Broken
8 Six Millions People In The World
Notas iniciais
-Ainda é baseada no ep. 09 da Segunda temporada.
-Última coisa: Quem gosta/shipa RedBelle?
-Boa leitura!
* * *
Um estrondo ecoou pelo lugar, como um raio. Não era possível ver absolutamente nada, era uma imensidão negra sem fim. Não era possível ver a sua volta, nem a si mesma. Era como se Regina nunca tivesse existido. Mas ela podia sentir seus pés andarem, podia ouvir o barulho dos seus saltos colidirem contra o chão. Era o único indício de que ela estava realmente ali.
De repente, uma luz se acendeu, mas ela estava tão longe que parecia ser um pequeno vagalume, mas sua cor era impossível identificar. A luz era remota, de fato, mas iluminava o caminho o suficiente. Regina começou a andar, mas ela não sabia por que estava ali. Ela sabia como foi parar ali, mas não sabia o porquê. Desesperada, ela passou a correr, cada vez mais rápido. Um barulho ecoava no corredor, mas não era humano, parecia como quando duas peças de metal colidem. Era um barulho que aumentava absurdamente e então diminuía.
Regina parou para respirar, já não aguentava mais e ela parecia ainda mais distante da luz. Por algum motivo, ela sabia que precisava chegar até a luz. Ela precisava sair daquela escuridão, que estava consumindo sua energia vital cada vez mais. Passou a caminhar mais lentamente, focada no que precisava fazer: Alcançar a luz. Mas então, algo mudou. As paredes não eram mais lisas, nelas havia quadros com pinturas antigas.
Cansada, Regina parou para admirá-las. Mas não eram pinturas comuns, pois elas se mexiam.
Um homem, seus cabelos brancos e sua coluna curvada segurava uma menina em seus braços. Não deveria ter mais de dez anos, ela tinha cabelos negros como a escuridão e pele branca como a neve.
“Snow White!” Exclamou Regina com ódio.
A anatomia da menina era peculiar, porém não era aleatória. Seu destino era certo e suas características demonstravam isso. Seu cabelo negro representava as trevas que se apossariam de seu coração, de sua alma e de sua mente. A escuridão a invadiria, cegando-a e a privando de sentimentos e sensações cruciais. Como o amor, a ternura e a felicidade. Tudo isso lhe será vetado, de um jeito ou de outro. No entanto, sua pele, clara como a neve, era a prova de mesmo tem tempos de trevas há uma esperança. Sua pele representava a esperança, que se manifestava em seu jeito delicado, gentil e suave. Manifestava-se em sua inteligência, sua honra e em seu carácter. Pois mesmo cega pela vingança e ódio, manterá seu carácter formado e sua honra limpa.
A menina, fadada às dádivas e desgraças do destino, era Regina Mills.
O silêncio ao se reconhecer no quadro congelou sua alma. Seu pai a abraçava com tanta ternura, que Regina era quase capaz de sentir os braços gorduchos do velho pai. Como ela sentia falta daquele homem, a única pessoa que foi capaz de amá-la durante toda sua vida e que ela tinha certeza de que a amava até hoje. Mesmo sendo ela, a responsável por sua morte. Então, detalhes da pintura foram ficando mais claras. Como o lugar; uma enorme fazenda onde Regina nasceu. E um pouco mais longe, uma mulher vestida com um manto preto. Cora. A mulher era Cora. Regina voltou ao que ela podia chamar de “realidade”, afinal, aquela seria a sua até achar uma saída. Voltando a andar, ela pôde ver espelhos em formato oval. Espelhos que estava acostumada a ter em seu antigo castelo, quando ainda reinava na Terra Encantada. De repente, um rosto lhe surgiu. Um homem negro com linhas de expressão marcadas e desgastadas.
“Sidney? Sério?” Regina revirou os olhos. Ela esperava ver qualquer um, qualquer coisa, mesmo aquele homem patético. A única coisa que ela sentia por ele era náuseas.
“Vossa Majestade, majestade querida, largastes o trono em tua corte antiga, em prol da felicidade?” Sibilou o homem, seus olhos preocupados em avisar à morena.
“Está recitando? É alguma piada?” Regina olhou em volta, mas o homem parecia mais que sério e intensamente preocupado. “Suma daqui, Sidney, a última pessoa que quero ver é você” Praguejou.
Sendo assim, ela começou a andar para longe daquele maldito espelho. Mas, pobre Regina, não tinha muita sorte. As paredes começaram a tremer, surgindo delas incontáveis espelhos. E em todos eles o mesmo rosto moreno do homem. “Estará preso a mim para todo sempre” Regina se lembrou. Quando o Gênio fez seu último pedido, que ficasse com Regina para todo sempre, acabou sendo aprisionado a um de seus espelhos. Ela preferiu ignorá-lo até recuperar sua paciência. Ao continuar andando, Regina preferiu manter o foco, pois precisava alcançar aquela luz o mais rápido possível.
“Do que Vossa Majestade foge? Não há o que temer se não houver nada a esconder” Sibilou Sidney. A voz grave do homem ecoava pelo corredor e soava mais alto por conta da quantidade de espelhos.
Ela mantinha passos controlados, pois sabia que aquele lugar era mágico. Então correr não iria adiantar, ela precisava ter calma e montar aquele quebra-cabeça. De repente, ela passou por uma moldura que não espelhava o rosto comprido de Sidney, e sim outra pintura. Uma menina, a mesma que agora Regina sabia ser ela, brigava com outra criança. Era um garoto com cabelo espetado e sua pele um pouco mais escura que a da menina. Ela fazia bico, como quem discutia e o menino mexia a mão, zombando dela. A menina, irritada, pisou no pé do menino que abriu a boca, como quem reclamasse da dor.
“Quem são estas crianças?” Perguntou Sidney, sua voz fazia eco. Regina estreitou os olhos, reparando detalhes mais específicos, como o queixo quadrado do garoto e suas sobrancelhas retangulares.
“Sou eu... e Daniel” Se ouviu dizer. O som do nome do homem fez o coração de Regina se rasgar, a dor era mais intensa naquele mundo, parecia tão real que ela teve de tocar para verificar se estava realmente ferida. Mas não havia nada ali.
Ela continuou a encarar a imagem, enquanto o menino reclamava da dor, a menina ria debochando. Um sorriso se formou no rosto de Regina enquanto ela assistia. O pequeno Daniel, então, se pôs de pé e beijou a bochecha da menina que imediatamente corou. Regina se lembrava desse momento, desde aquele momento ela passou a observar Daniel e a conviver mais com o garoto. Seu amor verdadeiro.
Amor verdadeiro foram as palavras chaves. Regina havia sido amaldiçoada pela própria poção. Os últimos momentos antes de cair no sono profundo estavam voltando a sua mente. Ela havia concordado em fazer isso, e se lembrava de que havia discutido com Emma Swan porque a loira queria impedi-la de ser amaldiçoada. Mas algo não se encaixava. Por que Emma impediria? Elas não se odiavam? Regina não conseguia se lembrar. Por que era tão importante para ela que Regina ficasse sã e salva, e porque Regina se importava com o que a loira pensava? Afinal, por que motivação ela havia aceitado aquilo? Tinha haver com Henry? Não conseguia responder.
“Pareces-me confusa, o que se passa por tua mente obscura?” Perguntou o espelho, aparecendo sobre a antiga imagem. Regina olhou para o espelho, ainda mais confusa.
“Não sei o que estou fazendo aqui” Respondeu Regina, retomando sua caminhada. Nos espelhos se transformavam imagens diversas, todas em momentos diferentes na vida de Regina. Como a primeira vez de Regina em uma praia, com seu pai e sua mãe. Cora permanecia longe, enquanto Henry brincava com a filha na água. Ou momentos como a primeira vez que subiu em um cavalo ou sua primeira competição. Todos aqueles momentos que Regina esqueceu. Mas de repente, as imagens mudaram, à medida que Regina andava.
“Quem são estes?” Perguntou Sidney, curioso. Regina se virou para encarar a imagem que ele se referia. Eram seus pais. Cora gritava com Henry, gesticulando e apontando. Regina lembrava daquilo como se tivesse acontecido minutos atrás. A menina, já com quinze anos, ouvia, por trás da porta, seus pais gritando um com o outro. Foi a primeira vez que Regina ouviu seu pai falando alto, com qualquer um.
“Você vê a forma que ela se veste! E como ela anda, é repugnante! Daqui a pouco ela estará saindo com damas, ao invés de rapazes!” Gritava Cora. Regina, até então, não havia se lembrado do que sua mãe falava exatamente. Por algum motivo desconhecido, como o motivo de ela estar ali, Regina não se lembrava do por que preferiu esquecer. De volta à imagem, Henry dizia à Cora que não importava o jeito que ela se vestia ou com quem ela saísse porque, sendo seus pais, eles a amariam de qualquer forma. E em resposta, Cora disse apenas uma frase com um sorriso sombrio, que Regina nunca pôde esquecer. “Amor é fraqueza”.
As lágrimas não se continham nos olhos da morena e caíam sobre sua bochecha. A dor em seu peito aumentava de forma absurda. Como Regina se arrependia da morte de seu pai, ela se arrependia mais que tudo. Tudo que ela amava foi tirado, tudo: Seu amor verdadeiro, o amor materno, e o paterno. Foi-lhe tirado seu coração por inteiro, e junto dele sua capacidade de amar. Não literalmente, seu coração ainda batia em seu peito, mas Regina desejava poder tirá-lo e assim acabar com sua dor. Entretanto, havia algo que fazia com valesse a pena, mas Regina só descobriria o quê, se chegasse ao final do corredor. Por isso a insistência, por isso seu desespero. O que brilhava no fundo daquele imenso corredor era a esperança.
Tomada pelo desespero e aflição Regina passou a correr, suas lágrimas caindo compulsivamente. Ela precisava chegar, não aguentava. As vozes dos quadros se misturavam com o som dos metais colidindo e mais a voz aflita de Sidney, perguntando-a porque a correria.
Regina precisava se lembrar, precisava sair dali, precisava sair do passado. A imagem dos quadros só lhe traziam sensações ruins e cruéis. Ela parou de observá-las desde que vira Daniel vestido com trajes de cavalariço, aquela roupa não era uma roupa qualquer. Era a roupa que Daniel usava na noite que foi morto. Ela não queria mais lembrar, não queria se lembrar de mais nada. A dor lhe consumia, junto com a angústia que congelavam sua alma. A luz, finalmente, ficava mais perto. Seu pulmão reclamava pela ausência de ar e Regina foi obrigada a parar. Exausta ela se ajoelhou ao chão, tentando recuperar o ar e tentando parar de chorar.
“Por que eu estou aqui? Nada faz sentido!” Gritou Regina o mais alto que podia. Seus olhos inchados e avermelhados. Sidney a fitou confuso. Nunca havia visto tanta fragilidade na Rainha, ele sabia o que isso significava. Significava que Regina estava apaixonada.
“Não sabes o que a levou até aqui?” Recitava Sidney. Regina limpou as lágrimas, e se voltou ao homem refletido no espelho. “Terás de seguir em frente para descobrir” Acrescentou.
Regina se levantou, se sentindo fraca. Ela olhou ao redor, havia um quadro pequeno e retangular. Ela apenas podia ver seu reflexo, até que a imagem se projetou a sua frente, de modo lento. Regina podia ver o rosto molhado de Emma, os olhos verde-esmeralda da loira tinham um tom avermelhado, pois ela chorava compulsivamente.
“Por que ela chora?” Perguntou Regina, erguendo a mão para tocar a imagem, mas fora impedida pelo vidro. “Pare de chorar!” Sussurrou, inutilmente. De repente, o exterior foi sendo lentamente revelado. Emma segurava a mão da própria Regina, que se encontrava deitada sobre uma cama, desacordada. “O que está acontecendo?” Perguntou Regina, angustiada. O choro de Emma lhe partia o coração.
“A salvadora choras por tua amada, que para proteger teus amores aceitou ser amaldiçoada” Recitou Sidney, mais uma vez.
Inúmeras lembranças voltaram à mulher de forma abrasiva. Ela se lembrava de tudo em sórdidos detalhes. Lembrava-se do mundo dos sonhos, dos perigos que ele oferecia para seu filho e que por isso ela se sacrificou sendo vítima da maldição do sono. Lembrava-se exatamente do que tinha que dizer para a princesa, que estaria a sua espera, para impedir Cora de chegar a Storybrook. Regina se lembrou de ter organizado uma festa inteira para Emma porque a mesma nunca havia tido uma festa de natal. Regina se lembrava de amar Emma Swan com uma intensidade vista apenas uma vez em toda sua vida. Ela olhou para frente, dando um pulo ao se assustar. A luz estava logo a sua frente, vinha de um espelho mágico. Mas este era maior do que qualquer outro, até mesmo do próprio Sidney, ocupada toda a parede. A imagem estava lá.
Era Regina sentada à mesa do jantar com sua esposa, Emma Swan, seu filho e seu pai; Henry Mills. De repente, a dor vinda do peito da morena parou de incomodá-la. Pelo contrário, uma sensação de conforto e imensa felicidade se apossaram de qualquer dor que existisse ali. Por que Cora não estava junto à mesa? Talvez Regina não mais conseguisse associar a mãe a qualquer sentimento semelhante à felicidade. Diferente das outras, a foto não se mexia. Não se mexiam porque não era uma lembrança, quiçá uma previsão. Era apenas um desejo. O desejo mais profundo de Regina Mills: Uma família. Aquela era sua esperança. Era o motivo que a fazia levantar, limpar suas lágrimas e continuar a enfrentar qualquer um e qualquer coisa. Ela não poderia mais ter a companhia de seu pai, de fato. Mas poderia ter seu filho e a única pessoa capaz de enfrentar o mundo por ela, assim como Regina enfrentaria.
Agora, Regina tinha que alcança-los, voltar a sua família, voltar àqueles que a amavam e que ela amava. Sem hesitar, ela adentrou o espelho, que escondia um portal para outro mundo. Mas em vez de se juntar a aqueles que faziam parte da imagem anterior, Regina despencou de uma altura descomunal. Não se podia ver muita coisa, apenas fogo, e mais fogo.
* * *
–REGINA! –Gritava Emma, mais uma vez. Depois de quatro horas, a loira havia parado de contar a quanto tempo a Prefeita estava dormindo. Não importava o tempo real, mas para ela parecia um século. Mary Margaret, finalmente, segurou o braço de Emma, puxando-a para um abraço. David continuava a olhar a loira, tão confuso quanto a horas atrás. –Ela já devia ter acordado! –Choramingava Emma.
–Isso leva tempo, de fato. –Comentou Gold, um pouco assustado. Ela sabia sobre Regina e Emma, mas não tinha ideia sobre a proporção daquela reação. Sem dúvidas era Amor Verdadeiro, isso era fato. De qualquer jeito, Emma se afastou e limpou as lágrimas, retomando um pouco de ar.
–O que nós fazemos agora? –Perguntou Emma, tentando conter seus soluços. Gold atravessou o balcão, segurando um frasco pequeno contendo um líquido roxo.
–Vamos fechar a passagem de Cora. –Anunciou o homem, pegando seu casaco. Emma assentiu pronta para acompanha-lo, mas foi impedida pelo mesmo. –Não, você fica. Está transtornada, e isso só irá me atrapalhar.
Restou a ela concordar. Então, Gold entrou no carro e dirigiu sozinho até o poço de água, o lugar que ele havia usado para trazer magia de volta para Storybrook. Agora, Emma, Mary Margaret e David tinham de esperar. Esperar que o feitiço de Gold desse certo, e esperar que Regina acordasse trazendo boas notícias. Para Emma, era esperar só que Regina acordasse. A loira se sentou em uma poltrona ao lado da cama, onde Regina adormecia. Ela queria estar ali assim que a morena acordasse, se ela acordasse. O silêncio permaneceu, até que David não conseguisse mais se segurar.
–Certo, Emma, que diabo foi isso? –Exclamou David, não mais se contendo. Mary Margaret tentou impedir o marido, mas já era tarde. Emma o olhou como quem acabasse de perceber que estava ali.
–Querido... –Contestou Mary Margaret.
–“Querido”? Parece que só eu estou vendo! –Disse Charming, indignado. –O que essa mulher fez a você, Emma? Não é mais a mesma!
–Ela não fez nada, — Defendeu Emma, imediatamente. –Está tudo bem, ok!
–Bem? Há minutos você estava chorando por ela? O que lhe aconteceu? –A voz de Charming se tornava cada vez mais alta. Emma não iria ceder, não era mais criança e estava farta de ouvir aquelas coisas sobre a mulher que amava.
–Ela não fez nada! Vocês são tão acostumados a estarem certos e serem os salvadores, que não conseguem ver quando uma pessoa está fazendo o melhor que pode para mudar! Regina mudou! Todo mundo merece uma segunda chance, não é mesmo? E por que seria diferente com ela? –Gritou Emma. –Eu-
–Emma! –Mary Margaret a cortou antes que pudesse qualquer coisa. –Vamos, querido, não vamos piorar as coisas, certo? –A morena chamou o marido. David não conseguia entender, e não poderia aceitar de maneira alguma se lhe fosse sugerido.
Mary Margaret conseguiu afastar marido e filha, se não o fizesse, Emma poderia acabar falando demais e estragando tudo. Ela sabia que Emma a amava, mas não tinha certeza se o sentimento era mútuo, afinal, ela não confiava em Regina. Como poderia? E mesmo se fosse, Snow achava melhor que a ideia fosse apresentada a David, e a toda a cidade, por elas duas. E não em um ato mal pensado de Emma. Ela, mesmo não percebendo, estava controlando a situação mais uma vez, pensando ser melhor para a filha.
* * *
Regina abriu os olhos, sentindo uma dor latejante em seus braços e pernas. Sua visão foi clareando lentamente, até se assustar com o fogo a sua volta. Ela levantou, de pressa, com medo de ser atingida pelas chamas, mas a mesma estava longe demais para machuca-la. Olhou a sua volta, a procura da Princesa, mas não havia ninguém lá. Regina sabia o que tinha que dizer, não havia pensado em apenas uma coisa: Ela e Aurora poderiam dormir em horas diferentes e acabar se desencontrando. Mas Regina esperaria ali, até que a ruiva aparecesse, temendo que fosse tarde demais.
O fogo estava começando a invadir o grande quadrado de azulejos. Por um momento, Regina temeu se ferida, até que se lembrou: Estava em um mundo dos sonhos, um mundo mágico. Isso significava que ela tinha mágica e poderia usá-la aqui. Sendo assim, em um movimento rápido de mãos, Regina afastou qualquer chama que ousasse se aproximar dela.
“Henry!” Uma voz aguda ecoou na sala, no momento em que Regina afastou o fogo ao seu redor. Era Aurora, a princesa.
“Olá!” Chamou Regina. A mulher finalmente avistou a Prefeita. Sua expressão tomou um ar assustado e amedrontado. “Calma, eu-”
“Você! Eu sei quem é você!” Gritou Aurora, com medo. “Você é a Rainha! Regina!” A morena tentou acalma-la, mas quando tentava se aproximar, Aurora recuava.
“Eu estou aqui para ajudar! A combater Cora!” Argumentou Regina, um pouco magoada com a recepção. Mas como poderia ser diferente? Ela era, de fato, a Rainha Má.
“Como sabe de Cora? O que fez com Henry?!”
“Henry é meu filho, apenas me ouça!” Gritou Regina, irritada. Aurora se calou imediatamente. A morena se aproximou, certificando-se de que ela ouviria cada palavra. “Na cela, onde Rumpelstiltskin foi preso, há uma tinta da caneta mágica que ele foi aprisionado. Essa tinta fará o mesmo trabalho, com Cora, e então, vocês a aprisionarão na mesma cela. Entendeu?”
Mas Aurora não respondeu, desconfiada. “ENTENDEU?” Gritou Regina.
“Entendi. Só não entendi por que você vai nos ajudar?” Sibilou a princesa. Regina revirou os olhos.
“Digamos que Cora é nossa inimiga comum” Disse Regina lentamente, como quem fala com criança. “Agora acorde e vá fazer” Aurora assentiu, prontamente. Mas antes de ir, um pensamento lhe o ocorreu.
“Você foi amaldiçoada só para me dizer isso?” Aurora ousou perguntar. Regina assentiu receosa do que viria depois. “Isso significa que Cora é mesmo poderosa, para ser temida até pela Rainha Má” Regina revirou os olhos, era uma característica de princesas serem lentas? “Espere... Só se pode ser acordada pela maldição do sono com o beijo do amor verdadeiro, como pretende acordar?!” Perguntou Aurora, assustada. Por um minuto, Regina parou. Ela estava contando com a sorte, na verdade. Se sua magia funcionasse... Se ela estivesse forte o suficiente... Se...
“Eu... Eu...” Regina tentava procurar algo. Mas sinceramente, ela não fazia ideia de como acordaria. Aurora a fitou, assustada. “Não importa, agora vá! Antes que seja tarde!” Ordenou Regina. Aurora fechou os olhos e serrou os punhos, desejando acordar. E então, sua imagem foi se dissipando, aos poucos, até não restar mais nada. Finalmente, Regina podia se desesperar. Ela precisava pensar em um jeito de voltar, se não ficaria ali para sempre. E Regina nem sabia se o tempo no sonho era o mesmo que o mundo Real. Ela pensava estar ali não mais de vinte ou trinta minutos. O beijo de amor verdadeiro a faria acordar. Seu amor verdadeiro havia morrido a mais de vinte oito anos. Daniel. O medo tomou conta de seu corpo e mente. Regina não iria acordar.
* * *
–Aurora! Finalmente! Não há mais tempo. –Disse Mulan, aliviada. –Você conseguiu? –Perguntou, gentilmente. Aurora levantou-se atordoada, mas já consciente.
–Temos que voltar. Eu sei um jeito de deter Cora!
* * *
No Granny’s, Henry insistia para que Ruby o levasse de volta para a loja de Sr. Gold com a desculpa que Regina havia pedido que não demorasse muito fora de casa, e fazia mais de quatro horas que Emma pediu para que Ruby cuidasse de Henry enquanto ela resolvia uns problemas com Gold. A morena estava em dúvida, mas acabou cedendo aos pedidos do menino.
–Se suas mães brigarem comido... Vou dizer que a culpa é sua. –Brincou Ruby. Henry riu. E então, ela acelerou o carro. Eles estavam quase chegando à loja quando Henry avistou o carro de Gold.
–Ali! Eles estão ali! –Disse o menino, apontando para o carro do homem. Ruby girou o volante rapidamente, seguindo o carro
–Tem certeza disso? –Perguntou Ruby, desconfiada. Henry assentiu certo
Henry estava curioso para saber o que eles; Regina, Emma e Gold haviam resolvido sobre Aurora. Foi por causa dele que eles ficaram sabendo da vinda de Cora, o menino deveria ser incluído nas conversas. Bem, era o que Henry pensava. Ele não fazia ideia de que, se fosse para a loja, se depararia com Regina deitada em uma cama, semimorta, e Emma chorando compulsivamente sobre seu corpo adormecido. Não era cena para criança nenhuma ver. Mas ao contrário disso, eles seguiam o carro de Gold, que o levaria para uma cena, não mais agradável, afinal, a intenção de Gold era matar Cora ou qualquer um que passasse por sua barreira. Henry deveria permanecer com Ruby, mas era curioso demais e esperto demais. Um dia sua curiosidade ainda iria prejudica-lo.
* * *
Por sorte, a prisão não ficava tão longe quanto Mulan havia calculado. Elas chegaram antes mesmo de escurecer. Ao contrário do que Regina havia dito à Aurora, elas encontraram um pedaço de pergaminho escondida em uma pedra. No pergaminho continha um nome, um único nome, repetido inúmeras vezes, preenchendo todo espaço possível da folha, frente e verso. Não demorou até que Mulan compreendesse. A tinta estava na cela, de fato, mas não do modo que elas pensavam e sim na tinta contida no papel. Elas guardaram o papel com cuidado em um lugar seguro, e voltaram sua jornada até Cora.
Elas precisavam correr, antes que Cora e Gancho conseguissem abrir um portal. Uma vez tendo o feijão mágico, isso não seria difícil. Mulan sabia para onde eles tinham ido: Para o Lago Mágico. O Lago tinha propriedades mágicas, obviamente, e com o feijão abriria o portal para onde aquele que o jogasse, em meio à água, quisesse. Depois de horas de jornada, elas avistaram o casal. Tudo coincidia com aquilo que Mulan e Aurora pensavam, eles estavam no lago e usariam o feijão para atravessar um portal, tudo menos água do lago. No entanto, elas não tinham tempo para pensar. De pressa, Mulan retirou sua espada da cintura e apontou para o homem moreno, que ameaçava sua Princesa há horas atrás.
–Ora, ora... Pensei que tivesse encerrado esse assunto, Gancho. –Sibilou Cora. Seu tom de superioridade e seus olhos refletiam o vazio que existia em seu peito, em sua alma, isso a fazia ser temida por qualquer um. Gancho a olhou, com o mesmo sorriso provocativo.
–Não achei que fosse necessário, afinal — Dizia Gancho, se aproximando das mulheres. De repente, o chão começou tremer, provocando rachadura e tão logo uma abertura imensa bem na frente deles. Uma névoa de tom lilás rodava enquanto o chão se abria, até que de repente uma quantidade absurda de água surgiu, rodando em redemoinho de forma assustadora.
Mulan, então aproveitando a deixa, partiu para cima do homem que, tão rapidamente, se defendeu. Gancho já estava habituado com lutas como aquele, o fato de seu oponente ser uma mulher, não mudaria nada. Aurora então usou do arco e flecha para atacar Cora, mas a mesma já tinha desaparecido antes que qualquer coisa fosse feita.
Enquanto Mulan investia sua espada contra Gancho, Aurora tentava de todo jeito se tão útil quando sua companheira de batalha. Mas Cora era rápida demais. A fumaça roxa se propagou no ar trazendo a imagem de Cora de volta, logo atrás da Princesa. Então, com um movimento de mãos, ela pôs Aurora no ar. Por mais que ela tentasse se debater e sair de lá, algo não visível a envolvia. Já Mulan estava concentrada em sua batalha, o barulho das laminas colidindo era o único no qual ela se preocupava, até ouvir o grito de sua amada. Mulan correu para ajuda-la, mas foi impedida pelo homem segurando seu braço. Rapidamente, ela puxou com força o corpo do rapaz para perto e, serrando os punhos, acertou-lhe um soco.
Gancho caiu em meio ao chão, sentindo uma terrível tontura. Era compreensível, já que o punho de Mulan era revestido com o resto de uma antiga armadura. Aproveitando a situação, Mulan correu até Cora. Mas não foi bem sucedida, apenas fez com que a mesma tirasse sua atenção sobre a Princesa, fazendo a cair imediatamente. Virando-se para a caçadora, Cora investiu com uma bola de fogo entre as mãos. Mulan se esquivou, rapidamente, e arremessou-se contra Cora, mas a mesma se defendeu formando um escudo protetor invisível. Entretanto, Mulan não desistiu, continuou abordando-a com sua espada. Cora era muito poderosa, mas seu escudo não aguentaria por muito tempo. Então, ela arremessou mais uma bola de fogo, só que dessa vez o tiro cumpriu seu papel. Mulan e Aurora foram arremessadas para longe, mais precisamente ao lado do lado em movimento. Não havia tempo para reclamar da dor. Cora estava distraída com a quebra de seu escudo, aquela era sua deixa. O portal é o que ela mais deseja, pensava Mulan. E logo uma ideia brotou.
A caçadora levantou-se o mais rápido que pôde, mas em vez de atacar a oponente mais uma vez, ela puxou Aurora do chão e segurou sua mão.
–NÃO! –Gritou Cora, ao perceber o plano de Mulan. Sem hesitar, a morena fez. Segurou a mão de Aurora com força, para ter certeza de ela não iria escapar, e pulou no lago encantado.
* * *
... Eles seguiam o carro de Gold, que o levaria para uma cena, não mais agradável, afinal, a intenção de Gold era matar Cora ou qualquer um que passasse por sua barreira. Henry deveria permanecer com Ruby, mas era curioso demais e esperto demais. Um dia sua curiosidade ainda iria prejudica-lo.
(...)
–O que você está fazendo? –Gritou Henry. Faíscas com um tom esverdeado faziam uma conexão entre o poço e as mãos. Sr. Gold estava fazendo aquilo que lhe foi designado: Convocar uma barreira para impedir Cora. Agora que tinha começado, não podia parar.
Ruby, percebendo o que estava acontecendo, segurou os ombros do menino para que não se aproximasse do homem. O corpo de Gold se tremia por inteiro, como se aquela luz estivesse consumindo boa parte de sua energia.
–Ele vai matar Aurora! Ela vai conseguir vencer Cora! –Henry gritava para Ruby.
–Aurora? Cora? –Perguntou Ruby confusa, sem soltar o menino. Uma brisa gelada acariciou o rosto de Ruby, provocando um arrepio por toda sua coluna. Uma névoa passou a sair do poço. Assustada, Ruby recuou. Aquela névoa significava magia negra, e ela sabia disso. Henry, aproveitando o receio de Ruby, se soltou dos braços da mora e correu até Sr. Gold empurrando-o com toda a força que poderia ter com seus braços finos, fazendo com que a conexão entre ele a barreira se rompesse.
–NÃO! –Gritou Gold, tudo que tinha feito foi destruído. O garoto olhou esperançoso para o poço. Mas nada aconteceu. Durante longos minutos: Silêncio.
Até que uma mão se apoiou nos tijolos, e então a outra. Aurora se levantou e sentou-se no muro, ajudando a mulher que a acompanhava a fazer o mesmo. Suas roupas estavam rasgadas e amassadas, como quem realmente tivesse participado de uma batalha. Nada mais adequado. Henry correu para ajuda-las a sair e Ruby o acompanhou.
–Como? Como vocês sobreviveram a Cora? –Balbuciou Sr. Gold, surpreso. Ruby segurou Mulan em seu ombro, ela estava muito mais fraca que a Princesa, mas ainda sim consciente. Aurora o olhou, com um sorriso orgulhoso de sua vitória.
–Cora perdeu, -Dizia Aurora. Ruby segurou Mulan em seu ombro, ela estava muito mais fraca que a Princesa. –Por que nós temos algo, que ela nunca terá. –Um sorriso brotou nos lábios de ambas. Aurora referia-se ao amor verdadeiro.
❤
Fale com o autor