas nem por isso se desgrudaram. A chuva forte parecia cair como um chuveiro sobre eles.

Harry desceu seus beijos para o pescoço da morena, prensando sua pélvis contra a dela, fazendo-a se tornar ciente da sua excitação. Uma das mãos da garota subiu para a nuca de Harry e puxou os cachos localizados ali. O moreno arfou contra o pescoço dela, distribuindo beijos molhados e mordidas pelo local, sua mão apertando com luxuria as coxas bem torneadas de Melody, traçando um caminho perigoso por dentro do vestido desta.

Em um breve momento de lucidez, Melody percebeu a grande idiotice que estava cometendo. Deveria odiar Harry, principalmente depois de tudo que ele havia dito a ela naquela noite. Ela sabia o quanto aquelas palavras a feririam quando estivesse no silêncio de seu quarto.

Reunindo toda a força que encontrava, multiplicando-a com a raiva, Melody deu um forte empurrão em Harry, fazendo-o cambalear para trás e desequilibrado, cair de costas ao chão molhado.

Não sentiu pena, nem mesmo preocupação em saber se ele estava bem ou se havia o machucado. Na verdade, queria mesmo era que Harry sangrasse, muito. Se possível até a morte.

E lançando um último olhar de fúria sobre o garoto estatelado ao chão, ela se encaminhou para a porta dos fundos do pub, antes que ele pudesse recobrar as forças e impedi-la.

No final, ele realmente estava certo. Eram irritantemente parecidos. Talvez fosse alguém como Harry que merecesse ter ao lado.


——


O som da chuva a despertou aos poucos. Um relâmpago iluminou o aposento abafado, o som estrondoso ecoando alguns poucos segundos depois.

Uma tempestade forte caia sobre Paris naquela manhã, o céu dava a impressão de parecer querer desabar sobre a cidade a qualquer instante. Raios e relâmpagos iluminavam o céu entre pequenos intervalos de tempo e trovões estrondosos pareciam fazer a cidade tremer.

Melody sentia cada fibra de seu corpo dolorido sobre a espaçosa e macia cama king size, suas pálpebras pareciam pesar toneladas e com grande esforço entreabriu as mesmas, seus olhos procurando algum ponto claro no cômodo escuro. Sentia a cabeça latejar. O quarto estava abafado, dando a sensação de que o ar não circulava, qualquer ventilador e ar-condicionado desligados. E muito embora o quarto estivesse quente demais, Melody se encolhia sob o grosso edredom em cor de avelã. A cortina da janela permanecia imóvel, sem denunciar qualquer vento ou brisa, alguém provavelmente fechara mais cedo, quando anunciara seu estado debilitado.

Eram sete horas da manhã quando Louis a ligara, pronto para descarregar uma bronca por outro atraso vindo da garota, mas parou preocupado ao escutar Melody, com voz fraca, pedir para que o garoto subisse até seu quarto. Logo Louis a encarava aflito, com uma mão sobre sua testa que parecia estar em brasas, seu corpo ardia em febre. Um médico viera lhe visitar pouco tempo depois de seu quadro de saúde ser passado para Paul. O profissional de saúde diagnosticara um resfriado, e após receitar alguns antibióticos, pedira repouso absoluto durante todo o dia, caso Melody quisesse ter animo para estar no palco ainda aquela noite.

Definitivamente não deveria ter pego a chuva da noite anterior.

Três batidas fracas vindas da porta de madeira clara a despertara. Melody virou o rosto em direção da porta, o ar abafado começando a lhe incomodar. Novamente as batidas irromperam no silêncio do quarto escuro.

— Entra. — pediu Melody, surpreendendo-se com a voz incrivelmente rouca e fraca. A pessoa abrira uma fresta da porta, fazendo o ar circular, mesmo que pouco, sobre o recinto e uma fraca luz vinda do corredor, clarear o quarto. Somente a cabeleira loira de Niall aparecera no pequeno espaço aberto entre o batente da porta e a porta. Melody sentiu o estômago revirar e não foi por conta do seu mal estar; não via Niall dês da fadiga noite passada.

— Posso entrar? — interrogou um tanto tímido, um sorriso envergonhado lhe desenhando os lábios. Melody acenou com a cabeça, fazendo uma careta ao sentir a mesma latejar, protestando contra o movimento.

— Pode ligar a luz? — pediu Melody, com a voz baixa. Perguntou-se que horas seriam e se já seria hora de tomar novamente os remédios. Niall apertou um dos interruptores, fazendo somente as luzes do canto do quarto se acenderem. Mesmo que não tivesse clareado muito todo o aposento, os olhos de Melody arderam com o contato da claridade repentina e ela rapidamente os fechou. — Liga o ventilador também? Bem fraquinho.

— Mas alguma coisa, madame? — questionou Niall brincalhão, andando em direção ao controle sobre criado-mudo. Melody soltou uma pequena risadinha e se questionou como não vira o controle ali antes. O loiro apertou uns botões na direção do ar-condicionado dependurado no teto, localizado na parede enfrente a cama de Melody, o ligando no ventilador e pôs este na frequência mínima. — Já tomou seus remédios?

— Louis que te mandou aqui? — rebateu ela em outra pergunta. Lembrava-se do garoto garantir ao médico que iria verificar se ela tomaria os remédios nas horas certas.

— Por ai. — respondeu Niall, seu rosto tomando uma pigmentação avermelhada. A verdade era que fora ele que lembrara Louis dos remédios e se oferecera para verificar a garota como pretexto para poder constatar se ela se relembrava ou não do beijo da noite anterior.

— Vou falar a verdade, não sei nem que horas são. Acordei agora. — admitiu abrindo um sorriso culpado, que Niall achara extremamente fofo. Revirando os olhos, o garoto foi em direção à sofisticada cômoda em tom claro. Melody o acompanhou com os olhos, assistindo-o pegar a cartela de comprimidos, o xarope e o remédio de burrificar na garganta. Então o loiro voltou para perto da garota. Melody ergueu o tronco, sentindo seus músculos protestarem contra o esforço, e se recostou na cabeceira estofada da cama enquanto Niall enchia um copo com a água da jarra de vidro que Liam havia deixado sobre o criado-mudo mais cedo, quando viera a visitar acompanhado do médico francês.

Aceitou de bom grado o copo que Niall lhe oferecia, o pegando com uma das mãos junto ao comprimido que também lhe era estendido. Jogou o comprimido na boca e tomou um grande gole da água, sentindo o comprimido arranhar a garganta sensível.

Pôs o copo sobre o criado-mudo ao seu lado, logo avistando a mão de Niall lhe estender o medidor translúcido que vinha acoplado ao vidro do xarope, com um conteúdo leitoso e rosa, dentro.

— Me sinto uma criança. — resmungou, pegando o pequeno copo das mãos do loiro e tomando o remédio de uma só vez. O gosto enjoativamente doce do xarope fez seu rosto se transformar em uma careta.

Por último pegou o remédio de borrifar, estendendo o medidor já vazio a Niall. Borrifou três vezes o líquido verde com gosto de hortelã sobre a garganta, e logo sentiu a mesma começar a se anestesiar.

Um silêncio desconfortável se instalou no quarto quando Melody pôs o vidro do remédio sobre o criado-mudo. Niall tentou não encarar a garota, mas podia sentir os olhos dela lhe queimarem a pele; estava desconfortável aquela situação.

— Senta aqui. — chamou ela, batendo com uma das mãos ao espaço vazio ao lado de sua barriga, na cama. Niall voltou seus olhos para ela e um tanto hesitante, se aproximou, sentando no lugar demandado. Melody decidiu que era hora de enfrentar pelo menos um de seus problemas de frente. Não aguentaria perder Niall, mas correria esse risco para não iludir ou machucar o garoto que já fizera tanto por ela. — Você deve está se perguntando se eu me lembro de ontem, certo?

Niall passou os olhos sobre o rosto da garota. Estava sem maquiagem e continha, sob seus olhos fundos, escuras olheiras; os lábios estavam ressecados e o rosto pálido, no entanto, continuava com a mesma beleza de tirar o fôlego. A atmosfera de autoproteção que rondava Melody instigava Niall e ele se via cada dia mais preso ao querer desvendar os segredos da cantora. Ou pelo menos entendê-la o máximo possível.

— Você se lembra? — perguntou por fim, sua voz soando baixa e seus olhos prendendo-se sobre o edredom para não ter de encarar os castanhos de Melody. Brincava com os próprios dedos das mãos descansadas sobre suas coxas.

— Eu me lembro. — respondeu a garota e soltou um suspiro ruidoso. Era a hora que teria de ser franca com Niall e isso significava poder estar deixando o mais próximo que tinha de uma família, escorrer por entre seus dedos. — E foi errado. Niall, eu te vejo somente como um amigo, um irmão e nada mais disso. E também não quero que esse descuido prejudique nossa amizade. Mas vou entender se você quiser se manter longe depois disso.

Niall esperava por isso; em momento algum teve esperanças que o coração de Melody fosse simplesmente virar e ela mudaria sua visão sobre ele após aquele beijo. Amava a garota, como fã antes de conhecê-la e como paixão após começar a conviver com ela. Sabia que talvez nunca fosse tê-la como desejava e, seria mais saudável se afastar e tentar esquecê-la, mas ele simplesmente não conseguia e não queria. Por mais que odiasse ter Melody em seus braços o vendo somente como um amigo, para ele, isso era melhor que nada. Se teria quer ser o irmão emprestado para poder estar ao seu lado, então ele seria.

— Isso não vai prejudicar nossa amizade. — afirmou, tentando parecer firme em sua afirmativa. Contudo, não deixou seus olhos se desviarem para os dela em nenhum momento se quer, sabia que caso acontecesse, ela saberia ler toda a mentira neles. — Você também é como uma irmã. Foi um erro e devemos esquecer.

Ele não sabia se fora mais difícil proferir a mentira ou fingir que acreditava naquela ridícula baboseira. Melody se desencostou da cabeceira da cama e passou os braços em torno de Niall, logo sendo amparada pelos braços firmes do irlandês.

— Eu fiquei com medo de você se afastar. — confessou em um sussurro, sentindo Niall a apertar um tanto mais contra seu corpo.

— A não ser que você queria, eu nunca vou o fazer. — prometeu também em um sussurro.

E ele não iria, não importava as circunstâncias ou situações, estaria ao lado dela, sempre.


——


Harry estava sentado na poltrona confortável em um dos cantos do quarto do hotel de paredes branca e arquitetura rústica bem conservada mesclando-se com os vários detalhes da arquitetura moderna.

O moreno havia acabado de chegar de uma entrevista em um programa de TV de uma emissora local. Havia um galo formado em sua cabeça, um pouco acima da nuca, por conta do tombo que havia levado na noite anterior.

E aquele hematoma o fazia lembrar Melody.

Não lembrava muito bem tudo o que acontecera na noite passada, mas o que lembrava era o suficiente para sentir-se extremamente idiota. Se preocupara quando Louis lhe contara que Melody estava de cama, temeu ser por algo que ele fora o responsável. Por mais que negasse a todos, ele se importava com Melody.

Ela fora a primeira garota que quebrara seu coração e atingira seu ego. Afinal, era sempre Harry Styles que quebrava o coração das garotas e não o contrário.

Queria ver Melody.

E não queria vê-la.

E a última ganharia. Seu orgulho não permitia que fosse reconhecer o erro, e ir até a garota de fato seria expor um Harry que a muito não se via, um Harry que ainda poderia sentir culpa, um Harry que definitivamente ele não queria novamente botar a tona. Havia errado sim, mas não tinha de mostrar que se importava com tal fato para Melody.

Gemeu frustrado e recostou-se na poltrona, virando a cabeça na direção da sacada fechada. Lá fora a chuva havia estiado e um chuvisco recaia sonolento sobre Paris. Não demoraria muito e Louis estaria o apressando para poderem ir à arena onde aconteceria o show naquela noite. E ele não se encontrava nem um pouco animado em ter de sorrir e fingir estar muito feliz.

Por um momento lembrou do que havia feito na noite passada e se assustou ao perceber que gostara da sensação. Não dos seus atos infantis em relação à Melody, mas da sensação de leveza que havia tido ao ingerir a droga.

Sabia que não era algo saudável e muito menos inteligente de ser feito, e ele, o garoto que queria ser sempre tão maduro, agira como um adolescente ridículo qualquer. Mas a sensação de calmaria e euforia que em instantes havia experimentado parecia quase irresistível. Era como se livrar de todas as cobranças que havia sido posto sobre ele desde que entrara no X-Factor, era como não ter de se importar com tudo o que diziam não poder fazer. Os problemas simplesmente desapareciam e uma euforia sem igual era descarregada em seu corpo.

E ele de fato estava farto. Farto de colocarem limites em tudo o que fazia, farto de ter de ser controlado o tempo todo. Chegara ao ponto de quase desejar voltar para Cheshire, se lá não estivesse outro grande problema.

Por um momento quase entendeu Melody. Todas as cobranças e problemas nos faziam querer arrumar algum escape para não enlouquecer. Não que a solução dela fosse certa, muito embora a dele fosse tão errada quanto.

Fechando os olhos, o garoto se repreendeu por aqueles pensamentos.

Ao contrário do que Melody lhe dissera, ele tinha sim seus motivos para dar seus paços e tropeços errados; ela era um deles, mas somente um de vários.

Notas finais
E então, o que acharam? Deixem reviews com suas opiniões, palpites, ideias e criticas construtivas.
> Lembrem-se, quanto mais reviews, mas rápido eu posto.
Beijões fofas. xx