Broken
2 The Doctor
Notas iniciais
Espero que o capítulo seja tão impactante quanto o carro contra a placa! (Apesar de que quem é Oncer, já viu faz muito tempo).
O acidente ocorreu na seguinte quarta parte. O texto original: () -D-.4Daniel?!9 b () Obrigada por lerem! E tomem cuidado em pista molhada! Hahahaha. E usem cinto de segurança, porque foi isso que nos salvou. Graças à boa direção do motorista meu pai ninguém se machucou, excedo o carro. Achei engraçado compartilhar isso com vocês! Hahaha. Já falei demais.
Baseada no episódio 05 da Segunda temporada. Boa leitura!
* * *
O sol penetrava por uma pequena fresta entre as cortinas do grande quarto da Prefeita Mills, o raio de sol batia exatamente no rosto de Emma Swan. Emma estava deitada sob o lençol, mais uma vez, ao lado de Regina, que dormia tranquilamente sem notar a presença do sol. Emma se levantou ajeitando seu sutiã preto, sentando-se longe do sol. Ela esfregou seus olhos em um suspiro prolongado. Havia dito a si mesma, várias vezes que aquela seria sua última noite com a mulher, havia prometido tantas vezes que iria esquecê-la que perdera a conta. Era a terceira vez que acordava, ao lado da prefeita, exausta da noite passada, e ela não poderia estar mais feliz, se não fosse pelo resto da cidade reparando que agora estava errado. Emma era a Xerife da cidade, deveria proteger seus habitantes, mas não havia do que se proteger a não ser da Rainha.
A Xerife olhou para a prefeita na cama, ainda dormia serenamente, como uma verdadeira majestade. Não era possível que tal perfeição pudesse guardar tanta mágoa e ódio trancafiado em seu peito. Emma sabia sobre sua história, sobre seu amor, não conhecia os detalhes mas sabia que esse era o motivo de sua amargura. A loira se levantou ainda sonolenta, em direção ao banheiro, para um banho rápido. Logo depois de sair do banho, foi à procura de suas roupas no quarto. Regina abriu os olhos lentamente, acompanhando os movimentos da xerife.
–Acordada faz muito tempo? -Perguntou Regina Mills sonolenta. Emma se assustou com a voz da mulher. -Está tudo bem? -Desconfiou, percebendo sua expressão confusa. Emma sentou-se no final da cama, seu olhar baixo ao chão.
–S-Sim -Respondeu, distraída. Regina se levantou ajeitando sua roupa, reparando que algo estava errado. Ela levantou, apoiando sua mão no ombro da xerife.
–Emma? -Disse Regina, se permitindo dizer o nome da mulher.
–Preciso ir. -Emma se levantou, saindo do quarto. Regina andou atrás da loira, mas ela já tinha deixado a casa. O que teria feito Emma agido dessa forma? Algo teria acontecido?
Horas depois, Regina havia se arrumado para suas atividades na prefeitura, havia se tornado rotina para ela. Henry estava na escola, e ela não recebera nenhuma ameaça no caminho para a prefeitura. Estaria tudo bem, se ela tivesse notícias de Emma. Depois de arquivar os documentos do computador da prefeitura, ela resolveu ir ao banco. Ficava ao lado da biblioteca municipal, onde trabalhava Bella, amada de Rumplestílskin, ou nesse mundo, Mr. Gold. A biblioteca era visitada por vários moradores de Storybrook, e seria um risco para a prefeita andar por aí. Mas Regina tinha magia o suficiente para se proteger e também, ela precisava saber sobre Emma. Alguma coisa estava errada.
Naquele momento, na casa de Snow White, Emma se jogava na cama mais uma vez, sem saber o que fazer. Saber o que Regina pensava naquele momento era tudo que ela queria, mas não deveria pensar na mulher. Mesmo que ela um sentimento forte pela Rainha, não sabia se era certo. Emma pegou as chaves do seu carro, girou e girou, mas o carro não respondeu. “De novo” pensou a loira. A única coisa que lhe restava era ir para a delegacia à pé. Não demorava muito, em vinte minutos chegaria lá, mas era cansativo. Era mais tempo para ficar sozinha com seus pensamentos, e ela precisava parar de pensar na mulher, mesmo que fosse difícil.
–Emma? –Uma voz doce a abordou. Snow White, ou para Emma, Mary Margaret usava uma calça justa preta e um casaco que parecia ser maior que ela. Emma tentou sorrir.
–Hey – Disse Emma. Snow olhou-a confusa. –Resolvi ir à pé. –Sorriu. Mas Snow sabia que algo perturbava a filha, e ela temia saber o quê.
–Onde estava? –Perguntou preocupada.
–Resolvendo umas coisas. –Respondeu, as vezes se esquecia que ela era sua mãe.
–James e eu ficamos preocupados! Você… — Suspirou desistindo de falar. Snow sabia que Emma não estava acostumada a ter uma mãe, ou com aquela vida, tentava pegar leve, mas era difícil quando Emma resolvia sumir de repente.
–Desculpe, mas tenho que ir. –Fugiu. Quando Emma poderia ter uma vida boa e normal? Acho que normal seria algo longe de sua realidade a partir de agora.
Tudo em Storybrook ficava perto de tudo, a prefeitura do banco, a biblioteca municipal da delegacia, isso facilitava o encontro de Emma com muitos conhecidos, que olhavam para ela de apenas duas formas: Com um olhar orgulhoso, afinal Emma era sua salvadora, ou desconfiados, por motivos que Emma desconhecia. Essa quase chegando, quando reparou em uma movimentação, pessoas se olhavam incomodadas e ressentidas. E então, ouviu uma mulher alta que usava um vestido preto com detalhes brancos. Regina. Emma parou. Era a primeira vez que Emma encontrava com Regina na rua, depois do que aconteceu entre elas. Emma não sabia como reagir, toda vez que se encontravam brigavam e discutiam, mas recentemente as duas estavam felizes demais para perceber no que os outros reparavam. O olhar de Regina parou no de Emma, as duas vacilaram. Emma tinha saído da casa da prefeita as pressas sem dizer o motivo.
–Srta. Swan – Cumprimentou Regina, ressentida.
–Srta. Prefeita – Saudou Emma. Regina fitou a loira de cima a baixo, tentando descobrir o que pensava. O que Emma queria era sentir Regina mais uma vez, tocá-la. Queria poder beijá-la quando quisesse, e não escondida. Mas a xerife receava que Regina só estivesse com ela por uma noite, por diversão. E até quando ela seria o brinquedo preferido da Rainha?
Regina cumprimentou a loira tentando não parecer preocupada, ou qualquer sentimento semelhante. Para ela, Emma era um enigma difícil de desvendar. Ela assentiu com a cabeça e se voltou para seu antigo caminho. Ao entrar no segundo andar da prefeitura pôde ouvir o toque do telefone em sua sala. O prédio tinha dois andares, mas não havia ninguém trabalhando lá a não ser a própria Regina. Ela preferia desse jeito, sozinha. Afinal, para os assuntos que tratava não era preciso mais gente. Antes que a Prefeita chegasse perto do telefone, ele já havia desligado. Estranho.
–Regina – Chamou uma voz grave. Regina se virou esperando ver Emma. Mas era um velho amigo da Rainha, se é que se podia dizer isso.
–Oh, Whale – Suspirou Regina, decepcionada.
–Esperava outra pessoa? –Perguntou Whale, desconfiado. Regina deu de ombros, não se importando em responder. A mulher se encaminhou a sua cadeira e se sentou.
–As pessoas geralmente marcam hora para tratar de assuntos importantes. –Comentou Regina, brincando com a tampa de uma caneta deixada na mesa.
–Pessoas comuns – Disse Whale, misterioso. Regina o fitou algumas vezes, sabia do que se tratava. O homem vestia um jaleco branco e seu cabelo castanho desarrumado. Ele se aproximou de Regina em um tom ameaçador. –Me leve de volta. –Exigiu.
–Para nossa terra? –Zombou a mulher. –Receio que não será possível. –O homem chegou mais perto. Regina se levantou.
–Eu sei que você pode – Gritou. –Sua maldição só pode trazer os vivos? –Perguntou retoricamente. ‘Não’ seria a resposta para a pergunta, Regina havia trazido várias coisas de sua terra, como alguns objetos mágicos, seu anel de noivado e o corpo de seu verdadeiro amor. Daniel, seu amor verdadeiro, era um assunto que ela não conseguia esquecer. Ela trancou o corpo do homem em uma capsula de vidro enfeitiçado, não podia deixa-lo para trás. –Traga meu irmão!
–Eu trouxe quem eu quis! –Urrou Regina. –E não posso levar você, ou qualquer um dessa cidade para nossa antiga terra porque ela se foi! –Continuou. –Conseguiu entender agora, Doutor? –Disse sarcástica. O homem se aproximou se Regina, com seus braço contra o pescoço da mulher. Regina torceu seu punho, fazendo Whale cair ao chão. Adorava usar mágica, principalmente contra atrevidos como Whale. Ela levantou sua mão e continuou fechando devagar, fazendo o ar dos pulmões do homem fugir para fora do corpo. Whale se debatia no chão com suas mãos no pescoço tentando se livrar de algo.
–Regina! –Um grito assustado fez a mulher pular. Ela olhou para a porta, Emma estava parada na porta da sala da prefeita com medo nos olhos. Regina parou. Não queria que Emma visse aquilo. De repente, Whale segurou os ombros da mulher e a jogou contra a parede.
–Eu deveria... — Grunhiu o homem. Emma correu até Regina empurrando o homem para longe, em um ato desesperado para salvar a mulher.
–Que merda está acontecendo aqui? –Gritou Emma. –Quer saber, esqueça. –Desistiu. Regina pensou em tentar explicar, mas ela era melhor que ficasse calada. –Vá embora antes que eu o prenda! –Gritou para Whale.
–Me prender?! Por que não prende sua Rainha? Que é sim uma ameaça para todos!
–VÁ! –Urrou Emma. Whale andou para trás confuso e irritado, por que Emma estava protegendo Regina em vez da própria cidade? Se perguntava Whale.
–Não pense que vai ficar assim. –Ameaçou antes de, finalmente, deixar a prefeitura. Emma colocou as mãos na cabeça, tentando amenizar a enorme dor que lá havia.
–Por que eu tenho sempre que fazer isso? –Gritou Emma para a mulher. –Por que você não simplesmente acaba com isso? Não vale a pena! Nada disso vale! –Regina recuou. Não era ela que pedia por esses ataques, mas tinha que confessar que se não fosse por Emma em várias vezes ela poderia não ter se safado de alguns ataques. –E o que foi aquilo? –Murmurou, assustada. –Você ia mata-lo? –Disse baixo.
–Não! –Disse Regina. –Mas é óbvio que não! -Uma sensação de vergonha preencheu a mulher.
–Óbvio?! –Perguntou Emma indignada. –Você estava tirando o ar dos pulmões daquele cara e me diz que é óbvio que não iria mata-lo? Eu estou cansada, Regina
–Swan – Resmungou Regina se aproximando da mulher. Tentando acalmá-la. Emma suspirou. Regina segurou seu queixo acariciando-o levente.
–Você precisa parar – Sussurrou Emma. Regina aproximou seu rosto do da mulher, podia sentir sua respiração pesada e aflita contra ela.
–Sente medo? –Sussurrou Regina, dando passos para a loira. Emma desviou o olhar. Sim, ela sentia. Quando Regina explodia de ódio, relembrando de seu passado, quando seu humor mudava de uma hora para outra se transformando em algo não humano, sim, Emma sentia medo. Mas Emma também sabia que o sorriso, que o toque de Regina compensava todos os pesares. No entanto, a xerife só tem visto esse lado obscuro de Regina. –Não deve sentir. –Murmurou aproximando-se ainda mais. Os lábios das duas se tocaram suavemente, dessa vez Regina comandava o beijo. A Rainha envolvia a cintura da loira com suas mãos, sentia falta de tocá-la. Emma tentava resistir ao toque, mas era praticamente impossível. Regina pôs sua mão no rosto delicado de Emma enquanto a loira apoiava sua mão na barriga da Rainha. –O que te angustia? –Perguntou Regina afastando-se para falar. Emma demorou a responder.
–Não sei se isso é certo – Tomou coragem. –Não sei se vê, mas estão percebendo algo errado. –Regina se sentiu ofendida.
–Não lhe obrigo a nada. –Disse séria. Emma assentiu sorrindo fraco.
–Eu sei. –Sorriu. –Esse não é o pior?
–Por que se importa? –Regina aproximou-se novamente, acariciou o rosto da mulher.
–Não sei –Respondeu.
–Sente vergonha? –Questionou, tentando entender. Mas Emma não sabia responder, vergonha não era exatamente o que ela sentia quando estava com a Rainha, pelo contrário ela se sentia feliz e envolvida, mas quando se afastava dela parecia outra completamente diferente. Ela sentia medo de estar sendo enganada, usada pela Rainha que todos dizem ser a mais cruel dentre a realeza. Como ela poderia se sentir segura?
–Não –Respondeu rapidamente. Regina fitou a loira e se afastou. –É Graham? –Questionou novamente. Graham era o caçador, ex-xerife de Storybrook. A simples ideia da Xerife pensar naquele homem irritava Regina. Ele e Emma tiveram algum tipo de caso antes dele sumir da cidade, para Emma ele havia fugido, mas Regina sabia o que realmente tinha acontecido afinal, fora ela mesma que o matara. Matara por ódio, ou por ciúme que agora ela não mais certeza se era ciúme de Graham, exatamente.
–Claro que não. –Disse Emma, certa. Regina suspirou, não sabia mais o que fazer, Emma estava deixando-a confusa.
–Acho melhor você ir. –Disse a Rainha se afastando da Xerife. Emma suspirou frustrada. –Se não, eles podem desconfiar de algo errado. –Frisou. Emma entendeu. Regina, ressentida, virou-lhe as costas e se sentou na mesa. Como Emma podia pensar que o que elas faziam era errado? A prefeita não se sentia bem daquele jeito desde que… Desde Daniel. Faziam anos. Nem mesmo Graham, um homem bonito e charmoso poderia preencher o vazio que seu antigo amor deixara em seu peito. Entretanto Emma fazia do ferimento quase curado.
–Regina… -Emma choramingou. Lhe partia o coração. Mas se Emma não acreditava no que ela mesma sentia como Regina poderia? A Rainha não a olhou, só restava à xerife voltar à delegacia.
* * *
Na rua, Whale saia às pressas da prefeitura, não fazia cinco minutos que havia saído de lá. Não acreditava no que havia testemunhado. A Rainha, a temida Evil Queen entregue à sua nova paixão, entregue à filha de sua maior inimiga, entregue a uma mulher. Whale não acreditava, poucos sabiam quem ele realmente era; Victor, o maior cientista de seu mundo, famoso pelas histórias e filmes de terror com pai de Frankenstein, mas na verdade, Frank era seu irmão, que tentara reviver com a ajuda, não consentida, da Rainha. Ele a enganara para testar sua invenção usando o corpo de amor; Daniel. Whale pretendia se vingar de Regina, por tê-lo separado de seu irmão e o levado para esse terrível mundo, mas não sabia como. Não sabia até momentos atrás, quando vira Emma nos braços da mulher. O olhar de Regina parecia brilhar, e seu sorriso soava humano e verdadeiro, como ele só vira uma vez, com Daniel. Ele já sabia o que fazer. Whale sabia que Regina não teria coragem de deixar seu amor para trás, sabia que ela havia trazido o corpo do homem, mas não sabia onde o escondera. Ele correu até sua sala de experiências que ficava escondida em um corredor subterrâneo, tudo que conseguiu trazer consigo. Ele se sentou em sua cadeira preta, e pegou alguns papéis como calendários. Tudo que ele precisava era de uma pequena ajuda da magia de Regina, um de seus corações mágicos. Depois de pronto todo o que ele precisava, Whale se destinou à casa de Regina, ao lado da mansão tinha uma espécie de calabouço onde ela guardava seus corações.
Não demorou até chegar em seu destino, logo já estava invadindo o pequeno mausoléu da Rainha. Não era difícil de entrar, era apenas levantar a pesada tábua de madeira e torcer o cadeado e então estava dentro do lugar. O homem entrou silenciosamente e então fechou a porta atrás dele, se Regina percebesse sua presença ele estaria morto. Ele desviou da tumba que ficava no centro do lugar, e a arrastou. A tampa da tumba com nome “Henry Mills” gravado em letras claramente grandes se movimentou, abrindo um portal para o subterrâneo do calabouço. Onde já se era possível ouvir o bater dos corações. A sala era enlouquecedora, o barulho era alto e frequente. Mas Whale estava decidido, iria roubar o que precisava e sair. Abriu uma gaveta de madeira onde um coração batia desesperado. Ele pegou a caixa e enfiou em sua bosta. Estava preste a sair, quando uma luz lhe chamou a atenção, uma luz branca revelava uma sala escondida. O homem, curioso, segurou sua bolsa e caminhou cuidadosamente até a sala secreta.
Ele colocou os pés, revelando a sala iluminada, mas vazia se não pela única coisa guardada. Uma capsula. Uma capsula transparente, que aparentava ser vidro. O vidro enfeitiçado que Regina trancara o corpo de Daniel. Estava decidido, Whale iria começar sua vingança contra a Rainha.
* * *
Dois dias se passaram sem Emma conseguir falar com a Prefeita. A Xerife fora em sua casa, com a desculpa de levar Henry para dar uma volta, mas Regina simplesmente assentia e deixava o garoto ir, assim sem mais nem menos. Regina devia estar realmente ressentida. Emma havia pensado, durante esse tempo, que mesmo que a personalidade explosiva de Regina pudesse ser perigosa, Emma acreditava que efeito que Regina tinha sobre a loira era motivo o suficiente para fazer Emma se apaixonar.
–Emma? –Chamou uma voz doce. Por um minuto, Emma pensou que fosse a mulher que não conseguia deixar de pensar, no entanto, era apenas Snow preocupada com sua filha. A Xerife se levantou forçando um sorriso, tentava deixar seus pensamentos para trás e afirmar a si mesma que estava bem. –Quer me dizer o que está acontecendo? –Perguntou Snow amenamente. A mulher pôs seus cabelo curto para trás da orelha e se sentou na mesa da Xerife.
–O quê? –Disse Emma, confusa. –Não está acontecendo nada, ora. –Bufou. Snow havia notado mudanças da filha fazia um mês. Mas ela não foi a única que Snow analisava, sua madrasta –A Rainha- tinha se tornado mais agradável, apesar de tudo. As duas haviam mudado repentinamente, -e o que mais espantava Snow- e ao mesmo tempo. Não havia explicação.
–Está certa disso? –Questionou a mãe, estudando as expressões de Emma. -Eu e seu pai conversamos ontem– Dizia. A loira ainda precisava se acostumar de ouvir “pai” e “mãe” como pessoas reais em sua vida. –Ele disse que Leroy e os outros anões estavam duvidosos quanto à mudança de Regina. –Alarmou. O nome da mulher soou em seus ouvidos como uma campainha ao alertar.
–Mudança? Regina? –Repetiu, fingindo não fazer ideia.
–De fato. –Concordou. –Regina sempre foi ameaça para todos, de fato. Mas ela tem sido tão serena que às vezes, me preocupa. –Comentou.
–Discordo. –Emma deu de ombros. –Não reparei em nada. –Mentiu.
–No entanto… -Continuou Snow ignorando o comentário da filha. –Eles acham que essa mudança é sinal de que algo ruim está por vir –Emma olhou com atenção.
–Que besteira! –Resmungou Emma indignada. –Quer dizer, não podem sequer pensar na possibilidade de Regina simplesmente não se importarem com a felicidade deles! –Disse embravecida. Snow fitou o rosto da Emma, como se reconhecesse aquela emoção em sua fala. Algo que sentira quando James foi acusado de matar Katherine.
–Ela mudou isso é claro. Mas creio que seja algo bom. –Sibilou. Emma a olhou tentando entender, mas logo desistira dando de ombros. –Mas não vim aqui para tratar de Regina e sim, de você. –Emma suspirou. Lá ia Snow controla-la como se fosse… sua mãe.
–A cidade está preocupada com um acontecimento –Disse Snow misteriosamente. Emma relaxou os ombros, a cidade estava sempre reclamando de coisas inúteis, inúteis para uma xerife. Eles jogavam problemas para a loira resolver, por ela ser a ‘salvadora’. E que salvadora! Não sabia distinguir nem ao menos o que sentia, quanto mais resolver os problemas pessoais dos outros. –Reclamam se uma aliança perigosa entre você e a Prefeita.
–Que diabos… -Saiu da boca de Emma. –Do que diabos eles falam agora-
–Concordo com eles. –Afirmou antes que Emma pudesse dizer algo.
–Sério? –Disse sarcástica. –Acho que eles estão precisando de um entretenimento e-
–Faz um tempo que as coisas mudaram entre vocês, eu não pude compreender. –Tentou dizer suavemente. Sua voz era doce e calma até mesmo quando falava de tal forma. –Do mesmo jeito que Regina não tem apresentado nenhum risco aparente para nós, vocês parecem que-
–Por que está falando isso? –Disse Emma nervosa. –Acha que estou do lado de Regina? Que concordo com o que ela fez? –Tentou não oscilar ao dizer o nome da mulher. –Não, não concordo. Mas quando alguém está sendo ameaçada se morte na porta de casa preciso intervir por meu papel como Xerife. E acho que esses que reclamaram com você deveriam cuidar do que lhes interessam. –Emma disse enfurecida. Aquilo não era exatamente o que ela queria dizer. Queria dizer que todos nessa cidade tinham um destino, um final feliz. E a única pessoa que não tem absolutamente ninguém, era Regina.
–Se está certa do que diz. –Resmungou Snow dando de ombros, mesmo não acreditando na relação “profissional” que Emma afirmava ter com a Prefeita.
–Estou. –Afirmou Emma abrindo a porta para Snow sair. A mãe assentiu com a cabeça, entendendo o recado.
–Emma, o mal não é nascido. É feito. –Sussurrou para Emma. –Não há nada de errado em ser feliz. –Emma hesitou. Do que ela estava falando? Do que ela sabia? Snow sorriu fraca, ela não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas sabia que aquilo era justamente o que Emma precisava ouvir. A mulher passou pela porta, deixando a loira pensativa em seu escritório. “Mary Margaret -Snow- está certa”, pensava Emma, “preciso encontrar Regina”.
* * *
Regina acordara atrasada mais uma vez, sua mãe havia mandado a vários serventes para acordá-la, mas a menina simplesmente ignorava-os. Ela não queria mais seguir as ordens da mãe, que mais parecia odiar sua própria filha. Regina, após levantar, pôs seu vestido mais confortável com um reforço de couro, era ótimo para cavalgar. Aquela era a atividade preferida da menina andar a cavalo, para a colina mais alta de sua fazenda para colher maçãs frescas em uma enorme macieira ao topo da mesma.
–Regina, minha filha, quando vai começar a se vestir como uma devida moça? –Reclamou Cora aflita, enquanto caminhava pelo quarto. Regina suspirou, sua mãe nunca ficava satisfeita com a filha, nem se ela se transformasse Rainha do reino.
–Vou cavalgar, mamãe. –Disse Regina, mais como uma pergunta. Cora balançou a cabeça.
–Nada disso. O Rei está vindo para essas terras, quero você linda! Como uma moça, e não com essas vestes de… plebeia. –Pronunciou enojada. Mas Regina precisava sair, precisava encontrar seu amor, que a esperava ao alto da colina.
–Tenho que colher maçãs, mamãe –Contestou Regina indignada. –Vão apodrecer. -Choramingou.
–Certo. –Deu de ombros. A macieira era a única coisa que Regina prezava em sua terra. –Não ouse demorar – Impôs. Regina assentiu amargamente, seria muito menos tempo do que ela desejava, mas apenas ver seu amor a transformava na mulher mais feliz do reino. Cora então, saiu do quarto em direção aos seus aposentos. A menina, que ficara no quarto terminando de arrumar, pegou sua cesta para carregar as maçãs e caminhou até o estábulo.
–Daniel? –Chamava. –Daniel? –Entrou no estábulo aflita.
–Regina! –Exclamou maravilhado com a presença da menina. Daniel parecia velho para a sua idade, tinha dezesseis anos. Seus braços eram musculosos por causa de seu trabalho braçal, seu rosto era quadrado e robusto, dono dos olhos mais belos que Regina já vira. –Pensei que nos encontraríamos mais à tarde. –Falava rapidamente, nervoso.
–De fato – Sussurrou Regina sentindo os braços de Daniel a envolverem. Regina era dois anos mais velha que o garoto, sua pele era tão branca quanto a neve e seu cabelo tão escuro quanto a noite, sua beleza era contemplada e admirada por todos que a vissem, porém ninguém nunca teve coragem de lhe dirigir a palavra pois sua mãe era a mulher mais temida da região. Daniel era o único que enfrentaria o mundo por Regina, o único até agora. –Minha mãe tem planos para essa tarde… Não posso demorar… ou…
–Minha querida, não podes viver com medo de tua mãe – Aconselhou, segurando sua mão. –Nós podíamos-
–Não fale –Regina interrompeu com um sorriso apaixonado chegando mais perto de seu rosto. Daniel segurou seu queixo e depositou um longo selinho em seus lábios vermelhos. –Sinto tua falta. –Sussurrou.
–Eu amo você. –Sussurrou, beijando-a mais uma vez. Regina sentia seu coração acelerar feliz tendo o homem tão perto de seu corpo.
O telefone tocou fazendo Regina gritar de susto. A Prefeita estava com sua cabeça apoiada na mesa segurando uma caneta. Havia adormecido na prefeitura e não fazia ideia de que horas eram. Sua vista estava embaçada e seu coração acelerado. Logo as imagens de seu sonho vieram na mente. Daniel. Mas não havia sido um sonho e sim, uma feliz lembrança de quando era muito jovem. Muito antes daquilo acontecer. Muito antes de vê-lo cair em seus braços sem mais respirar.
–Alô? –Resmungou Regina atendendo o telefone.
–Regina! –Uma voz feminina bastante conhecida disse esperançosa e maravilhada.
–Srta. Swan? –Disse ela, ressentida. –Não quero que ligue para prefeitura se não for algo profissional, na verdade, não quero que me ligue. –Criticou.
–Regina, vamos conversar. –Pediu. Regina negou, se Emma tinha vergonha ou quaisquer que sejam suas frustrações quanto à ela, Regina preferia se afastar. –Não acho bom falarmos sobre isso aqui.
–Sobre o quê exatamente? –Insistiu, querendo ouvir as palavras de sua boca.
–Não importa. –Respondeu, hesitante. –Ok. Vou estar te esperando! –Disse rapidamente tentando anular a resposta anterior. Regina não pode conter um sorriso. “Aonde?” tentou dizer, mas Emma falava rápido demais. –Te vejo em vinte minutos! –Desligou. Uma sensação estranha chegou a sua espinha. Como um dejávu. O jeito nervoso de Emma, lembrava Daniel quando se conheceram. O garoto costumava gaguejar sempre que falava com a menina.
Regina pegou seu carro ansiosa, não sabia onde encontrar Emma e resolveu ir para casa. Henry já devia ter chegado em casa, não havia mais o que fazer por hoje. Uma nuvem escura e carregada passava por Storybrook, não demorou até a chuva cair sobre a cidade. O celular de Regina não parava de tocar, mas ela não se incomodou em ver quem era ligando. Os pingos de chuva caíam sobre o para-brisa do carro preto da Prefeita tirando-lhe a visão. Tudo estava escuro, exceto pelo Granny’s que estava fechando devido a hora. De repente, uma sombra chamou a atenção da mulher. Sua visão estava embaçada por conta da chuva em seu para-brisa, mas ela pode ver a silhueta de um homem alto e musculoso e com cabelo curto e pontudo no alto da cabeça.
–D-Daniel?! –Regina pensara alto. No reflexo, ela pisou no freio bruscamente tirando um barulho agudo do pneu de seu carro. Quando o carro finalmente parou, a mulher olhou para onde pensara ter visto seu amor, mas não havia ninguém lá, nem sinais de que alguém esteve. Regina balançou a cabeça na tentativa falhada de esquecer o que pensara ter visto, ela precisava chegar bem em casa, seu filho estava sozinho e já era noite.
Regina estacionou seu carro em frente à sua grande mansão, ela encostou-se à porta do carro se lembrando do que pensara ter visto, não teria nenhuma possibilidade de ser realmente Daniel, teria? Ela suspirou algumas vezes antes de finalmente entrar na casa. Henry estava sentato à mesa jantando, mas não só, como Regina imaginava. Uma mulher sentava ao seu lado com um sorriso nervoso no rosto.
–Mamãe -Disse Henry com um sorriso. Emma se virou rapidamente.
–Henry -Falava Regina, séria. -Vá comer no seu quarto, preciso tratar de assuntos com a Srta. Swan. — Lançou um olhar para Emma, que engoliu seco. Henry abaixou a cabeça, queria viver mais momentos com suas mães. Ele assentiu, não poderia fazer mais nada e subiu as escadas.
–Srta. Swan... -Resmungou Regina, colocando água, da jarra que se encontrava na mesa, no copo e dando um longo gole. -Estou cansada, então, o que tiver que dizer... Diga de uma vez. -Ordenou. Emma se levantou andando até a mulher, ela estudava o rosto da prefeita detalhe por detalhe.
–Escute... Eu estive pensando... Talvez não nós devêssemos nos preocupar com-
–Talvez você não deva, não sei o que quer dizer com “nós” -Disse grosseiramente.
–Certo, eu estava errada, okay? -Emma chegou perto da mulher. Regina desviou o olhar para não transparecer o que sentia. -Hey -A mulher podia sentir a respiração da prefeita.
–Oh, estava errada? -Regina deixou escapar um sorriso. -Emma Swan! Filha da Branca de Neve! Errada? -Zombou.
–Vamos mesmo começar com isso? -Emma lançou um olhar sedutor para a mulher. -Hã? -A mão de Emma tocou a barriga da mulher, Regina hesitou.
No segundo andar, Henry não havia dormido como foi mandado, ele se arrastava até o topo da escada na chance de ver as mulheres. Regina tentava desviar o olhar, mas não conseguia. Henry se assustou ao vê-las tão perto uma da outra, ele já tinha visto sua mãe chegar com Graham mas Henry nunca quis o xerife como seu pai. Emma aproximou-se mais de Regina beijando-a. Regina correspondeu ao beijo sem hesitar. Ela estava ressentida, mas sentia falta de Emma, mesmo que nunca admitisse isso. A prefeita assentou sua mão no pescoço da mulher, dessa vez o beijo era delicado, lento e apaixonado.
–Eu.. — Emma sussurrara, mas logo mudara de ideia. “Eu te amo” era algo precoce demais para a situação, a mulher estava completamente apaixonada pela Prefeita, e o sentimento era mútuo, porém, Emma era insegura demais para tomar a iniciativa.
Regina estava em conflito. Vários flashes passavam por sua cabeça, a primeira vez que vira Emma na cidade e a primeira vez que vira Daniel. As imagens era tão semelhantes que assustavam a mulher. Quando conheceu Daniel, eles se odiaram logo a primeira vista, um implicava com o outro, desafiando um ao outro. Isso não era familiar? A prefeita se afastou de Emma.
–Não quero que duvide do que eu digo. –Regina murmurou. –Toda minha vida, pessoas duvidavam dos meus reais motivos, porque quem conta a história sempre são os heróis. –Ela lançou um olhar para Emma. –Se estiver em dúvida quanto a mim, ou o que eu… sinto –Disse baixinho. –Se tiver quaisquer que seja, peço que saia por aquela porta e nunca mais ouse me dirigir a palavra.
–Não sairei. –Respondeu rapidamente. Regina se sentou na cadeira. Era como da última vez, da última vez que amara alguém. Era como ele dizia. Uma lagrima caiu do rosto de Regina, que logo a limpou assim que percebeu. –Regina? –Emma sussurrou docemente. A mulher abaixou a cabeça, para não olhar nos olhos da mulher. Regina suspirou pesado.
–Hey, me diz o que esta acontecendo — Emma se agachou olhando no rosto da Prefeita. Regina suspirou chorosa, não ia contar sobre Daniel ou sobre o que sua mãe e Snow fizera à ela, apesar de desejar. De repente, Regina se lembrou. Ela havia trazido para esse mundo o corpo enfeitiçado de seu amado e o trancara em seu calabouço, mas ela não ia lá fazia muito tempo. Desde que matara Graham. Lembrou-se do que vira e que só podia confirmar checando . Regina levantou-se aflita e correu para fora de sua casa.
–O que diabos – Emma murmurou, andando atrás da mulher. Regina parecia atordoada e confusa, Emma não poderia deixá-la sair daquele jeito. Mas Regina não parou até chegar ao seu escondido calabouço. Então, ela parou. Estava aberto, mesmo fazendo meses que não ia lá. Alguém entrara.
–Daniel -Regina sussurrou para si mesma. Emma segurou seu ombro fazendo-a olhar para ela.
–Quem é Daniel? O que está acontecendo? -Disse Emma nervosa.
–Alguém o pegou! -Regina gemia, ela se soltou dos braços de Emma e entrou, afastando a tumba falsa de seu pai e desceu as escadas. Havia uma sala grande com um barulho enlouquecedor, mas que Regina ouvia como um leve ruído por ser a dona dos corações que batiam. Entretanto, ela passou como um raio por essa sala entrando por uma quase tão escondida quanto a própria sala. Ela estava certa, não havia nada lá, a não ser uma cápsula de vidro vazia.
–Regina –Emma disse ofegante.
–Ele… está vivo –Regina sussurrou rindo.
–DE QUEM ESTÁ FALANDO? –Emma gritou, fazendo Regina voltar à realidade.
–Daniel – Respondeu sonhadora. –Ele… é do meu mundo. –Disse como se fosse óbvio. Emma a olhou confusa. Mas Regina não queria contar à ela que era seu amor que estava sumido andando por aí, não queria contar que havia visto antes de chegar em casa. Aliás, as coisas estavam indo bem entre elas, e Henry havia sentido essa diferente assim como a cidade. –Meu…
–Amor verdadeiro. –Emma entendeu, abaixando a cabeça. Regina chegou perto da mulher, se dando conta do que ela sentia. Era óbvia que Emma não gostava daquela história, ela não sabia que Regina guardava o corpo de seu amado, era mórbido demais. Mas ela entedia, pois se pudesse fazer, já o teria feito.
–E-Emma –Falou com dificuldade. Mas Emma não a olhou, era seu amor afinal, isso mexia com Regina.
–Tudo bem, acho que vou indo… -Emma forçou um sorriso.
–Swan! –Segurou seu braço. O coração de Emma acelerou. –Nada anula o que eu lhe disse, fique sabendo. –Emma sorriu, mesmo sabendo que não era total verdade.
–Boa noite, Regina. –Emma beijou sua testa, fazendo-a corar.
* * *
Regina se levantou suando e assustada. Havia tido o segundo pesadelo de sua noite, porém o dia já estava claro. A mulher segurou a colcha ao seu redor se lembrando de seu sonho. Havia sonhado com Daniel, mas também com Emma. No entanto, não se lembrava do que acontecera exatamente.
–Mãe? –Henry entrou no quarto de Regina, preocupado. E-Está tudo bem? Você gritou a noite inteira –Ele perguntou hesitante. Regina sorriu fraco chamando-o para entrar. Assim, Henry o fez.
–Foi só um pesadelo. –Explicou Regina, docemente. –Mamãe está muito atarefada…
–Mãe – Henry chamou. –É por isso que você brigou com a minha mãe? Com a Emma? –Corrigiu. Regina alarmou-se.
–Eu e a Srta. Swan temos uma relação complicada… Somos muito diferentes, entende, querido? –Tentou explicar. Henry lançou um olhar desconfiado.
–Você e a minha mãe estão namorando? –Ele perguntou esperançoso. Regina engasgou.
–O-O quê? –Gaguejou. –Henry, de onde tirou isso?!
–Quer dizer, vocês vivem brigando e eu vi na TV que quando um casal se apaixona eles começam assim, e a Emma tem vindo bastante aqui em casa mesmo quando eu estou na escola – Se explicou. “Mas somos mulheres” Regina pensou em dizer, mas Henry não tinha tal conhecimento de que a sociedade dificilmente aprovava tal tipo de relacionamento.
–Eu e a Srta. Swan… — Pensou no que dizer. –Temos um relacionamento puramente profissional. –Mas Henry não acreditava, e Regina sabia disso. O menino deu de ombros desistindo de fazer sua mãe entender.
–Ah – Suspirou se levantando. –Seria legal ter minhas duas mães juntas, tipo uma família –Sorriu e então, saiu do quarto. Regina não sabia como reagir, se achava graça da situação ou se ficava preocupada pelo fato de Henry pensar daquele jeito. E se elas ficassem juntas, de fato? O povo de Storybrook não está acostumado com uma relação entre duas mulheres e o que isso iria repercutir da vida de Henry?
De qualquer jeito, era sábado e ela poderia ficar na cama o dia inteiro, mas tinha um assunto em especial para resolver. Ela então, levantou e depois de um longo banho se arrumou para sair, retirando seu carro até o único lugar onde esperava ver Daniel, no estábulo.
Ela estava ansiosa para vê-lo, imaginava que por algum motivo Daniel acordara por ela. Afinal, ela nunca vira as vítimas de sua mãe ou até mesmo as suas por muito tempo, simplesmente as matava e as deixava em algum lugar. De repente, seu celular tocou em sua bolsa trazendo Regina de volta à realidade.
–Regina? –A voz de Emma ecoou.
–Sim –Respondeu, fazendo a curva na estrada. O estábulo ficava um tanto longe de sua casa.
–Vou levar Henry para dar um volta, okay? –Perguntou. Emma nunca perguntava esse tipo de
coisa.
–Você já está na minha casa, não é, Srta. Swan? –Regina revirou os olhos com um sorriso no rosto, sabia exatamente o que Emma faria.
–Er… Sim. –Confessou. –Onde você está?
–Hm… Resolver umas coisas. –Não quis explicar, ela tinha visto como Emma ficara quando soube que era Daniel seu amado. –Não ligou para ter minha permissão, ligou?
–Não – Disse risonha, ela podia imaginar Emma sorrindo feito boba agora mesmo. –Uma desculpa para ouvir sua voz.
–Você parece uma tola falando desse jeito. –Regina sorriu.
–É, posso lidar com isso, Senhora Prefeita. –Disse Emma. –Está feliz em me ouvir? -Brincou.
–Infelizmente… Sim, Srta. Swan –Regina disse vencida. Do outro lado da linha, Emma abriu o maior sorriso que pode. –Agora, cuide bem do meu filho, Srta. Xerife.
–Com toda certeza, Senhora Prefeita. –Disse Emma ao desligar.
Emma devolveu seu telefone ao bolso da calça, não conseguindo se desfazer de seu sorriso de orelha à orelha. Mesmo ela não sabendo onde sua mulher iria, ela estava feliz em saber que Regina estava melhor do que ontem à noite.
De volta à Regina, faltavam poucos quilômetros para chegar finalmente ao celeiro. Ele continuava como da última vez, vazio e um tanto sujo. Poucos cavalos restavam, provavelmente alguém cuidava deles semanalmente. Regina caminhava lentamente, enquanto passava sua mão na sedosa crista dos cavalos. Ela sempre teve um ótimos relacionamento com eles, desde que era pequena cavalgava e participava de concursos ganhando sempre o primeiro lugar. Os cavalos adoravam Regina. Um sorriso brotou em seus lábios, lembrava-se da primeira vez que beijara Daniel.
–Relembrando o passado? –Disse uma voz grave e misteriosa. –O passado que tanto a assombra… — Regina se virou, lá estava Whale com seus braços cruzados como se já esperasse por ela.
–O que faz aqui? –Perguntou Regina, sentindo-se ameaçada. Antes que Whale pudesse responder, uma sombra ao seu lado foi revelada, a mesma silhueta que Regina vira no dia anterior. Um homem alto e forte surgiu ao lado de Whale. –Daniel! –Grunhiu Regina maravilhada. Mas o homem tinha os olhos negros e ausentes, como se sua alma pertencesse a outro lugar. Regina aproximava-se do rapaz cega de amor. O homem cerrava o punho controlando um ódio trancafiado em seu peito. Daniel caminhava perdido até a mulher que com um sorriso esperançoso o aguardava. Sua mão tocou o rosto da mulher com delicadeza mas então logo mudara completamente, segurando o pescoço da mulher com força.
As costas de Regina se chocaram contra a parede do estábulo tirando dela um gemino doloroso. Daniel apertava o pescoço da prefeita sem hesitar, não permitindo que ela respirasse.
–D-Daniel! –Regina conseguiu dizer. Mas o homem não parou um minuto sequer. –Pare.
–Isso é pelo que fez comigo e com meu irmão. –A voz de Whale ecoou e então, passos para longe. Whale havia deixado Regina sendo sufocada pela pessoa que mais amou por toda sua vida. Mas mesmo que Daniel tivesse tornado um monstro, Regina acreditava que ela conseguiria fazê-lo voltar ao que era.
–Daniel –Regina tentava. Não havia mais ninguém no estábulo a não ser pelos dois. Os olhos de Daniel estavam arregalados e escuros. –Sou eu. –Ela segurou a mão do homem que ainda segurava em seu pescoço, só que agora com menos força. –Eu te amo.
E então, Daniel a soltou. Em um piscar de olhos ele parecia outro, mas aquele que Regina conhecia. Seus olhos ingênuos e delicados.
–Regina –A voz grave do homem soou. Regina, sem hesitar, abraçou o homem com força. Sentia tanto a falta de seu amor. –Regina! –Uma espécie de sorriso se formou.
–Não acredito que esteja realmente aqui. –Regina murmurou. Daniel envolveu a mulher seus fortes braços. Regina estava tão diferente para ele, mais madura, mais convicta. Mas havia uma coisa que ele reconhecia que não havia mudado: seus olhos apaixonados.
–Anh –Daniel gemeu afastando Regina de seus braços. Ele se curvou, gemendo de dor. Algo estava acontecendo, uma dor terrível invadia o homem, como se quisesse preencher um vazio em seu peito.
–Daniel? –Perguntou Regina, preocupada. Os joelhos do rapaz bateram contra o chão e sua mão protegia seu peito.
–Pare –Daniel conseguiu dizer. –Apenas pare com a dor. –Implorou. Os olhos de Regina se encheram d’água.
–Como? –Regina pôs a mão no ombro de seu amado. Daniel olhou para ela, com a dor agonizante. Ele segurou seu rosto levemente, uma dolorosa lágrima caía no rosto da mulher.
–Apenas me deixe ir.
–Não! –O desespero tomou conta de Regina. –Não posso perder você novamente!
–Anh!! –Daniel gemia de dor.
–Sem você… Eu estou perdida –Regina disse acariciando seu rosto. O rosto do rapaz iria mudar novamente, para o monstro que tentara matar Regina. –Daniel! Daniel! Volte para mim!
–N-Não posso.
–Mas eu amo você.
–Então… Ame novamente.
Do que ele estaria falando? Regina sempre amou o homem e sempre amaria pelo resto de sua vida.
–Sei que pode amar novamente – Daniel sussurrou. –Eu sei. –Ele gemia. –Você a ama.
–E-Eu… -Regina não acreditava no que estava ouvindo.
–Ame outra vez. –Pediu, caindo de joelho ao chão. “Daniel” Regina insistia. De repente, o homem levantou e correu em sua direção, atacando-a. No entanto, Regina ergueu sua mão tocando na do homem, e em lágrimas, fez o homem congelar.
–Eu amo você. –Com sua outra mão, fitou o homem e então, se transformou em pó.
Regina, abatida, se jogou ao chão ralando seus joelhos nus. Sua lagrimas caíam desesperadamente, a dor de perder seu amado novamente era devastadora.
–Regina! Regina! –Uma voz doce, porém firme chegou perto. Regina não compreendia. –Regina! –Alguém segurou o ombro da mulher.
–Emma –Regina suspirou aliviada. Se fosse outro alguém, Regina poderia reagir de formas imprevisíveis. Poderia acabar matando alguém, com a mesma facilidade que se matava um inseto. Mas não, era Emma. Emma a ajudou a levantar.
–Está tudo bem –Emma suspirou. Regina voltou a chorar, ela nunca iria se esquecer. A mulher abraçou a loira com toda a força que lhe sobrara. Era a primeira vez que Regina a abraçava e a chamava pelo primeiro nome assim, com tanta facilidade.
–Não está –Regina apertou a blusa de Emma. As lágrimas de Regina caíam sobre o ombro de Emma. A verdade, era que Emma havia visto o que a mulher havia feito com o homem, e por dentro estava apavorada. Mas sabia que aquilo era o certo a se fazer.
–Eu estou aqui, eu vou te proteger – Emma sussurrou. –Eu sempre irei te proteger.
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