Broken

14 Yours, Mine and The Truth


Notas iniciais
Depois de anos luz, cá está mais um capítulo. Aliás, vocês viram a promo que saiu do ep. 19? TIPO WTF? O QUE VÃO FAZER COM A NOSSA SWEET EVIL QUEEN? E outra... O ADAM ME RESPONDEU, MINHA GENTE PAOKSPOQKSPOQKSQP O PRODUTOR, para quem não sabe, OKASPOQKSOQKSPQOKSPQOK ai to surtando. Desculpem-me.
-Baseado no episódio 12 da Segunda temporada
-Boa leitura.

* * *

–Não, não, não... –Emma não conseguia entender. –Se Cora é, na verdade, mãe de Regina... Por que diabos ela estava querendo se livrar dela? Céus, ela foi amaldiçoada para que ela não chegasse até aqui... Disse que era para proteger Henry...

Mary Margaret respirou fundo. Falar sobre Cora era tão complicado quanto falar sobre Regina, pois, de algum modo, ela sempre soube a história da Rainha, mas nunca de sua mãe. Por que Cora se tornou aquela terrível mulher, era uma das inúmeras perguntas que ela não sabia responder.


–Se nós achamos Regina perigosa, Cora é ainda mais. –Informou Mary Margaret, tentando ser claro o suficiente. Mas Emma continuava confusa.



–Mas por que ela tentaria algo contra a própria filha? –Perguntou Emma. A morena mordeu o lábio, de fato não sabia a resposta para mais essa pergunta.



–Em nossa terra... -Começou. –Quando Regina se tornou Rainha, sempre contou com a ajuda de Cora. Eu ainda era uma criança, e depois do que aconteceu... –O olhar da mulher se ausentou por breves segundos. –Eu não passava muito tempo com Cora, mas o relacionamento delas não era ideal de mãe e filha. Regina não era feliz, demorei muito tempo até perceber, ela nunca foi.



–Mary Margaret? -Emma perguntou preocupada com o olhar vago da mulher. -Está tudo bem? -Mas esta assentiu.



–Certo dia, eu saí com Johanna -minha servente- para um passeio matinal e quando voltei Cora não estava mais no castelo. Regina nunca quis me dizer onde ela estava, mas particularmente nunca me importei sobre aquela mulher. -Contava. A tristeza da sua voz refletia a dolorosa memória que assombrava suas noites até os dias de hoje. Ela nunca contou a ninguém sobre Daniel, com exceção de David, e Emma seria a última pessoa que ela poderia contar.



–Está tudo bem. -Confortou Emma, percebendo que quão delicado era o assunto para a mãe, mesmo Swan não sabendo por que. -Então, o que faremos? -Charming, que ouvia tudo sem se manifestar percebeu que era a hora de se impor.



–Devemos tomar cuidado, obviamente. Sem Gold, temo que não tenha ninguém mais a recorrer. -Comentou.



–E quanto a Fada Azul? -Questionou Emma, arriscando um palpite. Charming deu de ombros.



–Podemos tentar, mas não acredito que seja suficiente para enfrentar Cora. -Disse David. Emma procurava por um plano B, usando o máximo de sua imaginação, quando finalmente algo lhe veio à mente.



–Podemos falar com Regina! Ela é poderosa e conhece Cora. Talvez saiba como derrota-la. -Sugeriu, pensando ter eliminado seus problemas. Charming deu de ombros, não dando muito crédito a sugestão da filha.



–Regina pode ter uma mágoa pela mãe, mas tenho certeza que ela não seria capaz disso. Nunca ficaria do nosso lado.



–Não, ela fará! Se Cora põem Henry em perigo, tenho certeza de que ela fará de tudo para nos proteger. -Debateu Emma. Novamente, David bufou. Aquele assunto sempre retornava.



–Nos proteger? -Repetiu Mary Margaret.



–Sim. -Respondeu Emma, incerta. -Tenho certeza de que ela nunca deixaria nada machucar a mim e a Henry.



–O que quer dizer com isso? -Questionou David, pela primeira vez opinando naquela conversa.



–Somos uma família! -Exclamou Emma, como se a resposta fosse óbvia. O homem revirou os olhos, junto de um suspiro cansado de Mary Margaret. -Eu sei que Regina conserva um valor muito grande para família. Eu a conheço. Só preciso lembrar isso a ela.



* * *


A sala do apartamento dos Charming parecia menor a cada vez que eles recebiam uma visita. Desta vez era Fada Azul. Mary Margaret e David, sentados na poltrona que permitia apenas mais um acento, entrelaçavam seus dedos de forma que um desse apoio ao outro sempre que precisassem. Eles sabiam que não seria fácil. Nunca era.

Por mais que todos naquela sala desejassem a mesma coisa, seus métodos iam um de encontro ao outro. Eram pensamentos diferentes, ideais diferentes, histórias diferentes. Mas que no final sempre se encontram. Fada Azul concordava com Snow no ponto de que Regina não iria contra a própria mãe, no entanto, achava que se Emma fizesse Regina relembrar quem era sua família, talvez ela pudesse ajuda-los.


–O que isso significa então? Que Regina irá “ouvir a voz da razão”? -Questionou David, cansado. -Desculpe Emma, mas não acho que vá funcionar.



Após um longo tempo, David decidiu pensar como pai, e não como um líder. Talvez isso fizesse da situação mais amena, e quem sabe aceitável. Não que ele concordasse com a ideia de sua filha amar a mulher que arruinou sua vida e separou sua família. Mas sua posição poderia estar afastando as pessoas que mais amava.



–Emma pode tentar. -Fada Azul afirmou. -De qualquer jeito teremos de ter um plano B.



–Henry precisa estar seguro. -Disse Mary Margaret, finalmente. -Sem Rumpelstiltskin, só há mais uma pessoa possa nos ajudar... -Todos esperavam ansiosos pela resposta. -Emma. -A loira recuou.



–Eu? -Disse Emma, em falsete. David franziu o cenho e olhou para sua esposa.



–Emma pode usar magia. Junto à Fada Azul, podemos garantir nossa proteção até que Gold volte.



–Afinal, onde diabos esse homem está? -Perguntou Emma, curiosa. -Não sei usar, fazer isso. Sei lá. -Gesticulava. Fada Azul sentou-se na cadeira perto a loira.



–Não sei exatamente. -Respondeu David. -Ele pode ter dito algo sobre procurar pelo seu filho. -Deu de ombros. Emma franziu o cenho. Ela não sabia sobre Gold ter um filho perdido, mas decidiu que não cabia a ela se preocupar com isso.



–Emma pode ter treinamento com Fada Azul, para se aprimorar! -Explicava Mary Margaret.



–Deixem-me falar com Regina. Ela não deve nem sequer saber que Cora está aqui, e quando souber vai me ouvir! -Rebateu Emma.



–Falaremos com Regina. -Decidiu Mary Margaret, entretanto, com outro plano em mente. -Mas quem falará sou eu.



* * *



Regina ajeitava seu criado-mudo pela décima vez, resolveu tirar a fotografia de seu filho da prateleira para ficar mais próximo a si. Mesmo que Henry não a amasse com a mesma intensidade que a morena amava, não a impediria de sentir falta do menino.

Na noite anterior, a Prefeita decidiu ouvir Cora. Embora soubesse a quão manipuladora e sagaz era sua mãe, queria dar-lhe uma chance. Assim como queria ter tido uma, mas esta nunca veio.


–O que foi querida? -A voz de Cora soava, pela primeira vez, verdadeiramente gentil. Ela sentou-se ao lado da filha.



–É o Henry. -Respondeu cabisbaixa. -Ele está com Emma, e com a proteção de David e Mary Margaret, nunca o terei novamente. -Choramingou. Cora lhe deu um sorriso tranquilo.



–Tenho certeza de que ele está a salvo. Quando Gold voltar de sua viagem nós já teremos a posse da adaga, e Henry será seu. -Prometeu. Regina deu de ombros, não lhe dando muito crédito. De repente, Gancho surgiu dentre a porta do quarto da Prefeita.



–Voltar de onde? -Perguntou Gancho, amargurado. Regina revirou os olhos, odiava aquele rapaz.



–NYC, Nova York. -Respondeu Cora, levantando-se para falar com o homem. -Não é relevante. O que importa é onde está a adaga.



–Não é relevante?­ Vou dizer o que é relevante... -Ameaçou. Então, Regina se levantou.



–Não, não pode fazer o que está pensando. -Disse cerrando os olhos.



–Se ele foi embora, está sem magia. Pode ser morto. -Gancho se aproximou entredentes. A tensão entre ambos era obviamente visível. Afinal, tudo que Regina desprezava em um homem era tudo que havia em Hook. No entanto, algo na Prefeita a fazia odiá-lo por algo mais, que infelizmente ela não tinha conhecimento. Talvez fosse um pressentimento.



–Você não vai a lugar algum. -Ordenou Cora, por fim. Gancho a fitou, com ódio. -Vamos achar a adaga para então ter o controle sobre o Senhor das Trevas.



* * *



Na tarde seguinte, Emma ainda permanecia em sua cama. Seus olhos se abriam e fechavam lentamente, até que estivesse preparada para levar.


–Emma? -A voz do menino assustou a loira. Henry estava deitado ao seu lado na cama de casal. Ela se virou, confusa, para encarar o filho.



–Henry... Está tudo bem? -Perguntou esfregando os olhos. O olhar triste de Henry preocupava Emma há dias.



–Sinto falta da minha mãe. -Resmungou baixinho. Então, uma dor se instalou no peito da loira. Ela se aproximou do menino, acariciando seu rosto.



–Eu também, kid. -Respondeu. -Aposto que ela sente a sua também! -Tentou colocar um sorriso em Henry, mas não teve muito sucesso.



–Então por que estamos aqui e não com ela? -Henry questionou. Emma hesitou. Confessar que havia errado era uma tarefa difícil, dizer que eles estavam longe de Regina por culpa dela era mais difícil que Emma imaginava.



–Henry, eu errei. Eu magoei Regina. -Emma tentava explicar. -Mas agora, precisamos ficar aqui só por mais um tempo, até que tudo se resolva. -Dizia enquanto arrumava o cabelo de Henry distraidamente. O menino abaixou a cabeça desviando o olhar triste. Emma sentia a dor naquele olhar. -Estou tentando ser a responsável aqui. -Acrescentou com um sorriso de lado. Um pequeno sorriso brotou nos lábios de Henry. -Como me saí?



–Muito mal... -Riu. Emma envolveu a cintura do menino agitando seus dedos em sua barriga, fazendo com que a gargalhada de Henry se tornasse mais alta.



–Ah é? -Murmurava Emma enquanto fazia cócegas no filho. -Desculpe-me por não ser tão boa nisso quanto a Senhora Prefeita! -Ria.



De repente, a porta do quarto se abriu. Era David. Sua expressão facial estava mais preocupada que o normal. Emma se pôs sentada na cama, percebendo que algo estava errado. David nada disse, simplesmente voltou e fechou a porta. A loira se levantou rapidamente. Eles teriam recebido alguma notícia de Regina? Ou seria algo sobre Cora? Depois de trocar de roupa e pedir que Henry permanecesse no quarto, ela desceu os degraus adentrando a sala. Mary Margaret estava sentada à mesa e David apoiava suas costas na bancada. Ambos extremamente apreensivos.



–O que está acontecendo? -Perguntou Emma preocupada. -É Regina? -Mary Margaret não respondeu, sua mente parecia estar em outro lugar distante. Percebendo a distração da esposa, David se prontificou a falar.



–Snow viu na floresta... Regina e Cora estão juntas. -Falava rapidamente. -Elas estão armando um plano para ter a adaga de Rumpelstiltskin. -Emma tentava acompanhar. -Nós precisamos-



–Espera! O que isso significa? Regina e Cora juntas e essa adaga? -Questionou confusa. David suspirou fundo.



–Se Cora ou Regina matar Gold com essa adaga todos os poderes dele serão passados para elas. -Informava. -Cora quer o poder de Gold, não podemos permitir que isto aconteça-



–Então Cora está usando Regina para chegar até isso aí? Ora, eu vou falar com ela. -Emma, então, pegou seu casaco e correu apartamento a fora. Mandando uma mensagem pelo celular de Mary Margaret para Regina, pediu que esta se encontrasse com a loira no Granny’s.



Com sua correria, chegar até o restaurante não havia sido difícil, muito menos de vagar. Emma se sentou a mesa ofegante, seu olhar não desviava da porta de entrada. Por mais que tentasse controlar seu pulso ou seu batimento cardíaco era impossível conter o nervosismo.



–Emma? Vai querer alguma coisa? -Perguntou Ruby estranhando o comportamento da amiga. -Está tudo bem?



–Não, Ruby, não quero nada. -Respirou fundo. -Estou esperando Regina. -Informou. Ruby sorriu de lado, entendo o nervosismo da loira. Assentindo, então, Ruby retornou ao seu trabalho.



Minutos se passaram até que a porta do Granny’s se abriu. Regina adentrou a lanchonete, procurando por Mary Margaret. De repente, seu olhar cruzou com o de Emma. Regina hesitou. Seus passos se tornaram lentos caminhando até a mesa retangular onde a loira se sentava. Regina lutava para que não estabelecesse um contato visual por muito tempo.



–Hey — Disse Emma, baixinho.



–Está tudo bem com Henry? -Perguntou Regina, indo direto ao ponto. Emma assentiu triste.



–Ele sente sua falta. -Disse Emma, cativando a atenção da morena. -E eu também. -Regina desviou o olhar mais uma vez.



–Por que está aqui? -Perguntou Regina seca, tentando manter sua barreira intacta.



–Porque eu precisava ver você. E precisava te avisar... Mary Margaret viu você e Cora, ela ouviu seu plano de pegar a adaga de Gold. -Regina a olhou, erguendo a sobrancelha. -Gina, Cora vai usá-la para conseguir o poder só para ela. Por favor, não ceda a ela. -Regina riu baixo. -O que foi?



–“Não ceda a ela” você diz. -Disse Regina com um sorriso sarcástico. -Cora disse exatamente a mesma coisa sobre você. -Emma hesitou. Cora sabia delas? -Então, o que sugere que eu faça? Dê as costas à minha mãe e ajude vocês a derrota-la? -Emma desviou o olhar. -Sério? Você ia me pedir isso?



–Você foi amaldiçoada para que ela não chegasse até aqui! Por que isso mudou de repente? Cora está te usando, Regina.



–E o que vocês fariam? Não iriam me usar para conseguir o que vocês querem? O que os torna diferente dela? -Questionou Regina. Desta vez, a Prefeita não agredia Emma com as palavras. Desta vez, Regina queria realmente entende-la.



–Não. Eu não deixaria. -Respondeu automaticamente. -Regina, eu não sei quanto a David e Mary Margaret, mas eu quero seu bem. Eu quero que você volte, quero que me perdoe, quero que nos dê uma chance. Henry sente falta disso, eu sinto falta disso, e eu sei que você também sente. -Emma aproximou sua mão de Regina, mas esta recuou.



–Desculpe Emma. Eu não posso. -Resmungou Regina. A dor instalada em seu peito, no vazio provocado pela maldição, pulsava provocando uma intensa agonia. Ela fechou os olhos, suportando a dor.



–Gina, está tudo bem? -Perguntou Emma preocupada. Mas esta assentiu reabrindo os olhos. -Tem certeza? -Então, a loira finalmente conseguiu tocar sua mão. A pele de Regina estava fria e fria.



–Eu preciso ir. -Então, ela levantou. No entanto, antes que pudesse sair, Emma levantou e segurou sua mão.



–Me encontre no castelo do Henry, por favor. -Ela sussurrou perto do ouvido de Regina. De repente, um arrepio percorreu toda a coluna espinhal da morena. Sendo assim, a loira passou a sua frente saindo do Granny’s.



De certa forma, Regina não queria ceder a nenhuma das partes: Emma ou Cora. Porque, apesar de amar ambas de diferentes formas, sabia que as duas tinham uma segunda intenção. Não era uma novidade para ela saber que Cora só era interessada pela adaga e por ganhar mais poder para si, porém, também não se assustaria em saber que, em sua maior parte, Emma também estava interessada em seguir as ordens dos pais, mesmo que inconsciente. Apesar de querer sua mãe de volta, a família que um dia pensara ter tido, Regina sabia que Cora estava armando um plano no qual ela ainda não tinha conhecimento. Talvez, Cora a estivesse observando naquele momento. E confessar que ela acreditava em Emma poderia por a vida da loira em risco. Sendo assim, Regina decidiu voltar à mansão e certificar-se de que Cora estaria ocupada, e, quem saber, para poder se encontrar com a Xerife.



* * *


–Maldita! Desgraçada! -Cora praguejava. Ela se levantou sacudindo a mão, fazendo com que a névoa vinho se dissipasse no ar. Por mais que sua habilidade com magia fosse ampla, ainda havia pequenas coisas que não funcionava na hora que ela precisava. Assim como o que acabara de acontecer. A garota Swan em um gesto de desespero segurou o braço de Regina e em um sussurro incompreensível para Cora, algo foi compartilhado. Um segredo? Uma informação valiosa? Ela precisava saber. E a julgar pela reação de sua filha, era algo importante.


Por mais que isso fosse de extrema importância para sua vingança, garantir a posse da adaga de Rumpelstiltskin era primordial. Cora teve de manter Hook dentro da mansão e conter seu desejo de aniquilar Gold, ela precisava da ajuda do homem para encontrar a adaga. Depois da saída de Regina, a mulher convenceu Gancho de que apoiá-la seria o melhor meio de conseguir o que ele queria e com a ajuda deste, foram até a biblioteca a procura de algo que os ajudasse a encontrar a localização da adaga.



Mais tarde, Regina juntou-se à busca de sua mãe e seu companheiro de viagem. Com a ajuda do bilhete, no qual havia números marcados em grafite, estes encontraram um mapa até o artefato mágico. E o mapa só poderia ser lido pelos conhecimentos de um pirata. Sendo assim, Cora não precisava mais de Gancho. Ela então ergueu a mão empurrando o homem contra a parede, fazendo com que este caísse desacordado ao chão.



–Mãe? -Gemeu Regina, baixo. -E-Era isso que você queria? Poder? -Perguntou, já sabendo a resposta.



–Pense Regina, tendo poder sobre Rumpelstiltskin poderemos matar Snow, Charming e Emma. -Regina congelou. -Podemos ter Henry de volta. -Mentiu.



De fato, Cora não estava se importando com o impacto que a frase teria em sua filha. Já estava se cansando de toda aquela encenação. Entretanto, aquilo foi crucial para o entendimento de Regina sobre a mãe. Cora não se importava com Henry, muito menos com seus sentimentos por Emma Swan. Talvez a loira estivesse certa, talvez ela devesse fazer o certo ao menos essa vez.



* * *


O vento gelado a estava congelando. Já deveria fazer meia hora desde que Emma chegara ao castelo de Henry. Ela já havia pensado em ir embora, em admitir que a Prefeita não mais a queria de volta, mas Emma não ia desistir Regina.


–Pensei que já teria partido. -A voz aveludada da mulher arrepiou a coluna de Emma. Ela se virou, lá estava à mulher que tanto esperava e que tanto esperaria até que fosse, de fato, sua. Emma abriu a boca, mas nenhum som saiu de suas cordas vocais. Uma ardência no peito e a sensação de felicidade fizeram brotar em seu rosto um sorriso.



–E eu pensei que não viria. -Emma conseguiu dizer. Regina deu-lhe um pequeno sorriso, se aproximando do castelo de madeira.



–Eu pensei que tivesse destruído esse lugar. -Comentou, olhando em volta.



–Eu consertei, faz algum tempo, mas com tudo que tem acontecido não tive tempo de mostrar ao Henry. -Disse. Emma apoiou-se no corrimão da escada que levava até o centro do pequeno castelo. Regina novamente sorriu.



–Talvez devesse deixar o cargo de Prefeita para juntar-se a Gepeto. -Resmungou Regina, subindo o primeiro degrau da escada.



–Isso seria um elogio, Senhora Prefeita? -Perguntou Emma, com um sorriso sarcástico. A morena a olhou, lembrando-se de quando a loira chegara à cidade. De quando jogavam aquele mesmo jogo.



–Elogiar? Eu? Não é meu feitio. -Respondeu com o mesmo sorriso. A brisa beijava o rosto quase pálido de Regina a relembrava uma época boa, aquelas em que em pequenos momentos a proporcionaram incríveis sensações. Como no baile, ou quando Emma quebrara a maldição acordando Regina do sono profundo.



–Gina... Estou feliz que tenha vindo. -Resmungou Emma, baixinho. A morena abaixou a cabeça. Por mais que tivesse encontrado um jeito de manter Cora ocupada, ainda temia que a mãe a tivesse observando.



–Você tinha razão. -Disse, sem olhá-la nos olhos. Emma a fitou, confusa. -Cora não se importa com Henry. Eu sei o que ela quer, e estou disposta a ajudar vocês. -Concluiu. Emma conseguia ouvir, mas também podia perceber a dor no olhar da morena.



–I-Isso é ótimo! -Exclamou Emma, dando um passo a frente. Ela podia sentir o perfume de maçã da morena. Regina, entretanto, continuou com o olhar fixado ao chão, sem muita expressão. -Hey, está tudo bem? -Emma deu mais um passo para frente, tocando a mão da Prefeita.



–Está. -Regina recuou. -Emma, eu vou ajuda-la a parar Cora, mas eu não quero que espere nada de mim. Não quero que pense que eu sou alguém que você, ou qualquer um nessa cidade, possa concertar. Snow e Charming me olharam com tanta satisfação ao ver você indo contra mim, só eu sei o que eu vi. Você não pode esperar que eu simplesmente ignorasse isso. -Regina falava rapidamente, seus olhos se enchiam d’agua e sua voz cada vez mais trêmula. A cabeça de Emma parecia que ia explodir, vê-la daquele jeito fazia seu coração despedaçar. Afinal, Cora era sua mãe e ela estaria ajudando-a a destruí-la. Em um gesto desesperado, Emma a abraçou. Simplesmente. A barreira que Regina tentava reconstruir era facilmente derrubada por um simples olhar da loira, mas ela continuava a tentar inutilmente.



–Regina, quando você vai me perdoar? -Finalmente perguntou. -Eu devia ter acreditado em você, não há coisa que eu mais me arrependa. Mas eu não posso mudar o passado.



–Eu não quero que mude nada. -Respondeu seca.



–O que você quer, afinal? -Emma não conseguia entender. A agonia que sentia em ver o olhar perdido de Regina, em ver a dor refletida nas íris achocolatadas era enlouquecedora.



–Eu quero ir partir! Eu quero deixar essa cidade! Eu quero viver! -Exclamou Regina, olhando diretamente nos olhos verde-esmeralda.



–Sozinha? -Emma ousou perguntar. Regina sorriu sarcástica, dando um passo para frente.



–Você não entende, não é? -Questionou, cerrando os olhos, entretanto, não de uma forma ameaçadora, mas sim, pensativa. -Eu estou cansada de carregar isso, esse objetivo. Eu quero ser livre, Emma, você não entende? Mas eu consigo seguir em frente. O que ela me fez, o que ela tirou de mim...



–Minha mãe? -Emma tentava acompanhar, mas só estava cada vez mais confusa. -O que Mary Margaret fez a você?



–Essa história ela não contou, não é mesmo? -Regina riu sarcástica. -Não é de mim que deve ouvir. E não importa mais. -Dizia. -O fato é: Eu não posso deixar ficar assim, mas também não posso simplesmente mata-la. -Os olhos achocolatados de Regina pareciam vagos, o sorriso sombrio que tomava conta dos seus lábios eram assustadores para Emma. -E sabe por que não posso? -Emma hesitou.



–P-Por causa de Gold? -Balbuciou a primeira coisa que lhe veio em mente.



–Não! Por sua causa, sua tola! -Respondeu, aproximando-se. -Eu não posso parecer naquele apartamento e arrancar o coração de Snow White e esmaga-lo porque isso seria insuportável para você! E por mais que eu possa acabar te destruindo mais cedo ou mais tarde, enquanto meu lado humano estiver consciente nunca me permitirá de te machucar. -Gritou. Emma ergueu a mão lentamente, acariciando o rosto de Regina. Então, seus olhos incendiados pelo ódio que carregava simplesmente se apagaram. Suas pupilas dilataram-se, Regina percebera o quão perigosamente perto elas estavam.



–Regina, você me ama. -Disse Emma. Porém, esta não era uma pergunta, apenas uma afirmação. A morena franziu o cenho. -É por isso que não consegue. E é por isso que eu não posso te deixar ir, porque eu te amo.



–Swan, eu não quero isso para mim. Eu não quero ter que viver sabendo que Mary Margaret sempre estará lá fazendo o destino rir da minha cara. -Desviou o olhar.


❤

–Então, vamos embora! Depois que tudo isso acabar! Vamos embora!



–Deixaria seus pais? -Questionou Regina, não lhe dando muito crédito. Emma assentiu rapidamente. -Não posso pedir que escolha sua família a mim. -E então lhe deu as costas. Rapidamente, Emma segurou seu braço tomando Regina em seus. Logo, o espaço que havia entre as duas era vago. A loira aproximou seus lábios nos avermelhados da Prefeita. Ela não poderia mais esperar para aquele momento. Precisava tocá-la, senti-la. Regina apoiou-se no pescoço da Xerife, enquanto as mãos de Emma vagavam pelas costas da morena. Sem luta, ambas eram correspondidas.



–Regina, — Emma gemeu baixo. -Você é minha família.


Notas finais
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