Broken
4 Christmas Special
Notas iniciais
O capítulo não foi baseado em nenhum episódio de qualquer temporada, sendo ele de minha total autoria.
Boa leitura!
* * *
O sol teimava em acordar mais uma vez. Subindo ao céu iluminando o dia, novamente. Regina abriu os olhos, ainda sonolenta, e se levantou da cama. Era verão e fazia bastante calor. A prefeita levantou e só depois de um longo banho desceu para tomar café. Ela não se importou em trocar de roupa, apenas continuou com a camisola de seda que dormia, afinal, estava em sua casa.
–Bom dia – Regina resmungou para o filho ao entrar na cozinha. Henry estava sentado em meio a mesa tomando seu café-da-manhã. O menino segurava sua mochila já pronto para ir à escola. Mas ele não estava sozinho, Emma lhe servia o café-da-manhã que acabara de preparar.
–Hey –Emma respondeu, prendendo seu cabelo em um rabo. Ela usava uma calça jeans justa e uma camisa larga de Regina. A prefeita riu ao vê-la vestida com uma de suas blusas.
–Hm… Já vou indo. –Henry disse, engolindo um pedaço grande de seu omelete.
–Deixe-me te levar
–Vou te levar –Regina e Emma falaram em coro. Henry sorriu abobado. O menino se sentia tão feliz ao ver suas mães se dando bem e, quem sabe, se amando, como ele sempre quis.
–Nah –Resmungou, o menino. –Vou pegar carona com Grace. –Mentiu. Na noite anterior, quando viu Emma subir para o quarto de Regina, ele resolveu armar um plano para deixa-las sozinhas e assim fazer elas se darem melhor. Um plano para juntá-las. Henry queria que Regina e Emma finalmente assumissem que se amam e se tornarem uma família, sem ter que ficar longe de uma quando sentir a falta de outra. Era possível ver no olhar das duas mulheres um sentimento forte que havia, como os de Snow White e Príncipe Charming. Amor verdadeiro.
Henry bateu a porta atrás dele, antes que Regina pudesse argumentar, e se esquivou entre o jardim. Para checar uma última coisa antes de ir para o colégio.
–Bonita a blusa. –Regina resmungou, sorrindo, enquanto passava por Emma. Henry engatinhou pelo jardim até a janela da cozinha.
–Sério? Porque ela fica muito mais bonita em outra pessoa – Emma mordeu o lábio. A prefeita riu.
–De fato. –Regina gabou-se. A prefeita chegou perto de Emma. –Mas no seu caso, Srta. Swan… Prefiro sem ela. –Sussurrou. Henry não conseguiu ouvir, graças ao vidro da janela, o que elas diziam, mas pela distancia quase ausente entre as duas, ele podia ter uma noção do que se tratava. Henry era muito inteligente para um garoto de dez anos.
–Aliás, você já não faz questão de disfarçar, não é mesmo? –Regina voltou-se para a geladeira abrindo-a e pegando uma jarra de suco.
–Henry é muito esperto, seria inútil. –Emma rebateu. Regina voltou à mesa e completou o copo com o suco. –Mas se você quiser que eu vá embora…
–Ah, eu quis isso desde que apareceu na cidade, Srta. Swan. –Regina voltou com copo para a mesa, lançando um olhar desafiador para Emma. A loira deu pequenos passos até chegar a mulher.
–Ah é? –Emma provocou, chegando cada vez mais perto. Ela apoiou sua cintura na mesa deixando seu braço solto, perto do corpo da mulher a sua frente. –Não foi isso que me pareceu ontem à noite. –Emma deslizou seus dedos pela cintura de mulher. Um arrepio correu à espinha de Regina. A loira segurou o queixo de Regina e a beijou seus lábios por longos segundos.
Henry abriu um sorriso tão grande que ocupava todo seu rosto. A sensação de felicidade bateu tão depressa que o fez pular e sair correndo para seu antigo caminho: Escola.
–Ouviu alguma coisa? –Emma, ofegante, se afastou de Regina.
–Não. –Regina respondeu, puxando Emma, novamente, para perto de si. Emma riu e sentiu seus lábios escovarem os de Regina mais uma vez. Depois de longos segundos desse mesmo jeito, elas decidiram se afastar.
–Já notou em que dia nós estamos, Emma? –Regina resmungou brincando com uma mexa do cabelo loiro de Emma. A loira acariciou o braço da prefeita.
–Não… Dezembro? –Emma respondeu confusa. Regina riu. Emma não costumava comemorar datas famosas como Natal, Ação de Graças, Páscoa e aniversários. Ela não se importava mais com a época do ano, já que vivera a vida inteiramente sozinha.
–Ah, Emma, vai me dizer que nunca comemorou o natal? –Regina ajeitou a gola da camisa de Emma. Mas a loira não respondeu. –Vamos lá, até em minha terra há comemorações por toda parte nessa época do ano… Nunca mesmo? –Regina duvidou.
–Não. –Emma resmungou seca, desviando o olhar. O assunto ainda era delicado para a loira, que sentia-se frágil ao tocar no assunto. Regina logo percebeu.
–Então esse será seu primeiro natal! –Regina anunciou animada, tirando de Emma uma risada. As duas trocaram assuntos agradáveis, afinal, era sempre bom estar juntas desde que resolveram admitir que a raiva e o ódio que sentiam uma pela outra não era, exatamente, ódio. Logo depois que Regina tomou seu banho e se vestiu para o trabalho, Emma tomou seu caminho para a delegacia e Regina, para a prefeitura. Mesmo juntas, elas ainda tomavam cuidado de sair separadas. A relação da Prefeita com a Xerife era confusa e nada esclarecida, pois Emma tinha medo da reação pública por estar apaixonada pela pessoa que mais prejudicou toda a cidade. E Regina era insegura, por não ser capaz de se integrar à um novo amor depois da morte de seu verdadeiro de antigo amor; Daniel. Mas elas tentavam ao máximo, porque agora elas não pensavam como uma pessoa, e sim como duas mães.
* * *
Horas mais tarde,
A professora Mary Margaret Blanchard ou, como todos estão acostumados a chamar, Snow White terminava de explicar o abitar de animais aquáticos que eles estudavam antes do feriado de natal. Os alunos conversavam afobados sobre o que fariam nesse tão esperado feriado, depois de vinte oito anos sem nenhuma comemoração igual, o único que não estava muito contente com esse assunto era Henry. O que todos comentavam era sobre suas famílias, e família era algo complicado para Henry. Com Emma e Regina juntas, ele esperava que as coisas ficassem mais familiares, mas para isso acontecer o relacionamento de Regina com Snow White e Príncipe Charming teria de ser muito melhor. E Henry conhecia o temperamento nada fácil de sua mãe.
–Henry! –Snow chamava, o menino pulou da cadeira acordando de seus pensamentos. A sala já estava vazia e pela expressão da professora, já havia sido chamado algumas vezes. O menino levantou até a mulher, ajeitando sua mochila nas costas.
–Henry, está sonhando acordado, querido? –Disse ela, docemente. Henry olhou para baixo. Se ao menos pudesse pedir que Snow tivesse um relacionamento melhor com sua mãe.
–Estou… com sono, só isso. –Balbuciou a melhor desculpa que pode arrumar. Snow conhecia crianças, sabia que algo o afligia, mas sabia também que insistir não adiantava com crianças espertas como Henry.
–Tudo bem, vá para casa. Mais tarde nos vemos! –Snow apertou o ombro do garoto. Henry assentiu e saiu da sala as pressas. A mansão de Regina não ficava perto da escola, mas o menino gostava de caminhar até em casa.
O som do telefone fixo tocando era facilmente escutado desde a entrada do extenso gramado, Henry correu para atender, poderia ser algum recado importante para sua mãe.
–Alo? –Henry pegou o telefone enquanto jogava sua mochila ao chão.
–Henry? Que bom que chegou. –Regina disse do outro lado da linha, sua voz parecia animada e Henry tinha ideia do motivo. –Só liguei para avisar que eu voltarei para o almoço, então não vá brincar na rua, estarei aí em poucos minutos. –Regina terminou.
–Certo. –Henry disse sorridente. –Emma também vem? –Arriscou perguntar. Regina engoliu seco, havia prometido a si mesma que não envolveria o filho em seu relacionamento com a Xerife enquanto não estivesse claramente esclarecido… Se ela pensasse bem, talvez nem houvesse um relacionamento.
–Não, querido. Srta. Swan está trabalhando. –Regina respondeu cautelosamente. Henry entendeu e deu por encerrado o assunto e então, desligou.
O menino pôs o telefone no gancho e saltou para a cozinha, sua mãe o havia proibido de mexer no fogão ou na lava-louças, qualquer coisa que pudesse apresentar perigo, mas ele nem pensava em desobedecer a essa regra. Henry abriu o armário e pegou dois pratos, talheres e dois copos, uma taça comprida e um copo de vidro bruto. O menino estava bastante feliz apesar de tudo, pois vira Regina sorrindo como só vira nos livros, e suas mães estavam juntas e tinha tudo para melhorar.
–Hey –Regina abriu a porta de sua casa. A mesa estava posta e Henry mexia em algo na cozinha. –Querido? O que é isso? –Regina riu. O menino pulou para dentro da sala com um sorriso estampado no rosto. A prefeita riu, não via o filho feliz desde que… Talvez nunca vira o filho tão feliz. –Qual o motivo de toda essa alegria?
–Vamos comer, estou faminto! –Henry mudou de assunto rapidamente. Regina deu de ombros e descansou as sacolas que carregava na mesa e então, se sentaram à mesa. Henry se serviu e depois Regina.
–Então… -Regina murmurou após mastigar. –Estive pensando, como será nosso natal? –Sua voz saiu mais animada que pretendia sair. Henry sorriu.
–Nós compramos árvore e a decoramos! Só não podemos deixar a Emma na cozinha, porque, não conte isso a ela, mas cozinhar não é o seu forte. –Henry comentou, animado. Regina soltou uma alta gargalhada imaginando a mulher atrapalhada na cozinha.
–Quem lhe disse que a Srta. Swan estará conosco? –Regina ergueu a sobrancelha, brincando. Henry hesitou. –Bem, se ela concordar…
–Isso! –Henry deu uma garfada em seu braço. Aquele momento estava sendo tão agradável, ela seria eternamente grata à Emma por trazer o bom relacionamento com seu filho de volta.
–Certo. Isso é segredo, mas… A Srta. Swan nunca teve uma comemoração de natal, assim como você… Podemos fazer algo especial, o que acha? –Regina sussurrou, como se realmente contasse um segredo. Henry ficou pensativo, bolando várias ideias para a festa surpresa de natal de Emma. Regina falava baixo, como se falasse com crianças, coisa que não fazia muito com seu filho. –Mas querido, peço que não diga de onde partiu a ideia, ninguém precisa saber, não é mesmo? –Regina sorriu. Henry assentiu, não se importando tanto.
–É incrível! E podemos chamar esse plano… De Operação Cobra!
* * *
O dia continuava ensolarado, no entanto, já não fazia o mesmo calor. Uma brisa refrescava a cidade, em pleno verão. Emma estava na delegacia até a hora do almoço até que decidiu sair, tomar um ar. Ela não conseguia parar de pensar na noite anterior, os momentos íntimos com a Prefeita. Nunca era suficiente, com ela, Emma sempre desejava mais, mais uma hora, mais uma noite. A xerife estava apaixonada, mesmo que ainda não tivesse admitido isso.
–Vamos Emma, acorde! –Ruby estalou os dedos, fazendo Emma voltar ao mundo real… Ou quase. A loira sorriu envergonhada. –No pensa tanto? –Ruby se juntou a Emma.
–Não é nada. –Emma respondeu. Ruby ergueu a sobrancelha desconfiada, mas então, deu de ombros.
–Então… Natal chegando! –Ruby anunciou animada. Emma forçou um sorriso, mas a garota pareceu não perceber. Aquele assunto estava irritando Emma. Nunca achou o Natal lá essas coisas, não havia como pensar de outro jeito. –Não está animada?!
–É, claro. –Mentiu. Ruby mencionava que já estava preparando o hotel Granny’s para essa época e que estava muito animada. A garota havia até conseguido controlar suas habilidades de loba, graças ao Charming e isso era o maior presente que ela podia pedir. –Só faltava voltar para casa e estaria completamente feliz. –O rosto de Ruby tomou um sorriso triste.
–É. –Emma não podia discordar. Era o que todos queriam. Mas se aquilo se tornasse realidade, Emma não teria lugar para ir. Para a terra de contos de fada? Emma Swan? A mulher que havia sido ladra e mentido durante toda a sua vida? Ela não servia para isso, ainda mais para ser princesa.
Afinal, Charming e Snow White se tornariam Rei e Rainha e caberia à Emma a nomenclatura de Princesa do Reino. Não, ela não servia para tal posto numa sociedade como aquela. Sem contar que uma princesa, filha de Snow White não poderia sentir o que Emma Swan sentia pela mulher mais temida daquele mundo: Regina, A Evil Queen. Se em Storybrook, Maine, uma estado do leste dos Estados Unidos. Estado de um país moderno, porém com muito preconceito, mas que já não é tão difícil ver duas mulheres formando uma família. Era algo comum, principalmente para Emma. Mas em um outro mundo como os de contos de fadas, Emma não tinha ideia do que esperar.
–Emma! –Ruby chamava pela terceira vez. –Você está viajando por que mundo?
–Desculpe, não dormi direito essa noite. –Emma sorriu ao lembrar. Realmente, ela não tinha dormido corretamente, estava ocupada demais.
–Ah –Ruby suspirou. –Mandei trazer algo para nós! –Ela sorriu. Ruby era uma boa amiga para Emma, mas infelizmente, ela não tinha como compreendê-la totalmente. A porta do Granny’s de abriu e logo fechou atrás do casal. Gold e Belle. Era assustador pensar que alguém tão doce e gentil como Bella poderia, realmente, amar alguém tão rude e baixo como Gold. Bella andava na frente, com o mesmo sorriso inocente no rosto e Gold, atrás, como se a cercasse para não fugir. O sorriso de Ruby aumentou de orelha a orelha quando a viu, mas logo que Gold entrou, sumiu em mesmo instante.
–O que foi? Vocês duas brigaram? –Emma perguntou, ao ver o olhar triste de Belle para Ruby.
–É… Não importa. –Ruby mudou de assunto rapidamente, forçando um sorriso.
–Então, estamos comemorando algo? –Emma quis saber. Ruby sorriu, ao ver chegar seu pedido: Duas canecas de cerveja. Emma não pôde deixar de rir.
–Claro. Primeiro: à quebra da maldição! Segundo: Chegada do Natal! E por fim: Um mês sem as crueldades de Regina. –Ruby acrescentou. Emma engoliu seco, ela não gostava de ver Ruby falando daquele jeito sobre Regina. Ela não era de todo cruel, apenas precisava de uma chance para provar isso. –Falando nisso, como vai o plano?
–Plano? –Emma repetiu. Ruby balançou a cabeça.
–É. O plano de se aproximar do inimigo para derrota-lo! Já fiz muito isso. –Ela riu. Emma não fazia ideia do que a garota estava falando. –Quer dizer, você parece estar amiguinha da prefeita agora, deve estar tramando alguma, não é? –Emma entendeu. Era isso que todos pensavam?
–E-Eu… -Emma não conseguia pensar em algo melhor para responder. “Não, na verdade, estou apaixonada pela prefeita e estamos dormindo juntas, só isso.” Seria um desastre. Ruby deu um gole em seu copo.
–Isso é ruim –Ela fez bico, devolvendo o copo da mesa e o deixando de lado.
–Você se acostuma. –Disse dando um longo gole.
–E não sei o que tem feito, mas Regina parece quieta demais! Planejando algo contra nós, obviamente… Henry acha que ela mudou e tal, mas é uma criança, não sabe muito das coisas. –Ruby não parava de falar. Emma tentava manter a calma, mas Regina não era um assunto fácil para Emma. Ela sentia que devia protege-la. –Mas cá entre nós, sabemos que alguém como Regina não pode mudar, vai sempre ser aquela mulher arrogante, cruel, sem amor-
–CHEGA! –Emma gritou. Ruby se assustou. Era demais para loira, como seria capaz de ouvir tais barbaridades sobre sua paixão? Não podia. A loira levantou da mesa, tirando uma nota de vinte da carteira e jogando sobre a mesa. –Obrigada pela bebida. –Emma só conseguiu dizer, antes de deixar a lanchonete. Emma conseguiu ouvir Ruby gritar perguntando qual era o seu problema hoje, mas ela não podia responder, e isso já a estava incomodando.
* * *
Regina assinava mais uma pilha de papéis, e já estava entediada. Aquilo era mais divertido, ser dona de uma cidade e poder mandar em todo mundo, mas por algum motivo não mais lhe parecia tão empolgante. Ela na verdade, estava ansiosa para ver Emma, era irritante admitir isso. Estava ansiosa para tocá-la novamente. Aquilo estava consumindo-a. Regina largou a caneta e levantou-se andando para a janela. Esperava vê-la, mesmo que fosse difícil pois já havia se passado hora de almoço. Ela procurou, e de repente viu os cabelos loiros e rebeldes de Emma voando ao vendo. Ela parecia irritada e andava de pressa. Regina tentava imaginar o motivo. De repente, Emma se virou olhando para o prédio da prefeitura, seus olhos procuravam a janela de Regina e então, seus olhares se encontravam. Regina balançou a cabeça, perguntando o que estava acontecendo, mas Emma sorriu em resposta, como se dissesse que não era nada. Regina lançou um sorriso provocador, e então saiu da janela. Ela queria olhar novamente, mas decidiu se advertir. Parecia uma adolescente quando Emma aparecia. Emma, no entanto, olhou novamente, mas Regina já havia saído. Ela suspirou frustrada, queria tanto entrar naquela prefeitura e beijar a mulher, mas infelizmente, não podia agir com tal imprudência. Afinal, não era mais uma adolescente inconsequente.
–Hey, Emma? –Mary Margaret esbarrou no ombro da loira. Emma a olhou assustada como se tivesse sido pega fazendo algo errado. –Está… tudo bem?
–Sim, claro. Por que não estaria? –Emma disse rapidamente. Seus pensamentos divididos entre pensar que era sua amiga e professora de Henry, Mary Margaret ou sua mãe, Snow White.
–Por nada. –Ela ergueu a sobrancelha desconfiada. Emma forçou um sorriso e seguiu em frente, para a delegacia. Mesmo não tento muito o que fazer lá, Storybrook não era uma cidade agitada como as cidades grandes, não havia muitos crimes à solucionar.
Mary Margaret continuou sua caminhada à prefeitura, ela havia faltado à escola afim de resolver o futuro problema entre Regina e Emma. Algo estava muito errado, ao ponto de vista de Snow. Ela havia passado a noite em claro pensando sobre o assunto, podia ver nos olhos da filha uma paixão bastante conhecida por ela e por seu marido, Charming. Era amor verdadeiro, mas Snow não conseguia acreditar que Regina sentia o mesmo. Ela a viu enganar seu pai, fingindo que o amava, e podia facilmente estar fazendo o mesmo com sua filha. E isso era algo que ela não podia permitir. A porta da prefeitura estava aberta, afinal, era um prédio público, não foi difícil chegar à sala da prefeita, já que não trabalhava mais ninguém lá, a não ser por Regina.
–Pode entrar. –Disse Regina, antes mesmo de Snow bater na porta. –Afinal, isso já virou uma desordem generalizada.
Snow White abriu a porta e entrou reunindo sua coragem, pois sabia que Regina reconquistou sua magia e poderia mata-la com facilidade. Mas quando se trava de sua filha, Snow não era a muito racional.
–Vim tratar de assuntos importantes, Regina. –Snow disse. Regina levantou os olhos, deixando de lado a papelada para prestar atenção nas próximas palavras. –Quero saber, suas… intenções… com Emma! –Snow hesitou ao dizer. Regina não pôde deixar de rir.
–Minhas “intenções” com a Srta. Swan? -Regina gargalhou. Quando ainda vivia em sua fazenda com seus pais, ouvia as queixas de meninas das redondezas sobre seus pais exigindo saber das intenções dos rapazes para com suas filhas. Era hilário, para Regina, ver Snow agir como mãe de uma mulher ao alto dos seus vinte e oito anos e caber à Regina o papel do rapaz cujo interesse está sobre julgamento. -O que espera que eu diga? –Regina adorava provoca-la. –Que eu tenho as mais corretas intenções e que vamos nos casar formar uma família! Como em um conto de fadas. –Regina ria.
Snow sentia sua pele quente de raiva, na maior parte do tempo, ela tentava entender Regina, mas não quando se trava de sua família.
–Minha cara Snow White, não estamos mais nesse mundo, dearing. –Regina provocava.
–Então só está se divertindo? Como fez com meu pai? –Snow levantou seu tom de voz. O sorriso de Regina desapareceu.
–Não ouse comparar. –Sua voz saiu séria e intimidadora. Regina foi, cruelmente, obrigada a se casar com pai de Snow White. Ela não suportava a ideia de, um dia, ter tido que dividir uma cama aquele homem.
–Não deixarei que brinque com os sentimentos de Emma. Eu estou tentando entender, Regina. –Snow cedeu, com sua voz doce.
–E quem lhe pediu para entender? Emma? –Regina hesitou por um momento, se fosse a pedido de Emma, ela não poderia magoá-la.
–Não. –Snow respondeu rapidamente.
–Então, não é da sua conta o que eu sinto ou deixo de sentir por Emma! –Regina estava se estressando. –Saia daqui, ou…
–Ou? –Snow se aproximou. –O que te impede de me machucar? Emma? –Snow insistia.
–Não. –Sim. Mas Regina não poderia admitir. –Eu prometi à Henry que…
–Desde quando honra suas promessas? –Snow iria provoca-la até ver verdade em seus olhos. Regina não gostava de ser provocada, muito menos por aquela mulher. Ela prometera a si mesma que não machucaria Snow, ou qualquer coisa que machucaria Emma, mas aquilo estava saindo do controle.
–Chega, não me importa se quer saber ou não. –Regina voltou a sua mesa, respirando fundo tentando se controlar. –O que sinto é da conta de Emma e ninguém mais. –Ela disse baixinho.
–Então, sente alguma coisa? –Snow White bateu as mãos na mesa, com um sorriso vitorioso. Regina lhe lançou um olhar fugitivo, como se tivesse sido pega. Por que disse aquilo? Regina no fundo sabia o que sentia? –Você fala muito o nome “Emma” ultimamente. –Ergueu a sobrancelha. Regina não sabia mais o que falar, precisava sair daquela situação, sem parecer culpada.
–Saia daqui. Mais tarde trataremos de assuntos que lhe interesse ou que seja da sua conta. –Regina advertiu-se a dizer. Snow não se mexeu, como se estudasse cada palavra e expressão de Regina. –SAIA DAQUI!
–Nós não acabamos, Regina. –Snow fitou Regina de pé a cabeça, com desconfiança.
–Receio que não, dearing. –Regina sorriu cínica. Finalmente a porta se fechou. Um peso pareceu sair de seus ombros, ela levantou e andou até a janela suspirando pesado. Só pensava em Emma, pensava se deveria contar isso a ela, talvez não devesse. Ela não saberia o que responder se a loira perguntasse o que Regina sentia. Era uma incógnita até para a própria prefeita. Mas isso não interessava, o que ela queria agora era proporcionar à mulher o melhor natal de sua vida, não significa que estivesse apaixonada por Emma, ou coisa parecida.
* * *
Henry ligava para Regina pela quinta vez, esperançoso de que ela fosse atender. Mas nada de ouvir a voz de sua mãe. O menino se deitou no sofá da sala, sem saber o que fazer, queria sair e brincar, mas não tinha muitos amigos. Apesar de que depois que a maldição foi quebrada, todos eram mais gentis e adoravam conversar com Henry, mas o menino nunca teve um amigo. Ele então pegou o telefone novamente, mas dessas vez, não ligou para Regina e sim para Emma, que ao contrário da prefeita sempre atendia suas ligações.
–Henry? –Emma perguntou confusa.
–Sim! Está ocupada? –Henry esperava que a resposta fosse não. Emma suspirou, cansada.
–Não, kid. –Respondeu. –O que quer fazer? –Emma perguntou animada. Henry pegou uma almofada e jogou no sofá ao lado, procurando se divertir.
–Estou com fome. –Inventou, entediado.
–Okay, já entendi. –Emma riu. –Passo aí em cinco minutos…
–Certo! –Henry pulou do sofá animado. Mas em vez de desligar, Henry continuou na linha esperando que Emma o fizesse. Mas ela também não o fez, parecia hesitante.
–Hm, kid? –Emma chamou. Henry murmurou algo, dizendo que ainda estava ali. –Sua mãe está em casa? –Ela demorou para perguntar. Um sorriso surgiu no rosto do menino.
–Nãaoo… -Respondeu sorrindo. –Por quê??
–Não, nada. –Emma respondeu rapidamente. –Estou indo aí. –Desligou.
Henry sentou-se novamente, ainda entediado. As vezes ele gostava de imaginar como seriam as coisas se tivesse sido criado por Emma. Ele apostava que seria mais divertido, porém, não estaria em Storybrook, não conheceria as pessoas incríveis que aqui vivem. E não conheceria Regina, que era sua mãe apesar de tudo. Era sua mãe e estava mudando por ele. Ele não teria uma família com duas mães que estão sempre lá para ampara-lo, mesmo que uma seja ocupada demais. Mas Henry estava feliz por vê-las juntas, e estaria ainda mais se elas anunciassem isso para a cidade, e não precisariam se esconder. Poderiam passear por aí juntos e quem sabe comprar um cachorro! Henry riu. Talvez fosse um futuro próximo, quem sabe?
Regina havia pedido a ele para fazer uma festa para Emma porque ela não era capaz de deixar seu orgulho de lado para deixar sua amada feliz pelas próprias mãos… Bem, no sentindo não-literal… Pelo menos, não dessa vez.
–Hey kid! –Emma bateu na porta. Henry se levantou e abriu a porta em um piscar de olhos. –Hey!
–Emma! –Henry disse abraçando-a.
–Vamos – Emma pôs a mão no ombro do menino. Henry correu na frente para o carro. A Xerife, verificando novamente a casa, fechou a porta e se direcionou ao fusca amarelo. Eles discutiram sobre onde comer, mas Emma não queria voltar no Granny’s por causa do ocorrido mais cedo. Ruby iria esquecer e voltariam a se falar, assim, Emma não teria de dar explicações sobre porque defendera Regina. A verdade é que ela estava cansada as pessoas dizendo que ela não prestava, será que só Emma enxergava além disso?
–Emma, por que não vamos no Granny’s como sempre? –Henry perguntou. Emma ligou o automóvel e acelerou. Ela demorou até achar um argumento para responder.
–Eu e Ruby discutimos, kid. –Emma suspirou cansada. –Mas tudo bem, podemos passar lá para comer. Não vamos demorar, se não sua mãe me mata. –Emma disse sorrindo. Henry olhou para ela erguendo a sobrancelha. –O quê?
–Ela não faria isso. –Henry ria. –Sentiria sua falta. –Por um momento Emma sorriu apaixonada, mas logo se advertiu a agir como a adulta naquele carro. Henry era estupidamente inteligente.
–Ah é? E porque acha isso? –Emma quis saber, caindo em seu jogo. Henry riu, ele havia planejado a festa surpresa de natal, que havia chamado de Operação Cobra. E como, para Emma, Operação Cobra antes tinha objetivo de quebrar a maldição, Emma não faria ideia do que ele estaria falando. Ele riu com o pensamento. –O que está planejando, garoto? –Emma riu, desconfiada.
–Não sei se está preparada, mas logo saberá. –Henry acrescentou. O restante do caminho permaneceu calado, apenas imaginando o dia em que eles iriam ao Granny’s almoçar em família: Henry, Emma e Regina.
Logo que Emma estacionou o carro no acostamento da lanchonete, Henry saiu do carro agitado. Ela desligou-o e então acompanhou Henry até o estabeleciemento. Ruby ainda estava lá, e ainda ressentida por Emma ter gritado com ela. O menino abraçou a garota e se sentou em uma mesa próxima. A xerife, ainda estava casada e se sentia pesada, ela se sentou junto a Henry um tanto abatida. Se sentia mal por mentir para os pais que acabara de encontrar, e sentia mal por estar triste em uma época que a felicidade é tão exigida de todas: Natal.
–Eu quero um cappuccino com canela. –Ele olhou para Emma. –Dois, por favor. –Ruby assentiu com um sorriso, para Henry enquanto Emma forçava parecer animada.
–Está tudo bem? –Ele perguntou.
–Claro. –Mentiu. –Bem, me conte como foi a escola hoje. –Emma puxou assunto. E Henry não hesitou em responder com os mínimos detalhes, de como todos estavam animados e de como tudo estava saindo como planejado, exceto por duas coisas, mas Emma ainda não podia saber o quê. Ela riu com a animação do garoto, não era boba, podia imaginar o que seria. Seus pedidos chegaram e então, começaram a tomar cautelosamente.
Alguns minutos depois, o celular de Emma começou a tocar. Era ela. O coração de Emma acelerou ao ler o nome na tela.
–Hey –Emma disse, esperançosa por ouvir a voz da prefeita. Henry puxou a mão de Emma, para chamar a atenção. “Quem é?” ele sussurrava.
–Olá. –Regina disse, transparecendo felicidade. –Eu liguei para casa e… Bem, Henry está com você, certo?
–Sim, ele está aqui. –Emma olhou para Henry com um sorriso no rosto. –Estamos no Granny’s, está tudo bem? –A loira olhou para o lado, Ruby estava na bancada olhando atentamente para ela no telefone. Ela engoliu seco. Tinha que fingir não se importar.
–Sim… Quer dizer, o dia está passando tão de vagar… -Regina sussurrou, com uma voz sexy. Emma não pôde deixar de rir. –E está muito calor. –Disse com uma voz risonha.
–Hm… É… -Emma sorria ao imaginar Regina naquele momento. Ela olhou para a bancada, Ruby não tirava os olhos dela. –Hm, quer dizer, tenho alguns papéis para a Prefeitura. –Emma inventou.
–Ah… Tem alguém aí? –Regina compreendeu. –Enfim, estou passando aí em cinco minutos para pegá-lo. –Regina suspirou entediada. -Até mais tarde, Srta Swan. –Sussurrou. E então, desligou. Emma cobriu o rosto com as mãos escondendo um sorriso. Não sabia quem estava mais ansiosa para ver a outra. De repente, a porta se abriu e todas as vozes que ecoavam no lugar se calaram. Emma se virou contendo um sorriso. Regina entrava chamando toda a atenção daqueles que almoçavam na lanchonete para si. A prefeita revirou os olhos por toda aquela atenção, só queria pegar seu filho e partir.
No entanto, Ruby analisava cada passo de Emma e Regina. Ela tinha suas suspeitas, mas guardava-as para si mesma. A garota não desgrudava os olhos das mulheres, se fosse o que ela pensava, teria que proteger sua única amiga na cidade.
–Srta. Swan. –Regina parou em frente à mesa de Emma.
–Sra. Prefeita. –Emma cumprimentou, sem olhar diretamente à Prefeita. Henry levantou, já sabendo onde aquilo terminaria. Regina apoiou as mãos na mesa.
–Vamos, Henry. –Regina chamou seriamente. A prefeita iria por seu plano, ou como Henry decidira chamar Operação Cobra em ação. E para isso, iria ter que deixar Emma longe, pois iria para a casa de seus pais. –Srta. Swan, deixei um serviço na delegacia, mas não esperava encontra-la já que seu horário de serviço virou diversão. –Regina mantia seu tom sério, e superior. Emma lançou um olhar confuso para a prefeita e então, riu. Poderia até acreditar que Regina falava sério com ela.
–Verificarei, Sra. Prefeita. –Emma lançou um olhar sexy para Regina, que se advertiu a não sorrir. Henry levantou e então, deixou o Granny’s com sua mãe. Regina tirou o seu Impala do acostamento e acelerou até seu infeliz destino: Casa de Snow White. Henry encostou a cabeça na janela, ele ainda não sabia onde estava indo.
–Vamos encontrar Archie? –Henry sibilou entediado. Henry gostava muito de Archie, mas tinha que admitir que suas sessões eram particularmente chatas e entediantes. Ele se sentia um maluco. A única coisa agradável das sessões era brincar com Pongo, o cachorro de Archie.
–Não, querido. –Regina respondeu sem tirar os olhos da estrada. –Vamos por em ação… Operação Cobra.–Ela sussurrou como se contasse um segredo, ela sabia que isso o deixava animado. E não poderia resultar de outra forma. Henry deu um pulo e olhou para a mãe.
–Sério? –Recorreu inquieto. –Estamos indo para casa de Mary Margaret, então! Eu tenho tudo planejado! Será no Granny’s!
–Granny’s? –Regina questionou. –Por que não fazemos lá em casa mesmo? –Sugeriu. Granny’s não era uma boa ideia para Regina, afinal todos na cidade a odiava inclusive Chapeuzinho Vermelho, ou Ruby, como todos a chamava. Mas Regina não via aquela garota de outra forma, a não ser como loba é claro. Regina riu com o pensamento.
–Mary Margaret nem Charming iriam, mãe. –Falou com uma ponta de tristeza. –E natal tem que ser com a família, não é? –Acrescentou. Regina hesitou. Família. Sua família agora era Henry, apenas seu filho. Pois sua mãe, Cora, residia agora em um mundo completamente de qualquer um que Regina já vivera, mas tinha ideia de como era o lugar. Seu pai havia se sacrificado para atender aos desejos da filha, e às suas ganancias também. Tudo isso era consequência de suas ações. E era tudo isso que provocava um vazio enorme em seu peito, que nunca poderia ser preenchido, mesmo que em certas ocasiões ela o sentia quase cicatrizado. Quando se sentia feliz. Mas Regina havia convivido muito pouco com o sentimento de felicidade, tal como não sabia como lidar com este.
–C-Claro. –Regina concordou percebendo que Henry esperava por uma resposta. –Vamos ver isso, querido. –Regina forçou seu sorriso de sempre. O resto do caminho, os dois permaneceram quietos, afinal, a prefeita recuperara sua relação com a criança não fazia um mês. O carro foi estacionado ao lado do apartamento dos Charming, cuidadosamente longe da vista da janela. Regina queria disfrutar da surpresa, não tão agradável, que faria para o casal. Se teria que fazer isso, pelo menos tornaria a visita mais interessante.
Henry saiu do carro e logo em seguida Regina o seguiu. O menino, cuja animação transbordava em sua face, se apressou para chamar os avós. Os dois subiram as escadas até parar no apartamento devido. O espaço era incrivelmente pequeno, mal cabia uma pessoa. Regina não sabia como Emma havia vivido naquele enquanto a maldição permanecia intacta. Mas depois do simples beijo de Emma e então, a maldição quebrada, a loira decidiu voltar a morar no hotel da Granny’s, já que Charming iria viver com Mary Margaret desde então.
Regina riu com o pensamento de ver a Srta. Swan acordando naquela cama apertada. Ela já tinha estado naquele apartamento uma vez, sabia como era antes mesmo de entrar. A prefeita suspirou mais uma vez antes de bater a porta.
–Emma? –Regina pôde ouvir a voz de Snow White por trás da porta. Regina não respondeu até a porta se abrir por completo. Snow pulou de susto ao ver Regina parada a sua porta com um sorriso sarcástico, mas que logo foi contido.
–R-Regina? –Snow sibilou, receosa. “Mais tarde trataremos de assuntos que lhe interesse” Ecoava na cabeça da mulher. Henry saltou para dentro do apartamento com um sorriso que ocupava todo seu rosto. –Oh, Henry. –Ela teve de acalmar seu coração. –Vamos, entre. –Concluiu. Regina observava cada canto daquele singelo e pequeno lugar. Apesar de ser pouco mobilhado, apenas com o necessário fazia a falta do mesmo demonstrar o lugar maior do que se lembrava. –Sentem-se. –Snow sugeriu. Regina o fez, sem emitir qualquer som.
–Querida, – A voz de James Charming ecoou pelo apartamento. — temos visita? –O homem saiu apareceu em meio a sala. Sua voz então, se dissipou no ar e sua expressão tranquila se transformou em confusa e excessivamente desfiado. –Regina. –Disse, despreocupado com a amargura em sua voz. –O que diabos faz aqui? –Ele perguntou à Snow White.
Snow lançou um olhar reprovador ao marido, que só então reparou na criança junto à ela. Charming e Snow mantinham um pacto desde que a maldição fora quebrada, eles tratariam Regina bem enquanto Henry estivesse presente. A situação da criança já era complicada na visão do casal, além de morar com uma mulher perigosa e cruel feito Regina deveria fazer o menino infeliz o bastante para ser eles quem deixasse o menino mais triste ainda.
–Vim lhes fazer uma proposta. –Regina finalmente disse. –Quer dizer, Henry quer. –Corrigiu rapidamente. Snow fitou a mulher sentada à sua sala, estudando-a. Snow, mais do que ninguém, conhecia Regina e suas expressões, no entanto, sua preocupação de mãe em proteger a filha era muito maior do que sua capacidade, no momento, de compreensão com quem um dia foi uma das pessoas mais importantes de sua infância: Regina.
Henry se juntou à Regina preparando Charming e Snow para seu plano. Os dois, hesitantes, o fizeram.
–Então, o que queremos é fazer uma festa de natal para Emma! –Henry foi direto ao ponto. Snow logo abriu um extenso sorriso, mas Charming continuou escutando sem tirar seus olhos desconfiados para a prefeita. Henry encarou suas faces espantadas. –Isso mesmo! Vai ser seu primeiro natal!
–Mas–Charming tentou falar.
–Isso é maravilhoso, querido. –Snow sobrepôs contra a voz do marido. –E como… –Ela corrigiu. –E como vocês pretendem fazer isso? –Olhou para Regina. A prefeita hesitou ao ver que a pergunta era direcionada a ela diretamente.
Regina olhou para Henry e viu que ele, também, esperava que ela respondesse. Claro, os dois¸ de fato, sabiam sobre algo entre ela e a Srta. Swan.
–Hm… Henry comentou sobre algo. –Decidiu acrescentar. –Fazer um jantar e uma comemoração festiva à data, por isso, eu vim acompanha-lo até aqui a fim de discutir –Ela revirou os olhos –Com sua família sobre. –Fez questão de frisar, para que não mais levantasse qualquer suspeitas.
–Claro, és uma ótima ideia! –Snow se apressou a comentar antes do marido, pois sabia que ele não aguentaria mais de vinte minutos com a presenta da prefeita sem ataca-la verbalmente. –Podemos fazer aqui mesmo. –Regina reprimiu uma risada.
–Oh desculpem-me, mas não receio que seja a melhor opção, Srta. Blanchard. –Disse a prefeita cautelosa. –Creio que minha casa seja mais apropriado para a situação, pela… dimensão. –Sobrepôs. Charming ergueu a sobrancelha, sentindo-se ofendido.
–Henry, querido, vamos à cozinha comer alguma coisa. O que acha? –Snow White chamou. Henry assentiu, sabendo das habilidades da mulher na cozinha, e levantou rapidamente para acompanha-la. Sendo assim, deixando a prefeita e o Príncipe, perigosamente, sós.
Charming jogou suas costas para trás, com um sorriso sarcástico. Para ele, Regina era uma mulher cruel e nunca se arrependeria de tudo o que fez para ele e sua família, nunca fala a verdade em um só minuto em sua vida, não seria agora que ela se tornaria boa e gentil querendo ajuda-lo a proporcionar o melhor natal da vida de sua filha.
–Então… Agora está preocupada com o natal de nossa filha, hã? –Charming fitou Regina com um sorriso sarcástico. A prefeita respirou fundo, tentando manter sua paciência.
–Felizmente, vim para acompanhar meu filho, é o que cabe à minha posição como mãe. –Regina respondeu. –Aliás, você sabe onde sua filha está?-A prefeita não pôde deixar de rir. O sorriso no rosto do Príncipe se dissipou.
–Querido, o que acha de dormir aqui? –Regina ouvir Snow falar. Henry assentiu com a boca cheia de cookies, o menino logo olhou para a mãe pedinte. Regina balançou a cabeça, dizendo que sim, não faria mal fazer um feito ao seu filho vez ou outra.
–De qualquer jeito, não acho uma boa ideia. –Charming levantou de sua poltrona. –Emma não se sentiria a vontade, muito menos nossos amigos.
–Acredite, receber seus amigos me é igualmente não agradável. –Regina levantou-se. –No entanto, tenho um melhor espaço para oferecer do que… -Ela olhou a sua volta um tanto enojada. –Esse lugar.
–Ora, e por qual motivo receberia, de fato? –Charming disse aumentando seu tom. –Não me diga que é por Henry –Ele sussurrou, cuidadosamente. O príncipe não acreditava em qualquer sentimento, a não ser por si própria, que a não mais Rainha poderia sentir.
–Meu propósito aqui foi cumprido. –Ela disse dando o assunto por encerrado, não queria começar uma briga com o homem logo naquela semana onde pretendia fazer algo certo. Mas Charming não estava satisfeito, ansiava por respostar. Respostas essa que só a prefeita poderia proporcionar. Regina despediu-se de seu filho e saiu do apartamento, mas Charming indignado foi atrás da prefeita.
De noite, quase era, a escuridão já tomava o céu, que era iluminado apenas por humildes pontos luminosos. Já passava da hora de Regina estar em casa, Emma poderia chegar a qualquer momento. E ela sabia que a Xerife não era burra, tão pouco sonsa para não entender o que estava acontecendo.
Não era a festa que Regina temia que Emma descobrisse, ou que tivesse estado na casa dos Charming. Não, não era disso que ela temia, ela temia que Emma descobrisse sobre a origem da ideia e quem havia planejado. Afinal, Regina só desejava que Emma tivesse um feriado feliz e somente. Não queria que ela soubesse disso, ou que outros tivessem acesso a essa informação. Seria expor Regina ao ridículo e dar a ela uma imagem frágil.
–Regina, espere! –Charming segurou seu braço. A prefeita se virou irritada, seus olhos transbordavam ódio. –Me diga o que realmente quer com isso? –Ele falava alto.
–Henry quer! –Regina respondeu, empurrando o homem para longe. –E não se atreva a tocar em mim novamente! –Gritou.
–Você não é mãe! Não poderia nunca se sentir como uma e nunca poderá ter um final feliz é cruel demais e fria demais para tal! Já não basta o que fez conosco? Quando vai ser sincera consigo mesma, majestade! O que quer conosco? Ou melhor, por que tanto interesse em Emma? Até parece que está… -Ele se interrompeu, arregalando os olhos. Regina engoliu seco, imaginando o que ele estaria pensando.
–Esse tempo realmente não fez bem a você, está ficando louco! Com licença. –Ela conseguiu dizer contendo as lágrimas. Regina virou as costas e saiu, praticamente, correndo dali. Precisava sair dali. Ela estava assustada, não queria que ninguém tivesse conclusões precipitadas em relação as duas; Ela e Emma. Afinal, nem a própria Regina sabia o que estava acontecendo entre as mulheres. Regina caminhava seu carro, havia estacionado mais longe do que se lembrava. Ela tinha mudado, realmente, queria ficar com seu filho e ter um felizes para sempre como todo mundo, mas de um certo modo, tinha medo desse final feliz ser com a pessoa que deveria odiar. Ela se sentia péssima, estava tudo errado.
Já na delegacia, Xerife Swan já havia encerrado os trabalhos e fechado o mesmo. Seu carro resolveu deixar por lá e assim, ir andando até a casa de seus pais. O céu estava tão lindo.
Emma mantinha os olhos vidrado no céu, mas uma silhueta conhecida a chamou a atenção. Regina. Seu coração bateu mais rápido, um longo sorriso brotou em seus lábios. Mas Regina não a vira, seu rosto vidrado no chão enxergava apenas seu caminho e nada mais.
–Regina! –Emma chamou admirada. No entanto, Regina não respondeu, nem sequer notara sua presença. –Regina!! –Chamou com mais força. Seu ombro bateu contra o de Emma tão forte que a fez cambalear. –Regina… -Sussurrou. Mas a morena começou a correr até seu carro entrar. Seu rosto parecia triste e choroso. Algo havia acontecido.
Emma subiu as escadas com pressa, e entrou no apartamento. Snow estava sentada ao lado de Charming e ela parecia tentar confortá-lo.
–Algo aconteceu? –Emma perguntou preocupada. –Eu esbarrei em Regina e… -Ela se interrompeu. –Está tudo bem?
–Sim, bem, está tudo bem. –Snow disse, mesmo que Emma não acreditasse. –Henry está aqui, dormindo. –Ela mudou de assunto rapidamente. Emma então, foi apressada até o quarto ver seu filho. Ótima desculpa para distrair Henry.
* * *
A fada Azul ajeitava os últimos detalhes no vestido de Snow White, que é claro, era celestialmente branco. Snow havia planejado a festa para sua tão preciosa filha, seria um baile como era em sua Terra Encantada. Faria os vestidos mais belos e para si e sua filha, por isso, Fada Azul a ajudava, pois tinha as melhores habilidades com preciosidades de sua Terra.
Charming, ainda incomodado com a ideia de a festa ser na casa de sua maior inimiga no mundo… Em todos eles. Mas concordava que essa comemoração deveria ser a melhor da vida de sua filha. Então, anunciou aos amigos convidados sobre a festa, suas condições de uma devida festa surpresa e das vestes apropriadas. Todos adoraram a ideia e concordaram com suas condições, só o que faltava era compartilhar essas informações com a dona do lugar onde seria feita o grande baile. Mas Charming se recusava a se aproximar daquela mulher novamente.
–Querido, precisamos avisá-la, afinal, iremos desfrutar sua casa para o grande baile. Por favor, querido, você sabe que eu for… Será muito pior. –Ela disse, com tristeza. Charming teve de concordar, seria muito pior e lá se sabe o que Regina poderia fazer com a aparição inesperada de Snow. Mas infelizmente, depois do que ele havia gritado à Regina ir a sua casa não era exatamente seguro. No entanto, entre Snow e Charming, o príncipe preferia correr o risco.
Então, lá estava James Charming servindo de mensageiro enquanto sua esposa preparava o baile de natal para sua filha. O homem caminhava até a casa da prefeita com sinceras esperanças de que ela não estivesse em casa. Mas infelizmente, ela estava. Ele tocou um ou duas vezes a campainha até ouvir passos até a porta.
–Posso ajudar? –Regina disse amargamente ao abrir a porta e se deparar com o Príncipe.
–Na verdade, venho lhe informar sobre… Os preparativos. –Ele disse. A prefeita logo se interessou, queria saber como andavam as coisas. Mesmo que ela nem fosse, de fato, participar. Regina o convidou para entrar para que concluísse o que veio fazer.
–Bem, -Charming suspirou ao sentar no sofá à sala de visitas da mansão da prefeita. O homem contou como as coisas haviam sido planejadas. Sobre os vestidos, sobre o baile e a prefeita ouviu cuidadosamente todas as palavras, afinal, cabia a ela preparar sua casa para recebê-los. Quando Charming finalmente terminou ela não pôde deixar de rir.
–Desculpe-me, mas você espera que a Srta. Swan use esses trajes? Emma? Vocês realmente conhecem sua filha? –Regina duvidou por um momento, com um sorriso no rosto. Não por estar zombando, mais uma vez, de James e sim por imaginar como Emma ficaria em um daqueles vestidos… Ou qualquer vestido. Ela estava, particularmente, curiosa para vê-la daquele jeito.
–Bem, você não deve se preocupar com isso. –Ele concluiu se levantando. –Vim apenas para informa-la e nada mais.
–Certo. –Deu de ombros. –E quando será?
–Dia 24. –Respondeu seco.
–Estará tudo pronto até lá. –Regina abriu a porta, como boa anfitriã que era, e Charming foi-se. Pronto, agora seria com ela. Os enfeites, lógico que usaria mágica, não daria tempo de qualquer outra forma. Já era dia vinte e ela precisava começar logo. Poderia usar magia para preparar as comidas, porém, a prefeita sentia prazer em cozinha, fazia sentir-se bem. Um sorriso brotou em seu rosto imaginando Emma chegar por aquela porta com um belo vestido e se deparar com a surpresa. Regina imaginava como Emma reagiria a tal demonstração de afeto, dos pais, é claro. Afinal, Regina não sentia nada por Emma. Era ridículo pensar.
* * *
O grande baile começaria em algumas horas, foi difícil manter Emma longe da mansão da prefeita por Emma ter ligado mais de uma vez para saber como ela estava, mas era preciso para a surpresa. A mansão de Regina estava tão brilhante quanto seu palácio, a única diferente era que seu castelo era negro como a escuridão, e sua casa parecia ter sido iluminada dela. Combinava com sua nova vida, em Storybrook, com Henry e Emma. Emma? Regina pensou, estava considerando Emma parte de sua vida? Era tolice.
Cortinas haviam sido mudadas e mesas afastadas para que os convidados pudessem dançar. A comida, grande parte já havia sido feita. Regina estava realmente animada para isso. Havia preparado uma aparelhagem de som, com músicas clássicas que lembravam sua Terra. As lembranças daquele lindo lugar trazia a ela lembranças boas suas com seu pai e com seu antigo amor. Agora, pensar em Daniel não era tão doloroso quanto era antes. O vazio em seu peito parecia cicatrizar com toda aquela festa e toda sua motivação fazia seu coração se aquecer novamente.
Ela sacudiu a cabeça espantando seus pensamentos, agora que tudo estava pronto trataria de se arrumar e receber seus convidados, quer dizer, os de Emma. A prefeita pegou seu telefone e discou o número da casa dos Charming, não demorou até que eles a atendessem.
–Regina? –Snow atendeu.
–Está feito. –Afirmou, contendo sua animação. –Peça Henry que venha para casa se arrumar. –Ela ordenou. Snow assentiu, sabendo que Regina poderia ver.
–Ele o fará. –Snow sibilou. Já estava pronta para desligar quando Regina disse:
–Boa sorte em colocar Emma em um vestido. –Sua voz saiu mais agradável que gostaria e então logo desligou. Ela havia dito o nome de Emma, isso era um erro, às vezes, crucial. Um sorriso esperançoso brotou no rosto de Snow, ver Regina de um modo diferente, parecido com a mulher que conhecera anos atrás, antes de se casar com seu pai. Uma mulher boa, gentil e apaixonada. E Snow sabia que das três a última opção era compatível com a realidade.
* * *
Henry já havia partido e Charming e Snow estavam armando um novo plano para fazer Emma se vestir apropriadamente para seu baile sem que ela mesma descubra. Difícil, mas não impossível. Charming vestia um terno com detalhes que só Fada Azul saberia fazer e Snow White, usava um vestido bege com rendas preta, na cintura ele fazia um volume até abaixo de seus joelhos. Em seus pés, um sapato alto prata. Ela parecia uma versão moderna da Rainha Snow White de tempos atrás. Ela sorriu. Charming se virou para a esposa contemplando sua beleza.
–Você está linda! –Disse o Príncipe, segurando o rosto fino da mulher e selando um beijo apaixonado em seus lábios.
–Atrapalho? –A voz de Emma ecoou fazendo os dois se afastarem no mesmo instante, parecia até que faziam algo de errado. Snow riu. –Vocês estão vestidos assim… Por quê? –Emma perguntou fitando-os de cima para baixo. Charming entrou em pânico, não era bom em mentir.
–Querida, Fada Azul nos presenteou com esses trajes! –Snow logo arrumou alguma coisa. –E ela fez algo para você também! –Snow caminhou até Emma e a levou para o quarto onde pudesse mostrar sua roupa. Charming então, pegou seu celular e digitou uma mensagem. “Emma está aqui, nos ajude à leva-la até aí!” Charming procurou na lista de contados o nome da prefeita, mas então, parou. Por que pediria ajuda a prefeita? Não, claro que não. Ele apagou imediatamente e digitou o numero de Ruby ela sim iria ajuda-los, e Charming podia confiar nela.
* * *
Henry havia se tornado anfitrião da festa, música estava tocando e a casa estava mais iluminada e bonita do que todos os anos. Parecia ter sido feito com prazer e carinho. No jardim varias faixas mostravam o caminho até a porta. Na sala de jantar a mesa estava posta e havia sido decorada com laços vermelhos e verdes e um pinheiro montado enfeitava o canto da mesma. Os convidados já estavam chegando e Ruby já estava lá. Na parte superior da casa, estava Regina apenas observando os convidados chegarem, ela estava pronta e queria ser cuidadosa com essa festa, não seria ela a estragar, por tanto, decidiu comparecer só quando necessário. Se Henry realmente precisasse de alguma coisa ela estaria ali observando. Esperando a sua hora de ser aceita e convidada. Era engraçado, sendo que ela estava em sua própria casa.
O celular de Ruby apitou avisando-lhe que chegara uma nova mensagem.
–É Charming! –Ela disse alto o bastante para Regina ouvir. A prefeita se aproximou da escada. –Eles estão com dificuldades de trazer Emma até aqui. –Regina censurou uma gargalhada imaginando os Charming tentando colocar o vestido em Emma. Ela disse que seria praticamente impossível, mas Snow White sempre tem uma solução para tudo, é claro.
–Tenho uma ideia! –Henry disse para a garota. O menino chegou perto de seu ouvido e sussurrou algo que Regina não foi capaz de escutar. Queria ver onde isso iria dar.
* * *
–Não posso provar isso outra hora? –Emma se jogou na cama. –Estou cansada. –Snow pegou o vestido e, novamente, entregou à filha.
–Não, não vai levar nem cinco minutos, vamos, deixe de preguiça! –Snow segurou a mão de Emma para que ela pudesse levantar. Ela bufou e pegou o vestido, caminhando até o banheiro, parecia uma adolescente. Quando a porta do banheiro se fechou, Charming puxou Snow para o canto.
–Pedi ajuda à Ruby e ela respondeu! –Charming sussurrou animado, como se estivesse em um filme de ação. –Ela disse que tinha um plano e que só precisava saber a hora certa de agir! –Suas palavras pareciam ser tiradas de Hollywood. Snow assentiu, rindo.
–Pronto, pronto! –Emma saiu do banheiro. O vestido lhe caíra perfeitamente, literalmente, havia sido feito somente para ela. Era um vestido vermelho, como sua jaqueta, até um pouco acima dos joelhos. Na cintura, uma fita preta presa em um lado nas costas. E como um tradicional vestido de contos de fadas o volume na cintura levava a atenção ao bordado do vestido com renda preta.
–Céus –Snow conseguiu dizer.
–Ficou ruim? –Emma olhava para o vestido com dificuldade de enxerga-lo por inteiro, só sabia que parecia uma tonta e que queria tirá-lo o quanto antes. Não sabia o que estava acontecendo ali, mas sua cabeça estava ocupada com outras coisas. Fazia uma semana que não via ou falava com Regina desde que a vira saindo chorando da casa de Snow White, e parte dela sentia-se com raiva por não saber o que ou quem havia mexido com ela, seu instinto protetor a deixava cega quando se trava de Regina, ela não conseguia entender o porquê.
–Emma, não consigo ver, venha aqui. –Snow murmurou observando-a. Ela pediu que Emma a deixasse maquiá-la, e após resistir bravamente, Emma cedeu. Deveria ser algum daqueles estranhos desejos de pais, como levar seu filho ao primeiro encontro e afins. Então Emma fez, de qualquer jeito ela iria tomar um banho e tudo sairia em um piscar de olhos. Depois de quase uma hora, Mary Margaret parecia satisfeita e Emma já estava cansada disso.
–Okay, chega, não é? –Emma bagunçou o cabelo enquanto se afastava de Emma. Então, ela viu seu reflexo no espelho; Parecia outra pessoa, parecia… Uma princesa. Em seus olhos uma sombra não tão escura, e com o delineador puxado no canto do olho. Mas o que mais chamava atenção era sua boca, com um vermelho que caia estranhamente bem com seu tom de pele. ”Essa não sou eu” Emma pensou.
–Está linda, querida! –Charming entrou no quarto admirando a beleza de sua filha. Ela se sentia mal com aquilo, toda aquela atenção. Ela não era aquilo que eles desejavam e pensavam que ela fosse. Sentia que estava os enganando.
–Eu vou tirar isso. –Emma virou-se em direção ao banheiro, mas antes que pudesse ter a chance seu aparelho policial que apitava sem que ligassem para a polícia soou perante o quarto. –Merda, era só o que faltava. –Emma sibilou pegando o aparelho, era como um celular estranhamente moderno, ela mal sabia usá-lo.
–Emma! Emma! –Ela conseguiu ligar no alto-falante. Era a voz da Ruby.
–Ruby? O que está acontecendo? –Emma ouvia um barulho externo, mas não conseguia distingui-lo.
–Emma, venha para cá o mais rápido! Na casa da prefeita! –Ruby disse, como se isso fosse significar algo para Emma, mas ela não entendeu absolutamente nada. Então a ligação caiu. Emma precisava cumprir seu papel como xerife, mas não vestida desse jeito.
–Vou tirar isso! –Emma correu, mas Snow a segurou pelo braço.
–Não há tempo, vamos logo! Pode ser importante! –Emma sabia que infelizmente ela tinha razão. Ela, depois de muito reclamar, entrou no carro com os pais até a casa da prefeita. Será que Regina havia feito algo? Não, ela não seria capaz em plena noite de natal. O carro estacionou tão rápido quanto a vontade de Emma de ir embora dali. Sentia vergonha de si mesma. Tudo estava vazio e até um pouco sombrio, Charming e Snow não havia tido nada em todo o caminho, algo estava errado.
–Está tudo bem, vamos voltar –Ela virou-se e viu os pais a encarando feio. –Acham que eu vou entrar ali? No way! –Emma resmungou.
–Vamos Emma, quando mais rápido for, mas rápido voltamos. –Disse Charming, tentando encorajá-la.
–E se Regina estiver ali? Vai rir de mim! –Ela se viu falar então, corou ao perceber o que tinha dito. Snow sorriu.
–Acredite, ninguém vai rir de você, querida.
* * *
Regina decidiu descer, de tanto pensar finalmente se convenceu de que era um absurdo estar ocorrendo uma festa em sua casa e não saber o que se passa na mesma. Ela desceu chamando toda a atenção que podia ou não receber. Todos a olhavam enquanto ela descia tomando cuidado com as pontas de seu longo vestido azul. Ruby a fitava pensativa, ela riu “Feche a boca se não entra mosca, querida” Regina queria dizer. Mas decidiu ignorar tal surpresa, afinal todos estavam quase tão elegantes quanto a prefeita. Até a garçonete usava agora um vestido vermelho sangue que muito realçava seu corpo, que Regina tinha que admitir ser belo. Mas não se ocupou em observá-lo muito, afinal, sua mente estava ocupada com outro corpo de uma bela e loira dama. Henry logo correu até a mãe para avisá-las últimas notícias: Emma já estava nos arredores, Charming havia lhes mandado uma mensagem. Regina não pôde deixar de sorrir, aquilo estava mesmo acontecendo? A prefeita resolveu esperar em bebendo um gole de drink, que ficava em um canto distante da porta, deixaria tudo se acalmar para depois ver Emma. Seria cautelosa dessa vez, havia muitas pessoas para imaginar inúmeros boatos que não demorariam a se espalhar.
Henry e Ruby apagaram as luzes e pediram a todos que fizessem silêncio, Regina censurava uma gargalhada com a situação era realmente engraçado ver aquilo acontecendo e tudo por causa dela. Henry estava feliz e, incrivelmente, todos da festa; Ruby, Archie, os anões, a Granny, Fada Azul e afins. De repente a porta se abriu e todos pularam com uma só voz “SURPRESA” que fez até Regina pular de susto. Ela espiou a sala mas não pode ver os convidados chegarem por completo.
Emma estava completamente corada, ela olhou para trás, Charming e Snow a olhavam orgulhosa. “Festa surpresa?” ela pensou, “Quantos anos acham que eu tenho?” Emma riu. Henry correu para lhe abraçar.
–Feliz natal! –Ele sussurrou em seu ouvido. Ela o abraçou forte, pedindo a si mesma que não ficasse emocionada com tal demonstração de afeto. Agora ela entendia tudo, por isso que Regina não falava com ela fazia uma semana, sua casa estava sendo usada para tal festa. “Henry é realmente engenhoso, fazendo tudo isso sozinho sem me contar!” Ela pensava. Ruby a abraçou logo em seguida desejando que fosse feliz e as mesmas coisas do natal. Emma olhava de um lado para o outro, já havia falado com quase todo mundo, mas procurava uma pessoa em especial. Onde diabos ela estaria? Será que estaria irritada por ter que se preocupar com isso?
Regina já sentia o movimento mais calmo, ouvir a voz de Emma, mas não conseguir vê-la estava deixando-a nervosa. Decidiu sair, bebeu seu ultimo gole de vinho e saiu. Quando se deparou com Emma parou imediatamente. Regina a olhou de baixo para cima, contemplando cada centímetro de seu corpo. Seus lindos sapatos, passando por suas coxas escondidas pelo belíssimo vestido que dava a ela um ar inocente, puro e ao mesmo tempo sexy. As curvas da cintura bem definidas pelo vestido e finalmente seus seios. Oh, céus, seu busto parecia muito maior naquele vestido. Realmente valorizava seu corpo. Seu cabelo ligeiramente bagunçado fazia com que os cachos de Emma caíssem sobre os ombros, seus rosto era marcado com um delineador puxado que fazia sua feição tão penetrante que hipnotizou Regina por um momento naqueles olhos verde-esmeralda. Todos se calaram.
Emma via o jeito que Regina a olhara e não podia reagir diferente, Regina desfrutava de um vestido longo azul liso que mostrava, em uma suave abertura, parte de sua perna. O decote, atrevidamente grande mostrava pequena parte de seus fartos seios, Emma fazia o máximo para não prestar tanta atenção neles. E então seu belíssimo rosto, com maquiagem simples apenas um lábios nos olhos e um batom cor de boca fazia seus olhos se destacarem e seus cabelos em grandes cachos negros. Quando os olhares das duas se encontraram, elas rapidamente desviaram o olhar. O silencio permanecia, a maioria pensava que elas fossem se atacar ali mesmo. Mas Ruby e Snow sabiam do que se tratavam aqueles olhares, já haviam vivido muito para entende-los. Quando Emma voltou a olhar para os convidados, decidiu que era hora e falar algo.
–Obrigada –Ela falou para que todos ouvissem. –Estou muito envergonhada agora. –Ela riu corada. Ruby olhou, rapidamente, para Regina, ela continuava ali parada. Ela então, puxou Emma.
–Vamos que a música nos espera! –Ruby puxava Emma. Henry segurou sua mão tentando lhe falar algo. De repente a realidade caiu sobre a prefeita assim que Ruby passou por ela. –Feche a boca se não entra mosca, querida. –Ruby sussurrou para Regina. A prefeita arregalou os olhos, envergonhada. Eles notaram? Ela se perguntava. Por que ficara de tal jeito? Ruby riu e continuou a arrastar Emma até a sala em que a musica soava mais alto. Regina correu até a mesa de drinks e se sentou na poltrona mais próxima. “O que esta acontecendo comigo?” Disse assustada “Não consigo controlar a mim mesma! O que diabos é isso?”
* * *
Emma já estava cansada de dançar aquelas musicas chatas. Quem escolhera aquilo? Regina é claro, era bem de seu gosto. Todos os olhares se voltavam para ela, nada daquilo lhe pertencia e aquele não era o natal que ela tanto ouvia falar. Não, estava sendo completamente diferente do que ela realmente queria. Natal era para se passar com aqueles que ama, e certamente gostava muito dos convidados, mas ela queria passar a noite com seu filho e, ela não odiava ter de admitir, Regina. E agora, ela não fazia ideia de onde a mulher estava.
–Podemos mudar essa música? –Emma perguntou a Ruby, cautelosamente. Ruby riu.
–Claro! Vamos fazer isso agora. –A garota balançou a cabeça e sumiu dentre as pessoas que dançavam na sala. Tinham convidado a cidade inteira? De repente, a musica mudou para uma completamente mais animada e do gosto de Emma. E então, Ruby reapareceu.
–Gostou? –Ela falava alto, para que Emma ouvisse. A loira assentiu. Elas dançaram mais um pouco até Emma decidir sair, dessa vez sem Ruby. Precisou de algum tempo até despistá-la. Ela caminhou de volta para onde tinha chegado e visto Regina pela primeira vez. Ela lembrava que da primeira vez realmente entrou na casa Regina, ela tomava um drink em uma pequena mesa que era quase escondida pela escada. Emma riu, era óbvio que Regina estaria lá. E não tinha erro, lá estava a mulher sentada à uma poltrona ao lado da mesa, segurando um copo de bebida com um mão e com a outra fazia movimentos circulares em sua cabeça, como se tentasse afastar uma dor.
–Regina? –Emma sussurrou, aproximando-se da mulher. Regina se assustou. –Hey, calma. Está tudo bem? –Ela se sentou a uma poltrona em frente a mulher.
–Não faça isso de novo, me assustar. –Esclareceu. Emma riu, sim, estava tudo bem. –Eu acho melhor… -Regina tentou levantar, mas sentindo-se tonta cambaleou para um dos lados. Emma, rapidamente, levantou e segurou os braços da mulher que a segurara pelos ombros.
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–Não seja burra, Srta. Swan. –Ela empurrou Emma, pondo-se em pé novamente. –Só… estou um pouco tonta. –Emma riu. Segurando a mão da prefeita, começou a dar passos e Regina, subitamente a segui-los.
–Vem vamos comer alguma coisa, Regina. –Emma sorria bobamente ao ver Regina lhe lançar um olhar como se a xingasse. Mas se Regina caísse bêbada ali seria pior. Emma gargalhou com o pensamento.
–Não ria de mim, Srta. Swan! –Regina exigiu, mas não adiantava, só fazia Emma rir mais.
* * *
Emma conseguira finalmente fazer Regina comer algo e tão logo se sentir melhor. A prefeita se sentia envergonhada por estar daquele jeito com a loira, mas de algum modo, não se sentia fraca. Provavelmente, efeito colateral da bebida. Mas Emma não podia mais ficar com Regina, teria de voltar para a festa antes que sentissem sua falta.
–Regina… -Emma se agachou até chegar à altura da prefeita sentada na cadeira à mesa da sala de jantar. Não havia ninguém lá, somente as duas. Todos os convidados dançavam, divertindo-se, na sala principal. –Tenho que voltar. –Emma segurou a mão da prefeita, que logo a retirou.
–Vá, por favor. Já devem estar sentindo sua falta, Henry principalmente. –Ela falou com um tom de amargura. Emma sorriu fraca, sabia que a prefeita se sentia abandonada pelo filho.
–Não demoro, quando será servido o jantar? –Emma perguntou, reparando a mesa posta. Regina pôs a mão na cabeça, sentindo uma irradiante dor.
–Daqui a meia hora. –Ela chutou, não sabia que horas eram. Emma assentiu e se levantou.
–Não demoro. –Ela repetiu e aproximou seu rosto do de Regina, mas a prefeita virou a cabeça impedindo Emma de beijar seus lábios. O coração de Emma martelou em seu peito. A loira então, selou um beijo singelo em sua testa e virou-se encarando a porta voltando a sala principal. Regina sentia-se arrepiada. Estava resistindo a Emma por não saber o que estava fazendo. Não podia se amor. Tolice. Mas ver a loira sair de perto dela era mais doloroso que se lembrava, deixando para trás o vazio não cicatrizado de Regina.
A prefeita sentia a dor de cabeça aumentar cada vez mais, o que ela queria era beber mais um pouco até cair na cama, afinal, ninguém sentiria sua falta. Mas, infelizmente, ela se sentia no dever de continuar ali, especialmente para ver Emma. Aquela sensação estava consumindo-a vagarosamente. Era enlouquecedor. Então, ela decidiu levantar sentindo-se atraída pelo desejo de ver a Xerife dançar com aquele vestido feminino demais para a mulher. Regina riu com o pensamento. Caminhou até a porta, e só então percebeu que sua música clássica havia sido trocada por uma mais animada com batidas frenéticas.
–Que diabos que música é essa? –Ela pensou alto. De repente, ela sentiu uma presença ao seu lado, e pulou de susto.
–É de uma cantora dessa terra… Tem um nome curioso, admito. “Ri.. Rihanna” Eu acho. –Archie parecia tentar se lembrar do nome. Regina vez uma cara reprovadora.
–Essa terra é realmente bela, mas seu bom gosto musical é… duvidoso. –Ela comentou. Archie riu.
Regina estreitou os olhos, ela viu a silhueta de Emma de longe. Ela dançava com a garçonete, Regina serrou o punho. Por que a garota-lobo ficava tão próxima à Emma? Seus movimentos eram diferentes do resto, claro, vivia nesse mundo desde que nascera. Era uma música peculiar com movimentos peculiares. A prefeita riu, Emma estava se divertindo, afinal. Tinha valido a pena. Então o olhar de Emma se encontrou com o da prefeita. Emma viu que Regina sorria para ela. A loira fez um movimento de mãos chamando a prefeita. “Ela bebeu?” pensou Regina. Se ela fosse, todos notariam. Mas… E se notassem? Que diferença faria para a prefeita?
Ela resolver ir enfim, não haveria mal se divertir um pouco. Ainda tonta andou até Emma, sem se importar as pessoas em volta, na metade do caminho Regina nem notava pessoas ao seu redor. Emma sorriu ao vê-la para a sua frente, vendo a prefeita perdida naquela música completamente diferente daquela que ela estava acostumada. A Xerife resolveu aproveitar a noite, era natal! Deveria passar com quem amava. Ela segurou a mão de Regina e as balançou, tentando fazer com que a mulher dançasse.
–O que está tentando fazer? –Regina perguntou alto, para que Emma escutasse. A música e as vozes dos convidados se misturavam.
–Dançar, Sra. Prefeita! –Emma chegou mais perto dela. Regina hesitou por um momento, mas após reparar que ninguém as prestava atenção, relaxou. –Já ouviu falar em diversão?
–Bem, não com essa dança estranha. –Regina riu. De repente, a música parou e um sorriso vitorioso apareceu no rosto. –Não fui eu. –Ela disse, sem mudar o seu sorriso. Emma riu. Regina olhou para a mesa de som, e lá estava a garçonete olhando diretamente para a prefeita com um sorriso no rosto. “Ela seria meu cupido agora?” A prefeita pensou. A música parou e logo foi substituída por uma mais lenta quase entediante para Emma, mas então ela viu o rosto de Regina. Seus olhos se fecharam como se estivesse se deliciando com o som da música ao chegar em seus ouvidos.
–Isso é muito melhor do que antes. –Regina disse. Todos então pararam e se dividiram em pares. A música era lenta com ritmo firmemente marcado. A voz era feminina e grave quase como um sussurro. “Bonita” Regina pensou. Os convidados pareciam menos agora que estavam juntos. Emma se aproximou de Regina, convidando-a a dançar. Regina corou.
Mas Emma insistiu, tocou a mão da prefeita e juntou seus corpos. O coração de Regina começou a martelar enquanto Emma sorria tranquilamente. A mão da loira tocou a cintura da prefeita, que sem saber como se colocar apoiou suas mãos do pescoço da loira, ela estava envergonhada. Seus passos eram vagarosamente colocados um para frente e um para trás.
“I will love you untill the and of time
I would wait a million years”
A música suave capturava Regina, que dançava lentamente com a mulher. Emma admirava sua parceira, seus olhos fechados disfrutava de cada minuto daquela música. Então ela abriu os olhos lentamente, suas bochechas rosadas pareciam mais vermelhas quando Regina percebeu que Emma não tirava seu olhar maravilhado da mulher. Ela virou o rosto procurando olhar para outro canto.
–Quem canta? –Regina perguntou, afim de tentar diminuir a tensão que caía sobre elas. Emma fitou-a, como se não quisesse falar sobre aquilo e sim sobre sua atraente aparência naquela noite.
–Lana Del Rey –Emma respondeu, sem dar importância. Regina, finalmente a olhou nos olhos. Mas sua mente parecia longe. –O que foi?
–“Lana” bonito nome. –Regina disse com um sorriso no rosto. Emma riu. Então, seus olhares se encontraram novamente. –Pare de me olhar de tal forma, Srta. Swan. –Regina advertiu.
–O que fiz? –Emma aproximou seu rosto do da prefeita. –De que jeito? –Ela sussurrou perto do ouvido de Regina. Um arrepio percorreu o corpo de Regina, sentindo-se mais quente. Emma desejava a prefeita mais que nunca, seus corpos perto, mas não perto o bastante para Emma. Ela queria mais, sempre queria quando Regina estava com ela.
–Regina, eu quero você. –Ela sussurrou, encostando seu queixo no ombro da parceira. O que Regina poderia dizer, deveria ser sincera? “Ah, que se dane” Regina pensou.
–Eu também a quero. –Ela sussurrou de volta, com a voz rouca e sexy. Uma ardência no peito de Emma se espalhou. Regina não aguentaria ver aqueles lábios rosados tão perto sem poder fazê-los seu. Não poderia aguentar por muito tempo. Ela se afastou de Emma e correu com pressa até a cozinha. Emma parou. O que ela fez? Ela via, frustrada, Regina correr dela novamente e sem entender o que a prefeita sentia. Era frustrante não saber. A música lenta acompanhava os passos apressados de Regina, então, quando a morena fugiu do campo de visão de Emma a música parou, dando-se como acabada, como a noite que caía usando sua escuridão para envolver o dia, as vezes, deixando-o mais sombrio e solitário.
* * *
O jantar estava servido e faltava pouco para meia noite, na manhã seguinte seria natal. Regina estava sentada na cabeceira da mesa e do outro lado, em ponto radicalmente oposto ficava Charming, Snow e seus amigos. Poucos ficaram ao lado de Regina, é claro. Apenas Henry e aqueles que não arranjaram lugar melhor. Mas não demorou muito até o menino ir para o lado de seus avós. Todos comiam com intensa alegria elogiando a comida. Regina pensou em agradecer os elogios, sabia que elas pensavam que havia feito tudo àquilo com magia, mas resolveu deixar daquele jeito. Não faria diferença alguma.
Todos rodeavam Emma, rindo e esbanjando felicidade. A loira, vez ou outra, olhava para Regina para checar como estava, mas seus amigos não lhe permitiam mais que isso. Regina sentia-se novamente só. Como no início. O jantar estava sendo dolorosamente longo. A prefeita se levantou, rudemente e saiu da sala. Não havia mais nada para fazer ali, arrumar a bagunça não seria problema para alguém que era dona dos poderes que Regina tinha. Ela não se importou em olhar para trás, ver se Emma a havia reparado. Todo o efeito da bebida havia passado e ela se sentia um lixo de novo. Regina se sentou à mesma poltrona de antes e preparou um drink para si, o mais forte de tinha. Quem sabe assim se sentiria melhor.
* * *
Horas depois que a maioria já havia papeado todo assunto que pudera arranjar para aquela noite, começaram a agradecer pela memorável festa e ir embora. Emma estava sem saliva de tanto agradecer, só então pôde perceber a quão cansada estava. Todos já haviam ido embora, só restava Henry, Emma e seus pais.
–Vamos, Emma. –Charming, pôs sua mão no ombro da filha. Emma olhou mais uma vez para as salas que haviam sido usadas, Regina realmente disponibilizou aquilo para que Henry fizesse a festa para ela. Ela sorriu.
–Vou ajudar a arrumar isso aqui, é o mínimo que posso fazer. –Emma disse olhando para a sala de jantar. –E colocar Henry para dormir. –Ela lançou um olhar ameaçador e brincalhão para o garoto. Snow sorriu, entendendo o recado. Charming iria contestar, pedir que ela fosse com eles, mas resolveu atender à esposa.
–Tudo bem, querida. –Snow disse suavemente, eles iriam para casa a pé, acompanhando Ruby e seus demais amigos. Então finalmente, ficara sozinha. Seus olhos vagavam por todo canto, até chegar nas escadas que davam ao quarto da prefeita. Logo, a lembrança de ver Regina se levantando da mesa de jantar, queria ter ido atrás dela naquela hora. Mas todos os olhares estavam vidrados nela. “Espere um pouco” Emma olhou novamente para o quarto, a porta estava aberta. Regina nunca deixava a porta aberta quando se excluía em seu quarto. Significava que ela não estava lá.
–Kid, vá se arrumar para dormir enquanto eu arrumo aqui. –Emma pediu, soando mais como uma ordem. E pela primeira vez, Henry obedeceu sem discutir, devia estar bastante cansado. Emma sabia onde Regina estava. Ela caminhou direto para trás da escada, onde estava a mesa de drinks. E não tinha erro, lá estava mulher. Para a surpresa de Emma, acordada. Regina apoiava seu rosto nas mãos como se disfarçasse o choro. A loira foi até ela preocupada.
–Regina? –Emma agachou-se até estar na mesma altura da mulher. –Está tudo bem? –Perguntou. Regina se assustou, e limpou as lagrimas rapidamente. Sentia-se tonta e alta, como se voasse em nuvens.
–Já foram embora? –Ela se levantou apoiando em Emma, para não cair. Regina olhava para os cantos mas não conseguia focar sua visão corretamente. Emma levantou segurando a cintura da prefeita.
–Não precisa… -Regina resmungou, afastando as mãos pálidas de Emma de seu corpo, a loira soltou uma risada. –O que acha engraçado, Srta. Swan? –Ela virou-se tão de pressa que desequilibrou e caiu sobre os braços de Emma. Então silencio, o coração de Emma martelava sobre o peito, e ela desejava não ser possível ver. Seus rostos estavam próximos demais para Regina aguentar, ainda mais naquele estado. A prefeita segurou o rosto da loira e juntou seus lábios no da mulher. Movendo-se harmonicamente, Emma abriu a boca suavemente para que a língua de Regina penetrasse. Emma gemeu baixo, segurando a cintura de Regina. Elas deram passos até que as costas da morena encostarem-se à porta.
–Regina… -Emma parou, por um momento de racionalidade. –Não está certo, vamos, vou te levar para o seu quarto. –Emma segurou o braço de Regina, por um momento, ela se recusou, mas decidiu ser levada pela loira. Ela não enxergava o caminho detalhadamente, apenas que tinha uma escada e ela deveria subi-la. Emma teve dificuldade em leva-la, segurando-a pelos braços. Ver a morena de tal forma lhe atingia o peito, doía. Regina se retirou do jantar por estar sozinha novamente sozinha. Tudo o que Emma queria era fazer com que a prefeita nunca se sentisse assim novamente, preenchesse o vazio que havia em seus olhos. Torna-se aquela pessoa mais feliz, pois era o que ela merecia. Todos mereciam. Seu coração martelava sob o peito, acelerando cada vez mais com o pensamento. Regina resistia a loira por medo, por medo de não saber lidar com a possibilidade de ser feliz. O que ela faria depois? Nunca fora feliz na verdade, ou se fora nem se lembrava. Seu único vestígio de felicidade era Daniel, que se fora e agora provocava na prefeita as mais cruéis das dores; A Saudade.
–Vá se trocar. –Emma disse soltando o braço da mulher assim que chegou ao quarto. Regina resmungou algo que a loira não conseguiu entender e puxou sua mão, pedindo que ficasse. –Vou ver como Henry está… -Ela explicou. Mas Regina estava confusa demais, e enxergando menos que o normal. Mal sabia quem era Henry, mal sabia quem ela era.
–Por que sempre me deixa? –Regina disse, sentando-se na cama quase como se caísse no colchão. O coração de Emma parou, e voltou a bater com o dobro de velocidade. “Deixar?”. A dor no peito de Emma espalhava-se, nunca a deixaria, nunca seria capaz de tal atrocidade. Mas ela precisava ver o filho, não podia deixar que Henry visse a mãe daquele jeito. Emma então reuniu toda a coragem que restava para sair do quarto, mesmo depois do que Regina havia dito. O quarto do menino estava aberto e ele já havia adormecido sem nem mesmo trocar de roupa, apenas seus sapatos jogados ao chão. O garoto dormia abraçado a uma folha de papel. Emma desdobrou o cobertos cuidadosamente colocado ao pé da cama e cobriu o corpo da criança. Ela pegou a folha a fim de descansá-la em cima da pesa do pequeno quarto, mas então as cores a chamaram atenção.
Era um desenho não muito detalhado, mas bom o bastante para uma criança de sua idade. Era um campo vasto com arvores, riscadas a giz de cera, e pontos vermelhos que mostravam uma macieira. Emma sorriu. Embaixo da arvore havia três pessoas, duas mais altas que a terceira. Só então Emma entendeu. As mais altas eram mulheres, uma com um longo cabelo loiro e outra com cabelo escuro que batia no ombro. O menor era um menino com cabelo desgrenhado. Um sorriso bobo brotou no rosto de Emma. Era a família de Henry. Ela e Regina.
Emma já ia dobrar e levar até mesa quando viu palavras escritas no alto da folha, letras coloridas em vermelho e verde. “O que eu quero de natal” e no final as palavras pequenas quase que ilegíveis com o propósito de que ninguém percebessem-nas: “Uma família”.
A prefeita estreitou os olhos para ver mais claramente, mas Emma já não estava mais lá. Seu peito apertou provocando-lhe uma dor quase insuportável, ela cobriu o rosto com as mãos e deixou que as lágrimas escorressem. Se sentia só, sentia o vazio em seu peito apenas aumentando e rasgando seu peito, sentia-se fria.
Então, Emma reapareceu na porta do quarto. Ela se calou quando viu a silhueta de bela loira. Seu corpo ardia só de vê-la. Sentia falta de tocá-la e sem ter dimensão do que se passava, via Emma se aproximar da mulher.
–Hey –Emma tomou um ar preocupada ao vê-la chorosa. A loira sentou-se na cama, Regina não conseguia mais conter as lágrimas e sem hesitar ou pensar duas vezes, pulou nos braços da loira. Mas censurou-se a não chorar. Emma sentiu os lábios de Regina tocar seu pescoço. Sentiu um onda de ar quente subir seu corpo apertando seu ventre. Ela queria, mais que tudo, fazer Regina sua, mas não nessas condições, ela nem se lembraria na manhã seguinte. Regina levou sua mão até a nuca de Emma, adentrando a mão em madeixas loiras. Emma gemeu baixinho jogando sua cabeça para trás. Ela estava tão perto.
–Eu a quero –Regina sussurrou, mais como um gemido.
–Regina, -Emma tentou, mas sua voz saiu rouca e quase nula. –Regina, não vou transar com você dessa forma –Tentou mais uma vez. –Regina! –Emma afastou-se da mulher, que frustrada desviou o olhar para o chão.
–Não me deseja mais? –Sua voz saiu fraca e rouca, sentindo a dor de seu peito de espalhar cada vez mais. Emma aproximou da mulher tentando reparar rapidamente o seu erro. Por um momento esquecera que Regina estava completamente bêbada.
–Jamais! Eu sempre vou deseja-la. –Emma segurou o rosto de Regina selando um beijo em seus lábios avermelhados. Então, a loira levantou e foi até o banheiro e despiu-se, ficando apenas de calcinha e sutiã. Ela então, voltou ao quarto em uma das gavetas da prefeita e pegou duas blusas, uma para ela e para própria Regina.
Por sua vez, Regina já havia caído ao sono, com a cabeça descansada sobre o colchão. Mas ela não poderia dormir com aquele vestido, Emma a chamou algumas vezes até que a mulher atendesse. A loira tirou o vestido da mulher sem pressa, admirando o belo corpo que ela tinha.
Infelizmente, teve de vesti-la novamente, com a blusa que havia pegado. Regina se deitou e imediatamente caiu no sono.
A loira permaneceu ali, sentada em frente à morena por longos minutos. Admirando seu corpo e seu rosto. Regina tinha um rosto triste, como se estivesse sonhando. Ela gemeu baixo, tremendo seu corpo.
–Regina? –Emma perguntou preocupada, tocando-a para ver se estava realmente dormindo. Ela estava chorando. Como era possível? A loira se ajeitou até que ficasse ao seu lado, colocando com delicadeza a cabeça da prefeita sobre seu peito. Regina parou. De repente, seus gemidos dolorosos se calaram. A mulher adormecida levou seus braços até a cintura de Emma, mas não em um ato malicioso. Apenas abraçando-a. Regina abriu os olhos vagarosamente com um sorriso envergonhado no rosto e olhou para Emma, perguntando-se se aquilo era real. “Não, é apenas um sonho” ela pensou.
–Emma… -Regina fechou os olhos ainda abraçada à loira. Emma chegou perto para ouvi-la. –Emma, eu te amo. –Regina murmurou, abraçando-a mais forte. Ela podia dizer o que quisesse, era apenas um sonho. –Eu te amo.
Uma luz pareceu se acendeu no peito de Emma, uma sensação ardente se expandiu por todo seu peito. Como se iluminasse a escuridão afastando todos seus medos. Emma abriu um extenso sorriso acariciando o belo e delicado rosto de Regina.
–Eu também a amo. –Ela sussurrou, selando um beijo protetor em sua testa. –Amo mais que tudo.
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