Broken

15 The Price Of Magic - Part. I


Notas iniciais
Hey! Esse capítulo é mais uma introdução para o próximo. Onde Regina terá de fazer uma importante escolha. E como todos sabem, toda magia tem um preço.

* * *

Uma semana depois, Regina continuava com a busca pela adaga de Rumpelstiltskin, e passava as informações à Emma assim que era possível. Cora estava começando a perceber algo de errado. Mesmo com receosos com a decisão da Prefeita, Charming e Mary Margaret decidiram não se queixar. A Xerife havia contado a Henry que Regina os estava ajudando e explicou por que eles não poderiam se ver ainda. Sendo assim, o plano estava completo. Eles haviam combinado de se encontrar com Regina assim que ela conseguisse se livrar de Cora, mas isto estava cada vez mais difícil de acontecer.


–Onde está Hook? -Perguntou Regina à Cora. A mulher se virou, seus olhos vagos estavam em chamas.



–Ele foi atrás de Rumpelstiltskin, é claro! -Exclamou cerrando o punho. -Aquele desgraçado vai arruinar tudo! -Regina tentava conter a mãe, mas qualquer coisa que tentasse fazer seria inútil.



–Gold não é tolo, mãe. E além do mais, Hook apenas aparenta ser esperto, se livrar dele não vai ser difícil. Principalmente para alguém como Rumple. -Ela tentava parecer despreocupada, mas sua atenção estava voltada ao seu celular. Emma não atendia a suas ligações fazia dois dias. E Regina não conseguiria se livrar de Cora tão cedo.



–Preciso encontrar um jeito... Vamos ao seu palácio... -Ordenou Cora, virando as costas e caminhando em direção à porta.



–Se chama Prefeitura, mãe. -Informou Regina, suspirando cansada, mesmo sabendo que sua mãe não a estaria escutando. Cora ergueu as mãos fazendo com que uma névoa vinho as envolvesse transportando-as até o escritório da Prefeita. Tudo estava como ela havia deixado: as caixas de papelão empilhadas e o telefone fora do gancho.



–Gosto do que fez com esse lugar. -Comentou Cora, passando pela filha e se sentando na cadeira em frente à mesa. Regina apoiou seus braços na cadeira a sua frente. De repente, seu celular tocou. A morena o tirou do bolso rapidamente, ansiosa para ler o nome em sua tela.



–Que diabo é isso? -Perguntou Cora quanto ao telefone. Mas Regina não poderia dar-lhe atenção naquele momento.



–Alô? -Disse Regina nervosa para ouvir a voz da loira.



–É a mãe do Henry? -Perguntou uma voz masculina. Seus ombros caíram. -Há alguém aí?



–Sim, é a mãe do Henry. -Regina voltou a dizer. -Algum problema? -Questionou.



–Oh, é que eu acabo de esbarrar com o menino aqui na floresta e ele me parecia confuso, não sei talvez triste. -Comentou a voz. -Acho que deveria verificar. -Regina franziu o cenho.



–Certo. Estou a caminho, obrigada. -E desligou. Um turbilhão de pensamentos invadiu a mente da morena. -Mãe... -Chamou. Mas Cora estava interessada demais no monitor do computador descansado sobre a mesa da Prefeita. -Mãe!



–Sim! Eu não gosto destas caixas mágicas que você guarda aqui. -Resmungou, franzindo a testa.



–Preciso ir. -Disse simplesmente deixando o escritório. Cora tentou chama-la e se oferecer para acompanha-la, ou melhor, vigiá-la, mas Regina recusou.



A morena entrou em seu carro apressada, e acelerou até as florestas. Era de se estranhar tristeza no rosto do menino, afinal, as coisas estavam se acertando. Será que algo havia acontecido à Emma? Seu pé pisou no acelerador mais fortemente, precisava chegar logo. Assim que o carro parou, Regina saltou para fora do automóvel. Ela andou até o poço onde Rumple trouxera a magia de volta à Storybrook uma vez, silenciosamente. Lá estava Henry, com um fósforo aceso e uma dinamite em mãos.



–Henry? -Regina chamou. O menino se assustou, deixando o palito cair. -O que está fazendo? -Henry se virou, seus olhos estavam vermelhos como se tivesse chorado há pouco tempo.



–Tudo isso é culpa da magia! -Exclamou, pegando o fósforo do chão. Regina se aproximou lentamente.



–Querido, você só vai acabar se matando. -Avisou, mas o menino continuou a tentar acendê-lo.



–Você só diz isso porque precisa de magia! -Sendo assim, Regina ergueu a mão, fazendo a névoa lilás dissipar a dinamite e o palito nas mãos do menino. -Ah. -Suspirou cansado. A morena andou até o filho, abraçando-o.



–Por que não me conta o que aconteceu? -Disse a mulher, levanto seu indicador até o queixo de Henry, fazendo-o olhar para ela. -Onde está Srta. Swan?



–Não ligo. Ela mentiu para mim. Todos mentem para mim. -Lamentou-se. O cenho de Regina se franziu. Nunca havia visto seu filho com raiva da loira.



–O que quer dizer? -Questionou, mas não houve resposta. -Vamos, vou te levar de volta para a casa de Mary Margaret.



–Não quero voltar. Gold está lá, e acompanhado. -Resmungou, com amargura. Mais uma vez, Regina encontrava-se confusa. Alguns minutos depois, ela conseguiu convencer Henry de ir com ela para a casa dos Charming, mal sabia ela quem encontraria ao chegar lá.



* * *


Dois dias antes,


Depois de confirmada a aliança entre Regina e os Charmings para encontrar um jeito de deter Cora, Emma não se afastava de seu celular nunca, sequer para tomar banho. Além de ser uma chance única para se livrar da mulher, era um jeito de ouvir a voz de Regina sempre que quisesse. Entretanto, ela tinha de ter cuidado, Cora poderia desconfiar mais cedo ou mais tarde. Mas infelizmente, a loira não conseguia disfarçar sua ansiedade para reconquistar a confiança da Prefeita e tudo voltar a ser como era antes: Uma família. Naquele dia, o céu estava tão aberto e claro que Emma poderia pensar ser um indício de um novo começo para ela. Tudo estava se encaixando. Até agora.



–Emma, — Chamou David. -Gold está de volta! -Emma se virou apressadamente.



–Finalmente! Onde diabos ele está agora? -Perguntou a David. Mas antes que sua pergunta fosse respondida, a porta do apartamento de abriu agressivamente. Era Gold sendo carregado por Ruby e Mary Margaret. -O que aconteceu?! -Mas o restante estava ocupado demais para responder a tolas perguntas. Assim que deitaram Rumple em um dos sofás, o homem teve mais fôlego para matar a curiosidade ao seu redor.



–Foi Hook. -Gemeu Gold, protegendo seu peito com uma mão enfaixada. -Aquele desgraçado nos encontrou... Meu filho! Onde está Bealfire?! -Perguntou desesperado procurando a sua volta.



–Bea-quem? -Emma tentou repetir. Varias vozes soavam ao mesmo tempo, batendo cabeça sem saber a resposta. Até que, enfim, uma voz grave se destacou dentre as conhecidas para Emma.



–Papa! Estou aqui. -Disse um homem adentrando o apartamento. O rapaz era alto, de cabelos castanhos, com barba mal feita e, também, protagonista de alguns nos momentos mais felizes e escuros da vida de Emma Swan. Quando os olhos verde-esmeralda avistaram o homem todo seu corpo congelou, uma sensação pairou sobre ela, e tinha certeza de que não era uma das boas. Ao contrário da loira, o homem não a viu primeiramente, simplesmente caminhou até Gold com uma expressão triste e desesperada em seu rosto. Emma olhava a sua volta, sem reação, sem saber o que fazer. Isso não podia estar acontecendo, não agora, não quando as coisas estavam prestes a se acertar.



–Neal? -A voz de Swan quase não saiu, mas sua rouquidão foi suficiente para chegar até os ouvidos do rapaz. Sem sequer olhar para a origem do chamado, o homem arregalou os olhos sentindo sua alma congelar, assim como a loira o fizera. Ele levantou afastando de seu pai, Rumpelstiltskin.



–E-Emma? -Neal virou sua cabeça olhando para a mulher. Era, de fato, ela. A mulher — não, a menina- que ele abandonou com os relógios roubados, deixando-a ser presa por meses de sua vida.



–Não... -Resmungou para si mesma. -Vo-você... -Ela mal conseguia assimilar. Neal olhou em volta, todos estavam confusos, inclusive seu pai. Desesperado, ele passou pela loira segurando em seu braço e a levando para a porta do apartamento, descendo as escadas correndo, para que ninguém os ouvisse.



–O que está fazendo? Me larga! -Gritou, soltando-se do rapaz. Neal não conseguia olhá-la diretamente nos olhos, lembranças que ele preferia esquecer retornavam e machucavam mais a qualquer dor. Ela foi seu primeiro amor, afinal. -Você me enganou! Você sabia de tudo isso?! Sabia quem eu era?



–Não! -Respondeu rapidamente, passando a mão em sua própria barba nervosamente. -Se eu soubesse nunca chegaria perto de você. -Acrescentou. Emma recuou, amargurada com as palavras ditas.



–Quer dizer que você é filho de Gold? Eu... — Resmungou incrédula. De repente, uma música passou a soar no ambiente. Seu celular tocava, e ao pegá-lo podia ver claramente o nome de Regina em sua tela. -Não... Por que você está aqui?! -Ela pensou alto, sem saber o que fazer quanto à ligação. Desesperada, ela simplesmente desligou.



–Quem é Gold? -Perguntou confuso, parando por um minuto.



–RUMPELSTILTSKIN! -Gritou Emma, sentindo sua cabeça girar. Neal recuou assustado.



–Meu pai foi atacado por Gancho, o antídoto está aqui... -Respondeu lentamente, tornando-se mais confuso que a loira. -Vamos beber alguma coisa e eu te explico tudo... -Emma riu sarcástica.



–Você realmente acha que eu vou beber com você? -Perguntou retoricamente. Antes que Neal pudesse pensar em uma resposta igualmente sarcástica, uma terceira voz os interrompeu.



–Mãe? -Henry caminhava até eles segurando sua mochila nas costas. -Está tudo bem? -Perguntou estranhando o rapaz ao lado da loira. O olhar de Neal imediatamente cruzou com o de Emma. Seus olhos arregalaram-se e seu coração não tardou a acelerar.



–Quem é esse? -Neal resmungou roucamente. Emma rapidamente caminhou até Henry, trazendo-o para dentro.



–Meu filho. -Ela respondeu igualmente baixo. -Henry, vá lá para cima, por favor. -Pediu, mas o garoto não respondeu confuso. -VÁ!



–Quantos anos ele tem? -Perguntou o homem.



–Não responda a ele. -Emma ordenou. O que mais confundia o menino eram os comandos dados pela mãe, Swan nunca havia sido tão seca e firme em seus pedidos. Algo estava muito errado.



–Quantos anos ele tem?! -Gritou Neal. Então, Henry se virou irritado.



–ONZE! -Respondeu na mesma altura. -E por que está todo mundo gritando?! -Perguntou finalmente. Os ombros da loira caíram nada podia dar mais errado. Neal a olhou, já sabia a responda, mas mesmo assim perguntou:



–Ele é meu filho? -Henry deu um passo para trás, assustado. Emma tentou alcança-lo, mas só fazia com que ele recuasse mais.



–Não. -Respondeu Henry, como se fosse óbvio. -Meu pai morreu em um acidente... Foi o que a você me disse... Não foi? -Henry a olhava receoso. Não, pensou Emma. Mas ela não podia mais sustentar aquela mentira. Então, após um ou mais minutos de silêncio, Neal tornou a perguntar: “Ele é meu filho?”. Aquela frase não poderia doer mais. A loira assentou as mãos nos ombros do menino, forçando um sorriso, mais triste e arrependido impossível.



–Sim.



Sendo assim, Henry correu até o apartamento acima. Emma sabia que seria inútil segui-lo. Seria melhor esperar até que se acalmasse para explicar tudo direito. Mais minutos de silêncio se passaram até Emma voltar a olhar para o homem.



–Ótimo. -Resmungou. -Vamos resolver logo esse problema. -E então, subiu as escadas de volta ao apartamento.



Neal acompanhava a loira subir as escadas, ainda confuso com a quantidade de informação. Ao entrar na sala, todos continuavam reunidos à espera do casal. Gold gemia de dor, recostado sobre a almofada e o restante de pé.



–Pode me dizer como se conhecem?! -Gritou Rumple, assim que a porta foi aberta. Neal teve de explicar tudo para que todos pudessem ouvir. E sendo assim, todos o faziam menos Ruby. Ruby era a única que havia percebido o que aquilo tudo significaria, Ruby compreendia Emma. E ela sabia que Regina era um dos motivos para a tristeza estampada no rosto da loira. Lucas se aproximou da amiga, envolvendo seus ombros por trás. Emma sorriu levemente, aceitando o carinho.



–Vai ficar tudo bem. -Sussurrou para a Xerife. Ela se virou perguntando-a onde estaria Henry, era sua primeira preocupação até agora. -Subiu correndo. Dê um tempo a ele, tudo se resolve.



–Regina era boa com as palavras, não eu. -Sussurrou de volta. Depois que Neal completou sua história, Snow olhou para a filha imediatamente. Emma estava perdida demais em seus pensamentos para perceber tal ação, mas Ruby havia notado, e nunca tivera tanta decepção de Mary Margaret. Assim como Ruby sabia reconhecer as expressões de Emma, ela a conhecia quase tão bem quanto Snow White. E o que Lucas vira, não fora nada satisfatório, sendo, uma vez, amiga de ambas.



O que havia no olhar de Snow era uma fagulha de esperança. Simples assim. Esperança de que Emma se apaixonasse novamente por Neal e, quem sabe, esquecesse de vez a história sem fundamento que era uma paixão pela mulher que deveria ser sua avó. Não, mas Regina não era. Nunca seria. Sendo esta sequer teria laços de sangue com a morena. A simples ideia de parentesco com a mulher que destruiu sua vida fazia o estomago de Regina revirar-se e isso era um fato que Emma compreendia e aceitava da mulher que amava. Entretanto, ninguém poderia impedir Snow de agarrar-se a essa pequena esperança.



–Eu preciso ligar para ela. -Emma resmungou, mas desta vez Ruby não havia escutado. O tumulto a sua frente crescia, assim como suas vozes.



–Já vai escurecer, é melhor descansarmos e decidiremos o que fazer ao amanhecer. -Sugeriu Snow, o restante consentiu com a ideia, até mesmo Rumpelstiltskin que ainda encontrava-se abalado com a notícia do -não mais- relacionamento entre seu filho, Bealfire, com Emma Swan.



–Com certeza tem lugar para você na pousada da Granny’s! -Ruby tentava mostrar sua hospitalidade. Ela segurou o braço de Neal, desejando que não parecesse tão rude e desesperado quanto ela realmente estava sendo, e, depois de ajuda a carregar Gold, caminhou com o rapaz até o Granny’s.



* * *


Dois dias depois,


Regina estacionou o carro na calçada paralela ao apartamento de David e Mary Margaret. Junto a Henry, ela subiu as escadas do prédio batendo na porta.



–Oh... Regina... -Exclamou Snow decepcionada. A Prefeita franziu o cenho, confusa.



–Quero falar com Emma. -Disse mais autoritária do que planejava. Snow ergueu a sobrancelha, enquanto David se aproximava com um sorriso de lado por ver seu neto.



–Hey — Exclamou David, recebendo um abraço de Henry. -Emma não está. -Virou-se para Regina. -Ela está no-



–Deve estar com Neal... -Respondeu Snow, com um ar vitorioso. Regina a olhou, hesitante. Neal? David tomou a frente da esposa, tentando reverter à situação.



–No hotel da Granny’s. — Corrigiu gentilmente. Por mais que ele odiasse o suposto relacionamento entre sua filha e a mulher que destruíra sua família, David finalmente percebera que Regina agia diferente quando se tratava de Emma. Entretanto, a relação entre Snow e a Prefeita parecia retroceder.



–Eu... Vou encontra-la, então... -Resmungou receosa.



–Na verdade Regina, eu não acho que Emma deva alguma explicação a você. -Snow tomou posição, dando um passo afrente de David.



–Desculpe, eu não lhe pergun- Regina se interrompeu, com um profundo suspiro. Não podia perder a calma, além do fato de que Henry estava logo ali e uma vez tentando reaver sua confiança, ela precisava manter uma relação estável entre a pessoa que iria se aliar. -Não... Não vou discutir. -Disse para si mesma fechando os olhos, mesmo que em voz alta. -Obrigada. -Ela voltou a abrir. -Henry, querido, vamos... -Regina chamou, por fim.



Atentamente, o menino obedeceu e se despediu dos avós. Mary Margaret mal teve tempo de retrucar, a Prefeita já descia as escadas um tanto curiosa para saber do que a professora falava. De volta ao carro, Regina dirigiu até o Granny’s. Não levava mais de dez minutos do apartamento até o restaurante e sem dificuldade, estacionou em logo em frente.


Regina se controlava para não parecer nervosa, mas tinha de convir que a ansiedade fizesse parte dela naquele momento. Henry estava com ela, isso era mais uma razão para manter-se como sempre foi em vinte e oito anos: Calma, superior e elegante. Pela primeira vez, o menino não saíra correndo afrente, talvez temendo a bronca que levaria de suas duas mães. E, uma vez percebendo isso, Regina torva-se mais desconfiada. Antes que pudessem adentrar o Granny’s, um grito longínquo chamou a atenção de ambos. Um homem de, aproximadamente, um metro e setenta de altura, um tanto calvo, porém com cabelos castanhos rebeldes. Sua barba parecia estar por fazer há mais de dois ou três dias. O rapaz, animadamente, sorriu para o menino e o chamou. Henry correu até ele, sem dar sequer explicações à mãe. Regina franziu o cenho, confusa. Não se lembrava desse personagem. Teria o trazido por acidente em sua maldição? Os dois passaram a brincar entre si, como se já se conhecessem há algum tempo. De repente, a Prefeita avistou, não mais que alguns metros dos rapazes, Gold. Sendo assim, ela se aproximou.


–Quem seria tal rapaz? -Perguntou Regina, com desprezo, olhando-o. O homem envolveu a cintura do menino fazendo-lhe cócegas. A prefeita bufou, em protesto.



–Meu filho. -Respondeu Gold, calmamente. Regina o olhou, confusa. -Bealfire, ou Neal, como preferir. -Acrescentou, com certa amargura.



–Neal? -Repetiu, relembrando a fala de Mary Margaret. Cada vez mais ficando confusa, até que como um raio, tudo ficou claro para a morena. -Ele não é...



–Pai do Henry? Sim, de fato. Acho que isso nos torna uma família, não? -Completou a frase anterior com sarcasmo.



–V-Você é avô do Henry?! -Questionou incrédula. Entender a árvore genealógica da família estava se tornando uma tarefa quase impossível. -Mas...



–Você me ouviu, dearing. -Retrucou, com sua voz aguda. Regina respirou fundo, Neal não só era pai do seu filho como também era ex da sua mulher. Rapidamente, a morena sacudiu a cabeça afastando tal pensamento tolo. Dando de ombros, Regina deus as costas ao homem e seguiu em frente, no sentido contrário do Granny’s. Algo havia lhe chamado atenção, e sem hesitar se agarrou a chance. Em um banco perto da praia, havia a silhueta loira tão conhecida para a Prefeita.



–Aprendendo sobre seus pais? -Questionou a Prefeita roucamente. A loira tinha em mãos o grande livro de histórias que Henry havia lhe dado. Snow White e seu marido Prince Charming preenchiam a imagem, que era tão nítida quanto os próprios rostos de Mary Margaret e David Nolan. Emma não contava, mas deveria fazer mais de duas horas sentada naquele banco ocupada apenas em ler e tentar entender um mais sobre suas origens.



–Não... -Respondeu imediatamente. -Sobre mim. -Acrescentou distraída. Regina teve de sentar no mesmo banco em que a loira se sentava, para que esta percebesse com quem estava falando. -Oh! R-Regina... -Exclamou, virando-se para a morena ao seu lado.



–Por quanto tempo ia esconder isso de mim? -Perguntou Regina, com amargura. Emma fechou o livro, temendo saber do que a mulher falava. Ainda não era a hora certa de contar sobre Neal.



–É só um livro. -Deu de ombros, desejando ter sido convincente. Regina bufou, em protesto.



–Você sabe do que eu falo Srta. Swan. -A prefeita disse, com seu antigo tom de superioridade, sabendo que isso incomodava a loira. Emma suspirou derrotada. -O que ele está fazendo aqui?



–Neal? -Arriscou. Regina desviou o olhar, amargurada. -Relaxe, ele só quer passar um tempo com o filho.



–Meu filho. -Corrigiu.



–Nosso filho. -Retrucou. Regina ergueu a sobrancelha, dando à Swan algum crédito.



–É fácil aparecer dez anos depois, com o filho alfabetizado, bem alimentado e tudo mais que uma criança precisa ter. -Tagarelou irritada. Emma suspirou cansada, já tinha escutado aquele mesmo discurso milhões e milhões de vezes.



–Não se preocupe com isso. -Disse Emma gentilmente, tocando a mão da morena, mas esta rapidamente se afastou. -Foque-se em ser a pessoa boa que eu sei que você é. -Acrescentou com um sorriso no rosto.



–Não gosto desse rapaz. -Protestou Regina. -Além do mais, você disse, há um ano, que esse homem não faria parte de mais uma das minhas preocupações.



–Não fará. -Emma disse rapidamente, temendo estar errada. Hesitante, Regina a olhou e por um segundo algo importante lhe veio à mente:



Quando fora acordada da maldição do sono pelo beijo de Emma Swan, memórias da loira foram compartilhadas consigo. Pelo que Regina poderia sugerir, eram os momentos mais felizes e importantes que a Xerife já tivera. Aquele homem fazia parte das imagens. A Prefeita tinha total certeza, por isso seu rosto era familiar.


Emma percebeu que a mente da morena estava bem longe, mas não se atreveu a questionar. Então, os olhares de ambas se reencontraram.


–Emma, — Regina chamou roucamente. A loira assentiu receosa. -Lembra-se de quando eu acordei da maldição... Daquela maldição... -Perguntou um tanto envergonhada. A mulher assentiu novamente. -Quando eu acordei-



–Te beijei. -Corrigiu Emma. A morena bufou.



–Certo. -Deu de ombros. -Você... Viu alguma coisa? Não sei... Algo sobre mim? -Questionou.



Regina se perguntava se havia acontecido o mesmo com a loira. Não se lembrava de ter lido algo assim em lugar algum. Era algo que havia ignorado, mas com a volta de Neal, talvez devesse levar isso mais adiante. Quem sabe, fosse uma dica do destino. Magia era imprevisível daquele mundo. Ela tinha aprendido isso da pior forma.


Emma franziu o cenho, fazia tempos que aquilo havia acontecido. E ela nunca havia se perguntado por que. Entretanto, se a Prefeita estivesse remoendo isso, significava que ela havia visto algo também, e que isso talvez fosse importante.


–Sim. -Respondeu confusa. -Já faz algum tempo... Não lembro... Mas eu lembro que vi você e — Ela deu uma pausa. Era certo falar sobre Daniel? Não, a verdadeira pergunta era: Era certo relembrar Regina sobre Daniel? O simples nome do rapaz fazia o peito de Emma remoer a lembrança da Prefeita chorando sobre o corpo do seu amor verdadeiro. Era egoísta, mas Swan invejava o espaço que Daniel possuía no coração de Regina.



–Pode dizer. -Permitiu Regina, já sabendo o que viria depois.



–Daniel. -Acrescentou amargurada. Sendo assim, a morena levantou. Já sabia o que queria saber. Mas antes que esta pudesse partir, Emma segurou seu braço. -O que isso significa?



–Não sei. Mas eu vou descobrir. -Ela sussurrou como se contasse algum segredo. Emma a soltou, mais confusa do que antes.



–Você viu alguma coisa? -Perguntou à morena. Mas Regina não respondeu.



–Aliás, Srta. Swan... -Disse mudando completamente seu tom de voz. Ela parecia se esconder de alguém. -Cuide melhor do meu filho. Ele estava na floresta mais cedo, resmungando sobre esse tal de Neal. -Comentou enciumada. Emma sorriu de leve, começando a entender a situação. -Que isso não se repita, ou tomarei meu filho de volta. -E saiu andando.



–Nosso filho. -Emma gritou alto o bastante para que Regina escutasse. Lentamente, um sorriso brotou nos lábios vermelhos da morena, enquanto Emma com o mesmo sorriso bobo se elogiava por entender a mudança repentina da Prefeita: Ciúmes.



* * *


Perto do Granny’s, Neal observava a sua ex-namorada conversar com outra mulher. Os olhos verde-esmeralda de Emma brilhavam de uma maneira que ele só vira uma vez em todo seu tempo juntos. Depois que Ruby apareceu no pequeno campo onde ele e Henry brincava, para chamar o menino para comer alguma coisa, Neal caminhou até a praia onde a loira, agora em pé, segurava o braço da morena ao seu lado. Algo parecia estranho para Neal. Elas pareciam brigar há todo momento, porém, o rapaz conhecia aqueles olhos tão bem quanto a palma de sua mão. Quando ele alcançou Emma, a outra mulher já estava longe. Tudo que conseguiu ouvir foi a voz da Xerife dizendo “Nosso filho” e nada mais.


–Quem é aquela? -Questionou Neal, logo atrás da loira. Emma saltou assustada, reprimindo o antigo sorriso que ocupava em seu rosto.



–Mãe do Henry. -Disse seca. O rapaz franziu o cenho.



–Mas... Você... -Neal resmungava confuso. Emma suspirou, tentando ter paciência. Neal era quase tão lerdo quanto ela, se é que isso é possível.



–Mãe adotiva. Eu meio que divido Henry com ela... É complicado. -Deu de ombros, voltando a se sentar no banco. O rapaz a acompanhou, sentando no banco ao lado do dela, e virando-se para encará-la.



–E o que não é complicado nessa árvore genealógica? -Riu. Mas Emma não lhe fez companhia. -Certo... Você vai ficar assim por quanto tempo? -Finalmente disse. A loira o olhou. Fingia não entender do que se tratava.



–Não sei. Até você ir embora. -Disse sarcástica. Neal abaixou a cabeça. -Desculpe... -Corrigiu Emma imediatamente. -Eu só estou nervosa hoje. -Suspirou.



–Eu sei que faz muito tempo e-



–Não, não por causa de você. -Emma ergueu a sobrancelha, olhando para a silhueta de Regina que desaparecia na névoa longinquamente. Neal acompanhou o olhar da loira, sentindo-se apenas mais confuso.



–Por causa dela? -Ele a fitou de baixo a cima. Swan, reconhecendo o olhar do rapaz, acertou-lhe um soco, nada leve, no ombro. -AH! Por que fez isso?!



–Está secando ela? Sério? -Repreendeu. Neal não pode deixar de rir. -É a mãe do meu filho! Contenha-se. -Apesar de o homem achar engraçado, Emma não podia ter falado mais sério.



–Falando assim até parece que... -Ele se interrompeu, rindo. Mas a loira continuou tão séria quanto antes. Só então, Neal entendeu. -Ai meu deus...



–O quê? -Cuspiu Emma, fazendo bico.



–Vocês estão juntas? Quero dizer, juntas... Juntas? -Neal perguntou, com um sorriso sarcástico. Ainda achando graça de tudo aquilo. Ela se virou, desviando o olhar sem saber o que responder.



–Não. -Respondeu após alguns segundos, como se fosse óbvio. Não mais, quis acrescentar.



–Mas você gosta dela. -Afirmou.



–Não! Cala a boca! -Emma repreendeu-o. Entretanto, ao contrário do que Swan esperava, Neal soltou uma engraçada risada.



–Certo... Você a ama! -Disse rindo. Emma bufou em protesto. -Eu te conheço, Swan... Conheço esses olhos muito mais que você mesma! Agora me diga: qual nome dela? -Perguntou animado. Emma o olhou, indignada, porém com um sorriso bobo no rosto.



–Regina...



–A EVIL QUEEN? -Gritou, espantado. Emma acertou-lhe outro soco no ombro, e olhou rapidamente para onde a Prefeita estava antes, mas esta já havia sumido. -Certo, desculpe... -Gemeu baixinho, alisando o ombro na tentativa de se livrar da dor. -Você está louca? Se metendo com a Rainha?!?



–Não é assim! Ela não é como todos dizem... -Swan defendia-a. Neal sorriu imediatamente.



–Você a ama mesmo. -Afirmou, mais uma vez. Emma revirou os olhos, entendendo que seria inútil discordar. -Tá, mas você já transou com ela? -Perguntou baixinho, com um sorriso bobo.



–NEAL! -Emma o repreendeu, olhando em volta. Seu rosto ficava cada vez mais vermelho. O homem mais uma vez soltou uma escandalosa risada.



–Você já fez! -Disse, entre risadas. A loira cobriu o rosto com as mãos, sentindo-se cada vez mais envergonhada. -Como foi? Ela é boa? -Zombava. Ela olhou para ele incrédula, Neal era um idiota mesmo. -Vai! Diz alguma coisa!



–A melhor. -Emma riu. Neal ficava vermelho de tanto rir, até que a loira levantou. -Vamos! Ao contrário de você eu tenho coisas para fazer. -Sibilou com um sorriso envergonhado. Neal assentiu e a acompanhou até o Granny’s. — E para de pensar nisso! -Gritou para o homem, que em resposta apenas riu mais e mais.

❤


Notas finais
Por que vocês acham que Regina teve acesso as memórias da Emma e vice e versa? E o que acharam da "parceria Neal e Emma?". Reviews?