Broken

13 There's a Three Sides Of The Story


Notas iniciais
Desculpe pelo atraso. Sem muitas notas nesse capítulo.
-Baseado em 2x12.

-Boa leitura!

* * *

Emma Swan corria como se sua vida dependesse disso. De certa forma, dependia. Uma parte de sua vida fora separada de si, e agora ela teria de recuperar o tempo, teria de se redimir. Se arrependimento matasse, Emma já estaria em baixo da terra há muito tempo. Por mais que se sentisse um lixo, ela sabia que isso não traria Regina de volta, e por isso não poderia demorar mais. O primeiro lugar que ela pensou em ir foi no cemitério, onde estava a tumba do pai de Regina. A loira se lembrava de ver o nome “Henry Mills” na época em que Graham, o antigo Xerife, procurava pelo seu coração. E a julgar pelo sobrenome, juntar as peças não era algo difícil. Ela não teve tempo de explicar, ou pedir alguma explicação de Archie, apenas ouviu que quem havia o sequestrado era Cora. E se Cora era tão perigosa e tinha tanto ódio de Regina, como esta já havia dito antes, Emma tinha de compartilhar essa informação com a Prefeita. Primeiramente para garantir que Regina estava a salvo, e só então se preocupar com o resto. O fato era: Emma encontrara a perfeita desculpa para conseguir encarar sua amada novamente depois do grotesco erro que cometera.


Finalmente, ela parou ao chegar à porta do cemitério. O mausoléu do pai de Regina era o mais bem cuidado, e visível dentre todas as sepulturas. Emma caminhou cuidadosamente entre elas, até chegar ao seu objetivo. Ela nunca havia estado ali, se não daquela longínqua vez com Graham, no entanto, sabia que aquele lugar guardava alguma passagem secreta. Com o chão arranhado, não foi difícil perceber qual era. A loira afastou o túmulo que, de fato, escondia uma sequência de degraus adentrando a escuridão. Emma se culpava por não saber daquele lugar, ou da importância que aquele homem tinha para Regina. Ela se culpava de Regina ter que se esconder para não pagar por um erro que ela não tinha cometido. Emma sabia como era difícil a mudança e sabia também a dor de não ter nenhum crédito quanto a isso e a tudo mais. Ninguém acreditou em Emma quando foi presa por ser pega com relógios roubados, ninguém acreditou em Emma quando ela saiu da prisão e tentou ser uma pessoa melhor. E ela havia feito exatamente isso com Regina.


–Regina! Regina! –Gritava Emma, enquanto descia os degraus. O barulho de batidas, de repente, passou a ecoar naquele lugar. Primeiramente de maneira suave, mas então começava a aumentar, e aumentar cada vez mais. –Regina!


O barulho pulsante dos corações que Regina guardava em pequenas caixas por todas as prateleiras era de origem desconhecida para a loira. Aquele mausoléu era, na verdade, encantado. Há pouco menos de um ano, quando -depois da maldição ser quebrada por Emma Swan- Gold trouxe a magia novamente à Storybrook, Regina pôs um feitiço seu cofre: Qualquer um, com exceção da Prefeita, que se atrevesse a entrar ali seria recebido com um barulho enlouquecedor do bater dos inúmeros corações. Sua sanidade seria arrancada, levando-o a loucura.

E o feitiço seguia a ordem mandada, aumentando o volume absurdamente. Emma assustada cobriu os ouvidos com as mãos, mas de nada adiantou. Por um minuto, pensou em correr para a saída, porém, tinha que encontrar Regina e ela sabia que a Prefeita estaria ali. Tinha que procurar pela morena, nem que isso lhe custasse à vida. O som intenso e grave era constante, enxaqueca era inevitável. Se fosse a magia sugando sua energia, a loira poderia dizer que era apenas psicológico, mas agora ela acreditava. Emma jogou-se no chão, nada mais ocupava seu pensamento dado à tamanha dor mental.


De repente, o barulho parou.


* * *

–Regina, não. –Dizia Cora, mais uma vez. Controlava sua voz para que ainda parecesse gentil, em vez de uma ordem. Entretanto, Regina não respondia, permanecia parada em frente ao espelho. Seu coração parecia contorcer. Ela via, através do espelho, Emma cobrir os ouvidos com as mãos, em um ato desesperado para conter o som que afetava seus tímpanos. Por mais que Regina tentasse manter-se fria, era impossível. Ela não conseguiria permitir aquilo. A loira caiu ao chão, minutos depois, não aguentando mais o absurdo tom.

Sem hesitar, a Prefeita ergueu a mão fazendo com que o feitiço posto sobre o mausoléu se anulasse, fazendo sumir o som.

Cora suspirou, derrotada. Para ela, aquilo era um treinamento para que sua filha não se afetasse com os encantos da garota Swan, mas ela tinha ainda muito que “ensinar” à morena.

Regina não parou de observá-la. Seu peito doía só de olhar para aqueles olhos verde-esmeralda, que pareciam desesperados. Emma se levantou, estranhando o silêncio, mas não ousou reclamar. Assim que suas pernas voltaram a obedecê-la, voltou a procurar pela amada.


–Regina! Por favor, eu sei que você está aí! –Suplicava. –Me desculpe Gina! –Sua voz falhou.


A morena recuou. Aquela voz, aquele jeito de falar seu nome. Era demais. Ela iria ceder.


–Regina, não faça isso. –Cora pôs a mão sobre o ombro da morena. Regina tinha sua mão erguida, preparada para abrir a passagem e aparecer para Emma, mas a voz da sua mãe despertava nela algo que ela havia deixado de lado durante esse tempo entregue à Swan: Seu orgulho. –Lembre-se do que essa gente lhe fez. Você não precisa dessa garota Swan.


Ela tem razão, pensou Regina repreendendo-se. Tinha que ser forte, ela não precisava de Emma Swan, ela estava bem ali, na escuridão, era onde ela pertencia. Se seu destino seria esse, o que mais ela poderia fazer? Se agarrar a esperanças falsas não era a resposta. Ela tinha que esquecer Swan.

Então, Regina olhou pela última vez: Emma estava saindo.


Cora não pôde conter o sorriso de satisfação em seu rosto. A garota finalmente havia desistido de procurar por sua filha e, agora, Regina desistiria de uma vez por todas aquela ideia absurda: Final feliz. Dando-se por satisfeita, a mulher se afastou da filha.


–Regina, querida, preciso resolver algo com Gancho. –Disse, simplesmente. Regina se virou, confusa.


–Gancho? Gancho está aqui? –Questionou erguendo a sobrancelha. Hook não era uma pessoa agradável, e Regina não morria de amores por aquele homem. Afinal, carácter e honra era algo que a Prefeita respeitava e admirava, e era algo que Hook não tinha. Ele traiu a confiança de Regina quando passou para o lado de Cora, a Rainha de Copas em Wonderland.


–Sim, tive de trazê-lo. –Respondeu indiferente. –Querida, juntas nós conseguiremos qualquer coisa. Tenha paciência, e verá.


Sendo assim, uma fumaça roxa escura envolveu o corpo de Cora, dissipando e levando a mesma com ela, até não restar mais nada. Regina relaxou os ombros. Tinha que admitir que a presença da mãe lhe trouxesse certa tensão. No entanto, o que mais ocupava sua mente era Emma. Teria a loira, desistido de procurar Regina? Assim, tão facilmente?

Curiosa, Regina ergueu a mão, fazendo aparecer perante o espelho uma imagem de onde Emma estaria naquele momento. E então, Regina recuou. Ela estava no estábulo.


* * *

–Regina! –Gritava Emma, já cansada. Parou de contar às vezes que chamou pela Prefeita quando passava da sétima. –Gina, eu preciso de você. Preciso que você me ouça. –Suplicou.


O estábulo era a última esperança dela, era o último lugar que se lembrava. Da noite que Daniel reapareceu, e tentou matar Regina. Emma não conseguiu chegar a tempo, mas prometeu que sempre, sempre protegeria Regina. E ela havia quebrado essa promessa, dentre outras. Agora, sua esperança estava se esvaindo. Ela não gostava muito de cavalos, mas sabia que o animal era uma paixão da Prefeita, embora não conhecesse seu passado. Acariciou o pelo de alguns, com a esperança de que algo desse uma dica, ou quem sabe os cavalos lhe dissessem algo.

De repente, um som de estalo rapidamente soou, como se alguém tivesse acendido um fósforo e este se apagado tão rápido quando o início da chama. Emma se virou, pulando ao se assustar. Era Regina. Em carne e osso. Depois que a fumaça lilás, mais escura do que se lembrava, se libertara do corpo da morena, era possível vê-la melhor. Embora Emma tenha ficado feliz em vê-la, o sentimento não era recíproco. Pelo contrário, os olhos de Regina eram sombrios. Carregados de ódio, mas ainda sim guardava aquele brilho.


–Gina, eu... –Suspirou Emma, dando um passo adiante. Regina recuou.


–Não me chame assim. –Repreendeu Regina, seca.


Os olhos verde-esmeralda da loira miraram o chão. A culpa que ela tentava esconder, finalmente veio à tona. Não conseguia encarar a Prefeita nos olhos, sem pensar em tudo que havia feito. Regina, por sua vez, repreendia a si mesma para não cair na armadilha que aqueles olhos desesperados representavam, enrijecendo seu coração.


–Não vai falar nada? Chamou-me tanto, aqui estou eu. –Disse Regina, com certa crueldade. Emma tomou coragem para levar a cabeça e, finalmente, olhá-la nos olhos. –Já um começo.


–Gi... Regina. –Corrigiu rapidamente. –Eu sei que deve estar me odiando, e eu mereço -.


–Ah, querida, eu sei que merece. –Comentou. A voz soberba e distante de Regina fazia com que o peito de Emma se contorcesse de dor.


–Me perdoe, eu deveria ter acreditado em você. –As íris verde-esmeralda de Swan tornavam-se cada vez mais brilhantes à medida que as lágrimas se formavam em seus olhos. Regina lutava contra si para não ceder à necessidade que tinha de abraça-la, de tocar aquela pele rosada. –Mas, quando eu vi você naquele catador de sonhos, eu não pude aguentar. Pensei que tivesse sido enganada-


–Você realmente pensou, — Disse Regina, mais uma vez interrompendo Emma. Ela dava um passo à medida que falava. –Que depois de tudo que eu fiz por você... Depois daquele baile que eu proporcionei só por sua causa... Depois disso tudo, acha que eu estaria te enganando, Emma Swan? –Disse Regina incrédula. Então, ela parou. Poucos centímetros longe da loira, tão perto que podia sentir seu hálito de menta.


–Espera... Foi você que fez aquilo? –Resmungou Emma confusa. Regina riu. Sua risada provocou um arrepio na coluna da loira. A amargura na voz da morena era de partir o coração.


–Quem você acha que foi? Mary Margaret? –Disse sarcástica. –Isso não importa agora. O que importa é que no primeiro obstáculo, você traiu a mim. A salvadora quebrou sua promessa.


Uma lágrima caiu perante a bochecha rosada da loira. A voz de Regina tão distante quanto quando Emma a viu pela primeira vez. Criava uma barreira para nunca se aproximar, nunca se render. Barreira esta, que Emma havia, uma vez, conseguido romper.


–Regina... Eu te amo, por favor. –Suplicou Emma, com sua voz embargada.


–Ama? Não, não diga essa palavra. Você não faz ideia do que é isso. –Regina cerrou o punho, desviando o olhar. –Você não faz ideia do que eu senti.


Por mais que Emma tentasse argumentar, nem ela acreditava em si mesma. Ela podia ver a dor nos olhos da morena, ela podia ver a força que esta fazia para reprimir-se, para reconstruir a barreira que antes a separava da felicidade. E assim, afastava Emma também.


–Gina, eu fui burra de acreditar em Mary Margaret, mas me deixe concertar isso... –Falava a loira, na esperança de que algumas de suas palavras cativassem à morena. –Henry – Regina a olhou. –Henry acreditou em você desde o início. Por favor, Gina!


–NÃO ME CHAME ASSIM! –De repente, o sangue lhe subiu os olhos. Regina, em um pulo, ergueu a mão segurando o pescoço da loira. Emma segurou-se no braço da Prefeita, de modo desesperado. –Você disse que os enfrentaria. Você disse que lutaria por mim, você disse que me amava. Por que eu devo acreditar em você agora, Emma Swan?


–Porque nós merecemos isso, – Respondeu com dificuldade. Os dedos de Regina ainda eram firmes em seu pescoço. –Nós merecemos um final feliz. Eu sei disso. –Então, ela a soltou.

–Você fez sua escolha. –Disse Regina, finalmente, dando as costas para Emma. –Você os escolheu. Agora, é a minha vez de escolher o meu lado.


Sendo assim, uma névoa lilás depositou-se sobre o corpo da Prefeita, que agora tinha seu semblante mais para Rainha, até cobrir este por inteiro, não demorando até dissipar-se, levando Regina consigo.


* * *

Emma não podia aguentar as palavras da amada ecoando em sua mente. Ela mal pôde avisar sobre Cora, mal pôde cumprir seu papel como Salvadora e proteger Regina, como um dia havia prometido. Swan gostaria de ter agarrado qualquer esperança de receio no olhar magoado da morena. Mas ela mal pôde se mover, dada à tamanha dor. Regina sumira surrealmente que ela poderia pensar ter sido um sonho, ou melhor, um pesadelo. As lágrimas caíam dos olhos verde-esmeralda sem pensar nas consequências. Nada importava se não tivesse Regina ao seu lado. A Prefeita não merecia o que Emma havia feito a ela, mas também não merecia ter sua esperança de final feliz arrancado.

Então, Swan sentiu seu bolso vibrar, avisando-a uma nova ligação. Por um segundo, pensou em simplesmente ignorar o toque. Mas, pensando ser Mary Margaret ou Henry, decidiu que seria melhor atender o telefonema.


–Emma?! –Gritou uma voz desesperada. A loira tentou controlar sua voz chorosa.


–Sim. David? Está tudo bem? –Perguntou preocupada.


–Er... Não, houve um acidente no limite da cidade! Rumple nos chamou... Emma, você precisa vir até aqui. –Suplicou David. Emma assentiu com a cabeça, embora soubesse que o homem era incapaz de vê-lo. Sendo assim, a loira desligou. Respirando fundo, teve de retomar seu estado antigo, se recompor perante a nova situação. Ela era a Xerife da cidade, afinal, tinha que manter Storybrook sobre controle.


Emma teve de levantar. O céu já estava escuro e as estrelas cumpriam seu dever de iluminar a noite, embora aquele dia tivesse sido um dos mais escuros para Swan. Sem mais delongas, ela correu até seu carro e dirigiu até os limites da cidade, que não ficava longe do estábulo onde estava.


* * *

–Emma! Graças a Deus! Até que enfim chegou! –Exclamou Mary Margaret, com imenso alívio enquanto acompanhava a filha até o local do acidente. O frio que se alojava em Storybrook era mais intenso naquela época, por isso o cuidado com os feridos tinha de ser redobrado.

Os olhos da loira permaneciam focados no chão, tentavam manter-se firme. E apesar de Mary Margaret perceber algo estranho, preferiu não fazer nenhum comentário, pois sabia sobre a volta de Archie, e sabia o que isso significava para Emma. Para Snow –Mary Margaret- quanto mais filha estivesse longe da Rainha, mais seguro era para Swan.

Emma correu até David, assim que o viu. Logo atrás do homem, estava Mulan e Rumple.


–O que está acontecendo? –Perguntou Emma, percebendo a alteração de Gold. Mulan aproximou-se da loira, com uma expressão de preocupação.


–Esse é o Gancho. –Sussurrou Mulan, apontando para o chão. Um homem, vestido com um casaco de couro e botas, também de couro, estava deitado no chão. Seus braços envolviam o peito, e gemidos dolorosos saíam por sua boca. Emma se aproximou do rapaz, mas antes que pudesse fazê-lo Mulan segurou seu braço, rapidamente. –Tenha cuidado. –Disse simplesmente.


–Gancho? De Capitão Gancho? –Repetiu Emma, desacreditada. –Sério mesmo? –Mulan assentiu confusa falta de crença da loira


Emma deu de ombros e agachou-se, de modo que ficasse na altura do homem. Gancho abriu os olhos assim que sentiu o toque da Xerife em seu tórax. Era a garota que ele vira com Regina poucos dias antes. Um sorriso malicioso tomou seus lábios manchados de sangue. Emma o fitou confusa. Não sabia quem era o rapaz, mas parecia que ele a conhecia.


–Certo – Murmurou para si mesma. –Parece que quebrou algumas costelas.


–Nah, já estive pior, querida. –Respondeu Gancho audacioso, e ofegante. A ambulância havia acabado de chegar, os funcionários do hospital já saíam do carro em direção aos feridos para fazer os primeiros socorros.


–O que foi? Eu conheço você? –Perguntou Emma, agora com um tom mais enojado. Ela percebia os olhares do rapaz. Parecia que mesmo com os ossos quebrados, não perdia uma chance de compartilhar seu, o que ele acreditava ser, charme.


–Não. –Respondeu, contraindo os lábios. A dor era pulsante em seu tronco, mas sua teimosia era mais forte. –Mas eu conheço você. –Sorriu.


–Certo amigo. –Revirou os olhos. –Vamos com calma, ok? –Sendo assim, ela levantou, permitindo que os enfermeiros levassem o corpo de Gancho caído ao chão.


De repente, David e Mary Margaret a gritaram, alarmando que teria mais uma vítima. Uma batida de carro, onde o motorista saiu mais ferido do que aquele que ele atropelou. A Xerife correu até o local, ajudando o restante dos enfermeiros.


–Vocês o conhecem? –Perguntou Emma, um tanto desesperada. David e Mary Margaret se entreolharam, receosos. Eles sabiam a reposta. –Isso significa-


–Que a barreira que separava Storybrook do mundo... Foi quebrada. –Completou Mary Margaret.


* * *

Por horas, Dr. Whale reuniu Emma, Charming, Snow, Ruby, Leroy e Mulan para decidir o que fazer quanto à vida de Greg, o motorista ferido no acidente no limite da cidade. A dúvida pairava sobre a mente de cada um deles, o conflito entre o heroísmo e a necessidade de proteger a cidade era compartilhado pelos cinco. Afinal, Greg havia visto Rumple conjurar magia e não demoraria até alguém sair à procura do rapaz. E turismo, não era exatamente o que eles queriam. Pelo contrário, quanto mais afastada e ignorada fosse Storybrook pelo mundo, melhor. Por mais que Leroy argumentasse a favor da cidade e de seu futuro, o heroísmo prevaleceu entre o restante, e sendo assim, Whale saiu a caminho da cirurgia.


–Argh! Isso demora tanto? –Questionou Mary Margaret, aflita. Emma respirou fundo, havia parado de contar quantas vezes perguntara isso.


–Certo, eu vou ver o cara que foi atropelado. –Disse Emma, a fim de sair daquele tumulto. Mas antes que pudesse, Ruby segurou seu braço.


–Tem certeza que não posso visitar Bella? –Suplicou Ruby, um tanto desesperada. Emma entendia a aflição de Ruby, afinal, Belle era sua melhor amiga. Mas depois que a visita de Gold fora mal recebida, era melhor que ninguém a importunasse por enquanto. A loira nada disse, simplesmente sacudiu a cabeça, com um sorriso triste de lado. Ruby assentiu, entendendo o errado.


–Emma! –Chamou Mulan, acompanhando a loira enquanto andava. –Vou acompanha-la. –Anunciou. Emma a fitou, confusa, mas então, deu de ombros. A morena andava com certa dificuldade, pois ainda insistia em andar com sua roupa de caça.


–Sério... Não acha que deve, quem sabe, comprar roupas novas? –Comentou a loira. Mulan lançou um olhar confuso para suas vestimentas, não encontrando nada de errado.


–Não. –Respondeu seca.


O quarto de Gancho ficava no segundo andar, mas atendendo ao pedido da caçadora, elas tiveram de ir de escada, pois Mulan ainda não havia se acostumado com a tecnologia daquele mundo. O que mais chamava a atenção de Emma quanto ao rapaz, vítima do motorista, era que de algum jeito, ele a reconhecera. Sendo que a loira nunca tivera sequer contato com a Terra Encantada, ou, pelo que se lembrava, nunca havia visto o rapaz na cidade.

Enfim, elas chegaram à porta do quarto.


–Certo, eu entro sozinha. –Estabeleceu Emma.


–É perigoso – Disse Mulan, autoritária.


–O quê? Ele está todo quebrado, dá um tempo... –Revirou os olhos. –Eu entro sozinha. Vá para casa, ok? Eu não sou a Aurora, não preciso de proteção. –Mulan riu. –O quê?


–De fato, você não é ela. Mas reclama quase tanto quanto... –Comentou. Emma a fitou, contrariada.


–Tanto faz, eu entro. –Disse, abrindo a porta e fechando atrás de si antes que a caçadora pudesse dizer algo.


O homem parecia estar adormecido, e de durante algum tempo realmente estava. Emma caminhou até a cadeira, posta ao lado da cama, sem tirar os olhos do homem o algemou, prendendo-o na cama. Apesar de super protetora, Mulan o conhecia. Swan não iria arriscar se aproximar demais.


–Hey, beautiful. – Resmungou o homem virando-se para encará-la. Ele tentou se levantar, mas foi impedido pelas algemas. –Argh! Rápida você, hã...


–Precaução nunca é demais. –Disse, com um sorriso sarcástico. Sem perceber, Emma tornava sua voz mais grave ao falar com o rapaz.


–Certo, certo... Quem a ensinou isso? Regina? –Disse com um sorriso malicioso. Os olhos se Emma se arregalaram.


–V-Você a conhece? –Perguntou imediatamente, mas logo se arrependeu. –Lógico que a conhece. –Disse a si mesma.


–Devo participar dessa conversa ou... –Comentou, com seu sorriso sínico. –Faz muito tempo que não a vejo, diga-me: Como vai sua namorada?


–Minha... –Emma ergueu a sobrancelha. –Como sabe? –Perguntou desconfiada. Gancho deu de ombros, não tinha mais que ser fiel à Cora. Aliás, ele nunca se importou de fato em ser fiel ao plano da mulher.


–Eu vi. Oh, que bela cena, devo dizer. -Disse irônico. Emma cerrou os olhos, com repulsa do comentário.


–Como viu? – Perguntou com tom ameaçador.


–Adoro sua voz quando diz “como viu” – Repetiu Hook, sorrindo maliciosamente. A loira fechou o punho. Se o homem quisesse passar uma imagem galanteadora como primeira impressão, estava se saindo muito mal. Swan estava preste a acertar-lhe um soco.


–Você já está todo quebrado, posso fazer você sentir mais dor. –Ameaçou. –Como você viu? –Perguntou novamente. Mas Gancho, não respondeu. Sendo assim, Emma apertou o punho e acertou em cheio em sua barriga. Um gemido de dor ecoou em todo quarto, pondo em Emma, um sorriso sarcástico.


–Ok, loirinha... –Disse ofegante. –Eu vi através do espelho de Cora, ela esteve vigiando vocês desde que chegamos à cidade.


–Cora? –Repetiu incrédula. –Como? Pensei que tivéssemos impedido!


–É, pelo visto não. –Disse simplesmente. –Sabe no que eu estou interessado? Meu gancho. Será que posso tê-lo de volta? –Desconversou. –Ou prefere outra coisa?


Emma revirou os olhos, enojada.


–Você é muito abusado para alguém que foi atropelado... –Ergueu a sobrancelha.


–Eu posso ter me quebrado um pouco, mas o resto continua intacto, — Respondeu, sorrindo.


–Onde está Cora? Ela está com Regina? –Perguntou Emma, ignorando o comentário anterior.


–Não sei onde ela está, perto do cais, talvez? Seus planos são diferentes dos meus. –Explicou impaciente. –Que, aliás, está que quase completo...


–Você machucou a garota dele, — Disse Emma, sem entender seu objetivo.


–Ele matou meu amor! Terá de pagar! – Sorriu sarcástico. –Bella foi só o começo...


–Continue sorrido, amigão, – Falou de modo infantil. –Ele está livre, tem poder, tem magia... Se eu fosse escolher o morto do ano, seria você. –Acrescentou sorrindo.


Sendo assim, Swan virou-se deixando o quarto do homem. Agora precisaria encontrar a única pessoa forte o suficiente para confrontar Cora e ajuda-la a sua amada. Emma não sabia ao certo, mas talvez, atribuindo culpa a outro alguém poderia livrar-se o peso sobre seus ombros.


* * *

Mais tarde, Emma havia levado Henry para o apartamento, enquanto David se encarregava se substituí-la. Já recebera uma ligação do homem, dizendo que a cirurgia fora bem sucedida, embora tivesse problemas com o Dr. Whale, mas isso não impediu a conclusão do procedimento.


–Emma? –Disse David, procurando pela filha ao chegar ao apartamento acompanhado de Mary Margaret. A loira desceu as escadas de pressa. Havia deixado o hospital sem nem mesmo compartilhar o que descobrira sobre Cora.


–Hey — Respondeu.


–Você ligou? Desculpe, não pude atender. –Comentou, enquanto deixava seu casaco sobre a mesa.


–Sim, tudo bem. –Sentou-se em uma das cadeiras sob a bancada. –Falei com Gancho: Cora está aqui.


–O quê? –Snow e Charming fizeram coro. Emma sacudiu a cabeça, aflita.


–Ele disse que Cora estava nos vigiando há tempos! –Informava. –Precisamos da ajuda de Gold! Regina pode estar em perigo! –David revirou os olhos.


–Ele está fora da cidade — Disse David, indiferente. Emma o olhou confusa.


–Mas, pensei que não pudessem... –Murmurou, chateada.


–E não podemos, mas é de Rumpelstiltskin que estamos falando. –Respondeu, levantando-se.


Ainda era muito difícil para Charming compreender a filha. Mesmo sabendo que Regina era inocente, estava satisfeito enquanto ela se mantivesse afastada de Emma. Apesar de não aceitar a decisão de Snow, ao permitir o relacionamento da loira, eles concordavam que seria melhor para todo mundo, e com isso quero dizer eles, se Regina desistisse de tentar amar novamente.


–Emma, tem certeza disso? –Questionou Mary Margaret, calmamente. Tentando aliviar a aflição da filha. Mas este era impossível. –Não acho que Regina esteja em perigo. –David repreendia a si mesmo, não gostava do ruma da conversa.


–O quê? É claro que está! Cora quer se vingar dela, não é?


–Cora é mãe de Regina, Emma. –Informou. Então os ombros de Emma caíram.


–O quê?!


❤

Notas finais
Não prometo postagem pontual. Reviews?