Broken

3 Tallahasse


Notas iniciais
Hey, mais um capítulo. O próximo capítulo já está pronto e eu vou tentar postá-lo mais rápido. Anyway, aqui está.

Baseado no episódio 06 da Segunda temporada.

* * *


10 anos antes…


Na loja estava poucas pessoas, aquela era a hora perfeita “pegar o almoço”, como diria Emma. O dia parecia não ter fim, mas de alguma maneira isso poderia ser bom. A menina havia acabado de chegar à cidade, mas não iria demorar até que ela saísse novamente, sua vida era bastante movimentada. Emma Swan tinha cabelos loiros preso em um rabo e as roupas mais frescas que pudera arranjar em tão pouco tempo. Seu rosto era inocente, no entanto, uma ótima mentirosa e manipuladora, afinal, ela precisava disso para sobreviver. A menina, com 18 anos, já fazia coisas que adolescente nenhum precisava fazer, ou pudera. Quando bebê foi deixada na beira de uma estrada em Maine e assim, levada até um orfanato onde passara sua vida inteira até seus tão esperados dezoito anos. Logo quando completou sua maior idade, resolveu sair e achar seu lugar no mundo. Porém, isso foi mais difícil que ela imaginava.


Era onze da manhã e o estomago de Emma já roncava. Ela só precisava esperar o momento certo. Sem alarde, Emma entrou na loja de conveniência de um posto de gasolina na estrada. Pegou algumas garrafas de refrigerante diet, uns pacotes pequenos de biscoito e até uma garrafa de vodka. O homem de cabelos grisalhos que cuidava da loja, estava cortejando duas senhoras que conversavam alegremente, ele estava ocupado demais. Emma, discretamente, pôs tudo em sua grande bolsa de tecido, minutos depois, ela deu-se por satisfeita. Ela olhou o homem mais uma vez, agora, ele havia parado a conversa para atender uma chamada em seu rádio. Era a hora dela de partir. Saiu da loja sem dificuldade, até ouvir um grito.


–Hey menina! Volte aqui! –Gritou o homem. –PEGUEM-NA! –Ordenou. Então, Emma correu em direção ao seu carro, uma caminhonete azul roubada. Olhou para trás, os frentistas já corriam para alcança-la, mas aquela não era a primeira vez de Emma. –Vou ligar para a polícia! Anotem a placa! –Emma ouviu o homem gritar. Era tão ridículo, claro que Emma trocaria de carro antes mesmo deles discarem o número da polícia. Ela pisou no acelerador e cantando pneu, pôs o carro na estrada em alta velocidade. O que ela precisava era de outro carro, e um lugar para almoçar, agora que já havia “comprado” tudo que precisava.



* * *


–Hey –Henry tomou um longo gole de seu leite. –Então… Você dormiu aqui? –Perguntou, escondendo um sorriso.


–Hm… Sim. –Respondeu Emma se sentando à mesa com o garoto. A mulher usava uma blusa de Regina e apenas calcinha, era óbvio que havia dormido. A cabeça de Emma doía, ela nem imaginava como Regina estava depois do que acontecera. Ela estava apavorada por dentro.



–Então… -Tentou Henry, com um bigode de leite. –Você está namorando a minha mãe? –Finalmente perguntou, mostrando um sorriso esperançoso. Emma riu.



–O-Oi? –Disse rindo. –Quem te disse isso?



–Ah… Minha mãe disse a mesma coisa!



–Você falou isso com ela? –Perguntou Emma, cautelosa. Ele assentiu. –E o que ela respondeu?



–Ela fica dizendo “que besteira” ou “quem te disse isso” –Henry disse com uma voz aguda imitando Regina.



–Qual é! Ela não fala assim. –Emma riu.



–Estão ou não?! –Henry bateu a mão na mesa, sorrindo. Emma levantou e bagunçou o cabelo do menino.



–É muito cedo pra algo do tipo.



–HÁ! –Disse. –Eu sabia! Estão sim! Eu sabia… -Disse, vitorioso. Emma riu.



–Não lhe disse nada. –Ela murmurou abrindo a geladeira e pegando uma garrafa de suco. Ela colocou o líquido no copo e retornou a mesa. –Escuta, o que sabe sobre Daniel? –Emma quis saber. Henry estranhou a pergunta.



–Bem, não diz muito nos livros. Mas Daniel era o verdadeiro amor da Evil Queen, mas que foi assassinado por sua mãe que queria que ela se casasse com o Rei. Pai da Snow White.



–Minha mãe? –Emma tentou entender.



–Sim! –Respondeu contente. Emma bebeu seu suco. Se a mãe de Regina matou Daniel, o que diabos ele estava fazendo ali? O simples fato de ser Daniel já incomodava Emma. Por ser o antigo amor da mulher e pelo homem mexer tanto com a prefeita.



–Como ele poderia estar vivo? –Emma pensou alto.



–Dr. Victor, é claro. –Henry pensava com ela. –Ele é o cientista do Frankenstein, pode ter ressuscitado Daniel!



–Ok, isso é loucura, criança. –Emma riu. Mais uma vez, Henry estava certo e Emma não acreditava. A loira levantou da mesa, lavando seu copo e o do menino. –Vou dar uma olhada na sua mãe antes de ir para delegacia, tudo bem? –Disse Emma antes de subir as escadas.



–Não vai me contar o que aconteceu ontem? –Perguntou angustiado. Emma balançou a cabeça negativamente, não era coisas que uma criança precisava saber. –Ela vai ficar bem?



–Sim, só está cansada, okay? –Emma forçou um sorriso.



–Ela precisa de você. –Henry arriscou sorrindo. Emma riu mandando-o se arrumar, pois o levaria para Snow. Apesar de tudo, apesar de estar completamente apaixonada por Regina, ainda não sabia do que ela era capaz, seu humor mudava muito rápido.


Quando Emma finalmente subiu as escadas e abriu a porta do quarto, Regina estava sentada na cama olhando para baixo, triste, desde a noite passada.


–Hey –Emma sussurrou. Mas Regina não respondeu. Ela então, acendeu a luz fazendo Regina murmurar algo e esconder o rosto. –Vamos, precisa sair daí.



–Não. –Respondeu forte.



–Regina. –Emma chegou perto da cama, ela abriu as janelas deixando ar fresco entrar. Já estava na hora de renovar o ar daquele quarto. A loira tentou mais uma vez, sentando-se no pé da cama. –Vou levar Henry para sair um pouco, não quer vir? –Emma tentava.



–Não.



–Regina, você-



–EU DISSE “NÃO” – Regina gritou. Emma tentou tocá-la, mas Regina recuava. A loira se afastou, voltando para a porta do quarto.



–Eu vou levar Henry –Disse com uma voz doce, tentando acalmá-la. Mas Regina borbulhava de sentimentos por dentro: raiva, ódio, dor. Tudo por causa de Snow White. Sempre por causa daquela mulher. E lá estava ela, Emma Swan, filha da mulher que arruinara sua vida tentando “acalmá-la”. –Ele não precisa viver isso. Depois eu volto e conversamos, okay? –Emma disse. Regina desviou o olhar esperando Emma sair. Assim feito. Emma saiu do quarto com o coração apertado, e mais ainda com raiva. Ela estava tentando ajudar!



–V-Vocês- Henry parecia triste. Emma forçou um sorriso.



–Ela tá cansada, criança, vamos! –Disse tentando parecer animada. Henry deu de ombros, e foi até o carro de Emma. Regina estava no topo da escada vendo-os sair.



–Até mais. –Emma falou alto, sabendo que Regina estaria lá. Mas ela não se virou para confirmar simplesmente bateu a porta por trás e foi até seu carro. Ela agora iria para a casa de sua mãe, mesmo ainda não acostumada de lhe chamar assim, deixar Henry para poder pensar no que iria fazer.



* * *


Ela largou a caminhonete na beira da estrada e caminhou quilômetros para uma colina alta onde pudesse fazer seu pequeno piquenique. Ela se sentou e comeu o que podia rapidamente para poder voltar à estrada. Emma observava o horizonte, às vezes ela nem se lembrava de mais onde estava. Seria tão bom se fosse como nos contos de fadas, que os mocinhos sempre tem um final feliz. Mas, se bem que Emma não era lá uma mocinha na história. Ela misturou um pouco de vodka em sua garrafa e bebeu um pouco, ela não era burra o suficiente para se embriagar na estrada e ser pega.

Ela demorou meia hora para comer o que precisava e devolver tudo à bolsa e então, partir novamente. Desceu a colina no sentido contrário ao que veio, procurando um carro sozinho para que pudesse pegá-lo. Então, um velho fusca amarelo chegou ao campo de visão da garota. Ela não hesitou até chegar no carro e examiná-lo. Estava tão fácil. Era um carro velho, então não havia alarme, mas ele era tão adorável que Emma não quis quebra-lo e simplesmente arrombou a fechadura. Assim, facilmente. Ela entrou no carro e mexeu em alguns fios para conectar diretamente.


–Hey –Uma voz grave fez Emma pular. Era um homem, com aparência jovial, não devia ser muito mais velho que Emma, puxou a porta e entrou. –Está pegando meu carro? –Perguntou com tranquilidade.



–Parece que estou fazendo alguma outra coisa? –Disse Emma, retoricamente, estranhando que ele ainda não havia chamado a polícia. Só então, ela entendeu. –Você roubou esse carro? Estou roubando um carro roubado? –Ela se perguntou.



–Sim. –Respondeu o homem com um sorriso sarcástico. –Podemos nos apresentar agora ou quando a polícia nos pegar…



–Espere, não vou sair com você assim, nem te conheço! –Emma disse ligando o carro.



–Prazer, Neal Cassidy.



–Emma Swan. –A loira acelerou dando-se por vencida.



* * *



Emma chegou à casa de Mary Margaret –Snow White- Henry não esperou até o carro ser devidamente desligado para sair e correr até seus avós. Snow recebia seu menino com alegria em todas as vezes que o via, ela era tão doce quanto dizia as histórias. Mas uma coisa preocupava Emma o bastante para não prestar atenção em nada à não ser na mulher que a esperava na mansão.


–Hey, garoto –Disse Charming bagunçando o cabelo do menino. –Vamos correr lá para dentro! Vamos deixa-las conversando –Ele disse fazendo uma careta para as duas. Henry riu e correu com o avô até o apartamento. Snow se virou para Emma, sabendo que ela guardava um ressentimento muito grande.



–Acho que um sorvete vai te ajudar agora… -Disse Snow envolvendo seu braço no pescoço da filha. Emma sorriu aceitando o pedido, talvez fosse mesmo. Elas caminharam até o Granny’s enquanto Snow contava sobre as aulas que continuava a dar para as crianças de Storybrook. Elas se sentaram e não demorou até que Ruby viesse, feliz, pegar seus pedidos.



–Então…



–Eu não sei o que fazer. –Emma cobriu o rosto com a mão em um sorriso sarcástico que guardava tanta mágoa. Snow sorriu, confortando-a.



–Querida, pode falar. –Disse docemente. Emma suspirou algumas vezes antes de tentar explicar. Era difícil confessar que estava apaixonada pela sua inimiga para uma mulher que conhecera a pouco tempo e que era sua mãe. Assim, de repente.



–O que sabe sobre Daniel? –Perguntou, antes de tudo. Snow engoliu seco. Era o passado que assombrava a doce mulher, quando pequena Snow vira Regina sendo obrigada a se casar com seu pai, O Rei, sabendo que ela era apaixonada por outro homem. Cora, a mãe de Regina a procurou e assim, ela acabou contando sobre o segredo da futura madrasta na tentativa de ajudar. Mas Cora enganou a menina e assassinou o amado de sua própria filha, originando o ódio de Regina por Snow White.



–Daniel era o verdadeiro amor de Regina. –Disse, tentando poupar Emma de toda a história. –Mas ele foi assassinado por sua própria mãe. Por que pergunta?



–Ele voltou. –Disse Emma, olhando nos olhos de Snow. –E Regina o matou.



–Por que ela faria isso? –Cuspiu Snow, assustada.



–Ele havia se tornado um monstro, eu acho. Só vi aquilo acontecer no estábulo e-



–Mas… -Snow parou. –O que estava fazendo no estábulo? –Snow desconfiou. Mesmo ela tendo ideia do que estava acontecendo com a filha, Snow queria ouvi-la confessar seus sentimentos. Emma olhou para os lados tentando achar uma boa escapatória, mas nada lhe veio a mente.



–Eu fui atrás dela porque ela estava… estranha. –Tentou parecer profissional.



–Claro. –Fingiu acreditar. “É sério” Emma tentou dizer.



–É meu dever como Xerife, certo? Eu a levei para casa e ela ficou a noite inteira trancada no quarto de cabeça abaixa, e gritou comigo de manhã, eu não acho que seja um bom lugar para o Henry, mas não sei o que fazer! –Emma falou rápido nervosa. Snow hesitou.



–Deixe-me ver se entendi. –Ela pôs a mão sobre a da Emma, esperando o momento certo para perguntar. –Você passou a noite na casa da Regina? –Exatamente nesse momento, Ruby chegou com os pedidos, espantada. Talvez ela tivesse escutado um pouco…



–D-Desculpe a demora. –Ruby forçou um sorriso e voltou para dentro da lanchonete. Claro que ela tinha escutado. Logo seria boato por toda a cidade. Emma apoiou a cabeça na mesa, empurrando o sorvete.



–Não poderia deixar Henry-



–Emma! –Snow falou sobre ela. –Veio para inventar desculpas para si mesma ou para me dizer a verdade?



–Ok! –Emma disse, cansada. –Eu estou… Estou…



–Apaixonada. –Snow completou. Era um sentimento que Snow White estava acostumada a lidar, assim com sua história com Charming, Snow demorou até finalmente perceber que estava apaixonada e que havia encontrado seu amor verdadeiro, não seria diferente com Emma, era especialidade da família Charming, odiar seu amor verdadeiro até se dar conta de já estava completamente enfeitiçada por seus encantos.



* * *



O sol batia no rosto de Emma, a garota estava cansada de dirigir. Mas ela não queria descansar com um homem desconhecido ao seu lado, com razão. Fazia quase quatro horas que estava dirigindo direto, com um homem, que até então, ela só sabia o nome: Sean Herman.

Ela precisava se livrar do cara o mais rápido possível, e então, ir para um lugar onde pudesse descansar.


–Não quer trocar? –Perguntou o homem, gentilmente.



–Não. –Emma respondeu seca. O homem deu de ombros.



A loira dirigiu durante mais três horas, até ter perceber suas pálpebras cansadas. Era mais de sete horas dirigindo para um lugar que ela não fazia ideia de como era, ela só precisava fugir. Sua vida inteira foi desse jeito: fugindo. Tinha vezes que Emma fugia sem mesmo saber o motivo. Sempre sendo indesejada por onde quer que passasse. Era triste, mas ela já estava acostumada. Depois de muito tempo, Emma se deu por vencida e parou o carro.



–Agora vai querer trocar? –Disse o cara com um sorriso sedutor.



–Tá. –Emma retrucou saindo do carro e dando a volta no mesmo. Abriu a porta e se ajeitou, deitando sua cabeça na janela.



–Sabe, podíamos conversar mais, não achar? –O homem ligou o carro, com um sorriso no rosto. Emma revirou os olhos, ela tinha uma pequena curiosidade de saber mais sobre o cara, mas isso implicaria em contar coisas sobre ela, e isso era algo que lhe incomodava bastante.



–Certo –Disse, criando um tipo de jogo mental. – Você é algum tipo de foragido?



–Nah, faço pequenas retiradas em lugares variados. –Respondeu com um sorriso sarcástico. Assim como Emma. –Parece que você não é tão diferente



–Roubou esse carro?



–Acho que isso é óbvio. –Ele lançou um olhar misterioso à garota. Emma estava começando a ficar mais que curiosa quanto ao rapaz.



–Certo. –Deu por encerrado. Mas assim como a garota, o rapaz também estava interessado na menina. –Acho melhor pararmos para dormir. –Se ouviu dizer. O rapaz atendeu, parando alguns quilômetros longe da estrada. Os dois se ajeitaram no banco, enquanto olhavam para as estrelas. Ambos tinham receio de falar sobre suas vidas, mas também, eram tão solitários que ter alguém ao seu lado era completamente novo.



–As estrelas são tão incríveis de vistas de lugares diferentes… É insano. –O rapaz resmungava. Emma parou para olhá-las. Andava tão apressada que não se lembrava da última vez que parara para admirar o céu.



–São mesmo. –Emma se permitiu sorrir. O rapaz a olhou admirando-a. Ele deixou sua mão propositalmente perto de Emma, e não demorou até ela esbarrar nele sem querer.



–Desculpe. –Emma balbuciou. O rapaz segurou a mão dela, chegando perto de seu rosto. –O que está fazendo? –Emma sussurrou. Os olhos de Sean eram verdes, ela ainda não tinha percebido.



–Acho que isso se chama… -Fez uma careta cínica. –Beijo. –E então, seus lábios se juntaram aos lábios delicados de Emma. Borboletas voaram no estômago de Emma, seu coração acelerou. O que diabos era aquilo? Ela nunca havia sentido tal coisa.



–E-Eu –Emma se afastou envergonhada, seu rosto vermelho. Mas então, Sean pôs sua mão na nuca de Emma aproximando-a de seu corpo. Seus lábios se juntaram em um beijo mais delicado e natural. Emma permitiu-se apoiar no homem, nunca sentira seu estômago daquele jeito. Mal sabia Emma, que aquele seria o início da história de seu primeiro verdadeiro amor.



* * *



–Okay –Emma aceitou. –Mas isso não muda nada! –Disse, dando uma colherada em seu sorvete.


–Oh, claro que muda. –Snow sussurrou para si.



Snow tentava acalmar a filha enquanto pequenos flashbacks acendiam em sua mente repentinamente. Momentos de quando contara à mãe de Regina sobre Daniel, e que isso resultou em sua morte. Talvez fosse nisso que Regina sentia, pensava Snow. “Talvez a ser filha da pessoa que arruinou sua vida deve ser difícil”. Snow sabia exatamente do que se tratava.



–Você deve voltar –Arriscou Snow. –Sei que é difícil, mas eu posso ver que está completamente apaixonada e isso não dá para disfarçar. –Snow sorriu. –Eu não tive uma mãe para me fazer entender, e demorei até perceber que era o seu pai meu verdadeiro amor. Então, só tenho que lhe dizer: Volte. Pois se há uma coisa que Regina merece tanto quanto todos nós, é um final feliz.



As palavras de Snow White fizeram o corpo de tremer. Ela estava mais que certa, Emma podia ver. Mas Regina seria feliz com Emma? Quer dizer, era isso que Emma tanto queria, mas o sentimento egoísta de medo por si própria de Emma estava acabando com toda a esperança disso acontecer. O que ela poderia fazer?



–Eu não sei. Regina é uma pessoa complicada. –Emma inventava desculpas.



–Você está com medo, querida. –Snow acariciou a mão da filha. –Medo de que dê errado… Medo de que dê certo. Meu amor, você deve ir atrás! Conquistar! Merecer! –Snow dizia com seus olhos brilhantes. –Eu vivi o bastante para perceber que o mundo nos surpreende, nos fazendo duvidar, conhecer cada vez mais de nós mesmas. E nem sempre esse conhecimento nos agrada, mas é assim que somos. Eu lhe entendo. E por isso, não só lhe aconselho como estou mandando você voltar! –Snow brincou, tirando um sorriso de Emma. Mesmo que esse medo lhe atormentasse, sua mãe estava certa. O que havia entre elas não era errado, errado era deixar Regina só naquela imensa casa, sem ninguém para lhe acolher. E era isso que Emma mais queria naquele momento, envolver seus braços no corpo de Regina e ser qualquer coisa que a mulher precisasse, daquele momento e até quanto as duas desejassem.



Subitamente, Emma se levantou da mesa com toda coragem que conseguiu reunir e correu para seu carro sem nem se despedir de sua mãe ou terminar seu sorvete. Ela ligou o carro tão rápido quanto demorou a chegar à casa da prefeita. A porta estava aberta, como havia deixado quando saiu. Emma olhou receosa para o relógio, fazia pouco mais de duas horas que havia deixado aquela casa. Só depois de alguns minutos, a loira entrou. Nada parecia diferente, e por que seria diferente? Parecia que ninguém estava em casa, mas Emma sabia que depois do que havia acontecido Regina não sairia de casa tão cedo. Ela subiu as escadas relaxando os músculos, ela não ia para a forca, afinal.


A porta do quarto de Regina deixava uma fresta, permitindo a passagem de Emma. Então ela viu, Regina estava sentava na beira da cama com as mãos no rosto esfregando seus olhos. A ponta de seus cabelos estava molhado junto com sua nuca, ela devia ter tomado banho não fazia muito tempo. Usava um vestido, um tanto curto, cinza decotado. A loira examinou o corpo de Regina mais uma vez, até bater na porta chamando sua atenção. A mulher se assustou, primeiramente, e então seu rosto mudou. Uma expressão que Emma não conseguia diferenciar se era alegria ou frustração. Nem a própria Regina distinguia.


–Hey. –Regina sorriu fraca. Emma sorriu de volta exageradamente, caminhando até a mulher. Regina não levantou, apenas ficou sentada esperando que Emma viesse até ela.



–Olá. –Emma disse parando a sua frente. –Henry está com… Ruby. –Mentiu, sabendo o que causaria na mulher se ouvisse o nome de Snow White. No entanto, Regina sabia onde Henry realmente estava e resolveu não se importar, apenas dessa vez.



–Certo. –Regina disse. A mulher chegou para a direita, dando espaço para que Emma se sentasse ao lado dela. Assim Emma fez, sentindo seu estomago explodir em borboletas.



–Eu disse que voltaria –Emma começou. Não era como se elas fossem discutir a relação ali. –Só quero que saiba que… -Regina escutava com atenção, escondendo um sorriso e se perguntando onde ela queria chegar. -…Eu estou aqui. –Disse com dificuldade. Regina se deixou sorrir.



–Isso é uma tentativa de me fazer sentir melhor, Srta. Swan? –Regina disse, baixo.



–Se funcionou, é sim. –Emma brincou. Regina olhou para a mulher tão perto ao seu lado.



–Digamos que você não seja tão boa nisso. –Regina riu. O peito de Emma ardeu, foi a primeira risada sincera da prefeita. Talvez ela estivesse tão vulnerável que não estivesse mais se advertindo por demonstrar certos sentimentos. Talvez fosse a vez de Emma deixar transparecer.



* * *


Emma ajeitou uma barriga falsa que roubara em uma loja de alguma cidade que agora, ela já estava bem longe. Ela realmente parecia grávida, sua cara de cansada e era boa atuando como uma. Ela fechou a porta depois de ver seu “marido”, ou pelo menos o que eles fingiam ser, Neal sair do carro. Eles entraram na loja, com o objetivo de distrair enquanto Emma roubava pequenas coisas.


* * *


–Regina… -Emma sussurrou, deixando sua mão tocar a coxa nua de Regina. A prefeita sentiu seu coração acelerar e sua barriga se contorcer. O rosto de Emma se aproximava do da mulher quase que imperceptivelmente. Regina queria tanto aquilo, se sentir acolhida, se sentir amada. Principalmente naquele momento. Ela apoiou sua mão no colchão, e esbarrou com a mão de Emma, provocando outras explosões dentro de si.

Os lábios de Emma pousaram nos lábios macios da prefeita. Era como beijar uma nuvem, mais real e sólida. Novamente, o beijo era harmonioso e sincronizado, se encaixavam perfeitamente. Regina pôs sua mão na nuca de Emma, delicadamente, sentindo-a mais perto. Enquanto isso, Emma segurava a coxa de Regina tirando dela um gemido de prazer. Tão poucos minutos que na cabeça das duas mulheres se transformava em horas, dias. Aproveitavam cada momento, mal sabendo o quão forte era o sentimento de uma pela outra.

Emma selou os lábios de Regina mais uma vez antes de se afastar. Regina examinou o rosto da loira, era incrível a sensação que Emma provocava nela. Uma mistura de raiva, paixão e ódio. Mas também passava pela cabeça da prefeita, que Emma era inocente das atrocidades da mãe, Snow White. Regina deitou seu corpo na cama esperando que a loira a acompanhasse. Assim feito, Emma se deitou um pouco acima da prefeita que então, se ajeitou deitando sua cabeça nos seios de Emma.


–Desculpe-me... Pelo ocorrido mais cedo. –Regina sussurrou. A prefeita podia ouvir os batimentos cardíacos da loira, e até sua respiração acelerada. Emma sorriu, lembrando-se do que sua mãe havia dito. “O que Regina merece mais que todos é ser feliz”.



–Regina, por que o matou? –Emma se atreveu. Regina hesitou, nunca Emma perguntara sobre Daniel.



–Ele me pediu, pediu que fosse livre. –Regina respondeu desgostosa. –E também me pediu para amar novamente. –Ela lançou um olhar para Emma. “Você” pensou.



–E você ama agora?



–Eu achava que sim. –Regina resmungou. Por um momento, ela se esqueceu quem era e aonde estava, embarcando em um sentimento único: felicidade. Mas o efeito daquelas palavras sobre Emma era diferente, significava que Regina não a amava? Mesmo Regina querendo esconder que amava, Emma não podia ler sua mente.


Mas Emma não sabia o que isso a levaria, duvidas ou ficar ao lado da mulher.


–Regina, não acha que está na hora de acabar com isso? –A loira tocou o queixo da mulher, fazendo-a olhar para ela. A prefeita a fitou.



–Por que ainda tenta transformar o vilão em mocinho, Srta. Swan? –Regina se sentou em frente a Emma. -Acha que porque é a Salvadora tem que-



–O que eu não entendo é se odeia Mary Margaret, minha mãe, eu… Por que isso? –Ela abaixou os olhos.


Logo Regina entendeu, o que a loira queria era saber se era amada, ou se a relação das duas era só pelo momento ou… se havia algo escondido ali. Mas, mesmo confuso, era agradável para a prefeita a situação. Emma era tudo que ela precisava, um ombro quando precisasse chorar, uma companhia para suas noites solitárias. No entanto, o que preocupava Regina era que ela sentia falta da loira quando não estavam perto, ela sentia seus toques diferente… Mais delicados, e demorados.


–Nunca disse que te odeio, Srta. Swan. –Regina disse, suavemente.



–O que sente… por mim? –Perguntou baixinho, com medo de ser ridicularizada. Regina tocou sua mão fazendo a loira olhar para ela.



–É… eu não sei. –Regina respondeu, tão baixo que pensou ser seu próprio pensamento. Emma percebeu a sinceridade em sua frase, se ela sentia era forte. Para o bem, ou para o mau. –Não vem ao caso... -Ela ameaçou levantar, mas Emma segurou seu braço e a puxou, delicadamente, para perto de si.



–Mas sabe… -Emma sussurrou sorrindo. –Eu poderia me acostumar com isso. -Regina sentou em suas pernas, com um sorriso sedutor. A prefeita chegou perto de seus lábios, fazendo Emma desejá-lo cada vez mais.



–Pode, é? –Regina chegou mais para frente, sentando em sua coxa. Emma estava hipnotizada por seus lábios e o seu sorriso sedutor em seu rosto. –E com isso? –Regina selou seus lábios perto do pescoço de Emma. A loira gemeu baixo, Regina sorriu.



–Posso –Emma segurou o queixo e mordeu o lábios da prefeita. Regina então, resolveu provoca-la. Seus beijos desceram até o pescoço dando chupões em regiões diferentes, tirando de Emma gemidos baixos e prazerosos para os ouvidos de Regina. Ela beijou seu ombros e levou suas mãos até as costas de Emma, levantando sua blusa e escorregando até seu sutiã. Emma suspirou abafada. Depois que Regina retirou o sutiã da mulher, voltou a beijá-la.



–Você adora me provocar, não é? –Emma sussurrou. Regina sorriu maliciosa. –Pois então… -Emma segurou suas coxas deitando Regina no colchão e subindo em suas pernas. Regina soltou uma gargalhada.



–Não é justo! –Regina segurando a nuca de Emma e lhe beijando, mais lentamente. A loira vagou com sua mão perante o corpo desejado de Regina. –Sabe que posso sair daqui facilmente… -Zombou, Regina. Então, Emma riu.



–Não estou te segurando, Sra. Prefeita. –Emma sussurrou vitoriosa. Realmente, ela não estava. Quando Regina se deu conta de quem que estava prendendo quem, percebeu que suas pernas envolviam a cintura da loira e que suas mãos estavam segurando seu queixo. Regina riu corando. Ela estava apaixonada, novamente. Como Daniel havia lhe pedido, ela estava amando novamente. Emma interrompeu os pensamentos de Regina ao selar seus lábios em seu pescoço, Regina sentiu um arrepio.



De repente, um barulho de porta bateu e fez as duas pularem. Regina abafou um riso, zombando da expressão assustada da loira. Emma fez sinal para que Regina ficasse calada. A prefeita riu.



–Emma? –Uma voz doce, infelizmente, conhecida para as duas. A cara de Regina se fechou ao reconhecer a voz. Emma gelou. Era Snow White. Regina lançou um olhar ameaçador para Emma.



–Você a chamou? –Regina sussurrou. Emma negou com a cabeça. –Vá se ajeitar, eu vou descer. –Mandou, levantando irritada. Emma suspirou frustrada, Snow White era a última pessoa bem vinda naquela casa, naquele momento. Ela sabia que Regina ficaria furiosa. Emma levantou-se, como mandado, e foi se trocar no banheiro enquanto Regina enrolava Snow. O que certamente não foi uma boa ideia.



–Pelo visto minha casa virou albergue… -Disse Regina no corredor do segundo andar, olhando para Snow que estava no meio da sala. A prefeita já havia ajeitado sua roupa antes de sair do quarto, mas não sabia ainda se iria mentir sobre o que estava fazendo e provocar Snow.



–A porta estava aberta e eu… -Snow começou.



–Entrou? –Regina completou. –Ah, não foi essa educação que lhe deram. Que eu lhe dei. –O sarcasmo saía de sua boca. Regina Snow revirou os olhos e foi direto ao assunto.



–Emma está aqui? –Snow perguntou, nervosa pela resposta. Era óbvio que estava, foi ela quem pediu que a loira viesse. Mas Snow queria ver o rosto de Regina ao comentar da filha. Regina logo entendeu, Snow sabia que alguma coisa.



–Não. –Regina deu de ombros, com indiferença. Não fazia a menor diferença para ela se a mulher soubesse ou não, mas a prefeita pensou que talvez Emma se importasse. Regina se sentou na cadeira esperando que a mulher se retirasse. No entanto isso não aconteceu, Snow continuou para em frente à prefeita.



–Pronto! –Emma gritou do quarto. Regina bateu a mão no rosto, como aquela mulher era tola. A loira desceu as escadas sem mesmo perceber a mãe ali, parada ao lado da prefeita. Regina riu sarcasticamente.



–Não estava, certo? –Snow sussurrou. Regina lhe lançou um sorriso sínico. Ops, ela sussurrou de volta. Quando Emma olhou para frente e se deparou com a mãe, parou imediatamente. Emma riu envergonhada, e olhou para Regina.”.



–Hey –Emma desceu o último degrau, ajeitando o botão da blusa. Os olhos de Snow se arregalaram. “Elas… fizeram?” ela pensou. Por mais que fosse sua filha, ela não estava acostumada com tal comportamento antes do casamento, muito menos com duas mulheres. Ela nem sabia como era possível… acontecer.



–Não vai dizer o que quer, ou veio só nos importunar? –Regina provocou. Regina sabia que aquela situação incomodava a mulher, então resolveu se aproveitar daquilo. –Nos interromper. –Lançou um olhar malicioso para Snow, que engoliu seco. Ver a reação confusa da mulher que arruinara a sua vida, era no mínimo prazeroso. E deliciosamente engraçado.



–Não é nada disso, eu… -Emma chegou perto de Snow, que a olhava confusa.



–Ah, estou te esperando no quarto, Srta. Swan –Regina resmungou, subindo as escadas e sumindo no corredor. Assim que ficou saiu do campo de visão das duas, Regina caiu na gargalhada, imaginando a cara de Snow White ao ver a filha dormindo com a temida Evil Queen!



Já no andar de baixo, Emma se enrolava para explicar o que tinha acontecido entre ela e Regina. Era fato que Snow sabia do sentimento de Emma pela Rainha, mas daí a esse sentimento ser mútuo e ainda por cima já terem dormido juntas era algo completamente diferente. O instinto de mãe a alarmava.



–V-Você... dormiu com ela? –Snow perguntou, mas logo se calou. Já sabia a resposta. –Ok, eu só vim para saber se você estava bem. –Ela se virou saindo, mas Emma foi atrás. Tentava explicar, mesmo sendo difícil. Snow olhou para ela e forçou o sorriso mais agradável que pôde e entrou no carro e partiu. A loira, enfurecida, chutou a planta que estava no caminho, e então, voltou à casa onde a prefeita a esperava. Regina esperava na escada, com um sorriso debochado no rosto.



–Qual diabos é o seu problema? –Emma gritou.



–O que foi? Não posso me divertir mais? –Regina dizia sorrindo. Emma bufou irritada.



–Você fez piada sobre isso!



–Eu fiz uma piada! –Regina rebateu, rindo. A prefeita desceu as escadas andando em direção à Emma. –Acalme-se, o que você disse à ela? –Regina deu de ombros. Emma respirou fundo para respondê-la. E se Emma não tivesse contado? Agora todos saberiam!



–Eu disse que… -Emma pensou melhor. –Não disse nada demais, e agora ela sabe!



–Emma! –Regina falou alto, ainda com um sorriso vitorioso. –Qual o problema disso? Não estamos casando ou algo do tipo- Regina se calou imediatamente. Ela havia dito aquilo mesmo? Aquilo havia passado por sua cabeça sem ela perceber? Emma admirada viu sua raiva se dissipar enquanto um sorriso aparecia em seu rosto. –O quê? –Regina deu as costas para Emma, indo para à cozinha.



–Você me ama. –Emma disse. Não foi uma pergunta, ou uma dúvida. Ela havia afirmado. O coração de Regina parou.



–Nunca disse isso. –Regina voltou a olhar para a mulher. Emma sorriu e segurou a cintura da mulher selando um longo beijo em seus lábios. Regina não pôde deixar de corresponder, aquela mulher tola e inconsequente a fazia se sentir daquele jeito tão frágil e amada novamente.



–Mas eu sei. –Emma sussurrou no ouvido de Regina.



–Tola. –Regina resmungou, comprimindo um sorriso apaixonado. Fazia tanto tempo desde a última vez que se sentira assim: jovem e amada.


❤


Notas finais
Reviews? Muito obrigada pela leitura! E se gostaram desse, gostaria de sugerir uma fic muito boa: http://fanfiction.com.br/historia/294907/Lost_In_Paradise/

Obrigada por tudo!