Broken

5 Into The Heart - Part I


Notas iniciais
Hey, cá estou. Não tive tempo de revisar, so... Desculpe qualquer erro grotesco ou coisa parecida. Anyway...

Baseada no episódio 08 e 09 da Segunda temporada! (Por isso Into the Heart Hahahahaparei).

Boa leitura!

* * *

Tudo estava escuro. A temperatura do ambiente era mais quente que o normal, mas não se sabia a origem do ar quente. Era como se caminhássemos em um corredor tão negro que mal podíamos reconhecer o chão. Então, foi feita a curva revelando-se tochas coladas no alto das paredes. Era mais clara a visão. Tudo parecia ser de um azulejo negro e espelhado, refletindo a luz do fogo. A chama do fogo era incomum, eram completamente retas e de uma só cor. Um azul penetrante e que escurecia ligeiramente nas pontas a medida que cresciam e desciam. Presumindo-se que o fogo possuía características mágicas, foi chegando mais perto. A curiosidade era tentadora demais para observar apenas de longe. À medida que a distância diminuía o calor seguia o mesmo ritmo. Não deveria ser o contrário? O calor aumenta quando a distância entre o foto diminui? O desejo perigoso de tocar era inevitável. Mas lá estavam, os dedos curiosos entre as chamas e nenhum sinal de dor. Pelo contrário, fazia cócegas. O fogo estava fazendo seu trabalho: Distrair. Afinal, o que mais se faria em um lugar como aquele? As chamas não se mexiam, pois não havia nenhuma entrada de ar. Era incrível que existe oxigênio o suficiente para suportar o fogo. Mas era possível respirar e, bem, uma tocha mágica não necessita de lógica, de qualquer maneira.

Depois de perambular por longos corredores, sentiu algo diferente. O ar estava mais denso e mais difícil de respirar. A tosse fina ecoava pelos corredores sombrios. O chão estava muito mais quente que antes, uma faixa de fumaça saia como se o piso tivesse sido quebrado por algo mais pesado que ele poderia aguentar.

A imaginação era o pior inimigo que alguém poderia desejar estando em um lugar como aquele. Ainda mais a imaginação fértil de uma criança perdida e assustada. O peso posto sobre ele já era o necessário para perceber que não aguentaria por muito tempo. Então, ele se rachou e cedeu. Tudo que estava sobre o fraco azulejo foi sugado, inclusive o corpo posto sobre ele. A criança se via caindo, e caindo, sem parar. Paredes vinham, e mesmo que tentasse se agarrar à elas, a gravidade o puxava para baixo.

Quando finalmente chegou ao chão, o ar quente tomou todo o rosto delicado da criança, que se protegeu imediatamente. Esse fogo, de fato, queimava. Mas a essência dele era hipnotizante, se você olhasse por muito tempo o desejo de ir contra ele seria inevitável. Magica, de fato. Era tudo perigoso. No entanto, a criança não fazia ideia dos mistérios que aquele lugar guardava. Uma chama, a maior, centralizada na sala era a que alimentava os outros canais em que o fogo se alastrava. No chão, um quadrado que ocupava quase todo o cômodo era feito de vidro, mas parecia ser inquebrável, pois o menino tentava, freneticamente, parti-lo ao meio sem sucesso. A Chama Central era bifurcada em sua ponta, ela era capaz de engolir tudo que se atrevesse a se aproximar. Entretanto, não havia nada naquele lugar, a não ser pelo menino. Ele se aproximou até uma distância segura do fogo. Percebendo que não havia escapatória e vencido pelo cansaço, se sentou no chão. As chamas envolviam apenas em volta daquele quadrado, tirando a Chama Central, não havia nada que pudesse ferir o menino. Então, um tanto aliviado, ele descansou suas costas se deitando de bruços. O teto quebrado antes pelo garoto, havia se regenerado. Para quem olhasse agora, nunca imaginaria que ele havia se desfeito em pequenos e inúmeros pedaços.

O fogo subia até o teto, mas a parede não estava chamuscada, nem havia qualquer sinal da chama intensa que ali habitava. Era incrível e perigoso. Magia é tão sedutora e tentadora. O poder é tão sedutor quanto o amor.

A Chama Central havia se dividido em três, como se houvesse uma saída de ar em alguma das paredes. O menino se sentou, receoso. Uma luz, branca e limpa, surgiu em meio à Chama, e então explodiu, fazendo um barulhento estrondo. O menino protegeu os ouvidos. Se fosse no mundo real, ele poderia ter ficado surdo, com a altura da explosão. A criança se levantou, a adrenalina correndo em suas veias o impedia de sentir a dor cansativa em suas pernas.

De repente, um grito alto e esganiçado soou naquela pequena sala. O menino tremeu apavorado. Ele olhou para todos os lados até eu finalmente viu, uma mulher gritava agoniada. Ela estava fora do quadrado, sendo engolida pelo fogo. O menino correu até ela, sem hesitar, precisava salva-la. Era uma mulher ruiva e usava um longo vestido de ceda violeta.

O menino assustado, segurou a mão quente da mulher e a puxou para dentro do quadrado. Ela então, surgiu das chamas como se nunca houvesse entrado. Entretanto, a mulher não era veterana naquele lugar. Era possível perceber, pelas suas pupilas dilatas e sua respiração ofegante, que ela estava aterrorizada com o que estava acontecendo. O menino perguntava quem ela era, qual seu nome. Mas o som do ambiente estava ficando cada vez mais longe, até que tudo ficou escuro.


* * *



–Henry! Henry! -Emma chamava pela terceira vez, o menino levantou atordoado. Sua respiração ofegante e seu coração disparado. Foi apenas um sonho. -Está tudo bem, kid -Tentou acalmá-lo.



–Tinha uma mulher! E fogo! Por todo lado! -Ele contava, aterrorizado. Emma lhe deu um sorriso confortador, e abraçou o filho. Depois de alguns minutos, a loira se afastou.



–Vamos, levante. -Emma levantou, animada. -Que tal fazermos uma surpresa para sua mãe? -Propôs. A loira já não se importava em demonstrar indiferença quando a Regina, ela estava apaixonada e Henry deveria saber disso. Ainda mais com o que a morena havia lhe dito na noite anterior. “Eu te amo”. Pela primeira vez, ela ouviu isso da boca da Prefeita. Tudo bem que ela estava bêbada e fora de si, mas não é isso o que dizem? Quando a pessoa está dessa forma diz o que não teria coragem de dizer? Pelo menos era isso que Emma queria acreditar.



Eles decidiram descer e preparar o café-da-manhã. Não demorou até que estivesse tudo pronto. Logo em seguida, Emma ajudou o menino a subir com a bandeja até o quarto onde Regina descansava.



–Hey -Emma deixou a bandeja sobre o criado-mudo e subiu na cama. Ela não havia mudado a roupa, continuava apenas com uma blusa de Regina e sua calcinha. Assim como a prefeita. Regina abriu os olhos vagarosamente, dando de cara com os olhos verde-esmeralda de Emma. Ele não pôde deixar de sorrir. Emma era adoravelmente irritante.



–Estou dormindo, Swan, vá embora -Regina murmurou, virando de costas para a loira. O menino andou até o outro lado da cama. Emma tocou o ombro da mulher, relembrando da noite passada. Tudo que havia acontecido, e o jeito que a prefeita pedia por ela, para ser dela. Foi quase impossível resistir, mas não era o certo. Não para Emma. Ela queria se lembrar de cada minuto com a mulher, e queria ser lembrada também.



–Vamos, sweetie. Temos uma surpresinha para a senhorita. -Emma sibilou gentilmente. Regina se virou para a mulher, ainda resistente. O rosto de Emma tinha um ar inocente e brincalhão. Céus, as vezes ela parecia uma criança. Regina finalmente se sentou, desistindo de tentar dormir. Ela esfregou os olhos algumas vezes até ter clara visão do seu quarto. E lá estava Henry.



–Oh, querido -Regina se assustou. Henry estava vendo aquela cena lamentável entre as duas? Como Emma deixaria isso acontecer? Ela olhou para Emma imediatamente, mas ela parecia saber exatamente o que estava acontecendo e gostar da situação.




–Trouxemos café-da-manhã! -O menino pegou a bandeja e entregou as mães, logo em seguida se juntou à elas. -Emma me ajudou, mas eu fiz tudo sozinho. -Acrescentou. Emma protestou, tirando de Regina uma deliciosa gargalhada.


Assim que eles terminaram de comer, entre risadas e comentários. Emma acrescentou que todos amaram a festa da noite anterior.


–Estava bom, até colocarem aquelas músicas esquisitas -Regina reclamou. Emma riu, junto ao menino. Eram músicas famosas que Regina não estava nem um pouco acostumada, afinal, em sua Terra Encantada, só se ouvia música de extrema elegância, e se dançava tão suave e detalhadamente ensaiado quanto.



–Mas teve aquelas músicas chatas que você gosta, mamãe, -Henry puxou a blusa de Regina. -Vocês até dançaram ela -Regina engoliu seco, ela havia dançado com Emma. Mas isso não era tão claro, a noite anterior parecia uma névoa para ela. A última coisa que ela se lembrava era ter saído da mesa de jantar e ido para algum lugar, provavelmente seu quarto. No entanto, isso não explicava como trocara de roupa, não se lembrava de nada depois disso. Mas a dança lenta, fazia parte do sonho louco que Regina teve durante a noite. Teria isso acontecido? Era impossível, a única coisa que se lembrava, no sonho, era estar perigosamente perto de Emma e dizer que a amava. Impossível! Regina nunca, em sã consciência, diria que amava a loira. Mas naquela noite, a prefeita não estava sã, estava?



Ela olhou para Emma, assustada.



–Querido, por que não vai para o seu quarto? Vou me trocar e logo descerei. -Regina pediu, gentilmente. Henry protestou, recorrendo a Emma. Mas a loira, assentiu, pedindo que ele atendesse o pedido da mãe. Depois de estarem sozinhas, Regina se virou para a mulher.



–O que diabos-



–Bom dia, Sra. Prefeita. Antes de começar... -Emma sorriu, provocando-a. -Está um lindo dia, então, não estrague isso. -Regina sabia que ela tinha razão. Não sabia o que tinha acontecido? Ela estava de calcinha e uma blusa, e não fazia ideia de como havia parado ali.



–O que aconteceu? -Regina voltou a se sentar na cama. Emma se arrastou até seu lado, tocando o ombro da mulher.



–Você bebeu, aliás, demais -Emma explicou, sorrindo. Lembrar da noite passada era tão prazeroso, mas teria de ser cuidadosa. “Eu a trouxe para cá, depois que todos já tinham ido, e bem... Troquei sua roupa... Aliás, foi bem difícil, você não ficava parada.” Emma ria. Regina cobriu o rosto com a mão. Havia acontecido. O ‘sonho’.



–Mas... -Regina resmungou. Emma levou sua mão, suavemente, até a nuca da prefeita. Fazendo seu corpo inteiro tremer a cada toque. Os lábios da prefeita procuraram os da loira imediatamente, precisando sentir um ao outro. Regina não podia mais evitar, toda vez que ficava perto da mulher aquela sensação a consumia. Precisava dela. Precisava fazê-la sua.



–Eu não... -Regina gemeu entre beijos. Emma sorriu, suas mãos passeavam pela cintura marcada da mulher. Depois de longos segundos, elas se afastaram em busca de ar.



–Eu não... disse nada, certo? -Regina perguntou baixinho. Ela tinha que saber, isso mudava tudo.



Emma não sabia o que dizer, ela desejava responder a verdade e dizer que também a amava. Mas Regina não iria saber lidar com isso, a loira sabia disso.



–Talvez, não me lembro. -Mentiu. Os ombros de Regina caíram, ela se sentia vulnerável e terrivelmente fraca. Detestava se sentir de tal forma, era, no mínimo, ridículo. Emma levantou o queixo da prefeita, fazendo-a olhar em seus olhos.



–Regina... -Emma se aproximava cada vez mais, ela estava pronta para dizer. Era o momento certo. “Eu te-”



–Okay, acho que está na hora de descermos, certo? -Regina tagarelou desesperada. Era isso mesmo que Emma iria dizer? Que a amava? Como isso foi acontecer tão rápido? -E-Eu acho que... -Regina levantou indo para o banheiro, se permitisse que Emma falasse ela não saberia o que responder, e tinha certeza que isso magoaria a garota. Regina não fazia ideia do que sentia, mas também não fazia esforços para desvendar. A oportunidade de ser feliz ela já havia perdido há muito tempo, e por que Emma a confundia tanto? Se Regina tinha alguma fraqueza, era Emma.



Regina via Emma se aproximar mais uma vez, seus olhos se fecharam até que finalmente sentiu os lábios da loira escovarem os seus. As mãos de Regina se apoiaram no pescoço da Xerife enquanto as pálidas mãos de Emma seguravam firmemente em sua cintura.



–Regina... -Emma gemeu baixo. -Se você me deixasse... -Emma tentava dizer, se pelo menos Regina permitisse que a loira entrasse. Permitir que Swan compreendesse ela.



–Hm, mãe? -Regina imediatamente afastou o corpo de Emma. -Er... Tem alguém na porta -Henry avisou. A prefeita procurou palavras para responder, mas não sabia como pronunciá-las. Seu filho tinha visto, mas ao contrário do que Regina podia perceber, ele estava radiantemente feliz por confirmar todas suas suspeitas.



–Tudo bem, já vamos descer, kid. -Emma respondeu por Regina, com um sorriso. Henry sorriu vitorioso e desceu as escadas.



–Sério? Você está feliz com isso? -Regina segurou o braço de Emma, assim que o menino deixou o quarto. A loira sorriu em resposta, é claro que ela estava. Ter de fingir que odiava Regina para seu filho era cansativo demais e inútil, pois sabia que ele já tinha suas suspeitas.



–Ele é um menino esperto, é melhor assim. Ele está feliz com isso, já viu os desenhos que ele faz? -Emma disse, andando até o closet da prefeita, tirando uma calça social e voltou para o quarto. Regina a encarava, inconformada. -Ele desenhou a família dele. -Emma resmungou, mas Regina ainda não tinha entendido. -Ele nos desenhou, Regina. -A loira entregou a calça para a Prefeita, que vestiu logo em seguida.



‘Família’ A morena pensava, em conflito. Família era o que Regina mais desejava, com Henry e mais ninguém. Não poderia imaginar que seu filho desejava uma família com suas duas mães juntas, casadas e afins. A ideia era ridícula.



–E-Eu vou descer -Regina afastou-se de Emma. Ela precisava absorver toda aquela informação, Emma iria dizer que a ama e Henry queriam elas juntas para que se tornassem uma família. Era assustador. -A propósito... O jeito que me chamou mais cedo... -Regina virou-se, minutos antes de sair.



–Sweetie? -Emma perguntou, ela assentiu.



–Nunca mais me chame assim. -E então, desceu as escadas em direção a porta. Ela ajeitou o cabelo e a sua blusa antes de atender a porta. Henry estava na cozinha, teve de certificar, pois não sabia quem poderia chama-la.



Ela então abriu a porta, receosa. Não abriu por inteiro, pois sabia que quem quer que fosse não deveria ver Emma saindo de seu quarto. E para sua surpresa, para não dizer o contrário, lá estava, Rumpelstiltskin, ou como era chamado na cidade, Sr. Gold.



–Ah, tão cedo... -Regina suspirou. O homem parado revirou os olhos, não era como se ele simpatizasse com a mulher. Emma descia as escadas, na mesma hora.



–Quem é? -Emma perguntou para Regina, ela se virou, lançando-a um olhar repreendedor. E só então se deu conta. Emma ainda estava de blusa e calcinha. “Vá se vestir, criatura” Regina sussurrou para ela. A loira pulou, percebendo que ainda estava vestida daquele jeito. “Idiota.”



Quando Regina voltou a olhar para o homem, ele a encarava com um olhar duvidoso. Rumple fez um gesto com a mão, perguntando se poderia entrar. A prefeita assentiu, com desgosto.



–Como foi o natal? Passou com a Srta. Bella, óbvio. Não teve imprevistos, não é? –Regina retrucou, eles partilhavam de um pequeno segredo, que era divido para a amargura de Gold. –Problemas com cães? –Ela sorria sínica. A prefeita era uma mulher inteligentíssima, e acabaria descobrindo de qualquer jeito. Tanto procurou que finalmente encontrou. Nem todos são inocentes quando pensam, Belle era prova disso.



No entanto, o homem resolveu ignorá-la, o que vinha tratar era muito mais importante que seu imundo segredo.



–O que venho lhe dizer é algo de nosso, infeliz, interesse. — O homem se sentou a poltrona perto a porta. Regina lhe fez companhia. –Recebi ontem, uma mensagem de uma velha amiga sua; Mab. –Ele começou. A prefeita arqueou as sobrancelhas, Mab era a Rainha das Fadas, antiga conhecida de Regina. –Venho trazer uma mensagem de uma donzela em perigo, do nosso mundo. –Rumple sussurrou.



–E o que teria eu com isso? Por que eu me importaria? –Regina cruzou as pernas, com indiferença. A risadinha irritante do homem chegou aos seus ouvidos.



–Digamos que… O perigo que essa princesa enfrenta pode vir a ser um problema para nós. –Resmungou o homem. Regina ainda não entendia onde ele queria chegar. –A Princesa pediu ajuda pela Rainha Mab que entregasse a mensagem de que uma Rainha Má se apoderara do reino, de nossa terra, e precisa de ajuda.



–Mas Mab não entregou a mensagem a você, certo? Céus, ela nunca confiaria em você. Mab entregou a Bella, não é mesmo? É por isso que está aqui? –Regina riu sarcástica. –Quer garantir a segurança de sua amada de um perigo, que não me interessa, no nosso mundo? Vejamos… -Ela ponderou os dedos na testa, pensando. –Não, não me interessa nenhum pouco. –Acrescentou com um sorriso sínico. Sr. Gold ficou sério. De fato, ele protegeria a todo custo sua amada, mesmo com coisas estranhas acontecendo com Belle.



Emma terminava de vestir-se quando ouviu uma voz masculina vindo da sala. Por um momento, pensou ser Charming, mas logo reconsiderou, ela Gold, é claro. A loira se esquivou para ver o que estava acontecendo, mas eles pareciam estar apenas conversando. Ela foi em direção as escadas, estava tudo bem, então. Mas Swan era sempre descuidada, e devido a sua enorme felicidade por lembrar na noite passada, ela estava ainda mais estabanada.



–Dearing, acho que está subestimando algo deixado para trás. –Rumple se levantou, dando a conversa por encerrada. –Mas sugiro que preste atenção, não queremos ter surpresas em seu plano. –Rumple piscou para a mulher. Regina sabia do que se tratava, o plano de continuar ali, mas nem ela sabia o que fazer. Rumple estava bem, com sua amada. Entretanto, mais cedo ou mais tarde, os cidadãos de Storybrook iriam querer voltar para suas vidas, mas isso nunca aconteceria. Se ela não poderia ter seu final feliz, ninguém mais poderia.



–Está tudo certo, aqui? –A voz de Emma preencheu a sala. Gold observou a mulher de cima a baixo, e percorreu por todo o caminho dela até a sala. Swan havia saído do quarto da prefeita. O homem censurou uma risadinha.



–Espero não ter atrapalhado nenhuma reunião de família. –Gold se encaminhou até a porta. Regina fechou-a entredentes, aquele homem sabia como irritá-la.



A prefeita se virou para loira que a aguardava, estranhando a conversa. Henry estava na cozinha, não poderia falar qualquer coisa. No entanto, Emma precisava saber de algumas coisas. Regina ainda não estava certa se deveria confiar na mulher, mas era questão de tempo até toda a cidade saber que a Terra Encantada, o mundo deles, ainda existia. Mab enviava mensagens para pessoas com corações apaixonados, e como, de fato, enviou para Belle, a notícia iria se espalhar mais cedo ou mais tarde.



–Algum problema? –Emma perguntou, desconfiada.



–Não. –Regina respondeu seca. Talvez, Swan não precisasse saber. No entanto, Emma não desistiria tão fácil, o fato de Gold vir notificar algo à Regina, era um problema, pois o homem nunca a procurava se não fosse por algum problema antigo, ou futuro.



–Você pode me dizer mais tarde. –Emma sussurrou, séria. A loira não burra, sabia que algo estava acontecendo. No entanto, Swan não queria estragar aquela manhã, estava tudo indo tão bem e ela não poderia dizer o quão feliz estava. Além do mais, era Natal! Emma sorriu.



–Bem, Srta. Swan –Regina sentou-se cruzando as pernas. –Não pensei que fosse se enfurnar aqui, então... –Emma riu. Regina abafou um sorriso, não podia levar Emma a sério. Minutos antes, a loira esqueceu-se de se vestir e quase pôs a relação delas por água abaixo, Regina poderia ficar com raiva dela facilmente. Mas ao invés disso, ela achava adoravelmente irritante. A loira assentiu, entendendo o recado.



–Hey, kid! –Emma chamou o menino, que correu até elas. –Vamos abrir os presentes, o que Papai Noel trouxe para você? –Ela perguntou animada, os dois correram até onde a árvore permanecia desde a noite passada. Regina levantou-se vagarosamente e os acompanhou. O plano inicial era que a manhã de Natal fosse apenas ela e Henry, entretanto, Regina já calculava que Emma se hospedaria em sua casa. Mais precisamente, que dormisse com a Prefeita. Ela podia não se lembrar, mas sabia que algo havia acontecido na noite passada.



–Emma, eu não acredito mais em Papai Noel. –Henry resmungou. Regina não pôde deixar de rir do rosto desapontado da loira. –Quantos anos acha que tenho? –Bufou. O menino, então, correu até a árvore.



–Não esperava por essa, não é? –Regina debochou, rindo. Emma bufou, com um sorriso. Estava tudo sendo tão agradável que as duas pensavam estar sonhando. Sem brigas, sem discussões.



Henry abriu um dos maiores pacotes deixados embaixo da Árvore, ao abrir agradeceu à mãe por todos aqueles presentes com imensa felicidade. Swan sentou ao lado do menino, enquanto ele os abria. Restou apenas uma caixinha retangular, praticamente escondida. Henry pegou, estudando-a. No centro da caixa um nome “Swan”.



–Isto é meu, querido. –Regina disse gentilmente, pegando a pequena caixa da mão do filho e pondo no bolso. O menino se virou para a mãe, ameaçando sorrir.



–Mas mamãe, isso é para Emma. –Henry disse, levantando-se. Emma olhou para a mulher, pouco confusa. A prefeita revirou os olhos, retirando a pequena caixa. Era constrangedor, o que havia ali dentro não iria significar nada, Regina nem sabia o que tinha na cabeça ao por o presente ali.



–Isso... Tudo bem. –Desistiu. Henry sorriu desconfiado. –Isso é apenas um agradecimento, Srta. Swan –Regina ergueu a mão, com o pacote, para a loira. A loira olhou de um lado para o outro, completamente confusa. Ela levantou do chão, recebendo a caixa com um sorriso esperançoso. Seu coração estava aquecido. Com uma sensação de ternura misturada à imensa felicidade que sentia naquele momento.



–Agradecimento? Por quê? –Emma perguntou, várias explicações apaixonadas lhe passaram pela cabeça. Ela parecia uma tola adolescente. A loira abriu a caixa cuidadosamente, havia algo cuidadosamente embalado lá dentro.



–Por... –Regina procurava as palavras certas. Não queria que Emma tivesse uma impressão errada daquele simples gesto. Afinal, não significava nada. –Por aquele dia no Estábulo... Quero dizer... Obrigada. –Regina calou-se, relembrando o momento. Daniel. O menino as olhava confuso, mas com um sorriso esperançoso. Emma lhe deu um sorriso confortador, sabia que aquela era uma lembrança difícil para a Prefeita. Ela abriu a embalagem se deparando com um cordão, grande o bastante para ser colocado sem dificuldade. Os olhos de Emma brilharam, no certo do cordão havia um anel prata. Não tão fino, mas também não era exageradamente grosso. Tinha a largura perfeita para adentrar o dedo de Emma. A loira não hesitar ao olhar para a Prefeita, com um imenso sorriso transbordando a felicidade que sentia.



O coração de Regina disparou ao encontrar seus olhos com os verdes-esmeralda de Emma, ela não queria que Emma percebesse suas verdadeiras intenções, mesmo depois da festa que fez apenas para ela e ainda mais esse anel. Não era sua intenção que ela entendesse, ainda mais quando nem mesmo a Prefeita entendia. Ela só queria ver aquele sorriso, queria vê-lo a cada minuto de seu dia. Queria ser o motivo daquele sorriso verdadeiro, adorável e irritante. Mas não podia, de jeito algum, deixar Emma saber disso. Não podia se sentir fraca, quando estava tão vulnerável. Vulneravelmente apaixonada, mesmo que não admitisse. Apaixonada pela a única coisa que poderia ser o motivo de sua destruição, destruição da grande Rainha Má; A Salvadora.



–Não se engane, Swan. É apenas um-



Já era tarde, Emma se aproximou da Prefeita impulsivamente. Tomando-a em seus braços, e depositando um longo beijo em seus lábios. O choque fez o corpo inteiro da morena tremer. Ela segurou o pescoço da loira, sem ter onde se apoiar. Seus olhos se fecharam, aproveitando cada segundo do beijo. Cada movimento correspondido. Emma apertava a cintura da mulher, sem malicia, apenas desejava ficar ali por mais tempo. O quanto era preciso. E Regina a correspondia, era tudo que ela conseguia pensar. Mesmo não admitindo, mesmo teimando, Swan sabia.



Regina soltou as mãos do pescoço, afastando-se do beijo. No entanto, Emma não a soltou. Continuou olhando-a nos olhos, e ela não podia fugir. Os olhos penetrantes na loira cumpriam seu papel, penetravam a alma de Regina. Vasculhando aquele sentimento que a loira tanto ansiava para ser demonstrado e que a Prefeita teimava em esconder. Ela desviou os olhos. Henry continuava ali, olhando para elas. Com um sorriso maior que o próprio rosto estampado no mesmo. Não poderia ser diferente, era isso que ele mais desejava: Uma família.



–Emma! –Regina empurrou a loira para longe, passando a mão nos próprios lábios. Tentando se livrar, a todo custo, daquela sensação aérea. Seu coração batia tão depressa que parecia que a qualquer momento sairia do peito para pular nas mãos da loira. Ele pertencia a ela. Assim como o dela pertencia a Regina.



A prefeita pensou em gritar, e até em agredir a loira. No entanto, seu filho estava logo ali. Ela não poderia fazê-lo, mesmo se conseguisse. O sorriso de Emma se dissipou ao perceber o que tinha feito. Junto com o de Henry. Regina não poderia fazer mais nada a não ser por se virar e ir para seu quarto. Os ombros de Emma relaxaram, tristes, juntos com o do menino, que a abraçou.



–Ela ama você. –O menino sibilou, abraçando a cintura da mãe. Emma sorriu, confortada. Mas sabia que Regina tinha razão, fazer aquilo na frente do menino era dar um passo maior que a própria perna. Faria com que Henry criasse uma esperança, talvez, inútil. E isso era cruel demais para uma criança.



–Não, esquece isso, garoto. –Emma bagunçou o cabelo do menino.



Regina subiria as escadas e se trancar no quarto, explodindo sua raiva. Mas algo a fez parar, antes de subir os degraus. Talvez seu bom senso. Ela segurou o colar que usava, longo com um anel. Idêntico ao de Emma. O que ela quis dizer com aquilo? Não deveria significar nada além de um simples presente em agradecimento ao que Emma tem feito por ela. No dia que Daniel apareceu, Emma a protegeu e prometeu que sempre a protegeria. E foi exatamente isso que ela fez. Regina tinha que agradecer. Ela voltou para a sala, vendo que Henry abraçava a loira. E seu sorriso, havia sido substituído por uma lágrima que caía clandestinamente.



–Vocês se amam, é isso que importa! –O menino disse para a mulher. Regina se esticou, para ouvi-los. –Você a ama, não é? –O menino puxou o braço da loira. Emma sorriu triste. Ela não podia responder, daria mais esperanças falsas para o menino. –Não é?! –Henry insistiu.



–Sim, kid, eu a amo. –Emma se agachou, ficando na mesma altura que o menino. –Mas isso não importa, ok? –Então, ela se levantou. Regina voltou para a base da escada, estava sem ar. Seu coração, teimava em bater rapidamente. Ela respirou fundo, controlando-se. Agora, ela ouvia apenas os múrmuros dos dois.



Regina estava confusa demais, não sabia o que fazer. Qual o próximo passo a tomar. Ela precisava cuidar de assuntos da prefeitura, e cuidar do que Gold se referia e que ela não havia entendido claramente. Ela não precisava realmente fazer nenhuma dessas coisas, exatamente naquele dia. Mas o que ela faria? Sentaria no pé da escada, esperando o príncipe, digo, a Princesa dos seus chegar a sua frente e salvá-la da escuridão que a envolveu durante todos esses anos com um beijo de amor verdadeiro? Amor verdadeiro, isso não existia. Nunca existiu, por que existiria agora? Seu trabalho havia se tornado uma fuga, que só agora ela conseguia perceber. Uma fuga da realidade, dos seus medos, das suas dúvidas e das suas fraquezas.



–Regina? -A prefeita foi trazida de volta, deparando-se para o rosto de Emma perto do seu. Regina pulou com o susto. –Vamos almoçar no Granny’s? –Propôs. A prefeita olhou em volta, Henry não estava por perto, talvez tivesse passado por ela e nem percebeu.



–“Vamos”? Nós? –Regina repetiu, com um tom de surpresa. Estaria sendo convidada? Pela primeira vez. Emma abriu um longo sorriso, assentindo a pergunta. Regina censurou um sorriso, e levantou-se.



Emma resolveu lhe dar espaço, um tempo. Sabia que tudo estava muito confusa para ela e que precisava de calma para resolver. Aliás, a Xerife não queria que a Prefeita tirasse nenhuma decisão precipitada. Porém, esse não era o caso da própria Emma. Desde sempre ela era precipitada, adiantada, acelerada. Queria tudo em pouco tempo, sempre quis. Sempre foi desse jeito. E como todo bom enredo, perdeu muito por esse defeito. Mas sua vida não era miserável como pensava, ela ganhou igualmente com essa característica. Ganhou Henry, ganhou uma família em Storybrook. Entretanto, o que ela temia era perder, perder sua família, perder Regina. Perder sem nem mesmo ter conquistado, ganhado, amado.



–Sim. –Emma respondeu, erguendo lhe a mão. Pedindo permissão, para entrar no espaço pessoal da morena. Regina sabia o que isso significava, e era isso tudo que ela mais ansiava.



–Não vai se importar em ser vista com a temida Rainha Má? –Regina sussurrou, sarcástica. Emma riu, ainda com a mão erguida, esperando pela da morena.



–Só se você não se importar, -Emma respondeu, com um ar malicioso. –De ser vista com a Salvadora. –Sussurrou, com o mesmo tom. Era isso que Regina apreciava em Emma. Sua audácia, sua teimosia, sua ousadia. Na verdade, Regina apreciava muito mais que isso na loira, mas isso era só o que podia admitir até então. Regina revirou os olhos, derrotada. Ela segurou a mão da loira e puxou para perto de si.



–Não... –Regina sussurrou. Seus corpos perigosamente perto, tão perto que seus narizes encostavam um no outro. –Não me importo. –Regina inclinou o rosto, fazendo menção a tocar os lábios molhados da loira. Mas este, não veio. –Não é grande coisa. –Regina empurrou Emma para longe, com um sorriso malicioso. A loira sabia que a Prefeita estava brincando com ela, e que aquilo era deliciosamente torturante.



–Vamos, vamos, vamos! –Henry brotou no meio das duas. –Estou com fome! –O menino reclamou. Emma sorrindo ao pegar as chaves do carro foi impedida pela mão pálida da prefeita.



–Vamos no meu carro. –Ela ordenou. Querendo não contrariar, Swan assentiu. Vez ou outra não faria mal algum. Mas como estava acostumada, ela era acelerada e precipitada. Não conseguia calcular o que viria pela frente, ao contrário da mulher a centímetros de distância.



A loira segurou a mão do filho, que animado já caminhava na frente, e então, arriscou segurar a mão da prefeita. Não por posse, tornando Regina um objeto que deveria proteger, também, não para não deixa-la ir embora, afinal ela era livre. Mas sim, para mostrar a mulher de que ela estava ali, e que nunca iria parar de tentar, nunca iria desistir dela.


Regina estava espantada com essa conexão, ela era capaz de entender todos os recados e o significado de cada ato que Emma tomava. Ela simplesmente compreendia Swan.

Por um ato não pensado, Regina consentiu segurando sua mão. Deixando de lado o pensamento de que se tornaria fraca a partir do momento em que permitia Emma entrar no seu espaço pessoal. Então, elas entraram no carro a caminho do Granny’s, por um momento, sem pensar no as pessoas diriam ao vê-las sair do mesmo carro, da mesma casa e quiçá, do mesmo quarto. Não, elas não pensaram nisso, elas estavam felizes. E a felicidade cega. Impede de ver o perigo tão próximo que terá de enfrentar e que isso comprometerá a origem de sua própria cegueira. Comprometerá sua felicidade. Emma Swan poderia dar o mundo á pessoa que amasse, mas não poderia proteger ninguém que estivesse fadado aos infelizes acasos do destino. Acasos, calculados, por ninguém mais, ninguém menos que a razão daquilo tudo acontecer. Chame isso de Deus, Entidades, Destino. Estamos fadados aos fracassos e vitórias de sermos obrigados a viver e sobreviver no minuto em que concordamos com a nossa mera existência.


❤

Notas finais
Bem, eu não tenho tido muito tempo para escrever, então se houver algum atraso no próximo não me xinguem. So... reviews?