Broken
22 Unbroken
Notas iniciais
Prometo não abandonda-las! Tenho outros projetos em mente, um Universo Alternativo já em andamento (pela metade) e não devo demorar. Tem minhas oneshots lá "New Kind Of Love" para quem ainda não sabe, ou queria ler de novo e comentar e me deixar feliz! AOSKPQOKSPQOK
Amo vocês! E sei que vocês amam SwanQueen Hahahaha.
* * *
-Não. Ela não está aqui. -Gritou David do andar de cima. A resposta era óbvia, Regina não voltaria para cá se estivesse decidida a se arriscar pela sua família. Ela estaria com eles, supostamente Tamara e Greg. Entretanto, Emma quis voltar lá. Sem motivo heroico, apenas porque sentiu falta dali. Henry tinha ficado com Ruby enquanto eles procuravam por Regina. A Sheriff prometera ao filho que iria encontra-la. E essa promessa não iria ser esquecida um minuto sequer. Mary Margaret sequer pareceu para filha, não lhe desejou boa sorte, talvez estivesse torcendo para que Regina seja esquecida. Emma não queria que acabasse assim, ter de escolher entre o amor e a família. A loira não tinha uma razão para seguir em frente se não fosse Regina e Henry, para provar a si mesma que ela não é de todo ruim.
-Vamos voltar. Talvez Neal tenha conseguido falar com Tamara. -Disse Emma, após alguns minutos de silêncio. David assentiu, e seguiu com a filha até o jardim da mansão dos Mills. O homem manuseava sua espada distraidamente enquanto caminhava. Emma tivera a oportunidade de usar uma, mas recusara. Sua arma seria muito mais eficaz. Eles andaram até a caminhonete e o homem dirigiu até o apartamento de Mary Margaret, onde o restante se reuniria com novas informações. Ruby havia levado uma blusa de Regina para que pudesse rastreá-la, Aurora e Mulan procuravam nas florestas e Neal tentaria falar com Tamara. Eles haviam conseguido um grande grupo de apoio, entretanto, a cidade também se dividia entre aqueles que não concordavam com a procura da Prefeita. Granny era uma delas, que agora permanecia em frente ao seu restaurante e pousada segurando sempre uma pistola nas mãos — quando não são armamentos mais pesados. Boa parte dos anões se recusou a procurar pela Prefeita, apenas Leroy e Mr. Clark prestaram seus serviços à Emma e David. Para aqueles que se recusaram, Regina havia sumido em boa hora. Poucos acreditavam que algo de ruim havia lhe acontecido, e se houvesse não se importavam.
-Eu não acredito. -David suspirou. Emma desencostou a cabeça da janela e olhou para frente. O carro já havia parado em seu destino; casa de Mary Margaret. Mas algo — ou melhor; alguém — os esperava na portaria. -Eu odeio esse cara.
Hook esperava encostado na parede, com um sorriso no rosto enquanto brincava com seu próprio gancho, rodando-o distraidamente. Ele fitava os dois satisfeitos. Emma franziu o cenho e desceu da caminhonete. David tentou chama-la, mas foi inútil.
-O que está fazendo aqui? -Perguntou Emma num tom acusatório. David saiu apressadamente. Hook abriu mais seu sorriso.
-Vim prestar minhas condolências, Swan. Ora, como vai meu parceiro? -Disse cumprimentando-o. David partiu para cima do pirata sem hesitação, acertando-lhe um soco no rosto. Emma tampou a boca com a mão, para não rir.
-Isso é pela última vez que nos vimos. E não sou seu parceiro. -Disse entredentes. Hook massageou a região atingida brevemente, fitando o homem de cima a baixo.
-Sempre encantador, não é mesmo? -Disse. -Vou relevar sua grosseria desta vez, Príncipe. Vim falar com Swan hoje. -Acrescentou com um sorriso malicioso. Emma franziu o cenho.
-Fale logo, não temos tempo de sobra aqui. -Disse Emma, impaciente. Hook suspirou.
-Concordo que não temos tempo a perder. Principalmente agora. Greg e Tamara pegaram Regina e querem destruir a cidade. E eu, certamente, aprecio minha vida. -Disse Hook brincando com seu gancho.
-Você sabe onde ela está? Por que não disse logo?! -Exclamou Emma aflita. David arqueou a sobrancelha.
-Espera, você estava ajudando-os? -David questionou. Hook mordiscou o lábio.
-É pode se dizer que sim. Bem, pelo menos estava antes de saber que eles iam explodir essa cidade. -Respondeu o homem.
-O que estamos esperando? Vamos atrás dela agora! -Exclamou Emma, dando meia volta e entrando na caminhonete. David fez o mesmo, embora estivesse hesitante.
-Venha logo, Pirata! -Ordenou David. Hook sorriu e entrou na estreita cabine.
-Pensei que não fosse me convidar, Príncipe. -Comentou risonho.
* * *
O ar já não era suficiente para alimentar os pulmões da mulher. Quem ela era? A Rainha? Ou a Prefeita da cidade? O que foi sua vida? O que seria decidido a partir de agora? Sua mente contradizia a si própria. Os relampejos de luz eram consequência da absurda carga de energia que era imposto sobre seu frágil corpo humano. Se ela pudesse, se tivesse forças para tal, assistiria Greg queimar vivo com suas chamas. Mas sua magia se fora, e este seria o futuro destino de sua sanidade também. Com o ataque, memórias lhe eram apresentada como um truque de seu próprio cérebro. Será que ele também estava contra ela? Regina se perguntava se isso era exatamente o que ela merecia. Sua vida de erros, talvez aquele fosse um final cabível após tanta dor, agonia e miséria causada pela Rainha. Lembrou-se do vilarejo que aniquilou. Homens, mulheres e crianças. Nenhuma foi poupada. O que isso dizia sobre ela? A reposta era óbvia, não havia perdão. Nem o Deus mais piedoso seria capaz de perdoá-la por tanto estrago causado. Lembrou-se também da vez que fora até um templo, no início de seu reinado. Disfarçada por uma túnica, sem identificação. Um sacerdote a recebera com gentileza questionável. Regina sempre odiou templos, igrejas ou cultos. Ela sempre achou que se havia Deuses piedosos de fato, eles ouviriam suas preces em qualquer lugar, a qualquer momento. Sem precisar de cerimônia ou unir-se a um grupo para tal. Mas Regina viu que essas uniões eram maneiras de um povo encontrar semelhantes, pessoas em comum, alguém que também os apoiam e pensem da mesma forma. E isso não era privilégio de seu mundo, mas também deste que há vinte e oito anos habitava. Vários nomes, várias formas de manifestar-se, entretanto, a mesma forma de unir-se a procura de seus semelhantes. Talvez fosse uma característica de o próprio ser humano, independente de sua maneira de pensar, precisar de alguém para se identificar. Para que a vida não siga monótona e solitária.
Afinal, o que havia de tão errado na solidão? Regina sempre se perguntou. Principalmente após constata-la pessoalmente. Por que, em sua adolescência, a solidão era sinônimo de amargura e tristeza? Pessoas podem ser felizes sozinhas, certo? Errado. Pelo menos, não foi o que concluíra dado ao seu estado atual. Sua solidão amarga e triste resultara neste patético fim.
De repente, a luz branca se tornara cinza. Como um céu nublado. Havia bolas indefinidas, semelhantes a algodão flutuando fora de seu alcance. Ela tentou alcança-los, mas seus braços estavam presos. Então, algumas cores surgiram suavemente. O azul turquesa fazia a base de sua visão. Estava delirando? Muito provavelmente. Após algum tempo, Regina realizara que fosse da antiga lenda sobre as almas separadas. Famosa em seu reino, devoto ao politeísmo.
Entretanto, aquela não era a hora apropriada para refletir sobre a religião universal dos mundos. Os algodões se dissiparam, mas não foi o céu que ela viu e sim o teto metálico.
-Você quer cooperar ou não?! -Exclamou Greg, num tom que Regina não conseguiu interpretar. Parecia feliz, porém irritado. Contente em vê-la sofrer, mas frustrado por não obter nenhuma resposta. Regina levou um longo tempo até conseguir mover seus lábios ressecados.
-Você tem as respostas. -Gemeu a mulher. -Mas não vai conseguir minha ajuda. -Concluiu ofegante. Mais uma carga de energia lhe foi carregada. Seu corpo entrou em convulsão novamente. Segurada pelos pulsos e tornozelos, tudo que podia fazer e ver seu corpo não obedecê-la mais. Ver seus músculos protestarem e se contraírem, enquanto o grito cessado pelo ranger de dentes cansava sua mandíbula escravizada.
-Será inacreditável para Swan contemplar essa cena lastimável. Sequer irá salvar seu amor verdadeiro? — Questionou com cinismo. Então, o corpo de Regina colidiu com a mesa novamente, recuperando-se do ataque. Regina recuperava o folego de olhos fechados, sem alucinações desta vez. Greg fazia questão de mantê-la sã.
“O que quer dizer?” Conseguiu resmungar. Regina ouviu os passos se aproximarem, e algo fazer força ao seu redor.
“O Pirata foi trazê-la, obviamente. Já que eu não posso convencê-la a ajudar, talvez Swan possa.” Respondeu, curiosamente perto. Regina engoliu seco.
-Então, será ótimo ver seu plano falhar. -Regina disse, abrindo os olhos para observar a reação de estranheza de Greg. -Por que eu não amo a Srta. Swan.
* * *
-E esse Pirata estiver mentindo? -David perguntava repetidamente, com seus olhos vidrados na estrada. Emma continuava fitando o caminho, em silêncio até então.
-Eu acerto um murro até não sobrar mais dentes para falar. -Exclamou Emma intensamente.
-Quanta hospitalidade. -Comentou Hook brevemente. -Falam como se eu nem estivesse aqui. -Charming riu.
-Neste caso seria uma situação muito mais agradável. -Respondeu David à altura.
-Bem, eu seria mais gentil com quem está ajudando a salvar sua esposa, Swan. -Protestou ressentido.
-Regina não é esposa de Emma. -Corrigiu David severamente, como se remota ideia fosse um completo absurdo. Entretanto, Swan apenas virou-se para o pirata, numa expressão pensativa.
-Noiva. -Disse Emma. David virou-se imediatamente para a filha.
-O quê?! -Protestou o Príncipe. Uma risada de Hook preencheu o carro por alguns segundos, satisfeito pela contrariedade do motorista.
-Quando isso tudo acabar, vou pedi-la. -Comunicou convicta do que falava.
-Emma... Você tem noção do que está falando? Se casar com Regina? Regina? -Protestava. -Você pode ter suas... Diferenças, mas há tantas outras moças... -Suplicava, esperando não magoá-la de qualquer forma. Mas David só se afundava em suas sugestões. E o riso de Hook ao constatá-las era ainda pior.
-Não quero ninguém, David. Eu só quero a Regina. -Respondeu secamente. -E principalmente, eu quero matar aqueles dois. -Disse rangendo os dentes.
-É aqui. -A voz de Hook intermediou a discussão. -Melhor estacionar num lugar mais discreto. -Sugeriu o homem.
-Não, é melhor estacionar em um lugar de fácil fuga. -Retrucou Charming. Emma fitou Hook brevemente.
-Ele está certo. É melhor que Greg e Tamara não nos vejam. -Comentou. David bufou protestante e seguiu as instruções do Pirata, muito a contragosto.
O carro estava estacionado poucos metros das docas, onde a diferença entre a caminhonete e os barcos era puramente remota. Todos saíram do carro com extrema delicadeza e sem que fossem notados. David já tinha sua pistola em mãos, juntamente com Emma que carregava a arma que fazia parte de seu equipamento como Sheriff, embora David fosse mais atuante nesse caso. Emma tentou impedir que a delegacia virasse um “negócio” de família, mas com toda a caracterização de conto de fadas, as regras de uma verdadeira cidade já não se encaixavam em Storybrooke.
-Você vai primeiro, Pirata. -Anunciou David, sacando sua arma. Emma já teria andado a frente, se não fosse pelo pai ao impedi-la. E nesse caso, ela não poderia discordar. Hook era suspeito, não poderia confiar nele até encontrar Regina. Mas o problema era que Emma confiaria em qualquer promessa que levasse até a sua amada, qualquer um que passasse com ilusões levaria crédito pela loira — até pouco tempo desprovida de qualquer crença.
-Está certo, Mate. Vamos, logo com isso. Não quero meu navio muito tempo sozinho, ele nunca ficou- Resmungou Hook enquanto adentrava as docas.
-Não sou seu mate. -Cortou David, rapidamente. -E cale a boca, pois não aguento mais ouvir sua voz. -Acrescentou num tom severo. Emma intermediava aquela implicância, enquanto caminhava entre ambos os homens. O lugar era imundo e o odor igualmente desagradável. O cheiro de atum era persistente e chegava impregnar a roupa de quem se aventurasse por ali. Mas nenhum desses detalhes era sequer relevante para a Sheriff, que mantinha seus olhos atentos e seus ouvidos de prontidão para qualquer estalo ou estrondo que revelasse a localização de seus inimigos. O corredor feito entre enormes compartimentos de combustível e peixe já chegava ao fim. Ela pôs-se ereta e segurou sua arma com firmeza.
-Ficamos aqui e você vai à frente. -Hook sussurrou à Swan. David franziu o cenho.
-Não, nem pensar. Minha filha não vai sozinha. -Contrapôs o homem.
-A Rainha está presa na cabine, Greg e Tamara estão por aí. Eu bem poderia deixar vocês lutando contra eles e pegar Regina.
-Não. -Exclamou Emma, arqueando a sobrancelha ao pirata. O homem riu, notando que sua implicância foi bem sucedida, assim como seu plano estava indo. -Eu vou e vocês ficam em minha reta guarda. -Comandou Emma. David protestou:
-Emma, está realmente confiando nesse homem? -Emma piscou algumas vezes, como quem pensasse bem na resposta. A saliva seca engolida à força foi uma prova de sua convicção, e também medo. Os olhos verdes-esmeralda da Sheriff se aproximaram dos azuis do pirada. Um ar verdadeiramente puro circulou entre ambos.
-Hook. -A voz rouca da loira tocou o marinheiro. -Minha vida está presa lá dentro, consegue entender isso? Sabe o que é isso? Viver sua vida por outra pessoa, como se você mesmo não mais importasse? -A sobrancelha arqueada do pirata era o bastante para Emma. De fato, Swan tinha seu “superpoder”, contudo, dada às circunstâncias, Emma poderia mentir para si mesma sem que notasse.
-Quanta paixão, Swan. -Resmungou o homem, sentindo-se desafiado, entretanto, de um jeito bom.
-Já amou, Hook? -Perguntou Emma seriamente, como se a resposta fosse algo crucial.
-Não. -Disse de imediato. Um sorriso de lado brotou nos lábios da Sheriff; certamente uma mentira. -Talvez. Sim. -Cedeu.
-Então, não minta para mim. Não me engane. -Emma não tardou a prosseguir. -Eu preciso salvá-la. -Concluiu. O olhar do pirata não de desconcentrou da loira um segundo sequer. Assim como Emma também não. Ambos entendiam um ao outro.
Swan deu as costas e partiu até a sessão de portas enferrujadas cujo um dos destinos era sua amada. David não protestou, ou sequer cogitou tal ideia. Todavia, Hook encheu seus pulmões com dificuldade.
-Swan. -Chamou o rapaz. O final daquela história dependia dele, somente dele. Poderia permitir que a loira adentrasse a sala e ele concluísse sua parte do plano. Ou poderia impedi-la de sofrer o mesmo destino que a Rainha certamente estaria fadada a seguir.
Emma virou-se para o marinheiro detectando algo em sua feição, mas não conseguia distinguir. Hesitação? Medo? Talvez os dois, ou muito mais. Hook puxou o ar mais uma vez. E se contasse a Swan o que lhe esperava? Mudaria algo? Emma insistiria em entrar e ser a heroína de sua estimada noiva de qualquer jeito. Ela não procuraria por ajuda ou reforços, seu destino seria o mesmo. A morte.
-Diga. -A voz de Emma lhe acordou. Hook a fitou mais uma vez. Talvez invejasse Emma por ser tudo que ele queria ser. Íntegro? Honroso? Amável? Não, invejava Emma por sua capacidade de amar. Capacidade esta, que foi conscientemente eliminada a partir do momento que o abandonara, sua esperança de recomeço. Que abandonara Bealfire.
-Nada. -Disse Hook finalmente. -Vá.
* * *
Regina já havia perdido e recuperado a consciência tantas vezes que mal saberia dizer quanto tempo havia dormido, ou o tamanho do intervalo desses acontecimentos. O céu que vira antes ficava nesse vai e vem, às vezes chegava a tomar a tonalidade de um vermelho sangue. Mas talvez fosse só confusão da fadiga mental. Já era impossível saber se o sangue em suas mãos era seu, ou somente fruto de sua sanidade ameaçada. O que ela havia visto, ouvido, quiçá falado. Verdade ou um de seus truques usados contra si mesmo? Greg tinha uma pistola nas mãos e outra equipada em sua calça. A Prefeita mal podia assimilar o que acontecia, ela só sentia seu corpo cansado ser manuseado por forças desconhecidas.
Greg não estava de longe mais são que a vítima. Seu sorriso doentio se deliciava com o grito áspero da pobre Rainha, que ele insistia chamar de má. Sua pupila mais ocupava sua íris do que qualquer outra coisa. Não que algo fosse comparável ao seu desejo sádico de vingar seu pai. Ele sabia. Regina inconscientemente falara. Seu pai estava morto, assassinado por aquela mesma mulher que, por orgulho, não suplicava, urrava, quiçá gemia por piedade. Ele cansara de brincar com ela, precisava cumprir sua missão antes de mata-la.
Agora, carregava o corpo fadigado da respeitável e temida Rainha até a uma sala onde, em sua mente, não estava impregnada pela imundice da mulher. Ou talvez, só pela crua verdade.
-O que está fazendo?! -Gritou Tamara cansada da psicopatia de seu amante.
-Vamos dar espaço para a Rainha e sua princesa, não é mesmo?! -Exclamou em resposta, com risinhos frenéticos nas pausas breves. Tamara franziu o cenho, mas não ousou questioná-lo. Encaminhou o homem até a sala mais ampla disponível, onde também brilhava o devastador diamante.
Regina só voltou a abrir os olhos quando seu corpo sentiu um novo ataque. Sua cabeça batera contra o metal, entretanto, não estava presa ou deitada. Tudo que via era o triângulo iluminado por uma luz negra e o tremor de toda uma sala. Logo, ela reconhecera o gatilho, a arma cujo destino seria estar apontada para sua cabeça.
-Eles chegaram aqui. -A voz de Tamara se arrastou até os ouvidos de Regina. Seu coração palpitou. Emma.
-Emma e Hook? -Assegurou Greg. A mulher assentiu.
-Ela está vindo, e acha que vai salvá-la. Mas o Príncipe também está aqui. -Tamara prosseguiu. Greg sequer se importava se Regina estaria ouvindo ou não.
-O Pirata cuida dele. -Deu de ombros. -Mas tem uma coisa... Você ouviu o que ela disse... E se Regina não amá-la? O gatilho não vai ser disparado? -A risada gélida de Tamara percorreu toda a sala.
-Regina a ama, sim. É natural negar. Mas, caso contrário, usaremos a magia de ambas. Emma é a salvadora e Regina... Bem, Regina é a Evil Queen. O máximo de cinza que pudermos reunir a SuperNova estará cumprindo seu dever.
-Não seria Grande Nova? -Questionou Greg.
-Não se Regina a amar. -Explicou Tamara já impaciente. Mas o homem continuou com o cenho franzido sem entender o que realmente significava. -Esqueça, vamos pegar Swan de uma vez.
* * *
Swan permaneceu em silêncio, enquanto caminhava pelo corredor. Não demorou até que chegasse à sala apontada pelo Pirata. Ela abriu a porta entrou ferozmente, pronta para enfrentar qualquer coisa, ou qualquer um que avançasse. Mas lá estava a surpresa: não havia ninguém. Apenas uma mesa larga, cordas e uma máquina esquisita abandonada ainda ligada à energia. Emma não teve tempo de reconhecer, ou suspeitar da máquina de tortura, pois as vozes há bastante conhecidas lhe alertaram. Swan se abaixou na janela, escondendo-se de quem quer que fosse.
-Onde está?! Onde Swan está?! -Exclamou a voz alterada da mulher. Emma engoliu seco, sentindo seu tornozelo protestar por tamanha agressividade que o impôs ao se esconder.
-Hook garantiu que ela estaria aqui. -Greg tentou intermediar. Emma cerrou os punhos, havia sido traída. Mesmo com tudo que disse ao marinheiro. Ela pensou em levantar e ataca-los por trás, mas então, outro pensamento lhe ocorreu. Hook sabia onde Regina estava, e ainda sim, o mandou para a sala errada. Ele sabia que ela estaria refém deles, talvez não tivesse sido traída por completo. Talvez Hook a tivesse ajudado de certa forma. E para Swan, naquelas circunstâncias, isso era tudo que importava.
-Vamos checar. -Anunciou a mulher, autoritária. Era sua deixa. Emma engatinhou até a porta, crendo apenas em seus instinto e sentidos. Ouviu os passos se tornarem longínquos e, quem sabe, a respiração pesada se esvair. A loira pôs a mão no chão, instintivamente. Eles estavam longe, ela sabia. Não sabia como, ou tinha alguma prova concreta. Apenas sabia. Sendo assim, Emma abriu a porta e se arrastou até seu destino. Sua mão agora, se contraía em seu colar de anel. Dado por Regina em sua primeira noite de natal. O pingente ardia, tanto quanto seu peito ao lembrar-se das primeiras palavras da amada.
“Emma... Emma, Eu te amo” A voz embriagada da Prefeita martelava em sua cabeça. Mesmo inconsciente, ela sabia. Sempre soube.
De repente, a quentura passou de ser uma metáfora para queimar a mão da loira. O anel brilhava, num tom esverdeado. Logo, Emma percebeu. A cor de intensificava à medida que ela se aproximava da porta. Chegava a ser desanimador ao ver o quão óbvio era a escolha. A porta tremia e a luz negra brilhava sobre a janela, embora a persiana a impedisse de enxergar detalhes.
Swan chutou a porta brutalmente, sem se importar com terceiros. Lá estava o verdadeiro inimigo; o diamante flutuava a mais de dois metros do chão com uma magia própria e aniquiladora. Seus olhos percorreram todo o ferro espalhado pela sala, até que sua visão aquietou-se no corpo esticado no chão. O peito ofegante era o único indício de vitalidade daquele frágil ser. Emma não sabia o que fazer. As mãos dela estavam completamente ensanguentadas, juntamente com seu calcanhar. O que ela sofrera em sua ausência? Quanta promessa Emma quebrara deixando isso acontecer? Ela prometeu. Havia prometido protege-la de tudo e de todos. Mas lá estava Regina, mais uma vez ferida, não só física como mentalmente.
-Gina, meu amor. -A voz morna e serena da loira não poderia ser mais remota para a morena. Swan se aproximou da mulher mais rapidamente que conseguira, precisava tocá-la. Ver se estava viva. Seus braços envolveram o colo de Regina, com desespero de se encaixar ao corpo da mulher. -Gina, abra os olhos. Estou aqui. Por favor. -Sua voz se tornava chorosa, e até infantil.
-I-Isso é truque, não é? -Regina gemeu gelidamente, com olhos ainda fechados. -Minha cabeça me trai. -Emma franziu o cenho, confusa. Regina achava que era uma ilusão? Swan levou sua mão até o rosto molhado pelo suor de sua amada.
-Regina, sou eu; Emma. -Insistiu mais uma vez. -Acorde, vamos para casa. -Emma acariciava cada curvatura da face da Rainha. De sua maçã do rosto até seus lábios ressecados. A loira só via uma opção. Seus lábios se aproximaram dos da mulher. Lenta e suavemente, quiçá demorado. O tempo necessário, até que Regina constasse que ela a salvaria. Ela era a Salvadora.
Não havia durado mais de um minuto, mas os segundos se rastejavam sem sinal de resposta. Emma já não sentia o peito da mulher subir ou descer. Emma já não sentia o lugar ao seu redor, como quando tocara o chão. Emma já não sentia sequer a si mesma.
Regina abriu os olhos, apertando a mão da loira. Era real. Tudo era real. Não só o beijo, quanto o ferimento em seus membros e o sangue pingando em sua roupa.
-E-Emma! -Exclamou Regina arregalando os olhos. Sua voz tremia tanto quando suas mãos. Os braços da Prefeita envolveram o pescoço da Salvadora com esperança, não importando se o cabelo loiro se mancharia com a tonalidade vermelha de seus pulsos. Emma a abraçou com igual intensidade e desespero. Era ela quem respirava de novo, agora. Sua vida não a abandonara.
-Sou eu, Gina. Sou eu. -Swan repetia baixinho, mais para si mesma do que para a amada. Regina sentiu seu peito se aquecer mais uma última vez. O vazio que toda vida alojava seu peito, não mais a torturava. Ao contrário, ela fora salva.
-“Eu não amo Srta. Swan” ela disse. -A voz debochada do homem, surgiu por trás da Sheriff. Regina comprimiu os olhos, e apertou-se no ombro da amada. Emma, por sua vez, não tardou a virar-se para o casal que as observava já devia fazer algum tempo.
-Teremos uma SuperNova, querido.
* * *
Greg ergueu as mangas rapidamente e segurou os braços da Sheriff agressivamente. Tamara deu a volta e puxou Regina do chão, tendo dificuldade em mantê-la em pé.
-Ela está ferida, seus imbecis! Precisa de primeiros socorros! -Gritava Emma, na tentativa falha de soltar-se do brutamonte que lhe agarrava. Greg a apertava cada vez que investia em algum movimento traiçoeiro.
-Pois é sobre isso... Não temos tempo. -Tamara disse friamente. Emma a fuzilou com o olhar, mas sentia seu coração martelar com a cena de Regina cambaleando nos braços da mulher.
-Como pretendem usar alguma coisa nela, se ela sequer se aguenta em pé?! -Atreveu-se a barganhar. Tamara fitou Greg, e Swan sabia que o homem fazia o mesmo. Ela havia os convencido. -Deixe-me cuidar dela, por favor. -Choramingou Swan.
Tamara revirou os olhos e soltou Regina, assim sem mais sem menos. Emma correu para segurá-la, antes que fosse jogada no chão mais uma vez. O corpo da morena declinou sobre o da Sheriff, fazendo com que Swan se perguntasse se ela estava desacordada novamente. Mas logo, Regina apertou o ombro da loira com a mínima força que havia nela. Estava acordava.
-Tome. -Greg murmurou, jogando uma caixa de metal no colo de Swan, que prontamente segurou. Era uma caixa de primeiros socorros, bem equipada por sinal. Curativos, remédios, entorpecentes. Tudo para cessar a dor imediata. Emma não demorou a aplicar na amada.
Pegando um pedado de algodão, Swan certificou-se de isolar o ferimento exposto dos pulsos da mulher. Em seguida, rasgou uma fita para assegurar que não se soltasse. Emma fez isso nos outros três machucados visíveis, mas sabia que só esse atendimento superficial não ajudaria por muito tempo. A Sheriff avistou um frasco com um tubo de jato e não hesitou em usá-lo. Entorpeceria a pele flagelada até que seu efeito passasse com o decorrer do tempo. Só faltava a fadiga. Regina já conseguia abrir os olhos por mais tempo, e quiçá assimilar o que lhe ocorria. Emma sorriu tranquilamente, escolhendo um dos comprimidos amarelados da caixa e uma garrafa d’água que também se alojava lá dentro.
-Engula. -Comandou Emma, sorrindo para a mulher. Regina franziu o cenho, mas abriu a boca. Emma pôs o comprimido em sua língua e lhe entregou a garrafa. A mulher recebeu sedenta, precisava da água com urgência. Regina engoliu cada gole como se fosse seu último, afobada.
-Chega. -Anunciou Tamara, cutucando Greg. Regina continuava confusa, mas já podia acompanhar sua mulher sendo erguida do chão pelo bruto homem. Emma foi puxada para longe de Regina e arrastada até o outro canto do quarto. Enquanto Regina se levantava com a — se é que é possível dizer isso — ajuda de Tamara.
-Emma? -Gemia Regina, perdida. Greg segurava os braços da loira por trás do corpo, mas a mantinha em frente ao diamante.
-Está tudo bem. -Swan sibilou, embora soubesse que a situação estava longe de estar tudo bem. Mas diria e faria qualquer coisa se isso tranquilizasse a Prefeita.
Regina sentiu os braços de Tamara abandonar seu corpo, agora estava em pé por si só. Precisava continuar assim, pelo menos por enquanto. Greg fizera o mesmo com Emma, contudo, apontando uma arma contra sua cabeça. A morena não tinha forças e nem como se defender, mas Emma sim. Emma era a ameaça.
-É o seguinte, meninas: — Greg introduziu com seus olhos reluzentes. -Esse diamante está flutuando, mas não foi acionado. Sabe por quê?
-Não me importo. -Emma lembrou, com arrogância.
-Precisa de magia. -Regina resmungou brevemente. Swan a fitou, preocupada. Greg deu uma risadinha.
-Exato. Creio que vocês queiram cooperar, não é mesmo? Afinal, estamos com pouco tempo. -Dizia sarcástico. -Creio também que não saibam o que é uma SuperNova? -Desta vez, ninguém lhe respondeu, embora Regina mantivesse de cabeça baixa, fitando os próprios pés.
-Há milhões de quilômetros, existe um universo desconhecido e obviamente inabitável. É um lugar muito perigoso, sabe. Acontecem explosões a todo o momento, talvez esteja acontecendo uma agora mesmo. -Tamara discursava pateticamente. Emma bufava a todo o momento, enquanto seus olhos estudavam Greg e esperava o momento certo para dar o bote. -Contudo, a explosão mais admirada pelos cientistas é quando vários objetos reluzentes são jogados aleatoriamente no espaço, quando uma estrela explode dá origem a novos corpos celestes. -Explicou.
Regina ergueu a cabeça com o cenho franzido, Emma acompanhava cada mudança de expressão da morena. Mas ela tinha sua atenção voltada para Tamara e tão somente. Emma se perguntava se a Prefeita saberia o rumo dessa conversa.
-E no que isso se adequa a nós? -Greg prosseguiu, com um sorriso sádico. -Bem, como a SuperNova, o motivo, uma explicação não existe. Não se pode prever quando irá acontecer ou se irá acontecer.
-Vocês realmente acham que esse será o resultado da união da nossa magia? -Regina questionou severamente. Greg gargalhou alto, batendo palmas.
-Bing Bing! Temos uma vencedora! -Exclamou.
-Você é louco. -Emma sibilou. Tamara andou lentamente até a loira, fitando seus olhos. Regina arqueou a sobrancelha, enquanto via aquela suposta aproximação.
-Magia não é daqui. É profana. -Cuspiu, com repulsa. -Você surgiu da magia. Ambas possuem magia. Mas agora, vocês duas, são a fonte mais poderosa de magia. Obviamente, precisam ser destruídas. -Emma esboçou um sorriso.
-Entendi. Então vocês são fanáticos religiosos? -Provocou Swan, com uma risada. Tamara rangeu os dentes, e acertou-lhe um tapa forte no rosto.
-Hey! -Gritou Regina. -Ela sequer sabe a magia que tem. Vamos prosseguir. -Regina barganhou. Emma sentiu seu rosto arder, enquanto tocava seu próprio rosto. Tamara deu as costas a loira e voltou-se para a Rainha.
-Certo. Vocês irão acionar esse gatilho, uma tarefa simples.
-Isso vai nos matar. -Regina retrucou. Tamara deu de ombros.
-Estamos dispostos a esse sacrifício. -Sussurrou a mulher, com sarcasmo em cada sílaba. Regina riu gelidamente.
-Vocês sabem que isso sequer irá arranhá-los, nasceram nesse... -De repente, a expressão de Regina tornou-se pasma. Emma se apressou para acompanhar o raciocínio da mulher, mas não entendia nada sobre magia. -Henry. -Regina olhou para Swan. -Henry nasceu aqui.
* * *
A sala estava silenciosa. Tamara e Greg já haviam saído, e levado à chave com si. Emma correu até a porta e a chutou. Nada. Chutou mais uma vez, e nada. Isso sempre funcionava, sem exceção.
-Vamos sair daqui, eu prometo. -Resmungou ofegante. Regina riu baixinho.
-Não prometa querida. -Disse. Emma virou-se para Regina, franzindo o cenho.
-Não, não... Não está pensando em desistir, está? -Perguntou, andando até ela. -Gina, Henry precisa de nós. Não podemos abandoná-lo, não temos o direito de morrer! -Exclamava Emma, sentindo sua voz trêmula. Regina ergueu a mão até o rosto da loira, tranquilamente.
-O gatilho irá se auto ativar a qualquer momento. Eu posso segurá-lo, mas só adiaria o inevitável. Sabe o isso significa?
-Acabou. -Respondeu num tom melancólico. Emma segurou a mão da morena, tirando-a de seu rosto para seu peito. -E-Eu... Não posso abandoná-lo de novo. -Choramingou. Regina puxou a loira até si, abraçando-a de modo desajeitado.
-Minha querida... -Sussurrou Regina, sentindo as lágrimas quentes da mulher pousar sobre seu ombro. -Perdoe-me por tudo. Isso é tudo minha culpa, não devia leva-la comigo.
-Gina, eu entendo por que fez tudo isso. A maldição. -Chorava. Regina engoliu seco, não era um assunto do qual gostava de debater. -Por Daniel. Por si mesma. Eu briguei com minha mãe, enfrentei meu pai... Se alguém tirasse você de mim, pelos céus, eu não sei o que faria. Mataria... Morreria. -Dizia.
-Não diga isso, Emma. -Regina repreendeu severamente, mas sabia que seria inútil.
-Mas sabe qual é o pior dos castigos? Quando você está contra si mesma. Se punindo a todo o momento, se repreendendo. -Emma resmungou enquanto sua mão acariciava o pescoço da morena. -Eu fiz isso minha vida toda, me perguntava se o motivo de meus pais me deixarem era porque eu não era boa o suficiente. E isso seguiu com tudo na minha vida.
-O-O que quer dizer?
-Que eu te perdoo. E que eu te liberto desse fardo. Você não é má, nunca foi. Você só é uma alma desesperada, assim como eu. -Emma levantou o rosto para olhar nos olhos achocolatados da morena. -Eu disse a mim mesma que quando isso terminasse eu pediria... Gina quer se casar comigo?
Um sorriso largo e contente brotou nos lábios de Regina. Era bobo, patético o jeito que ela se portava, sentindo seu estomago explodir em borboletas, seu coração martelar em ansiedade. A prefeita lembrou-se de quando pediu Daniel em casamento, ele não hesitou em aceitar.
-Emma, nós vamos-.
-Ser felizes, eu prometo. E desta vez eu vou cumprir, aconteça o que acontecer. -Emma a cortou. Elas iam morrer. Regina sabia. Emma sabia. Contudo, uma faísca de felicidade não fazia mal.
-Aceito, Srta. Swan.
Emma sorriu tão verdadeiramente quando o sorriso que se punha no rosto da, agora, noiva. Ela a abraçou fortemente, de modo que nunca abraçaras ninguém. Não queria se soltar nunca mais, em circunstância alguma. Regina afastou-se o suficiente para selar os lábios da loira suavemente.
-Eu te amo tanto... -Resmungou Regina. -Obrigada.
Emma acariciou o rosto da noiva suavemente. De repente, uma ideia lhe surgiu. A loira retirou o cordão de seu pescoço à força, arrancando-lhe o pingente. O anel. Logo, Regina entendeu a real intenção da Sheriff, e fez o mesmo com o seu cordão — dado primeiramente por Daniel.
-É preciso oficializar, certo? -Resmungou risonha. Regina riu brevemente. -Não tem nenhum padre aqui, e confesso que não sou muito crente, acredito que você também não é.
-Oh, o que lhe deu a dica? -Brincou. Emma riu.
-Deixe-me chamá-la de esposa uma última vez? E única talvez. — A loira pediu. Uma lágrima escapou dos olhos da morena. Emma tomou aquilo como um sim, e segurou a mão da Prefeita.
Regina engoliu o pranto. Não era hora de chorar, pelo contrário, era um momento feliz, talvez o mais feliz de sua vida. Tudo que ela desejava era ter Henry ali, entre elas. Sua vida estaria completa.
Emma deslizou o anel sobre o dedo delicado da noiva. Regina respirou fundo e lentamente. Seria sua vez.
-Prometo amá-la além da vida. -Emma sussurrou, fitando os olhos achocolatados.
Regina manuseou o anel prateado com dificuldade, pois suas mãos eram trêmulas. Emma sabia que fazer isso não era fácil para a Prefeita. Sabia quem havia lhe dado aquele objeto. Contudo, Regina segurou a mão da loira, que tremia tanto quanto a dela.
-Prometo ser merecida desse amor, porque amá-la é inevitável. -Respondeu Regina repetindo o gesto da, agora, esposa.
Emma, então, aproximou-se para um singelo beijo. Era tudo que elas tinham; uma a outra. Regina sentiu seus lábios formigarem e não hesitou em corresponder.
De repente, o chão tremeu sob seus pés. O gatilho se manifestava diante a longa espera. Regina sabia o que tinha de ser feito.
-Emma, acho que temos uma chance. -disse, afastando seu rosto da loira. Os olhos de Swan refletia a luz da sala, mas, ainda sim, lá nas imensas íris esverdeadas estava uma fagulha de esperança. Era tudo que Regina precisava para prosseguir. -O que Tamara disse; sobre nossa força... É realmente poderosa.
-Estou ouvindo. -Emma disse, disposta a entender qualquer coisa que a ajudasse a sobreviver.
-Eles também estão certos ao comparar-nos com a SuperNova, pois quando a explosão tem fim, o núcleo se transforma.
-Eu já li sobre isso. -Emma interagia. -Se cria um buraco negro. -Regina sorriu, aprovando o conhecimento da esposa.
-O problema é que, como o buraco negro, é impossível saber o que irá acontecer.
-Vamos fazer! -Exclamou.
-Querida, é um tiro no escuro. -Retrucou à loira. Contudo, Regina sabia qual seria a resposta. Com a quebra de maldição, Emma aprendera a acreditar, a confiar que nem tudo nesse mundo era o que parecia ser. -Temos uma chance, uma em um trilhão.
* * *
Emma se fez acreditar no segundo em que pegara aquele livro, segurara no pulso da morena e a puxara para a dispensa. Acreditou que aquela era sua realidade, e que o fardo que carregaria a partir daquele momento seria pesado demais para ela carregar. Tudo isso, Emma soube naquele exato momento. Não tinha como voltar. Como abandonar tudo, como fizera durante toda sua vida. Era criara raízes, como Regina a havia desafiado uma vez. E essas raízes a levaram para aquela mansão, para dentro do quarto da Prefeita e mais ainda: para aquela sala.
Se Swan soubesse o que o destino lhe havia aprontado antes, seguiria em frente mesmo assim? Caminharia em direção à cidade para entregar o menino que se dizia seu filho? Ou partiria assim que constatasse os olhos achocolatados e desesperados da Prefeita da cidade de nome fictício ao reencontrar seu filho? Seria mentira dizer que a decisão de permanecer na cidade por mais uma semana — apenas uma semana — não tivera nada haver com Regina. Boa parte desse feito fora apenas para provocar a autoridade da morena.
Quantas vezes ela não estivera bem perto de expô-la para todos, e não o fez. Primeiramente, porque Regina sempre esteve um passo a frente da loira. E também, pois mesmo que Emma pudesse provar algo, não teria coragem de feri-la. Não intencionalmente.
Agora, Swan faria tudo para que nada a machucasse. Não mais. Ela estava de frente ao diamante maldito, culpado por toda sua desgraça. Culpado pelo sangue derramado de sua esposa. Ou apenas um objeto no qual Emma pudesse descarregar toda sua frustração uma última vez. Ela tinha suas mãos erguidas, mas não tocava o núcleo da magia, tampouco a superfície. Regina aproximou as mãos lentamente até o campo que o gatilho havia constituído por conta própria para sua autodestruição. De repente, os raios de luz que vagavam o redor do diamante se conectaram as mãos da morena. Rapidamente, Regina gemeu baixinho. A força era muito poderosa, de fato.
-Está tudo bem? -Emma perguntou preocupada. Ela ainda estava fraca, os entorpecentes poderia perder o efeito a qualquer momento, devolvendo a fraqueza e fragilidade ao corpo da morena. Swan não se preocupava à toa.
Regina a olhou, com um sorriso tranquilo enquanto comprimia os olhos. Ela sabia que as chances eram poucas. Pouquíssimas. Quase nulas. Mas Emma iria tentar, não podia falhar. Era sua vida em risco, e ela não se referia a si mesma. E sim a Henry e Regina, que eram a única lembrança de como era estar viva.
O olhar da Prefeita fitou os olhos verde-esmeralda. Pareciam hesitantes, mas sabia que estavam mesmo apavorados. Uma das primeiras experiências de Emma com magia não deveria ser assim, não deveria exigir tanto como exigiria. Mas não havia outra escolha, portanto, Regina livrou-se de tais pensamentos.
-Ele vai sugar toda nossa energia. -Tentou conduzi-la. -Nossa magia vai se unir e ela vai implodir o gatilho, consegue entender? -Emma olhava o diamante, sem perceber a quão apavorada deixava transparecer.
-Somos fortes o suficiente? -Emma perguntou, voltando seu olhar aos olhos achocolatados. Regina lembrou-se de algo dito por seu pai, Henry, há muito tempo. “Os olhos são o reflexo da alma” a voz do homem cansado ecoava em sua mente. E então Rumpelstiltskin: “Sei reconhecer uma alma desesperada”. Logo, o dia que Graham fora convocado a comparecer em seu castelo. Lá estavam aqueles olhos. De uma alma desesperada, de uma alma torturada. Torturada por si mesma, pelo castigo imposto pela culpa. Emma estava certa, não há castigo pior do que ter a si mesma como inimiga. E fora isso que Regina teve em toda sua vida: ela mesma como principal obstáculo. E Swan conhecia aquilo, embora a morena nunca tivesse perguntado sobre seu passado. Seria doloroso demais saber o que a loira passara por sua culpa, por culpa de sua maldição.
Emma estava desesperada. Procurava pela faísca de esperança, e tentava transformá-la em uma chama estável, firme. E Regina não lhe poderia negar isso.
-Com certeza. -Respondeu, sorrindo. Emma suspirou em alívio. -Está pronta?
-Nunca estive. -Confessou Swan. -Mas eu não ligo.
A loira deu um passo à frente, sentindo uma lágrima escorrer pelos seus olhos. Suas mãos erguidas se enroscaram com os raios do diamante. Logo, uma corrente de energia se conectou à Emma, provocando-lhe uma forte pressão em seu peito. Como se algo forçasse para invadi-la e arrancar-lhe o coração. Mas não era o coração que ele queria arrancar dela, e sim sua magia.
-Emma, olhe para mim. -A voz de Regina acalmou a mente barulhenta da loira. -Vai ficar tudo bem, entendeu? -Assegurou.
O chão passou a tremer e uma rachadura invadiu o chão na lateral da sala. Era Storybrooke acordando da maldição, tornando-se floresta novamente. Emma comprimiu os olhos, sentindo seu coração martelar junto de sua cabeça.
-Emma, você é minha esposa. Tem que confiar em mim. -Regina voltou a chama-la, desta vez mais severamente. A loira abriu os olhos, soltando um riso nervoso.
-Eu confio, minha esposa. -Respondeu, com um sorriso amedrontado. Regina sorriu de volta.
-Pense no que iremos fazer quando sairmos daqui, que tal? -Incentivou. Emma riu. Era só o que lhe faltava, a prefeita trata-la como criança, justo naquele momento. -Estou falando sério! -Disse risonha. A rachadura de abriu mais alguns centímetros, provocando um estrondo atrás do outro. Como se não suportasse a força investida.
-Está bem. -Emma cedeu, revirando os olhos. -Você começa. -Regina deu um passo à frente, ainda com as mãos erguidas.
-Eu quero pintar a casa. -Confessou. -Esmeralda. Verde-esmeralda. -Emma riu.
-Eu... Quero ensinar Henry a andar de bicicleta. -Disse Swan seguindo o movimento da morena, dando um passo a frente. Agora o tremor era constante, o teto já soltava uma quantidade nada agradável de poeira e lascas de tinta seca. Regina avançou.
-Eu quero... Eu quero perder o medo do mar. — Confessou sentindo seu rosto tomar cor. Emma soltou uma deliciosa gargalhada.
-Você não me contou isso! -Exclamou. Novamente, um estrondo fez com que parte do teto de rompesse, mas nenhuma delas pareceu notar. -Minha vez... Eu quero viajar para Tallahassee, construir novas memórias. Eu, você e Henry. -Regina a fitou por um momento, percebendo que lá era onde seu passado ficara, mas não comentou. Emma deu um passo à frente.
-Eu quero meu feliz para sempre. -Regina sussurrou, avançando mais um passo.
-Eu quero fazê-la feliz para sempre. -Emma avançou. O espaço entre elas era mínimo, mais dois passos. Uma de cada. Separadas por um diamante. Regina sorriu genuinamente, deixando uma lágrima cair. Emma engoliu seco.
-Eu quero uma menina, uma filha. -A morena disse. Emma arregalou os olhos, surpresa. Contudo, seu sorriso apenas se estendeu. Regina deu um passo à frente. Só mais um passo.
-Eu também. -Emma avançou. As lágrimas da Prefeita se tornaram contínuas, assim como seu sorriso que não se desfizera uma vez sequer. Emma entendeu o que aquilo significava.
-Não vamos voltar para o Henry, vamos? -A voz rouca de Emma parecia ferida. Regina abaixou a cabeça, caindo em seu pranto. Aquela era sua resposta.
Os tremores frequentes não mais permitiam que elas se ouvissem. O teto caía aos pedaços, o chão de partia sob seus pés. O diamante era o fim da linha. O fim do sofrimento, e também da felicidade. Da vida. Swan era a Salvadora, mas fora ela a ser salva da vida fria e seca que vivera. Por aquela mulher que todos diziam se o fim e causa do caos. Não, Regina não era o caos. Tampouco o paraíso. Regina não era o limbo, ou o purgatório. Regina era tudo aquilo que completava Emma e vice e versa.
Elas sabiam o que fazer. Como acabar com aquilo tudo. Era uma chance em trilhões. Uma implosão, um buraco negro. Para onde elas iriam? Era uma questão que o homem ainda não havia desvendado. Talvez para um mundo não tão desconhecido, com sorte para casa. Ou quem sabe, para algum lugar onde pudessem descansar finalmente. Livrar-se do fardo que ambas carregavam em suas costas.
Emma deu seu último passo, além do que o espaço lhe oferecia e segurou a mão da prefeita. Regina levantou a cabeça, surpresa. De repente, o gatilho passou a brilhar em cores semelhantes, porém únicas. Um tom azulado envolvia as mãos da loira, enquanto o lilás abrangia às da morena. Elas se olharam desesperadamente.
-Aconteça o que acontecer... -Emma uniu forças para gritar mais alto que o barulho dos estrondos. Um vento anormal invadiu a sala, enfatizando o tremor que abalava toda a Storybrooke. -Estaremos juntas! -Acrescentou quando sentiu seus pés emergirem do chão.
Regina apertou as mãos da esposa o mais forte que podia, para que não houvesse vento forte que as separasse.
-Até o fim! -Gritou à loira. Emma sorriu.
-Além do fim! -Respondeu.
Logo o vento estupidamente forte a forçou a fechar os olhos, sentiam seus corpos flutuarem e o barulho diminuir aos poucos, como quem economizasse forças para um próximo ataque. Quando o som se tornou rouco e ecoante, ambas abriram os olhos e então, os olhos achocolatados se cruzaram com os esverdeados. De mãos dadas, fortemente agarradas uma a outra. Nunca soltar, era uma promessa.
E então, tudo se tornou branco e a última coisa que soara fora o forte barulho da explosão.
Notas finais
Até a próxima!
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